sábado, 10 de abril de 2010

FESTA DA DIVINA MISERICÓRDIA – Ser misericordioso: quando nossa caridade é acompanhada de compaixão e pena



2º DOMINGO DA PÁSCOA
11/04/2010

Ano C
At 5, 12-16
Sl 117
Ap 1, 9-11a.12-13.17-19
Jo 20, 19-31


«Ser misericordioso: quando nossa caridade é acompanhada de compaixão e pena»

Se a nossa caridade fosse acompanhada de compaixão e de pena, não daríamos tanta atenção aos defeitos do próximo, de acordo com a palavra que diz: “A caridade cobre uma multidão de pecados” (1Pe 4,8) e também: “A caridade não se atarda no mal, desculpa tudo” (1Co, 13,5.7).

Por isso, se tivéssemos caridade, essa mesma caridade cobriria toda a falta e nós seríamos como os santos quando vêem os defeitos dos homens. Será então que os santos são cegos a ponto de não verem os pecados? Mas haverá quem deteste tanto o pecado como os santos? E, contudo, eles não odeiam o pecador, não o julgam, não o evitam. Pelo contrário, compadecem-se dele, exortam-no, consolam-no, tratam-no como a um membro doente; fazem tudo para o salvar.

Quando uma mãe tem um filho deficiente, não se afasta dele com horror mas tem gosto em vesti-lo bem e em tudo fazer para o embelezar. É assim que os santos protegem sempre o pecador e se ocupam dele para o corrigirem no momento oportuno, para o impedirem de prejudicar outrem e, assim, para eles próprios progredirem na caridade de Cristo.

Adquiramos, pois, também nós, a caridade; adquiramos a misericórdia para com o próximo, para nos defendermos da terrível maledicência, do julgamento e do desprezo. Prestemos socorro uns aos outros, como se fossem os nossos próprios membros. Porque “somos membros uns dos outros”, diz o apóstolo Paulo (Rm 12,5); “se um membro sofre, todos os membros sofrem com ele” (1Co 12,27). Numa palavra, tende cuidado, cada qual à sua maneira, em permanecer unidos uns aos outros. Porque, quanto mais unido se está ao próximo, tanto mais se está unido a Deus.


São Doroteu de Gaza, Monge
Instruções, IV, 76

FESTA DA DIVINA MISERICÓRDIA – Senhor Misericordioso, como é grande o teu amor por mim, pecador!



2º DOMINGO DA PÁSCOA
11/04/2010

Ano C
At 5, 12-16
Sl 117
Ap 1, 9-11a.12-13.17-19
Jo 20, 19-31


«Senhor Misericordioso, como é grande o teu amor por mim, pecador!»

Senhor Misericordioso, como é grande o teu amor por mim, pecador! Permitiste-me que te conhecesse; deste-me a provar a tua graça. «Saboreai e vede como o Senhor é bom» (Sl. 33,9). Deixaste que eu saboreasse a tua bondade e a tua misericórdia, e insaciavelmente, dia e noite, a minha alma é atraída por ti. A alma não pode esquecer o seu Criador, porque o Espírito divino lhe dá forças para amar aquele que ela ama; Não pode saciar-se, mas deseja sem cessar o seu Pai celeste.

Feliz a alma que ama a humildade e as lágrimas e que odeia os maus pensamentos. Feliz a alma que ama o seu irmão, porque o nosso irmão é a nossa própria vida. Feliz a alma que ama o seu irmão; ela sente em si a presença do Espírito do Senhor; Ele dá-lhe paz e alegria e chora pelo mundo inteiro.

A minha alma recordou-se do amor do Senhor e o meu coração acalentou-se. A minha alma abandonou-se a uma profunda lamentação, porque ofendi tanto o Senhor, meu Criador bem amado. Mas Ele não se recordou dos meus pecados; então a minha alma abandonou-se a uma lamentação ainda mais profunda para que o Senhor tenha misericórdia de cada homem e o leve para o seu Reino celeste. A minha alma chora pelo mundo inteiro.


São Siluane de Athos, Monge
Dos Escritos Espirituais
Pe. Sofronio, o Sterets
“São Siluan, o Antonita”

FESTA DA DIVINA MISERICÓRDIA – Misericórdia: transformar o mal em bem



2º DOMINGO DA PÁSCOA
11/04/2010

Ano C
At 5, 12-16
Sl 117
Ap 1, 9-11a.12-13.17-19
Jo 20, 19-31

«Misericórdia: transformar o mal em bem»

Certas pessoas convertem em maus humores todos os alimentos que absorvem, mesmo que sejam alimentos de boa qualidade. A responsabilidade não é dos alimentos, mas do temperamento dessas pessoas, que altera os alimentos. Da mesma maneira, se a nossa alma tiver uma disposição má, tudo lhe fará mal; até as coisas vantajosas serão por ela transformadas em coisas prejudiciais. Não é verdade que, se deitarmos umas ervas amargas num pote de mel, as ervas alteram todo o conteúdo do pote, tornando amargo o mel? É isso que nós fazemos: espalhamos um pouco do nosso azedume e destruímos o bem do próximo, olhando para ele a partir da nossa má disposição.

Outras pessoas têm um temperamento que transforma tudo em bons humores, incluindo os alimentos nocivos. Os porcos têm uma excelente constituição. Comem cascas, caroços de tâmaras e lixo. Contudo, transformam estes alimentos em viandas suculentas. Também nós, se tivermos bons hábitos e um bom estado de alma, tudo poderemos aproveitar, incluindo aquilo que não é aproveitável. Muito bem diz o Livro dos Provérbios: “Quem olha com doçura obterá misericórdia” (12, 13). Mas também: “Todas as coisas são contrárias ao homem insensato” (14, 7).

Ouvi dizer de um irmão que, quando ia visitar outro irmão e encontrava a cela descuidada e desordenada, pensava: “Que feliz que é este irmão, que está completamente desprendido das coisas terrenas, elevando totalmente o seu espírito para o alto, de tal maneira que nem tem tempo para arrumar a cela!” Quando ia visitar outro irmão e encontrava a cela arrumada e em boa ordem, pensava: “A cela deste irmão está tão arrumada como a sua alma. Tal como a sua alma, assim é a sua cela.” E nunca dizia de nenhum deles: “Este é desordenado.” Ou: “Este é frívolo.” Graças ao seu excelente estado de alma, de tudo tirava proveito.

Que Deus, na sua bondade, nos dê, também a nós, um estado bom para que possamos tudo aproveitar, sem nunca pensarmos mal do próximo. Se a nossa malícia nos inspirar juízos e suspeitas, transformemo-los rapidamente no pensamento. Pois não ver o mal do próximo engendra, com a ajuda de Deus, a bondade.


São Doroteu de Gaza, Monge
Carta 1

FESTA DA DIVINA MISERICÓRDIA – Sentir a compaixão que Deus experimenta pelo mundo



2º DOMINGO DA PÁSCOA
11/04/2010

Ano C
At 5, 12-16
Sl 117
Ap 1, 9-11a.12-13.17-19
Jo 20, 19-31


« Sentir a compaixão que Deus experimenta pelo mundo»


Irmão, recomendo-te isto: que a compaixão cresça sempre na tua balança, até que sintas em Ti a compaixão que Deus experimenta pelo mundo. Que este estado se torne o espelho no qual vemos em nós próprios a verdadeira «imagem e semelhança» da natureza e do ser de Deus (Gn 1,26). É por essas coisas e por outras semelhantes que recebemos a luz, e que uma clara resolução nos leva a imitar Deus. Um coração duro e sem piedade nunca será puro (Mt 5,8). Mas o homem compassivo é o médico da sua alma; como por um vento violento, ele afasta para fora de si as trevas da perturbação.


Santo Isaac, o Sírio, Monge
Discursos, 1ª série, nº 34

FESTA DA DIVINA MISERICÓRDIA – Ter misericórdia é viver em paz com todos



2º DOMINGO DA PÁSCOA
11/04/2010

Ano C
At 5, 12-16
Sl 117
Ap 1, 9-11a.12-13.17-19
Jo 20, 19-31

«Ter misericórdia é viver em paz com todos»

Sabes bem desculpar e esconder as tuas faltas, mas não queres aceitar as desculpas dos outros.

Seria mais justo acusares-te a ti próprio e desculpares o teu irmão.

Se queres que te suportem, suporta também os outros.

Vê quanto ainda estás longe da verdadeira caridade e da humildade que nunca se irrita nem indigna senão contra si própria.

Não significa grande coisa viver bem com pessoas boas e pacíficas, porque isso agrada
naturalmente a toda a gente: todos prezamos a paz e nos afeiçoamos àqueles que pensam como nós.

Mas poder viver em paz com pessoas duras, más, indisciplinadas, que nos contrariam, é uma grande graça, uma forma de viver louvável e corajosa.

Quem melhor souber gerir o sofrimento, possuirá uma maior paz. Esse é vencedor de si
mesmo e dono do mundo, amigo de Cristo e herdeiro do céu.


A Imitação de Cristo
Livro II, cap.3

FESTA DA DIVINA MISERICÓRDIA – Santa Faustina e a Misericórdia Divina segundo o confessor de Irmã Faustina



2º DOMINGO DA PÁSCOA
11/04/2010

Ano C
At 5, 12-16
Sl 117
Ap 1, 9-11a.12-13.17-19
Jo 20, 19-31

«A Misericórdia Divina segundo o confessor de Irmã Faustina»


A MISERICÓRDIA DIVINA

A Misericórdia de Deus é a perfeição da Sua ação, que se debruça sobre os seres inferiores com o objetivo de retirá-los da miséria e de completar as suas falhas – é a Sua vontade de fazer o bem a todos que sofrem alguma sorte de deficiências e eles mesmos não têm condições de completá-las. O ato singular de misericórdia é a compaixão, e o estado imutável de compaixão – a misericórdia. O relacionamento de Deus com as criaturas manifesta-se em afastar as suas falhas e em lhes conceder menores ou maiores perfeições. A concessão de perfeições considerada em si mesma, independentemente de qualquer circunstância, é uma obra da benevolência divina,
que proporciona os dons a todos, segundo a sua predileção.

Na medida em que atribuímos a Deus o desinteresse na concessão de benefícios, nós a atribuímos à generosidade divina. A vigilância de Deus, para que com a ajuda dos benefícios recebidos cheguemos ao objetivo que nos foi assinalado, é por nós chamada de providência. A concessão de perfeições segundo um plano e uma ordem previamente estabelecidos será uma obra de justiça. E finalmente a concessão de perfeições às criaturas com o objetivo de retirá-las da miséria e de afastar as suas falhas é uma obra de Misericórdia.

Nem em todo ser uma falha significa sua miséria, visto que a cada criatura cabe apenas aquilo que Deus antecipadamente previu e decidiu. Por exemplo, não é uma desgraça da ovelha ela não possuir a razão, nem constitui uma miséria do homem a falta de asas. No entanto a falta da razão no homem ou de asas numa ave será uma desgraça e uma miséria. Tudo que Deus faz pelas criaturas, Ele o faz segundo uma ordem prevista e estabelecida, que constitui a justiça divina. Mas, porque essa ordem foi aceita voluntariamente e não foi imposta a Deus por ninguém, na instituição da ordem existente é preciso ver também uma obra de Misericórdia.

Por isso, ao perscrutarmos as primeiras causas e motivações da ação de Deus, percebemos a Misericórdia em todo ato divino exterior. E visto que não é possível recuar dessa forma ao infinito, é preciso deter-se naquilo que depende unicamente da vontade divina, ou seja, da Misericórdia Divina. Em toda obra divina, de acordo com a visão que dela tivermos, podemos ver as mencionadas perfeições divinas.

Podemos dizer que a bondade divina é a Misericórdia que cria e que doa. A liberalidade divina é a Misericórdia que favorece generosamente, sem méritos; a providência divina é a Misericórdia que vigia; a justiça divina é a Misericórdia que recompensa além dos méritos e castiga aquém das culpas; finalmente o amor de Deus é a Misericórdia que se compadece da miséria humana e nos atrai a si. Em outras palavras, a Misericórdia Divina é a motivação principal da ação de Deus para fora, ou seja, constitui a fonte de toda obra do Criador.

Em todos os livros da Sagrada Escritura do Antigo e do Novo Testamento existem variadas menções à Misericórdia Divina. Onde mais e com maior eloqüência se fala dela é no Livro dos Salmos. Dentre cento e cinqüenta salmos, cinqüenta e cinco glorificam especialmente essa perfeição de Deus, e no Salmo 135 este refrão é repetido em cada versículo: “Porque o Seu amor é para sempre”.

O CULTO DA MISERICÓRDIA DIVINA

"O amor de Jesus Cristo para conosco é divino e humano, por possuir Ele uma natureza e uma vontade divina e humana. Por isso o Sacratíssimo Coração do Salvador pode ser considerado como o símbolo do Seu tríplice amor para conosco: divino, humano espiritual e humano sentimental. No entanto esse coração não é uma imagem formal ou um sinal, mas apenas como que o seu vestígio. Com efeito, nenhuma imagem criada é capaz de representar a essência desse infinito amor misericordioso, como se expressa Pio XII na encíclica “Haurietis aquas” do dia 5 de maio de 1956.

No culto do Sacratíssimo Coração de Jesus veneramos sobretudo o amor humano de Jesus Cristo para com o gênero humano, além do Seu amor divino para conosco, que, como amor à miséria, é misericórdia divina. De maneira que nesse culto veneramos apenas um vestígio da misericórdia divina – que com ela se relaciona. No culto da misericórdia divina, o objeto material mais próximo é o sangue e a água que brotaram do lado aberto do Salvador na cruz. Eles são o símbolo da Igreja. Esse sangue e essa água fluem incessantemente na Igreja em forma de graças que purificam as almas (no sacramento do batismo e da penitência) e que proporcionam a vida (no sacramento do altar), e o seu autor é o Espírito Santo, que o Salvador concedeu aos Apóstolos. O objeto formal nesse culto, ou seja, a sua motivação, é a infinita Misericórdia de Deus Pai, Filho e Espírito Santo em relação ao homem decaído. É o amor de Deus para com o gênero humano num sentido mais amplo, visto que não é um amor que se compraz com a perfeição, mas um compassivo amor à miséria.

Do acima resulta que o culto da Misericórdia Divina é uma conseqüência lógica do culto do Coração de Jesus, com o qual mantém relação, mas agora se apresenta separadamente e com ele não se identifica, visto que possui um outro objeto material e formal, bem como um objetivo inteiramente diverso: diz respeito a todas as Três Pessoas da Santíssima Trindade, e não apenas à Segunda, como aquele, e corresponde mais ao estado psíquico do homem de hoje, que necessita da confiança em Deus. JESUS, EU CONFIO EM VÓS, e por Vós confio no Pai e no Espírito Santo. (Volume II, p. 204-205).

A devoção à Misericórdia Divina – misericórdia que Deus nos proporciona no sacramento da penitência – faz parte daquelas que correspondem a todas as almas. Com efeito, visa à glorificação do Salvador Misericordiosíssimo, não em algum estado ou algum mistério seu particular, mas na sua universal misericórdia, na qual todos os mistérios encontram a sua mais profunda elucidação. E, embora essa devoção se distinga claramente, apresenta em si algo de universal, visto que as nossas homenagens se voltam à Pessoa glorificada do Deus Homem. Isso se expressa pela jaculatória: JESUS, EU CONFIO EM VÓS, que desperta na alma do homem o sentimento de miséria e de pecaminosidade, bem como a virtude da confiança, que é a base da nossa justificação" (Volume II, p. 263).

A CONFIANÇA

"Um fator decisivo para a obtenção da misericórdia divina é a confiança. A confiança consiste em esperar a ajuda de alguém. Não constitui uma virtude isolada, mas é condição necessária da virtude da esperança, bem como parte constituinte da virtude da fortaleza e da magnanimidade. Visto que a confiança decorre da fé, ela intensifica a esperança e o amor. Além disso, de uma ou outra forma relaciona-se com as virtudes morais, e por isso pode ser chamada de fundamento que serve de ligação entre as virtudes teologais e morais. As virtudes morais, de naturais transformam-se em sobrenaturais, na medida em que as praticamos com confiança na ajuda divina.

Por que Deus recomenda tanto a confiança? Porque ela é uma homenagem prestada à Misericórdia Divina. Quem espera a ajuda de Deus confessa que Deus é todo-poderoso e bondoso, que pode e quer nos demonstrar essa ajuda, que Ele é sobretudo misericordioso. “Ninguém é bom senão só Deus” (Mc 10, 18). Devemos conhecer a Deus na verdade, visto que o falso conhecimento de Deus esfria a nossa relação com Ele e estanca as graças da Sua misericórdia.

A nossa vida espiritual depende principalmente das noções que criamos a respeito de Deus. Existem entre nós e Deus relações fundamentais, que resultam da nossa natureza criada, mas existem igualmente relações que resultam da nossa postura diante de Deus, que depende das nossas noções a Seu respeito. Se criarmos noções falsas a respeito do Senhor Supremo, o nosso relacionamento com Ele não será apropriado, e os nossos esforços com o objetivo de consertá-los serão inúteis. Se temos a Seu respeito uma noção inadequada, em nossa vida espiritual haverá muitas falhas e imperfeições. Mas se ela for verdadeira, segundo as possibilidades humanas, a nossa alma com toda a certeza se desenvolverá em santidade e luz.

Portanto a noção a respeito de Deus é a chave da santidade, visto que regula o nosso procedimento em relação a Deus, bem como a de Deus em relação a nós. Deus nos adotou como Seus filhos, mas infelizmente na prática não procedemos como Seus filhos: a nossa filiação divina não passa de um nome, porque em nossas ações não demonstramos a confiança infantil em relação a um Pai tão bondoso. A falta de confiança impede que Deus nos proporcione benefícios, é como uma nuvem escura que estanca a ação dos raios solares, como um dique que impossibilita o acesso à água da fonte.

Sobretudo a confiança é uma homenagem prestada à Misericórdia Divina, que proporciona a quem confia a força e a coragem para superar as maiores dificuldades. A confiança em Deus afasta toda tristeza e depressão, e enche a alma de grande alegria, até nas mais difíceis condições de vida. A confiança opera milagres, porque conta com a onipotência de Deus. A confiança proporciona a paz interior, que o mundo não pode dar. A confiança abre o caminho a todas as virtudes.

Existe uma lenda dizendo que todas as virtudes decidiram abandonar a terra, manchada por numerosas transgressões, e voltar à pátria celestial. Quando se aproximaram da entrada do céu, o porteiro deixou entrar todas com exceção da confiança, para que os pobres homens da terra não caíssem em desespero em meio a tantas tentações e sofrimentos. Diante disso a confiança teve de voltar, e com ela voltaram todas as demais virtudes.

A confiança pode ser comparada a uma corrente suspensa do céu, à qual prendemos as nossas almas. A mão de Deus ergue essa corrente para o alto e arrebata aqueles que a ela se agarram firmemente. (...) Portanto agarremos essa corrente durante a oração, como aquele cego de Jericó que, sentado à beira do caminho, clamava com insistência: “Jesus, Filho de Davi, tem compaixão de mim!” Confiemos em Deus nas nossas necessidades temporais e eternas, nos sofrimentos, nos perigos e nos abandonos. Confiemos mesmo quando nos parece que Deus nos abandonou, quando nos nega os Seus consolos, quando não nos ouve, quando nos oprime com uma pesada cruz. Então é preciso confiar em Deus mais ainda, porque esse é um tempo de provação, um tempo de experiência pelo qual toda alma deve passar.

Espírito Santo, dá-me a graça de uma confiança inquebrantável em razão dos méritos de Jesus Cristo, e temerosa em razão da minha fraqueza.


Quando a pobreza bater à minha porta:
JESUS, EU CONFIO EM VÓS.
Quando me visitar a doença ou a deficiência física:
JESUS, EU CONFIO EM VÓS.
Quando o mundo me rejeitar e me perseguir com o seu ódio:
JESUS, EU CONFIO EM VÓS.
Quando a negra calúnia me manchar e encher de amargura:
JESUS, EU CONFIO EM VÓS.
Quando me abandonarem os amigos e me ferirem com suas palavras e suas ações:
JESUS, EU CONFIO EM VÓS.

Espírito de amor e de misericórdia, sê meu refúgio, meu doce consolo, minha aprazível esperança, para que nas mais difíceis circunstâncias da minha vida eu nunca deixe de confiar em Ti" (Volume III, p. 189-200).


Pe. Miguel Sopocko
Confessor de Santa Faustina
“A Misericórdia de Deus em suas obras”

FESTA DA DIVINA MISERICÓRDIA – João Paulo II: o Papa da Divina Misericórdia



2º DOMINGO DA PÁSCOA
11/04/2010

Ano C
At 5, 12-16
Sl 117
Ap 1, 9-11a.12-13.17-19
Jo 20, 19-31

«João Paulo II: o Papa da Divina Misericórdia»

O Papa João Paulo II faleceu num dia muito significativo, que não pode deixar de traduzir um sinal muito claro da ação de Deus: O Papa faleceu Festa da Divina Misericórdia que se celebra no II Domingo da Páscoa.

O culto da Divina Misericórdia, teve o seu início nas revelações de Jesus a uma jovem religiosa polaca, a irmã Maria Faustina Kowalska, na década de trinta do passado século vinte. Relata a própria Irmã Faustina, que no dia 22 de Fevereiro de 1931, «à noite, quando me encontrava na minha cela, vi Jesus com uma túnica branca. A sua mão direita erguida para abençoar e a outra tangendo a veste junto ao peito. Do lado entrearberto da túnica emanavam dois grandes raios de luz, um de tom vermelho e outro pálido... Jesus disse-me: Pinta uma Imagem conforme a visão que te aparece, com a inscrição: “Jesus, eu confio em vós”. É Meu desejo que esta imagem seja venerada primeiramente na vossa capela e depois em todo o Mundo. Eu prometo que a alma que venerar esta Imagem não se perderá.» Posteriormente, Jesus explicou a Faustina o simbolismo dos raios da imagem nos seguintes termos: «Os dois raios representam o Sangue e a Água: o raio pálido significa a água que justifica as almas; o raio vermelho significa o Sangue que é a vida das almas. Estes dois raios brotaram das entranhas da Minha Misericórdia, quando na cruz o Meu Coração agonizante foi aberto pela lança. Desejo que no primeiro Domingo a seguir à Páscoa se celebre a Festa da Misericórdia».

A irmã Faustina, que faleceu em 1938, apenas com 33 anos, escreveu ao seu confessor em 1935 a seguinte profecia: «Virá o tempo em que esta Obra, que Deus tanto me recomenda, parecerá como que completamente destruída e, depois disso, a ação divina manifestar-se-á com grande força, e há de dar testemunho da sua autenticidade. Será um novo esplendor para a Igreja».

Esta previsão da religiosa, de quase desaparecimento da Mensagem que lhe foi confiada verificou-se efetivamente quando em 1959 a Santa Sé proibiu expressamente a promoção do culto da Divina Misericórdia segundo as inspirações e escritos de Faustina Kowalska. Tal proibição vigorou por 19 anos, até que em Abril de 1978, quase no final do pontificado de Paulo VI, a Santa Sé autorizou a divulgação dos escritos da religiosa polaca e do culto da Divina Misericórdia. Exatamente seis meses depois, o mundo era surpreendido com a eleição papal do polaco Karol Wojtyla, Arcebispo de Cracóvia, a cidade o¬nde falecera a irmã Faustina quarenta anos antes!

Apenas dois anos depois da sua eleição, João Paulo II publicou em 30 de Novembro de 1980 uma Carta Encíclica sobre a Divina Misericórdia “Dives in Misericordia” (Deus Rico em Misericórdia) o¬nde apresenta a oração como “um grito de súplica à Misericórdia de Deus, perante as múltiplas formas de mal que pesam sobra a humanidade e a ameaçam”. No II Domingo da Páscoa de 1993 João Paulo II beatificou a Irmã Faustina dizendo na homilia:

“Saúdo-te, Irmã Faustina. A partir de hoje a Igreja chama-te Bem-Aventurada... Precisamente tu, pobre e simples filha do povo polaco, foste escolhida por Cristo para recordar aos homens o grande mistério da Misericórdia Divina! É deveras maravilhoso o modo como a devoção a Jesus Misericordioso progride no mundo contemporâneo e conquista inúmeros corações humanos! Este é sem dúvida um sinal dos tempos, um sinal do nosso século XX. O balanço deste século que está a terminar apresenta, além das conquistas, que muitas vezes superam as das épocas precedentes, também uma profunda inquietação e receio acerca do futuro. o¬nde, portanto, senão na Misericórdia Divina pode o mundo encontrar refúgio e luz de esperança? Os crentes intuem-no perfeitamente!”



Novamente no mesmo II Domingo da Páscoa, agora do ano jubilar 2000, o Papa canonizou Faustina Kowalska. Referindo-se à mensagem de que a nova Santa fora portadora João Paulo II explicou que “não é uma mensagem nova, mas pode-se considerar um dom de especial iluminação, que nos ajuda a reviver de maneira mais intensa o Evangelho da Páscoa” e pediu a Santa Faustina para nos obter “a graça de perceber a profundidade da misericórdia divina. A tua mensagem de luz e de esperança se difunda no mundo inteiro, leve à conversão dos pecadores, amenize as rivalidades e os ódios, abra os homens e as nações à prática da fraternidade. Hoje, ao fixarmos contigo o olhar no rosto de Cristo ressuscitado, fazemos nossa a tua súplica de confiante abandono e dizemos com firme esperança: Jesus Cristo, confio em Ti!”.

Ainda no ano jubilar, João Paulo II, correspondendo favoravelmente ao apelo da mensagem estabeleceu que o “II Domingo da Páscoa, de agora em diante na Igreja inteira tomará o nome de «Domingo da Divina Misericórdia», assim instituindo para a Igreja toda a Festa da Divina Misericórdia no Domingo da oitava da Páscoa, evidenciando desse modo a intima ligação entre o mistério pascal da Redenção e o mistério da Misericórdia de Deus.

Assim como o atentado sofrido na tarde de 13 de Maio de 1981, teve o condão de chamar a atenção do Papa para a mensagem de Fátima, também a circunstância de João Paulo II ter falecido na vigília do Domingo da Divina Misericórdia (depois aliás de o respectivo dia litúrgico se ter iniciado com a hora de Vésperas), festa por ele instituída há cinco anos, não pode deixar de constituir para todos nós um sinal muito claro de que será vontade de Deus que prestemos uma especial atenção à mensagem e ao culto da Divina Misericórdia. A páscoa de João Paulo II justamente nesse dia, é como que uma consagração definitiva daquela festa. É como que a aposição de um selo divino a confirmar que afinal o Domingo da Divina Misericórdia e a mensagem que foi transmitida a Santa Faustina e de que João Paulo II foi um empenhado arauto, não se trata de uma simples piedade popular, ou de uma devoção particular do povo polaco, sendo antes um culto a estender a toda a Igreja e que radica na melhor teologia que se pode elaborar a partir do coração de Cristo trespassado pela lança, donde brotou água e sangue e donde nasceu a Igreja.

Ao morrer na Festa da Divina Misericórdia, João Paulo II prestou-nos ainda mais um último serviço e deu-nos a sua última catequese, a de que a festa e o culto da Divina Misericórdia são uma fonte inesgotável de bênçãos para a humanidade que não devemos desperdiçar. Cumpriu-se mais uma vez a profecia de Santa Faustina: «A ação divina manifestar-se-á com grande força, e há de dar testemunho da sua autenticidade. Será um novo esplendor para a Igreja». Por tudo isto e pela vida e fecundo serviço de João Paulo II à Igreja e a toda a humanidade damos «graças ao coração misericordioso do nosso Deus».


Diocese de Algarve, PT

FESTA DA DIVINA MISERICÓRDIA – A contemplação de Jesus Misericórdia



2º DOMINGO DA PÁSCOA
11/04/2010

Ano C
At 5, 12-16
Sl 117
Ap 1, 9-11a.12-13.17-19
Jo 20, 19-31

A CONTEMPLAÇÃO DE JESUS MISERICÓRDIA

A presente reflexão nasceu do enlevo com Jesus, que é Misericórdia. Seremos felizes se também você O amar e se fizer do seu coração um vale de confiança que Ele possa semear com a chuva de Misericórdia.

ELE É A IMAGEM DO DEUS INVISÍVEL (Col 1, 15)

Creio que é por mim que surges desta imagem. Não queres ser encerrado na moldura de qualquer perfeição. Não queres ser apenas um “retrato de lembrança”de Deus. Simplesmente te apresentas para hoje me encontrares.

Vens sempre o primeiro em amor. Apressas-te para amar como um escravo, descalço, pedindo a aceitação do Dom do Amor. Saíste ao meu encontro. Agora só falta o segundo passo, quer dizer, o meu passo.

Uma escuridão aterradora, que cresce diante do olhar já assustado pelo temor. Nessa escuridão estão mergulhadas as cores da nossa vida, o cotidiano azul-escuro dividido por uma faixa de verde esperança, com o laranja de um sorriso. Somente agora vejo que as cores da minha vida são um nada diante de Ti, que és a luz do mundo. Eu Te convido – entra em minha vida. Acenda-se em mim a chama da Misericórdia.

Tu me buscas com os olhos, com o olhar repleto de amor. Olhas pacientemente, suavemente, sem ciúme e sem buscares a Ti mesmo, sem te irritares, sem te lembrares do mal. Tudo suportas, em tudo acreditas, sempre em mim depositas a esperança. Olhas para mim com amor.

Falas com o olhar, não preciso investigar até que nível devo buscar o Teu reconhecimento, encantar-te comigo. Tu me aceitas como sou, sempre me abençoas e sempre perdoas.

Diante de mim te desvendas e me convidas para o centro do amor. Aqui está o meu lugar. Tu me preparaste esse lugar e ninguém o ocupará. Tu me gravaste em Tuas mãos, eu me gravei como uma ferida em Teu lado. Foi dolorido o Teu amor para comigo, por isso tenho dele tanta certeza, nele quero apoiar-me. Acalenta-me, Deus.

Tenda do encontro, feixes de raios que penetram tudo, que entram tímidos nos corações fechados pelo buraco da fechadura. Correntes de graças. Não são presentes baratos. Tu dás a Ti mesmo, Tu és o Dom. Volto-me para Ti como a flor para o sol, quero haurir a vida dos Teus raios e Te peço – cubra-me como um escudo a Tua Misericórdia.


Jesus, eu confio em Vós!
Senha que abre
o Coração de Deus
de par em par.
Tu és, Senhor,
o único digno de confiança
e não existe nome nenhum
em que eu possa confiar.
Meu Jesus,
meu Salvador,
meu Rei,
minha Misericórdia!


Irmãs de Jesus Misericordioso
Jesus Misericordiosos.com

FESTA DA DIVINA MISERICÓRDIA – Oração de Santa Faustina para alcançar a graça de ser misericordioso



2º DOMINGO DA PÁSCOA
11/04/2010

Ano C
At 5, 12-16
Sl 117
Ap 1, 9-11a.12-13.17-19
Jo 20, 19-31


ORAÇÃO PARA SER MISERICORDIOSO

“Oh, Senhor, desejo transformar-me toda em tua Misericórdia e ser um vivo reflexo de ti. Que este supremo atributo de Deus, sua insondável Misericórdia, passe através de meu coração ao próximo.

Ajuda-me, oh Senhor, para que meus olhos sejam misericordiosos, a fim de que eu jamais desconfie de ninguém ou julgue segundo as aparências, e que busque o belo na alma de meu próximo e corra a ajudá-lo.

Ajuda-me, oh Senhor, para que meus ouvidos sejam misericordiosos, a fim de que leve em conta as necessidades de meu próximo e não seja indiferente a suas penas e gemidos.

Ajuda-me, oh Senhor, para que minha língua seja misericordiosa, a fim de que jamais fale negativamente de meu próximo e que tenha sempre uma palavra de consolo e perdão para todos.

Ajuda-me, oh Senhor, para que minhas mãos sejam misericordiosas e cheias de boas obras, a fim de que saiba fazer só o bem a meu próximo e tome para mim os trabalhos mais difíceis e mais penosos.

Ajuda-me, oh Senhor, para que meus pés sejam misericordiosos, a fim de que sempre me apresse a socorrer meu próximo, dominando minha própria fadiga e meu cansaço.
Ajuda-me, oh Senhor, para que meu coração seja misericordioso, a fim de que eu sinta todos os sofrimentos de meu próximo.

Que tua Misericórdia, oh Senhor meu, repouse sempre dentro de mim”.


Santa Faustina Kowalska
Diário, 163

FESTA DA DIVINA MISERICÓRDIA – Recordações do confessor de Santa Faustina



2º DOMINGO DA PÁSCOA
11/04/2010

Ano C
At 5, 12-16
Sl 117
Ap 1, 9-11a.12-13.17-19
Jo 20, 19-31


Recordações do confessor de Santa Faustina

Sobre as revelações

Existem verdades da santa fé que na realidade a gente conhece e que recorda, mas que não compreende bem nem com elas vive. Assim aconteceu comigo quanto à verdade da Misericórdia Divina. Tantas vezes pensei a respeito dessa verdade nas meditações, especialmente nos retiros, tantas vezes dela falei nos sermões e a repeti nas orações litúrgicas, mas não penetrei o seu conteúdo e o seu significado para a vida espiritual; de maneira especial eu não compreendia, e num primeiro momento não podia concordar que a Misericórdia Divina seja o supremo atributo do Criador, Redentor e Santificador.

Foi preciso que surgisse uma alma simples e piedosa, estreitamente unida com Deus, a qual – como acredito – por inspiração divina me falou sobre isso e me estimulou a estudos, pesquisas e reflexões a esse respeito. Essa alma foi a falecida Irmã Faustina (Helena Kowalski), da Congregação das Irmãs de Nossa Senhora da Misericórdia, que aos poucos conseguiu fazer com que eu considerasse a questão do culto da Misericórdia Divina, e de maneira especial a instituição da festa da Misericórdia Divina no primeiro domingo depois da Páscoa, como um dos principais objetivos da minha vida.

Eu conheci a Irmã Faustina no verão (julho ou agosto) de 1933, como minha penitente na Congregação das Irmãs de Nossa Senhora da Misericórdia em Vilna (Vilnius), Lituânia (Rua Senatorska, 25), na qual eu era então confessor comum. Ela chamou a minha atenção pela extraordinária delicadeza de consciência e pela íntima união com Deus; principalmente porque não havia matéria para absolvição, e ela nunca ofendeu a Deus com um pecado grave. Já no início ela me declarou que me conhecia havia muito tempo de alguma visão, que eu devia ser o seu diretor de consciência e que devia concretizar certos planos divinos que deviam ser por ela apresentados.

Eu menosprezei esse seu relato e a submeti a certa prova, a qual fez com que, com a autorização da Superiora, Ir. Faustina começasse a procurar um outro confessor. Algum tempo depois voltou para falar comigo e declarou que suportaria tudo, mas que de mim já não se afastaria. Não posso, aqui, repetir todos os detalhes da nossa conversa, que em parte encerra-se em seu Diário, escrito por ela por minha recomendação, visto que lhe proibi depois falar das suas vivências na confissão.

Tendo conhecido mais de perto Irmã Faustina, constatei que os dons do Espírito atuavam nela em estado oculto, mas que em certos momentos bem freqüentes manifestavam-se de maneira evidente, concedendo parcialmente uma intuição que envolvia a sua alma, despertava ímpetos de amor, de sublimes e heróicos atos de sacrifício e de abnegação de si mesma. De maneira especialmente freqüente manifestava-se a ação dos dons da ciência, sabedoria e inteligência, graças aos quais Irmã Faustina via claramente a nulidade dos bens terrenos e a importância dos sofrimentos e das humilhações.

Ela conhecia simplesmente os atributos de Deus, sobretudo a Sua Infinita Misericórdia, enquanto muitas outras vezes contemplava uma luz inacessível e beatífica; mantinha por algum tempo fixo o seu olhar nessa luz inconcebivelmente beatífica, da qual surgia a figura de Cristo caminhando, abençoando o mundo com a mão direita e com a esquerda levantando o manto na região do coração, de onde brotavam dois raios – um branco e um vermelho.

Irmã Faustina tinha essas e outras visões sensitivas e intelectuais já havia alguns anos e ouvia palavras sobrenaturais, captadas pelo sentido da audição, pela imaginação e pela mente. Temeroso da ilusão, da alucinação e da fantasia de Irmã Faustina, eu me dirigi à Superiora, Irmã Irene, a fim de que me informasse a respeito de quem era Irmã Faustina, de que fama gozava na Congregação junto às Irmãs e Superioras, bem como solicitei um exame da sua saúde psíquica e física. Após ter recebido uma resposta lisonjeira para ela sob todos os aspectos, por algum tempo continuei ainda a manter uma posição de expectativa; em parte eu não acreditava, refletia, rezava e investigava, da mesma forma que me aconselhava com alguns sacerdotes doutos a respeito do que fazer, sem revelar do que e de quem se tratava. E tratava-se da concretização de supostas exigências categóricas de Jesus Cristo no sentido de pintar uma imagem que Irmã Faustina via, bem como de instituir a festa da Misericórdia Divina no primeiro domingo depois da Páscoa.

Finalmente, levado mais pela curiosidade de que tipo de imagem seria essa do que pela fé na veracidade das visões de Irmã Faustina, decidi dar início à pintura dessa imagem. Conversei com o artista e pintor Eugênio Kazimirowski, que residia juntamente comigo na mesma casa, o qual a troco de certa importância prontificou-se a realizar a pintura, e ainda com a Irmã Superiora, a qual permitiu que Irmã Faustina duas vezes por semana fosse ter com o pintor a fim de mostrar como devia ser essa imagem.

Esse trabalho durou alguns meses, e finalmente, em junho ou julho de 1934, a imagem estava pronta. Irmã Faustina queixava-se de que a imagem não estava tão bonita como ela a via, mas Jesus Cristo a tranqüilizou e disse que naquela forma a imagem seria suficiente. E acrescentou: “Estou fornecendo aos homens um vaso com que devem vir buscar as graças junto a Mim. Esse vaso é esta imagem com a legenda: Jesus, confio em Vós”.


De início Irmã Faustina não conseguia explicar o que significavam os raios na imagem. Mas depois de alguns dias disse que Jesus Cristo lhe havia explicado em oração: “Os raios nessa imagem significam o Sangue e a Água. O raio pálido significa a Água que justifica as almas, e o raio vermelho – o Sangue, que é a vida da alma. Eles brotam do Meu Coração, que foi aberto na Cruz. Esses raios protegerão a alma diante da ira do Pai Celestial. Feliz aquele que viver à sua sombra, porque não será atingido pela justa mão de Deus... Prometo que a alma que venerar esta imagem não perecerá. Prometo também já aqui na terra a vitória sobre os inimigos, especialmente na hora da morte. Eu mesmo a defenderei como a Minha glória... Desejo que o primeiro domingo depois da Páscoa seja a festa da Misericórdia Divina. Quem nesse dia participar do Sacramento do Amor, alcançará o perdão de todas as culpas e castigos... A humanidade não encontrará paz enquanto não se dirigir com confiança à Misericórdia Divina. Antes de vir como juiz imparcial, venho como Rei de Misericórdia, para que ninguém se escuse no dia do julgamento, que já não está distante...”

Sobre Santa Faustina

No que diz respeito à índole natural, era uma pessoa inteiramente equilibrada, sem sombra de psiconeurose ou de histeria. A naturalidade e a simplicidade eram as marcas da sua convivência, tanto com as irmãs na congregação como com outras pessoas. Não havia nela nenhuma artificialidade ou teatralidade, nenhum fingimento nem vontade de chamar a atenção dos outros para si. Pelo contrário, ela procurava não se distinguir em nada das outras, e a respeito das suas vivências interiores não falava a ninguém, além do confessor e das superioras. A sua sensibilidade era normal, controlada pela vontade, mas manifestava-se facilmente em humores diferentes e emoções. Não estava sujeita a nenhuma depressão psíquica, nem ao nervosismo nos insucessos, que suportava tranqüilamente, com submissão à vontade divina.

Sob o aspecto mental era prudente e distinguia-se por um sadio discernimento das coisas, embora não tivesse quase nenhuma instrução: mal sabia escrever com erros e ler. Dava acertados conselhos a suas companheiras quando a ela se dirigiam, e por diversas vezes eu mesmo, a título de teste, apresentei-lhe certas dúvidas, que ela resolveu com muito acerto. A sua imaginação era rica, mas não exaltada. Muitas vezes não era capaz de distinguir sozinha a ação da sua imaginação da ação sobrenatural, principalmente quando se tratava de recordações do passado. E quando chamei a sua atenção a isso e mandei que sublinhasse no Diário apenas aquilo a respeito do que pudesse jurar que não era um fruto da sua imaginação, ela deixou de lado uma boa parte das suas antigas recordações.

Sob o aspecto moral era inteiramente sincera, sem a mínima tendência ao exagero ou sombra de mentira: sempre dizia a verdade, ainda que às vezes isso lhe causasse dissabor.

No que diz respeito às virtudes sobrenaturais, ela fazia visíveis progressos. Na realidade, desde o início eu havia visto nela as fundamentadas e testadas virtudes da castidade, da humildade, do zelo, da obediência, da pobreza e do amor a Deus e ao próximo, mas podia-se facilmente constatar o seu gradual crescimento, especialmente no final da vida a intensificação do amor a Deus, que ela manifestava em seus versos. Hoje não me lembro exatamente do seu conteúdo, mas de modo geral lembro-me do meu enlevo quanto ao seu conteúdo (não quanto à forma), quando os lia no ano de 1938.

Uma vez vi Irmã Faustina em êxtase. Foi no dia 2 de setembro e 1938, quando a visitei o hospital em Pradnik e dela me despedi para viajar a Vilna. Tendo-me afastado alguns passos, lembrei que tinha trazido para ela alguns exemplares das orações (novena, ladainha e terço) à Misericórdia Divina por ela compostas e publicadas em Cracóvia e então voltei de imediato para entregá-los. Quando abri a porta do quarto em que se encontrava, eu a vi mergulhada em oração e sentada, mas quase elevando-se sobre a cama. O seu olhar estava fixo em algum objeto invisível, as pupilas um tanto dilatadas. Ela não deu atenção à minha entrada, mas eu não queria perturbá-la e fiz menção de retirar-me. Em breve, no entanto, voltou a si, percebeu-me e pediu desculpas por não ter ouvido eu bater à porta, dizendo que não me tinha ouvido bater nem entrar. Então já não tive a mínima dúvida de que o que constava no Diário a respeito da santa Comunhão oferecida no hospital por um Anjo correspondia à realidade.

Os efeitos das revelações de Irmã Faustina, tanto na sua alma como nas almas de outras pessoas, superaram todas as expectativas. Enquanto no início Ir. Faustina estava um pouco assustada, temia a possibilidade de executar as ordens e esquivava-se a elas, aos poucos se tranqüilizou e chegou a um estado de total segurança, certeza e profunda alegria interior: tornava-se cada vez mais humilde e obediente, cada vez mais unida a Deus e paciente, concordando inteiramente e em tudo com a Sua vontade. Parece que não há necessidade de nos estendermos sobre os efeitos dessas revelações nas almas das outras pessoas que a respeito delas tiveram conhecimento, visto que os próprios fatos dão a esse respeito o melhor testemunho.

No que diz respeito ao objeto das revelações de Irmã Faustina, não há nele nada que se oponha à fé ou aos bons costumes, ou que diga respeito a opiniões controvertidas entre os teólogos. Ao contrário, tudo visa ao melhor conhecimento e ao amor de Deus.


Pe. Miguel Sopocko, confessor de Irmã Faustina
Minhas recordações sobre a falecida Irmã Faustina
No original: Bialystok, Polônia, 27.01.1948
Jesus Misericordiosos.com

FESTA DA DIVINA MISERICÓRDIA – Orações de Santa Faustina



2º DOMINGO DA PÁSCOA
11/04/2010

Ano C
At 5, 12-16
Sl 117
Ap 1, 9-11a.12-13.17-19
Jo 20, 19-31


"O próprio Senhor me estimula a escrever orações e hinos sobre a Sua misericórdia..." (Diário, 1593)

"Desejo que conheças mais a fundo o Meu amor, de que está inflamado o Meu Coração pelas almas, e compreenderás isso quando refletires sobre a Minha Paixão. Invoca a Minha misericórdia para com os pecadores, pois desejo a salvação deles. Quando de coração contrito e confiante rezares essa oração por algum pecador, Eu lhe darei a graça da conversão. Esta pequena prece é a seguinte:

— Ó Sangue e Água que jorrastes do Coração de Jesus como fonte de misericórdia para nós, eu confio em Vós" (Diário, 187).


ORAÇÕES DE SANTA FAUSTINA

"Amor Eterno, chama pura, ardei sem cessar no meu coração e divinizai todo o meu ser de acordo com a Vossa eterna predileção, pela qual me chamastes à existência e convocastes à participação na Vossa felicidade eterna" (Diário, 1523).


"Ó Deus misericordioso, que não nos desprezais, mas nos cumulais sem cessar com as Vossas graças! Vós nos tornais dignos do Vosso Reino e, em Vossa bondade, preencheis com homens os lugares deixados pelos anjos ingratos. Ó Deus de grande misericórdia, que afastastes o Vosso santo olhar dos anjos revoltados e o voltastes para o homem contrito, seja dada honra e glória à Vossa insondável misericórdia" (Diário, 1339).


"Ó Jesus estendido na cruz, suplico-Vos, concedei-me a graça de sempre, em toda parte e em tudo cumprir fielmente a Santíssima vontade de Vosso Pai. E, quando essa vontade de Deus me parecer penosa e difícil de cumprir, então suplico-Vos, Jesus, que das Vossas Chagas desça para mim força e vigor, e que a minha boca repita: Seja feita a Vossa vontade, Senhor. (...) Jesus cheio de compaixão, concedei-me a graça de me esquecer de mim mesma, a fim de viver inteiramente para as almas, ajudando-Vos na obra da salvação, segundo a santíssima vontade de Vosso Pai..." (Diário, 1265).


"Desejo transformar-me toda em Vossa misericórdia, para tornar-me o Vosso reflexo vivo, ó meu Senhor! Que a Vossa misericórdia, que é insondável e de todos os atributos de Deus o mais sublime, se derrame do meu coração e da minha alma sobre o próximo.
Ajudai-me, Senhor, para que os meus olhos sejam misericordiosos, de modo que eu jamais suspeite nem julgue as pessoas pela aparência externa, mas perceba a beleza interior dos outros e possa ajudá-los.
Ajudai-me, Senhor, para que os meus ouvidos sejam misericordiosos, de modo que eu esteja atenta às necessidades dos meus irmãos e não me permitais permanecer indiferente diante de suas dores e lágrimas.
Ajudai-me, Senhor, para que a minha língua seja misericordiosa, de modo que eu nunca fale mal dos meus irmãos; que eu tenha para cada um deles uma palavra de conforto e de perdão.
Ajudai-me, Senhor, para que as minhas mãos sejam misericordiosas e transbordantes de boas obras, nem se cansem jamais de fazer o bem aos outros, enquanto, aceite para mim as tarefas mais difíceis e penosas.
Ajudai-me, Senhor, para que sejam misericordiosos também os meus pés, para que levem sem descanso ajuda aos meus irmãos, vencendo a fadiga e o cansaço (...)
Ajudai-me, Senhor, para que o meu coração seja misericordioso e se torne sensível
a todos os sofrimentos do próximo. (...)
Ó meu Jesus, transformai-me em Vós, porque Vós tudo podeis" (Diário, 163).


"Rei de Misericórdia, guiai a minha alma" (Diário, 3).


"Ó Jesus, Deus eterno, agradeço-Vos pelas Vossas inúmeras graças e benefícios. Que cada batida do meu coração seja um novo hino de ação de graças para Convosco, ó Deus! Que cada gota do meu sangue circule por Vós, Senhor. A minha alma é um só hino de adoração da Vossa misericórdia. Amo-Vos, Deus, por Vós mesmo" (Diário, 1794).


"Ó Jesus, desejo viver o momento presente, viver como se este dia fosse o último da minha vida: aproveitar cuidadosamente cada momento para a maior glória de Deus; fazer uso de cada circunstância, de tal maneira, que a alma possa tirar proveito. Olhar para tudo do ponto de vista de que nada suceda sem a Vontade de Deus. Deus de insondável misericórdia, envolvei o mundo todo e derramai-Vos sobre nós, pelo compassivo Coração de Jesus" (Diário, 1183).


"Ó Deus de grande misericórdia, bondade infinita, eis que hoje a Humanidade toda clama do abismo da sua miséria à Vossa misericórdia, à Vossa compaixão, ó Deus, e clama com a potente voz da sua miséria. Ó Deus clemente, não rejeiteis a oração dos exilados desta Terra. Ó Senhor, bondade inconcebível, que conheceis profundamente a nossa miséria e sabeis que, com nossas próprias forças, não temos condições de nos elevar até Vós, por isso Vos suplicamos: adiantai-Vos ao nosso pedido com a Vossa graça e aumentai em nós sem cessar a Vossa misericórdia, a fim de que possamos cumprir fielmente a Vossa santa vontade durante toda a nossa vida e na hora da morte. Que o poder da Vossa misericórdia nos defenda dos ataques dos inimigos da nossa salvação, para que aguardemos com confiança, como Vossos filhos, a Vossa vinda última, dia que somente Vós conheceis..." (Diário, 1570).


Santa Faustina Kowalska
Diário, a Misericórdia Divina em minha alma

FESTA DA DIVINA MISERICÓRDIA –Filme de Santa Faustina


FESTA DA DIVINA MISERICÓRDIA
2º DOMINGO DA PÁSCOA
11/04/2010




Clique na imagem para assistir ao vídeo do filme



FILME DA IRMÃ FAUSTINA

O filme foi inspirado no Diário da Irmã María Faustina Kowalskies, de origem polonesa, que viveu entre 1905 e 1938 e recebeu revelações de Jesus sobre o culto à Divina Misericórdia. Foi canonizada pelo Papa João Paulo II, também polonês e seu compatriota, como a primeira santa do novo milênio. Este filme apresenta a sua vida com acontecimentos milagrosos e a sua evolução dentro da Igreja Católica. É um filme de caráter religioso que faz frente às complexidades da vida humana e aos mistérios da fé.


INFORMAÇÕES:

Actors: Dorota Segda, Danuta Szaflarska, Agnieszka Czekanska, Stanislawa Celinska, Miroslawa Dubrawska
Directors: Jerzy Lukaszewicz
Format: Color, Subtitled, NTSC
Aspect Ratio: 1.33:1
Number of discs: 1
Studio: Polart
DVD Release Date: March 16, 2004
Run Time: 84 minutes


FONTES:

http://es.gloria.tv/?media=33845
http://www.antronio.com/f31/faustina-full-dvd-5-a-270473/

quinta-feira, 8 de abril de 2010

OITAVA DA PÁSCOA - QUINTA-FEIRA - A paz esteja convosco



QUINTA-FEIRA NA OITAVA DA PÁSCOA

At 3, 11-26
Sl 8
Lc 24,35-48


"A paz esteja convosco"

Fixemos a nossa atenção na saudação inesperada, três vezes repetida por Jesus ressuscitado quando apareceu aos seus discípulos reunidos na sala alta com medo dos Judeus. Nessa altura, tal saudação devia ser habitual; mas, nas circunstâncias em que foi pronunciada, adquire uma plenitude espantosa. Lembram-se que essa saudação é: "A paz esteja convosco!" Uma saudação que já tinha vibrado no cântico do Natal: "Paz na terra!" (Lc 2,14). Uma saudação bíblica, já anunciada como promessa efetiva do Reino messiânica. Mas agora é comunicada como realidade que toma corpo no primeiro núcleo da Igreja nascente: a paz de Cristo, vitorioso sobre a morte e sobre as causas próximas ou longínquas dos efeitos terríveis e desconhecidos da morte.

Jesus ressuscitado anuncia e fundamenta a paz na alma desvairada dos seus discípulos. É a paz do Senhor, entendida na sua significação primeira, pessoal, interior - aquela que Paulo inscreve entre os frutos do Espírito, depois da caridade e da alegria, fundindo-se quase com elas (Gl 5,11). Que há de melhor para um homem consciente e honesto? Não será a paz da consciência o melhor reconforto que podemos encontrar?


Papa Paulo VI
Alocução, 09 de abril de 1975

OITAVA DA PÁSCOA - QUINTA-FEIRA - Chamei-os pela graça e apoiei-os com o Meu Amor




QUINTA-FEIRA NA OITAVA DA PÁSCOA

At 3, 11-26
Sl 8
Lc 24,35-48


"Chamei-os pela graça e apoiei-os com o Meu Amor. Não receeis, sou Eu mesmo."

A Judéia rebelde tinha expulsado a paz da terra e lançado o universo no caos primordial. Também entre os discípulos a guerra causava estragos; a fé e a dúvida atacavam-se furiosamente uma à outra. Os corações destes homens, onde a tempestade rugia, não eram capazes de encontrar uma enseada de paz, um porto de calma.

Perante este espetáculo, Cristo, que sonda os corações, que manda nos ventos, que domina as tempestades, que, com um simples gesto, transforma a borrasca em céu sereno, firmou-os na sua paz, dizendo: "A paz esteja convosco! Sou Eu; não temais. Sou Eu, o crucificado, o morto, o sepultado. Sou Eu, o vosso Deus, feito homem por vós. Sou Eu. Não sou um espírito revestido de corpo, mas a própria verdade feita carne. Sou Eu, vivo entre os mortos, descido dos céus ao coração dos infernos. Sou Eu, de quem a morte fugiu, a quem os infernos temeram. No seu pavor, o inferno proclamou-Me Deus. Não receies, Pedro, tu que me negaste, nem tu, João, tu que fugiste, nem todos vós que Me abandonastes, que só pensastes em Me trair, que ainda não credes em Mim, embora Me vejais. Não receeis, sou Eu mesmo. Chamei-vos pela graça, escolhi-vos pelo perdão, sustentei-vos com a Minha compaixão, apoiei-vos com o Meu amor, e tomo-vos hoje, pela Minha pura bondade".


São Pedro Crisólogo, Bispo e Doutor
Sermão 81

OITAVA DA PÁSCOA - QUINTA-FEIRA - Por que estais perturbados?



QUINTA-FEIRA NA OITAVA DA PÁSCOA

At 3, 11-26
Sl 8
Lc 24,35-48


“Por que estais perturbados?”

Quando Jesus apareceu aos apóstolos, “estando fechadas as portas, e veio pôr-Se ao meio deles, eles ficaram dominados pelo espanto e cheios de medo, julgando ver um espírito” (Jo 20, 19; Lc 24, 37). Mas, quando soprou sobre eles dizendo “Recebei o Espírito Santo” (Jo 20, 22), e mais tarde, quando lhes enviou do céu esse mesmo Espírito como novo dom, esse dom foi uma prova indubitável da sua ressurreição e da sua nova vida. Com efeito, é o Espírito que dá testemunho no coração dos santos, e em seguida pela sua boca, de que Cristo é a verdade, a verdadeira ressurreição e a vida. É por isso que os apóstolos, que inicialmente tinham duvidado, mesmo à vista do Seu corpo vivo, “davam testemunho da ressurreição com grande poder” (At 4, 33), depois de terem experimentado esse Espírito que dá a vida. É-nos muito mais proveitoso acolher Jesus no coração do que vê-Lo com os olhos e ouvi-Lo falar. A ação do Espírito Santo sobre os nossos sentidos interiores é muito mais poderosa do que a impressão dos objetos materiais sobre os nossos sentidos exteriores.

Muito bem, irmãos, qual é o testemunho que a alegria do vosso coração presta ao vosso amor por Cristo? Quando hoje, na Igreja, tantos mensageiros proclamam a ressurreição, o vosso coração exulta e exclama: “Jesus, o meu Deus, está vivo; eles me anunciaram! Perante esta boa nova, o meu espírito desencorajado, tíbio e entorpecido pela dor, recuperou a vida. A voz que proclama esta boa nova desperta da morte os mais culpados”. Irmão, eis o sinal que te permitirá reconhecer que o teu espírito recuperou a vida em Cristo: se ele disser: “Se Jesus está vivo, tanto me basta!”. Oh, palavra de fé e bem, digna dos amigos de Jesus! “Se Jesus está vivo, tanto me basta!”.


Beato Guerric d'Igny, Abade Cisterciense
I Sermão para a ressurreição do Senhor, 4

OITAVA DA PÁSCOA - QUARTA-FEIRA – Emaús: O Senhor está conosco e mostra-nos o verdadeiro caminho




QUARTA -FEIRA NA OITAVA DA PÁSCOA

At 3, 1-10
Sl 104
Lc 24,13-35


«O Senhor está conosco e mostra-nos o verdadeiro caminho»

Especialmente nesta Oitava de Páscoa a liturgia convida-nos a encontrar pessoalmente o Ressuscitado e a reconhecer a sua ação vivificante nos acontecimentos da história e do nosso viver quotidiano. Hoje, quarta-feira, nos é proposto o episódio comovedor dos dois discípulos de Emaús (cf. Lc 24, 13-35). Depois da crucifixão de Jesus, imersos na tristeza e na desilusão, eles regressavam a casa desconfortados. Durante o caminho falavam entre si de quanto tinha acontecido naqueles dias em Jerusalém; foi então que Jesus se aproximou, começou a falar com eles e a admoestá-los: "Ó homens sem inteligência e lentos de espírito em crer em tudo quanto os profetas anunciaram! Não tinha o Messias de sofrer essas coisas para entrar na Sua glória?" (Lc 24, 25-26). Começando depois por Moisés e por todos os profetas, explicou-lhes em todas as Escrituras o que se referia a Ele. O ensinamento de Cristo a explicação das profecias foi para os discípulos de Emaús como uma revelação inesperada, luminosa e confortadora. Jesus dava uma nova chave de leitura da Bíblia e agora tudo parecia claro, orientado precisamente para este momento. Conquistados pelas palavras do viandante desconhecido, pediram-lhe que ceasse com eles. E Ele aceitou e pôs-se à mesa com eles.

Refere o evangelista Lucas: "Entrou para ficar com eles e, quando Se pôs à mesa, tomou o pão, pronunciou a bênção e, depois de o partir, entregou-lho" (Lc 24, 29-30). E foi precisamente naquele momento que se abriram os olhos e os dois discípulos o reconheceram, "mas Ele desapareceu da sua presença" (Lc 24, 31). Cheios de admiração e de alegria comentaram: "Não estava o nosso coração a arder cá dentro, quando Ele nos falava pelo caminho e nos explicava as escrituras?" (Lc 24, 32).

Em todo o ano litúrgico, particularmente na Semana Santa e na Semana de Páscoa, o Senhor está a caminho conosco e explica-nos as Escrituras, faz-nos compreender este mistério: tudo fala d'Ele. E isto deveria fazer arder os nossos corações, para que se possam abrir também os nossos olhos. O Senhor está conosco, mostra-nos o verdadeiro caminho. Como os dois discípulos reconheceram Jesus ao partir o pão, hoje, ao partir o pão, também nós reconheçamos a sua presença. Os discípulos de Emaús reconheceram-no e recordaram-se dos momentos em que Jesus tinha partido o pão. E este partir o pão faz-nos pensar precisamente na primeira Eucaristia celebrada no contexto da Última Ceia, onde Jesus partiu o pão e assim antecipou a sua morte e a sua ressurreição, dando-se a si mesmo aos discípulos. Jesus parte o pão também conosco e para nós, faz-se presente conosco na Santa Eucaristia, doa-se a Si mesmo e abre os nossos corações. Possamos também nós encontrar e conhecer Jesus na Santa Eucaristia, no encontro com a sua Palavra, nesta dupla Mesa da Palavra, do Pão e do Vinho consagrados. Todos os domingos a comunidade revive a Páscoa do Senhor e recebe do Salvador o seu testamento de amor e de serviço fraterno.

Queridos irmãos e irmãs, a alegria destes dias torne ainda mais firme a nossa fiel adesão a Cristo crucificado e ressuscitado. Sobretudo, deixemo-nos conquistar pelo fascínio da sua ressurreição. Ajude-nos Maria a ser mensageiros da luz e da alegria da Páscoa para tantos irmãos nossos. Que o Deus de toda a consolação abençoe vossos lares e o trabalho de cada um, para serdes portadores de paz e de alegria na esperança da feliz ressurreição no dia do Senhor!


Papa Bento XVI
Audiência Geral, 26 de março de 2008

OITAVA DA PÁSCOA - QUARTA-FEIRA – Emaús: Fica conosco, Senhor, porque só Vós sois o caminho



QUARTA -FEIRA NA OITAVA DA PÁSCOA

At 3, 1-10
Sl 104
Lc 24,13-35


«Fica conosco, Senhor, porque só Vós sois o caminho»

Depois da sua ressurreição, o Senhor Jesus encontrou no caminho dois dos seus discípulos que falavam entre si do que tinha acontecido e disse-lhes: “De que faláveis no caminho que vos torna tão tristes?”

Esta passagem do Evangelho dá-nos uma grande lição, se a soubermos entender. Jesus aparece, mostra-se aos olhos dos discípulos e não é reconhecido. O Mestre acompanha-os pelo caminho, Ele próprio é o Caminho; mas eles ainda não estão no verdadeiro Caminho. Quando Jesus os encontra, eles tinham perdido o Caminho. Enquanto estava com eles, antes da sua paixão, Jesus tinha-lhes predito tudo: os sofrimentos, a morte, a ressurreição ao terceiro dia. Tinha-lhes anunciado tudo; mas a sua morte tinha-lhes feito perder a memória.

”Esperávamos, diziam, que Ele libertasse Israel.” Como é, ó discípulos, esperáveis e agora já não esperais? Mas Cristo está vivo e a vossa esperança está morta! Sim, Cristo está vivo. Mas o Cristo vivo encontrou mortos os corações dos seus discípulos. Aparece aos seus olhos e eles não o percebem; mostra-se e permanece-lhes escondido. Se não se mostrasse, como é que os discípulos poderiam ouvir a sua pergunta e responder-lhe?

Caminha com eles e parece segui-los mas é Ele quem os conduz. Vêem-no mas não o reconhecem, “porque os seus olhos, diz o texto, estavam impedidos de O reconhecer”. A ausência do Senhor não é uma ausência. Crê somente e Aquele que não vês estará contigo.

Irmãos, quando é que o Senhor se deu a conhecer? Na fração do pão. Estamos assim certos disto mesmo: quando rompemos o pão, reconhecemos o Senhor. Se ele só quis ser reconhecido nessa altura, foi por causa de nós, nós que não o veríamos em sua carne, mas que no entanto comeríamos a sua carne. Então, tu que acreditas nele, quem quer que sejas, tu, que não é em vão que te chamas cristão, que não entras na igreja por acaso, que escutas a palavra de Deus com temor e esperança, para ti, a fração do pão será uma consolação. A ausência do Senhor não é uma verdadeira ausência. Tem fé, e ele está contigo, ainda que não o vejas.

Quando o Senhor começou a falar com eles, os discípulos ainda não tinham fé. Eles ainda não acreditavam na sua ressurreição; nem esperavam sequer que ele pudesse ressuscitar. Tinham perdido a fé; tinham perdido a esperança. Eram mortos que caminhavam com um vivo; caminhavam, mortos, com a vida. A vida caminhava com eles, mas em seus corações, a vida ainda não tinha sido renovada.

E tu, desejas a vida? Imita os discípulos, e reconhecerás o Senhor. Eles ofereceram a hospitalidade; o Senhor parecia decidido a continuar o seu caminho, mas eles retiveram-no. Tu também, retém o estrangeiro se queres reconhecer o teu Salvador. Aprende onde procurar o Senhor, onde possuí-lo, onde reconhecê-lo: partilhando o pão com Ele.


Santo Agostinho, Bispo e Doutor
Sermão 235

domingo, 4 de abril de 2010

PÁSCOA DA RESSURREIÇÃO DO SENHOR – CRISTO RESSUSCITOU! – SURREXIT DOMINUS VERE! ALLELUIA!


FELIZ E SANTA PÁSCOA!
SURREXIT DOMINUS VERE! ALLELUIA!




DOMINGO DE PÁSCOA
RESSURREIÇÃO DO SENHOR

At 10,34a.37-43
Sl 117
Cl 3,1-4 ou 1Cor 5,7b.-8a
Jo 20,1-9 ou, à tarde, Lc 24,13-35


«Sois o Divino Ressuscitado que vindes a mim»


Sois o Divino Ressuscitado que vindes a mim, Vós que, depois de terdes expiado o pecado com vossas dores, vencestes a morte com vosso triunfo e, enfim, para sempre Glorioso, viveis pelo Pai. Vinde a mim para aniquilar a obra do mal, para destruir o pecado e as minhas infidelidades! Vinde a mim, para aumentar o desapego de tudo o que não é Deus, vinde para tornar-me participante daquela superabundância de vida perfeita que emana agora de vossa santa humanidade. Cantarei então convosco cânticos de ação de graças ao Pai, que naquele dia de honra e de glória vos coroou como nossa Cabeça.



Beato Columba Marmion
Cristo nos seus mistérios, 15, pp.257-258

PÁSCOA DA RESSURREIÇÃO DO SENHOR – Festa das festas, Solenidade das solenidades!



DOMINGO DE PÁSCOA
RESSURREIÇÃO DO SENHOR

At 10,34a.37-43
Sl 117
Cl 3,1-4 ou 1Cor 5,7b.-8a
Jo 20,1-9 ou, à tarde, Lc 24,13-35


«É a Páscoa do Senhor! Festa das festas, Solenidade das solenidades!»

É a Páscoa do Senhor, a Páscoa do Senhor, direi outra vez em honra da Trindade: é a Páscoa do Senhor! Festa das festas, solenidade das solenidades, eleva-se, não somente acima das festas humanas e terrestres, mas até mesmo das que são de Cristo e se celebram em sua honra, assim como o sol que obscurece a luz das estrelas. Que belo espetáculo, o de ontem, das vestimentas alvas e das luzes, nossa obra, a um tempo pessoal e comum, quando homens de todas as condições e de todas as categorias iluminavam a noite com o fulgor das lâmpadas.

Essa imensa claridade assemelhava-se à luz ofuscante que o céu nos envia do alto como um sinal, iluminando o universo com o fulgor dos astros. A imagem dessa luz era também superior à beleza das estrelas, dos anjos e da Trindade – os anjos participando da luz da Trindade – luz indivisa da qual procede toda luz, comunicando-lhes o fulgor.

Mais brilhante e mais excelente é a solenidade de hoje. Pois a luz de ontem era o prenúncio desta grande luz que surge, era como o alegre prelúdio da festa. Hoje celebramos a própria ressurreição, não mais como esperança, mas como realidade, que atrai para si todo o universo.

Ontem, imolava-se o cordeiro; marcava-se com seu sangue os portais; o Egito chorava seus primogênitos; o Exterminador poupava-nos, diante de um sinal que respeitava e temia; um sangue precioso protegia-nos. Hoje, purificados, fugimos do Egito, do Faraó, cruel soberano, e de seus implacáveis feitores. Já não estamos condenados à argamassa e ao tijolo, e ninguém nos impedirá de celebrar, em honra do Senhor nosso Deus, o dia em que saímos do Egito, e de celebrá-lo não com o velho fermento nem com o fermento da maldade ou da iniqüidade, mas com os pães ázimos da sinceridade e da verdade (1Cor 5, 8).

Ontem, eu estava crucificado com Cristo; hoje, sou glorificado com ele. Ontem, eu estava sepultado com Cristo; hoje, saio com ele do túmulo. Levemos, pois, nossas primícias àquele que sofreu e ressuscitou por nós. Credes que falo aqui de ouro, prata, tecidos, pedras preciosas? Ó frágeis bens da terra! Eles não saem do solo senão para cair, quase sempre, nas mãos de celerados, escravos deste mundo e do Príncipe do mundo.

Ofereçamos nossas próprias pessoas, que são o presente mais precioso aos olhos de Deus e o mais próximo dele. Rendamos à sua imagem o que mais a ela se assemelha. Reconheçamos nossa grandeza, honremos nosso modelo, compreendamos a força desse mistério e as razões da morte de Cristo.

Sejamos como Cristo, pois Cristo foi como nós. Sejamos deuses para ele, pois ele se fez homem por nós. Ele tomou o pior, para dar-nos o melhor; ele se fez pobre, para nos enriquecer com sua pobreza; ele tomou a condição de escravo, para obter-nos a liberdade; ele se abaixou, para exaltar-nos; ele foi tentado, para nos ver triunfar; ele se fez desprezar, para nos cobrir de glória. Ele morreu, para salvar-nos. Ele subiu aos céus, para atrair-nos até ele, a nós que roláramos no abismo do pecado.

Demos tudo, ofereçamos tudo àquele que, por nossa causa, se deu a si mesmo como preço de nossa redenção. Não daremos nada de maior que nós mesmos, se compreendermos esses mistérios e nos tornarmos para ele tudo o que se tornou para nós.


São Gregório de Nazianzo, Bispo
Oratio 45, 2, in Sanctum Pascha: Patrologia Grega 36, 623-626;
Oratio 1, 3-5, in Sanctum Pascha et in tarditatem: Patrologia Grega 35, 398-399

PÁSCOA DA RESSURREIÇÃO DO SENHOR – A lei de um amor misericordioso



DOMINGO DE PÁSCOA
RESSURREIÇÃO DO SENHOR

At 10,34a.37-43
Sl 117
Cl 3,1-4 ou 1Cor 5,7b.-8a
Jo 20,1-9 ou, à tarde, Lc 24,13-35


«A lei de um amor misericordioso»

O cristão não tem outra Lei senão Cristo. Sua “Lei” é a vida nova que lhe foi conferida em Cristo. A nossa Lei não está escrita em livros, e sim nas profundezas do nosso coração; não pela mão de seres humanos, mas pelo dedo de Deus. O nosso dever agora não é apenas obedecer, e sim viver. Não temos de nos salvar, somos salvos por Cristo. Devemos viver para Deus em Cristo, não só como quem procura a salvação, mas como quem está salvo.

Agora, com a ressurreição de Cristo, o poder da Páscoa irrompeu sobre nós. Agora, encontramos em nós uma força que não é nossa e que nos é dada livremente sempre que dela necessitamos, elevando-nos acima da Lei, dando-nos uma nova Lei que se acha escondida em Cristo: a lei do Seu amor misericordioso por nós.



Thomas Merton, OCSO
Seasons of Celebration, p.147, 1965
No Brasil: Tempo e Liturgia, p.150, Ed.Vozes,1968

PÁSCOA DA RESSURREIÇÃO DO SENHOR – Ó Cristo Ressuscitado, convosco também nós devemos ressuscitar





DOMINGO DE PÁSCOA
RESSURREIÇÃO DO SENHOR

At 10,34a.37-43
Sl 117
Cl 3,1-4 ou 1Cor 5,7b.-8a
Jo 20,1-9 ou, à tarde, Lc 24,13-35


«Ó Cristo Ressuscitado, convosco também nós devemos ressuscitar»


Ó Cristo Ressuscitado, convosco também nós devemos ressuscitar. Desaparecestes das vistas dos homens e devemos nós seguir-vos. Voltastes para o Pai, e devemos agir de modo que vossa vida “seja escondida convosco em Deus”. Dever e privilégio de todos os vossos discípulos é, ó Senhor, serem exaltados e transfigurados convosco! Privilégio nosso é vivermos no céu com o pensamento, tendências, aspirações, desejos e afetos, embora estejamos ainda na terra. Ensinai-nos a “buscar as coisas do alto” (Cl 3,1), testemunhando que vos pertencemos, que o nosso coração ressuscitou convosco e em Vós está escondida a nossa vida.


Cardeal John Henry Newman
Maturità Cristiana, pp.190-194, 1956

PÁSCOA DA RESSURREIÇÃO DO SENHOR – Contemplar o amor de Cristo



DOMINGO DE PÁSCOA
RESSURREIÇÃO DO SENHOR

At 10,34a.37-43
Sl 117
Cl 3,1-4 ou 1Cor 5,7b.-8a
Jo 20,1-9 ou, à tarde, Lc 24,13-35


«Contemplar o amor de Cristo»

O cristão sabe que está enxertado em Cristo pelo Batismo; habilitado a lutar por Cristo pela Confirmação; chamado a atuar no mundo pela participação que tem na função real, profética e sacerdotal de Cristo; feito uma só coisa com Cristo pela Eucaristia, Sacramento da unidade e do amor. Por isso, tal como Cristo, há de viver voltado para os outros homens, olhando com amor para todos e cada um dos que o rodeiam, para a Humanidade inteira.

A fé leva-nos a reconhecer Cristo como Deus, a vê-Lo como nosso Salvador, a identificarmo-nos com Ele, atuando como Ele atuou. O Ressuscitado, depois de arrancar das suas dúvidas o Apóstolo Tomé, mostrando-lhe as chagas, exclama: Bem-aventurados os que, sem me verem, acreditaram. Aqui - comenta S. Gregório Magno - fala-se de nós de um modo particular, porque nós possuímos espiritualmente Aquele a Quem corporalmente não vimos. Fala-se de nós, mas com a condição de que as nossas ações se conformem à nossa fé. Não crê verdadeiramente senão quem, no seu atuar, põe em prática o que crê. Por isso, a propósito daqueles que da fé não possuem mais do que as palavras, diz S. Paulo: professam conhecer Deus mas negam-no com as obras.

Não é possível separar em Cristo o ser de Deus-Homem e a sua função de Redentor. O Verbo fez-se carne e veio à Terra ut omnes homines salvi fiant, para salvar todos os homens. Com todas as nossas misérias e limitações pessoais, nós somos outros Cristos, o próprio Cristo, e somos também chamados a servir todos os homens.

É necessário que ressoe uma e outra vez aquele mandamento que continuará a ser novo através dos séculos: Caríssimos - escreve S. João - não vos escrevo um mandamento novo, mas um mandamento antigo, que recebestes desde o princípio. Este mandamento antigo é a palavra divina que ouvistes. E, no entanto, falo-vos de um mandamento novo, que é verdadeiro n'Ele mesmo e em vós porque as trevas já passaram e já resplandece a verdadeira luz. Quem diz que está na luz e aborrece o seu irmão, ainda está nas trevas. Quem ama o seu irmão permanece na luz e nele não há ocasião de queda.

Nosso Senhor veio trazer a paz, a boa nova, a vida a todos os homens. Não só aos ricos, nem só aos pobres; não só aos sábios, nem só à gente simples; a todos; aos irmãos, pois somos irmãos, já que somos filhos de um mesmo Pai, Deus. Não há, portanto, mais do que uma raça: a raça dos filhos de Deus. Não há mais que uma cor: a cor dos filhos de Deus. E não há senão uma língua: a que nos fala ao coração e à inteligência, sem ruído de palavras, mas dando-nos a conhecer Deus e fazendo que nos amemos uns aos outros.

É esse amor de Cristo que cada um de nós deve se esforçar por realizar na sua vida. Mas para ser ipse Christus é preciso mirar-se Nele. Não basta ter-se uma idéia geral do espírito que Jesus viveu; é preciso aprender com Ele pormenores e atitudes. É preciso contemplar a sua vida, sobretudo para daí tirar força, luz, serenidade, paz.

Quando se ama alguém, deseja-se conhecer toda a sua vida, o seu caráter, para nos identificarmos com essa pessoa. Por isso temos de meditar na vida de Jesus, desde o Seu nascimento num presépio até à Sua morte e à Sua Ressurreição. Nos primeiros anos do meu labor sacerdotal costumava oferecer exemplares do Evangelho ou livros onde se narra a vida de Jesus, porque é necessário que a conheçamos bem, que a tenhamos inteira na mente e no coração, de modo que, em qualquer momento, sem necessidade de nenhum livro, cerrando os olhos, possamos contemplá-la como um filme; de forma que, nas mais diversas situações da nossa vida, acudam à memória as palavras e os atos do Senhor.

Sentir-nos-emos assim metidos na sua vida. Na verdade, não se trata apenas de pensar em Jesus e de imaginar aqueles episódios; temos de meter-nos em cheio neles, como atores; temos de seguir Cristo tão de perto como Santa Maria, sua Mãe; como os primeiros Doze; como as santas mulheres; como aquelas multidões que se apertavam ao Seu redor. Se fizermos assim, se não criarmos obstáculos, as palavras de Cristo penetrarão até ao fundo da nossa alma e transformar-nos-ão. Porque a palavra de Deus é viva, eficaz e mais penetrante que uma espada de dois gumes; introduz-se até à divisão da alma e do espírito, até às junturas e medulas; e discerne os pensamentos e intenções do coração.

Se queremos levar os outros homens ao Senhor, é necessário abrir o Evangelho e contemplar o amor de Cristo. Podíamos fixar as cenas-cume da Paixão, porque, como Ele mesmo disse, ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida pelos seus amigos. Mas também podemos considerar o resto da sua vida, o seu modo habitual de tratar com quem se cruzava com Ele.

Cristo, perfeito Deus e perfeito Homem, procedeu de um modo humano e divino para fazer chegar aos homens a Sua doutrina de salvação e para lhes manifestar o amor de Deus. Deus condescende com o homem, assume a nossa natureza sem reservas, exceto no pecado.

Dá-me uma grande alegria considerar que Cristo quis ser plenamente homem, com carne como a nossa. Emociona-me contemplar a maravilha de um Deus que ama com coração de homem.


São Josemaría Escrivá
Cristo que Passa, pontos 106- 107

PÁSCOA DA RESSURREIÇÃO DO SENHOR – Entra na alegria do teu Mestre



DOMINGO DE PÁSCOA
RESSURREIÇÃO DO SENHOR

At 10,34a.37-43
Sl 117
Cl 3,1-4 ou 1Cor 5,7b.-8a
Jo 20,1-9 ou, à tarde, Lc 24,13-35


«Entra na alegria do teu Mestre (Mt 25,23)»

Que todo o homem piedoso e amigo de Deus goze esta bela e luminosa festa! Que todo o servo fiel entre com júbilo na alegria do seu Senhor! (Mt 25,23) O que carregou o peso do jejum venha agora receber a sua recompensa. O que trabalhou desde a primeira hora receba hoje o seu justo salário (Mt 20,1s). O que chegou depois de passada a terceira hora celebre esta festa na acção de graças. O que chegou depois da sexta hora não tenha receio, não ficará prejudicado. Se alguém tardou até à nona hora, aproxime-se sem hesitar. Se houver quem se atrasou até à décima primeira hora, não tenha medo da sua perguiça porque o Mestre é generoso e recebe o último como ao primeiro, exerce misericórdia sobre aquele mas cumula este. Dá a um e agracia o outro.

Assim, pois, entrai todos na alegria do vosso Mestre! Primeiros e últimos, ricos e pobres, os que vigiaram e os que se deixaram dormir, vós que jejuastes e vós que não jejuastes, alegrai-vos hoje! O festim está pronto, vinde todos (Mt 22,4)! O vitelo gordo está servido, que ninguém se vá embora com fome. Saciai-vos todos no banquete da fé, vinde servir-vos do tesouro da misericórdia. Que ninguém lamente a sua pobreza, porque o Reino chegou para todos; que ninguém chore as suas faltas, porque o perdão brotou do túmulo; que ninguém receie a morte, porque a morte do Salvador dela nos libertou. Aquele que a morte tinha agarrado destruiu-a, aquele que desceu aos infernos despojou-os.

Isaías tinha-o predito ao dizer: "O inferno ficou consternado quando te encontrou" (14,9). O inferno ficou cheio de amargor porque foi arruinado; humilhado, porque foi entregue à morte; esmagado, porque foi aniquilado. Apoderou-se de um corpo e viu-se diante de Deus; agarrou-se à terra e encontrou o céu; apropriou-se do que via e foi derrotado por causa do Invisível. "Ó morte, onde está o teu aguilhão? Inferno, onde está a tua vitória?" (1 Co 15,55). Cristo ressuscitou e foste arruinado! Cristo ressuscitou e os demónios foram precipitados! Cristo ressuscitou e os anjos estão em júbilo! Cristo ressuscitou e já não há mortos nos túmulos porque Cristo, ressuscitado dos mortos, tornou-se as primícias dos que tinham adormecido. A Ele a glória e o poder pelos séculos dos séculos! Amém!


São João Crisóstomo, Bispo e Doutor
Homilia da Liturgia Ortodoxa da Páscoa

PÁSCOA DA RESSURREIÇÃO DO SENHOR – Amar Cristo é amar a Igreja




DOMINGO DE PÁSCOA
RESSURREIÇÃO DO SENHOR

At 10,34a.37-43
Sl 117
Cl 3,1-4 ou 1Cor 5,7b.-8a
Jo 20,1-9 ou, à tarde, Lc 24,13-35


«Amar Cristo é amar a Igreja»

Como é possível separar o nosso amor a Jesus Cristo daquele que devemos à sua Igreja?

Jesus Cristo associou misticamente em si os filhos dos homens para formar com esses uma coisa só, deixando, todavia, subsistir a própria personalidade de todos aqueles que se teriam unido a ele. E como em Jesus Cristo não existe se não uma só pessoa, assim todos os cristãos devem formar com Ele um só corpo. Ele será a cabeça e esses os membros.

A Igreja é o preço do sangue de Jesus Cristo e o objeto do seu amor infinito pelos homens. Amou-a mais do que a sua vida e, através dele, esta é cara a Deus Pai que desde toda a eternidade a tinha amado até ao ponto de dar o seu Filho único: “Deus amou de tal modo a humanidade que lhe entregou o seu Filho único” (Jo 3,16).

Também o Espírito Santo, prometido pelo Salvador Divino, veio para se unir a ela e nunca mais se separar, para ser como que a sua alma, para inspirá-la, iluminá-la, dirigi-la, sustentá-la e realizar nela as grandes obras de Deus (cf. At 2, 11).

Todos aqueles que são membros da Igreja vivem na casa espiritual de Deus, ou melhor, são esses mesmos aquela casa, um templo imenso no qual todo o universo deve entrar e cujas pedras são todas vivas. Foi Deus mesmo que construiu esta casa com cimento divino.

Ora, queridos irmãos, perguntar-vos-emos: não amar com um amor filial a Esposa de Jesus Cristo, a qual nos foi dada por Ele como Mãe, não amar a família do Homem-Deus, a sua casa vivente, o seu templo santo, a sua cidade terrena, imagem da cidade eterna, o seu reino, o seu rebanho, a sociedade que Ele fundou, em suma a obra que foi objeto de toda a sua atividade e que é o objeto de todas as suas complacências aqui na terra, não é não querer amá-lo a Ele mesmo?

Não é desconhecer os planos da sua misericórdia, os direitos do seu amor e aqueles da sua potência?

Não é desconhecê-lo como Salvador, como Redentor dos homens, como vencedor do inferno e da morte, e como Senhor soberano ao qual foram dadas em posse todas as nações da terra? (cf. Sl 2, 8).


Santo Eugênio de Mazenod
Lettera pastorale per la quaresima