sábado, 30 de maio de 2009

PENTECOSTES – No Espírito Santo, Cristo permanece conosco



Solenidade de Pentecostes
31 de maio

«Quando vier o Paráclito, o Espírito da Verdade, ensinar-vos-á toda a verdade, porque não falará por si mesmo, mas dirá o que ouvir, e anunciar-vos-á as coisas que virão. Ele me glorificará, porque receberá do que é meu, e vo-lo anunciará» Jo 16, 13-14


“O Senhor diz à Samaritana: «Deus é espírito»; sendo Deus invisível, incompreensível e infinito, não será num monte nem num templo que Deus deverá ser adorado (Jo 4,21-24). «Deus é espírito» e um espírito não pode ser circunscrito, nem contido; pela força da sua natureza, Ele está em todo o lado e de local algum está ausente; em todo o lado e em tudo superabunda. Por isso é preciso adorar a Deus, que é Espírito, no Espírito Santo.

O apóstolo Paulo outra coisa não diz quando escreve: «O Senhor é o Espírito e onde está o Espírito do Senhor, aí está a liberdade» (2Cor 3,17). Que cessem, portanto, os argumentos daqueles que recusam o Espírito. O Espírito Santo é um, por todo o lado foi derramado, iluminando todos os patriarcas, os profetas e o coração de todos quantos participaram na redação da Lei. Inspirou João Batista já no seio de sua mãe; foi por fim infundido sobre os apóstolos e sobre todos os crentes para que conhecessem a verdade que lhes é dada na graça.


Qual é a ação do Espírito Santo em nós? Escutemos as palavras do próprio Senhor: «Tenho ainda muitas coisas a dizer-vos, mas não sois capazes de as compreender por agora. É melhor para vós que Eu vá, pois, se Eu não for, o Paráclito não virá a vós; mas, se Eu for, Eu vo-lo enviarei. Quando Ele vier, o Espírito da Verdade, há de guiar-vos para a Verdade completa» (Jo 16,7-13). São-nos reveladas, nestas palavras, a vontade do doador, assim como a natureza e o papel d'Aquele que Ele nos dá. Porque a nossa fragilidade não nos permite conhecer nem o Pai nem o Filho; o mistério da encarnação de Deus é difícil de compreender. O dom do Espírito Santo, que se faz nosso aliado por sua intercessão, ilumina-nos.

Ora, este dom único que está em Cristo é oferecido a todos em plenitude. Está sempre presente em todo o lado e a cada um de nós é dado, tanto quanto o queiramos receber. O Espírito Santo permanecerá conosco até ao fim dos tempos, é a nossa consolação na espera, é o penhor dos bens da esperança que há de vir, é a luz dos nossos espíritos, o esplendor das nossas almas”.


Santo Hilário de Poitiers, Bispo e Doutor da Igreja
Do Tratado Sobre a Santíssima Trindade(Ed. Paulus)

PENTECOSTES – Oração – Espírito Santo, concedei-me vosso Espírito de Amor



Solenidade de Pentecostes
31 de maio

“Espírito Santo, que unis o Pai e o Filho em bem-aventurança eterna, ensinai-me a viver a cada instante e em todos os acontecimentos, na intimidade com meu Deus, sempre mais consumado na unidade da Trindade Santa. Sim, acima de tudo, concedei-me vosso Espírito de Amor para animar com vossa santidade os mínimos atos da minha vida, a fim de que, na Igreja, seja eu, verdadeiramente, pela redenção das almas e a glória do Pai, uma hóstia de amor em louvor da Trindade.

Peço-vos uma alma de limpidez cristalina, digna de ser templo vivo da Santíssima Trindade. Deus Santo, guardai na unidade minha alma para Jesus, com todo o seu poder de amor, ávida de beber incessantemente vossa pureza infinita. Que minha alma atravesse este mundo santa e imaculada no amor, amando acima de tudo vossa presença, unicamente sob vosso olhar, sem a menor imperfeição, sem que a menor mácula venha nela ofuscar o esplendor de vossa beleza. Amém”.


Frei M. M. Philipon, O.P.
Consagração à SS. Trindade

PENTECOSTES – Vinde, Espírito Santo



Solenidade de Pentecostes
31 de maio

"Verdadeiramente admirável sois Vós, ó Verbo de Deus, no Espírito Santo, ao fazer que Ele se infunda de tal modo na alma, que ela chegue a unir-se a Deus, conheça a Deus, saboreie Deus, e em nada se alegre fora de Deus.

O Espírito Santo desce à alma, marcado com o precioso selo do Sangue do Verbo, do Cordeiro imolado; mais ainda, é esse mesmo Sangue que o incita a descer, embora o Espírito já por si tenha esse desejo.

O Espírito que assim deseja, é a substância do Pai e a substância do Verbo; procede da essência do Pai e do beneplácito do Verbo, vem como fonte que se difunde na alma, e a alma submerge-se n’Ele. Assim como dois rios, confluindo, de tal modo se misturam que o menor perde o seu nome e recebe o do maior. Assim atua este Espírito Divino, quando desce à alma para com ela se unir. Mas é necessário que a alma, que é menor, perca o seu nome e o ceda ao Espírito Santo; e deve fazer isto transformando-se de tal modo no Espírito que se torne com Ele uma só coisa.

Porém, este Espírito, distribuidor dos tesouros que estão no coração do Pai e guarda dos segredos entre o Pai e o Filho, introduz-se tão suavemente na alma que não se sente a sua vinda e, pela sua grandeza, poucos o apreciam.

Com a sua densidade e a sua leveza entra em todos os lugares que estão aptos e predispostos para o receber. Na sua palavra frequente, como também no seu profundo silêncio, é ouvido por todos; com impetuosidade e prudência, imóvel e mobilíssimo, penetra em todos os corações.


Não ficais, Espírito Santo, no Pai imóvel e também não ficais no Verbo; estais sempre no Pai e no Verbo, e em Vós mesmo, e em todos os espíritos bem-aventurados e nas criaturas. Sois necessário à criatura, por causa do Sangue derramado pelo Verbo Unigênito, o qual, pela veemência do amor, se tornou necessário à sua criatura.

Repousais nas criaturas que se predispõem com pureza a receber em si, pela comunicação dos vossos dons, a vossa própria semelhança. Repousais nas almas que recebem em si os efeitos do Sangue do Verbo e se tornam habitação digna de Vós.

Vinde, Espírito Santo! Venha a união do Pai e o beneplácito do Verbo! Vós, Espírito da Verdade, sois o prêmio dos santos, o refrigério das almas, a luz das trevas, a riqueza dos pobres, o tesouro dos que amam, a abundância dos famintos, a consolação dos peregrinos; enfim, Vós sois aquele que contém em si todos os tesouros.

Vinde, Vós que, descendo a Maria, realizastes a Encarnação do Verbo, e realizai em nós, pela graça, o que n’Ela realizastes pela graça e pela natureza!

Vinde, Vós que sois o alimento de todo o pensamento casto, a fonte de toda a clemência, a plenitude de toda a pureza!

Vinde e transformai tudo o que em nós é obstáculo para sermos plenamente transformados em Vós!”.


Santa Maria Madalena de Pazzi, O.Carm.
Opere di S. Maria Maddalena di Pazzi, 4, pp. 200.269; 6, p. 194

PENTECOSTES – Oração – Espírito Santo, Fogo Divino


Solenidade de Pentecostes
31 de maio

“Ó Fogo Divino, quando, vindo do alto, começais a inflamar o coração do homem, as paixões logo diminuem e perdem a força; seu peso, de grave que era, faz-se mais leve; e na medida em que cresce o ardor, não é difícil sentir-se o coração humano tão leve que tome asas como de pomba (SL 54, 7).

Ó Bem-Aventurado Fogo que não consumis mas iluminais! E se consumis, destruís as más disposições para que não se acabe a vida! Quem me dera me envolvesse tal Fogo! Fogo que me purifique, tirando do meu espírito, com a luz de verdadeira sabedoria, as trevas da ignorância, a escuridão da consciência errônea. Fogo que transforme em amor ardente o frio da preguiça, do egoísmo e da negligência. Fogo que não permita ao meu coração endurecer-me, mas com seu calor o torne sempre maleável, obediente e devoto, liberte-me do pesado jugo das preocupações e dos maus desejos!

Nas asas da santa contemplação que nutre e aumenta a caridade, tanto eleve este Fogo meu coração, que me faça repetir com o profeta: ‘Alegrai a alma de vosso servo; ó Senhor, a Vós elevo minha alma’ (Sl 85, 4)".


São Roberto Belarmino
De ascensione mentis in Deum, Op. V. 6, p.232

PENTECOSTES – Vigiar no Espírito Santo




Solenidade de Pentecostes
31 de maio

“Temos de estar vigilantes e atentos à obra da salvação que se realiza em nós, porque é com admirável subtileza e com a delicadeza de uma arte divina que o Espírito Santo realiza continuamente esta obra no mais íntimo do nosso ser. Que esta unção que tudo nos ensina não nos seja retirada sem que tenhamos consciência disso, e que a sua vinda não nos apanhe desprevenidos. Pelo contrário, convém-nos estar permanentemente atentos, com o coração totalmente aberto, para recebermos esta bênção generosa do Senhor. Em que disposições quer o Espírito encontrar-nos? “Sede como os servos que esperam o seu senhor, quando ele regressa das núpcias”. Ele nunca regressa de mãos vazias da mesa celeste, mas com todas as alegrias que esta prodigaliza.

Temos, pois, de velar, e de velar em todo o momento, porque nunca sabemos a que horas virá o Espírito, nem a que horas voltará a partir. O Espírito vai e vem (Jo 3, 8); e se, graças à Sua presença, nos mantemos de pé, quando Ele se retira caímos inevitavelmente, mas sem nos magoarmos, porque o Senhor nos sustenta com a sua mão. E o Espírito não cessa de comunicar esta alternância de presença e ausência aos que são espirituais, ou antes, àqueles que tem a intenção de se tornar espirituais. É por isso que os visita de madrugada, pondo-os em seguida subitamente à prova”.


São Bernardo de Claraval, Abade Cisterciense e Doutor
Sermones sobre el Cantar de los Cantares, 17, 2
Obras completas, BAC, Madrid, 1987



quinta-feira, 28 de maio de 2009

ANO SACERDOTAL: Carta do Cardeal Hummes para o Ano Sacerdotal



ANO ESPECIAL DE ORAÇÃO DOS SACERDOTES, COM OS SACERDOTES E PELOS SACERDOTES

Começa no dia 19 de junho de 2009

CIDADE DO VATICANO, quarta-feira, 26 de maio de 2009 (ZENIT.org)- Publicamos a carta que o Prefeito da Congregação para o Clero, Cardeal Claudio Hummes, escreveu com motivo do Ano Sacerdotal, convocado por Bento XVI a partir de 19 de junho de 2009, por ocasião do 150º aniversário da morte de São João Maria Vianney, o Santo Cura D'Ars.

* * *

O ANO SACERDOTAL

Caros Sacerdotes,

Povo ama seus Sacerdotes e os quer santos e felizes

O Ano Sacerdotal, anunciado por nosso amado Papa Bento XVI, para celebrar o 150º aniversário da morte de S. João Maria Vianney, o Santo Cura D’Ars, está às portas. O Santo Padre o abrirá a 19 de junho p.f., Festa do Sagrado Coração de Jesus e Dia Mundial de oração pela santificação dos sacerdotes. O anúncio deste ano especial teve uma repercussão mundial positiva, especialmente entre os próprios sacerdotes. Todos queremos empenhar-nos com determinação, profundidade e fervor, a fim de que seja um ano amplamente celebrado em todo o mundo, nas dioceses, nas paróquias, em cada comunidade local, com envolvimento caloroso do nosso povo católico, que sem dúvida ama seus padres e os quer ver felizes, santos e alegres no trabalho apostólico quotidiano.

A Igreja está orgulhosa de seus Sacerdotes

Deverá ser um ano positivo e propositivo, em que a Igreja quer dizer antes de tudo aos sacerdotes, mas também a todos os cristãos, à sociedade mundial, através dos meios de comunicação global, que ela se orgulha de seus sacerdotes, os ama, os venera, os admira e reconhece com gratidão seu trabalho pastoral e seu testemunho de vida. Realmente, os sacerdotes são importantes não só pelo que fazem, mas também pelo que são. Ao mesmo tempo, é verdade que alguns deles apareceram envolvidos em problemas graves e situações delituosas. Obviamente, é preciso continuar a investigá-los, julgá-los devidamente e puni-los. Estes casos, contudo, dizem respeito somente a uma porcentagem muito pequena do clero. Na sua imensa maioria, os sacerdotes são pessoas muito dignas, dedicadas ao ministério, homens de oração e de caridade pastoral, que investem toda sua vida na realização de sua vocação e missão, muitas vezes com grandes sacrifícios pessoais, mas sempre com amor autêntico a Jesus Cristo, à Igreja e ao povo, solidários com os pobres e os sofridos. Por isso, a Igreja está orgulhosa de seus sacerdotes em todo o mundo.


Dias de recolhimento e exercícios espirituais

Este ano seja também ocasião para um período de intenso aprofundamento da identidade sacerdotal, da teologia do sacerdócio católico e do sentido extraordinário da vocação e da missão dos sacerdotes na Igreja e na sociedade. Isso exigirá congressos de estudo, jornadas de reflexão, exercícios espirituais específicos, conferências e semanas teológicas em nossa faculdades eclesiásticas, pesquisas científicas e respectivas publicações.

Ano de renovação da espiritualidade de cada Sacerdote

O Santo Padre, em seu discurso de anúncio, durante a Assembléia Plenária da Congregação para o Clero, a 16 de março p.p., disse que com este ano especial pretende-se «favorecer esta tensão dos sacerdotes para a perfeição espiritual da qual sobretudo depende a eficácia do seu ministério». Por esta razão, deve ser, de modo muito especial, um ano de oração dos sacerdotes, com eles e por eles, um ano de renovação da espiritualidade do presbitério e de cada presbítero.

Adoração Eucarística e Maternidade espiritual pela santificação dos Sacerdotes

A adoração eucarística pela santificação dos sacerdotes e a maternidade espiritual de monjas, de religiosas consagradas e de leigas referente a sacerdotes, como já proposto, tempos atrás, pela Congregação para o Clero, poderiam ser desenvolvidas com frutos reais de santificação.

Sacerdotes: alguns na pobreza e privação

Seja um ano em que se examinem de novo as condições concretas e a sustentação material em que vivem nossos sacerdotes, às vezes submetidos a situações de dura pobreza.


Aos Sacerdotes, a comunhão e a amizade

Seja, ao mesmo tempo, um ano de celebrações religiosas e públicas, que levem o povo, as comunidades católicas locais, a rezar, a meditar, a festejar e a prestar uma justa homenagem a seus sacerdotes. A festa na comunidade eclesial constitui uma expressão muito cordial, que exprime e nutre a alegria cristã, uma alegria que brota da certeza de que Deus nos ama e festeja conosco. Será uma oportunidade para desenvolver a comunhão e a amizade dos sacerdotes com a comunidade que lhes foi confiada.

Criatividade das Igrejas locais

Muitos outros aspectos e iniciativas poderiam ser nomeados para enriquecer o Ano Sacerdotal. Aqui deverá entrar a justa criatividade das Igrejas locais. Por esta razão, convém que cada Conferência Episcopal, cada diocese, cada paróquia e comunidade local estabeleçam, quanto antes, um verdadeiro e próprio programa para este ano especial. Obviamente, será muito importante começar o ano com um evento significativo. No próprio dia da abertura do Ano Sacerdotal em Roma com o Santo Padre, 19 de junho, as Igrejas locais são convidadas a participar, de algum modo, quiçá com um ato litúrgico específico e festivo. Os que puderem vir a Roma para a abertura, venham para manifestar assim a própria participação nesta feliz iniciativa do Papa. Deus, sem dúvida, abençoará este empenho com grande amor. E a Santíssima Virgem Maria, Rainha do Clero, intercederá por todos vós, caros sacerdotes!


Cardeal Dom Cláudio Hummes
Arcebispo Emérito de São Paulo
Prefeito da Congregação para o Clero


quarta-feira, 27 de maio de 2009

MÊS DE MARIA: Uma santidade absolutamente excepcional



“Existem duas criaturas cuja santidade é absolutamente excepcional, isto é, que possuem laços incomparáveis com a Santíssima Trindade: inicialmente, a Mãe de Deus e, junto a Ela, São José.

Todas as criaturas santificadas o são, a partir da Encarnação redentora de Jesus; mas, em primeiro lugar, Deus destinou Maria e José a se agregarem, a se associarem a Ele, cada um com a sua missão, para a realização desta mesma Encarnação”.


Cônego Daniel-Joseph Lallement
Mystère de la paternité de Saint Joseph, p. 34


MÊS DE MARIA – Sobre a necessidade de recorrer à Santíssima Virgem



“Se as tempestades das tentações se levantam, se cais no escolho das tristezas, eleva teus olhos à Estrela do Mar: invoca a Maria!
Se te golpeiam as ondas da soberba, da maledicência, da inveja, olha a Estrela: invoca a Maria!
Se a cólera, a avareza, a sensualidade de teus sentidos querem afundar a barca de teu espírito, que teus olhos procurem essa Estrela: invoca a Maria!
Se ante a recordação desconsoladora de teus muitos pecados e da severidade de Deus, te sentes ir até o abismo do desalento ou do desespero, lança um olhar para a Estrela: invoca a Mãe de Deus!
Em meio aos perigos, às tuas angústias, às tuas dúvidas, pensa em Maria, invoca a Maria!
O pensar nela e o invocá-la sejam duas coisas que não se afastem nunca nem de teu coração nem de teus lábios. E para estar mais seguro de sua proteção não te esqueças de imitar os seus exemplos.
Seguindo-a não te perderás no caminho!
Implorando a Ela não te desesperarás!
Pensando Nela não te extraviarás!
Se Ela te tem nas mãos não poderás afundar. Debaixo de seu manto nada há que temer. Sob a sua guia não haverá cansaço e com o seu favor chegarás felizmente ao Porto da Pátria Celestial! Amém!”


São Bernardo de Claraval, Doutor da Igreja
Obras Completas, BAC, Madrid, 1953, t. II, PP. 205-206


segunda-feira, 25 de maio de 2009

Santa Maria Madalena de Pazzi - Papa Bento XVI a apresenta como «mestra de espiritualidade» para todos



25 de maio
Memória Facultativa

Papa Bento XVI apresenta Santa Maria Madalena de Pazzi, «mestra de espiritualidade» para todos

Da Carta do Papa Bento XVI ao Arcebispo de Florença, Cardeal Ennio Antonelli, por ocasião das celebrações do IV centenário da morte de Santa Maria Madalena de Pazzi em 29 de abril de 2007

CIDADE DO VATICANO/FLORENÇA, terça-feira, 29 de maio de 2007 (ZENIT.org)- O Papa Bento XVI afirma que a mística italiana Santa Maria Madalena de Pazzi tem o dom, para todos, «de ser mestra de espiritualidade, particularmente para os sacerdotes, por quem teve especial predileção». No IV centenário da morte da Santa carmelita, o Papa anima a que as celebrações por este aniversário «contribuam para dar a conhecer cada vez mais esta luminosa figura, que a todos manifesta a dignidade e a beleza da vocação cristã».

«Assim como na vida, tocando aos sinos, chamava seus irmãos de comunidade com o grito: ‘Vinde amar o Amor!’, que a grande mística, desde Florença, desde seu seminário, desde os mosteiros carmelitas que se inspiram nela, possa ainda hoje fazer ouvir sua voz em toda a Igreja, difundindo o anúncio do amor de Deus por toda criatura humana». É o que deseja o Santo Padre.

São palavras que Bento XVI dirige em uma carta ao Cardeal Ennio Antonelli, Arcebispo de Florença, Itália. O purpurado as leu na sexta-feira passada, na Celebração Eucarística, na Catedral local, pela carmelita, nascida em 2 de abril de 1566 e falecida em 25 de maio de 1607.

Em sua carta, o Papa aprofunda na biografia da Santa florentina, «figura emblemática de um amor vivo que remete à essencial dimensão mística de toda vida cristã», e dá graças a Deus pelo dom da religiosa, «que cada geração se redescubra especialmente próxima em saber comunicar um ardente amor por Cristo e pela Igreja».

«Batizada com o nome de Catarina, desde menina teve uma especial sensibilidade pela vida sobrenatural e se sentiu atraída ao colóquio íntimo com Deus. Fez a Primeira Comunhão pouco antes de completar dez anos; dias depois se entregou para sempre ao Senhor com uma promessa de virgindade.


De nobre família, manteve o desejo de assemelhar-se mais ‘a seu Esposo crucificado’ e amadureceu a decisão de deixar o mundo e entrar no Carmelo de Santa Maria dos Anjos, onde em 1583 recebeu o hábito da comunidade e o nome de irmã Maria Madalena.

Um ano depois, gravemente enferma, pediu para pronunciar a profissão antes do tempo estabelecido. Na Solenidade da Santíssima Trindade, em 27 de maio de 1584, levada ao coro em uma maca, emitiu para sempre ante o Senhor seus votos de castidade, pobreza e obediência.

Desde este momento teve início uma intensa época mística, recorda o Papa, da qual procede a fama dos êxtases da jovem religiosa. Também passou por longos anos de purificação interior, entre provas e grandes tentações, um contexto no qual se marca seu ardente compromisso pela renovação da Igreja.

Como Catarina de Sena, ela se sentiu ‘obrigada’ a escrever algumas cartas para pedir ao Papa, aos cardeais da Cúria, a seu arcebispo e a outras personalidades eclesiásticas um decidido empenho para a ‘Renovação da Igreja’, como diz o título do manuscrito que as contém; foram doze cartas ditadas em êxtase, talvez nunca enviadas, mas que permanecem como testemunho de sua paixão pela ‘Sponsa Verbi’ (Esposa do Verbo, a Igreja, ndr).

Sua dura prova terminou em Pentecostes de 1590; pôde então se dedicar com toda energia ao serviço da comunidade, em particular à formação das noviças.


A Irmã Maria Madalena teve o dom de viver a comunhão com Deus de uma forma cada vez mais interiorizada, convertendo-se em ponto de referência para toda a comunidade, que até hoje continua considerando-a como uma ‘mãe’. O amor purificado que batia em seu coração lhe abriu ao desejo da plena conformidade com Cristo, seu Esposo, até compartilhar com Ele o padecimento da cruz», sublinha o Papa.

«A enfermidade a fez sofrer intensamente os três últimos anos de sua vida, que concluiu na terra em 25 de maio de 1607. Menos de duas décadas depois, o Papa Urbano VIII a proclamou Beata. Em 1669, Clemente IX a incluiu no Catálogo dos Santos.

Seu corpo incorrupto é meta de peregrinações constantes.

O Mosteiro onde a Santa viveu é atualmente sede do Seminário Arcebispal de Florença, que a venera como Padroeira. A cela que ocupou é agora uma Capela.

Santa Maria Madalena de Pazzi permanece como uma presença espiritual para as carmelitas da antiga observância - assinala Bento XVI -, que vêem nela a ‘irmã’ que percorreu inteiramente a via da união transformadora com Deus e que indica em Maria a ‘estrela’ do caminho da perfeição.

Para todos, esta grande Santa tem o dom de ser Mestra de espiritualidade, especialmente para os sacerdotes, pelos quais alimentou sempre uma verdadeira paixão», conclui o Papa Bento XVI.


Santo Padre Papa Bento XVI


Santa Maria Madalena de Pazzi - O Amor não é amado!



Memória Facultativa

25 de maio

“Ó Deus Amor, Amor não amado nem conhecido, Amor, Amor, não me saciarei de chamar-te Amor. O meu coração e meu corpo exultem em Ti, meu Amor. Ó Amor, dá-me uma voz tal que, chamando Amor, eu seja ouvida do Oriente ao Ocidente, e em todos os lugares do mundo, a fim de que por todos Tu sejas conhecido e amado, Amor.

Amor, Amor, Tu és forte e poderoso. Ó Amor, Tu és Deus e homem. Ó Amor, faze com que todas as criaturas te amem, Amor; mas, meu amor, apressa-te, pois como és tão pouco amado!

Ó Amor, por que desejaste fazer aquela tua última Ceia? Ah! Amor, por que querias mostrar o amor que tinhas pela tua criatura!

Ó Amor, Amor, é possível que Tu não tenhas outro nome além de Amor? Entretanto, és tão pobre de nome, ó Amor! Na verdade, tens nomes, e quantos, Amor, mas te agrada mais ser chamado com este de Amor, pois neste Tu mais te deste a conhecer à criatura. Também os santos no céu te chamam por este nome: Amor; dizem sempre Amor, Amor. Jamais cessam de dizer Sanctus, Sanctus, e acrescentam, Amor.

Ó Amor, Amor, feliz e bem-aventurada a alma que tem a ti, Amor, Amor, Amor por tão poucos amado e conhecido.

Quem, Amor, tem amor bastante para louvar-te, Amor?

Se todas as línguas dos homens juntamente com os Anjos, e todas as estrelas do céu, a areia do mar, as plantas da terra, as gotas de água, os pássaros do céu se tornassem línguas para louvar-te, Amor, não seriam suficientes para louvar-te, Amor.

Amor, Amor, concede-o a todas as criaturas e faz, Amor, que todas, todas, todas te amem, Amor, te desejem, Amor, procurem somente a ti, Amor.

Nada mais sei que pedir senão o amor, pois se tenho o amor tenho tudo, e se não o tenho, tudo me falta. Amor, Amor!”


Santa Maria Madalena de Pazzi, O.Carm.
Libro dei colloqui


Santa Maria Madalena de Pazzi – Ó Trindade, concedei a todos a Vossa Luz



Memória Facultativa

25 de maio

“Ó meu Deus, se me achásseis digna de dar a vida pela salvação das vossas criaturas e assim destruir tanto mal, de quanto refrigério isto me seria! Grande coisa é viver e continuamente morrer! Oh, quão grande pena é ver que poderia ajudar as vossas criaturas dando por elas a vida, e não poder fazê-lo! Ó caridade, sois uma lima que, ao mesmo tempo, consumis, pouco a pouco, alma e corpo, e continuamente nutris alma e corpo.

Ó Trindade, ó Pai, ó Verbo, ó Espírito, concedei a cada uma das vossas criaturas a vossa luz para que possam todas elas conhecer sua própria malícia; e a mim, dai-me a graça de poder satisfazer por elas, dando a vida, se necessário for. Por que não posso eu dar a todos esta vossa Luz? Oxalá pudéssemos todos juntos reparar nossas ofensas, se bem que unicamente vossa bondade pode satisfazer-nos cabalmente. Ó bondade imensa, difundi-nos no coração dos vossos eleitos!”


Santa Maria Madalena de Pazzi, O.Carm.
Libro dei colloqui, Coloqui I, Op, v.3


domingo, 24 de maio de 2009

ASCENSÃO DO SENHOR - Ninguém subiu ao céu senão Aquele que veio do céu



Solenidade

"Hoje nosso Senhor Jesus Cristo subiu ao céu; suba também, como Ele, nosso coração. Ouçamos o que nos diz o Apóstolo: Se fostes ressuscitados com Cristo, buscai as coisas do alto, onde Cristo está sentado à destra de Deus. Ponde vosso coração nas coisas do céu, não nas da terra. Pois, do mesmo modo que ele sofreu, sem por isso afastar-se de nós, assim também nós estamos já com Ele, embora ainda não se tenha realizado em nosso corpo o que nos foi prometido.

Ele foi elevado ao mais alto dos céus; entretanto, continua sofrendo na terra através das fadigas que experimentam os seus membros. Assim o testificou com aquela voz vinda do céu: ‘Saulo, Saulo, por que me persegues?’ E também: ‘Tive fome e me destes de comer’. Por que não trabalhamos nós também aquí na terra, de maneira que, pela fé, a esperança e a caridade que nos unem a Ele, descansemos já com Ele nos céus? Ele está ali, mas continua estando conosco; nós, estando aqui, estamos também com Ele. Ele está conosco por sua divindade, por seu poder, por seu amor; nós, embora não possamos realizar isto como Ele pela divindade, podemos pelo amor a Ele.


Ele, quando desceu até nós, não deixou o céu; tampouco nos deixou ao voltar para o céu. Ele mesmo assegura que não deixou o céu enquanto estava conosco, posto que afirma: ‘Ninguém subiu ao céu senão aquele que desceu do céu, o Filho do homem, que está no céu’. Isto diz em virtude da unidade que existe entre Ele, nossa cabeça, e nós, seu Corpo. E ninguém, exceto Ele, poderia dizer isso, já que nós estamos identificados com Ele, em virtude de que Ele, por nossa causa, fez-se Filho do homem, e nós, por Ele, fomos feitos filhos de Deus.

Neste sentido diz o Apóstolo: ‘Assim como o corpo é um e tem muitos membros, e todos os membros do corpo, apesar de serem muitos, são um só corpo, assim também é Cristo’. Não diz: ‘assim é Cristo’, mas: ‘assim também é Cristo’. Portanto, Cristo é apenas um corpo formado por muitos membros. Desceu, pois, do céu, por sua misericórdia, mas já não subiu sozinho, posto que nós subimos também Nele pela graça. Assim, pois, Cristo desceu sozinho, mas já não ascendeu Ele sozinho; não é que queiramos confundir a divindade da cabeça com a do corpo, mas sim, afirmamos que a unidade de todo o corpo pede que este não seja separado de sua cabeça."


Dos Sermões de Santo Agostinho de Hipona, Bispo
Sermão 98, Sobre a Ascensão do Senhor, 1-2; PLS 2, 494-495

ASCENSÃO DO SENHOR - As verdadeiras e fiéis testemunhas de Cristo



Solenidade

“Não são poucos os que querem ser testemunhas do Senhor da paz, enquanto tudo corre conforme seus desejos. Querem de boa vontade ser santos, mas sem trabalho, sem tédio, sem tribulações, sem prejuízos. Desejam, pois, conhecer a Deus, saboreá-lo, senti-lo, mas sem amargura alguma. Se efetivamente devem trabalhar e se lhes produz amargura, tristeza, trevas e árduas tentações, se Deus se lhes esconde e se vêem desprovidos de consolos interiores ou exteriores, num instante se desvanecem seus bons propósitos. Não são as verdadeiras testemunhas que o Senhor exige.

Quem há que não busque a paz, quem que não queira ter a paz em tudo o que faz? E, entretanto, este modo de buscar esta paz deve sem dúvida ser descartado. Devemos esforçar-nos em ter paz em todo o tempo, inclusive nas adversidades com não pouco esforço. Daí deve nascer a verdadeira paz, estável, segura. Verdadeiramente qualquer outra coisa que busquemos ou queiramos será um engano. Se, em troca, nos esforçamos enquanto nos seja possível, por estar alegres na tristeza e nos mantivermos tranqüilos na tribulação, simples nas dificuldades e alegres na angústia, então seremos verdadeiras testemunhas de Deus e de Nosso Senhor Jesus Cristo.

A tais discípulos, o mesmo Cristo, vivo e ressuscitado dentre os mortos, desejava a paz. Estes em sua vida terrena nunca encontraram uma paz externa; mas lhes foi dada uma paz essencial, a verdadeira paz nas tribulações, a felicidade nos insultos, a vida na morte. Se alegravam e exultavam quando os homens lhes odiavam, quando os entregavam aos tribunais, quando eram condenados à morte. Tais são as verdadeiras testemunhas de Deus”.


Frei Johannes Tauler, O.P.
Místico Dominicano do século XIV
Sermón en la fiesta de la Ascensión del Señor
Cit.por dominicos.org

ASCENSÃO DO SENHOR - A gloriosa Ascensão do Senhor



Solenidade

“Hoje a Igreja celebra a Solenidade da Ascensão do Senhor. Esta Solenidade ocorre dentro do Tempo Pascal. Isto significa que o mistério da Ascensão é um aspecto da Páscoa de Cristo.

Na santa Ressurreição Jesus foi glorificado na sua natureza humana: seu corpo e sua alma humana foram totalmente impregnados pelo Santo Espírito, de modo que o Filho eterno do Pai é também um homem divinizado, um homem impregnado da vida divina. Isto contemplamos na Ressurreição: o que aconteceu a Jesus.

Agora, na santa Ascensão, contemplamos o que Jesus glorificado se tornou para nós. Ele não somente foi glorificado, mas o foi em nosso favor, para o nosso bem! Dizer que Ele está à Direita do Pai é um modo figurado de afirmar que Ele participa do senhorio que é próprio de Deus.

Jesus Cristo, com toda a autoridade no céu e na terra, é Senhor do universo, cabeça de toda a criação: tudo caminha para Ele, Ele é o ponto Ômega, o ponto de chegada de todas coisas. Mas, não só: Ele é também Senhor da história: para Ele caminha a história humana e a história de cada um de nós. Nele toda lágrima será enxugada, toda ferida, sarada, toda morte, redimida!


Ele é também o Advogado, o primeiro Paráclito, o nosso Mediador e Intercessor junto do Pai. É isto que afirma a Carta aos Hebreus quando diz que Ele está à direita do Pai com o seu próprio sangue. Ele é aquele Cordeiro de pé como que imolado, tendo nas mãos o livro com as folhas lacradas, que João contemplou no seu Apocalipse.

Sendo assim, Ele é o eterno sacerdote, que continuamente está diante do Pai, oferecendo-se uma vez por todas. É esta sua oferta, de Cordeiro glorioso (de pé) e imolado (como que imolado), que se torna presente em cada Celebração eucarística. Participar do Banquete sacrifical da Eucaristia é participar das coisas do céu, do santo sacrifício que o Senhor Jesus eternamente apresenta ao Pai por nós e pelo mundo inteiro.

Finalmente, Cristo à Direita do Pai é nosso juiz: nele, com o critério da sua cruz, amor que ama até dá a vida, tudo será passado a limpo, tudo será julgado.

Eis, portanto, o belíssimo e rico sentido da Solenidade de hoje!”.


D.Henrique Soares da Costa,Bispo
Cit.por domhenrique.org


sábado, 23 de maio de 2009

Caminhando para a Ascensão cantando o Aleluia



“Toda a nossa vida presente deve transcorrer no louvor de Deus, porque louvar a Deus será sempre também a alegria eterna de nossa vida futura. Ora, ninguém pode tornar-se apto para a vida futura se, já desde já, não se prepara para ela. Agora louvamos a Deus, mas também rogamos a Deus. O nosso louvor está cheio de alegrias e a nossa oração, de gemidos. Foi-nos prometido algo que ainda não possuímos; porém, por ser feliz quem o prometeu, alegramo-nos na esperança; mas, como ainda não estamos na posse da promessa, gememos na ansiedade. É bom perseverarmos no desejo, até que a promessa se realize; então acabará o gemido e permanecerá somente o louvor.

Agora, pois irmãos, vos exortamos a louvar a Deus. É isto o que todos nós exprimimos mutuamente quando cantamos “Aleluia”. “Louvai o Senhor”, dizemos nós uns aos outros. E assim todos põem em prática aquilo que se exortam. Mas louvai-o com todas as vossas forças, isto é, louvai a Deus não só com a língua e a voz, mas também com a vossa consciência, vossa vida, vossas ações.

Na verdade, louvamos a Deus agora que nos encontramos reunidos na igreja. Mas logo ao voltarmos para casa, parece que deixamos de louvar a Deus. Não deixes de viver santamente e louvarás sempre a Deus. Deixas de louvá-lo quando te afastas da justiça e do que lhe agrada. Mas, se nunca te desviares do bom caminho, ainda que tua língua se cale, tua vida clamará; e o ouvido de Deus estará perto do teu coração. Porque assim como nossos ouvidos escutam nossas palavras, assim os ouvidos de Deus escutam nossos pensamentos”.


Santo Agostinho de Hipona,
Sermão 98, Sobre a Ascensão do Senhor, 1-2; PLS 2, 494-495


Santa Teresa de Jesus: Enfermos de amor por Ti, meu Senhor



“Ó Deus verdadeiro e Senhor meu! Para a alma afligida pela solidão em que vive na tua ausência, é grande consolo saber que estás em toda a parte. Mas que sentido há nisto, Senhor, quando a força do amor e a impetuosidade desta pena aumentam, e o coração se atormenta, a tal ponto, que nem podemos já compreender nem conhecer tal verdade? A alma percebe apenas que está apartada de Ti, e nenhum remédio admite. Porque o coração que muito ama não consente outros conselhos nem consolos, senão os vindos d'Aquele que o feriu; d'Ele, somente, espera a cura para a pena.

Quando Tu queres, Senhor, depressa saras a ferida que fizeste. Ó meu Bem-Amado, com quanta compaixão, com quanta doçura, bondade e ternura, com quantas mostras de amor Tu saras estas chagas feitas com as setas do teu amor! Ó meu Deus, Tu és o repouso para todas as penas.

Não será loucura vã procurar meios humanos para curar os que vivem enfermos do divino fogo? Quem poderá saber aonde tal ferida chegará, donde vem, e como mitigar tão penoso tormento? Quanta razão tem a esposa do Cântico dos Cânticos, ao dizer: «O meu amado é para mim e eu para Ele!» (Ct 2,16). Porque o amor que sinto não pode ter origem em algo tão baixo como é este meu amor. E, no entanto, Esposo meu, sendo ele assim tão baixo, como entender que seja afinal capaz de superar todas as coisas criadas, para chegar ao seu Criador?”

Santa Teresa d'Ávila,
Monja Carmelita e Doutora da Igreja
Obras Completas(Editorial Monte Carmelo)


terça-feira, 19 de maio de 2009

Sobre o juízo dos homens e o amor próprio



“Ó morte, que doce é a tua sentença (Sir 41,2). Para que penso no amanhã? Devo fazer, com toda a diligência do espírito, tudo quanto Deus quer de mim em cada momento, deixando que Ele se preocupe com o futuro.

A idéia dos exames assusta-me; não sei como apresentar-me aos meus professores, a todo o corpo docente reunido, para provar que estudei. E o que fará minha alma, sozinha, pobre pecadora, diante de toda a corte celestial, diante de Jesus, Juiz divino? Os santos tremiam de espanto só ao pensá-lo, escondiam-se nos desertos, e eram santos. Quão louco sou! Tremo quando não há razão e no que deveria preocupar-me, penso pouco. Tenho, pois, que ser mais objetivo. Menos medo dos exames aqui da terra, e mais aplicação para ganhar méritos e fazer boas obras que me suavizem o juízo de Deus.

Porque tanta angústia e preocupação com o êxito? No fundo é tudo por causa da opinião que possam ter acerca da minha pessoa, porque sou escravo do juízo dos homens, escravo do meu amor próprio. Que insensatez! O que me importa o juízo dos homens? Serão eles que hão de premiar-me? Não são para Deus, afinal, todos os meus atos? Tenho de aprender a enfrentar o juízo dos homens, a despreocupar-me, a não deixar que me afete de modo nenhum, porque, no futuro desempenho do ministério sacerdotal, me verei obrigado, com freqüência, a contrariá-lo e a desafiá-lo, se quiser fazer algum bem. ‘Se tratasse de agradar aos homens, não agradaria a Deus’, dizia São Paulo.

O meu pai espiritual insiste em que, durante os santos Exercícios, me ocupe sobretudo do meu amor próprio, do outro eu, pois não serei realmente grande, nem útil para nada, enquanto não me despojar por completo de mim mesmo. O amor próprio. Que problema, se bem pensarmos. Quem terá conseguido definir em que consiste? Que filósofo se terá ocupado dele? E é a questão mais importante que trazemos entre as mãos, uma questão decisiva. E quem pensa nisso? Contudo, Jesus Cristo – e estou a vê-lo nas meditações destes dias – nos seus ensinamentos, mais não fez do que indicar-nos como havemos de lutar, na prática, contra esse inimigo mortal que corrompe todas as nossas ações.


É uma exposição, um conjunto doutrinal admirável, que me dá o que pensar; embora não seja a primeira vez que o ouço, mostra-me certos aspectos que me parecem novos, revela-me certos aprofundamentos desconhecidos e maravilhosos. Mas – e aqui aumenta o espanto – a vida de Jesus, considerada sob esse aspecto, é uma revolução em toda a linha, uma contradição dos modos de ver, sentir, raciocinar, mesmo das pessoas piedosas e realmente boas.

Quanto a nós, ou somos santos de todo, esforçando-nos por alcançar o terceiro grau de humildade, isto é, querer padecer e ser menosprezado, ou não somos nada: com o primeiro grau, as lições de Jesus quase ficam sem fruto e o amor próprio só aparentemente é anulado. É essa a conclusão. Mas então, o que ando a fazer se nem sequer alcancei o primeiro grau da humildade?

Amável Jesus, prostro-me aos vossos pés, certo de que sabereis realizar aquilo que nem sequer sou capaz de imaginar. Quero servir-vos até onde quiseres, custe o que custar, sob pena de qualquer sacrifício. Não sei fazer nada; não sei humilhar-me; a única coisa que sei dizer-vos e vos digo firmemente é: quero humilhar-me, quero amar a humilhação, a falta de atenções que o meu próximo tiver para comigo; lanço-me de olhos fechados, de boa vontade, no mar de desprezos, sofrimentos e abjeções a que vos agrade sujeitar-me. Sinto repugnância em vos dizer, sinto angústia no coração, mas prometo isso a Vós. Quero sofrer, quero ser desprezado por vosso amor. Não sei o que vou fazer, nem sequer acredito em mim mesmo, mas não desisto de o querer com toda a força da minha alma: padecer e ser desprezado por teu amor”.


Seminarista Angelo Giuseppe Roncalli (Papa João XXIII)
Diário de uma alma, (2ª parte, no Seminário de Roma)


sábado, 16 de maio de 2009

Quem recebe aquele que eu enviei recebe a mim Jo 13, 20



Jo 13, 20

“Em verdade, em verdade vos digo: quem recebe aquele que eu enviei recebe a mim; e quem me recebe, recebe aquele que me enviou”.

“Porque o que recebe ao que Jesus envia, recebe ao mesmo Jesus que existe em seu enviado. E o que recebe Jesus, recebe ao Pai. Logo, o que recebe ao que Jesus envia recebe o Pai que envia. Também pode entender-se deste outro modo: o que recebe a quem Eu enviarei, se faz digno de receber-me a mim. E o que me recebe, não por intermediação do apóstolo que eu enviarei, mas me recebe quando me dirijo às almas, recebe também o Pai, de tal modo que não só Eu moro nele mas também o Pai”.

Orígenes
In Ioannem tract., 32
Catena Aurea


“Onde Jesus diz: «Meu Pai e Eu somos uma só coisa» ( Jn 10,30), não deixa nenhuma dúvida quanto à distância. E ao aceitar agora estas palavras do Senhor, «Quem me recebe, recebe aquele que me enviou» (Jo 13, 20), ao entender que uma mesma é a natureza do Pai e do Filho, seria lógico que na locução «Se recebe ao que Eu enviar, recebe a mim», se entendesse também que uma mesma é a natureza do Filho e a do apóstolo. E assim, parece que se devia dizer: «Quem recebe ao que Eu enviar, recebe a mim como homem, e o que me recebe como Deus, recebe o Pai me enviou». Mas quando dizia isto não fazia alusão à unidade de natureza, senão que recomendava a sua própria autoridade que reside no enviado. Se, pois, atendes a Cristo em Pedro, verás o Mestre no discípulo; e se olhas ao Filho no Pai, verás o Pai no Unigênito”.


Santo Agostinho de Hipona
In Ioannem tract., 59
Catena Aurea


Ano Sacerdotal: Indulgências especiais



Um decreto da Penitenciária Apostólica divulgou as condições

CIDADE DO VATICANO, terça-feira, 12 de maio de 2009 (ZENIT.org) - Os sacerdotes e fiéis que realizarem determinados exercícios de piedade durante o Ano Sacerdotal receberão a indulgência plenária.

Assim informa um decreto divulgado hoje pela Sala de Imprensa da Santa Sé, assinado pelo cardeal James Francis Stafford e pelo bispo Gianfranco Girotti, O.F.M., penitenciário maior e regente da Penitenciária Apostólica, respectivamente.

A Igreja celebrará o Ano Sacerdotal do dia 19 de junho de 2009 até o mesmo dia do ano seguinte, por ocasião do 150º aniversário da morte de São João Maria Vianney, o Cura de Ars.

O Ano Sacerdotal começará no dia da Solenidade do Sagrado Coração de Jesus, com a celebração, presidida pelo Papa, das Vésperas diante das relíquias de São João Maria Vianney, levadas a Roma pelo Bispo de Belley-Ars.

Bento XVI concluirá o “sagrado período” um ano depois, na Praça de São Pedro, com sacerdotes do mundo inteiro, que “renovarão a fidelidade a Cristo e o vínculo de fraternidade”, segundo o texto.


O decreto explica detalhadamente as modalidades para a obtenção das indulgências:

1-Em primeiro lugar, poderão obter a indulgência plenária os sacerdotes que, “arrependidos de coração”, rezem qualquer dia as Laudes ou Vésperas diante do Santíssimo Sacramento exposto para a adoração pública ou no sacrário e, seguindo o exemplo de São João Maria Vianney, ofereçam-se para celebrar os sacramentos, sobretudo a Confissão, “com espírito generoso e disposto”.

2-O texto indica que os sacerdotes poderão beneficiar-se da indulgência plenária aplicável a outros sacerdotes defuntos como sufrágio, se, em conformidade com as disposições vigentes, se confessarem, comungarem e rezarem pelas intenções do Papa.

3-Também receberão indulgência parcial, sempre aplicável aos irmãos no sacerdócio defuntos, “cada vez que rezarem orações devidamente aprovadas para levar uma vida santa e cumprir os ofícios que lhes foram confiados”.

4-Por outro lado, todos os cristãos poderão beneficiar-se de indulgência plenária sempre que, “arrependidos de coração”, assistirem à Santa Missa e oferecerem pelos sacerdotes da Igreja orações a Jesus Cristo e qualquer boa obra.

Tudo isso complementado com o sacramento da confissão e a oração pelas intenções do Papa “nos dias em que se abra e se conclua o Ano Sacerdotal, no dia do 150º aniversário da morte de São João Maria Vianney, nas primeiras quintas-feiras de cada mês ou em qualquer outro dia estabelecido pelos Ordinários dos lugares para a utilidade dos fiéis”.

Os idosos, doentes e todos aqueles que, por motivos legítimos, não possam sair de casa, também poderão obter a indulgência plenária se, com ânimo afastado do pecado e o propósito de cumprir as três condições necessárias assim que lhes for possível, “nos dias indicados rezarem pela santificação dos sacerdotes e oferecerem a Deus, por meio de Maria, Rainha dos Apóstolos, suas doenças e sofrimentos”.

O decreto indica que se concederá a indulgência parcial a todos os fiéis cada vez que rezarem 5 Pai Nossos, Ave Marias e Glórias, e outra oração devidamente aprovada “em honra do Sagrado Coração de Jesus, para que os sacerdotes se conservem em pureza e santidade de vida”.

O texto indica que o Santo Cura de Ars “aqui na terra foi um maravilhoso modelo de verdadeiro pastor do rebanho de Cristo”.

Também destaca que as indulgências podem ajudar os sacerdotes, junto com a oração e as boas obras, a obter “a graça de resplandecer com a fé, a esperança, a caridade e as demais virtudes” e “mostrar com sua conduta de vida, também com seu aspecto exterior, que estão plenamente dedicados ao bem espiritual das pessoas”.


Fonte: Zenit


sexta-feira, 15 de maio de 2009

Madre Teresa de Calcutá: As árvores conhecem-se pelos seus frutos




“As árvores conhecem-se pelos seus frutos”


”Se há coisa que sempre nos garantirá o céu, são os atos de caridade e de generosidade com que tivermos preenchido a nossa existência. Saberemos jamais o bem que pode fazer um simples sorriso? Proclamamos que Deus acolhe, compreende, perdoa. Mas somos a prova viva disso que proclamamos? Os outros detectam em nós esse acolhimento, essa compreensão e esse perdão, vivos?

Sejamos sinceros nas nossas relações uns com os outros; tenhamos a coragem de nos aceitar uns aos outros tal como somos. Não nos deixemos espantar nem preocupar com os nossos fracassos nem com os fracassos dos outros; antes, vejamos o bem que há em cada um de nós; descubramo-lo, porque todos nós fomos criados à imagem de Deus.

Não esqueçamos que ainda não somos santos, mas que nos esforçamos por sê-lo. Sejamos, pois, extremamente pacientes com os nossos pecados e com as nossas quedas. Não te sirva a língua senão para o bem dos outros, “porque a boca fala da abundância do coração”. Temos de ter alguma coisa no coração para podermos dar, e aqueles cuja missão é dar têm primeiro de crescer no conhecimento e amor a Deus”.


Beata Teresa de Calcutá
Fundadora das Missionárias da Caridade
Não há amor maior


quarta-feira, 13 de maio de 2009

NOSSA SENHORA DE FÁTIMA - Necessitamos nos santificar por Maria – 1ª parte



13 de Maio
5a Semana da Páscoa

De São Luís Maria Grignon de Montfort
O Segredo de Maria

Necessitamos nos santificar por Maria

“Alma, imagem viva de Deus e resgatada pelo Sangue precioso de Jesus Cristo, a vontade de Deus a teu respeito é que te tornes santa como Ele nesta vida, e gloriosa como Ele na outra.

A aquisição da santidade de Deus é tua vocação assegurada; e é para lá que todos os teus pensamentos, palavras e ações, teus sofrimentos e todos os movimentos de tua vida devem tender; ou do contrário, tu resistes a Deus, não fazendo aquilo para o que Ele te criou e te conserva agora.

Ó! Que obra admirável! A poeira transformada em luz, a imundície em pureza, o pecado em santidade, a criatura em Criador e o homem em Deus! Ó obra admirável! Eu o repito, mas obra difícil em si mesma e impossível à natureza por si só; unicamente Deus, por uma graça, uma graça abundante e extraordinária, é quem pode levá-la a cabo; e a criação de todo o universo não é maior obra-prima do que esta.

Alma, como farás? Que meios tu escolherás para subir onde Deus te chama? Os meios de salvação e de santidade são conhecidos de todos, estão assinalados no Evangelho, explicados pelos mestres da vida espiritual, são praticados pelos santos e necessários a todos os que querem salvar-se e chegar à perfeição; tais são: a humildade de coração, a oração contínua, a mortificação universal, o abandono à divina Providência, a conformidade com a vontade de Deus.

Para praticar todos esses meios de salvação e de santidade, a graça e o socorro de Deus são absolutamente necessários, e esta graça é dada a todos, maior ou menor; não resta dúvida. Eu digo: maior ou menor, pois Deus, ainda que sendo infinitamente bom, não dá sua Graça igualmente forte para todos, embora Ele a dê suficiente para todos. A alma fiel a uma grande graça faz uma grande ação, e com uma fraca graça faz uma pequena ação. O valor e a excelência da graça dada por Deus e correspondida pela alma fazem o valor e a excelência de nossas ações. Esses princípios são incontestáveis.

Tudo se reduz, portanto, a encontrar um meio fácil para obter de Deus a graça necessária para tornar-se santo; e é isto que eu quero mostrar e ensinar. E, eu digo que para encontrar a graça de Deus, é necessário encontrar Maria.


Um escultor pode fazer uma figura ou um retrato ao natural de duas maneiras: 1º - servindo-se de sua indústria, de sua força, de sua ciência e da qualidade de seus instrumentos para fazer essa figura em uma matéria dura e informe; 2º - ele pode colocá-la num molde. A primeira maneira é demorada, difícil, e sujeita a vários acidentes: não é preciso, freqüentemente, mais que um golpe mal dado de cinzel ou de martelo para estragar toda uma obra. A segunda é pronta, fácil e doce, quase sem sofrimento e sem custo, desde que o molde seja perfeito e que ele represente ao natural; desde que a matéria de que ele se sirva seja bem maleável, não resistindo nunca à sua mão.

Maria é o grande molde de Deus, feito pelo Espírito Santo, para formar ao natural um Homem-Deus pela união hipostática, e para formar um homem-Deus pela graça. Não falta a este molde nenhum traço da divindade; qualquer um que seja jogado nele e se deixa manejar, nele recebe todos os traços de Jesus Cristo, verdadeiro Deus, de uma maneira doce e proporcionada à fraqueza humana, sem muita luta e trabalho; de uma maneira segura, sem medo de ilusão, pois o demônio nunca teve e não terá jamais entrada junto a Maria, santa e imaculada, sem sombra da menor mancha de pecado.

Ó, cara alma! Que diferença há entre uma alma formada em Jesus Cristo pelas vias ordinárias daqueles que, como os escultores, se fiam em sua experiência e se apóiam em sua capacidade, e uma alma bem maleável, bem desfeita, bem derretida, e que, sem nenhum apoio em si mesma, se lança em Maria e n’Ela se deixa manusear pela operação do Espírito Santo! Quanto há de máculas, quanto há de defeitos, quanto há de trevas, quanto há de ilusões, quanto há de natural, quanto há de humano na primeira alma; e como a segunda é pura, divina e parecida com Jesus Cristo!”


(Continua)

NOSSA SENHORA DE FÁTIMA - Necessitamos nos santificar por Maria – 2ª parte



13 de Maio
5a Semana da Páscoa

Continuação:

“Absolutamente não há, nem nunca haverá jamais, criatura onde Deus seja maior, fora d’Ele mesmo e em si mesmo, que na divina Maria, sem exceção nem dos bem-aventurados, nem dos querubins, nem dos mais altos serafins, no Paraíso mesmo. Maria é o Paraíso de Deus e seu mundo inefável, onde o Filho de Deus entrou para lá operar maravilhas, para o guardar e comprazer-se lá. Ele fez um mundo para o homem viandante, que é este em que estamos; Ele fez um mundo para o homem bem-aventurado, que é o Paraíso; mas Ele fez um outro para si, ao qual deu o nome de Maria; mundo desconhecido a quase todos os mortais, e incompreensível a todos os anjos e bem-aventurados, lá no Céu, que, na admiração de ver Deus tão elevado e tão distanciado deles todos, tão separado e tão recluso em Seu mundo, a divina Maria, bradam dia e noite: Santo, Santo, Santo.

Feliz e mil vezes feliz a alma, aqui embaixo, à qual o Espírito Santo revela o segredo de Maria, para o conhecer, e à qual Ele abre e permite penetrar esse jardim fechado, essa fonte selada para nela abeberar-se das águas vivas da graça! Esta alma não encontrará senão Deus somente, sem criatura, nesta amável criatura. Mas Deus, ao mesmo tempo infinitamente Santo e Elevado, infinitamente condescendente e proporcionado à sua fraqueza. Uma vez que Deus está em todo lugar, pode-se encontrá-lo em todo lugar, até nos infernos; mas não há lugar onde a criatura possa encontrá-lo mais perto de si e mais proporcionada à sua fraqueza que em Maria, pois foi para este efeito que Ele desceu a Ela. Por toda parte Ele é o Pão dos fortes e dos Anjos; mas em Maria, Ele é o Pão dos filhos.

Que ninguém imagine, portanto, junto com alguns falsos iluminados, que Maria, sendo criatura, seja um impedimento à união como o Criador; não é mais Maria que vive, é Jesus Cristo só, é Deus só que vive n’Ela. Sua transformação em Deus ultrapassa mais a de São Paulo e dos outros santos, de que o céu ultrapassa a terra em elevação. Maria não foi feita senão para Deus, e tal seria que Ela faça parar uma alma n’Ela mesma. Pelo contrário, Ela a lança em Deus e a une a Ele com tanto maior perfeição, quanto maior a união da alma com Ela. Maria é o eco admirável de Deus, que não responde senão: Deus, quando alguém grita: Maria, que não glorifica senão a Deus, quando, com Santa Isabel, alguém lhe chama bem-aventurada. Se os falsos iluminados, que foram miseravelmente enganados pelo demônio até na oração, houvessem sabido encontrar Maria, e por Maria, Jesus, e por Jesus, Deus, eles não teriam tido tão terríveis quedas. Quando se tem uma vez encontrado Maria, e por Maria, Jesus, e por Jesus, Deus Pai, tem-se encontrado todo bem, dizem as almas santas. Quem diz a "todo" não faz exceção de nada: toda graça e toda amizade junto a Deus; toda sinceridade contra os inimigos de Deus; toda verdade contra a mentira; toda facilidade e toda vitória contra as dificuldades da salvação; toda doçura e toda alegria nas amarguras da vida.


Isso não quer dizer que quem encontrou Maria, por meio de uma verdadeira devoção, seja isento de cruzes e de sofrimentos; pode ser sim, mais assaltado do que qualquer outro, porque Maria, sendo a Mãe dos viventes, dá a todos os seus filhos pedaços da Árvore da vida, que é a Cruz de Jesus; mas talhando-lhes umas boas cruzes, Ela lhes dá a graça de carregá-las pacientemente e mesmo alegremente; de sorte que as cruzes que Ela dá aos que lhe pertencem são mais uns doces, ou umas cruzes confeitadas, que cruzes amargas; ou, se eles sentem por um tempo a amargura do cálice que é preciso beber necessariamente para ser amigo de Deus, a consolação e a alegria, que esta boa Mãe faz suceder à tristeza, os anima infinitamente a levar cruzes ainda mais pesadas e amargas.

Conclusão

A dificuldade está, portanto, em saber encontrar verdadeiramente a divina Maria, para encontrar toda graça abundante. Deus, sendo Senhor absoluto, pode comunicar por Ele mesmo o que Ele não comunica ordinariamente senão por Maria; não se pode negar, sem temeridade, que Ele o faça mesmo algumas vezes; entretanto, segundo a ordem que a divina Sabedoria estabeleceu, Ele não se comunica ordinariamente aos homens senão por Maria na ordem da graça, como diz São Tomás. É necessário, para subir e se unir a Ele, servir-se do mesmo meio de que Ele se serviu para descer a nós, para se fazer homem e para nos comunicar suas graças; e este meio é uma verdadeira devoção à Santa Virgem Maria”.


São Luís Maria Grignon de Montfort
O Segredo de Maria

NOSSA SENHORA DE FÁTIMA – Oração do Papa João Paulo II – Totus Tuus



13 de Maio
5a Semana da Páscoa

Totus Tuus

“Virgem Maria,
Mãe do meu Deus!
Faz que eu seja todo teu!
Teu na vida,
teu na morte,
teu no sofrimento,
teu no medo e na miséria,
teu na cruz
e no doloroso desalento,
teu no tempo
e na eternidade.
Virgem,
Mãe do meu Deus!
Faz que eu seja todo,
todo teu!
Amém!”


Papa João Paulo II


sábado, 9 de maio de 2009

Ano Sacerdotal – Caminhando de encontro ao Ano Sacerdotal



Na Carta aos Sacerdotes na quinta-feira santa de 1986, o Papa João Paulo II escreveu:

“O sacramento da reconciliação e o da Eucaristia estão estreitamente unidos. Sem uma conversão constantemente renovada, junto à acolhida da graça sacramental do perdão, a participação na Eucaristia não logrará sua plena eficácia redentora. Como Cristo, que começou seu ministério com a exortação «arrependei-vos e crede no Evangelho» (Mc 1, 15), o Cura d’Ars começava geralmente a sua atividade diária com o sacramento do perdão. Mas se alegrava conduzindo à Eucaristia os seus penitentes já reconciliados. A Eucaristia ocupava certamente o centro de sua vida espiritual e de seu labor pastoral. Costumava dizer: «Todas as boas obras juntas não podem comparar-se com o Sacrifício da Missa pois são obras dos homens, enquanto que a Santa Missa é Obra de Deus». Nela se faz presente o sacrifício do Calvário para redenção do mundo. Evidentemente, o sacerdote deve unir ao oferecimento da Missa a doação cotidiana de si mesmo. «Portanto, é bom que o sacerdote se ofereça a Deus em sacrifício todas as manhãs». «A comunhão e o santo sacrifício da Missa são os dois atos mais eficazes para conseguir a transformação dos corações».

Deste modo, a Missa era para João Maria Vianney a grande alegria e alento em sua vida de sacerdote. Apesar da afluência de penitentes, se preparava com toda diligência e em silêncio durante mais de um quarto de hora. Celebrava com recolhimento, deixando entrever sua atitude de adoração nos momentos da consagração e da comunhão. Com grande realismo, enfatizava: «A causa do relaxamento do sacerdote está em não dedicar suficiente atenção à Missa».


O Cura d’Ars detinha-se particularmente ante a presença real de Cristo na Eucaristia. Ante o tabernáculo passava frequentemente longas horas de adoração, antes de amanhecer ou durante a noite. Em suas homilias costumava apontar o Sacrário dizendo com emoção: «Ele está ali». Por isso, ele, que tão pobremente vivia em sua casa paroquial, não duvidava em gastar quanto fosse necessário para embelezar a Igreja. Logo se pode ver o bom resultado: os fiéis tomaram por costume o ir rezar ante o Santíssimo Sacramento, descobrindo, através da atitude de seu pároco, o grande mistério da fé.

Por Cristo, trata de conformar-se fielmente às exigências radicais que Jesus propõe no Evangelho aos discípulos que envia em missão: oração, pobreza, humildade, renúncia de si mesmo e penitência voluntária. E, como Cristo, sente por seus fiéis um amor que lhe leva a uma entrega pastoral sem limites e ao sacrifício de si mesmo. Raramente um pastor foi até este consciente de suas responsabilidades, devorado pelo desejo de arrancar seus fiéis do pecado ou da tibieza. «Oh Deus meu, concedei-me a conversão de minha paróquia! Aceito sofrer tudo o que quiserdes por toda a minha vida».

Ante tal testemunho, vem à nossa mente o que o Concílio Vaticano II nos diz hoje acerca dos sacerdotes: «Seu ofício sagrado o exercem, sobretudo, no culto ou assembléia eucarística» (Lumen gentium, 28). E, mais recentemente, o Sínodo extraordinário (dezembro de 1985) recordava: «A liturgia deve fomentar o sentido do sagrado e fazê-lo resplandecer. Deve estar imbuída de reverência e da glorificação de Deus. A Eucaristia é a fonte e o cume de toda a vida cristã».


Queridos irmãos sacerdotes, o exemplo do Cura d’Ars nos convida a um sério exame de consciência. Que lugar ocupa a santa Missa em nossa vida cotidiana? A Missa continua sendo como no dia de nossa Ordenação, a qual foi nosso primeiro ato como sacerdotes, o princípio de nosso labor apostólico e de nossa santificação pessoal? Como é nossa oração ante o Santíssimo Sacramento e como a infundimos nos fiéis? Qual é nosso empenho em fazer de nossas igrejas a Casa de Deus para que a presença divina atraia aos homens de hoje, que com tanta freqüência sentem que o mundo está vazio de Deus?

O Cura d’Ars é um modelo de zelo sacerdotal para todos os pastores. O segredo de sua generosidade se encontra sem dúvida alguma em seu amor a Deus, vivido sem limites, em resposta constante ao amor manifestado em Cristo crucificado. Nisto se fundamenta seu desejo de fazer todas as coisas para salvar as almas resgatadas por Cristo a tão grande preço e encaminhá-las até o amor de Deus. Recordemos uma daquelas suas frases lapidares cujo segredo ele bem conhecia: «O sacerdócio é o amor do Coração de Jesus». Em seus sermões e catequeses se referia sempre a este amor: «Oh, Deus meu, prefiro morrer amando-vos que viver um só instante sem amar-vos. Eu vos amo, meu divino Salvador, porque fostes crucificado por mim, porque me tendes crucificado para Vós»”.

Amados irmãos sacerdotes, alimentados pelo Concílio Vaticano II, que felizmente situou a consagração do sacerdote no marco de sua missão pastoral, busquemos o dinamismo de nosso zelo pastoral com São João Maria Vianney, no Coração de Jesus, em seu amor pelas almas. Se não acudirmos à mesma fonte, nosso ministério correrá o risco de dar muito poucos frutos.”


Santo Padre Papa João Paulo II
Carta aos Sacerdotes na quinta-feira santa de 1986


sexta-feira, 8 de maio de 2009

MÊS DE MARIA – Maria e a Redenção




A Cooperação privilegiada de Maria à Redenção

“Maternidade espiritual de Maria - «A Bem-aventurada Virgem, predestinada, desde toda a eternidade no cerne do desígnio da encarnação do Verbo divino, para ser a Mãe de Deus na Terra, por disposição da divina Providência, foi a venerável Mãe do Redentor divino, generosamente associada à sua obra, título absolutamente único, e humilde escrava do Senhor.

Concebendo a Cristo, gerando-o, alimentando-o, apresentando-o no Templo ao Pai, sofrendo com seu Filho que morria na cruz, ela cooperou de modo absolutamente singular - pela obediência, pela fé, pela esperança e por sua ardente caridade - na obra do Salvador, para restaurar a vida sobrenatural das almas. Por tudo isto, Ela é nossa Mãe na Ordem da graça»".


Lumen Gentium, Capítulo VIII § 61
Concílio Vaticano II


MÊS DE MARIA – Nossa Senhora, Mãe do Amor



Maria, Mãe do Amor

“Esta Mãe do Amor Formoso pode aliviar teu coração de todo escrúpulo e de todo amor servil. Entrega-te a Ela e o teu coração Ela abrirá e alargará para correr pelo caminho dos mandamentos do seu Filho, com a santa liberdade dos filhos de Deus. Passarás a olhar a Deus como teu Bondoso Pai, tratando de agradar-lhe incessantemente, e com Ele conversarás confidentemente, à semelhança de um filho com seu Pai. Se por acaso o ofenderes, humilha-te diante dele, pede-lhe perdão confiantemente e humildemente, e estenderás simplesmente a mão, e te levantarás amorosamente sem perturbação nem inquietação, para continuar a caminhar para Ele, nosso Pai e nosso Amor”.


São Luis Maria Grignon de Montfort
Tvd, n.215

MÊS DE MARIA – Quem se iguala à tua grandeza?




Quem se iguala à tua grandeza?

“Ó nobre Virgem,
Tu és verdadeiramente grande,
acima de toda a grandeza!
Pois, quem pode se igualar à tua grandeza,
ó morada de Deus, o Verbo?
A quem poderia eu compará-la,
ó Virgem, entre todas as criaturas?
Nós sabemos que és a maior
dentre todas as criaturas.
Poderia eu comparar-te
à terra e a seus frutos?
Tu os superas...
Se declaro que os Anjos de Deus
e os Arcanjos são grandes,
Tu és bem maior que todos eles.
Pois os Anjos e os Arcanjos servem com
tremor Aquele que mora em teu seio”.


Santo Atanásio de Alexandria



quinta-feira, 7 de maio de 2009

O Bom Pastor: Se alguém entrar por Mim estará salvo




«Eu sou o Bom Pastor». É evidente que o título de pastor convém a Cristo. Porque, assim como um pastor leva o seu rebanho a pastar, assim também Cristo restaura os fiéis através do alimento espiritual, que é o seu Corpo e o seu Sangue. Por outro lado, Cristo afirmou que o pastor entra pela porta e que Ele próprio é essa porta. Temos de compreender, pois, que é Ele que entra, e que entra por si mesmo. E é bem verdade: é por si mesmo que Ele entra; manifesta-se a si mesmo e mostra que conhece o Pai por si mesmo, enquanto que nós entramos por Ele e é Ele que nos dá a felicidade perfeita.

Mais ninguém é a porta, porque mais ninguém é «a luz verdadeira que a todo o homem ilumina» (Jo 1, 9). É por isso que nenhum homem afirma ser a porta. Cristo reservou para si este nome, como pertencendo-lhe com propriedade. O título de pastor, porém, comunicou-o a outros, deu-o a alguns dos seus membros. Com efeito, também Pedro o foi (Jo 21, 15) e os outros apóstolos, e todos os Bispos. «Dar-vos-ei pastores segundo o meu coração», diz a Escritura (Jer 3, 15). Nenhum pastor é bom se não estiver unido a Cristo pela caridade, tornando-se assim membro do verdadeiro Pastor.

Porque o serviço do Bom Pastor é a caridade. É por isso que Jesus afirma que dá a vida pelas suas ovelhas (Jo 10, 11). Cristo deu-nos o exemplo: «Ele deu a sua vida por nós, e nós devemos dar a vida pelos nossos irmãos» (1Jo 3, 16)”.


São Tomás de Aquino, Doutor da Igreja
Comentário ao Evangelho de João 10, 3


domingo, 3 de maio de 2009

O Bom Pastor: "Dou às minhas ovelhas a vida eterna"



IV Domingo da Páscoa

Domingo do Bom Pastor

Dia mundial de oração pelas vocações

“Aquele que é Bom, não por um dom recebido mas por natureza, diz-nos: "Eu sou o bom Pastor". E continua, para que imitemos o modelo que nos deu da sua bondade: "O bom Pastor dá a vida pelas suas ovelhas" (Jo 10.11). No seu caso, Ele realizou o que tinha ensinado; mostrou o que tinha ordenado. Bom Pastor, Ele deu a vida pelas suas ovelhas, para mudar o seu corpo e sangue em nosso sacramento e saciar com o alimento da sua carne as ovelhas que tinha resgatado. Mostrou o caminho a seguir: desprezou a morte. Eis diante de nós o modelo a que temos de nos conformar. Em primeiro lugar, gastar-nos exteriormente com ternura pelas suas ovelhas; em seguida, se for necessário, oferecer-lhes a nossa morte.


Ele acrescenta: "Eu conheço - quer dizer, amo - as minhas ovelhas e elas me conhecem". É como se Ele dissesse de uma forma mais clara: "Quem me ama, siga-me!", porque quem não ama a verdade é porque ainda a não conhece. Vede, irmãos caríssimos, se sois verdadeiramente as ovelhas do bom Pastor, vede se o conheceis, vede se vos apropriais da luz da verdade. Não falo da apropriação pela fé mas pelo amor; vede se vos apropriais não pela vossa fé mas pelo vosso comportamento. Porque o mesmo evangelista João, que nos transmitiu esta palavra, afirma ainda: "Quem diz que conhece Deus e não guarda os seus mandamentos, é um mentiroso" (1 Jo 2,4).


É por isso que, no nosso texto, Jesus acrescenta logo a seguir: "Assim como o Pai me conhece, Eu conheço o Pai e dou a vida pelas minhas ovelhas", o que equivale a dizer claramente: o fato de que Eu conheço o meu Pai e sou conhecido por Ele consiste em que Eu dê a vida pelas minhas ovelhas. Por outras palavras: este amor que me leva a morrer pelas minhas ovelhas mostra até que ponto Eu amo o Pai”.


S. Gregório Magno, Papa e Doutor da Igreja
Homilia XIV sobre o Evangelho