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domingo, 4 de abril de 2010

PÁSCOA DA RESSURREIÇÃO DO SENHOR – Este é o dia que o Senhor fez! Exultemos e cantemos de alegria!



DOMINGO DE PÁSCOA
RESSURREIÇÃO DO SENHOR

At 10,34a.37-43
Sl 117
Cl 3,1-4 ou 1Cor 5,7b.-8a
Jo 20,1-9 ou, à tarde, Lc 24,13-35


«Este é o dia que o Senhor fez! Exultemos e cantemos de alegria!»

«Este é o dia que o Senhor fez, exultemos e cantemos de alegria» (Sl 117, 24). Não é por acaso, meus irmãos, que lemos hoje este salmo em que o profeta nos convida à alegria, em que o santo David convida toda a criação a celebrar este dia; porque hoje a ressurreição de Cristo abriu a mansão dos mortos, os novos baptizados da Igreja rejuvenesceram a terra, o Espírito Santo mostrou o céu. O inferno, aberto, devolve os seus mortos; a terra, rejuvenescida, faz eclodir os ressuscitados; e o céu abre-se em toda a sua grandeza para acolher aqueles que a ele ascendem.

O ladrão subiu ao paraíso (Lc 23, 43); os corpos dos santos entram na cidade santa (Mt 27, 53). À ressurreição de Cristo, todos os elementos se elevam, com uma espécie de impulso, até às alturas. O inferno entrega aos anjos aqueles que mantinha presos, a terra envia para o céu aqueles que cobria, o céu apresenta ao Senhor aqueles que acolheu. A ressurreição de Cristo é vida para os defuntos, perdão para os pecadores, glória para os santos. Assim, o grande David convida toda a criação a festejar a ressurreição de Cristo, incita-a a exultar de alegria neste dia que o Senhor fez.

Dir-me-eis talvez que o céu e o inferno não foram estabelecidos no dia deste mundo; como podemos então pedir aos elementos que celebrem um dia com o qual nada têm de comum? O certo é que este dia que o Senhor fez tudo penetra, tudo contém, abraçando o céu, a terra e o inferno! A luz que é Cristo não foi detida pelas paredes, não foi abalada pelos elementos, não foi ensombrada pelas trevas. A luz de Cristo é um dia sem noite, um dia sem fim. Por toda a parte resplandece, por toda a parte brilha, em toda a parte permanece.


São Máximo de Turim, Bispo
Sermão 53, sobre o salmo 117 ; PL 57, 361, p. 126

quarta-feira, 31 de março de 2010

SEMANA SANTA- 3ª-FEIRA – O benefício que Pedro tirou das suas lágrimas



TERÇA-FEIRA DA SEMANA SANTA

Evangelho segundo S. João 13,21-33.36-38


«O benefício que Pedro tirou das suas lágrimas»

Voltando-se, o Senhor fixa o olhar em Pedro. E Pedro, tomando consciência do que acaba de dizer, arrepende-se e chora: funde em lágrimas e permanece mudo (Lc 22,61-61).

Sim, as lágrimas são orações mudas; merecem o perdão sem o reclamar; obtêm misericórdia sem defender a sua causa. As palavras podem não conseguir exprimir uma oração, as lágrimas nunca; as lágrimas exprimem sempre o que sentimos, ao passo que as palavras podem ser impotentes. Eis porque Pedro já não recorre às palavras: as palavras tinham-no levado as trair, a pecar, a renegar a sua fé. Prefere confessar o seu pecado com lágrimas, ele que com palavras tinha renegado.

Imitemo-lo, contudo, no que diz quando o Senhor lhe pergunta três vezes: "Simão, amas-me?" (Jo 21,17) Por três vezes responde: "Senhor, tu sabes que te amo". O Senhor diz-lhe então: "Apascenta as minhas ovelhas", e isso por três vezes. Esta palavra compensa o seu desvario precedente; aquele que tinha três vezes renegado o Senhor, três vezes o confessa; por três vezes se tinha tornado culpado, por três vezes obtém a graça pelo seu amor. Vede pois que benefício tirou Pedro das suas lágrimas!... Antes de derramar lágrimas, era um traidor; tendo derramado lágrimas, foi escolhido como pastor: aquele que se tinha portado mal recebeu o encargo de conduzir os outros.


São Máximo de Turim, Bispo
Sermão 76

sábado, 23 de janeiro de 2010

BATISMO DO SENHOR – Que batismo é este, em que o Batizado é mais puro do que a fonte?



FESTA DO BATISMO DO SENHOR
10 DE JANEIRO

«Que batismo é este, o do Salvador, no qual as águas, em vez de purificar, são purificadas?»

As celebrações que se acumulam e as alegrias que se multiplicam nos fazem compreender o quanto devemos a Cristo Senhor. Ainda exultamos com o nascimento do Salvador e já nos alegramos com o seu renascimento. Ainda não terminou a festa do seu Natal e já devemos celebrar a solenidade do seu Batismo. Mal nasceu para os homens e já renasce pelos sacramentos.

Hoje, com efeito, – embora muitos anos tenham passado – Cristo foi consagrado no Jordão. O Senhor dispôs as coisas de tal modo que uma celebração se seguisse à outra, isto é, que num mesmo tempo fosse dado à luz pela Virgem e gerado pelo sacramento, de maneira que houvesse uma festa contínua para os seus dois nascimentos: na carne e no batismo. Como há pouco nos admirávamos ao vê-lo concebido por uma mãe imaculada, veneremo-lo também agora imerso na água pura, e alegremo-nos nesses dois acontecimentos. Pois uma mãe gerou um filho e permanece casta, porque a água lavou o Cristo e está santificada.

Tal como após o parto foi glorificada a virgindade de Maria, também depois do batismo foi comprovada a purificação da água, com a diferença de que à água foi concedido um maior dom que a Maria. Esta, com efeito, mereceu a castidade somente para si, enquanto a água confere a todos a santidade. Maria mereceu não pecar, e a água purificar dos pecados. Maria deu à luz um Filho e é pura, a água gera muitos e é virgem. Maria não teve outro Filho além de Cristo, a água se torna, com Cristo, mãe dos povos.

Portanto, hoje é como que um novo Natal do Salvador. Vemo-lo, de fato, gerado com os mesmos sinais e milagres, porém com maior mistério. Pois o Espírito Santo, que o assistiu no seio materno, agora o ilumina em meio ao rio; aquele que preservou Maria para ele, agora lhe santifica as águas. O Pai, que antes estendeu sua sombra poderosa, agora faz ouvir a sua voz. E Deus, que outrora envolveu em sombra o nascimento, dá agora, como por deliberação mais perfeita, testemunho da verdade dizendo: Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo; ouvi-o! (Mt 17, 5).

Hoje Cristo é batizado no Jordão. Que batismo é este, em que o batizado é mais puro do que a fonte? Onde a água que lava o corpo não se torna impura, mas enriquecida de bênçãos? Que batismo é este, o do Salvador, no qual as águas, em vez de purificar, são purificadas? Num novo gênero de santificação, a água não lava, mas é lavada. Desde o momento em que imergiu na água, o Salvador consagrou todas as fontes no mistério do batismo, para que todo aquele que desejar ser batizado em nome do Senhor seja lavado não pela água do mundo, mas purificado pela água de Cristo. Assim, o Salvador quis ser batizado não visando adquirir pureza para si, mas a fim de purificar as águas para nós.


São Máximo de Turim, Bispo
Sermo 13 A, 1-3
Corpus Christianorum Latinorum 23, 44-46