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domingo, 4 de abril de 2010

PÁSCOA DA RESSURREIÇÃO DO SENHOR – CRISTO RESSUSCITOU! – SURREXIT DOMINUS VERE! ALLELUIA!


FELIZ E SANTA PÁSCOA!
SURREXIT DOMINUS VERE! ALLELUIA!




DOMINGO DE PÁSCOA
RESSURREIÇÃO DO SENHOR

At 10,34a.37-43
Sl 117
Cl 3,1-4 ou 1Cor 5,7b.-8a
Jo 20,1-9 ou, à tarde, Lc 24,13-35


«Sois o Divino Ressuscitado que vindes a mim»


Sois o Divino Ressuscitado que vindes a mim, Vós que, depois de terdes expiado o pecado com vossas dores, vencestes a morte com vosso triunfo e, enfim, para sempre Glorioso, viveis pelo Pai. Vinde a mim para aniquilar a obra do mal, para destruir o pecado e as minhas infidelidades! Vinde a mim, para aumentar o desapego de tudo o que não é Deus, vinde para tornar-me participante daquela superabundância de vida perfeita que emana agora de vossa santa humanidade. Cantarei então convosco cânticos de ação de graças ao Pai, que naquele dia de honra e de glória vos coroou como nossa Cabeça.



Beato Columba Marmion
Cristo nos seus mistérios, 15, pp.257-258

sábado, 23 de janeiro de 2010

BATISMO DO SENHOR – Ó Jesus, vós, Santo, inocente, imaculado, vos aproximais pedindo o batismo



FESTA DO BATISMO DO SENHOR
10 DE JANEIRO

«Ó Jesus, vós, Santo, inocente, imaculado, separado dos pecadores, vos aproximais pedindo o batismo»


“Ó Jesus, vós, Santo, inocente, imaculado, separado dos pecadores, vos aproximais como culpado, pedindo o batismo da remissão dos pecados!

Que mistério é este?

João recusa energicamente administrar-vos o batismo de penitência e Vós lhe respondeis: ‘Não te oponhas, pois assim nos convém cumprir a justiça completa’.

Que justiça é esta?

São as humilhações de vossa adorável humanidade que, prestando homenagem à Santidade Infinita, constitui a satisfação plena de todas as nossas dívidas para com a Justiça Divina.

Vós, Justo e Inocente, vos substituís a toda a humanidade pecadora. Ó Jesus, humilhe-me eu convosco, reconhecendo minha qualidade de pecador, e renove a renúncia ao pecado, já feita no batismo”.


Beato D.Columba Marmion
Cristo Nei Suoi Misteri 9, pp.152-154

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Tríduo Pascal - Sexta-feira Santa - Jesus Cristo se entregou por inteiro às dores e à morte



“Tudo é perfeito no sacrifício de Jesus: o amor que o inspira e a liberdade com que o executa. Perfeito também no dom oferecido: Jesus Cristo se oferece a si mesmo.

Jesus Cristo se oferece a si mesmo e de maneira total: alma e corpo ficam esgotados, quebrantados, de tanta dor. Não existe dor desconhecida por Nosso Senhor. Ao ler o Evangelho com atenção, vê-se que os sofrimentos de Jesus Cristo de tal modo foram dispostos que alcançaram todos os membros de seu sagrado corpo, e que todas as fibras de seu coração ficaram esgarçadas na ingratidão das turbas, no desamparo dos seus e nas dores de sua Santíssima Mãe, e que sua alma bendita sofreu tantas afrontas e humilhações quantas podem pesar sobre um homem. Cumpriu-se literalmente em Jesus Cristo aquele vaticínio da profecia de Isaías: 'Como pasmaram muitos à vista de ti; não tinha aparência do que era...ele não tinha beleza, nem formosura...por isso não fizemos caso dele...nós o reputamos como um leproso'.

Após sofrer a indizível agonia do Horto das Oliveiras começa para Nosso Senhor a série de humilhações e padecimentos que mal podemos descrever. Denunciado no beijo de um dos discípulos, preso pela soldadesca como um facínora, levam-no à casa do sumo sacerdote. Ali, entre as muitas acusações falsas proferidas contra Ele, Jesus 'calava-se'. Só abre a boca para proclamar que é o Filho de Deus: 'Vós o dizeis, Eu o sou'. Esta é a mais solende das confissões sobre a divindade de Jesus Cristo: Jesus, Rei dos mártires, morre por confessar sua divindade, e todos os mártires darão a vida pela mesma causa.

Pedro, cabeça dos apóstolos, seguira ao longe seu Divino Mestre; prometera-lhe não o abandonar jamais. Pobre Pedro! Negou Jesus três vezes. Sem dúvidas, esta foi uma das maiores provações por que passou nosso Divino Salvador naquela espantosa noite.


Os soldados que vigiam Jesus o injuriam e o maltratam, e não resistindo àquele olhar tão doce, vendam-lhe os olhos por escárnio, dão-lhe insolentes bofetadas e ainda se atrevem a sujar de modo vil com sua imunda saliva o rosto adorável, espelho em que se contemplam a si os anjos, com deleite indizível.

Depois disso, narra-nos o Evangelho como à alvorada reconduziram Jesus ante o sumo sacerdote, arrastando-o de tribunal em tribunal. E ainda que fosse a Sabedoria Eterna, Herodes o trata como louco, Pilatos dá ordens de açoitá-lo, os algozes golpeiam sem piedade a inocente vítima, cujo corpo se converte rapidamente em chaga viva. Apesar de tudo, a desumana flagelação não bastava àqueles homens, que de humano nada tinham: cravam na cabeça de Jesus uma coroa de espinhos e o enchem de insultos e zombarias.


O covarde governador romano percebe que saciará o ódio dos judeus, caso vissem Cristo em tão lastimoso estado; apresenta-o às turbas e lhes diz: 'Eis aqui o homem!', 'Ecce Homo!'. Contemplemos neste momento o Divino Mestre em meio a um oceano de afrontas e dores, e pensemos também que o Pai no-lo apresenta e nos diz: 'Vede o meu Filho, o resplendor de minha glória, a quem feri pelo crime de meu povo...'.

Jesus ouve a gritaria do populacho furioso, que o troca por um bandido, e como paga de tantos benefícios feitos, exigem sua morte: 'Crucifica-o, crucifica-o!'. Pronunciada a sentença de morte, Jesus Cristo, tomando a pesada cruz sobre os ombros, dirige-se ao Calvário.

Quantas dores ainda o aguardam: a presença de sua Mãe, a quem professa tão perfeito amor e cuja imensa aflição ele conhece melhor que ninguém, o despojo dos vestidos, a perfuração dos pés e das mãos, e a sede abrasadora! Mais ainda, as burlas e sarcasmos de ódio de seus mortais inimigos: 'Ó tu, que destróis o templo de Deus, e reedificas em três dias, salva-te a ti mesmo e creremos em ti...Ele salvou outros, a si mesmo não se pode salvar'. Finalmente, o abandono de seu Pai, a cuja santa vontade sempre atendera: 'Pai! Porque me abandonaste?'.


Verdadeiramente bebeu o calix até o sarro, e cumpriu, sem faltar vírgula nem detalhe algum, tudo quanto Dele estava vaticinado. Por isso, realizadas as profecias, esgotando até o fundo o calix de todas as dores e humilhações, pôde exalar seu 'Tudo está consumado'. Sim, em verdade, 'tudo se consumou', só falta pôr sua alma nas mãos do Pai: 'E, inclinando a cabeça, rendeu o espírito'.

A Igreja, ao ler-nos nos dias da Semana Santa o relato da Paixão, interrompe-o neste passo para adorar a Deus em silêncio. Seguindo seu exemplo, prosternemo-nos reverentes e adoremos ao Crucificado que acaba de expirar; verdadeiramente é Filho de Deus: verdadeiro Deus de Deus verdadeiro. Sobretudo, na Sexta-feira Santa, tomemos parte na adoração solene da Cruz, para reparar, conforme quer a Igreja, as inúmeras ofensas que os inimigos infligiram à Divina Vítima. Enquanto se realiza a comovente cerimônia, põe a Igreja na boca do Salvador inocente censuras em tom de lamento triste; elas se aplicam diretamente ao povo deicida; nós podemos escutá-los em um sentido inteiramente espiritual que despertarão em nossas almas vivos sentimentos de compunção: 'Povo meu, que te fiz eu? Em que te contristei? Responde-me! Que mais podia eu fazer que o não fizesse? Fui eu quem te plantou como a mais formosa das videiras; e tu só me causaste amargor, minha sede mitigaste com vinagre, e com uma lança trespassaste o lado do teu Salvador... Eu, por amor de ti, flagelei o Egito com os seus primogênitos; e tu entregaste-me à morte depois de me flagelares! Eu tirei-te do Egito, submergi a Faraó no Mar Vermelho; e tu entregaste-me aos príncipes dos sacerdotes! Eu a tua frente abri o mar; e tu abriste-me com a lança o coração! Eu fui adiante de ti numa coluna de nuvem; e tu conduziste-me ao pretório de Pilatos! Eu alimentei-te com o maná no deserto: e tu feriste-me a cabeça com bofetadas e açoites!... Eu dei-te o cetro real; e tu colocaste-me na cabeça uma coroa de espinhos! Eu elevei-te em grandeza e poder; e tu suspendeste-me no patíbulo da cruz!'.


Estas queixas de um Deus padecendo pelos homens devem mover nossos corações; unamo-nos a tal obediência cheia de amor que o levou até o sacrifício da cruz: 'Feito obediente até a morte, e morte de cruz'. Digamos-lhe: 'Ó Divino Redentor, que tanto sofreste por nosso amor! De hoje em diante vos prometemos fazer o que pudermos para não mais pecar; fazei, por vossa graça, que, morrendo, ó Mestre adorado, a tudo que é pecado e apego ao pecado e à criatura, vivamos unicamente para Vós'.

Porque, como diz São Paulo: o amor de Cristo nos constrange; consideramos nós que, se um morreu por todos, todos, pois, morreram; e que Cristo morreu por todos a fim de que os que vivem, não vivam mais para si mesmos, mas para aquele que morreu e ressuscitou por eles”.

Beato Columba Marmión
“Jesus Cristo em seus mistérios”

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Tríduo Pascal – Quinta-feira Santa - Cristo se entregou a si mesmo por amor a nós e à Igreja



Cristo se entregou a si mesmo, inteiramente, às dores e à morte por amor a nós e à Igreja

“São Paulo nos diz que ‘Cristo amou a Igreja’. A Igreja significa aqui o reino daqueles que devem, como da mesma forma o diz o Apóstolo, formar o corpo místico de Jesus. Cristo amou esta Igreja, e foi porque a amou que se entregou por ela. Foi o amor que comandou a Paixão.

Sem dúvida, antes de tudo, é pelo amor por seu Pai que Jesus quis sofrer a morte da cruz. Ele mesmo disse explicitamente: Ut cognoscat mundus quia diligo Patrem, sic facio, ‘A fim de que o mundo saiba que amo a meu Pai, realizo sua vontade, que é entregar-me à morte’.

Vejam Jesus Cristo em sua agonia. Durante três horas, a tristeza, o temor, as angústias inundam sua alma como uma torrente, e o invadem a ponto do sangue escapar das sagradas veias. Que abismo de dores nesta agonia! E o que diz Jesus a seu Pai? ‘Pai, se é possível afasta de mim este cálice’. Por acaso Cristo não aceitava a vontade de seu Pai? Sim! Certamente. Mas esta oração é o grito da sensibilidade da pobre natureza humana triturada pelo desgosto e o sofrimento: nesse momento, é sobretudo Vir sciens infirmitatem: um ‘homem tocado pela dor’. Nosso Senhor sente o peso espantoso da agonia sobre suas espaldas; quer que o saibamos, e este é o motivo pelo qual faz esta oração.


Mas escutem o que Ele subtamente acrescenta: ‘Todavia, ó Pai, que não se faça a minha vontade, mas a tua’. Eis aquí o triunfo do amor. Porque ama a seu Pai, põe a vontade de seu Pai acima de tudo e aceita sofrer tudo. Destaque-se que o Pai poderia, se o quisesse em seus desígnios eternos, atenuar os sofrimentos de Nosso Senhor, mudar as circunstâncias de sua morte; não o quis. Em sua justiça, exigiu que, para salvar o mundo, Cristo se entregasse a todas as dores. Esta vontade diminuiu o amor de Cristo? Certamente que não; Ele não disse: Meu pai poderia dispor as coisas de outra maneira; não. Ele aceita plenamente tudo o que seu Pai quer: Non mea voluntas, sed tua fiat.

Irá adiante, até a culminação do sacrifício. Alguns momentos antes de sua agonia, no momento de sua prisão, quando São Pedro quis defendê-lo, golpeando com sua espada um dos que vieram prender seu Mestre, o que disse o Salvador? 'Guarda a espada na bainha; acaso não beberei eu o cálice que meu pai me entregou?’ Calicem quem dedit mihi Pater, non bibam illum?'


Assim, pois, é antes de tudo o amor por seu Pai que move Cristo a aceitar os sofrimentos da Paixão. Mas é também o amor que tem por nós. Na última ceia, quando vai chegar a hora de terminar sua oblação, o que ele diz aos seus apóstolos reunidos ao redor dele? ‘Não há amor maior do que o amor daquele que dá a vida por seus amigos’, Majorem hac dilectionem nemo habet, ut animam suma Ponta quis pro amicis suiis. E este amor que sobrepassa todo amor, Jesus o vai mostrar a nós, porque, diz São Paulo, ‘foi por todos que se entregou’. Morreu por nós, ‘quando éramos seus inimigos’. Que maior prova de amor podia dar-nos? Nenhuma.

Do mesmo modo, o Apóstolo não cessa de proclamar que ‘é porque nos ama que se entregou; por causa do amor que me teve, deu-se por mim’. E ‘entregou’, ‘deu’ em que medida? Até a morte: Semetipsum tradidit”.

Beato Columba Marmion
“Jesus Cristo em seus mistérios”

Tríduo Pascal - Quinta-feira Santa -A Agonia do Getsemani



“Na agonia do Getsemani, Jesus Cristo, que não exagera, declara aos Apóstolos que sua alma “está triste até a morte”. Oh, abismo insondável! Um Deus, Poder e Glória infinitos,“começou a sentir temor, angústias e tristeza”. O Verbo Encarnado conhecia todos os sofrimentos que sobre Ele iam descarregar-se naquelas longas horas da Paixão; esta visão produzia em sua natureza sensível o efeito que uma simples criatura poderia sentir ante um remédio intragável – viam sua alma e divindade, de forma claríssima, todos os pecados dos homens, os ultrajes à santidade e ao amor infinito de Deus.


Carregara todas as iniqüidades, como que revestira-se delas e sentira sobre si o peso da cólera da justiça divina: “Sou um verme e não um homem, o opróbrio dos homens e a abjeção da plebe”. De antemão sabia que o sangue derramar-se-ia em vão para muitos homens, e este pensamento levava ao cúmulo a amargura da sua alma santíssima. Mas, como vimos, Jesus Cristo tudo aceitou. Agora se levanta, sai do Horto, e vai ao encontro de seus inimigos e de sua paixão”.

Beato Columba Marmion
“Jesus Cristo em seus mistérios”