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sábado, 27 de junho de 2009

São Cirilo de Alexandria – Defensor da Maternidade Divina da Virgem Maria



Memória Facultativa

Tu és verdadeiramente Mãe de Deus, ó Virgem Maria!

“Causa-me profunda admiração haver alguns que duvidam em dar à Virgem Santíssima o título de Mãe de Deus. Realmente, se nosso Senhor Jesus Cristo é Deus, por que razão não pode ser chamada de Mãe de Deus, a Virgem Santíssima que o gerou? Esta verdade nos foi transmitida pelos discípulos do Senhor, embora não usassem esta expressão. Assim fomos também instruídos pelos Santos Padres. Em particular, Santo Atanásio, nosso pai na fé, de ilustre memória, na terceira parte do livro que escreveu sobre a santa e consubstancial Trindade, dá frequentemente à virgem Santíssima o título de Mãe de Deus.

Vejo-me obrigado a citar aqui suas palavras, que têm o seguinte teor: “a Sagrada Escritura, como tantas vezes fizemos notar, tem por finalidade e característica afirmar de Cristo Salvador estas duas coisas: que ele é Deus e nunca deixou de o ser, visto que é o Verbo do Pai, seu esplendor e sabedoria; e também que nestes últimos tempos, por causa de nós, se fez homem, assumindo um corpo da virgem Maria, Mãe de Deus”.

E continua mais adiante: “Houve muitos que já nasceram santos e livres de todo pecado. Por exemplo: Jeremias foi santificado desde o seio materno; também João, antes de ser dado à luz, exultou de alegria ao ouvir a voz de Maria, Mãe de Deus”. Estas palavras são de um homem inteiramente digno de lhe darmos crédito, sem receio, e a quem podemos seguir com toda segurança. Com efeito, ele jamais pronunciou uma só palavra que fosse contrária às Sagradas Escrituras.


De fato, a Escritura, verdadeiramente inspirada por Deus, afirma que o Verbo de Deus se fez carne, quer dizer, uniu-se à carne dotada de alma racional. Portanto, o Verbo de Deus assumiu a descendência de Abraão e, formando para si um corpo vindo de uma mulher, tornou-se participante da carne e do sangue. Assim, já não é somente Deus mas homem também, semelhante a nós, em virtude da sua união com a nossa natureza.

Por conseguinte, o Emanuel, Deus-conosco, possui duas realidades, isto é, a divindade e a humanidade. Todavia, é um só o Senhor Jesus Cristo, único e verdadeiro Filho por natureza, ainda que ao mesmo tempo Deus e homem. Não é apenas um homem divinizado, igual àqueles que pela graça se tornam participantes da natureza divina; mas é verdadeiro Deus, que para nossa salvação, se tornou visível em forma humana, conforme Paulo testemunha com as seguintes palavras: Quando se completou o tempo previsto, Deus enviou o seu Filho, nascido de uma mulher, nascido sujeito à Lei, a fim de resgatar os que estavam sujeitos à Lei e para que todos recebêssemos a filiação adotiva e fôssemos filhos por adoção (Gl 4,4-5)”.

São Cirilo de Alexandria, Bispo e Doutor
Das Cartas, Carta 1

São Cirilo de Alexandria - Aquele que é bem formado será como o seu mestre



Memória Facultativa

“O discípulo não está acima do mestre. Porque é que estás a julgar quando o Mestre ainda não julga? Porque Ele não veio julgar o mundo mas derramar nele a sua graça. Entendida neste sentido, a Palavra de Cristo passa a ser: Se Eu não julgo, não julgues tu também, tu que és meu discípulo. Pode acontecer que tu sejas culpado de faltas mais graves do que aquele que estás a julgar. Como será a tua vergonha quando disso tiveres consciência!

O Senhor dá-nos o mesmo ensinamento na parábola em que diz: «Porque te preocupas com a palha no olho do teu irmão?» Com argumentos irrefutáveis, Ele convence-nos a não querer julgar os outros e a estarmos sobretudo atentos ao nosso íntimo. Em seguida, pede-nos que procuremos libertar-nos das paixões que aí se instalaram, pedindo a Deus essa graça. Com efeito, é Ele quem cura os que têm o coração desfeito e nos liberta das nossas doenças espirituais. Porque, se os pecados que te esmagam são maiores e mais graves do que os dos outros, porque é que os criticas sem te preocupares com os teus?

Todos os que querem viver piedosamente e sobretudo os que têm o encargo de instruir os outros, tirarão necessariamente proveito deste preceito. Se forem virtuosos e moderados, dando com as suas ações o exemplo da vida evangélica, repreenderão com doçura aqueles que ainda não se tiverem decidido a fazer o mesmo”.

São Cirilo de Alexandria, Bispo e Doutor
Comentário ao Evangelho de Lucas

São Cirilo de Alexandria – União de amor com Jesus


Memória Facultativa

“Quem recebe a Comunhão é tornado santo em corpo e alma, do mesmo modo que a água ferve quando posta sobre o fogo. A Comunhão age como o fermento que se mistura com a farinha, fazendo-a levantar-se. De igual modo, derretendo-se duas velas juntas se obtém uma só peça de cera, assim, creio eu, que aquele que recebe a Carne e o Sangue de Jesus, se funde com Ele por esta Comunhão, e a alma descobre que está em Cristo e Cristo está nela”.


São Cirilo de Alexandria, Bispo e Doutor

Unión de amor con Jesús en la Sagrada Comunión


domingo, 12 de abril de 2009

PÁSCOA DA RESSURREIÇÃO - Nele estamos todos presentes



“Cristo, primícias da nova criação, depois de ter vencido a morte, ressuscitou e sobe para o Pai como oferenda magnífica e esplendorosa, como as primícias do gênero humano, renovado e incorruptível. Podemos considerá-lo o símbolo do feixe das primícias da colheita que o Senhor Deus exigiu a Israel que oferecesse no Templo (Lv 23,9). O que representa este sinal?

Podemos comparar o gênero humano às espigas de um campo, que nascem da terra, ficam à espera de crescer e, depois de amadurecerem, são apanhadas pela morte. Era por isso que Cristo dizia aos Seus discípulos: «Não dizeis vós que, dentro de quatro meses, chegará o tempo da ceifa? Pois bem, Eu digo-vos: erguei os olhos e vede. Os campos estão brancos para a ceifa. O ceifeiro já recebe o salário e recolhe o fruto para a vida eterna» (Jo 4,35-36). Ora, Cristo nasceu entre nós, nasceu da Virgem Santa como as espigas brotam da terra. Aliás, não hesita em dizer de si próprio que é o grão de trigo: «Em verdade, em verdade vos digo: se o grão de trigo, lançado à terra, não morrer, fica ele só; mas, se morrer, dá muito fruto.» Deste modo, ofereceu-se por nós ao Pai, à maneira de um feixe e como primícias da terra.



Porque a espiga de trigo, como aliás nós próprios, não pode ser considerada isoladamente. Vêmo-la num feixe, constituído por numerosas espigas de uma mesma braçada. Cristo Jesus é único, mas aparece-nos como um feixe, e constitui efetivamente uma espécie de braçada, no sentido em que contém em si todos os crentes, em união espiritual, evidentemente. Se assim não fosse, como poderia São Paulo escrever: «Com Ele nos ressuscitou e nos fez sentar lá nos céus» (Ef 2,6)? Com efeito, uma vez que se fez um de nós, nós formamos com Ele um mesmo corpo (Ef 3, 6). Aliás, é Ele quem dirige estas palavras a Seu Pai: «Que todos sejam um como Tu, ó Pai, estás em Mim e Eu em Ti» (Jo 17,21). O Senhor constitui, pois, as primícias de toda humanidade, que está destinada a ser armazenada nos celeiros do céu”.

São Cirilo de Alexandria, Bispo e Doutor da Igreja
Do Comentário sobre o Livro dos Números

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Tríduo Pascal - Sexta-feira Santa - O Pão que Eu darei é a minha carne



“E o pão que eu darei é a minha carne que entrego pela vida do mundo”.

“Morro por todos para vivificar a todos por mim mesmo; fiz da minha carne resgate da carne de todos. A morte morrerá na minha morte, reerguendo-se comigo a natureza do homem que estava prostrada. Para isso me conformei a vós, fiz-me homem, filho de Abraão, para em tudo me assemelhar aos irmãos (cf. Rm 8,29).

Compreendendo o que Cristo nos dissera, São Paulo nos diz por sua vez: ‘Assim como as crianças participam do sangue e da carne, também Ele, a fim de quebrar com a sua morte o poder daquele que tem o império da morte, isto é, o diabo’ (Hb 2,14). Não haveria outro meio de derrubar aquele que tem o império da morte, e a própria morte, se o Cristo não se entregasse por nós; um para resgate de muitos, e um que estava acima de todos. Por causa disto no Salmo Ele se oferece por nós a Deus Pai, qual hóstia imaculada, dizendo: ‘Não quiseste sacrifício nem oblação, mas me formaste um corpo. Holocaustos e vítimas expiatórias não te agradaram; disse então: eis que venho. No cabeçalho do livro está escrito de mim, decidi cumprir a tua vontade, ó meu Deus’ (Sl 39, 7-9). Como o sangue de touro e de bodes ou as cinzas de novilhas não bastassem para expiar os pecados, nem a imolação de animais pudesse arruinar o poder da morte, o próprio Cristo se propõe sofrer os castigos por todos. ‘Em suas chagas fomos salvos’ (Is 53,5), diz o profeta, ‘Ele levou nossos pecados sobre seu próprio corpo até a cruz’ (1Pd 2,24). Foi crucificado por todos e por causa de todos, para que, morrendo um sobre a cruz, todos vivessem nele. A morte não podia dominar, nem a corrupção prevalecer, sobre aquele que era por natureza a Vida.


Vejamos nas palavras do próprio Cristo como Ele ofereceu sua carne pela vida do mundo: ‘Pai santo, guarda-os” (Jo 17,11); e ainda: ‘Eu me santifico por eles’ (Jo 17,19). Ele diz que se santifica, não mediante uma purificação da alma ou do espírito, tal como nos devemos santificar; nem por uma simples participação no Espírito Santo, pois nele o Espírito estava por natureza, Ele era, é, e será sempre, Santo. Diz porém que se ‘santifica’ significando que se consagra e se oferece como hóstia santa em santo odor de suavidade. Santificava-se ou, conforme a lei, era chamado santo tudo que se oferecia sobre o altar. Por conseguinte, o Cristo deu seu próprio corpo pela vida de todos, e fez, por Ele, habitar de novo a vida em nós. Desde que o Verbo vivificante de Deus habitou a carne, transformou-a em seu próprio bem, isto é, em vida, e, inteiramente unido a ela em inefável união, tornou-a vivificante assim como Ele o é por natureza. O corpo de Cristo vivifica os que dele participam, pois expele a morte quando está nos mortais, já que em si tem a causa extintora de toda corrupção”.

São Cirilo de Alexandria
Comentário a Jo 6,52