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terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

APRESENTAÇÃO DO SENHOR - Simeão veio ao templo e, conduzido pelo Espírito, tomou o menino nos braços



APRESENTAÇÃO DO SENHOR
02 DE FEVEREIRO
FESTA


«Simeão veio ao templo e, conduzido pelo Espírito, tomou o menino nos braços. Se procuraste bem Jesus, então também tu virás ao templo»


"Simeão veio ao templo, conduzido pelo Espírito". E tu, se procuraste bem Jesus, por toda a parte, quer dizer, se - como a Esposa do Cântico dos Cânticos (Ct 3,1-3) – o procuraste escondido no teu repouso, quer lendo, quer meditando, se também o procuraste na cidade, interrogando os teus irmãos, falando dele, partilhando acerca dele, se o procuraste nas ruas e nas praças aproveitando as palavras e os exemplos dos outros, se o procuraste junto das sentinelas, isto é, escutando os que atingiram a perfeição, então também tu virás ao templo, “conduzido pelo Espírito”. Certamente que esse é o melhor lugar para o encontro entre o Verbo e a alma: procuramo-lo por toda a parte, encontramo-lo no templo… “Encontrei aquele que a minha alma ama” (Ct 3,4). Procura, pois, por toda a parte, procura em tudo, procura junto de todos, passa e ultrapassa tudo para finalmente entrares na tenda, na morada de Deus, e então encontrá-lo-ás.

“Simeão veio ao templo, conduzido pelo Espírito”. Portanto, quando os seus pais levaram o Menino Jesus, também ele o recebeu nas suas mãos: eis o amor que prova pelo consentimento, que se prende pelo abraço, que saboreia pelo afeto. Oh, irmãos, que aqui se cale a língua. Aqui nada é mais desejável do que o silêncio: são os segredos do Esposo e da Esposa, o estrangeiro não poderia tomar parte neles. “O meu segredo é meu, o meu segredo é meu!” (Is 24,16). Onde está, para ti, o teu segredo, Esposa que foste a única a experimentar qual é a doçura que se saboreia quando, num beijo espiritual, o espírito criado e o Espírito incriado vão ao encontro um do outro e se unem um ao outro, a tal ponto que são dois em um, melhor, diria eu, um só, justificante e justificado, santificado e santificante, divinizante e divinizado?

Pudéssemos nós merecer dizer também o que se segue : "Agarrei-te e não mais te largarei" (Ct 3,4). Isso, S. Simeão mereceu-o, ele que disse : "Agora, Senhor, podes deixar o teu servo partir em paz". Quis que o deixassem partir, liberto dos laços da carne, para apertar mais intimamente com o abraço do seu coração Jesus Cristo nosso Senhor, a quem pertence a glória e a honra pelos séculos sem fim.


S. Aelred de Rievaulx, Monge cisterciense
In Ypapanti Domini, pp. 51-52
(Sermões inéditos)

FESTA DA APRESENTAÇÃO DO SENHOR - Oferecei vosso Filho, ó Virgem Santa, apresentai ao Senhor o bendito fruto de vosso seio



APRESENTAÇÃO DO SENHOR
02 DE FEVEREIRO
FESTA


«Oferecei vosso Filho, ó Virgem Santa, apresentai ao Senhor o bendito fruto de vosso seio. Oferecei a Hóstia Santa e Agradável a Deus, pela reconciliação de todos nós»


“Oferecei vosso Filho, ó Virgem Santa, apresentai ao Senhor o bendito fruto de vosso seio. Oferecei a Hóstia Santa e Agradável a Deus, pela reconciliação de todos nós. Certamente aceitará Deus Pai a nova oblação, a preciosíssima vítima de quem Ele próprio disse: ‘Eis o meu dileto Filho em quem pus minhas complacências’.

Também eu, Senhor, voluntariamente vos oferecerei meu sacrifício, já que voluntariamente vos oferecestes, não por necessidade vossa mas para minha salvação. Só duas pobres coisas tenho, ó Senhor: meu corpo e minha alma. Quem me dera vo-los oferecer dignamente, em sacrifício de louvor!

Melhor, muito melhor para mim oferecer-me a Vós do que ser abandonado a mim mesmo. Se ficar só, agita-se minha alma. Mas assim que me ofereço a Vós com plena submissão, exulta em Vós meu espírito. Não quereis, ó Senhor, minha morte; e não vos ofereceria eu, de bom grado, minha vida? É, de fato, minha vida, hóstia que aplaca vossa ira, hóstia que vos agrada, hóstia viva”.


São Bernardo de Claraval
In Purificazione B.V. Mariae, 3, 2-3
Sermoni per le feste della Madonna, Ed. Paoline, Roma, 1970

APRESENTAÇÃO DO SENHOR - A apresentação de Jesus no Templo recorda o reconhecimento que se deve ao Criador por toda a vida humana



APRESENTAÇÃO DO SENHOR
02 DE FEVEREIRO
FESTA

«Um ancião homem de Deus, Simeão, toma Jesus nos braços e indica n’Ele a salvação que chegou para Israel e para todos os povos: a Luz das nações»

Hoje, Festa da Candelária, recordamos a apresentação de Jesus no Templo. Maria e José, quarenta dias depois do nascimento de Jesus, foram a Jerusalém para O oferecer ao Senhor, segundo a prescrição da lei mosaica. É um episódio que se enquadra na perspectiva da especial consagração do povo de Israel a Deus. Ele, porém, tem também um significado mais amplo: recorda, com efeito, o reconhecimento que se deve ao Criador por toda a vida humana.

A vida é um grande dom de Deus, que se deve acolher sempre com ação de graças. Se no domingo passado eu me mostrava preocupado pelo vazio de valores, que ameaça a nossa convivência, hoje quereria recordar com vigor um destes valores fundamentais, que absolutamente devem ser recuperados, se não se quiser precipitar no abismo: refiro-me ao valor sagrado da vida, de cada vida humana, desde o seu desabrochar no seio materno até ao seu declínio natural.

Digo-o recordando que hoje na Itália se celebra o Dia pela Vida, ocasião propícia para afirmar com vigor que da vida, própria e dos outros, não se pode dispor à vontade: ela pertence ao Autor da vida. O amor inspira a cultura da vida, e o egoísmo, a cultura da morte. Escolhei a vida — diz o Senhor — para viverdes vós e as gerações futuras! (cf. Dt. 30, 19).

No Templo de Jerusalém, segundo a narração evangélica, um ancião homem de Deus, Simeão, toma Jesus nos braços e indica n’Ele a salvação que chegou para Israel e para todos os povos: a Luz das nações (cf. Lc. 2, 30-31).

As palavras do santo ancião dão voz ao anélito que percorre a história da humanidade. Exprimem a expectativa de Deus, aquele desejo universal, talvez inconsciente mas incancelável, de que Ele venha ao nosso encontro para nos tornar partícipes da Sua vida. Simeão encarna a imagem da humanidade que tende a acolher o raio de luz, que faz novas todas as coisas, o germe de vida que transforma cada velhice em perene juventude.

Neste contexto, adquire um significado singular o Dia da Vida consagrada, que hoje celebramos pela primeira vez. Já há tempo a Festa da apresentação de Jesus no Templo reunia nas Comunidades diocesanas os membros dos Institutos de Vida consagrada e das Sociedades de Vida apostólica, para manifestarem diante do povo de Deus a alegria do empenho, sem reservas, pelo Senhor e pelo seu Reino. Eu quis que esta experiência se estendesse à Igreja inteira, para dar graças a Deus pelo grande dom da vida consagrada e promover, cada vez mais, o seu conhecimento e a sua estima. E de estímulo serviu também o Sínodo dos Bispos sobre a Vida consagrada, celebrado recentemente, cujos resultados confluíram na Exortação Apostólica pós-sinodal «Vita consecrata».

Enquanto vos convido a rezar, caríssimos, por estes nossos irmãos e irmãs que oferecem o seu testemunho de Cristo pobre, casto e obediente, dirijo-me com o pensamento em particular a quantos corroboraram o seu serviço à Igreja com o sacrifício da vida.


Papa João Paulo II
Angelus, 02 de Fevereiro de 1997

FESTA DA APRESENTAÇÃO DO SENHOR - Impossível deixar de olhar-te, Senhor



APRESENTAÇÃO DO SENHOR
02 DE FEVEREIRO
FESTA


«Impossível deixar de olhar-te, Senhor»


“Não o permitas, Senhor Deus meu, não permitas, Amado meu, que meus olhos estejam em outro lugar distinto de minha cabeça, e que eu não esteja continuamente unido a Ti, meu Amado. Te seguirei com todas as minhas forças por onde quer que vás ou voltes, e quando não puder alcançar-te me contentarei com cair rendido a ti. Tenho muito gravada esta frase: pela vida do Senhor e por minha vida, que não te deixarei, e que terei meus olhos sempre em ti. Teu escravo está sempre disposto a obedecer o que ordene o meu Senhor, mas me resulta intolerável que afastes teus olhos de mim ou que eu os tire de ti. Volta teus olhos para mim e os meus para ti, porque eu jamais poderei olhar a ti se Tu não te fixas antes em mim. Tu, que és o mais formoso, sereno e doce de todos, o Unigênito de Deus Pai, que vives e reinas com esse mesmo Pai e o Espírito Santo e és Deus por todos os séculos dos séculos. Amém”.


John of Ford, Abade Cisterciense
Sermón 48 sobre el Cantar de los Cantares, vol. II, p. 226
Biblioteca Cisterciense – Burgos 2003

APRESENTAÇÃO DO SENHOR - O mistério da Apresentação do Senhor



APRESENTAÇÃO DO SENHOR
02 DE FEVEREIRO
FESTA

«O mistério da Apresentação do Senhor»

A Festa da Apresentação do Senhor, que a Igreja hoje celebra, é de muito rico significado. Eis alguns:

Hoje, o Messias, Filho de Davi, entra pela primeira vez na Cidade Santa, a Cidade de Davi, cidade messiânica por excelência: é o encontro do Messias com a sua Cidade. Neste sentido, esta Festa é como que uma antecipação do Domingo de Ramos. Nas antífonas do Ofício das Leituras, este aspecto é recordado: “Radiante de esplendor, põe-te de pé: despontou a tua luz, Jerusalém, e a glória do Senhor te iluminou!” ou ainda: “De alegria exulta, ó nova Sião! Eis que vem o teu Rei, humilde e bondoso, salvar o seu povo”. É importante recordar que Jerusalém é imagem da Igreja, a nova Sião, que acolhe o Messias, seu Rei, seu Senhor, seu Esposo: “Sião, enfeita o teu quarto nupcial e recebe o teu Rei, Cristo Jesus, que a Virgem concebeu e deu à luz, e, conservando a virgindade após o parto, adorou aquele mesmo a quem gerou!”

Se o Messias entra em Jerusalém pela primeira vez, essa visita concentra-se no Templo, também imagem da Igreja. E este é o aspecto mais presente na liturgia: “O Senhor vem a seu Templo: vinde, adoremos!”; “Recordamos, Senhor Deus, vossa bondade, em meio ao vosso Templo!” A primeira leitura da Missa, tirada do profeta Malaquias (3,1-4), recorda que o Messias deveria visitar aquele Templo de Jerusalém, suntuoso no tempo de Salomão e reconstruído tão modesto logo após o Exílio de Babilônia: vai entrar nele o Dominador, o Anjo da Aliança; por isso esse Templo é cheio de glória! Na entrada de Jesus no Templo, dois mistérios se cumprem: Deus realiza o que havia prometido pelos profetas: envias o Messias a Israel – e agora ele é apresentado oficialmente no Templo, centro da religião judaica; por outro lado, esse Templo é imagem da Igreja. Assim, o Esposo vem até a Esposa. Eis um dos motivos da procissão com velas no início da Missa: a Igreja, como virgem prudente, vigia para acolher seu Esposo com lâmpadas acesas: lâmpadas do amor, da fé, da esperança! E este que vem é “luz para iluminar as nações” – como dirá Simeão -, as nações chamadas, pelo Batismo a entrarem na Igreja Esposa de Cristo, Jerusalém nossa Mãe.

Hoje, o Menino, como primogênito, é apresentado a Deus, cumprindo a Lei de Moisés – “Todo macho que abre o útero materno será consagrado ao Senhor” (Ex 13,2). O Filho eterno, Autor da Lei, submete-se à Lei para nos libertar do julgo da Lei! É o mistério da humilhação e da obediência de Cristo, sempre presente no seu caminho, e que culminará na cruz, morte e sepultura.

Um outro aspecto tocante nesta Festa: Simeão e Ana representam o Antigo Testamento: idosos eles esperam a promessa do Senhor; eles vivem da Esperança de Israel. Pois bem, não foram desiludidos na sua certeza. Podemos imaginar o velho Simeão tomando o Menino; podemos quase ver seu rosto iluminando-se; podemos vislumbrar sua emoção e gratidão a Deus: “Podes deixar, Senhor, o teu servo partir em paz! Meus olhos viram a tua Salvação!” É quase como se o Antigo Testamento dissesse: “Pronto! Cumpri minha missão; tudo quanto trazia em mim de promessa agora se realiza!”

O Menino-Messias que Simeão toma nos braços é glória de Israel, é o cumprimento das promessas feitas aos Pais. Mas é também luz para todas as nações da terra: ele vem para a humanidade toda, ele vem abrir o Antigo Israel para o mistério do Novo Israel, que é a Igreja, Novo Povo de Deus – este é o outro motivo das velas na procissão que antecede a Missa de hoje: o Menino é Luz; a Virgem traz nos braços a Luz do mundo! No entanto, isto não acontecerá sem dor, sem a cruz. Por isso o mistério da contradição e a espada que traspassará o coração da Mãe! Não há salvação sem participação na cruz, não há remissão dos pecados sem efusão de sangue, como diz a Epístola aos Hebreus!

Um outro aspecto é a Virgem Maria. Com José, ela traz tudo quanto possui, seu Tesouro, o Filho primogênito, para consagrá-lo ao Senhor. E Simeão avisa: o Senhor aceitou a oferta. Este Menino hoje apresentado a Deus no Monte Moriá – o Monte do Templo – será imolado no Monte Calvário. Como não recordar aqui o dramático sacrifício de Abraão: ali mesmo, no Monte Moriá, o Senhor Deus poupou o filho de Abraão! É que no seu lugar, Deus estava preparando o seu Filho, filho de Maria, para ser sacrificado no lugar da descendência de Abraão! “Deus providenciará a vítima para o sacrifício!” – Hoje cumpriu-se essa palavra... E o Deus que poupou o filho de Abraão, não poupou o seu Filho, não poupou o filho de Maria! E quando chegar a hora do Monte Calvário, ela estará ali, com uma fé maior que a de Abraão, de pé, como Virgem Fiel, como Torre de Davi!

Estes são alguns dos aspectos desta Festa. Haveria outros ainda... Admiremos e adoremos a sabedoria do Senhor, que com admirável economia (economia, em teologia, é a ação de Deus na história da salvação), conduz a humanidade à graça da salvação!


Dom Henrique Soares da Costa
Bispo Titular de Acúfica e Auxiliar de Aracaju
Site D.Henrique

FESTA DA APRESENTAÇÃO DO SENHOR - Pela humildade ao coração do Amor



APRESENTAÇÃO DO SENHOR
02 DE FEVEREIRO
FESTA


«Pela humildade ao coração do Amor»


“Como este ser inefável não pode ser visto senão de uma maneira inefável, o que queira vê-lo purifique seu coração. Porque o que dorme não pode alcançá-lo através de nenhuma semelhança corporal, nem o que vela, por nenhuma forma sensível; nenhuma busca da razão pode vê-lo nem alcançá-lo mas somente um coração puro que ama humildemente.

Este é o Rosto de Deus que ninguém pode ver e, ao mesmo tempo, viver para o mundo. Esta é a beleza que aspira a contemplar todo aquele que deseja amar ao Senhor, seu Deus, com todo o seu coração, com toda a sua alma, com toda a sua mente e com todas as suas forças. E tão pouco deixa de incitar seu próximo a isso se o ama como a si mesmo”.



Guilherme de Saint-Thierry
Abade do Mosteiro de Saint-Thierry
Carta de Oro, Azul 2003, p.159

APRESENTAÇÃO DO SENHOR - Dai-me, Senhor, uma fé que habilite meu espírito para falar com Deus e com os homens



APRESENTAÇÃO DO SENHOR
02 DE FEVEREIRO
FESTA

«Dai-me, Senhor, uma fé jubilosa que encha de paz e alegre meu espírito, e o habilite para falar com Deus e com os homens, de modo que irradie no colóquio sagrado e profano a interior beatitude de sua afortunada posse»


“Senhor, eu creio; quero crer em Vós. Ó Senhor, fazei que minha fé seja plena, sem reservas, penetre meu pensamento, meu modo de julgar as coisas divinas e as humanas.

Ó Senhor, fazei com que a minha fé seja livre; isto é, tenha o concurso pessoal da minha adesão, aceite as renúncias e os deveres que exige; exprima ela o ápice decisivo da minha personalidade: creio em Vós, Senhor.

Ó Senhor, dai-me uma fé certa; com provas exteriores convenientes e com interior testemunho do Espírito Santo, certa por sua luz tranqüilizante, por sua conclusão pacificante, por sua assimilação serena.

O Senhor, fazei forte minha fé, sem temor das contrariedades, dos problemas que enchem a experiência de nossa vida ávida de luz; não tema os ataques de quem a discute, a impugna, a refuta, a nega; mas se torne cada vez mais firme pelo testemunho interior de vossa verdade.

Dai-me, Senhor, uma fé jubilosa que encha de paz e alegre meu espírito, e o habilite para falar com Deus e com os homens, de modo que irradie no colóquio sagrado e profano a interior beatitude de sua afortunada posse.

Ó Senhor, fazei ativa a minha fé, que dê à caridade as razões de sua expansão moral, para ser verdadeira amizade convosco e seja contínua busca de Vós nas obras, nos sofrimentos, na espera, na revelação final; seja um contínuo testemunho e alimento contínuo da esperança.

Ó Senhor, fazei com que minha fé seja humilde e não presuma fundamentar-se na experiência de meu pensamento e de meu sentimento, mas se renda ao testemunho do Espírito Santo; e outra melhor garantia não tenha que a docilidade à autoridade do Magistério da Santa Igreja. Amém”.


Papa Paulo VI
Ensinamentos V6, pp.994-995
Insegnamenti, 9vols, Poliglota Vaticana, 1963-71