domingo, 4 de abril de 2010

PÁSCOA DA RESSURREIÇÃO DO SENHOR – Este é o dia que o Senhor fez! Exultemos e cantemos de alegria!



DOMINGO DE PÁSCOA
RESSURREIÇÃO DO SENHOR

At 10,34a.37-43
Sl 117
Cl 3,1-4 ou 1Cor 5,7b.-8a
Jo 20,1-9 ou, à tarde, Lc 24,13-35


«Este é o dia que o Senhor fez! Exultemos e cantemos de alegria!»

«Este é o dia que o Senhor fez, exultemos e cantemos de alegria» (Sl 117, 24). Não é por acaso, meus irmãos, que lemos hoje este salmo em que o profeta nos convida à alegria, em que o santo David convida toda a criação a celebrar este dia; porque hoje a ressurreição de Cristo abriu a mansão dos mortos, os novos baptizados da Igreja rejuvenesceram a terra, o Espírito Santo mostrou o céu. O inferno, aberto, devolve os seus mortos; a terra, rejuvenescida, faz eclodir os ressuscitados; e o céu abre-se em toda a sua grandeza para acolher aqueles que a ele ascendem.

O ladrão subiu ao paraíso (Lc 23, 43); os corpos dos santos entram na cidade santa (Mt 27, 53). À ressurreição de Cristo, todos os elementos se elevam, com uma espécie de impulso, até às alturas. O inferno entrega aos anjos aqueles que mantinha presos, a terra envia para o céu aqueles que cobria, o céu apresenta ao Senhor aqueles que acolheu. A ressurreição de Cristo é vida para os defuntos, perdão para os pecadores, glória para os santos. Assim, o grande David convida toda a criação a festejar a ressurreição de Cristo, incita-a a exultar de alegria neste dia que o Senhor fez.

Dir-me-eis talvez que o céu e o inferno não foram estabelecidos no dia deste mundo; como podemos então pedir aos elementos que celebrem um dia com o qual nada têm de comum? O certo é que este dia que o Senhor fez tudo penetra, tudo contém, abraçando o céu, a terra e o inferno! A luz que é Cristo não foi detida pelas paredes, não foi abalada pelos elementos, não foi ensombrada pelas trevas. A luz de Cristo é um dia sem noite, um dia sem fim. Por toda a parte resplandece, por toda a parte brilha, em toda a parte permanece.


São Máximo de Turim, Bispo
Sermão 53, sobre o salmo 117 ; PL 57, 361, p. 126

PÁSCOA DA RESSURREIÇÃO DO SENHOR – A primeira pessoa a quem Jesus apareceu foi Maria




DOMINGO DE PÁSCOA
RESSURREIÇÃO DO SENHOR

At 10,34a.37-43
Sl 117
Cl 3,1-4 ou 1Cor 5,7b.-8a
Jo 20,1-9 ou, à tarde, Lc 24,13-35


«A primeira pessoa a quem Jesus apareceu foi Maria»

Nos Evangelhos, não encontramos nenhuma aparição de Jesus Ressuscitado à sua Mãe. Sem dúvida alguma, nós podemos atribuir este silêncio ao fato de que, tal testemunho não teria sido recebido por aqueles que negavam a ressurreição do Senhor. Por outro lado, os Evangelhos só nos passam o que é necessário, para que conheçamos a Salvação, por meio de Jesus Cristo. Porém, não podemos crer que a Virgem, presente na primeira comunidade dos discípulos, tivesse sido excluída dentre aqueles que tiveram a graça de rever seu Filho ressuscitado. Pelo contrário, é provável e verossímil que a primeira pessoa a quem Cristo Ressuscitado apareceu, tenha sido a sua Mãe. O fato de Maria não estar junto ao grupo de mulheres que, na aurora nascente, foram até o túmulo de Jesus, pode constituir um indício de que ela já teria reencontrado Jesus.

O caráter único e especial, de sua presença no Calvário, e a união perfeita vivida com o Filho, em seus sofrimentos, inigualáveis e exorbitantes, sugerem uma participação muito especial no mistério da Ressurreição.


Papa João Paulo II
Audiência Geral, 21 de maio de 1997

sábado, 3 de abril de 2010

TRÍDUO PASCAL – SÁBADO SANTO – VIGÍLIA PASCAL – Procuremos Aquele que o nosso coração ama



SÁBADO SANTO - VIGÍLIA PASCAL

Gn 1,1 – 2,2/Sl 103
Gn 22,1-18/Sl 15
Ex 14,15 – 15,1
Is 54,5-14/Sl 29
Is 55,1-11
Br 3,9-15.32-4,4/Sl 18
Ez 36,16-17a.18-28/Sl 41
Rm 6,3-11/Sl 117
Lc 24,1-12


«Procuremos Aquele que o nosso coração ama»


Maria, em lágrimas, inclina-se e olha para dentro do túmulo. Ela já tinha todavia constatado que estava vazio, e tinha anunciado o desaparecimento do Senhor. Porque se inclina então ainda? Porque quer ver de novo? Porque o amor não se contenta com um único olhar; o amor é uma conquista sempre mais ardente. Ela já O procurou, mas em vão; obstina-se e acaba por descobrir...

No Cântico dos Cânticos, a Igreja dizia do mesmo Esposo: «No meu leito, de noite, procurei aquele que o meu coração ama. Procurei-o, mas não o encontrei. Vou levantar-me e percorrer a cidade; pelas ruas e pelas praças, vistes aquele que o meu coração ama?» (Ct 3, 1-2). Duas vezes ela exprime a sua decepção: «Procurei-o, mas não o encontrei!» Mas o sucesso vem, por fim, coroar o esforço: «Os guardas encontraram-me, aqueles que fazem ronda pela cidade. Vistes aquele que o meu coração ama? Mal os ultrapassei, encontrei aquele que o meu coração ama» (Ct 3,3-4).

E nós, quando é que, nos nossos leitos, procuraremos o Amado? Durante os breves repousos desta vida, quando suspiramos na ausência do nosso Redentor. Nós procuramo-Lo na noite, pois apesar do nosso espírito já estar desperto para Ele, os nossos olhos só vêem a Sua sombra. Mas, como não encontramos nela o Amado, levantemo-nos; percorramos a cidade, ou seja, a assembléia dos eleitos. Procuremos de todo o coração. Procuremos nas ruas e nas praças, ou seja, nas passagens escarpadas da vida ou nos caminhos espaçosos; abramos os olhos, procuremos aí os passos do nosso Bem-Amado.

Esse desejo fez dizer a David: «A minha alma tem sede do Deus de vida. Quando irei ver a face de Deus? Sem descanso, procurai a Sua face» (Sl 42,3).


São Gregório Magno
Homila 25 sobre o Evangelho

TRÍDUO PASCAL – SÁBADO SANTO – VIGÍLIA PASCAL – Surrexit Dominus de sepulcro, qui pro nobis pependit in ligno. Alleluia!



SÁBADO SANTO - VIGÍLIA PASCAL

Gn 1,1 – 2,2/Sl 103
Gn 22,1-18/Sl 15
Ex 14,15 – 15,1
Is 54,5-14/Sl 29
Is 55,1-11
Br 3,9-15.32-4,4/Sl 18
Ez 36,16-17a.18-28/Sl 41
Rm 6,3-11/Sl 117
Lc 24,1-12


«Surrexit Dominus de sepulcro, qui pro nobis pependit in ligno. Alleluia!»

"Tendes à vossa disposição a guarda; ide e guardai-O como entenderdes" (Mt 27,65)

O túmulo de Jesus é fechado e sigilado. Para guardá-lo, foram colocados alguns soldados, como fora pedido pelos sumos sacerdotes e fariseus, a fim de que ninguém pudesse furtar o corpo (cf. Mt 27, 62-64). Este é o acontecimento que dá início a liturgia da Vigília Pascal. Vigiavam junto ao túmulo os que tinham querido a morte de Cristo, considerando-O um "impostor" (Mt 27,62). Seu desejo era que Ele e sua mensagem fossem sepultados para sempre. Não longe dali, vigiava Maria e, junto a ela, os Apóstolos e algumas mulheres. Conservavam estampada no coração a imagem desconcertante dos recentes acontecimentos.

Vigia esta noite a Igreja em cada canto da terra, e revive as etapas fundamentais da história da salvação. A solene liturgia que estamos a realizar é a expressão deste "vigiar" que, de certo modo, leva àquele mesmo Deus citado no Livro do Êxodo: "Essa noite, durante a qual o Senhor velara para os fazer sair do Egito, será de vigia [...], de geração em geração, em honra do Senhor" (12,42).

Com o seu amor providente a fiel, que ultrapassa o tempo e o espaço, Deus vigia o mundo. Assim canta o Salmista: "Não dorme, nem dormita / quem guarda Israel. / O Senhor é o teu guarda [...] O Senhor te guarda de todo o mal [...] agora e para sempre" (Sl 120,4-5.8).

Nesta Noite Santa, a Igreja enquanto está a vigiar, debruça-se sobre os textos da Sagrada Escritura, que descrevem o desígnio divino do Gênesis ao Evangelho e que, graças aos ritos litúrgicos do fogo e da água, conferem a esta celebração singular uma dimensão cósmica. Nesta noite, todo o universo criado está chamado a vigiar, junto ao túmulo de Cristo. Diante dos nossos olhos descortina-se a história da salvação, da criação à redenção, do êxodo à Aliança no Sinai, da antiga à nova e eterna Aliança. Nesta Noite Santa, cumpre-se o eterno projeto de Deus sobre a história do homem e do cosmo.

Na Vigília pascal, mãe de todas as vigílias, todo homem pode reconhecer também a própria pessoal história da salvação, que tem como ponto fundamental a renascimento em Cristo, através do Batismo. De modo particular, esta é a vossa experiência caríssimos Irmãos e Irmãs, que dentro de pouco recebereis os Sacramentos da iniciação cristã: o Batismo, o Crisma e a Eucaristia. Dentro de pouco, caríssimos, sereis inseridos no intimidade do mistério do amor de Deus, Pai, Filho e Espírito Santo. Possa a vossa existência tornar-se um canto de louvor à Santíssima Trindade, e um testemunho de amor sem fronteiras.

"Ecce lignum Crucis, in quo salus mundi pependi: venite adoremus!". Assim cantou ontem a Igreja, mostrando o madeiro da Cruz "em que foi suspenso Cristo, Salvador do mundo". "Foi crucificado, morto e sepultado", recitamos no Credo.

O sepulcro! Eis o lugar onde O tinham depositado (cf. Mc 16,6). Espiritualmente, encontra-se ali a inteira Comunidade eclesial de toda a parte do mundo. Nós também estamos ali com as três mulheres que vão ao sepulcro antes da aurora, para ungir o corpo sem vida de Jesus (cf. Mc 16,1). Sua pressa é a nossa pressa. Com elas, descobrimos que a enorme pedra sepulcral foi retirada e o corpo já não se encontra ali.

"Não está aqui" anuncia o anjo, mostrando o sepulcro vazio e as faixas funerárias no chão. A morte já não tem domínio sobre Ele (cf. Rm 6,9).

Cristo ressuscitou! Anuncia, no fim desta noite de Páscoa, a Igreja, que ontem tinha proclamado a morte de Cristo sobre a Cruz. É anúncio de verdade e de vida.

"Surrexit Dominus de sepulcro, qui pro nobis pependit in ligno. Alleluia!". Ressuscitou do sepulcro o Senhor que, por nós, foi pregado na cruz.

Sim, Cristo realmente ressuscitou e nós somos testemunhas.

Dizemo-lo ao mundo aos gritos, para que a nossa alegria chegue a muitos outros corações, acendendo neles a luz da esperança que não defrauda.

Cristo ressuscitou, aleluia!


Papa João Paulo II
Homilia na Vigília Pascal
Sábado Santo, 22 de Abril de 2000

TRÍDUO PASCAL – SÁBADO SANTO – VIGÍLIA PASCAL – A Esperança da Vida Nova em Cristo



SÁBADO SANTO - VIGÍLIA PASCAL

Gn 1,1 – 2,2/Sl 103
Gn 22,1-18/Sl 15
Ex 14,15 – 15,1
Is 54,5-14/Sl 29
Is 55,1-11
Br 3,9-15.32-4,4/Sl 18
Ez 36,16-17a.18-28/Sl 41
Rm 6,3-11/Sl 117
Lc 24,1-12


«A Esperança da Vida Nova em Cristo»

Afugenta, Senhor, com a luz diurna de tua sabedoria,
as trevas noturnas de nossa mente,
para que, iluminados por Ti,
te sirvamos com espírito renovado e puro.
A chegada do sol representa para os mortais
o início de seu trabalho.

Adorne, Senhor, em nossas almas uma mansão
em que possa continuar aquele dia
que não conhece o ocaso.
Faze que saibamos contemplar em nós mesmos
a vida da ressurreição,
e que nada possa separa nossas mentes
de teus deleites.

Imprime em nós, Senhor,
por nossa constante adesão a Ti,
o selo daquele dia que não
depende do movimento solar.
Cada dia te estreitamos em nossos braços
e te recebemos em nosso corpo
por meio de teus sacramentos;

Faze que sejamos dignos de
experimentar em nossa pessoa,
a ressurreição que esperamos.
Pela graça do batismo
trazemos escondido em nosso corpo
o tesouro que tu nos deste;
que este mesmo tesouro
vá crescendo na mesa dos teus sacramentos;
faze que nos alegremos de teus dons.
Temos em nós, Senhor, o teu memorial,
recebido de tua mesa espiritual;
dá-nos que alcancemos sua realidade plena,
na renovação futura.

Pedimos-te, Senhor,
que aquela beleza espiritual
que tua vontade imortal faz brotar
na mesma mortalidade
nos faça compreender nossa própria beleza.
Tua crucifixão, ó Salvador Nosso,
foi o término de tua vida mortal;
faz que crucifiquemos nossa mente
a fim de obter a vida espiritual.

Que tua ressurreição, ó Jesus,
faça crescer em nós o homem espiritual;
que a visão de teus sinais sacramentais,
nos ajude a conhecê-la.
Tuas disposições divinas, ó Salvador Nosso,
são figura do mundo espiritual
faze que nos movamos nele,
como homens espirituais.

Não prives, Senhor, a nossa mente
de tua manifestação espiritual,
e não separe de nós
o calor de tua suavidade
A mortalidade latente em nosso corpo
derrama em nós a corrupção;
que a aspersão de teu amor espiritual
apague em nossos corações
os efeitos da mortalidade.

Concede-nos, Senhor,
que caminhemos com presteza
para a nossa pátria definitiva
e que, como Moisés, do cume do monte,
possamos desde agora contemplá-la pela fé.


Santo Efren
Sermo 3, De fine et admonitione 2. 4-5:
Opera, edição Lamy 3, 216-222

TRÍDUO PASCAL – SÁBADO SANTO – VIGÍLIA PASCAL – Dies Christi! O dia do Senhor ressuscitado!



SÁBADO SANTO - VIGÍLIA PASCAL

Gn 1,1 – 2,2/Sl 103
Gn 22,1-18/Sl 15
Ex 14,15 – 15,1
Is 54,5-14/Sl 29
Is 55,1-11
Br 3,9-15.32-4,4/Sl 18
Ez 36,16-17a.18-28/Sl 41
Rm 6,3-11/Sl 117
Lc 24,1-12


« Dies Christi! O dia do Senhor ressuscitado!

Este é o dia que o Senhor fez!»


“Este é o dia que o Senhor fez: seja para nós dia de alegria e de felicidade” (Sl 117, 24)

Irmãos, esperemos o Senhor e exultemos de alegria, a fim de O vermos e de rejubilarmos na Sua luz. Abraão exultou com a simples idéia de ver o dia de Cristo, e por isso mereceu vê-lo e rejubilar (Jo 8, 56). Também tu tens de velar todos os dias às portas da Sabedoria (Pr 8, 34), montar guarda, com Maria Madalena, à porta do túmulo de Cristo. E estou certo de que então compreenderás com ela quão verdadeiro é o que lemos nas Escrituras sobre a Sabedoria em pessoa, que é Cristo: «os que a amam descobrem-na facilmente. Ela antecipa-se a dar-se a conhecer aos que a desejam» (Sb 6, 12-13).

Foi Ele mesmo que o prometeu: «Amo os que Me amam; quem Me procura encontrar-Me-á» (Pr 8, 17). Foi assim que Maria encontrou Jesus na carne, pois velava, tendo ido ao túmulo antes de amanhecer. É verdade que tu já não O conhecerás segundo a carne (2Cor 5, 16), mas segundo o espírito. Mas encontrá-Lo-ás espiritualmente, se O procurares com um desejo semelhante ao de Maria: «A minha alma deseja-Vos de noite, e o meu espírito dentro de mim busca-Vos» (Is 26, 9). Diz com o salmista: «A minha alma está sedenta de Vós» (62, 2).

Velai, pois, irmãos, e rezai intensamente! Velai tanto mais quanto desponta já a aurora do dia que não tem ocaso. Sim, «já é hora de despertardes do sono, que a noite vai adiantada e o dia está próximo» (Rm 13, 11-12). Velai, pois, para que a Luz da manhã, Cristo, nasça para vós, pois «iminente como a aurora está a Sua vinda» (Os 6, 3); Ele está disposto a renovar muitas vezes o mistério da Sua ressurreição matinal em favor daqueles que para Ele velam. Então poderás cantar, de coração jubiloso: «O Senhor actuou neste dia, cantemos e alegremo-nos nele».


Beato Guerric d'Igny, Abade Cisterciense
3º Sermão para a Ressurreição
(SC 202, p.249s rev.)

TRÍDUO PASCAL – SÁBADO SANTO – VIGÍLIA PASCAL – Corramos como o cervo que anseia pelas fontes de água viva



SÁBADO SANTO - VIGÍLIA PASCAL

Gn 1,1 – 2,2/Sl 103
Gn 22,1-18/Sl 15
Ex 14,15 – 15,1
Is 54,5-14/Sl 29
Is 55,1-11
Br 3,9-15.32-4,4/Sl 18
Ez 36,16-17a.18-28/Sl 41
Rm 6,3-11/Sl 117
Lc 24,1-12


«Corramos como o cervo que anseia pelas fontes de água viva»

Num horto muito perto do Calvário, José de Arimatéia tinha mandado lavrar, na rocha, um sepulcro novo. E, por ser a véspera da grande Páscoa dos judeus, põem Jesus ali. Depois, José rolou uma grande pedra, para diante da boca do sepulcro, e retirou-se (Mt 27, 60).

Sem nada veio Jesus ao mundo e sem nada - nem sequer o lugar onde repousa - se nos foi.

A Mãe do Senhor - minha Mãe - e as mulheres que seguiram o Mestre desde a Galileia, depois de observar tudo atentamente, partem também. Cai a noite.

Agora consumou-se tudo. Cumpriu-se a obra da nossa Redenção. Já somos filhos de Deus, porque Jesus morreu por nós e a Sua morte resgatou-nos.

Empti enim estis pretio magno! (I Cor VI, 20), tu e eu fomos comprados por alto preço.

Temos de fazer vida nossa a vida e a morte de Cristo. Morrer pela mortificação e a penitência, para que Cristo viva em nós pelo Amor. E seguir, então, as pisadas de Cristo, com ânsia de co-redimir todas as almas.

Dar a vida pelos outros. Só assim se vive a vida de Jesus e nos fazemos uma só coisa com Ele.


PONTOS DE MEDITAÇÃO

1. Dos altos cargos que ocupam Nicodemos e José de Arimatéia - discípulos ocultos de Cristo - intercedem por Ele. Na hora da solidão, do abandono total e do desprezo, então expõem-se audacter (Mc 15, 43): valentia heróica!

Eu subirei com eles ao pé da Cruz, apertar-me-ei ao Corpo frio, cadáver de Cristo, com o fogo do meu amor, despregá-Lo-ei com os meus desagravos e mortificações, envolvê-Lo-ei com o lençol novo da minha vida limpa e enterrá-Lo-ei no meu peito de rocha viva, donde ninguém mO poderá arrancar; e, aí, Senhor, descansai!

Mesmo que todos Vos abandonem e desprezem, serviam!, servir-Vos-ei, Senhor.

2. Sabei que fostes resgatados da vossa vã conduta, não com prata ou ouro, que são coisas perecíveis, mas com o sangue precioso de Cristo (1 Pe 1, 18-19).

Não nos pertencemos. Jesus comprou-nos com a Sua Paixão e com a Sua Morte. Somos vida Sua. Só já há um único modo de viver na terra: morrer com Cristo para ressuscitar com Ele, até que possamos dizer com o Apóstolo: não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim (Gal 2, 20).

3. A Paixão de Jesus é manancial inesgotável de vida.

Umas vezes, renovamos o gozoso impulso que levou o Senhor a Jerusalém. Outras, a dor da agonia que culminou no Calvário. Ou a glória do Seu triunfo sobre a morte e o pecado. Mas, sempre, o amor - gozoso, doloroso, glorioso - do Coração de Jesus Cristo.

4. Pensa primeiro nos outros. Assim, passarás pela terra com erros, sim - que são inevitáveis -, mas deixando um rasto de bem.

E, quando chegar a hora da morte, que virá inexorável, acolhê-la-ás com júbilo, como Cristo, porque como Ele também ressuscitaremos para receber o prêmio do Seu Amor.

5. Quando me sinto capaz de todos os horrores e de todos os erros que cometeram as pessoas mais vis, compreendo bem que posso não ser fiel. Mas essa incerteza é uma das bondades do Amor de Deus, que me leva a estar, como uma criança, agarrado aos braços do meu Pai, lutando cada dia um pouco para não me afastar d'Ele.

Assim, tenho a certeza de que Deus não me largará da Sua mão.

Pode a mulher esquecer-se do fruto do seu ventre, não se compadecer do filho da suas entranhas? Pois, ainda que ela se esqueça, eu não te esquecerei (Is 49, 15).

Corremos como o cervo, que anseia pelas fontes das águas; com sede, gretada a boca, ressequida. Queremos beber nesse manancial de água viva. Sem esquisitices, mergulhamos ao longo do dia nesse veio abundante e cristalino de frescas linfas que saltam até a vida eterna. Sobram as palavras, porque a língua não consegue expressar-se; começa a serenar-se a inteligência. Não se raciocina, fita-se! E a alma rompe outra vez a cantar com um cântico novo, porque se sente e se sabe também fitada amorosamente por Deus, em todos os momentos.


São Josemaría Escrivá
Via Sacra, Cap 14
Amigos de Deus, pt.307

TRÍDUO PASCAL – SÁBADO SANTO – VIGÍLIA PASCAL – A noite que nos liberta do sono da morte



SÁBADO SANTO - VIGÍLIA PASCAL

Gn 1,1 – 2,2/Sl 103
Gn 22,1-18/Sl 15
Ex 14,15 – 15,1
Is 54,5-14/Sl 29
Is 55,1-11
Br 3,9-15.32-4,4/Sl 18
Ez 36,16-17a.18-28/Sl 41
Rm 6,3-11/Sl 117
Lc 24,1-12


«A noite que nos liberta do sono da morte»


Vigiemos, irmãos, porque até esta noite Cristo permaneceu no seu túmulo. Foi durante esta noite que se deu a ressurreição da carne. Sobre a cruz, ela foi alvo de irrisão; hoje, os céus e a terra a adoram. Esta noite faz já parte do nosso domingo. Era mesmo preciso que Cristo ressuscitasse durante a noite, uma vez que a Sua ressurreição iluminou as nossas trevas. Tal como a nossa fé, fortificada pela ressurreição de Cristo, afasta todo o sono, assim esta noite, iluminada pelas nossas velas, se enche de claridade. Ela faz-nos esperar, com a Igreja espalhada por toda a terra, que não havemos de ser surpreendidos a meio da noite (Mc 13, 33).

Em tantos países que esta festa, tão solene para todos, reúne em nome de Cristo, o sol já se pôs - mas o dia ainda não acabou; as luzes do céu deram lugar às luzes da terra. Aquele que nos deu a glória do Seu Nome (Sl 28, 2) iluminou também esta noite. Aquele a quem dizemos "Tu iluminas as minhas trevas" (Sl 18, 29) derrama a Sua claridade nos nossos corações. E, assim como os nossos olhos deslumbrados contemplam as velas acesas, assim o nosso espírito iluminado nos faz ver nesta noite.


Santo Agostinho, Bispo e Doutor
2ª Homilia para a Noite Santa

TRÍDUO PASCAL – SÁBADO SANTO – VIGÍLIA PASCAL – Desceu aos que estavam sentados nas trevas



SÁBADO SANTO - VIGÍLIA PASCAL

Gn 1,1 – 2,2/Sl 103
Gn 22,1-18/Sl 15
Ex 14,15 – 15,1
Is 54,5-14/Sl 29
Is 55,1-11
Br 3,9-15.32-4,4/Sl 18
Ez 36,16-17a.18-28/Sl 41
Rm 6,3-11/Sl 117
Lc 24,1-12


«Desceu aos que estavam sentados nas trevas»

Cristo está na cruz: aproximemo-nos dele, participemos dos seus sofrimentos para ter parte também em sua glória. Cristo jaz entre os mortos: morramos ao pecado a fim de viver para a justiça. Cristo repousa num túmulo novo: purifiquemo-nos do velho fermento, tornemo-nos uma massa nova e sejamos para ele um lugar de repouso. Cristo desce à mansão dos mortos: desçamos também com ele pela humilhação que exalta, a fim de ressuscitarmos, sermos exaltados e glorificados com ele, sempre vendo e sendo vistos por Deus. Vós que sois do mundo, sede livres; vós que estais amarrados, saí; vós que estais nas trevas, abri os olhos para a luz; vós que estais no cativeiro, libertai-vos; cegos, levantai os olhos. Desperta, Adão que dormes, levanta-te de entre os mortos, pois Cristo, nossa ressurreição, apareceu!

Aquele que se assenta sobre os querubins (Sl 79 [80], 2) foi pregado numa cruz como um condenado. Embora sendo a vida dos homens, os assassinos de Deus não acreditaram ao vê-lo suspenso no madeiro. Aquele que plasmou o homem com suas mãos divinas estendeu o dia inteiro suas mãos puras a um povo rebelde que seguia um caminho mau, e entregou sua alma nas mãos do Pai. Com uma lança perfuraram o lado daquele que criara Eva do lado de Adão; jorraram água e sangue divino, bebida de imortalidade e batismo de regeneração. Por isso o sol escureceu, não suportando ver maltratado o Sol de justiça. A terra estremeceu, aspergida com o sangue do Senhor, purificada da idolatria e saltando de alegria por essa purificação.

Aquele que soprara a vida em Adão para dele fazer um ser vivente foi depositado num túmulo, morto, sem vida. Aquele que condenara o homem a voltar à terra foi contado entre os esquecidos da terra. As portas de bronze são quebradas, as barras das portas destruídas, as portas eternas se abrem, o guardião da mansão dos mortos se apavora. Aquele que não tem pecado está entre os mortos. Aquele que desfizera as ligaduras de Lázaro é envolvido com ataduras, para desatar as amarras do homem morto por causa do pecado e enredado em seus laços, a fim de torná-lo livre. Agora o rei da glória desce à casa do tirano, ele o Forte nos combates sai de um extremo do céu e no outro termina a sua corrida, alegrando-se como um atleta a percorrer seu caminho.

Agora a mansão dos mortos torna-se céu, o Hades é iluminado, as trevas, que outrora amedrontavam, vão-se embora, e os cegos recobram a vista. Pois o Sol nascente, luz do alto, visita os que jazem nas trevas e na sombra da morte estão sentados (Lc 1, 78-79).

Escutemos, nós que não vemos, e acreditamos na boa-nova dos que anunciam a paz. Porque o braço de Deus e seu poder nos foram revelados. Se escutarmos, seremos glorificados, contemplando na humilhação, como num espelho, a glória do Senhor, e vendo, em seu aspecto desfigurado, a beleza que ultrapassa toda beleza. Se o vemos preso ao madeiro, sem beleza nem glória, morrendo por todos os homens, ele é, no entanto, o Esplendor da glória do Pai. Ele dá sua túnica aos soldados que a repartem, mas, ressuscitado dos mortos, enviará diante das nações os discípulos que escolheu, e ele mesmo será a túnica do batismo para os fiéis. Pois, vós todos que fostes batizados em Cristo vos revestistes de Cristo (Gl 3, 27).

Acima de tudo, tende os mesmos sentimentos de Cristo Jesus que nos amou quando ainda éramos inimigos. Pois a antiga liberdade nos será devolvida, nós celebraremos o Êxodo do Senhor Deus e a Igreja estará em paz. Então, com nossas lâmpadas acesas, iremos alegremente ao encontro do Esposo imortal vencedor da morte. E com o rosto descoberto, contemplaremos, como num espelho, a glória do Senhor, cuja beleza haveremos de gozar. A ele sejam dadas, honra, adoração e glória em união com o Pai e o Espírito Santo, agora e sempre, e por todos os séculos. Amém.


Das Homilias de São João Damasceno,
Presbítero, século VIII

TRÍDUO PASCAL – SÁBADO SANTO – VIGÍLIA PASCAL – Eia Mater, Fons Amoris: Stabat Mater Dolorosa



SÁBADO SANTO - VIGÍLIA PASCAL

Gn 1,1 – 2,2/Sl 103
Gn 22,1-18/Sl 15
Ex 14,15 – 15,1
Is 54,5-14/Sl 29
Is 55,1-11
Br 3,9-15.32-4,4/Sl 18
Ez 36,16-17a.18-28/Sl 41
Rm 6,3-11/Sl 117
Lc 24,1-12


«Ó Mãe, Fonte de Amor: Estava a Mãe dolorosa»

A Virgem das Dores é o Tabernáculo dos Sagrados Mistérios, a Porta do Coração chagado de Cristo, a Mestra do silêncio, a Mãe da nossa alegria. No Sábado Santo, quando a Igreja permanece unida à Virgem na espera da Ressurreição, os filhos devem estar imersos no silêncio da Mãe, devem estar a seu lado com o amoroso propósito de consolar Mãe tão terna e excelsa.


“Stabat Mater” - Caminho de união à Virgem das Dores na Paixão


O belíssimo “Stabat Mater”, do latim “Estava a Mãe”, é um hino, mais precisamente uma seqüência, católica do século XIII atribuído a Jacopone de Todi, apesar da questão ser controversa. Tal oração, que tem início com as palavras “Stabat Mater dolorosa” - “Estava a Mãe dolorosa” - medita sobre os sofrimentos de Maria, Mãe de Jesus, durante a Crucifixão e a Paixão de Cristo. A oração é recitada de maneira facultativa durante a Missa em memória de Nossa Senhora das Dores (15 de setembro) e as suas partes formam os hinos latinos da própria festa. Antes da Reforma litúrgica, era utilizada no ofício da Sexta-feira da semana da Paixão (Nossa Senhora das setes dores - sexta-feira precedente ao Domingo de Ramos). É um Hino muito popular, sobretudo, porque acompanha o rito da Via-Sacra, uma estrofe para cada estação, e a procissão da Sexta-feira Santa, sendo um canto muito amado pelos fiéis, assim como por inteiras gerações de músicos. O Stabat Mater, é um forte remédio para todos que, com uma disposição mais plena de fé, se aproximam da Paixão de Cristo a fim de consolar a Mãe cheia de dores em sua solidão, a Mãe, Fonte de amor.


STABAT MATER


"Estava a Mãe dolorosa
Junto da Cruz, lacrimosa
Vendo o Filho que pendia.

A sua alma agoniada
Se partia atravessada
No gládio da profecia.

Oh! Quão triste e aflita
Estava a Virgem bendita,
A Mãe do Filho Unigênito.

Quanta angústia não sentia
Mãe piedosa, quando via
As penas do Filho seu.

Quem não chora, vendo isto,
Contemplando a Mãe do Cristo
Num suplício tão enorme?

Quem haverá que resista,
Se a Mãe assim contrista,
Padecendo com seu Filho?

Por culpa de sua gente,
Viu a Jesus inocente
Aos flagelos submisso.

Viu seu Filho muito amado
Que morria abandonado,
Entregando o seu espírito.

Faze, ó Mãe, fonte de amor,
Que eu sinta a força da dor,
Para contigo chorar.

Faze arder meu coração,
Do Cristo Deus na paixão,
Para que o possa agradar.


Ó Santa Mãe, dá-me isto:
Trazer as chagas do Cristo
Gravadas no coração.

Do teu Filho, que por mim
Se entrega a uma morte assim,
Divide as penas comigo.

Oh! Dá-me, enquanto viver,
Com o Cristo compadecer,
Chorando sempre contigo.

Junto da Cruz quero estar,
Para assim me associar
Ao martírio do teu pranto.

Virgem das virgens, preclara,
Jamais me sejas avara,
Dá-me contigo chorar.

Traga em mim do Cristo a morte,
Da Paixão seja eu consorte,
Suas chagas celebrando.

Por elas seja eu rasgado,
Pela Cruz inebriado,
No sangue do Filho nutrido.

No Juízo, ó Virgem, consegue
Às chamas não ser entregue
Quem por ti é defendido.

Quando do mundo eu partir,
Dá-me, ó Cristo, conseguir,
Por tua Mãe, a vitória.

Quando o meu corpo morrer,
Possa a alma merecer
Do Reino celeste a glória.

Amém".

TRÍDUO PASCAL – SÁBADO SANTO – VIGÍLIA PASCAL – Não chores por mim, ó Mãe!



SÁBADO SANTO - VIGÍLIA PASCAL

Gn 1,1 – 2,2/Sl 103
Gn 22,1-18/Sl 15
Ex 14,15 – 15,1
Is 54,5-14/Sl 29
Is 55,1-11
Br 3,9-15.32-4,4/Sl 18
Ez 36,16-17a.18-28/Sl 41
Rm 6,3-11/Sl 117
Lc 24,1-12


«Não chores por mim, ó Mãe!»


Vendo sobre a cruz o Cordeiro,
o Pastor e Salvador do mundo,
Aquela que te concebeu diz, em suas lágrimas:
“O mundo se alegra por receber a redenção
E minhas entranhas se consomem à vista da crucifixão
Que tu sofres por nós, ó meu filho e meu Deus!”

“Infeliz de mim, filho meu!
Aquele que esperei como Rei,
agora o vejo condenado na cruz!”

“Ai! A profecia de Simeão realizou-se,
Porque a tua espada, ó Emanuel,
Transpassou o meu coração!”

Quando a tua Mãe imaculada viu a tua morte, ó Cristo,
Invocou-te em tom suplicante:
“Não permaneças, ó Vida, no reino dos mortos!”

“Não chores por mim, ó Mãe, que contemplas na tumba
O Filho que concebeste virginalmente no seio,
Visto que ressurgirei e serei glorificado!
E, na glória sem fim, glorificarei, na minha qualidade de Deus,
Os que te louvam com fé e amor!”

Tu que nasceste da Virgem e por nós sofreste a cruz,
Tu, que por tua morte venceste a morte
e nos revelaste a tua ressurreição,
Não rejeites aqueles que tua mão modelou!
Mostra-nos teu amor, ó Deus de misericórdia,
Atende as preces daquela que te concebeu,
E salva, Senhor, o povo que espera em ti!


Textos da Liturgia Bizantina

TRÍDUO PASCAL – SÁBADO SANTO – VIGÍLIA PASCAL – Ladainha de Nossa Senhora das Dores



SÁBADO SANTO - VIGÍLIA PASCAL

Gn 1,1 – 2,2/Sl 103
Gn 22,1-18/Sl 15
Ex 14,15 – 15,1
Is 54,5-14/Sl 29
Is 55,1-11
Br 3,9-15.32-4,4/Sl 18
Ez 36,16-17a.18-28/Sl 41
Rm 6,3-11/Sl 117
Lc 24,1-12


«Ladainha de Nossa Senhora das Dores»

Senhor, tende piedade de nós.
Jesus Cristo, tende piedade de nós.
Senhor, tende piedade de nós.
Jesus Cristo, ouvi-nos.
Jesus Cristo, atendei-nos.
Deus Pai, que estais nos Céus, tende piedade de nós.
Deus Filho, Redentor do Mundo, tende piedade de nós.
Espírito Santo Paráclito, tende piedade de nós.
Trindade Santa, Deus uno e Trino, tende piedade de nós.
Mãe de Jesus crucificado, rogai por nós.
Mãe do Coração Transpassado, rogai por nós.
Mãe do Cristo Redentor, rogai por nós.
Mãe dos discípulos de Jesus, rogai por nós.
Mãe dos redimidos, rogai por nós.
Mãe dos viventes, rogai por nós.
Virgem obediente, rogai por nós.
Virgem oferente, rogai por nós.
Virgem fiel, rogai por nós.
Virgem do silêncio, rogai por nós.
Virgem da espera, rogai por nós.
Virgem da Páscoa, rogai por nós.
Virgem da Ressurreição, rogai por nós.
Mulher que sofreu o exílio, rogai por nós.
Mulher forte, rogai por nós.
Mulher corajosa, rogai por nós.
Mulher do sofrimento, rogai por nós.
Mulher da Nova Aliança, rogai por nós.
Mulher da Esperança, rogai por nós.
Nova Eva, rogai por nós.
Colaboradora na salvação, rogai por nós.
Serva da reconciliação, rogai por nós.
Defesa dos inocentes, rogai por nós.
Coragem dos perseguidos, rogai por nós.
Fortaleza dos oprimeidos, rogai por nós.
Esperança dos pecadores, rogai por nós.
Consolação dos aflitos, rogai por nós.
Refúgio dos marginalizados, rogai por nós.
Conforto dos exilados, rogai por nós.
Sustento dos fracos, rogai por nós.
Alívio dos enfermos, rogai por nós.

Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, perdoai-nos, Senhor.
Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, ouvi-nos, Senhor.
Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, tende piedade de nós.

- Rogai por nós, Santa Mãe de Deus,
- Para que sejamos dignos das promessas de Cristo.

Amém.

sexta-feira, 2 de abril de 2010

TRÍDUO PASCAL – SEXTA-FEIRA SANTA – Tu nos amaste primeiro para que nós Te amássemos



SEXTA -FEIRA DA PAIXÃO DO SENHOR

Is 52, 13-53, 12
Sl 30
Hb 4, 14-16; 5, 7-9
Jo 18, 1-19, 42


«Tu nos amaste primeiro para que nós Te amássemos»

Sim, Tu nos amaste primeiro, para que nós Te amássemos. Tu não necessitas do nosso amor, mas só poderemos atingir os Teus desígnios amando-Te. Por isso, «muitas vezes e de muitos modos falou Deus aos nossos pais, nos tempos antigos, por meio dos profetas. Nestes dias, que são os últimos, Deus falou-nos por meio do Seu Filho», (Hb 1, 1), o Seu Verbo. Foi por Ele que «a palavra do Senhor criou os céus, e o sopro da Sua boca, todos os astros» (Sl 32, 6). Para Ti, falar através do Teu Filho não é outra coisa que mostrares, fazeres ver com brilho quanto e como nos amas, dado que não poupaste o Teu próprio Filho, mas O entregaste por todos nós (Rm 8, 32). E também Ele nos amou e a Si mesmo se entregou por nós (Gal 2, 20).

Tal é a Palavra, o Verbo Todo Poderoso que nos diriges, Senhor. Enquanto todos mergulhavam no silêncio, ou seja, na profundidade do erro, Ele desceu das moradas reais (Sab 18, 14), para abater duramente o pecado e enaltecer suavemente o amor. E tudo quanto fez, tudo quanto disse na terra, até os opróbrios, até os escárnios e as bofetadas, até a cruz e o sepulcro, não eram mais que a Tua palavra pelo Teu Filho, palavra que nos incita ao amor, palavra que desperta em nós o amor por Ti.

Sabias com efeito, Deus, Criador das almas, que as almas dos filhos dos homens não podem ser forçadas a esta afeição, mas que é necessário provocá-las. Porque, onde houver constrangimento, não há liberdade; e onde não há liberdade, não há justiça. Quiseste que Te amássemos, porque em justiça não podíamos ser salvos sem Te amar. E não podíamos amar-Te a menos que o amor partisse de Ti. Por conseguinte, Senhor, como apóstolo do Teu amor o digo, Tu amaste-nos primeiro (1Jo 4, 10), e primeiramente amas todos os que Te amam. Mas nós, nós amamos-Te pela afeição de amor que puseste em nós.


Guilherme de Saint-Thierry, Abade
De contemplando Deo, 10, cf. SC 61, pp. 91ss

TRÍDUO PASCAL – SEXTA-FEIRA SANTA – Cristo Crucificado é o Verbo que não passa e bate ao coração de cada homem



SEXTA -FEIRA DA PAIXÃO DO SENHOR

Is 52, 13-53, 12
Sl 30
Hb 4, 14-16; 5, 7-9
Jo 18, 1-19, 42


«Cristo, precisamente como Crucificado, é o Verbo que não passa, é o que está à porta e bate ao coração de cada homem»

Os acontecimentos da Sexta-Feira Santa e, ainda antes, a oração no Getsêmani, introduzem uma mudança fundamental em todo o processo da revelação do amor e da misericórdia, na missão messiânica de Cristo. Aquele que andou fazendo o bem e curando a todos (At 10, 38) e curando todo tipo de doença e de enfermidade (Mt 9, 35) mostra-se ele próprio, agora, digno da maior misericórdia e parece apelar para a misericórdia, quando é preso, ultrajado, condenado, flagelado, coroado de espinhos, quando é pregado na cruz e expira no meio de tormentos atrozes. É então que ele se apresenta particularmente digno da misericórdia dos homens a quem fez o bem; e não a recebe. Até aqueles que lhe são mais próximos não o sabem proteger e arrancar da mão de seus opressores. Nesta fase final do desempenho da função messiânica cumprem-se em Cristo as palavras dos profetas e, sobretudo, as de Isaías, proferidas a respeito do Servo de Javé: Suas feridas foram o preço de nossa cura (Is 53, 5).

Cristo, enquanto homem, que sofre realmente e de modo terrível no Jardim das Oliveiras e no Calvário, dirige-se ao Pai, àquele Pai cujo amor pregou aos homens e de cuja misericórdia deu testemunho com todo o seu agir. Mas não lhe é poupado, nem sequer a ele, o tremendo sofrimento da morte na cruz: Aquele que não cometeu pecado, Deus o fez pecado por nós (2Cor 5, 21), escreveria São Paulo, resumindo em poucas palavras toda a profundidade do mistério da cruz e, ao mesmo tempo, a dimensão divina da realidade da Redenção. É precisamente essa redenção a última e definitiva revelação da santidade de Deus, que é a plenitude absoluta da perfeição: plenitude da justiça e do amor, pois a justiça funda-se no amor, dele emana e para ele tende.

A cruz de Cristo sobre o Calvário surge no caminho daquele admirabile commercium, daquela comunicação admirável de Deus ao homem, que encerra, ao mesmo tempo, o chamamento dirigido ao homem para que, dando-se a si mesmo a Deus e oferecendo consigo todo o mundo visível, participe da vida divina e, como filho adotivo, se torne participante da verdade e do amor que estão em Deus e provêm de Deus.

A cruz é o modo mais profundo de a divindade se debruçar sobre a humanidade e sobre tudo aquilo que o homem – especialmente nos momentos difíceis e dolorosos – considera o seu próprio destino infeliz. A cruz é como que um toque do amor eterno nas feridas mais dolorosas da existência terrena do homem, é o cumprir-se cabalmente do programa messiânico, que Cristo um dia tinha formulado na sinagoga de Nazaré e que repetiu depois diante dos enviados de João.

No centro desse programa está sempre a cruz, porque nela a revelação do amor misericordioso atinge seu ponto culminante. Enquanto não passarem as coisas antigas (Ap 21, 4), a cruz permanecerá como aquele “lugar”, a que se poderiam referir ainda outras palavras do Apocalipse de São João: Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir minha voz e abrir a porta, eu entrarei na sua casa e tomaremos a refeição, eu com ele e ele comigo (Ap 3, 20). Deus revela também, de modo particular, a sua misericórdia, quando solicita o homem, por assim dizer, a exercitar a misericórdia para com seu próprio Filho, para com o Crucificado.

Cristo, precisamente como Crucificado, é o Verbo que não passa, é o que está à porta e bate ao coração de cada homem, sem coagir sua liberdade, mas procurando fazer irromper dessa mesma liberdade o amor; um amor que é, não apenas ato de solidariedade para com o Filho do homem que sofre, mas também, de certo modo, uma forma de “misericórdia”, manifestada a cada um de nós para com o Filho eterno do Pai.


Papa João Paulo II
“Dives in misericordia”, cap. V, 7.8

TRÍDUO PASCAL – SEXTA-FEIRA SANTA – O Filho único de Deus oferece-se livremente à Cruz



SEXTA -FEIRA DA PAIXÃO DO SENHOR

Is 52, 13-53, 12
Sl 30
Hb 4, 14-16; 5, 7-9
Jo 18, 1-19, 42


«O Filho único de Deus oferece-se livremente à Cruz»

Quando tiverdes elevado o Filho do Homem, então compreendereis que Eu Sou (Jo 8,28)

Vinde, vós todos que amais a Deus e vede o que Nosso Senhor fez por vós. Vinde, vós todos que fostes resgatados pelo Sangue puríssimo do Cordeiro inocente; vede e compreendei o que Ele sofreu por causa do nosso pecado. Hoje abre-se para nós o Livro da Vida, os sete selos são quebrados (Ap 6). A verdade resplandece e nela se manifestam os tesouros da sabedoria e da ciência (Rm 11,33); brota a fonte que contém os mistérios de Deus.

Hoje rompe-se o antigo véu (Mt 27.51), todas as aparências dão lugar à realidade. O Santo dos Santos abre-se de par em par, graças a Jesus, o Sumo Sacerdote (He 2,17). O sacrifício que Ele oferece não é senão o seu próprio sangue. Hoje, em Jesus Cristo, é revelado o sentido de todos os símbolos, são descobertos todos os mistérios. Hoje abre-se o tesouro imenso do pai de família do qual fruirão plenamente todos os pobres, todos os fracos, todos os oprimidos. Cada um pode beber nas chagas do Senhor a graça de que mais necessita.

Hoje manifestou-se, acima de todas as coisas, o admirável mistério: o Rei dos homens faz-se o rebutalho da humanidade; o Altíssimo faz-se o último de todos; o Filho único de Deus oferece-se livremente à Cruz pelos pobres pecadores que somos nós. Ele quer pregar o pecado na cruz, matar a morte e, pelo seu sangue precioso, destruir a nota da dívida onde estão registradas as nossas faltas (Cl 2,14).

Não foi Ele que disse: “Quando eu for elevado, atrairei tudo a mim” (Jo 12,32)? Tudo, quer dizer, todos os homens, em quem tudo se reúne. Muitos homens encontram a cruz; entre muitas tribulações, Deus leva-os a essa cruz, para os atrair a Ele. Então eles carregam de bom grado a sua própria cruz e assim tornam-se verdadeiros amigos de Deus.


Johannes Tauler, O.P. (Juan Tauler)
Místico Dominicano do século XIV
Da Meditação sobre a Paixão

TRÍDUO PASCAL – SEXTA-FEIRA SANTA – Em união a Tua Paixão, Senhor, e pelo Teu Amor



SEXTA -FEIRA DA PAIXÃO DO SENHOR

Is 52, 13-53, 12
Sl 30
Hb 4, 14-16; 5, 7-9
Jo 18, 1-19, 42


«Em união a Tua Paixão, Senhor, e pelo Teu Amor»


Ó Doce Jesus, coloco-me aos vossos pés, certo como estou de que sabeis cumprir o que nem imaginar posso. Servir-vos quero até onde quiserdes, a todo custo, com qualquer sacrifício. Nada sei fazer, não sei humilhar-me, só sei dizer e vos digo com firmeza: Quero humilhar-me, quero amar a humilhação, o pouco caso da parte do próximo para com minha pessoa. Lanço-me de olhos fechados, com alegria, naquele dilúvio de desprezos, padecimentos, abjeções em que vos aprouver colocar-me. Sinto repugnância, o coração dilacerado ao dizê-lo, mas vos prometo: Por vosso amor, quero padecer e ser desprezado. Não sei o que fazer, aliás, não confio em mim, mas não desisto de querê-lo, com toda a energia da alma: sofrer, sofrer e ser desprezado, por amor de vós.


Papa João XXIII
O Diário da Alma, 1903, p.180

TRÍDUO PASCAL – SEXTA-FEIRA SANTA – O Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo



SEXTA -FEIRA DA PAIXÃO DO SENHOR

Is 52, 13-53, 12
Sl 30
Hb 4, 14-16; 5, 7-9
Jo 18, 1-19, 42


«O Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo»

No Apocalipse, o apóstolo João escreve: «Eis o que vi: diante do trono...havia um Cordeiro, de pé e como que imolado» (Ap 5,6). Enquanto contemplava esta visão, uma recordação permanecia nele ainda bem viva: a do dia inesquecível em que, na margem do Jordão, João Batista tinha designado Jesus como «o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo».

Mas porque é que o próprio Senhor tinha escolhido o cordeiro para ser o seu símbolo por excelência? Porque é que se mostrava mais uma vez sob esta aparência no trono eterno da glória? Porque era inocente como um cordeiro e humilde como um cordeiro, e porque tinha vindo para «deixar-se conduzir ao matadouro como um cordeiro» (Is 53,7).

Também isso tinha contemplado o apóstolo João, quando o Senhor tinha deixado que lhe atassem as mãos no Jardim das Oliveiras e se tinha deixado pregar na cruz no Gólgota. Ali, no Gólgota, o verdadeiro sacrifício da reconciliação tinha sido consumado. Os antigos sacrifícios tinham perdido a sua força e, tal como antigo sacerdócio, cessaram em breve quando o templo foi destruído. Tudo isto João tinha-o vivido. Por isso, não se admirou ao ver o Cordeiro no trono.

Tal como o Cordeiro tinha de ser morto para ser elevado ao trono da glória, assim também, para todos os que foram escolhidos para «a boda das núpcias do Cordeiro» (Ap 19,9), o caminho para a glória passa pelo sofrimento e pela cruz. Aqueles que querem unir-se ao Cordeiro devem deixar-se pregar com ele na cruz. Todos os que estão marcados com o sangue do Cordeiro (cf. Ex 12,7) a isso são chamados - e são todos os batizados. Mas nem todos compreendem o apelo e nem todos o seguem.


Santa Teresa Benedita da Cruz
As Bodas do Cordeiro, 1940

TRÍDUO PASCAL – SEXTA-FEIRA SANTA – Ó Paixão, purificação do universo!



SEXTA -FEIRA DA PAIXÃO DO SENHOR

Is 52, 13-53, 12
Sl 30
Hb 4, 14-16; 5, 7-9
Jo 18, 1-19, 42


«Ó Paixão, purificação do universo!
Ó morte, princípio de imortalidade e origem da vida!»

Hoje se realizaram os oráculos proféticos. Hoje o inferno vai cuspir seu veneno mortal e a morte receber um morto que está sempre vivo. Hoje as cadeias que a Serpente forjara no Paraíso vão ser destruídas e os escravos libertados. Hoje o ladrão irá assaltar o Paraíso defendido há milhares de anos por um querubim armado com uma espada de fogo. Hoje a luz que brilha nas trevas (Jo 1, 5), vai esvaziar o tesouro da morte. Hoje é a entrada do rei na prisão. Hoje ele arrombou as portas de bronze e quebrou as trancas de ferro (Sl 106 [107], 16). E aquele que aceitou a morte como simples mortal devasta seu império, pois ele é o Deus-Verbo. Adão se erguerá e Abel sairá são e salvo, e os que a morte havia devorado e gemiam sob o seu teto, exclamam: Onde está, ó morte, a tua vitória? Onde está, ó inferno, o teu aguilhão (cf. 1Cor 15, 55).

Que dizes sobre isso, tu que olhas para a cruz com desprezo e zombas da Paixão? Achas graça na morte, apontas o túmulo; mas, presta também atenção à vitória. Admiras Abel. Ele morreu. Fala-me de Noé. Mas ele também conheceu a corrupção. Citas ainda Enoque: ele não escapou da Lei. Então me falas de Abraão; mas Abraão também morreu. Fazes menção de Isaac, ele caiu e não mais se levantou. O patriarca Jacó também se tornou pó. Lembras-te da história dos ossos de José? Quanto a Moisés, nem se sabe onde foi enterrado. Junta todos os profetas, lembra-te onde estão todos os seus túmulos e cala-te. A morte os devorou e não devolveu nenhum.

Mas hoje está em pé diante do tribunal aquele que vem destruir a maldição. Os profetas reunidos interrogam o Senhor: Que chagas são estas em tuas mãos? (Zc 13, 6: Vulgata). Como a Paixão ousa te atingir? Ele responde: Eu transplantei minha vinha da terra do Egito, reguei-a na travessia do mar, cerquei-a com um muro, protegi-a pela circuncisão, os profetas e a lei a guardaram. Eu contava com uvas de verdade, mas ela produziu uvas selvagens; eu esperava frutos de justiça, e eis a injustiça (Is 5, 4.7). Então eu me tornei como um homem caído que jaz no sepulcro (Sl 87 [88], 6).

Ó Paixão, purificação do universo! Ó morte, princípio de imortalidade e origem da vida! Ó descida à mansão dos mortos que lança uma ponte a fim de que eles passem ao reino da vida. Ó meio-dia da morte de Cristo, recordação daquele meio-dia no Paraíso em que Eva colheu o fruto. Ó cravos que fixam o mundo para Deus e traspassam a morte! Ó espinhos, fruto da videira má! Ó fel, que dás a doçura da fé! Ó esponja, que lavas o mundo de seu pecado! Ó instrumento, que inscreves os fiéis no livro da vida!

Ó sinal, contradição para os infiéis, mas clareza para os fiéis! Ó mistério, escândalo para os judeus e loucura para os pagãos. Mas, para nós, Cristo é poder de Deus e sabedoria de Deus; e, como afirma o Apóstolo Paulo: O que é loucura de Deus é mais sábio que os homens (1Cor 1, 23-25). Nosso Senhor Jesus Cristo destruiu a morte, despojou a mansão dos mortos, deu a vida àqueles que estavam mortos. A ela a glória e o poder pelos séculos dos séculos. Amém.


São Proclo de Constantinopla, Bispo
Sermo 11, in sancta ac magna Paresceve
Patrologia Grega 65, 783-788