terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Quaresma, um tempo para conhecer Jesus



QUARESMA 2010

«Quaresma, um tempo para conhecer Jesus»


Jesus, o centro da Quaresma

O sagrado tempo da Quaresma, tempo de caminho para bem celebrar a santa Páscoa de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Jesus é o centro da Quaresma: é para nos unir a Ele no seu deserto que entramos neste caminho, é para ter seus sentimentos e atitudes e poder, assim, participar plenamente da celebração de sua Páscoa que caminhamos nestes quarenta dias de combate!

Portanto, viver com seriedade o tempo quaresmal é colocar-se espiritualmente a caminho para crescer naquele conhecimento interior de Jesus, conhecimento saboroso, conhecimento ungido pelo Santo Espírito, conhecimento que ultrapassa de muito o simples conhecimento exterior adquirido pelo estudo. Deste conhecimento bendito falou-nos a oração da Missa de hoje, que pedia a Deus: “que ao longo desta Quaresma possamos progredir no conhecimento de Jesus Cristo e corresponder ao seu amor por uma vida santa”.


Combate espiritual para conhecer Jesus

Não se chega a este conhecimento amoroso de Jesus sem combate espiritual, sem entrar com Ele no deserto para lutar, sem com Ele vencer nossas tentações.

Escutamos que o nosso Salvador lutou, queremos seguir o Salvador sem lutar? Escutamos que Ele jejuou, e desejamos ser seu discípulo numa vida fácil e sem disciplina interior e exterior, espiritual e corporal?

Vejamos como o Senhor combateu! Satanás propõe ao nosso Jesus um caminho que não é o do Pai, mas sim o da lógica humana: a facilidade de transformar pedra em pão e, assim, saciar-se, escapando da disciplina e da obediência na busca da vontade de Deus; propõe o caminho da aliança com os grandes, com os poderes do mundo para ser aceito e triunfar, ao invés do caminho da fidelidade humilde e trabalhosa ao desígnio do Senhor Deus; propõe o sucesso fácil, a qualquer custo, a busca do aplauso, ao invés da humildade de deixar que Deus seja o centro de nossa existência.

Em uma palavra: a grande tentação de Jesus era ser um Messias do seu jeito, do jeito de uma lógica humana e não do jeito de Deus! Mas, não é esta também a nossa tentação, não é este o nosso desafio: viver do nosso modo ao invés de viver do modo de Deus? Fazer do nosso jeito ao invés de convertermo-nos ao jeito do Senhor?

Eis o trabalho quaresmal: converter nossa vida ao Senhor, deixando-nos a nós, como Jesus deixou-se a si mesmo para abraçar o querer de Deus, como Jesus, por causa de Jesus e em Jesus! Isto é converter-se, isto é mudar de vida, isto é ser cristão real e verdadeiramente! Mas, não faremos tal passo sem reconhecer realmente que nossa vida é dom do Senhor e somente nele poderá ser plena.

Pensemos no fiel israelita da primeira leitura de hoje, que reconhece ser dom de Deus tudo quanto tem e, assim, humildemente, tudo coloca nas mãos do Senhor: “Por isso, agora eu trago as primícias da terra que tu me deste, Senhor!” – assim dizia o judeu piedoso, inclinando-se em adoração ante o Senhor! Assim também tu, cristão, deves fazer, confessando que Jesus é de verdade o Senhor – o teu Senhor – e crendo de verdade que Ele ressuscitou dos mortos! Se tu verdadeiramente fizeres de Jesus o teu rochedo e teu batente, se o invocares no caminho de tua vida, se não teimares em caminhar do teu modo, tu encontrarás em Jesus a salvação e com Ele vencerás toda a tentação e todo o mal. Cumprir-se-á em ti, então, a palavra do Salmista: “Nenhum mal há de chegar perto de ti, nem a desgraça baterá à tua porta!”.


Dom Henrique Soares da Costa
Bispo Titular de Acúfica e Auxiliar de Aracaju

QUARTA-FEIRA DE CINZAS – Esta cruz não é de quarenta dias, mas de toda a vida



QUARESMA 2010

4ª FEIRA DE CINZAS


«Esta cruz não é de quarenta dias, mas de toda a vida»


Iniciamos hoje a observância da Quaresma, como acontece todos os anos. É nosso dever dirigir-vos uma solene exortação, a fim de que a palavra de Deus, proferida por nosso ministério pastoral, alimente o coração daqueles que submeterão seus corpos ao jejum. Possa assim o homem interior, reconfortado por tal alimento, praticar a mortificação exterior, suportando-a com mais coragem. Com efeito, estando nós para celebrar a Paixão do Senhor, já tão próxima, convém à nossa devoção que façamos também para nós uma cruz, para nela refrearmos os prazeres.

Desta cruz deve pender continuamente o cristão no decorrer da vida tão cheia de tentações. Efetivamente, este não é um tempo oportuno para arrancarmos os cravos mencionados num Salmo: Penetras minha carne com os cravos de teu temor (Sl 118 [119], 120: Vulg.). A carne são os maus desejos; os cravos, os preceitos da justiça. Por meio deles, o temor do Senhor prega os nossos maus desejos, crucificando-nos como um sacrifício que lhe é agradável.

Por isso, diz também o Apóstolo: Eu vos exorto, irmãos, pela misericórdia de Deus a vos oferecerdes em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus (Rm 12, 1). Eis, pois, a cruz na qual não somente o servo de Deus não é confundido, mas também se gloria, dizendo: Quanto a mim, que eu me glorie somente na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo. Por ele, o mundo está crucificado para mim, como eu estou crucificado para o mundo (Gl 6, 14).

Esta cruz não deve permanecer apenas durante quarenta dias, mas por toda a vida. Moisés, Elias e o próprio Senhor jejuaram também quarenta dias. Eles, que representavam a Lei, os Profetas e o próprio Evangelho, indicam-nos desta maneira que não devemos nos conformar nem nos afeiçoar a este mundo, mas, sim, crucificar o velho homem.

Vive sempre desse modo, ó cristão, aqui no mundo. Se não quiseres afundar no limo da terra, não desças dessa cruz. Ora, se é assim que devemos proceder a vida inteira, quanto mais nestes dias da Quaresma! Cumpre, pois, não restringir a cruz a esses quarenta dias, mas transportá-la por toda a vida.


Santo Agostinho
Sermo 205, 1
Patrologia Latina 38, 1039-1040

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

NOSSA SENHORA DE LOURDES – As aparições em Lourdes - Parte I




NOSSA SENHORA DE LOURDES
11 de Fevereiro
Memória Facultativa

AS APARIÇÕES EM LOURDES

Parte I

O dia 11 de fevereiro de 1858 foi o dia escolhido para que o céu se fizesse presente na terra. Esse dia mudaria para sempre, não só a vida de Bernardete, mas marcaria o começo de uma fonte de graça que brotou para toda a humanidade. Fonte que só aumenta com o tempo.

A mãe de Bernardete permitiu que ela fosse, com sua irmã menor chamada Maria e com outra menina, ao campo para buscar lenha seca. O lugar preferido para recolher lenha era um campo que havia em frente à gruta. Bernardete por sua fragilidade física ficou para trás.

As companheiras haviam já atravessado o riacho mas Bernardete não se atrevia a entrar na água porque estava muito fria. As outras insistiam e quando ela começou a descalçar-se, um ruido muito forte, parecido a um vento impetuoso, a obrigou a levantar a cabeça e olhar para todos os lados.

Que é isto?,perguntava. As árvores estavam imóveis.

O ruido do vento começou de novo e mais forte ainda no lado da gruta. Y ali, no fundo da gruta, uma maravilhosa aparição se destacava diante dela. Nesse momento começaram a soar os sinos da Igreja paroquial e se ouvia o canto do Angelus.

Primera Aparição

Numa luz resplandecente como a do sol, mas doce e aprazível como tudo o que vem do céu, uma Senhora prodigiosamente bela se deixou ver por Bernardete. Vestia um traje branco, brilhante e de um tecido desconhecido, ajustado com uma cinta azul; um longo véu branco caía até os seus pés envolvendo todo o corpo. Os pés, de uma limpeza virginal e descalços, pareciam apoiarem-se sobre um roseiral silvestre. Duas rosas brilhantes, da cor de ouro, cobriam a parte superior dos pés da Santíssima Virgem. As suas mãos juntas sobre o peito estavam numa posição de oração fervorosa; tinha entre os dedos um longo rosário branco e dourado com uma bela cruz de ouro.

Tudo Nela irradiava felicidade, majestade, inocência, bondade, doçura e paz. A fronte era lisa e serena, os olhos eram azul celeste cheios de amor e os lábios mostravam suavidade e mansidão. A Senhora parecia saludá-la ternamente enquanto se inclinava ante Bernardete.

Bernardete buscou seu rosário (que trazia sempre em seu bolso), fazendo, como que para defender-se, o sinal da cruz, mas sua mão ficou paralisada. Nesse momento a Virgem tomou a cruz do rosário e fez o sinal da cruz e mostrou a Bernardete que fizesse como ela.

Nesse momento seu braço paralisado ficou livre. A Senhora começou a passar as contas do rosário entre seus dedos e Bernardete começou a rezar o seu. Ao terminar, a Virgem lhe fez sinais com o dedo para que se aproximasse e, entendendo o braço, se inclinou docemente e sorriu como que despedindo-se de Bernardete. A Visião havia desaparecido!

Bernardete perguntou às outras meninas se haviam visto algo e ao responderem que não, lhes contou sua experiência e lhes pediu silêncio. Mas a irmã de Bernardete contou a sua mãe, que não acreditou e ordenou à Bernardete que deixasse de imaginações e lhe proibiu regressar à gruta.
Nessa noite, enquanto rezavam o rosário em família, Bernardete rompeu em prantos, repetindo sua invocação favorita: "Oh, Maria, concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a Vós".

Segunda Aparição

No dia 14 de fevereiro, as meninas insistieram em que a mãe lhes desse permissão para voltar à gruta. Todos pensavam que o que havia se passado com Bernardete era um engano do mal, e então lhe disseram que fosse à gruta e aspergisse água benta. Assim afastaria o mal e ficariam tranquilos.

Quando chegaram à gruta, Bernardete lhes pediu que se ajoelhassem para rezar o Rosário. Apareceu de novo a Virgem. O rosto de Bernardete se transfigurou. Esta tirou a àgua benta e disse: "Se vens da parte de Deus, aproxima-te de nós". A água benta chegou até os pés da Virgem e sonrrindo com mais doçura se aproximou de Bernardete. Tomou o rosário e se persignou com ele. Começaram ambas a rezá-lo.

Ao entardecer já todo o povoado comentava as maravilhas que ocurriam na gruta de Lourdes, mas aos comentários se juntavam as troças, desprezos e insultos.

Terceira Aparição

Os pais de Bernardete começaram então a acreditar que ela jamais havia mentido pois sempre obedecia. Além disso a sua naturalidade os convenceu, a naturalidade com que ela descrevia os acontecimentos e seus menores detalhes.

Em 18 de fevereiro, uma senhora e uma religiosa desejavam acompanhar Bernardete à gruta. Foram com ela primeiro à Santa Missa das 5:30h e dali se dirigieram à gruta. Bernardete caminhava tão rápido que parecia como se uma força superior a empurrasse até lá.

Se ajoelhou, começou a oração do rosário, lançando então um grito de júbilo ao ver no fundo da gruta a Senhora. Perguntou-Lhe se suas duas acompanhantes podiam ficar e a Virgem disse que sim. Elas também se ajoelharam e se puseram a rezar enquanto acendiam uma vela benta.

Bernardete passou um papel à Virgem pedindo-Lhe que escrevesse qualquer coisa que desejava comunicar-lhes.

A Virgem lhe disse: "O que tenho que comunicar não é necessário escrever. Faz-me unicamente o favor de vir aqui durante quinze dias seguidos". Bernardete prometeu e a Virgem respondeu: "Eu também te prometo fazer-te feliz, não certamente neste mundo, mas no outro".

A QUINZENA MILAGROSA

A notícia das aparições se espalhou rapidamente e uma grande multidão acudiu à gruta.

19 de fevereiro: Bernardete chegou à gruta acompanhada de seus pais e uma centena de pessoas. A partir deste dia, ia a todas as aparições com uma vela acesa.

20 de fevereiro: Por volta de 500 pessoas a acompanhavam.

21 de fevereiro: Milhares de pessoas enchiam todos os arredores da gruta. Houve um momento em que a aparição parecia estar mais para trás, como que a fundir-se no interior da roca. Para não perdê-la de vista, Bernardete foi aproximando-se de joelhos. Observou que a Virgem tinha ficado triste e lhe perguntou: O que acontece?, O que posso fazer? A Virgem respondeu: "Roga pelos pecadores".

Bernardete era objeto de toda classe de zombarias, perseguições e ofensas. Inclusive as autoridades civis se envolveram no assunto. O comissário chegou a detê-la para um longo exame. Ameaçou-a com a prisão se continuasse indo à gruta. Um dos principais médicos de Lourdes se dedicou a estudá-la, observá-la e examiná-la, chegando à conclusão de que em Bernardete não havia nenhum sinal de alucinação, histeria ou fuga da realidade. Disse assim: "Aqui há um fato extraordinário, totalmente desconhecido à ciência e à medicina".

Entretanto, as perseguições não terminaram; a polícia continuou tratando-a indignamente. O Pároco de Lourdes a defendeu energicamente. E em tudo isso Bernardete se manteve firme mas com humildade, nunca tomando uma posição defensiva, nem de ataque contra ninguém.

22 de fevereiro: A Virgem não apareceu. Todos fizeram troça de Bernardete. Ela chorava pensando que talvez havia cometido alguma falta e que por isso a Virgem não lhe havia aparecido. Mas tinha a firme esperança de voltar a vê-la.

Uma das coisas que mais surpreendia as pessoas era ver a uma humilde e simples pastorzinha, carente de adequada educação, saudar com graça e dignidade à Virgem no término da aparição. Uma vez lhe perguntaram: "Diga-me, quem te ensinou a fazer saudações tão graciosas?". "Ninguém, respondeu, não sei como fiz, apenas trato de fazer como faz a Senhora e ela me saúda deste modo quando vai embora."


Fonte:
Corazones

(CONTINUA)

NOSSA SENHORA DE LOURDES – As aparições em Lourdes - Parte II



NOSSA SENHORA DE LOURDES
11 de Fevereiro
Memória Facultativa

AS APARIÇÕES EM LOURDES

Parte II

(Continuação)

23 de fevereiro: Primeira vez em que a Virgem formula uma ordem concreta. Ante 10 mil perssoas a Virgem dá a Bernardete um segredo que só a ela concerne e que não pode revelar a ninguém. Também lhe ensinou uma oração que lhe fazia repetir, mas que não quis que a desse a conhecer.

A Virgem lhe disse: "E agora, filha minha, vá dizer aos sacerdotes que aqui, neste lugar, deve levantar-se um Santuário, e que a ele devem vir em procissão". Bernardete se dirigiu imediatamente até a Igreja para dar a mensagem ao Pároco. O sacerdote lhe perguntou o nome da Senhora, e Bernardete lhe respondeu que não sabia.

Despois de escutá-la, o Pároco lhe disse: "Podes comprender que não pode bastar-me apenas o teu testemunho; diga a essa grande Senhora que se dê a conhecer; se á a Virgem, que l manifeste mediante um grande milagre. Não dizes que te aparece encima de um roseiral silvestre? Então diga-lhe de minha parte, que se quiser um Santuário, que faça florescer o roseiral¨.

24 de fevereiro: Todos quiseram saber o que aconteceria com o pedido do Pároco e se a Virgem faria o milagre do roseiral. Bernardete como sempre chegou à gruta e se ajoelhou, sem prestar nenhuma atenção às pessoas que iam por curiosidade. Bernardete contou à Virgem o que o sacerdote lhe havia pedido. A Virgem só sorriu, sem dizer uma palavra. Despois mandou- a rogar pelos pecadores, exclamando três vezes: Penitência, Penitência, Penitência! E fez Bernadete repetir estas palabras e Bernadete o fazia enquanto se arrastava de joelhos até o fundo da gruta. Ali, a Senhora lhe revelou um segredo perssoal e depois desapareceu.

Bernardete por humildade não relatou todos os detalhes, mas testemunhas contaram que também a viram beijar a terra a intervalos. A Virgem lhe havia dito: "Rogarás pelos pecadores. Beijarás a terra pela conversão dos pecadores". Como a Visão retrocedia, Bernardete a seguia de joelhos beijando a terra, e em um momento se voltou para as pessoas e lhes fez sinais: "Beijem também a terra".

Desde então foi encomendada a Bernardete a penitência pelos pecadores. Um dia a Virgem a mandou subir e descer várias vezes a gruta de joelhos. A Virgem tinha um rosto triste. "A Virgem me mandou por mim y pelos demais" disse ela.

25 de fevereiro: A Visão lhe disse: "Filha minha, quero confiar-te e somente a ti, o último segredo. Como os outros dois, não revelarás a nenhuma pessoa deste mundo".

Depois de um momento de silêncio, a Virgem disse: “E agora, vá beber e lavar os pés na fonte, e come da erva que há ali”. Bernardete olhou ao redor e, não vendo nenhuma fonte, pensou que era o riacho e se dirigiu para lá. Mas a Virgem a deteve e lhe disse: "Não lá, mas na fonte que está aqui", mostrando-lhe o fundo da gruta. Para lá foi e buscou com a vista a fonte, não encontrando-a. Querendo obedecer, olhou a Virgem. A um novo sinal se inclinou e, cavando a terra com a mão, fez um buraco. De repente o fundo daquela cavidade se umedeceu e, vindo de profundidades desconhecidas através das pedras, apareceu uma água que logo encheu o buraco. Bernardete então levou a água misturada com terra, três vezes a boca, sem bebê-la. Mas vencendo sua natural repugnância, bebeu e molhou também o rosto. Todos começaram a rir dela e a dizer que tinha ficado louca. Mas, misteriosos desígnios de Deus, com sua débil mão acabava Bernardete de abrir, sem saber, o manancial das curas e dos milagres que tanto comoveram a humanidade.

A água milagrosa de Lourdes foi analisada por grandes químicos:

É uma água virgem, muito pura, uma água natural, que carece de toda propriedade térmica. Ademais tem a peculiaridade que nenhuma bactéria sobrevive nela. - Símbolo da Imaculada Conceição, em cujo ser nunca houve mancha de pecado original nem pessoal.

26 de fevereiro: A água milagrosa fez o primeiro milagre. O bom Pároco de Lourdes havia pedido um sinal, e em vez do muito pequeno sinal que ele havia pedido, a Virgem acabava de dar-lhe um muito maior, e não só para ele, mas para todo o povoado.

O primeiro milagre de cura

Havia em Lourdes um pobre operário de pedreira, chamado Bourriette, que 20 anos antes havia tido o olho esquerdo horrivelmente mutilado pela explosão de uma mina. Era um homem muito honrado e muito cristão. Mandou a filha buscar a água da nova fonte e se pôs a rezar. E mesmo suja, esfregou-a no olho. Começou a gritar de alegria. As trevas haviam desaparecido e só no havia um ligeiro nublado, que foi sumindo ao seguir lavando. Os médicos haviam dito que ele jamais se curaria. Ao ser examinado de novo não restou mais que chamar ao sucedido de: milagre. E o maior de tudo foi que o milagre havia deixado as cicatrices e lesões da ferida, mas ainda assim devolvido a visão.

A primeira vela na gruta de Lourdes

Um dia no final da aparição, Bernardete pediu uma vela a sua tia que a acompanhava para deixá-la acesa na gruta. Então se dirigiu ao fundo da gruta e a deixou acesa na pedra. Esta vela talvez naquele momento tenha sido a única, mas agora são milhões as que ardem constantemente ante a imagem da Virgem. A vela acesa é um belo símbolo: a cera branca e virgem de que é feita sempre representou a humanidade que Cristo tomou de Maria, e que unida à Divinidade é a Luz do mundo. Como a cera da vela, esta humanidade sagrada se consumirá diante de Deus em adoração, súplicas e ação de graças. A luz da vela resplandecente e radiante simboliza a Divinidade do Filho de Maria. A vela acesa representa igualmente o cristão que, iluminado pela fé deve consumir-se diante de Deus como vítima de amor.

2 de março: Bernardete foi de novo ver o Pároco de Lourdes, recordando-lhe a petição da Virgem de se levantar um Santuário no lugar das aparições. O Pároco respondeu que isso era obra do Bispo, que já estava inteirado da petição e seria o encarregado de cumprir o desejo celestial da Visão.

4 de março: seguindo seu costume, Bernardete, antes de dirigir-se à gruta, assistiu a Santa Missa. Ao final da aparição, teve uma grande tristeza, a tristeza da separação. Voltaria a ver a Virgem?

A Virgem, sempre generosa, não quis que o dia terminasse sem uma manifestação de sua bondade: um grande milagre, um milagre maternal, coroação da quinzena de aparições: um menino de dois anos, chamado Justino, estava já agonizando. Desde que nasceu tinha uma febre que ia pouco a pouco consumindo sua vida. Seus pais, nesse dia, o acreditavam morto. O menino não dava sinais de vida. A mãe em seu desespero o levou à fonte e o meteu 15 minutos na água que estava muito fria. Ao chegar em casa, notou que se ouvia com normalidade a respiração do menino. No dia seguinte, Justino despertou com a tez fresca e viva, seus olhos cheios de vida, pedindo comida e suas pernas fortalecidas. Este fato comoveu toda a comarca e logo toda a França e Europa; três médicos de grande fama certificaram o milagre, chamando-o de primeira ordem.

Então o governador reuniu a todos os alcaldes da zona para dar instruções precisas de proibir de imediato a ida de todo cidadão à gruta. Tudo foi em vão; cada dia acudiam mais peregrinos de todas as partes.

Não obstante as perseguições, as troças e as injúrias, Bernardete continuava visitando a Gruta. Ia rezar o Rosário com os peregrinos. Mas a doce visão não aparecia. Ela já estava resignada a não voltar a ver a Virgem.

Em 25 de Março, dia da Anunciação, Bernardete se sentiu fortemente movida a ir à Gruta. Muito contente obedeceu a esse chamado de seu coração e foi imediatamente. Como era uma data solene, os peregrinos tinham a esperança de que a Virgem aparecesse e quando chegou Bernardete se assombrou com a quantidade de pessoas que encontrou. Este dia 25, na história das aparições, foi um dia de glória. Bernardete voltou a perguntar à Senhora: "Queres ter a bondade de dizer-me quem és e qual é teu nome?". A Visão resplandecia mais que nunca, sorrindo sempre e sendo seu sorriso a única resposta. Bernardete insistiu: " Queres dizer-me quem és?, eu te suplico Senhora minha". Então, a Senhora afastou sua vista de Bernardete, separou suas mãos, fez deslizar em seu braço o rosário que tinha em seus dedos, levantou ao mesmo tempo suas mãos e sua cabeça radiante e, juntando suas mãos diante do peito, sua cabeça mais resplandecente que a luz do sol, dirigiu o olhar ao céu e disse: "EU SOU A IMACULADA CONCEIÇÃO", E assim desapareceu, deixando em Bernardete esta imagem e este nome.

Bernardete, ouvia pela primeira vez essas palavras. Enquanto se dirigia à casa paroquial, para contar ao Pároco, ela ia por todo o caminho repetindo "Imaculada Conceição", essas palavras tão misteriosas e difíceis para uma menina analfabeta. Quando o Pároco ouviu o relato de Bernardete ficou assombrado. Como podia uma menina sem nenhuma instrução religiosa saber o Dogma que só uns 4 anos antes a Igreja havia promulgado? Em 1854, o Papa Pio IX havia definido o Dogma da Imaculada Conceição. O sacerdote comprovou que Bernardete não se havia enganado, era Ela, a Virgem Santíssima, a Soberana Mãe de Deus quem lhe aparecia na gruta.

5 de Abril: Bernardete volta à gruta, rodeada de uma verdadeira multidão de pessoas que rezavam com ela. Ajoelhada como de costume, tinha na mão esquerda, a vela acesa que lhe acompanhava em todas as ocasiões e a apoiava no chão. Absorta na contemplação da Rainha dos céus, sabendo agora que era a Virgem Santíssima, levantou suas mãos e as deixou cair um pouco, sem notar que as tinha sobre a chama da vela, que começou a passar entre seus dedos e a elevar-se acima deles, oscilando de um lado para o outro, segundo o vento. Os que estavam ali gritavam: "se queima". Mas ela permanecia imóvel. Um médico que estava perto de Bernardete olhou o relógio comprovando que por mais de um quarto de hora a mão esteve em meio à chama, sem fazer ela nenhum movimento. Todos gritavam: Milagre! O médico comprovou que a mão de Bernardete estava ilesa. Despois que a aparição terminou, um dos espectadores aproximou da mão de Bernardete a chama da mesma vela acesa e ela exclamou: "Oh, que quer, queimar-me?.

Última Aparição

Foi no dia 16 de Julho, dia da Virgem do Carmo. Bernardete se sente de novo movida a ir à gruta, que está cercada, vigiada e proibida. Vai acompanhada de uma tia e umas senhoras. Ao chegarem se ajoelham o mais perto possível da gruta mas sem poder chegar a ela. Bernardete recebe a última visita da Virgem e disse: "Nunca havia aparecido tão gloriosa".

Bernardete havia cumprido sua missão com grande amor e valentia ante todos os sofrimentos que teve que enfrentar e ante todos os obstáculos que teve que vencer. Seu confessor disse repetidamente: "A melhor prova das aparições é a própria Bernardete e sua vida".


Fonte:
Corazones

NOSSA SENHORA DE LOURDES – Resumo da Mensagem da Virgem de Lourdes



NOSSA SENHORA DE LOURDES
11 de Fevereiro
Memória Facultativa

RESUMO DA MENSAGEM DA VIRGEM DE LOURDES

A Mensagem que a Santíssima Virgem deu em Lourdes, na França, em 1858, pode ser resumida assim:

1-É um agradecimento do céu pela definição do Dogma da Imaculada Conceição, que havia sido declarado quatro anos antes (1854), ao mesmo tempo que assim se apresenta Ela mesma como Mãe e modelo de pureza para o mundo que está tão necessitado desta virtude.

2-É uma exaltação às virtudes da pobreza e humildade aceitas cristãmente ao escolher a Bernardete como instrumento de sua mensagem.

3-Uma mensagem importantíssima em Lourdes é a da Cruz. A Santíssima Virgem repete que o importante é ser feliz na outra vida, embora para isso seja preciso aceitar a cruz.

4-Importância da oração, do rosário, da penitência e humildade (beijando o solo como sinal disso); também uma mensagem de misericórdia infinita para os pecadores e de cuidado dos enfermos.

Alguns pontos de reflexão sobre os sinais visíveis da primeira aparição

Nesses sinais há um grande ensinamento espiritual:

1-Rodeada de luz: é o símbolo da luz da fé, a qual nos abrimos pelo Batismo. A fé é a luz da vida com a qual devemos brilhar ante o mundo. Devemos fazer resplandecer a fé pela santidade de nossas vidas.

2-A luz era tranquila e profunda: na fé cristã acharemos o repouso para nossa alma.

3-De beleza incomparável, não há nada igual aqui na terra: trabalhar intensamente para adquirir a verdadeira beleza que é a da alma, a fim de que Deus possa contemplar-nos com agrado.

4-Roupa tão branca, tão pura, tão delicada que jamais tela alguma pôde reproduzir: de que pureza tão perfeita e delicada há de estar revestida nossa alma diante de Deus, já que o pecado mancha nossas roupas brancas.

5-Pés desnudos, brilhando e sobre cada um deles uma rosa luminosa: Os pés desnudos nos pregam a pobreza evangélica, esta bela e sublime virtude a qual Jesus prometeu o Reino dos Céus. As rosas luminosas: Jesus nos envia a difundir por todas as partes o bom odor de Cristo, o divino perfume do Evangelho.

6-As mãos sempre juntas, com o santo rosário: em fervorosa oração, rezando sempre e sem interrupção. A oração é nosso alimento constante, a respiração da alma, pois todas as virtudes nascem em uma alma que reza.

Inúmeras Curas

Há pelo menos 66 histórias clínicas que documentam cientificamente os milagres. Inúmeras mais sem dúvida ocorreram e continuam ocorrendo mas não tomam parte da documentação do Santuário, a qual é rigorosa ao extremo. Também há inumeráveis curas da alma que são as mais importantes.

Fonte:
Corazones

NOSSA SENHORA DE LOURDES – Orações antigas



NOSSA SENHORA DE LOURDES
11 de Fevereiro
Memória Facultativa

ORAÇÃO ANTIGA I

Sede para sempre Bendita, Puríssima Virgem, que vos dignastes aparecer até oito e dez vezes, muito resplandecente de luz, doçura e formosura na solitária gruta, e dizer à humilde menina que vos contemplava extasiada: "Eu sou a Imaculada Conceição".

Sede para sempre Bendita por todos os extraordinários favores que não cessais de derramar nesse lugar.

Pela ternura de vosso Imaculado Coração, oh Maria, e pela glória que destes à Santa Igreja, vos conjuramos para realizeis as esperanças de paz que fez nascer a proclamação do Dogma de vossa Imaculada Conceição.

_______


ORAÇÃO ANTIGA II

Puríssima Rainha dos anjos; Águia Real que chegaste a contemplar tão imediatamente ao Sol de incriada Justiça, Jesus Cristo Nosso Senhor; Aurora da Eterna Luz, vestida sempre com os fulgores da graça; Centro do Amor Divino, onde achou sua complacência a Trindade Beatíssima; Cidade Santa, onde não entrou coisa manchada, e fundada sobre os mais altos montes da santidade; Jerusalém Celestial, idealizada na mesma glória e iluminada com a Claridade de Deus.

Por estes títulos de tua Concepção Puríssima, eu te suplico, Rainha minha, que como Águia Real me ampares debaixo das asas de tua proteção piedosa; como Aurora da graça esclareças e ilumines com teus fulgores a minha alma; como Centro do Amor acendas minha vontade para que arda no Divino; e que me admitas benigna como tua fiel moradora na Jerusalém triunfante, da que és Rainha excelsa.

Ouvi, Senhora, meus rogos, e pelo grande privilégio de tua Concepção em graça, concede-me fortaleza para vencer minhas paixões, e especialmente a que mais me combate; pois com tua intercessão e com o auxílio da graça, proponho empreender a luta até alcançar a vitória. Virgem Santíssima que da dura pedra fizeste brotar água milagrosa, que cura as enfermidades do corpo e da alma! Arranca, poderosíssima Senhora, de nosso endurecido coração, lágrimas de verdadeira penitência, para que lavem a lepra da alma, a fim de que o Senhor nos perdoe. Por meu Senhor Jesus Cristo que vive e reina pelos séculos dos séculos. Amém.


NOTA: Ambas as orações foram recolhidas de um antigo devocionário em espanhol, publicado em Paris ao final do século XIX, pouco tempo depois das aparições de Lourdes, em 1858. A primeira recebeu a aprovação do Bispo de Tarbes em 30 de outubro de 1867.


Fonte:
Devocionário Católico


FESTA DE NOSSA SENHORA DE LOURDES – Vídeo Salve Regina de Lourdes



NOSSA SENHORA DE LOURDES
11 de Fevereiro
Memória Facultativa


VÍDEO SALVE REGINA DE LOURDES







FESTA DE NOSSA SENHORA DE LOURDES – Pedidos de oração direto à Gruta de Lourdes por email


NOSSA SENHORA DE LOURDES
11 de Fevereiro
Memória Facultativa


PEDIDOS DE ORAÇÃO DIRETO
À GRUTA DE LOURDES POR EMAIL

Clique na imagem


WEBCAM DIRETO DE LOURDES

Clique na imagem

Doce Senhora de Lourdes, rogai por nós!


sábado, 6 de fevereiro de 2010

A santidade é simples - Parte I



A santidade é simples-Parte I

«Todos os caminhos do Senhor são misericórdia e verdade, graça e fidelidade» Sl 24, 10

Sede perfeitos, sede santos, nos diz a todos sem exceção o Senhor. Sabia bem Deus a quem dava este preceito, pois somos suas criaturas, obra de suas mãos: ‘Tuas mãos me fizeram e me plasmaram’ (Jó 10, 8). Embora as condições humanas sejam tão diversas, Deus não faz nenhuma exceção e nos diz a todos igualmente: Sede santos. Se em meio a tão diversas situações como nos encontramos, Deus, Sabedoria por essência, nos manda a todos ser santos sem fazer distinção, não há de ser a santidade tão difícil como à primeira vista parece.

Se os santos são poucos é porque a maior parte dos cristãos não tem um conhecimento exato da santidade. ‘As vias do Senhor são todas misericórdia e verdade’ (Sl 24, 10). Somente por falta de uma segura convicção de que são estes unicamente os caminhos de Deus, é que muitas almas não chegam à santidade.

As misericórdias do Senhor são sem número e Ele as derramou sem medida nos caminhos por onde Ele mesmo nos manda caminhar para ir até Ele.

Deus é Verdade. Seu Reino está fundado na verdade, só pode reinar nas almas que andam em verdade. Andar em verdade quer dizer estimar a santidade pelo que ela é e não pelo que imaginamos que seja. Assim não pareceria a muitos tão difícil alcançá-la.

Estejamos certos de que nesses formosos caminhos de santidade, traçados pelas paternais mãos de Deus, cheios todos de luz, de misericórdia e de verdade, não há as dificuldades que parece haver. Somos nós que os fazemos difíceis por não conhecê-los bem. Se se conhecesse com todos os seus atrativos, então os santos seriam coisa comum. Especialmente entre religiosos que vivem em um estado mais propício à santidade e também entre os leigos que não vivem segundo as máximas do mundo, senão que colocam acima de tudo os seus interesses eternos, buscando a Deus e sua justiça.

Por que não é assim? Por que são tão poucas as pessoas cheias do Espírito de Deus, junto às quais se respira santidade? O que falta a tantas almas boas para que exalem esse perfume celestial e atraiam a todos os que se aproximam, levando-os a Deus? O que lhes falta se são tão boas que não se sabe o que mais desejar nelas? O que lhes falta é que o Senhor as tenha feito gostar das ternuras de seu amor, que as tenha admitido às intimidades ocultas, inexplicáveis, que transformam e divinizam a pobre criatura que, ao ver-se tão amada por Deus, não lhe sobra mais que a admiração e o silêncio, desejo ardente de que todos provem estas divinas delícias, uma vez que depois já não lhe apetecem outras coisas e logo perde o gosto por tudo o mais.

Almas boas, almas santas!...Todas as que sentem ânsias de Deus, da perfeição, de ir adiante nos caminhos do Senhor. Almas santas sois pois por tais os tem o Coração de Jesus. Mas Ele sofre por não poder estreitá-los contra seu peito, fazê-los experimentar seus abraços divinos. E não pode. Se encontra detido por vossa pusilanimidade.

Deste Fogo Divino está encarregada a Virgem Maria de distribuí-lo e comunicá-lo às almas. Quanto não deverá sofrer esta Mãe de amor e misericórdia ao ver quão pouco é o que impede a tantas almas o ser incendiadas e por esse Fogo abrasadas e transformadas em Jesus, seu Divino Filho?

Senhor, permita que, em união com Maria, me compadeça de tua dor na sede de amor que te consome! Quanto sofres pelas almas! E só pelas más, mas também pelas boas, pelas que são teu povo escolhido.


J. Pastor
“La Santidad es amor”
Libro I, pp. 21-24
Eds.Anaya, Salamanca, 1973

(Continua)

A santidade é simples - Parte II



A santidade é simples-Parte II


O QUE PEDE O SENHOR

O que pede Jesus às almas? Amor! ‘Se alguém me ama, meu Pai o amará e viremos a ele e nele faremos nossa morada’ (Jo 14, 23).

Se me amas... Eis aqui a única condição que nos pede o Senhor para sermos amados e visitados por Ele, para vir a nossa alma e estabelecer nela a sua morada. Isso é a verdadeira santidade: união com Deus. E esta união só se realiza amando. Amor é a única coisa que o Senhor nos pede para poder realizá-la.

A maior parte das pessoas boas e também dos religiosos, se fixam mais no acidental da santidade que no essencial, que é esta união da alma com Deus. Bem entendida esta verdade, se simplifica sumamente e se faz mais fácil o trabalho da própria santificação. Quanto trabalha e que pouco se adianta quem que não dá a esta verdade a importância que merece e se dedica a obras exteriores, trabalhos, fadigas e penas. Esses meios nem sempre são necessários para se chegar ao fim que se busca: a santidade.

Na teoria, todos sabem e dizem que é assim. Mas na prática, são muito poucos os que conhecem e entendem que a santidade é coisa tão íntima e secreta que alguém pode ser santo e muito santo sem que nada apareça de extraordinário em seu exterior.

A maioria das pessoas, embora piedosas, quando ouvem falar que alguém é ‘um santo’, se sentem movidas pelo desejo de vê-lo, e o observam para comprovar se, como os demais, come, dorme e fala. Que mentirosos são os homens em seus louvores! ‘Como um sopro são os homens; uma mentira os filhos dos homens’ (Sl 61, 10). Coisa boa é ver e desejar, conhecer e viver com pessoas santas. Mas a maior parte que tem este desejo, o tem por carecer de um conhecimento exato do que é a santidade. É uma curiosidade inútil pois de nada lhes servirá; e bem o demonstram as suas obras depois de satisfeito seu desejo.

Se estivéssemos convencidos de que a santidade é algo espiritual, interior, íntimo, como é a união de nossa alma com Deus, não haveria tanto afã como há por estas exterioridades e por querer medir, segundo estas, a maior ou menor santidade.

Quão bom e necessário é pedir a miúdo ao Senhor que nos mostre seus caminhos e nos ensine os meios que a ele conduzem: ‘Mostra-me, Senhor, os teus caminhos; adestra-me em tuas sendas’ (Sl 24, 4). Quantos poderiam voar pela via do amor e ser logo admitidos às intimidades do Senhor, se se despojassem dessas idéias errôneas. Quão bom e quão agradável seria a Deus que todos disséssemos frequentemente, do mais fundo do coração: Senhor, me bastam vossos divinos ensinamentos, os exemplos que por Vós mesmo e por vossos santos me haveis dado para conhecer o caminho que hei de seguir para santificar-me. Bastam-me os infinitos prodígios que fizestes para atrair-me ao vosso amor. Permanecestes escondido sob a cortina da fé nas humilhações de vossa Paixão e Morte no Sacramento do altar, nas ocultas operações de vossa graça na santificação das almas.

Já fizestes bastante, já nos destes provas suficientes de vosso amor que nos obriguem a amá-Lo.

Já creio, Jesus meu, creio em vosso amor por mim e vos amo com todo o meu coração. Eu vos amo e quero amar-vos, servir-vos e adorar-vos em ‘espírito e verdade’, tomando por guia vosso Santo Evangelho e por companheiros de meu caminho a Fé e o Amor.

A Fé e o Amor descobrirão então grandes prodígios, sem necessidade de ir buscá-los longe. Assistindo a Missa, em menos de meia hora, se realizarão ante nossos olhos os mais estupendos prodígios que possa fazer um Deus. À voz de uma pobre criatura, descerá o Verbo Eterno do mais alto dos céus para morrer misticamente outra vez, como sobre o Calvário, Vítima de nossos pecados, para fazer-se nosso alimento e permanecer em sua prisão de amor, e ser nosso companheiro, nosso guia, nossa luz no difícil caminho da vida.


J. Pastor
“La Santidad es amor”
Libro I, pp. 21-24
Eds.Anaya, Salamanca, 1973

(Continua)

A santidade é simples - Parte III



A santidade é simples-Parte III


DISPONHAMOS A ALMA

Quando deixar a matéria do corpo, nosso espírito, livre de erro e mentira, conhecerá tal como é em Deus em verdade; então, veremos quanto nos equivocamos em julgar segundo as aparências ou conforme o sentir humano. Conheceremos então, quanta diferença haverá no grau de santidade entre aqueles a quem vimos praticar o que todos praticam, entre aqueles que levaram uma vida de sacrifícios, que moraram na mesma casa ou na mesma religião.

Abramos os olhos porque, todavia, ainda há tempo; mas esse tempo é curto. A graça não nos falta e não falta a ninguém. Está em nossas mãos se quisermos. Que não se diga de nós o que disse o Apóstolo São João: ‘A luz resplandece em meio às trevas e as trevas não Lhe receberam’ (Jo 1, 5). Todos os que andam em erro andam em trevas. Deus manda sua Luz não para iluminar somente alguns, mas para todo homem que vem a este mundo. Recebamo-la, pelo menos nós, seu povo escolhido. Que não se aplique a nós essa amarga repreensão do Apóstolo: ‘veio a sua própria casa e os seus não o receberam’(Jo 1, 11).

Receber ao Senhor é abrir os olhos e aceitar a verdade. Uma vez recebida a verdade, Deus está em sua casa. As coisas espirituais se hão de julgar segundo o espírito e não segundo os sentidos. A fé nos levará até Deus. E Ele, que nada deseja tanto quanto revelar-nos estes mistérios de amor e de verdade, logo dirá com sua voz criadora às trevas que obscurecem nossa alma: ‘Faça-se a Luz’ (Gn 1, 3). E tudo ficará iluminado ante nossos olhos e se nos apresentarão em seguida as coisas sob um aspecto muito
diferente.

O que a nós pertence no trabalho de nossa santificação é dispor nossa alma para a união com Deus. Este trabalho não é tão difícil como parece, se se entende bem. A muitos parece muito difícil por acreditarem que é preciso fazer muito, e por isso desanimam e não conseguem entregar-se a ele com a generosidade necessária. Mas não é assim. Em vez de ter que acrescentar ao que fazíamos, tem que ir tirando os impedimentos para que Deus possa fazer o que fazíamos. Pois aqui se fala daqueles que já praticam obras boas e daqueles em que não há nada grave que se tire.

Não tenhamos medo. Jesus é Bom, quer amor e deixa cada um seguir as suas inclinações, suas tendências e atrativos naturais e adquiridos.

Suave é o Senhor em sua obra. Em nada violentará a nossa vontade. Embora nos queira todos para si, o fará com uma suavidade tal que apenas nos daremos conta de que é a sua mão divina que opera em nós.

O que Ele quer é que em tudo o que façamos vamos pouco a pouco suprimindo o defeituoso, o imperfeito; e isso o Espírito do Senhor nos irá mostrando à medida que façamos a nossa parte.


J. Pastor
“La Santidad es amor”
Libro I, pp. 21-24
Eds.Anaya, Salamanca, 1973

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

APRESENTAÇÃO DO SENHOR - Simeão veio ao templo e, conduzido pelo Espírito, tomou o menino nos braços



APRESENTAÇÃO DO SENHOR
02 DE FEVEREIRO
FESTA


«Simeão veio ao templo e, conduzido pelo Espírito, tomou o menino nos braços. Se procuraste bem Jesus, então também tu virás ao templo»


"Simeão veio ao templo, conduzido pelo Espírito". E tu, se procuraste bem Jesus, por toda a parte, quer dizer, se - como a Esposa do Cântico dos Cânticos (Ct 3,1-3) – o procuraste escondido no teu repouso, quer lendo, quer meditando, se também o procuraste na cidade, interrogando os teus irmãos, falando dele, partilhando acerca dele, se o procuraste nas ruas e nas praças aproveitando as palavras e os exemplos dos outros, se o procuraste junto das sentinelas, isto é, escutando os que atingiram a perfeição, então também tu virás ao templo, “conduzido pelo Espírito”. Certamente que esse é o melhor lugar para o encontro entre o Verbo e a alma: procuramo-lo por toda a parte, encontramo-lo no templo… “Encontrei aquele que a minha alma ama” (Ct 3,4). Procura, pois, por toda a parte, procura em tudo, procura junto de todos, passa e ultrapassa tudo para finalmente entrares na tenda, na morada de Deus, e então encontrá-lo-ás.

“Simeão veio ao templo, conduzido pelo Espírito”. Portanto, quando os seus pais levaram o Menino Jesus, também ele o recebeu nas suas mãos: eis o amor que prova pelo consentimento, que se prende pelo abraço, que saboreia pelo afeto. Oh, irmãos, que aqui se cale a língua. Aqui nada é mais desejável do que o silêncio: são os segredos do Esposo e da Esposa, o estrangeiro não poderia tomar parte neles. “O meu segredo é meu, o meu segredo é meu!” (Is 24,16). Onde está, para ti, o teu segredo, Esposa que foste a única a experimentar qual é a doçura que se saboreia quando, num beijo espiritual, o espírito criado e o Espírito incriado vão ao encontro um do outro e se unem um ao outro, a tal ponto que são dois em um, melhor, diria eu, um só, justificante e justificado, santificado e santificante, divinizante e divinizado?

Pudéssemos nós merecer dizer também o que se segue : "Agarrei-te e não mais te largarei" (Ct 3,4). Isso, S. Simeão mereceu-o, ele que disse : "Agora, Senhor, podes deixar o teu servo partir em paz". Quis que o deixassem partir, liberto dos laços da carne, para apertar mais intimamente com o abraço do seu coração Jesus Cristo nosso Senhor, a quem pertence a glória e a honra pelos séculos sem fim.


S. Aelred de Rievaulx, Monge cisterciense
In Ypapanti Domini, pp. 51-52
(Sermões inéditos)

FESTA DA APRESENTAÇÃO DO SENHOR - Oferecei vosso Filho, ó Virgem Santa, apresentai ao Senhor o bendito fruto de vosso seio



APRESENTAÇÃO DO SENHOR
02 DE FEVEREIRO
FESTA


«Oferecei vosso Filho, ó Virgem Santa, apresentai ao Senhor o bendito fruto de vosso seio. Oferecei a Hóstia Santa e Agradável a Deus, pela reconciliação de todos nós»


“Oferecei vosso Filho, ó Virgem Santa, apresentai ao Senhor o bendito fruto de vosso seio. Oferecei a Hóstia Santa e Agradável a Deus, pela reconciliação de todos nós. Certamente aceitará Deus Pai a nova oblação, a preciosíssima vítima de quem Ele próprio disse: ‘Eis o meu dileto Filho em quem pus minhas complacências’.

Também eu, Senhor, voluntariamente vos oferecerei meu sacrifício, já que voluntariamente vos oferecestes, não por necessidade vossa mas para minha salvação. Só duas pobres coisas tenho, ó Senhor: meu corpo e minha alma. Quem me dera vo-los oferecer dignamente, em sacrifício de louvor!

Melhor, muito melhor para mim oferecer-me a Vós do que ser abandonado a mim mesmo. Se ficar só, agita-se minha alma. Mas assim que me ofereço a Vós com plena submissão, exulta em Vós meu espírito. Não quereis, ó Senhor, minha morte; e não vos ofereceria eu, de bom grado, minha vida? É, de fato, minha vida, hóstia que aplaca vossa ira, hóstia que vos agrada, hóstia viva”.


São Bernardo de Claraval
In Purificazione B.V. Mariae, 3, 2-3
Sermoni per le feste della Madonna, Ed. Paoline, Roma, 1970

APRESENTAÇÃO DO SENHOR - A apresentação de Jesus no Templo recorda o reconhecimento que se deve ao Criador por toda a vida humana



APRESENTAÇÃO DO SENHOR
02 DE FEVEREIRO
FESTA

«Um ancião homem de Deus, Simeão, toma Jesus nos braços e indica n’Ele a salvação que chegou para Israel e para todos os povos: a Luz das nações»

Hoje, Festa da Candelária, recordamos a apresentação de Jesus no Templo. Maria e José, quarenta dias depois do nascimento de Jesus, foram a Jerusalém para O oferecer ao Senhor, segundo a prescrição da lei mosaica. É um episódio que se enquadra na perspectiva da especial consagração do povo de Israel a Deus. Ele, porém, tem também um significado mais amplo: recorda, com efeito, o reconhecimento que se deve ao Criador por toda a vida humana.

A vida é um grande dom de Deus, que se deve acolher sempre com ação de graças. Se no domingo passado eu me mostrava preocupado pelo vazio de valores, que ameaça a nossa convivência, hoje quereria recordar com vigor um destes valores fundamentais, que absolutamente devem ser recuperados, se não se quiser precipitar no abismo: refiro-me ao valor sagrado da vida, de cada vida humana, desde o seu desabrochar no seio materno até ao seu declínio natural.

Digo-o recordando que hoje na Itália se celebra o Dia pela Vida, ocasião propícia para afirmar com vigor que da vida, própria e dos outros, não se pode dispor à vontade: ela pertence ao Autor da vida. O amor inspira a cultura da vida, e o egoísmo, a cultura da morte. Escolhei a vida — diz o Senhor — para viverdes vós e as gerações futuras! (cf. Dt. 30, 19).

No Templo de Jerusalém, segundo a narração evangélica, um ancião homem de Deus, Simeão, toma Jesus nos braços e indica n’Ele a salvação que chegou para Israel e para todos os povos: a Luz das nações (cf. Lc. 2, 30-31).

As palavras do santo ancião dão voz ao anélito que percorre a história da humanidade. Exprimem a expectativa de Deus, aquele desejo universal, talvez inconsciente mas incancelável, de que Ele venha ao nosso encontro para nos tornar partícipes da Sua vida. Simeão encarna a imagem da humanidade que tende a acolher o raio de luz, que faz novas todas as coisas, o germe de vida que transforma cada velhice em perene juventude.

Neste contexto, adquire um significado singular o Dia da Vida consagrada, que hoje celebramos pela primeira vez. Já há tempo a Festa da apresentação de Jesus no Templo reunia nas Comunidades diocesanas os membros dos Institutos de Vida consagrada e das Sociedades de Vida apostólica, para manifestarem diante do povo de Deus a alegria do empenho, sem reservas, pelo Senhor e pelo seu Reino. Eu quis que esta experiência se estendesse à Igreja inteira, para dar graças a Deus pelo grande dom da vida consagrada e promover, cada vez mais, o seu conhecimento e a sua estima. E de estímulo serviu também o Sínodo dos Bispos sobre a Vida consagrada, celebrado recentemente, cujos resultados confluíram na Exortação Apostólica pós-sinodal «Vita consecrata».

Enquanto vos convido a rezar, caríssimos, por estes nossos irmãos e irmãs que oferecem o seu testemunho de Cristo pobre, casto e obediente, dirijo-me com o pensamento em particular a quantos corroboraram o seu serviço à Igreja com o sacrifício da vida.


Papa João Paulo II
Angelus, 02 de Fevereiro de 1997

FESTA DA APRESENTAÇÃO DO SENHOR - Impossível deixar de olhar-te, Senhor



APRESENTAÇÃO DO SENHOR
02 DE FEVEREIRO
FESTA


«Impossível deixar de olhar-te, Senhor»


“Não o permitas, Senhor Deus meu, não permitas, Amado meu, que meus olhos estejam em outro lugar distinto de minha cabeça, e que eu não esteja continuamente unido a Ti, meu Amado. Te seguirei com todas as minhas forças por onde quer que vás ou voltes, e quando não puder alcançar-te me contentarei com cair rendido a ti. Tenho muito gravada esta frase: pela vida do Senhor e por minha vida, que não te deixarei, e que terei meus olhos sempre em ti. Teu escravo está sempre disposto a obedecer o que ordene o meu Senhor, mas me resulta intolerável que afastes teus olhos de mim ou que eu os tire de ti. Volta teus olhos para mim e os meus para ti, porque eu jamais poderei olhar a ti se Tu não te fixas antes em mim. Tu, que és o mais formoso, sereno e doce de todos, o Unigênito de Deus Pai, que vives e reinas com esse mesmo Pai e o Espírito Santo e és Deus por todos os séculos dos séculos. Amém”.


John of Ford, Abade Cisterciense
Sermón 48 sobre el Cantar de los Cantares, vol. II, p. 226
Biblioteca Cisterciense – Burgos 2003

APRESENTAÇÃO DO SENHOR - O mistério da Apresentação do Senhor



APRESENTAÇÃO DO SENHOR
02 DE FEVEREIRO
FESTA

«O mistério da Apresentação do Senhor»

A Festa da Apresentação do Senhor, que a Igreja hoje celebra, é de muito rico significado. Eis alguns:

Hoje, o Messias, Filho de Davi, entra pela primeira vez na Cidade Santa, a Cidade de Davi, cidade messiânica por excelência: é o encontro do Messias com a sua Cidade. Neste sentido, esta Festa é como que uma antecipação do Domingo de Ramos. Nas antífonas do Ofício das Leituras, este aspecto é recordado: “Radiante de esplendor, põe-te de pé: despontou a tua luz, Jerusalém, e a glória do Senhor te iluminou!” ou ainda: “De alegria exulta, ó nova Sião! Eis que vem o teu Rei, humilde e bondoso, salvar o seu povo”. É importante recordar que Jerusalém é imagem da Igreja, a nova Sião, que acolhe o Messias, seu Rei, seu Senhor, seu Esposo: “Sião, enfeita o teu quarto nupcial e recebe o teu Rei, Cristo Jesus, que a Virgem concebeu e deu à luz, e, conservando a virgindade após o parto, adorou aquele mesmo a quem gerou!”

Se o Messias entra em Jerusalém pela primeira vez, essa visita concentra-se no Templo, também imagem da Igreja. E este é o aspecto mais presente na liturgia: “O Senhor vem a seu Templo: vinde, adoremos!”; “Recordamos, Senhor Deus, vossa bondade, em meio ao vosso Templo!” A primeira leitura da Missa, tirada do profeta Malaquias (3,1-4), recorda que o Messias deveria visitar aquele Templo de Jerusalém, suntuoso no tempo de Salomão e reconstruído tão modesto logo após o Exílio de Babilônia: vai entrar nele o Dominador, o Anjo da Aliança; por isso esse Templo é cheio de glória! Na entrada de Jesus no Templo, dois mistérios se cumprem: Deus realiza o que havia prometido pelos profetas: envias o Messias a Israel – e agora ele é apresentado oficialmente no Templo, centro da religião judaica; por outro lado, esse Templo é imagem da Igreja. Assim, o Esposo vem até a Esposa. Eis um dos motivos da procissão com velas no início da Missa: a Igreja, como virgem prudente, vigia para acolher seu Esposo com lâmpadas acesas: lâmpadas do amor, da fé, da esperança! E este que vem é “luz para iluminar as nações” – como dirá Simeão -, as nações chamadas, pelo Batismo a entrarem na Igreja Esposa de Cristo, Jerusalém nossa Mãe.

Hoje, o Menino, como primogênito, é apresentado a Deus, cumprindo a Lei de Moisés – “Todo macho que abre o útero materno será consagrado ao Senhor” (Ex 13,2). O Filho eterno, Autor da Lei, submete-se à Lei para nos libertar do julgo da Lei! É o mistério da humilhação e da obediência de Cristo, sempre presente no seu caminho, e que culminará na cruz, morte e sepultura.

Um outro aspecto tocante nesta Festa: Simeão e Ana representam o Antigo Testamento: idosos eles esperam a promessa do Senhor; eles vivem da Esperança de Israel. Pois bem, não foram desiludidos na sua certeza. Podemos imaginar o velho Simeão tomando o Menino; podemos quase ver seu rosto iluminando-se; podemos vislumbrar sua emoção e gratidão a Deus: “Podes deixar, Senhor, o teu servo partir em paz! Meus olhos viram a tua Salvação!” É quase como se o Antigo Testamento dissesse: “Pronto! Cumpri minha missão; tudo quanto trazia em mim de promessa agora se realiza!”

O Menino-Messias que Simeão toma nos braços é glória de Israel, é o cumprimento das promessas feitas aos Pais. Mas é também luz para todas as nações da terra: ele vem para a humanidade toda, ele vem abrir o Antigo Israel para o mistério do Novo Israel, que é a Igreja, Novo Povo de Deus – este é o outro motivo das velas na procissão que antecede a Missa de hoje: o Menino é Luz; a Virgem traz nos braços a Luz do mundo! No entanto, isto não acontecerá sem dor, sem a cruz. Por isso o mistério da contradição e a espada que traspassará o coração da Mãe! Não há salvação sem participação na cruz, não há remissão dos pecados sem efusão de sangue, como diz a Epístola aos Hebreus!

Um outro aspecto é a Virgem Maria. Com José, ela traz tudo quanto possui, seu Tesouro, o Filho primogênito, para consagrá-lo ao Senhor. E Simeão avisa: o Senhor aceitou a oferta. Este Menino hoje apresentado a Deus no Monte Moriá – o Monte do Templo – será imolado no Monte Calvário. Como não recordar aqui o dramático sacrifício de Abraão: ali mesmo, no Monte Moriá, o Senhor Deus poupou o filho de Abraão! É que no seu lugar, Deus estava preparando o seu Filho, filho de Maria, para ser sacrificado no lugar da descendência de Abraão! “Deus providenciará a vítima para o sacrifício!” – Hoje cumpriu-se essa palavra... E o Deus que poupou o filho de Abraão, não poupou o seu Filho, não poupou o filho de Maria! E quando chegar a hora do Monte Calvário, ela estará ali, com uma fé maior que a de Abraão, de pé, como Virgem Fiel, como Torre de Davi!

Estes são alguns dos aspectos desta Festa. Haveria outros ainda... Admiremos e adoremos a sabedoria do Senhor, que com admirável economia (economia, em teologia, é a ação de Deus na história da salvação), conduz a humanidade à graça da salvação!


Dom Henrique Soares da Costa
Bispo Titular de Acúfica e Auxiliar de Aracaju
Site D.Henrique

FESTA DA APRESENTAÇÃO DO SENHOR - Pela humildade ao coração do Amor



APRESENTAÇÃO DO SENHOR
02 DE FEVEREIRO
FESTA


«Pela humildade ao coração do Amor»


“Como este ser inefável não pode ser visto senão de uma maneira inefável, o que queira vê-lo purifique seu coração. Porque o que dorme não pode alcançá-lo através de nenhuma semelhança corporal, nem o que vela, por nenhuma forma sensível; nenhuma busca da razão pode vê-lo nem alcançá-lo mas somente um coração puro que ama humildemente.

Este é o Rosto de Deus que ninguém pode ver e, ao mesmo tempo, viver para o mundo. Esta é a beleza que aspira a contemplar todo aquele que deseja amar ao Senhor, seu Deus, com todo o seu coração, com toda a sua alma, com toda a sua mente e com todas as suas forças. E tão pouco deixa de incitar seu próximo a isso se o ama como a si mesmo”.



Guilherme de Saint-Thierry
Abade do Mosteiro de Saint-Thierry
Carta de Oro, Azul 2003, p.159

APRESENTAÇÃO DO SENHOR - Dai-me, Senhor, uma fé que habilite meu espírito para falar com Deus e com os homens



APRESENTAÇÃO DO SENHOR
02 DE FEVEREIRO
FESTA

«Dai-me, Senhor, uma fé jubilosa que encha de paz e alegre meu espírito, e o habilite para falar com Deus e com os homens, de modo que irradie no colóquio sagrado e profano a interior beatitude de sua afortunada posse»


“Senhor, eu creio; quero crer em Vós. Ó Senhor, fazei que minha fé seja plena, sem reservas, penetre meu pensamento, meu modo de julgar as coisas divinas e as humanas.

Ó Senhor, fazei com que a minha fé seja livre; isto é, tenha o concurso pessoal da minha adesão, aceite as renúncias e os deveres que exige; exprima ela o ápice decisivo da minha personalidade: creio em Vós, Senhor.

Ó Senhor, dai-me uma fé certa; com provas exteriores convenientes e com interior testemunho do Espírito Santo, certa por sua luz tranqüilizante, por sua conclusão pacificante, por sua assimilação serena.

O Senhor, fazei forte minha fé, sem temor das contrariedades, dos problemas que enchem a experiência de nossa vida ávida de luz; não tema os ataques de quem a discute, a impugna, a refuta, a nega; mas se torne cada vez mais firme pelo testemunho interior de vossa verdade.

Dai-me, Senhor, uma fé jubilosa que encha de paz e alegre meu espírito, e o habilite para falar com Deus e com os homens, de modo que irradie no colóquio sagrado e profano a interior beatitude de sua afortunada posse.

Ó Senhor, fazei ativa a minha fé, que dê à caridade as razões de sua expansão moral, para ser verdadeira amizade convosco e seja contínua busca de Vós nas obras, nos sofrimentos, na espera, na revelação final; seja um contínuo testemunho e alimento contínuo da esperança.

Ó Senhor, fazei com que minha fé seja humilde e não presuma fundamentar-se na experiência de meu pensamento e de meu sentimento, mas se renda ao testemunho do Espírito Santo; e outra melhor garantia não tenha que a docilidade à autoridade do Magistério da Santa Igreja. Amém”.


Papa Paulo VI
Ensinamentos V6, pp.994-995
Insegnamenti, 9vols, Poliglota Vaticana, 1963-71