quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

NOSSA SENHORA DE LOURDES – Resumo da Mensagem da Virgem de Lourdes



NOSSA SENHORA DE LOURDES
11 de Fevereiro
Memória Facultativa

RESUMO DA MENSAGEM DA VIRGEM DE LOURDES

A Mensagem que a Santíssima Virgem deu em Lourdes, na França, em 1858, pode ser resumida assim:

1-É um agradecimento do céu pela definição do Dogma da Imaculada Conceição, que havia sido declarado quatro anos antes (1854), ao mesmo tempo que assim se apresenta Ela mesma como Mãe e modelo de pureza para o mundo que está tão necessitado desta virtude.

2-É uma exaltação às virtudes da pobreza e humildade aceitas cristãmente ao escolher a Bernardete como instrumento de sua mensagem.

3-Uma mensagem importantíssima em Lourdes é a da Cruz. A Santíssima Virgem repete que o importante é ser feliz na outra vida, embora para isso seja preciso aceitar a cruz.

4-Importância da oração, do rosário, da penitência e humildade (beijando o solo como sinal disso); também uma mensagem de misericórdia infinita para os pecadores e de cuidado dos enfermos.

Alguns pontos de reflexão sobre os sinais visíveis da primeira aparição

Nesses sinais há um grande ensinamento espiritual:

1-Rodeada de luz: é o símbolo da luz da fé, a qual nos abrimos pelo Batismo. A fé é a luz da vida com a qual devemos brilhar ante o mundo. Devemos fazer resplandecer a fé pela santidade de nossas vidas.

2-A luz era tranquila e profunda: na fé cristã acharemos o repouso para nossa alma.

3-De beleza incomparável, não há nada igual aqui na terra: trabalhar intensamente para adquirir a verdadeira beleza que é a da alma, a fim de que Deus possa contemplar-nos com agrado.

4-Roupa tão branca, tão pura, tão delicada que jamais tela alguma pôde reproduzir: de que pureza tão perfeita e delicada há de estar revestida nossa alma diante de Deus, já que o pecado mancha nossas roupas brancas.

5-Pés desnudos, brilhando e sobre cada um deles uma rosa luminosa: Os pés desnudos nos pregam a pobreza evangélica, esta bela e sublime virtude a qual Jesus prometeu o Reino dos Céus. As rosas luminosas: Jesus nos envia a difundir por todas as partes o bom odor de Cristo, o divino perfume do Evangelho.

6-As mãos sempre juntas, com o santo rosário: em fervorosa oração, rezando sempre e sem interrupção. A oração é nosso alimento constante, a respiração da alma, pois todas as virtudes nascem em uma alma que reza.

Inúmeras Curas

Há pelo menos 66 histórias clínicas que documentam cientificamente os milagres. Inúmeras mais sem dúvida ocorreram e continuam ocorrendo mas não tomam parte da documentação do Santuário, a qual é rigorosa ao extremo. Também há inumeráveis curas da alma que são as mais importantes.

Fonte:
Corazones

NOSSA SENHORA DE LOURDES – Orações antigas



NOSSA SENHORA DE LOURDES
11 de Fevereiro
Memória Facultativa

ORAÇÃO ANTIGA I

Sede para sempre Bendita, Puríssima Virgem, que vos dignastes aparecer até oito e dez vezes, muito resplandecente de luz, doçura e formosura na solitária gruta, e dizer à humilde menina que vos contemplava extasiada: "Eu sou a Imaculada Conceição".

Sede para sempre Bendita por todos os extraordinários favores que não cessais de derramar nesse lugar.

Pela ternura de vosso Imaculado Coração, oh Maria, e pela glória que destes à Santa Igreja, vos conjuramos para realizeis as esperanças de paz que fez nascer a proclamação do Dogma de vossa Imaculada Conceição.

_______


ORAÇÃO ANTIGA II

Puríssima Rainha dos anjos; Águia Real que chegaste a contemplar tão imediatamente ao Sol de incriada Justiça, Jesus Cristo Nosso Senhor; Aurora da Eterna Luz, vestida sempre com os fulgores da graça; Centro do Amor Divino, onde achou sua complacência a Trindade Beatíssima; Cidade Santa, onde não entrou coisa manchada, e fundada sobre os mais altos montes da santidade; Jerusalém Celestial, idealizada na mesma glória e iluminada com a Claridade de Deus.

Por estes títulos de tua Concepção Puríssima, eu te suplico, Rainha minha, que como Águia Real me ampares debaixo das asas de tua proteção piedosa; como Aurora da graça esclareças e ilumines com teus fulgores a minha alma; como Centro do Amor acendas minha vontade para que arda no Divino; e que me admitas benigna como tua fiel moradora na Jerusalém triunfante, da que és Rainha excelsa.

Ouvi, Senhora, meus rogos, e pelo grande privilégio de tua Concepção em graça, concede-me fortaleza para vencer minhas paixões, e especialmente a que mais me combate; pois com tua intercessão e com o auxílio da graça, proponho empreender a luta até alcançar a vitória. Virgem Santíssima que da dura pedra fizeste brotar água milagrosa, que cura as enfermidades do corpo e da alma! Arranca, poderosíssima Senhora, de nosso endurecido coração, lágrimas de verdadeira penitência, para que lavem a lepra da alma, a fim de que o Senhor nos perdoe. Por meu Senhor Jesus Cristo que vive e reina pelos séculos dos séculos. Amém.


NOTA: Ambas as orações foram recolhidas de um antigo devocionário em espanhol, publicado em Paris ao final do século XIX, pouco tempo depois das aparições de Lourdes, em 1858. A primeira recebeu a aprovação do Bispo de Tarbes em 30 de outubro de 1867.


Fonte:
Devocionário Católico


FESTA DE NOSSA SENHORA DE LOURDES – Vídeo Salve Regina de Lourdes



NOSSA SENHORA DE LOURDES
11 de Fevereiro
Memória Facultativa


VÍDEO SALVE REGINA DE LOURDES







FESTA DE NOSSA SENHORA DE LOURDES – Pedidos de oração direto à Gruta de Lourdes por email


NOSSA SENHORA DE LOURDES
11 de Fevereiro
Memória Facultativa


PEDIDOS DE ORAÇÃO DIRETO
À GRUTA DE LOURDES POR EMAIL

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WEBCAM DIRETO DE LOURDES

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Doce Senhora de Lourdes, rogai por nós!


sábado, 6 de fevereiro de 2010

A santidade é simples - Parte I



A santidade é simples-Parte I

«Todos os caminhos do Senhor são misericórdia e verdade, graça e fidelidade» Sl 24, 10

Sede perfeitos, sede santos, nos diz a todos sem exceção o Senhor. Sabia bem Deus a quem dava este preceito, pois somos suas criaturas, obra de suas mãos: ‘Tuas mãos me fizeram e me plasmaram’ (Jó 10, 8). Embora as condições humanas sejam tão diversas, Deus não faz nenhuma exceção e nos diz a todos igualmente: Sede santos. Se em meio a tão diversas situações como nos encontramos, Deus, Sabedoria por essência, nos manda a todos ser santos sem fazer distinção, não há de ser a santidade tão difícil como à primeira vista parece.

Se os santos são poucos é porque a maior parte dos cristãos não tem um conhecimento exato da santidade. ‘As vias do Senhor são todas misericórdia e verdade’ (Sl 24, 10). Somente por falta de uma segura convicção de que são estes unicamente os caminhos de Deus, é que muitas almas não chegam à santidade.

As misericórdias do Senhor são sem número e Ele as derramou sem medida nos caminhos por onde Ele mesmo nos manda caminhar para ir até Ele.

Deus é Verdade. Seu Reino está fundado na verdade, só pode reinar nas almas que andam em verdade. Andar em verdade quer dizer estimar a santidade pelo que ela é e não pelo que imaginamos que seja. Assim não pareceria a muitos tão difícil alcançá-la.

Estejamos certos de que nesses formosos caminhos de santidade, traçados pelas paternais mãos de Deus, cheios todos de luz, de misericórdia e de verdade, não há as dificuldades que parece haver. Somos nós que os fazemos difíceis por não conhecê-los bem. Se se conhecesse com todos os seus atrativos, então os santos seriam coisa comum. Especialmente entre religiosos que vivem em um estado mais propício à santidade e também entre os leigos que não vivem segundo as máximas do mundo, senão que colocam acima de tudo os seus interesses eternos, buscando a Deus e sua justiça.

Por que não é assim? Por que são tão poucas as pessoas cheias do Espírito de Deus, junto às quais se respira santidade? O que falta a tantas almas boas para que exalem esse perfume celestial e atraiam a todos os que se aproximam, levando-os a Deus? O que lhes falta se são tão boas que não se sabe o que mais desejar nelas? O que lhes falta é que o Senhor as tenha feito gostar das ternuras de seu amor, que as tenha admitido às intimidades ocultas, inexplicáveis, que transformam e divinizam a pobre criatura que, ao ver-se tão amada por Deus, não lhe sobra mais que a admiração e o silêncio, desejo ardente de que todos provem estas divinas delícias, uma vez que depois já não lhe apetecem outras coisas e logo perde o gosto por tudo o mais.

Almas boas, almas santas!...Todas as que sentem ânsias de Deus, da perfeição, de ir adiante nos caminhos do Senhor. Almas santas sois pois por tais os tem o Coração de Jesus. Mas Ele sofre por não poder estreitá-los contra seu peito, fazê-los experimentar seus abraços divinos. E não pode. Se encontra detido por vossa pusilanimidade.

Deste Fogo Divino está encarregada a Virgem Maria de distribuí-lo e comunicá-lo às almas. Quanto não deverá sofrer esta Mãe de amor e misericórdia ao ver quão pouco é o que impede a tantas almas o ser incendiadas e por esse Fogo abrasadas e transformadas em Jesus, seu Divino Filho?

Senhor, permita que, em união com Maria, me compadeça de tua dor na sede de amor que te consome! Quanto sofres pelas almas! E só pelas más, mas também pelas boas, pelas que são teu povo escolhido.


J. Pastor
“La Santidad es amor”
Libro I, pp. 21-24
Eds.Anaya, Salamanca, 1973

(Continua)

A santidade é simples - Parte II



A santidade é simples-Parte II


O QUE PEDE O SENHOR

O que pede Jesus às almas? Amor! ‘Se alguém me ama, meu Pai o amará e viremos a ele e nele faremos nossa morada’ (Jo 14, 23).

Se me amas... Eis aqui a única condição que nos pede o Senhor para sermos amados e visitados por Ele, para vir a nossa alma e estabelecer nela a sua morada. Isso é a verdadeira santidade: união com Deus. E esta união só se realiza amando. Amor é a única coisa que o Senhor nos pede para poder realizá-la.

A maior parte das pessoas boas e também dos religiosos, se fixam mais no acidental da santidade que no essencial, que é esta união da alma com Deus. Bem entendida esta verdade, se simplifica sumamente e se faz mais fácil o trabalho da própria santificação. Quanto trabalha e que pouco se adianta quem que não dá a esta verdade a importância que merece e se dedica a obras exteriores, trabalhos, fadigas e penas. Esses meios nem sempre são necessários para se chegar ao fim que se busca: a santidade.

Na teoria, todos sabem e dizem que é assim. Mas na prática, são muito poucos os que conhecem e entendem que a santidade é coisa tão íntima e secreta que alguém pode ser santo e muito santo sem que nada apareça de extraordinário em seu exterior.

A maioria das pessoas, embora piedosas, quando ouvem falar que alguém é ‘um santo’, se sentem movidas pelo desejo de vê-lo, e o observam para comprovar se, como os demais, come, dorme e fala. Que mentirosos são os homens em seus louvores! ‘Como um sopro são os homens; uma mentira os filhos dos homens’ (Sl 61, 10). Coisa boa é ver e desejar, conhecer e viver com pessoas santas. Mas a maior parte que tem este desejo, o tem por carecer de um conhecimento exato do que é a santidade. É uma curiosidade inútil pois de nada lhes servirá; e bem o demonstram as suas obras depois de satisfeito seu desejo.

Se estivéssemos convencidos de que a santidade é algo espiritual, interior, íntimo, como é a união de nossa alma com Deus, não haveria tanto afã como há por estas exterioridades e por querer medir, segundo estas, a maior ou menor santidade.

Quão bom e necessário é pedir a miúdo ao Senhor que nos mostre seus caminhos e nos ensine os meios que a ele conduzem: ‘Mostra-me, Senhor, os teus caminhos; adestra-me em tuas sendas’ (Sl 24, 4). Quantos poderiam voar pela via do amor e ser logo admitidos às intimidades do Senhor, se se despojassem dessas idéias errôneas. Quão bom e quão agradável seria a Deus que todos disséssemos frequentemente, do mais fundo do coração: Senhor, me bastam vossos divinos ensinamentos, os exemplos que por Vós mesmo e por vossos santos me haveis dado para conhecer o caminho que hei de seguir para santificar-me. Bastam-me os infinitos prodígios que fizestes para atrair-me ao vosso amor. Permanecestes escondido sob a cortina da fé nas humilhações de vossa Paixão e Morte no Sacramento do altar, nas ocultas operações de vossa graça na santificação das almas.

Já fizestes bastante, já nos destes provas suficientes de vosso amor que nos obriguem a amá-Lo.

Já creio, Jesus meu, creio em vosso amor por mim e vos amo com todo o meu coração. Eu vos amo e quero amar-vos, servir-vos e adorar-vos em ‘espírito e verdade’, tomando por guia vosso Santo Evangelho e por companheiros de meu caminho a Fé e o Amor.

A Fé e o Amor descobrirão então grandes prodígios, sem necessidade de ir buscá-los longe. Assistindo a Missa, em menos de meia hora, se realizarão ante nossos olhos os mais estupendos prodígios que possa fazer um Deus. À voz de uma pobre criatura, descerá o Verbo Eterno do mais alto dos céus para morrer misticamente outra vez, como sobre o Calvário, Vítima de nossos pecados, para fazer-se nosso alimento e permanecer em sua prisão de amor, e ser nosso companheiro, nosso guia, nossa luz no difícil caminho da vida.


J. Pastor
“La Santidad es amor”
Libro I, pp. 21-24
Eds.Anaya, Salamanca, 1973

(Continua)

A santidade é simples - Parte III



A santidade é simples-Parte III


DISPONHAMOS A ALMA

Quando deixar a matéria do corpo, nosso espírito, livre de erro e mentira, conhecerá tal como é em Deus em verdade; então, veremos quanto nos equivocamos em julgar segundo as aparências ou conforme o sentir humano. Conheceremos então, quanta diferença haverá no grau de santidade entre aqueles a quem vimos praticar o que todos praticam, entre aqueles que levaram uma vida de sacrifícios, que moraram na mesma casa ou na mesma religião.

Abramos os olhos porque, todavia, ainda há tempo; mas esse tempo é curto. A graça não nos falta e não falta a ninguém. Está em nossas mãos se quisermos. Que não se diga de nós o que disse o Apóstolo São João: ‘A luz resplandece em meio às trevas e as trevas não Lhe receberam’ (Jo 1, 5). Todos os que andam em erro andam em trevas. Deus manda sua Luz não para iluminar somente alguns, mas para todo homem que vem a este mundo. Recebamo-la, pelo menos nós, seu povo escolhido. Que não se aplique a nós essa amarga repreensão do Apóstolo: ‘veio a sua própria casa e os seus não o receberam’(Jo 1, 11).

Receber ao Senhor é abrir os olhos e aceitar a verdade. Uma vez recebida a verdade, Deus está em sua casa. As coisas espirituais se hão de julgar segundo o espírito e não segundo os sentidos. A fé nos levará até Deus. E Ele, que nada deseja tanto quanto revelar-nos estes mistérios de amor e de verdade, logo dirá com sua voz criadora às trevas que obscurecem nossa alma: ‘Faça-se a Luz’ (Gn 1, 3). E tudo ficará iluminado ante nossos olhos e se nos apresentarão em seguida as coisas sob um aspecto muito
diferente.

O que a nós pertence no trabalho de nossa santificação é dispor nossa alma para a união com Deus. Este trabalho não é tão difícil como parece, se se entende bem. A muitos parece muito difícil por acreditarem que é preciso fazer muito, e por isso desanimam e não conseguem entregar-se a ele com a generosidade necessária. Mas não é assim. Em vez de ter que acrescentar ao que fazíamos, tem que ir tirando os impedimentos para que Deus possa fazer o que fazíamos. Pois aqui se fala daqueles que já praticam obras boas e daqueles em que não há nada grave que se tire.

Não tenhamos medo. Jesus é Bom, quer amor e deixa cada um seguir as suas inclinações, suas tendências e atrativos naturais e adquiridos.

Suave é o Senhor em sua obra. Em nada violentará a nossa vontade. Embora nos queira todos para si, o fará com uma suavidade tal que apenas nos daremos conta de que é a sua mão divina que opera em nós.

O que Ele quer é que em tudo o que façamos vamos pouco a pouco suprimindo o defeituoso, o imperfeito; e isso o Espírito do Senhor nos irá mostrando à medida que façamos a nossa parte.


J. Pastor
“La Santidad es amor”
Libro I, pp. 21-24
Eds.Anaya, Salamanca, 1973

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

APRESENTAÇÃO DO SENHOR - Simeão veio ao templo e, conduzido pelo Espírito, tomou o menino nos braços



APRESENTAÇÃO DO SENHOR
02 DE FEVEREIRO
FESTA


«Simeão veio ao templo e, conduzido pelo Espírito, tomou o menino nos braços. Se procuraste bem Jesus, então também tu virás ao templo»


"Simeão veio ao templo, conduzido pelo Espírito". E tu, se procuraste bem Jesus, por toda a parte, quer dizer, se - como a Esposa do Cântico dos Cânticos (Ct 3,1-3) – o procuraste escondido no teu repouso, quer lendo, quer meditando, se também o procuraste na cidade, interrogando os teus irmãos, falando dele, partilhando acerca dele, se o procuraste nas ruas e nas praças aproveitando as palavras e os exemplos dos outros, se o procuraste junto das sentinelas, isto é, escutando os que atingiram a perfeição, então também tu virás ao templo, “conduzido pelo Espírito”. Certamente que esse é o melhor lugar para o encontro entre o Verbo e a alma: procuramo-lo por toda a parte, encontramo-lo no templo… “Encontrei aquele que a minha alma ama” (Ct 3,4). Procura, pois, por toda a parte, procura em tudo, procura junto de todos, passa e ultrapassa tudo para finalmente entrares na tenda, na morada de Deus, e então encontrá-lo-ás.

“Simeão veio ao templo, conduzido pelo Espírito”. Portanto, quando os seus pais levaram o Menino Jesus, também ele o recebeu nas suas mãos: eis o amor que prova pelo consentimento, que se prende pelo abraço, que saboreia pelo afeto. Oh, irmãos, que aqui se cale a língua. Aqui nada é mais desejável do que o silêncio: são os segredos do Esposo e da Esposa, o estrangeiro não poderia tomar parte neles. “O meu segredo é meu, o meu segredo é meu!” (Is 24,16). Onde está, para ti, o teu segredo, Esposa que foste a única a experimentar qual é a doçura que se saboreia quando, num beijo espiritual, o espírito criado e o Espírito incriado vão ao encontro um do outro e se unem um ao outro, a tal ponto que são dois em um, melhor, diria eu, um só, justificante e justificado, santificado e santificante, divinizante e divinizado?

Pudéssemos nós merecer dizer também o que se segue : "Agarrei-te e não mais te largarei" (Ct 3,4). Isso, S. Simeão mereceu-o, ele que disse : "Agora, Senhor, podes deixar o teu servo partir em paz". Quis que o deixassem partir, liberto dos laços da carne, para apertar mais intimamente com o abraço do seu coração Jesus Cristo nosso Senhor, a quem pertence a glória e a honra pelos séculos sem fim.


S. Aelred de Rievaulx, Monge cisterciense
In Ypapanti Domini, pp. 51-52
(Sermões inéditos)

FESTA DA APRESENTAÇÃO DO SENHOR - Oferecei vosso Filho, ó Virgem Santa, apresentai ao Senhor o bendito fruto de vosso seio



APRESENTAÇÃO DO SENHOR
02 DE FEVEREIRO
FESTA


«Oferecei vosso Filho, ó Virgem Santa, apresentai ao Senhor o bendito fruto de vosso seio. Oferecei a Hóstia Santa e Agradável a Deus, pela reconciliação de todos nós»


“Oferecei vosso Filho, ó Virgem Santa, apresentai ao Senhor o bendito fruto de vosso seio. Oferecei a Hóstia Santa e Agradável a Deus, pela reconciliação de todos nós. Certamente aceitará Deus Pai a nova oblação, a preciosíssima vítima de quem Ele próprio disse: ‘Eis o meu dileto Filho em quem pus minhas complacências’.

Também eu, Senhor, voluntariamente vos oferecerei meu sacrifício, já que voluntariamente vos oferecestes, não por necessidade vossa mas para minha salvação. Só duas pobres coisas tenho, ó Senhor: meu corpo e minha alma. Quem me dera vo-los oferecer dignamente, em sacrifício de louvor!

Melhor, muito melhor para mim oferecer-me a Vós do que ser abandonado a mim mesmo. Se ficar só, agita-se minha alma. Mas assim que me ofereço a Vós com plena submissão, exulta em Vós meu espírito. Não quereis, ó Senhor, minha morte; e não vos ofereceria eu, de bom grado, minha vida? É, de fato, minha vida, hóstia que aplaca vossa ira, hóstia que vos agrada, hóstia viva”.


São Bernardo de Claraval
In Purificazione B.V. Mariae, 3, 2-3
Sermoni per le feste della Madonna, Ed. Paoline, Roma, 1970

APRESENTAÇÃO DO SENHOR - A apresentação de Jesus no Templo recorda o reconhecimento que se deve ao Criador por toda a vida humana



APRESENTAÇÃO DO SENHOR
02 DE FEVEREIRO
FESTA

«Um ancião homem de Deus, Simeão, toma Jesus nos braços e indica n’Ele a salvação que chegou para Israel e para todos os povos: a Luz das nações»

Hoje, Festa da Candelária, recordamos a apresentação de Jesus no Templo. Maria e José, quarenta dias depois do nascimento de Jesus, foram a Jerusalém para O oferecer ao Senhor, segundo a prescrição da lei mosaica. É um episódio que se enquadra na perspectiva da especial consagração do povo de Israel a Deus. Ele, porém, tem também um significado mais amplo: recorda, com efeito, o reconhecimento que se deve ao Criador por toda a vida humana.

A vida é um grande dom de Deus, que se deve acolher sempre com ação de graças. Se no domingo passado eu me mostrava preocupado pelo vazio de valores, que ameaça a nossa convivência, hoje quereria recordar com vigor um destes valores fundamentais, que absolutamente devem ser recuperados, se não se quiser precipitar no abismo: refiro-me ao valor sagrado da vida, de cada vida humana, desde o seu desabrochar no seio materno até ao seu declínio natural.

Digo-o recordando que hoje na Itália se celebra o Dia pela Vida, ocasião propícia para afirmar com vigor que da vida, própria e dos outros, não se pode dispor à vontade: ela pertence ao Autor da vida. O amor inspira a cultura da vida, e o egoísmo, a cultura da morte. Escolhei a vida — diz o Senhor — para viverdes vós e as gerações futuras! (cf. Dt. 30, 19).

No Templo de Jerusalém, segundo a narração evangélica, um ancião homem de Deus, Simeão, toma Jesus nos braços e indica n’Ele a salvação que chegou para Israel e para todos os povos: a Luz das nações (cf. Lc. 2, 30-31).

As palavras do santo ancião dão voz ao anélito que percorre a história da humanidade. Exprimem a expectativa de Deus, aquele desejo universal, talvez inconsciente mas incancelável, de que Ele venha ao nosso encontro para nos tornar partícipes da Sua vida. Simeão encarna a imagem da humanidade que tende a acolher o raio de luz, que faz novas todas as coisas, o germe de vida que transforma cada velhice em perene juventude.

Neste contexto, adquire um significado singular o Dia da Vida consagrada, que hoje celebramos pela primeira vez. Já há tempo a Festa da apresentação de Jesus no Templo reunia nas Comunidades diocesanas os membros dos Institutos de Vida consagrada e das Sociedades de Vida apostólica, para manifestarem diante do povo de Deus a alegria do empenho, sem reservas, pelo Senhor e pelo seu Reino. Eu quis que esta experiência se estendesse à Igreja inteira, para dar graças a Deus pelo grande dom da vida consagrada e promover, cada vez mais, o seu conhecimento e a sua estima. E de estímulo serviu também o Sínodo dos Bispos sobre a Vida consagrada, celebrado recentemente, cujos resultados confluíram na Exortação Apostólica pós-sinodal «Vita consecrata».

Enquanto vos convido a rezar, caríssimos, por estes nossos irmãos e irmãs que oferecem o seu testemunho de Cristo pobre, casto e obediente, dirijo-me com o pensamento em particular a quantos corroboraram o seu serviço à Igreja com o sacrifício da vida.


Papa João Paulo II
Angelus, 02 de Fevereiro de 1997

FESTA DA APRESENTAÇÃO DO SENHOR - Impossível deixar de olhar-te, Senhor



APRESENTAÇÃO DO SENHOR
02 DE FEVEREIRO
FESTA


«Impossível deixar de olhar-te, Senhor»


“Não o permitas, Senhor Deus meu, não permitas, Amado meu, que meus olhos estejam em outro lugar distinto de minha cabeça, e que eu não esteja continuamente unido a Ti, meu Amado. Te seguirei com todas as minhas forças por onde quer que vás ou voltes, e quando não puder alcançar-te me contentarei com cair rendido a ti. Tenho muito gravada esta frase: pela vida do Senhor e por minha vida, que não te deixarei, e que terei meus olhos sempre em ti. Teu escravo está sempre disposto a obedecer o que ordene o meu Senhor, mas me resulta intolerável que afastes teus olhos de mim ou que eu os tire de ti. Volta teus olhos para mim e os meus para ti, porque eu jamais poderei olhar a ti se Tu não te fixas antes em mim. Tu, que és o mais formoso, sereno e doce de todos, o Unigênito de Deus Pai, que vives e reinas com esse mesmo Pai e o Espírito Santo e és Deus por todos os séculos dos séculos. Amém”.


John of Ford, Abade Cisterciense
Sermón 48 sobre el Cantar de los Cantares, vol. II, p. 226
Biblioteca Cisterciense – Burgos 2003

APRESENTAÇÃO DO SENHOR - O mistério da Apresentação do Senhor



APRESENTAÇÃO DO SENHOR
02 DE FEVEREIRO
FESTA

«O mistério da Apresentação do Senhor»

A Festa da Apresentação do Senhor, que a Igreja hoje celebra, é de muito rico significado. Eis alguns:

Hoje, o Messias, Filho de Davi, entra pela primeira vez na Cidade Santa, a Cidade de Davi, cidade messiânica por excelência: é o encontro do Messias com a sua Cidade. Neste sentido, esta Festa é como que uma antecipação do Domingo de Ramos. Nas antífonas do Ofício das Leituras, este aspecto é recordado: “Radiante de esplendor, põe-te de pé: despontou a tua luz, Jerusalém, e a glória do Senhor te iluminou!” ou ainda: “De alegria exulta, ó nova Sião! Eis que vem o teu Rei, humilde e bondoso, salvar o seu povo”. É importante recordar que Jerusalém é imagem da Igreja, a nova Sião, que acolhe o Messias, seu Rei, seu Senhor, seu Esposo: “Sião, enfeita o teu quarto nupcial e recebe o teu Rei, Cristo Jesus, que a Virgem concebeu e deu à luz, e, conservando a virgindade após o parto, adorou aquele mesmo a quem gerou!”

Se o Messias entra em Jerusalém pela primeira vez, essa visita concentra-se no Templo, também imagem da Igreja. E este é o aspecto mais presente na liturgia: “O Senhor vem a seu Templo: vinde, adoremos!”; “Recordamos, Senhor Deus, vossa bondade, em meio ao vosso Templo!” A primeira leitura da Missa, tirada do profeta Malaquias (3,1-4), recorda que o Messias deveria visitar aquele Templo de Jerusalém, suntuoso no tempo de Salomão e reconstruído tão modesto logo após o Exílio de Babilônia: vai entrar nele o Dominador, o Anjo da Aliança; por isso esse Templo é cheio de glória! Na entrada de Jesus no Templo, dois mistérios se cumprem: Deus realiza o que havia prometido pelos profetas: envias o Messias a Israel – e agora ele é apresentado oficialmente no Templo, centro da religião judaica; por outro lado, esse Templo é imagem da Igreja. Assim, o Esposo vem até a Esposa. Eis um dos motivos da procissão com velas no início da Missa: a Igreja, como virgem prudente, vigia para acolher seu Esposo com lâmpadas acesas: lâmpadas do amor, da fé, da esperança! E este que vem é “luz para iluminar as nações” – como dirá Simeão -, as nações chamadas, pelo Batismo a entrarem na Igreja Esposa de Cristo, Jerusalém nossa Mãe.

Hoje, o Menino, como primogênito, é apresentado a Deus, cumprindo a Lei de Moisés – “Todo macho que abre o útero materno será consagrado ao Senhor” (Ex 13,2). O Filho eterno, Autor da Lei, submete-se à Lei para nos libertar do julgo da Lei! É o mistério da humilhação e da obediência de Cristo, sempre presente no seu caminho, e que culminará na cruz, morte e sepultura.

Um outro aspecto tocante nesta Festa: Simeão e Ana representam o Antigo Testamento: idosos eles esperam a promessa do Senhor; eles vivem da Esperança de Israel. Pois bem, não foram desiludidos na sua certeza. Podemos imaginar o velho Simeão tomando o Menino; podemos quase ver seu rosto iluminando-se; podemos vislumbrar sua emoção e gratidão a Deus: “Podes deixar, Senhor, o teu servo partir em paz! Meus olhos viram a tua Salvação!” É quase como se o Antigo Testamento dissesse: “Pronto! Cumpri minha missão; tudo quanto trazia em mim de promessa agora se realiza!”

O Menino-Messias que Simeão toma nos braços é glória de Israel, é o cumprimento das promessas feitas aos Pais. Mas é também luz para todas as nações da terra: ele vem para a humanidade toda, ele vem abrir o Antigo Israel para o mistério do Novo Israel, que é a Igreja, Novo Povo de Deus – este é o outro motivo das velas na procissão que antecede a Missa de hoje: o Menino é Luz; a Virgem traz nos braços a Luz do mundo! No entanto, isto não acontecerá sem dor, sem a cruz. Por isso o mistério da contradição e a espada que traspassará o coração da Mãe! Não há salvação sem participação na cruz, não há remissão dos pecados sem efusão de sangue, como diz a Epístola aos Hebreus!

Um outro aspecto é a Virgem Maria. Com José, ela traz tudo quanto possui, seu Tesouro, o Filho primogênito, para consagrá-lo ao Senhor. E Simeão avisa: o Senhor aceitou a oferta. Este Menino hoje apresentado a Deus no Monte Moriá – o Monte do Templo – será imolado no Monte Calvário. Como não recordar aqui o dramático sacrifício de Abraão: ali mesmo, no Monte Moriá, o Senhor Deus poupou o filho de Abraão! É que no seu lugar, Deus estava preparando o seu Filho, filho de Maria, para ser sacrificado no lugar da descendência de Abraão! “Deus providenciará a vítima para o sacrifício!” – Hoje cumpriu-se essa palavra... E o Deus que poupou o filho de Abraão, não poupou o seu Filho, não poupou o filho de Maria! E quando chegar a hora do Monte Calvário, ela estará ali, com uma fé maior que a de Abraão, de pé, como Virgem Fiel, como Torre de Davi!

Estes são alguns dos aspectos desta Festa. Haveria outros ainda... Admiremos e adoremos a sabedoria do Senhor, que com admirável economia (economia, em teologia, é a ação de Deus na história da salvação), conduz a humanidade à graça da salvação!


Dom Henrique Soares da Costa
Bispo Titular de Acúfica e Auxiliar de Aracaju
Site D.Henrique

FESTA DA APRESENTAÇÃO DO SENHOR - Pela humildade ao coração do Amor



APRESENTAÇÃO DO SENHOR
02 DE FEVEREIRO
FESTA


«Pela humildade ao coração do Amor»


“Como este ser inefável não pode ser visto senão de uma maneira inefável, o que queira vê-lo purifique seu coração. Porque o que dorme não pode alcançá-lo através de nenhuma semelhança corporal, nem o que vela, por nenhuma forma sensível; nenhuma busca da razão pode vê-lo nem alcançá-lo mas somente um coração puro que ama humildemente.

Este é o Rosto de Deus que ninguém pode ver e, ao mesmo tempo, viver para o mundo. Esta é a beleza que aspira a contemplar todo aquele que deseja amar ao Senhor, seu Deus, com todo o seu coração, com toda a sua alma, com toda a sua mente e com todas as suas forças. E tão pouco deixa de incitar seu próximo a isso se o ama como a si mesmo”.



Guilherme de Saint-Thierry
Abade do Mosteiro de Saint-Thierry
Carta de Oro, Azul 2003, p.159

APRESENTAÇÃO DO SENHOR - Dai-me, Senhor, uma fé que habilite meu espírito para falar com Deus e com os homens



APRESENTAÇÃO DO SENHOR
02 DE FEVEREIRO
FESTA

«Dai-me, Senhor, uma fé jubilosa que encha de paz e alegre meu espírito, e o habilite para falar com Deus e com os homens, de modo que irradie no colóquio sagrado e profano a interior beatitude de sua afortunada posse»


“Senhor, eu creio; quero crer em Vós. Ó Senhor, fazei que minha fé seja plena, sem reservas, penetre meu pensamento, meu modo de julgar as coisas divinas e as humanas.

Ó Senhor, fazei com que a minha fé seja livre; isto é, tenha o concurso pessoal da minha adesão, aceite as renúncias e os deveres que exige; exprima ela o ápice decisivo da minha personalidade: creio em Vós, Senhor.

Ó Senhor, dai-me uma fé certa; com provas exteriores convenientes e com interior testemunho do Espírito Santo, certa por sua luz tranqüilizante, por sua conclusão pacificante, por sua assimilação serena.

O Senhor, fazei forte minha fé, sem temor das contrariedades, dos problemas que enchem a experiência de nossa vida ávida de luz; não tema os ataques de quem a discute, a impugna, a refuta, a nega; mas se torne cada vez mais firme pelo testemunho interior de vossa verdade.

Dai-me, Senhor, uma fé jubilosa que encha de paz e alegre meu espírito, e o habilite para falar com Deus e com os homens, de modo que irradie no colóquio sagrado e profano a interior beatitude de sua afortunada posse.

Ó Senhor, fazei ativa a minha fé, que dê à caridade as razões de sua expansão moral, para ser verdadeira amizade convosco e seja contínua busca de Vós nas obras, nos sofrimentos, na espera, na revelação final; seja um contínuo testemunho e alimento contínuo da esperança.

Ó Senhor, fazei com que minha fé seja humilde e não presuma fundamentar-se na experiência de meu pensamento e de meu sentimento, mas se renda ao testemunho do Espírito Santo; e outra melhor garantia não tenha que a docilidade à autoridade do Magistério da Santa Igreja. Amém”.


Papa Paulo VI
Ensinamentos V6, pp.994-995
Insegnamenti, 9vols, Poliglota Vaticana, 1963-71

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

SANTO TOMÁS DE AQUINO – Ó Deus de misericórdia, que eu deseje ardentemente tudo o que vos agrada



S. TOMÁS DE AQUINO
28 DE JANEIRO
MEMÓRIA

«Concedei-me, ó Deus de misericórdia, deseje eu ardentemente tudo o que vos agrada»


“Concedei-me, ó Deus de misericórdia, deseje eu ardentemente tudo o que vos agrada, prudentemente o investigue, verdadeiramente o conheça e perfeitamente o pratique para honra e glória de vosso Nome.

Indicai-me, ó meu Deus, meu lugar no mundo, e fazei com que eu saiba o que quereis que eu faça e o cumpra como convém e é útil à minha alma. Senhor, meu Deus, concedei-me a graça de jamais ser vencido pelos acontecimentos, quer prósperos, quer adversos, de modo que aqueles não me ensoberbeçam e estes não me deprimam. Jamais me alegre senão com o que de Vós me aproxima e jamais me entristeça senão com o que de Vós me afasta. E a nenhum outro, senão só a Vós, ambicione agradar ou tema desagradar. Despreze eu, ó Senhor, todas as coisas caducas, e ame todas as eternas.

Deteste todo prazer do qual estais ausente, e nada deseje do que está fora de Vós. Conforte-me, ó Senhor, o trabalho empreendido por vosso amor, e aborreça eu todo repouso que vos desagrade”.


Santo Tomás de Aquino
Preghiere, pp.35-37, Florença, 1963

STO TOMÁS DE AQUINO – Ó meu Deus, eu vos bendigo pelos inumeráveis benefícios que me concedestes



S. TOMÁS DE AQUINO
28 DE JANEIRO
MEMÓRIA

«Ó meu Deus, eu vos louvo, glorifico, bendigo pelos inumeráveis benefícios que me concedestes»


“Ó meu Deus, eu vos louvo, glorifico, bendigo pelos inumeráveis benefícios que me concedestes sem nenhum merecimento meu; na incerteza me ajudastes, no desespero me confortastes.

Louvo vossa clemência que tanto tempo me esperou, vossa doçura que foi vossa vingança; vossa benignidade que me acolheu, vossa misericórdia que perdoou meus pecados, vossa bondade que se manifestou muito além dos meus méritos, vossa paciência que esqueceu minhas injúrias, vossa humildade, ó Jesus, que me consolou, vossa longanimidade que me protegeu; bendigo vossa eternidade que me deverá conservar; vossa verdade que me dará a recompensa.

Que direi, pois, de vossa inefável generosidade? Chamais quem foge, acolheis quem volta, ajudais os inseguros, armais quem combate, coroais quem triunfa; não desprezais o pecador penitente e não vos recordais das injúrias recebidas.

Por todos estes benefícios, sou incapaz de dar-vos o devido louvor. Dou graças à vossa divina Majestade pela abundância de vossa imensa bondade, porque em mim multiplicais, conservais, recompensais sempre a graça”.


Santo Tomás de Aquino
Preghiere, pp.31-32, Florença, 1963

FESTA DE TOMÁS DE AQUINO – Fazei, ó Senhor, que a Vós se eleve meu espírito!



S. TOMÁS DE AQUINO
28 DE JANEIRO
MEMÓRIA

«Fazei, ó Senhor, que a Vós se eleve meu espírito e dai-me um coração nobre!»


“Fazei, ó Senhor, que a Vós se eleve meu espírito!

Dai-me, ó Senhor, um coração tão vigilante que nenhum vão pensamento possa distraí-lo de Vós, um coração nobre que nenhuma paixão indigna possa seduzir, um coração reto que nenhuma intenção má possa contaminar, um coração forte que nenhuma tribulação esmoreça, um coração livre que não se deixe dominar por nenhuma paixão má.

Concedei-me, ó Senhor meu Deus, inteligência que vos conheça, amor que vos busque, sabedoria que vos encontre, procedimento que vos agrade, perseverança que vos espere confiante, esperança, finalmente, que vos abrace”.


Santo Tomás de Aquino
Preghiere, pp.37-38, Florença, 1963

sábado, 23 de janeiro de 2010

S.AELRED DE RIEVAULX – 900º Aniversário de seu nascimento



SANTO AELRED DE RIEVAULX
12 DE JANEIRO
SOLENIDADE CALENDÁRIO LITÚRGICO CISTERCIENSE


Neste ano de 2010 nós honramos o 900º aniversário de nascimento de Santo Aelred de Rievaulx

Quando Aelred estava na corte do Rei David da Escócia, era admirado por seu talento. Ele era querido sempre mais por sua amigável e gentil personalidade. Uma vez, na presença do rei, um outro cortesão lhe insultou, acusando-o de muitos delitos. Aelred ouviu pacientemente. Então, quando seu acusador tinha terminado, ele calmamente agradeceu-lhe por sua caridade em lhe contar as suas faltas. O acusador ficou tão surpreendido pela humildade de Aelred que pediu a ele que o perdoasse por suas injustificadas acusações.

Por aquele tempo Aelred estava ponderando sobre uma vocação para a vida monástica. Ele hesitava em entrar para um mosteiro porque isso significaria desistir do companheirismo de seus muitos amigos. Gradualmente, entretanto, ele veio a enxergar, em sua grande hesitação, um covarde apego aos seres humanos em vez de a Deus.

Aelred tomou para si os rigores cistercienses como um peixe a água. A estrita regra estava ali para moldá-lo, e ele em retorno ajudaria a moldar o espírito cisterciense.

Os muitos dons de Aelred, naturais e sobrenaturais, atraíram a atenção de seus irmãos. Eles o escolheram para Abade, primeiro em Revesby e depois em Rievaulx. Ele aceitou a ambas eleições com relutância. Ele sabia que isso envolveria o desistir de muito do seu amado silêncio. Mas claro que ele se mostrou ideal para o papel, aceitando seus deveres como um conjunto de cruzes necessário.

Como superior, ninguém foi mais rigoroso que Aelred, e no entanto ele governou com uma vencedora gentileza.

Os monges de Aelred, quando de sua morte, ficaram profundamente tristes por perdê-lo. Em seu escrito ‘Spiritual Friendship’ (Amizade Espiritual), Aelred escreveu uma passagem que poderia ser usada para descrever a ele próprio: “Eu diria que o Irmão Simon era uma amizade de criança. Toda a sua ocupação era amar e ser amado.”

Depois do Vaticano II, muitas comunidades, especialmente as de lingua inglesa no mundo, comprometeram-se com programas de "construção de comunidades", resolução de conflitos e habilidades de comunicação, e assim por diante. Em muitas comunidades existe uma preocupação por cultivar a maturidade afetiva e pela qualidade das relações entre os membros. O tema da schola caritatis adotado para o Capítulo Geral de 1996 indica a preocupação generalizada na Ordem para fazer nossas casas afetivamente viáveis. De acordo com Michael Casey,o maior obstáculo para isso é o individualismo.

Muitas Ordens tem o mesmo problema. Um Franciscano Geral disse que a principal razão dada para secularização em sua Ordem era a ‘solidão’.

Contudo, a experiência do deserto ou da noite escura da alma é parte e parcela da vida cristã. Verdadeira comunhão, koinonía, como eles tinham na Igreja primitiva, fornecem a chave para a verdadeira vida em família. Nesse espírito, a ‘escola do amor’ de nossos Pais e Mães Cistercienses, fornece a melhor forma de vencer a solidão.

O salmista diz que o justo cai sete vezes ao dia. Ele também diz que um irmão ajudado pelo irmão é como uma cidade forte. E de qualquer maneira, é pouco provável que nós sempre estaremos todos mal de uma vez e ao mesmo tempo.

Possa Santo Aelred, Patrono deste Mosteiro, nos conceder a graça de uma verdadeira vida em família, para assim atrair mais 'cortesãos' à amizade com Jesus, aqui nos Montes Lammermuir. Amen.


Fr. Nivard McGlynn,OCSO
Chapter Sermon
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