terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

APRESENTAÇÃO DO SENHOR - Simeão veio ao templo e, conduzido pelo Espírito, tomou o menino nos braços



APRESENTAÇÃO DO SENHOR
02 DE FEVEREIRO
FESTA


«Simeão veio ao templo e, conduzido pelo Espírito, tomou o menino nos braços. Se procuraste bem Jesus, então também tu virás ao templo»


"Simeão veio ao templo, conduzido pelo Espírito". E tu, se procuraste bem Jesus, por toda a parte, quer dizer, se - como a Esposa do Cântico dos Cânticos (Ct 3,1-3) – o procuraste escondido no teu repouso, quer lendo, quer meditando, se também o procuraste na cidade, interrogando os teus irmãos, falando dele, partilhando acerca dele, se o procuraste nas ruas e nas praças aproveitando as palavras e os exemplos dos outros, se o procuraste junto das sentinelas, isto é, escutando os que atingiram a perfeição, então também tu virás ao templo, “conduzido pelo Espírito”. Certamente que esse é o melhor lugar para o encontro entre o Verbo e a alma: procuramo-lo por toda a parte, encontramo-lo no templo… “Encontrei aquele que a minha alma ama” (Ct 3,4). Procura, pois, por toda a parte, procura em tudo, procura junto de todos, passa e ultrapassa tudo para finalmente entrares na tenda, na morada de Deus, e então encontrá-lo-ás.

“Simeão veio ao templo, conduzido pelo Espírito”. Portanto, quando os seus pais levaram o Menino Jesus, também ele o recebeu nas suas mãos: eis o amor que prova pelo consentimento, que se prende pelo abraço, que saboreia pelo afeto. Oh, irmãos, que aqui se cale a língua. Aqui nada é mais desejável do que o silêncio: são os segredos do Esposo e da Esposa, o estrangeiro não poderia tomar parte neles. “O meu segredo é meu, o meu segredo é meu!” (Is 24,16). Onde está, para ti, o teu segredo, Esposa que foste a única a experimentar qual é a doçura que se saboreia quando, num beijo espiritual, o espírito criado e o Espírito incriado vão ao encontro um do outro e se unem um ao outro, a tal ponto que são dois em um, melhor, diria eu, um só, justificante e justificado, santificado e santificante, divinizante e divinizado?

Pudéssemos nós merecer dizer também o que se segue : "Agarrei-te e não mais te largarei" (Ct 3,4). Isso, S. Simeão mereceu-o, ele que disse : "Agora, Senhor, podes deixar o teu servo partir em paz". Quis que o deixassem partir, liberto dos laços da carne, para apertar mais intimamente com o abraço do seu coração Jesus Cristo nosso Senhor, a quem pertence a glória e a honra pelos séculos sem fim.


S. Aelred de Rievaulx, Monge cisterciense
In Ypapanti Domini, pp. 51-52
(Sermões inéditos)

FESTA DA APRESENTAÇÃO DO SENHOR - Oferecei vosso Filho, ó Virgem Santa, apresentai ao Senhor o bendito fruto de vosso seio



APRESENTAÇÃO DO SENHOR
02 DE FEVEREIRO
FESTA


«Oferecei vosso Filho, ó Virgem Santa, apresentai ao Senhor o bendito fruto de vosso seio. Oferecei a Hóstia Santa e Agradável a Deus, pela reconciliação de todos nós»


“Oferecei vosso Filho, ó Virgem Santa, apresentai ao Senhor o bendito fruto de vosso seio. Oferecei a Hóstia Santa e Agradável a Deus, pela reconciliação de todos nós. Certamente aceitará Deus Pai a nova oblação, a preciosíssima vítima de quem Ele próprio disse: ‘Eis o meu dileto Filho em quem pus minhas complacências’.

Também eu, Senhor, voluntariamente vos oferecerei meu sacrifício, já que voluntariamente vos oferecestes, não por necessidade vossa mas para minha salvação. Só duas pobres coisas tenho, ó Senhor: meu corpo e minha alma. Quem me dera vo-los oferecer dignamente, em sacrifício de louvor!

Melhor, muito melhor para mim oferecer-me a Vós do que ser abandonado a mim mesmo. Se ficar só, agita-se minha alma. Mas assim que me ofereço a Vós com plena submissão, exulta em Vós meu espírito. Não quereis, ó Senhor, minha morte; e não vos ofereceria eu, de bom grado, minha vida? É, de fato, minha vida, hóstia que aplaca vossa ira, hóstia que vos agrada, hóstia viva”.


São Bernardo de Claraval
In Purificazione B.V. Mariae, 3, 2-3
Sermoni per le feste della Madonna, Ed. Paoline, Roma, 1970

APRESENTAÇÃO DO SENHOR - A apresentação de Jesus no Templo recorda o reconhecimento que se deve ao Criador por toda a vida humana



APRESENTAÇÃO DO SENHOR
02 DE FEVEREIRO
FESTA

«Um ancião homem de Deus, Simeão, toma Jesus nos braços e indica n’Ele a salvação que chegou para Israel e para todos os povos: a Luz das nações»

Hoje, Festa da Candelária, recordamos a apresentação de Jesus no Templo. Maria e José, quarenta dias depois do nascimento de Jesus, foram a Jerusalém para O oferecer ao Senhor, segundo a prescrição da lei mosaica. É um episódio que se enquadra na perspectiva da especial consagração do povo de Israel a Deus. Ele, porém, tem também um significado mais amplo: recorda, com efeito, o reconhecimento que se deve ao Criador por toda a vida humana.

A vida é um grande dom de Deus, que se deve acolher sempre com ação de graças. Se no domingo passado eu me mostrava preocupado pelo vazio de valores, que ameaça a nossa convivência, hoje quereria recordar com vigor um destes valores fundamentais, que absolutamente devem ser recuperados, se não se quiser precipitar no abismo: refiro-me ao valor sagrado da vida, de cada vida humana, desde o seu desabrochar no seio materno até ao seu declínio natural.

Digo-o recordando que hoje na Itália se celebra o Dia pela Vida, ocasião propícia para afirmar com vigor que da vida, própria e dos outros, não se pode dispor à vontade: ela pertence ao Autor da vida. O amor inspira a cultura da vida, e o egoísmo, a cultura da morte. Escolhei a vida — diz o Senhor — para viverdes vós e as gerações futuras! (cf. Dt. 30, 19).

No Templo de Jerusalém, segundo a narração evangélica, um ancião homem de Deus, Simeão, toma Jesus nos braços e indica n’Ele a salvação que chegou para Israel e para todos os povos: a Luz das nações (cf. Lc. 2, 30-31).

As palavras do santo ancião dão voz ao anélito que percorre a história da humanidade. Exprimem a expectativa de Deus, aquele desejo universal, talvez inconsciente mas incancelável, de que Ele venha ao nosso encontro para nos tornar partícipes da Sua vida. Simeão encarna a imagem da humanidade que tende a acolher o raio de luz, que faz novas todas as coisas, o germe de vida que transforma cada velhice em perene juventude.

Neste contexto, adquire um significado singular o Dia da Vida consagrada, que hoje celebramos pela primeira vez. Já há tempo a Festa da apresentação de Jesus no Templo reunia nas Comunidades diocesanas os membros dos Institutos de Vida consagrada e das Sociedades de Vida apostólica, para manifestarem diante do povo de Deus a alegria do empenho, sem reservas, pelo Senhor e pelo seu Reino. Eu quis que esta experiência se estendesse à Igreja inteira, para dar graças a Deus pelo grande dom da vida consagrada e promover, cada vez mais, o seu conhecimento e a sua estima. E de estímulo serviu também o Sínodo dos Bispos sobre a Vida consagrada, celebrado recentemente, cujos resultados confluíram na Exortação Apostólica pós-sinodal «Vita consecrata».

Enquanto vos convido a rezar, caríssimos, por estes nossos irmãos e irmãs que oferecem o seu testemunho de Cristo pobre, casto e obediente, dirijo-me com o pensamento em particular a quantos corroboraram o seu serviço à Igreja com o sacrifício da vida.


Papa João Paulo II
Angelus, 02 de Fevereiro de 1997

FESTA DA APRESENTAÇÃO DO SENHOR - Impossível deixar de olhar-te, Senhor



APRESENTAÇÃO DO SENHOR
02 DE FEVEREIRO
FESTA


«Impossível deixar de olhar-te, Senhor»


“Não o permitas, Senhor Deus meu, não permitas, Amado meu, que meus olhos estejam em outro lugar distinto de minha cabeça, e que eu não esteja continuamente unido a Ti, meu Amado. Te seguirei com todas as minhas forças por onde quer que vás ou voltes, e quando não puder alcançar-te me contentarei com cair rendido a ti. Tenho muito gravada esta frase: pela vida do Senhor e por minha vida, que não te deixarei, e que terei meus olhos sempre em ti. Teu escravo está sempre disposto a obedecer o que ordene o meu Senhor, mas me resulta intolerável que afastes teus olhos de mim ou que eu os tire de ti. Volta teus olhos para mim e os meus para ti, porque eu jamais poderei olhar a ti se Tu não te fixas antes em mim. Tu, que és o mais formoso, sereno e doce de todos, o Unigênito de Deus Pai, que vives e reinas com esse mesmo Pai e o Espírito Santo e és Deus por todos os séculos dos séculos. Amém”.


John of Ford, Abade Cisterciense
Sermón 48 sobre el Cantar de los Cantares, vol. II, p. 226
Biblioteca Cisterciense – Burgos 2003

APRESENTAÇÃO DO SENHOR - O mistério da Apresentação do Senhor



APRESENTAÇÃO DO SENHOR
02 DE FEVEREIRO
FESTA

«O mistério da Apresentação do Senhor»

A Festa da Apresentação do Senhor, que a Igreja hoje celebra, é de muito rico significado. Eis alguns:

Hoje, o Messias, Filho de Davi, entra pela primeira vez na Cidade Santa, a Cidade de Davi, cidade messiânica por excelência: é o encontro do Messias com a sua Cidade. Neste sentido, esta Festa é como que uma antecipação do Domingo de Ramos. Nas antífonas do Ofício das Leituras, este aspecto é recordado: “Radiante de esplendor, põe-te de pé: despontou a tua luz, Jerusalém, e a glória do Senhor te iluminou!” ou ainda: “De alegria exulta, ó nova Sião! Eis que vem o teu Rei, humilde e bondoso, salvar o seu povo”. É importante recordar que Jerusalém é imagem da Igreja, a nova Sião, que acolhe o Messias, seu Rei, seu Senhor, seu Esposo: “Sião, enfeita o teu quarto nupcial e recebe o teu Rei, Cristo Jesus, que a Virgem concebeu e deu à luz, e, conservando a virgindade após o parto, adorou aquele mesmo a quem gerou!”

Se o Messias entra em Jerusalém pela primeira vez, essa visita concentra-se no Templo, também imagem da Igreja. E este é o aspecto mais presente na liturgia: “O Senhor vem a seu Templo: vinde, adoremos!”; “Recordamos, Senhor Deus, vossa bondade, em meio ao vosso Templo!” A primeira leitura da Missa, tirada do profeta Malaquias (3,1-4), recorda que o Messias deveria visitar aquele Templo de Jerusalém, suntuoso no tempo de Salomão e reconstruído tão modesto logo após o Exílio de Babilônia: vai entrar nele o Dominador, o Anjo da Aliança; por isso esse Templo é cheio de glória! Na entrada de Jesus no Templo, dois mistérios se cumprem: Deus realiza o que havia prometido pelos profetas: envias o Messias a Israel – e agora ele é apresentado oficialmente no Templo, centro da religião judaica; por outro lado, esse Templo é imagem da Igreja. Assim, o Esposo vem até a Esposa. Eis um dos motivos da procissão com velas no início da Missa: a Igreja, como virgem prudente, vigia para acolher seu Esposo com lâmpadas acesas: lâmpadas do amor, da fé, da esperança! E este que vem é “luz para iluminar as nações” – como dirá Simeão -, as nações chamadas, pelo Batismo a entrarem na Igreja Esposa de Cristo, Jerusalém nossa Mãe.

Hoje, o Menino, como primogênito, é apresentado a Deus, cumprindo a Lei de Moisés – “Todo macho que abre o útero materno será consagrado ao Senhor” (Ex 13,2). O Filho eterno, Autor da Lei, submete-se à Lei para nos libertar do julgo da Lei! É o mistério da humilhação e da obediência de Cristo, sempre presente no seu caminho, e que culminará na cruz, morte e sepultura.

Um outro aspecto tocante nesta Festa: Simeão e Ana representam o Antigo Testamento: idosos eles esperam a promessa do Senhor; eles vivem da Esperança de Israel. Pois bem, não foram desiludidos na sua certeza. Podemos imaginar o velho Simeão tomando o Menino; podemos quase ver seu rosto iluminando-se; podemos vislumbrar sua emoção e gratidão a Deus: “Podes deixar, Senhor, o teu servo partir em paz! Meus olhos viram a tua Salvação!” É quase como se o Antigo Testamento dissesse: “Pronto! Cumpri minha missão; tudo quanto trazia em mim de promessa agora se realiza!”

O Menino-Messias que Simeão toma nos braços é glória de Israel, é o cumprimento das promessas feitas aos Pais. Mas é também luz para todas as nações da terra: ele vem para a humanidade toda, ele vem abrir o Antigo Israel para o mistério do Novo Israel, que é a Igreja, Novo Povo de Deus – este é o outro motivo das velas na procissão que antecede a Missa de hoje: o Menino é Luz; a Virgem traz nos braços a Luz do mundo! No entanto, isto não acontecerá sem dor, sem a cruz. Por isso o mistério da contradição e a espada que traspassará o coração da Mãe! Não há salvação sem participação na cruz, não há remissão dos pecados sem efusão de sangue, como diz a Epístola aos Hebreus!

Um outro aspecto é a Virgem Maria. Com José, ela traz tudo quanto possui, seu Tesouro, o Filho primogênito, para consagrá-lo ao Senhor. E Simeão avisa: o Senhor aceitou a oferta. Este Menino hoje apresentado a Deus no Monte Moriá – o Monte do Templo – será imolado no Monte Calvário. Como não recordar aqui o dramático sacrifício de Abraão: ali mesmo, no Monte Moriá, o Senhor Deus poupou o filho de Abraão! É que no seu lugar, Deus estava preparando o seu Filho, filho de Maria, para ser sacrificado no lugar da descendência de Abraão! “Deus providenciará a vítima para o sacrifício!” – Hoje cumpriu-se essa palavra... E o Deus que poupou o filho de Abraão, não poupou o seu Filho, não poupou o filho de Maria! E quando chegar a hora do Monte Calvário, ela estará ali, com uma fé maior que a de Abraão, de pé, como Virgem Fiel, como Torre de Davi!

Estes são alguns dos aspectos desta Festa. Haveria outros ainda... Admiremos e adoremos a sabedoria do Senhor, que com admirável economia (economia, em teologia, é a ação de Deus na história da salvação), conduz a humanidade à graça da salvação!


Dom Henrique Soares da Costa
Bispo Titular de Acúfica e Auxiliar de Aracaju
Site D.Henrique

FESTA DA APRESENTAÇÃO DO SENHOR - Pela humildade ao coração do Amor



APRESENTAÇÃO DO SENHOR
02 DE FEVEREIRO
FESTA


«Pela humildade ao coração do Amor»


“Como este ser inefável não pode ser visto senão de uma maneira inefável, o que queira vê-lo purifique seu coração. Porque o que dorme não pode alcançá-lo através de nenhuma semelhança corporal, nem o que vela, por nenhuma forma sensível; nenhuma busca da razão pode vê-lo nem alcançá-lo mas somente um coração puro que ama humildemente.

Este é o Rosto de Deus que ninguém pode ver e, ao mesmo tempo, viver para o mundo. Esta é a beleza que aspira a contemplar todo aquele que deseja amar ao Senhor, seu Deus, com todo o seu coração, com toda a sua alma, com toda a sua mente e com todas as suas forças. E tão pouco deixa de incitar seu próximo a isso se o ama como a si mesmo”.



Guilherme de Saint-Thierry
Abade do Mosteiro de Saint-Thierry
Carta de Oro, Azul 2003, p.159

APRESENTAÇÃO DO SENHOR - Dai-me, Senhor, uma fé que habilite meu espírito para falar com Deus e com os homens



APRESENTAÇÃO DO SENHOR
02 DE FEVEREIRO
FESTA

«Dai-me, Senhor, uma fé jubilosa que encha de paz e alegre meu espírito, e o habilite para falar com Deus e com os homens, de modo que irradie no colóquio sagrado e profano a interior beatitude de sua afortunada posse»


“Senhor, eu creio; quero crer em Vós. Ó Senhor, fazei que minha fé seja plena, sem reservas, penetre meu pensamento, meu modo de julgar as coisas divinas e as humanas.

Ó Senhor, fazei com que a minha fé seja livre; isto é, tenha o concurso pessoal da minha adesão, aceite as renúncias e os deveres que exige; exprima ela o ápice decisivo da minha personalidade: creio em Vós, Senhor.

Ó Senhor, dai-me uma fé certa; com provas exteriores convenientes e com interior testemunho do Espírito Santo, certa por sua luz tranqüilizante, por sua conclusão pacificante, por sua assimilação serena.

O Senhor, fazei forte minha fé, sem temor das contrariedades, dos problemas que enchem a experiência de nossa vida ávida de luz; não tema os ataques de quem a discute, a impugna, a refuta, a nega; mas se torne cada vez mais firme pelo testemunho interior de vossa verdade.

Dai-me, Senhor, uma fé jubilosa que encha de paz e alegre meu espírito, e o habilite para falar com Deus e com os homens, de modo que irradie no colóquio sagrado e profano a interior beatitude de sua afortunada posse.

Ó Senhor, fazei ativa a minha fé, que dê à caridade as razões de sua expansão moral, para ser verdadeira amizade convosco e seja contínua busca de Vós nas obras, nos sofrimentos, na espera, na revelação final; seja um contínuo testemunho e alimento contínuo da esperança.

Ó Senhor, fazei com que minha fé seja humilde e não presuma fundamentar-se na experiência de meu pensamento e de meu sentimento, mas se renda ao testemunho do Espírito Santo; e outra melhor garantia não tenha que a docilidade à autoridade do Magistério da Santa Igreja. Amém”.


Papa Paulo VI
Ensinamentos V6, pp.994-995
Insegnamenti, 9vols, Poliglota Vaticana, 1963-71

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

SANTO TOMÁS DE AQUINO – Ó Deus de misericórdia, que eu deseje ardentemente tudo o que vos agrada



S. TOMÁS DE AQUINO
28 DE JANEIRO
MEMÓRIA

«Concedei-me, ó Deus de misericórdia, deseje eu ardentemente tudo o que vos agrada»


“Concedei-me, ó Deus de misericórdia, deseje eu ardentemente tudo o que vos agrada, prudentemente o investigue, verdadeiramente o conheça e perfeitamente o pratique para honra e glória de vosso Nome.

Indicai-me, ó meu Deus, meu lugar no mundo, e fazei com que eu saiba o que quereis que eu faça e o cumpra como convém e é útil à minha alma. Senhor, meu Deus, concedei-me a graça de jamais ser vencido pelos acontecimentos, quer prósperos, quer adversos, de modo que aqueles não me ensoberbeçam e estes não me deprimam. Jamais me alegre senão com o que de Vós me aproxima e jamais me entristeça senão com o que de Vós me afasta. E a nenhum outro, senão só a Vós, ambicione agradar ou tema desagradar. Despreze eu, ó Senhor, todas as coisas caducas, e ame todas as eternas.

Deteste todo prazer do qual estais ausente, e nada deseje do que está fora de Vós. Conforte-me, ó Senhor, o trabalho empreendido por vosso amor, e aborreça eu todo repouso que vos desagrade”.


Santo Tomás de Aquino
Preghiere, pp.35-37, Florença, 1963

STO TOMÁS DE AQUINO – Ó meu Deus, eu vos bendigo pelos inumeráveis benefícios que me concedestes



S. TOMÁS DE AQUINO
28 DE JANEIRO
MEMÓRIA

«Ó meu Deus, eu vos louvo, glorifico, bendigo pelos inumeráveis benefícios que me concedestes»


“Ó meu Deus, eu vos louvo, glorifico, bendigo pelos inumeráveis benefícios que me concedestes sem nenhum merecimento meu; na incerteza me ajudastes, no desespero me confortastes.

Louvo vossa clemência que tanto tempo me esperou, vossa doçura que foi vossa vingança; vossa benignidade que me acolheu, vossa misericórdia que perdoou meus pecados, vossa bondade que se manifestou muito além dos meus méritos, vossa paciência que esqueceu minhas injúrias, vossa humildade, ó Jesus, que me consolou, vossa longanimidade que me protegeu; bendigo vossa eternidade que me deverá conservar; vossa verdade que me dará a recompensa.

Que direi, pois, de vossa inefável generosidade? Chamais quem foge, acolheis quem volta, ajudais os inseguros, armais quem combate, coroais quem triunfa; não desprezais o pecador penitente e não vos recordais das injúrias recebidas.

Por todos estes benefícios, sou incapaz de dar-vos o devido louvor. Dou graças à vossa divina Majestade pela abundância de vossa imensa bondade, porque em mim multiplicais, conservais, recompensais sempre a graça”.


Santo Tomás de Aquino
Preghiere, pp.31-32, Florença, 1963

FESTA DE TOMÁS DE AQUINO – Fazei, ó Senhor, que a Vós se eleve meu espírito!



S. TOMÁS DE AQUINO
28 DE JANEIRO
MEMÓRIA

«Fazei, ó Senhor, que a Vós se eleve meu espírito e dai-me um coração nobre!»


“Fazei, ó Senhor, que a Vós se eleve meu espírito!

Dai-me, ó Senhor, um coração tão vigilante que nenhum vão pensamento possa distraí-lo de Vós, um coração nobre que nenhuma paixão indigna possa seduzir, um coração reto que nenhuma intenção má possa contaminar, um coração forte que nenhuma tribulação esmoreça, um coração livre que não se deixe dominar por nenhuma paixão má.

Concedei-me, ó Senhor meu Deus, inteligência que vos conheça, amor que vos busque, sabedoria que vos encontre, procedimento que vos agrade, perseverança que vos espere confiante, esperança, finalmente, que vos abrace”.


Santo Tomás de Aquino
Preghiere, pp.37-38, Florença, 1963

sábado, 23 de janeiro de 2010

S.AELRED DE RIEVAULX – 900º Aniversário de seu nascimento



SANTO AELRED DE RIEVAULX
12 DE JANEIRO
SOLENIDADE CALENDÁRIO LITÚRGICO CISTERCIENSE


Neste ano de 2010 nós honramos o 900º aniversário de nascimento de Santo Aelred de Rievaulx

Quando Aelred estava na corte do Rei David da Escócia, era admirado por seu talento. Ele era querido sempre mais por sua amigável e gentil personalidade. Uma vez, na presença do rei, um outro cortesão lhe insultou, acusando-o de muitos delitos. Aelred ouviu pacientemente. Então, quando seu acusador tinha terminado, ele calmamente agradeceu-lhe por sua caridade em lhe contar as suas faltas. O acusador ficou tão surpreendido pela humildade de Aelred que pediu a ele que o perdoasse por suas injustificadas acusações.

Por aquele tempo Aelred estava ponderando sobre uma vocação para a vida monástica. Ele hesitava em entrar para um mosteiro porque isso significaria desistir do companheirismo de seus muitos amigos. Gradualmente, entretanto, ele veio a enxergar, em sua grande hesitação, um covarde apego aos seres humanos em vez de a Deus.

Aelred tomou para si os rigores cistercienses como um peixe a água. A estrita regra estava ali para moldá-lo, e ele em retorno ajudaria a moldar o espírito cisterciense.

Os muitos dons de Aelred, naturais e sobrenaturais, atraíram a atenção de seus irmãos. Eles o escolheram para Abade, primeiro em Revesby e depois em Rievaulx. Ele aceitou a ambas eleições com relutância. Ele sabia que isso envolveria o desistir de muito do seu amado silêncio. Mas claro que ele se mostrou ideal para o papel, aceitando seus deveres como um conjunto de cruzes necessário.

Como superior, ninguém foi mais rigoroso que Aelred, e no entanto ele governou com uma vencedora gentileza.

Os monges de Aelred, quando de sua morte, ficaram profundamente tristes por perdê-lo. Em seu escrito ‘Spiritual Friendship’ (Amizade Espiritual), Aelred escreveu uma passagem que poderia ser usada para descrever a ele próprio: “Eu diria que o Irmão Simon era uma amizade de criança. Toda a sua ocupação era amar e ser amado.”

Depois do Vaticano II, muitas comunidades, especialmente as de lingua inglesa no mundo, comprometeram-se com programas de "construção de comunidades", resolução de conflitos e habilidades de comunicação, e assim por diante. Em muitas comunidades existe uma preocupação por cultivar a maturidade afetiva e pela qualidade das relações entre os membros. O tema da schola caritatis adotado para o Capítulo Geral de 1996 indica a preocupação generalizada na Ordem para fazer nossas casas afetivamente viáveis. De acordo com Michael Casey,o maior obstáculo para isso é o individualismo.

Muitas Ordens tem o mesmo problema. Um Franciscano Geral disse que a principal razão dada para secularização em sua Ordem era a ‘solidão’.

Contudo, a experiência do deserto ou da noite escura da alma é parte e parcela da vida cristã. Verdadeira comunhão, koinonía, como eles tinham na Igreja primitiva, fornecem a chave para a verdadeira vida em família. Nesse espírito, a ‘escola do amor’ de nossos Pais e Mães Cistercienses, fornece a melhor forma de vencer a solidão.

O salmista diz que o justo cai sete vezes ao dia. Ele também diz que um irmão ajudado pelo irmão é como uma cidade forte. E de qualquer maneira, é pouco provável que nós sempre estaremos todos mal de uma vez e ao mesmo tempo.

Possa Santo Aelred, Patrono deste Mosteiro, nos conceder a graça de uma verdadeira vida em família, para assim atrair mais 'cortesãos' à amizade com Jesus, aqui nos Montes Lammermuir. Amen.


Fr. Nivard McGlynn,OCSO
Chapter Sermon
Dom Donald's Blog

S.AELRED DE RIEVAULX – Receber ao Senhor no coração: preparar o castelo interior



SANTO AELRED DE RIEVAULX
12 DE JANEIRO
SOLENIDADE CALENDÁRIO LITÚRGICO CISTERCIENSE

RECEBER AO SENHOR NO CORAÇÃO

Nosso receber ao Senhor

Quem de vós, se Nosso Senhor estivesse na terra e quisesse chegar até Ele, não se alegraria de um modo admirável e inefável? Que diremos, portanto, irmãos, se agora, porque Ele não está corporalmente na terra, porque não podemos recebê-lo corporalmente, por isto deixaríamos de esperar a Sua vinda? Preparemos devidamente nossas casas e, sem dúvida, nesse trabalho, Ele virá muito melhor que se tivesse vindo corporalmente.


Receber ao Senhor no coração


Preparar o castelo interior: a fundação e a humildade

Por conseguinte, irmãos, preparemos a casa espiritual para que venha a nós o Nosso Senhor. Digo sem rodeios: se a Virgem Maria não tivesse preparado em si este castelo, o Senhor Jesus não haveria entrado em seu seio nem em seu coração.

Preparemos, pois, este castelo. Nele se fazem três coisas para que seja forte, isto é: fundação, muro e torre. Primeiro, a fundação; depois, o muro sobre a fundação e, por último, a torre que é mais forte e excelente que tudo o mais. O muro e a fundação se protegem mutuamente porque, se não precede a fundação, podem os homens, por algum meio engenhoso, aproximarem-se do muro para escavá-lo. E se o muro não estivesse sobre a fundação, poderiam aproximarem-se igualmente a esta e enchê-la. A torre guarda todas as coisas porque é mais alta que todas.

Entremos, agora, em nossa alma e vejamos como deve realizar-se espiritualmente tudo isto em nós.

Encher a fundação

Que é a fundação senão a terra profunda? Então, cavemos em nosso coração onde haja terra vil. Tiremos a terra que está dentro e a joguemos fora. Assim, efetivamente, se faz a fundação.

A terra que devemos tirar e jogar fora é nossa terrena fragilidade. Que esta não permaneça oculta no interior, mas que esteja sempre presente ante nossos olhos para que exista a fundação em nosso coração, quer dizer, a terra profunda da humildade.

Logo, irmãos, esta fundação é a humildade. Recordemos do que disse aquele dono da vinha no Evangelho a respeito daquela árvore que o Senhor da vinha quis cortar porque não encontrou fruto nela: Senhor, deixa-a também este ano até que cave ao redor e a melhore. Quis fazer ali uma fundação, isto é, ensinar-lhe a humildade. Assim, pois, irmãos, comecemos a edificar esta casa porque, se tal fundação não estivesse primeiramente em nosso coração, quer dizer, a verdadeira humildade, poderíamos edificar só ruína sobre a própria cabeça.


S. Aelred de Rievaulx, Abade Cisterciense
Del Sermón 17, En la Asunción de María
Del libro “Caminar con Cristo”
Padres Cistercienses

S.AELRED DE RIEVAULX – Praticar a caridade fraterna segundo o exemplo de Cristo



SANTO AELRED DE RIEVAULX
12 DE JANEIRO
SOLENIDADE CALENDÁRIO LITÚRGICO CISTERCIENSE

Devemos praticar a caridade fraterna segundo o exemplo de Cristo

“Nada nos anima tanto ao amor dos inimigos, no que consiste a perfeição da caridade fraterna, como a grata consideração daquela admirável paciência com a qual Aquele que era «o mais belo dos homens» entregou seu atraente rosto às afrontas dos ímpios, e submeteu aqueles olhos, cujo pestanejar rege todas as coisas, a ser velados pelos iníquos; aquela paciência com a qual apresentou suas costas à flagelação e sua cabeça, temível aos principados e potestades, à aspereza dos espinhos; aquela paciência com a qual se submeteu aos opróbrios e maus tratos; com a qual, enfim, admitiu pacientemente a cruz, os cravos, a lança, o fel, o vinagre, sem deixar de manter-se em todo momento suave, manso e tranquilo. Em resumo, como cordeiro foi levado ao matadouro, como uma ovelha ante o tosquiador, emudecia e não abria a boca.

Haverá alguém que ao escutar aquela frase admirável, plena de doçura, de caridade, de imutável serenidade: «Pai, perdoa-lhes», não se apresse a abraçar com toda sua alma a seus inimigos? «Pai», disse, «perdoa-lhes». Haveria algo mais de mansidão ou de caridade que pudesse acrescentar a esta petição?

Entretanto, Ele o acrescentou. Era pouco interceder; quis também desculpá-los. «Pai», disse, «perdoa-os porque não sabem o que fazem». São desde sempre grandes pecadores, mas muito pouco perspicazes; portanto, Pai, perdoa-os. Crucificam; mas não sabem a quem crucificam, porque «se tivessem sabido, nunca teriam crucificado ao Senhor da glória»; por isso, «Pai, perdoa-os». Pensam que se trata de um prevaricador da lei, de alguém que se crê presunçosamente Deus, de um sedutor do povo. Mas Eu lhes havia escondido meu rosto e não puderam conhecer minha majestade; por isso, «Pai, perdoa-os, porque não sabem o que fazem».

Em consequência, para que o homem se ame retamente a si mesmo, procure não deixar-se corromper por nenhum atrativo mundano. Mas para não sucumbir ante semelhantes inclinações, trate de orientar todos os seus afetos até a suavidade da natureza humana do Senhor. Logo, para sentir-se sereno mais perfeita e suavemente com os atrativos da caridade fraterna, trate de abraçar também a seus inimigos com um verdadeiro amor.

Mas para que este Fogo divino não se debilite ante as injurias, considere sempre com os olhos da mente a serena paciência de seu amado Senhor e Salvador”.


S. Aelred de Rievaulx, Abade Cisterciense
De speculo caritatis, III, V: PL 195, 582

S.AELRED DE RIEVAULX – Deus permitiu ao homem ser feliz



SANTO AELRED DE RIEVAULX
12 DE JANEIRO
SOLENIDADE CALENDÁRIO LITÚRGICO CISTERCIENSE

«Deus permitiu ao homem ser feliz: o homem é capaz de ser feliz»

"Na criação do universo Deus permitiu ao homem não somente existir, como aos outros seres, nem de ser somente bom, nem somente belo e equilibrado, mas também ser feliz. Mas, como nenhuma criatura existe por si mesma, nem por si mesma é bela ou boa, mas recebe o que tem do próprio Deus, que é o sumo ser, o sumo bem, a suma beleza, a bondade de todas as coisas boas, a beleza de todas as coisas belas, a causa de todas as coisas existentes, assim nem a felicidade de todas as realidades felizes é feliz por si mesma, mas por obra daquele que é a suma felicidade. Somente a criatura racional é capaz de tal felicidade. Essa, de fato, foi criada à imagem do seu Criador e, portanto, é adequada a unir-se profundamente a Ele, do qual é à imagem: dado que Ele é o único bem da criatura racional, como afirma o santo Davi: o meu bem é estar junto de Deus. Certamente esta não é uma união do corpo, mas da alma, na qual o autor da natureza inseriu três faculdades com as quais o homem torna-se possuidor da eternidade divina, participante da sabedoria divina e saboreador da doçura divina. Chamo a estas três faculdades de memória, ciência, amor ou vontade. A memória é capaz de conduzir à eternidade, a ciência à sabedoria, a vontade à doçura. O homem foi criado com estas três faculdades à imagem da Trindade: graças à memória lembra-se de Deus sem poder esquecê-lo, com a ciência o conhece sem errar, através da vontade o abraça sem desejar nenhuma outro coisa. Alcançado este ponto é feliz".


S. Aelred de Rievaulx, Abade Cisterciense
De speculo caritatis, I, III, a cura di M. A. Chirico, pp.309-311
Scuola Cistercense, Pensieri D’amore, Casale Monferrato 2000

S.AELRED DE RIEVAULX – VÍDEO – Elogio da amizade


SANTO AELRED DE RIEVAULX
12 DE JANEIRO
SOLENIDADE CALENDÁRIO LITÚRGICO CISTERCIENSE





S. Aelred de Rievaulx, Abade Cisterciense
Del Tratado de San Elredo sobre la amistad espiritual
Col.Padres Cistercienses n.9, Azul-Argentina, 1982, pp.288-290
Monasterio Sta.María de Las Escalonias


BATISMO DO SENHOR - A vocação do cristão é a santidade que é escutar a Jesus



FESTA DO BATISMO DO SENHOR
10 DE JANEIRO

«A vocação do cristão é a santidade»

A santidade: «escutar» a Jesus; explica o Papa

"No Batismo de Cristo canta a liturgia hodierna o mundo é santificado e os pecados são perdoados; na água e no Espírito tornamo-nos novas criaturas" (Antífona ao Benedictus, Ofício das Laudes).

Na Festa do Batismo do Senhor, festa litúrgica, que fecha o período de Natal e inicia o “tempo ordinário”, na oração do Angelus, o Papa Bento XVI lembrou que é deste sacramento de onde brota o chamado e o compromisso de todo cristão com a santidade.

A vocação do cristão é a santidade, que consiste em «escutar» a Jesus. O compromisso que brota do Batismo consiste em "ouvir" Jesus: ou seja, em acreditar nele e em segui-lo docilmente, fazendo sua vontade, a vontade de Deus. Deste modo, cada um de nós pode tender à santidade, uma meta que, como lembra o Concílio Vaticano II, constitui a vocação de todos os batizados.

Em sua alocução, o Santo Padre constatou que para os quatro evangelistas a passagem do Batismo de Jesus no Jordão pelas mãos de João Batista é sumamente importante, pois constitui a primeira apresentação clara da Trindade —das Pessoas do Pai, do Filho e do Espírito Santo—, assim como o início do ministério público de Cristo pelos caminhos da Palestina. “Trata-se da manifestação do mistério trinitário de forma clara e completa mas ao mesmo tempo se trata de um acontecimento que marca o início do ministério público de Jesus na Palestina”.

Mais adiante, explicou que “existe uma estreita correlação entre o Batismo de Cristo e nosso Batismo”. No Jordão, abriram-se os céus para indicar que o Salvador nos abriu o caminho da salvação e que podemos percorrê-lo precisamente graças ao novo nascimento “na água e no Espírito” (Jo 3,5), que se realiza no Batismo.

Nele, nós somos introduzidos no Corpo místico de Cristo, que é a Igreja, morremos e ressuscitamos com Ele, nos revestimos Dele», concluiu.

“Que María, a Mãe do Filho de Deus, nos ajude a ser sempre fiéis ao nosso Batismo”, concluiu o Bispo de Roma seu discurso prévio à oração Mariana.


Papa Bento XVI
Angelus, 07/01/2007
Acidigital/Zenit

FESTA DO BATISMO DO SENHOR - Jesus santificou o batismo quando Ele foi batizado para que por seu batismo conseguíssemos a graça



FESTA DO BATISMO DO SENHOR
10 DE JANEIRO

«Jesus santificou o batismo quando Ele foi batizado para que por seu batismo conseguíssemos a graça»

“Jesus santificou o batismo quando Ele foi batizado. Se o Filho de Deus se fez batizar, quem poderá depreciar o batismo sem faltar à piedade? Pois Jesus não foi batizado para receber o perdão dos pecados (pois estava livre do pecado), mas, apesar disso, foi batizado para outorgar a graça e a dignidade Divina a quem se batiza. Pois «assim como os filhos participam do sangue e da carne, participou Ele também dos mesmos» (Hb 2, 14), a fim de que, feitos partícipes de sua presença corporal, também tivéssemos parte em sua graça: para isso Jesus se fez batizar, para que por seu batismo conseguíssemos a graça, pela comunhão na mesma realidade, junto com a honra da salvação.

Também tu descerás à água do batismo. Desces à água levando os pecados mas a alma fica selada pela invocação da graça. Também tu, descendo à água, és ressuscitado caminhando em vida nova.

Jesus Cristo era Filho de Deus. E no entanto, não evangelizava antes de receber o batismo. Se Ele próprio, o Senhor, administrava os momentos com uma certa ordem, acaso devemos nós, que somos servos, atrever-nos a algo fora dessa ordem? Jesus começou sua pregação quando «desceu sobre Ele o Espírito Santo em forma corporal, como uma pomba» (Lc 3, 22). Não quer dizer que Jesus fosse o primeiro a vê-lo (pois o conhecia antes que aparecesse na forma corporal). O importante, então, era que o visse João. Pois este diz: «Eu não o conhecia, mas aquele que me enviou a batizar com água disse-me: Aquele sobre quem vires o Espírito descer e permanecer sobre ele, esse é quem batiza com o Espírito Santo.» (Jo 1, 33). E também sobre ti, se tens uma piedade sincera, descerá o Espírito Santo e a voz do Pai descerá desde o alto sobre ti; não, «Este é meu Filho» (Mt 3, 17), mas «Este foi feito agora meu filho ». Só Dele, Jesus, se disse: «No princípio era a Palavra, e a Palavra estava junto de Deus, e a Palavra era Deus» (Jo 1, 1). É adequado ‘o verbo é’ posto que o Filho de Deus existe sempre. Mas o adequado para ti é «foi feito agora», posto que, o ser filho não o és por natureza, senão que conseguiste por adoção o ser chamado filho. Ele sim, o é desde toda a eternidade, mas tu adquires essa graça como um dom.

Prepara, pois, o receptáculo de tua alma para que sejas feito filho de Deus e certamente herdeiro de Deus, co-herdeiro de Cristo (Rm 8, 17). Tu o conseguirás se te preparares, aproximando-te pela fé para conseguir uma firme convicção, deixando de lado o homem velho. Pois te será perdoado todo o mal que tenhas feito. Que maior pecado que o de ter crucificado a Cristo? Também isto o expia o batismo. Pois ao aproximarem-se aqueles três mil que haviam crucificado ao Senhor e lhes falava Pedro, quando perguntaram: «Que temos de fazer, irmãos?» (At 2, 37), nos advertiu, Pedro, de nossa ruína, dizendo: «Matastes ao Chefe que leva à vida» (At 3, 15). Que emplasto se colocará nesta ferida? Como se limpará tanta sujeira? Qual será a salvação para tanta perdição? Respondeu ele: «Convertei-vos e que cada um de vós se faça batizar em nome de Jesus Cristo para remissão de vossos pecados; y recebereis o dom do Espírito Santo» (At 2, 38).

Oh inenarrável clemência de Deus que agracia com o dom do Espírito Santo! Já veis que poder tem o batismo! Se algum de vós crucificou a Cristo com palavras blasfemas, ou se alguém por ignorância o negou ante os homens ou se, finalmente, alguém por suas más ações fez que se maltratasse a verdade, que este se converta e tenha esperança, pois a graça permanece ativa.

«Solta gritos de alegria, ó Israel! Alegra-te e rejubila-te de todo o teu coração, filha de Jerusalém! Confia: o Senhor suprimirá teus pecados» (Sf 3, 14-15). Derramará sobre vós água pura e sereis purificados de todo o vosso pecado (cf. Ez 36, 25). Chegarão até vós os coros angélicos e dirão: «Quem é esta que sobe do deserto apoiada em seu amado?» (Ct 8, 5). A alma que antes era escrava tem agora ao Senhor como seu amado. E Ele, ao recebê-la, exclamará: Que bela és, amada minha, que bela és!» (Ct 4, 1, 2). E também se diz: «Todos os partos serão de gêmeos» (Ct 4, 2), porque se trata de uma dupla graça: me refiro a que se consegue pela água e o Espírito, e se anuncia na antiga e na nova Aliança. Permita Deus que todos vós, «frutificando em toda obra boa» (Cl 1, 10) e mantendo-vos de pé ante o Esposo com coração irrepreensível, consigais o perdão dos pecados da parte de Deus, a Quem seja toda a glória com o Filho e o Espírito Santo por todos os séculos. Amém”.


São Cirilo de Jerusalém
CATEQUESIS III, 11-12-14-15-16
(Catequeses Batismais)

BATISMO DO SENHOR – Ó Jesus, vós, Santo, inocente, imaculado, vos aproximais pedindo o batismo



FESTA DO BATISMO DO SENHOR
10 DE JANEIRO

«Ó Jesus, vós, Santo, inocente, imaculado, separado dos pecadores, vos aproximais pedindo o batismo»


“Ó Jesus, vós, Santo, inocente, imaculado, separado dos pecadores, vos aproximais como culpado, pedindo o batismo da remissão dos pecados!

Que mistério é este?

João recusa energicamente administrar-vos o batismo de penitência e Vós lhe respondeis: ‘Não te oponhas, pois assim nos convém cumprir a justiça completa’.

Que justiça é esta?

São as humilhações de vossa adorável humanidade que, prestando homenagem à Santidade Infinita, constitui a satisfação plena de todas as nossas dívidas para com a Justiça Divina.

Vós, Justo e Inocente, vos substituís a toda a humanidade pecadora. Ó Jesus, humilhe-me eu convosco, reconhecendo minha qualidade de pecador, e renove a renúncia ao pecado, já feita no batismo”.


Beato D.Columba Marmion
Cristo Nei Suoi Misteri 9, pp.152-154