sábado, 16 de janeiro de 2010

EPIFANIA DO SENHOR - Para Vós, Senhor, a manifestação do vosso Filho é a manifestação clara do quanto e como nos amastes



SOLENIDADE DA EPIFANIA DO SENHOR
03 DE JANEIRO

«Para Vós, Senhor, falar por meio do vosso Filho não foi outra coisa senão trazer à luz do sol, isto é, manifestar claramente o quanto e como nos amastes»

“Somente Vós sois realmente o Senhor, Vós para quem dominar sobre nós é salvar-nos; enquanto, para nós, servir-vos nada mais é do que ser salvos por vós.

Senhor, de Vós procede a bênção e a salvação para vosso povo. Mas que salvação é esta senão a graça que nos concedeis de vos amar e de ser amados por vós?

Por isso, Senhor, quisestes que o Filho que está à vossa direita, o homem que fortalecestes para Vós, fosse chamado Jesus, isto é, Salvador; pois ele vai salvar o povo de seus pecados (Mt 1,21) e em nenhum outro há salvação (At 4,12). Ele nos ensinou a amá-Lo, ao nos amar primeiro e até à morte de cruz. Por seu amor e sua dileção, suscita nosso amor por Ele, que nos amou primeiro até o fim. Foi assim mesmo: Vós nos amastes primeiro para que vos amássemos. Não tínheis necessidade de ser amado por nós, mas não poderíamos atingir o fim para o qual fomos criados se não vos amássemos. Eis por que, tendo falado outrora a nossos pais muitas vezes e de muitos modos por intermédio dos profetas, nestes últimos tempos nos falastes pelo vosso filho, pelo vosso Verbo; por Ele é que os céus foram criados, e pelo sopro de seus lábios, todo o universo (Sl 32,6).

Para Vós, falar por meio do vosso Filho não foi outra coisa senão trazer à luz do sol, isto é, manifestar claramente o quanto e como nos amastes, Vós que não poupastes vosso próprio Filho, mas o entregastes por todos nós. E Ele também nos amou e se entregou por nós.

É essa, Senhor, a Palavra que nos dirigistes, o Verbo todo-poderoso. Quando todas as coisas estavam envolvidas no silêncio (Sb 18,14), ou seja, nas profundezas do erro, ele desceu do seu trono real (Sb 18,15) para combater energicamente todos os erros e fazer triunfar suavemente o amor.

E tudo o que Ele fez, tudo o que disse na terra, até aos opróbrios, até aos escarros e às bofetadas, até à cruz e à sepultura, não foi senão a Palavra que nos dirigistes em vosso Filho, suscitando pelo vosso amor o nosso amor por Vós.

Bem sabíeis, ó Deus, Criador dos homens, que este amor não pode ser imposto, mas que é necessário estimulá-lo no coração humano. Porque onde há coação não há liberdade, e onde não há liberdade também não há justiça. Quisestes assim que vos amássemos, pois não poderíamos ser salvos com justiça sem vos amar; e não poderíamos amar-vos sem
receber de Vós esse amor.

Por isso, Senhor, como diz o Apóstolo do vosso amor e nós também já dissemos, Vós nos amastes primeiro; e amais primeiro todos os que vos amam. Nós, porém, vos amamos com afeto do amor que pusestes em nós. Mas vosso amor, vossa bondade, ó sumamente Bom e Sumo Bem, é o Espírito Santo, que procede do Pai e do Filho. Desde o princípio da criação Ele pairava sobre as águas, isto é, sobre os espíritos indecisos dos filhos dos homens; Ele se oferece a todos, atrai tudo a si, inspirando, encorajando, afastando as coisas nocivas, providenciando as úteis, unindo Deus a nós e unindo-nos a Deus”.


Guilherme de Saint-Thierry
Abade do Mosteiro de Saint-Thierry
De contemplando Deo, 9-11: SCh 61, 90-96

EPIFANIA DO SENHOR - O irradiar-se da luz de Cristo, refletida no rosto do seu Corpo místico



SOLENIDADE DA EPIFANIA DO SENHOR
03 DE JANEIRO

«O irradiar-se da luz de Cristo, refletida no rosto do seu Corpo místico»

Hoje a Igreja celebra a solenidade da Epifania, «manifestação» de Cristo a todos os povos, representados pelos Magos vindos do Oriente.

Esta festividade ajuda-nos a penetrar o profundo sentido da missão universal da Igreja, que se pode compreender como um movimento de irradiação: o irradiar-se da luz de Cristo, refletida no rosto do seu Corpo místico. E dado que esta luz é luz de amor, verdade e beleza, não se impõe com a força, mas ilumina as mentes e atrai os corações.

Ao irradiar esta luz, a Igreja obedece ao mandato de Cristo ressuscitado: «Ide (...) ensinai todas as nações» (Mt. 28, 19). Trata-se de um movimento que, a partir do centro, da Eucaristia, se propaga em todas as direções, através do testemunho e do anúncio do Evangelho. Este «ir» é animado por um impulso interior de caridade, sem o qual não produziria qualquer fruto.

A experiência dos Magos é muito eloquente a este propósito: eles movem-se guiados pela luz de uma estrela, que os atrai a Cristo. A Igreja deve ser como aquela estrela, isto é, capaz de refletir a luz de Cristo, a fim de que os homens e os povos em busca de verdade e justiça se ponham em caminho rumo a Jesus, único Salvador do mundo.

Esta tarefa missionária é confiada a todo o Povo de Deus, mas incumbe de modo especial a quantos são chamados ao ministério apostólico, isto é, aos Bispos e Sacerdotes. Rezemos juntos por todos os Bispos do mundo, para que o seu serviço ao Evangelho seja cada vez mais generoso e fiel. Confiamos estes votos à Virgem Maria.


Papa João Paulo II
Angelus, 06 de Janeiro de 1997

EPIFANIA DO SENHOR - Bendita Luz que vem em nome do Senhor e nos ilumina



SOLENIDADE DA EPIFANIA DO SENHOR
03 DE JANEIRO

«Bendita Luz que vem em nome do Senhor e nos ilumina»

«Levanta-te, resplandece, Jerusalém, porque chegou a tua Luz. Bendita Luz que vem em nome do Senhor, é o Senhor Deus e nos ilumina. E por sua bondade, também iluminou para nós este dia santificado pela iluminação da Igreja.

Graças a ti, Luz verdadeira, que iluminas a todo homem que vem a este mundo, e veio para isso como homem a este mundo. Foi iluminada Jerusalém, nossa mãe, mãe de todos os que mereceram ser iluminados, de modo que já resplandeça para todos os que estão no mundo. Graças a ti, Luz verdadeira, que te converteste em uma lâmpada para iluminar a Jerusalém e para que a Palavra de Deus fosse uma lâmpada para meus passos. Graças a ti, digo, porque a mesma Jerusalém plena de luz, se converteu em uma lâmpada que ilumina a todos. Pois não só foi iluminada, mas posta sobre o candelabro, todo de ouro. Ei-la aqui posta como cidade sobre o cume dos montes, ela que em outro tempo estava abandonada e odiada! Ei-la aqui, feito o orgulho de todos os séculos, para que seu evangelho brilhe ao largo e na largura até onde cheguem os confins do mundo!»


Beato Guerric d’Igny
Camino de Luz - Sermones Litúrgicos I,Sermón III, En la Epifanía
Monte Carmelo, Burgos 2004, p. 119-120

EPIFANIA DO SENHOR – A Luz estava no mundo e o mundo foi feito por ela, mas o mundo não a conheceu



SOLENIDADE DA EPIFANIA DO SENHOR
03 DE JANEIRO

«A Luz estava no mundo e o mundo foi feito por ela, mas o mundo não a conheceu»

“Bendita Luz! Chegou realmente a tua luz! Ela estava no mundo e o mundo foi feito por ela, mas o mundo não a conheceu.

O Menino nascera, mas não foi conhecido enquanto o dia da luz não começou a revelá-lo. Erguei-vos, vós que estais sentados nas trevas! Dirigi-vos para esta luz; ela ergueu-se nas trevas, mas trevas não conseguiram abarcá-la. Aproximai-vos e sereis iluminados; na luz vereis a luz, e dir-se-á sobre vós: “Outrora éreis trevas, mas agora sois luz no Senhor” (Ef 5, 8). Vede que a luz eterna se acomodou aos vossos olhos, para que Aquele que habita uma luz inacessível possa ser visto pelos vossos olhos fracos e doentes. Descobri a luz numa lâmpada de argila, o sol na nuvem, Deus num homem, no pequeno vaso de argila do vosso corpo o esplendor da glória e o brilho da luz eterna!

Nós de damos graças, Pai da luz, por nos teres chamado das trevas à tua luz admirável. Sim, a verdadeira luz, mais do que isso, a vida eterna, consiste em Te conhecer, a Ti, único Deus, e ao Teu enviado Jesus Cristo. É certo que Te conhecemos pela fé, e temos como seguro que um dia Te conheceremos na visão. Até lá, aumenta-nos a fé. Conduz-nos de fé em fé, de claridade em claridade, sob a moção do teu Espírito, para que penetremos cada dia mais nas profundezas da luz! Que a fé nos conduza à visão face a face e que, à semelhança da estrela, ela nos guie até ao nosso chefe nascido em Belém.

Que alegria, que exultação para a fé dos magos, quando virem reinar, na Jerusalém das alturas, Aquele que adoraram quando vagia em Belém! Viram-no aqui numa habitação de pobres; lá, vê-Lo-emos no palácio dos anjos. Aqui, nos paninhos; lá, no esplendor dos santos. Aqui, no seio de sua Mãe; lá, no trono de seu Pai”.


Beato Guerric d'Igny, Abade Cisterciense
Camino de Luz - Sermones Litúrgicos I, Sermón II, En la Epifanía
Monte Carmelo, Burgos 2004

EPIFANIA DO SENHOR - Quando Deus é adorado no menino, anuncia-se a verdadeira humanidade de Cristo e a integridade da Mãe de Deus



SOLENIDADE DA EPIFANIA DO SENHOR
03 DE JANEIRO

«Quando Deus é adorado no menino, anuncia-se a verdadeira humanidade de Cristo e a integridade da Mãe de Deus»

Quando Deus é adorado no menino, presta-se honra ao parto virginal. Quando se apresentam dádivas ao homem-Deus, adora-se a dignidade do divino Filho. Ao encontrar Maria com o menino, anuncia-se a verdadeira humanidade de Cristo e a integridade da Mãe de Deus. Com efeito, assim fala o evangelista: Quando entraram na casa, viram o menino com Maria, sua mãe. Ajoelharam-se diante dele e o adoraram. Depois abriram seus cofres e lhe ofereceram presentes: ouro, incenso e mirra (Mt 2, 11).

Os presentes oferecidos pelos Magos revelam os mistérios secretos de Cristo. Dando-lhe ouro, proclamam-no Rei; oferecendo-lhe incenso, adoram-no como Deus; apresentando-lhe mirra, reconhecem-no mortal. Cremos, portanto, que Cristo assumiu a nossa mortalidade para sabermos que, com sua morte única, foi abolida a nossa morte dupla. O modo como Cristo se manifestou mortal, e pagou a dívida da morte, encontras escrito em Isaías: Como um cordeiro foi levado ao matadouro (Is 53, 7).

Quanto a nossa fé na realeza de Cristo, é pela autoridade divina que a recebemos. Pois ele disse de si mesmo em um salmo: Eu fui constituído Rei por ele (Sl 2, 6 – Vulg.), isto é, por Deus Pai. E que seja o Rei dos reis, afirma-o pela Sabedoria: É por mim que reinam os reis e os príncipes decretam leis justas (Pr 8, 15). E que Cristo seja realmente Deus e Senhor, atesta-o o mundo inteiro por ele criado. É ele quem diz no Evangelho: Foi-me dada toda a autoridade no céu e na terra (Mt 28, 18). E o santo evangelista acrescenta: Tudo foi feito por intermédio dele, e sem ele nada foi feito de tudo o que existe (Jo 1, 3). Se sabemos que tudo foi feito por intermédio dele e nele subsiste, devemos crer, por conseguinte, que todas as coisas tenham reconhecido sua vinda.


Santo Odilon de Cluny, Abade
Sermo II de Epiphania Domini
Patrologia Latina 142, 997-998

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

SOLENIDADE DA SANTA MÃE DE DEUS – A humildade encanta a Deus



MARIA, SANTA MÃE DE DEUS
SOLENIDADE
01 DE JANEIRO


«A humildade encanta a Deus»


"Existe uma humildade tão grande e maravilhosa como a sua, em meio a tanta pureza e inocência, com uma consciência tão limpa de pecado e tão cheia de graça? De onde te vem, oh ditosa mulher, essa humildade tão incomparável? Bem merece que o Senhor se fixe nela, que o Rei fique prisioneiro de sua beleza, e que com seu delicado perfume atraia a seu tálamo ao que vive no Seio eterno do Pai! Observa quanta harmonia existe entre o canto de nossa Virgem e o canto nupcial; não podia ser de outra maneira: seu seio foi o tálamo do Esposo. Escuta a Maria no Evangelho: Se fixou em sua humilde escrava. E escuta-a no canto dos esposos: Enquanto o rei estava em seu leito, meu nardo desprendia seu perfume. O nardo é uma planta muito pequena e muito reconfortante, por isso simboliza admiravelmente a humildade, cujo aroma e formosura encantaram a Deus".


São Bernardo de Claraval
Obras completas de San Bernardo, p. 371
En la Asunción de Santa María, 4
Ed. Monjes Cistercienses de España


SOLENIDADE DA SANTA MÃE DE DEUS – Como um arco-íris, acima das nuvens



MARIA, SANTA MÃE DE DEUS
SOLENIDADE
01 DE JANEIRO


«Como um arco-íris, acima das nuvens»


Santa Brígida afirma ter ouvido dos lábios da Mãe de Deus:


"Eu sou aquela que, em constante oração, vela pelo mundo, como o arco-íris que surge no céu, acima das nuvens e que parece se inclinar sobre a terra e tocá-la, com suas duas extremidades.

Eu me inclino, efetivamente, para as boas pessoas, para que nelas sejam reforçados os preceitos da Santa Madre Igreja; inclino-me sobre aqueles que não são bons, para que eles não perseverem na malícia, tornando-se piores."


Santa Brígida da Suécia
Revelações 1, 3, c 10. Ed. Durante, p. 183


SOLENIDADE DA SANTA MÃE DE DEUS – Com Maria se cumprem os tempos e se inaugura a nova economia da salvação



MARIA, SANTA MÃE DE DEUS
SOLENIDADE
01 DE JANEIRO


«Com Maria se cumprem os tempos e se inaugura a nova economia da salvação»


“A Sagrada Escritura do Antigo e Novo Testamento e a venerável Tradição mostram de modo progressivamente mais claro e como que nos põem diante dos olhos o papel da Mãe do Salvador na economia da salvação. Os livros do Antigo Testamento descrevem a história da salvação na qual se vai preparando lentamente a vinda de Cristo ao mundo. Esses antigos documentos, tais como são lidos na Igreja e interpretados à luz da plena revelação ulterior, vão pondo cada vez mais em evidência a figura duma mulher, a Mãe do Redentor.

A esta luz, Maria encontra-se já profeticamente delineada na promessa da vitória sobre a serpente (cfr. Gén. 3,15), feita aos primeiros pais caídos no pecado. Ela é, igualmente, a Virgem que conceberá e dará à luz um Filho, cujo nome será Emmanuel (cfr. Is. 7,14; cfr. Miq. 5, 2-3; Mt. 1, 22-23). É a primeira entre os humildes e pobres do Senhor, que confiadamente esperam e recebem a salvação de Deus. Com ela, enfim, excelsa Filha de Sião, passada a longa espera da promessa, se cumprem os tempos e se inaugura a nova economia da salvação, quando o Filho de Deus dela recebeu a natureza humana, para libertar o homem do pecado com os mistérios da Sua vida terrena”.


Concílio Vaticano II
Constituição Dogmática sobre a Igreja, «Lumen Gentium», 55


SOLENIDADE DA SANTA MÃE DE DEUS – Para achar a graça de Deus é necessário encontrar Maria



MARIA, SANTA MÃE DE DEUS
SOLENIDADE
01 DE JANEIRO


«Para a prática da virtude necessitamos da graça de Deus;
Para achar a graça de Deus é necessário encontrar Maria»


“Para que bem utilizemos todos esses meios de salvação e de santificação, mister se nos faz o socorro e a graça de Deus, graça que, em maior ou menos grau, é a todos concedida; ninguém o duvide. Em maior ou menor grau, digo eu, porque Deus, ainda que infinitamente bom, não concede sua graça de modo igual a todos, muito embora de a todos a graça suficiente. A alma fiel a uma grande graça, pratica uma grande ação; com uma graça menor, pratica uma ação menor. O preço e a excelência da graça, dada por Deus e correspondida pela alma, fazem o preço e a excelência de nossas ações. São incontestáveis esses princípios.

Tudo enfim se reduz a encontrar-se um meio fácil de obter de Deus a graça necessária para a santificação; é o que te quero ensinar. Asseguro-te, porém que para achar a graça de Deus é necessário encontrar Maria. Porque Maria nos é necessária? Porque somente Maria encontrou graça diante de Deus”.


São Luis Mª Grignon de Monfort
"O Segredo de Maria"


SOLENIDADE DA SANTA MÃE DE DEUS – A Mãe de Deus nos encoraje a começar este novo ano com um gesto de amor



MARIA, SANTA MÃE DE DEUS
SOLENIDADE
01 DE JANEIRO

«A Mãe de Deus nos encoraje a começar este novo ano com um gesto de amor»

Caríssimos Irmãos e Irmãs,

Neste primeiro dia do ano desejo fazer chegar a todas as famílias, a todos os povos, a todas as pessoas de boa vontade, os meus votos de serenidade e de paz. São os votos que se elevam do coração, mas sobretudo estão apoiados sobre a certeza de que, no desenrolar do tempo, Deus permanece fiel ao seu amor. Sim, Deus ama-nos! Ama-nos com um amor ilimitado! Recordamo-lo também na solenidade litúrgica deste dia, que nos faz invocar a Virgem Santa com o título de «Mãe de Deus». O que significa proclamar Maria «Mãe de Deus»? Significa reconhecer que Jesus, o fruto do seu seio, é o Filho de Deus, consubstancial ao Pai, por Ele gerado na eternidade. Mistério grande, mistério de amor! Ele, o Unigénito do Pai (Jo 1, 14), fez-Se um de nós. Deste modo, «a eternidade entrou no tempo» (Tertio millennio adveniente, 9), e o desenrolar dos anos, dos séculos, dos milênios, já não é uma cega viagem rumo ao desconhecido, mas um caminhar em direção a Ele, plenitude do tempo (cf. Gl 4, 4) e a meta da história.

Honrando a Virgem Santa como Mãe de Deus, nós queremos também ressaltar que Jesus, o Verbo eterno feito carne, é verdadeiro «Filho de Maria». Ela transmitiu-Lhe uma humanidade plena. Foi-Lhe mãe e educadora, infundindo-Lhe a doçura, a delicada fortaleza do seu temperamento e as riquezas da sua sensibilidade. Maravilhoso intercâmbio de dons: Maria que, como criatura, é antes de tudo discípula de Cristo e por Ele remida, ao mesmo tempo, foi escolhida como sua Mãe para plasmar a sua humanidade. Na relação entre Maria e Jesus realiza-se assim, de modo exemplar, o sentido profundo do Natal: Deus fez-Se como nós, para que nos tornássemos, de algum modo, como Ele!

Foi precisamente em virtude deste mistério de amor que não hesitei centralizar a minha mensagem para este primeiro dia do ano, no qual se celebra o Dia Mundial da Paz, num tema exigente e de igual modo vital: «Oferece o perdão, recebe a paz». Bem sei: é difícil perdoar, às vezes parece mesmo impossível, mas é a única via, pois toda a vingança e toda a violência atraem outras vinganças e outras violências. Torna-se com certeza menos difícil perdoar, quando se é consciente de que Deus jamais se cansa de nos amar e de nos perdoar. Quem de nós não tem necessidade do perdão de Deus? A Virgem Santa, a Mãe de Deus, nos encoraje a começar este novo ano com um gesto de amor, se necessário, de reconciliação, com o propósito de contribuir para a edificação dum mundo melhor, marcado pela justiça e pela paz. Jamais nos esqueçamos de que tudo passa e só o eterno pode preencher o coração.

Feliz Ano Novo, cheio de bênçãos do Céu que Jesus Cristo nos trouxe e oferece a todos!


Papa João Paulo II
Angelus, 01 de Janeiro de 1997


SOLENIDADE DA SANTA MÃE DE DEUS – Ó Divina e Viva Obra-prima em quem Deus Criador Se compraz



MARIA, SANTA MÃE DE DEUS
SOLENIDADE
01 DE JANEIRO

«Ó Divina e Viva Obra-prima em quem Deus Criador Se compraz»

"Ó Filha sempre Virgem, que pudestes conceber sem intervenção humana, porque Aquele que concebestes tem um Pai Eterno! Ó Filha da estirpe terrena, que trouxestes o Criador em vossos braços divinamente maternos!

Verdadeiramente sois mais preciosa do que toda a criação, porque somente de Vós o Criador recebeu em herança as primícias de nossa matéria humana. A Sua Carne foi feita de vossa carne, Seu Sangue de vosso sangue; Deus se alimentou de vosso leite, vossos lábios tocaram os lábios de Deus.

Ó Senhora amabilíssima, três vezes Bem-aventurada! «Bendita sois entre as mulheres, e bendito é o fruto de vosso ventre». Ó Senhora, Filha do Rei David e Mãe de Deus, Rei do Universo! Ó divina e viva obra-prima em quem Deus Criador Se compraz, cujo espírito é guiado por Deus e atento a Ele só e de quem todo o desejo se eleva apenas Àquele que é o único amável e desejável. Por Ele que viestes à vida, por sua graça servireis à salvação universal, a fim de que, por vosso intermédio, cumpra-se o antigo desígnio de Deus, que é a Encarnação do Verbo e a nossa divinização".


São João Damasceno
Homilia in Nativ, B.V.M., 6,7.9


SOLENIDADE DA SANTA MÃE DE DEUS – Tende piedade de mim, que sou um nada e não possuo valor algum



MARIA, SANTA MÃE DE DEUS
SOLENIDADE
01 DE JANEIRO

«Tende piedade de mim, que sou um nada e não possuo valor algum»

Paul Verlaine, um alcoólatra, libertino e homicida, quando estava na prisão, se voltou para Maria, Refúgio dos pecadores, afirmando: "Não quero pensar em nada mais, a não ser em Maria, minha Mãe, porque todos os outros amores são de obrigatoriedade e porque Ela é a fonte do perdão..."

Ele fez magníficos poemas para a Mãe de Deus:

"Necessito, a qualquer preço,
de um socorro urgente e forte.
E este socorro forte, seguro, sois Vós,
Senhora vitoriosa sobre a morte,
e, sendo a Rainha da vida, ó Virgem Imaculada,
que voltais para Jesus a Face constelada,
cravejada de estrelas, para mostrar-Lhe
o Seio de todas as dores e estendeis,
sobre nossos passos, risos e lágrimas
e sobre nossas vaidades dolorosas,
vossas Mãos Luminosas, a verterem bálsamos.
Maria, tende piedade de mim,
que sou um nada e não possuo valor algum.
Fazei florescer em todo o meu ser,
a flor das divinas primaveras,
vosso amor, Doce Mãe, e vosso terno culto.
Ah! Amar-vos, amar a Deus através de Vós,
desejá-Lo, aspirá-Lo em Vós,
sem qualquer outro desvio sutil,
e morrer, tendo-vos ao meu lado.
Amém.


Paul Verlaine (+8-1-1896)
O Angelus do meio-dia, novembro de 1873


ANO NOVO - Uma página em branco que o Pai nos apresenta



ANO NOVO
01 DE JANEIRO
MARIA, MÃE DE DEUS
SOLENIDADE



«Ano Novo, uma página em branco que o Pai nos apresenta »


“Ó Jesus, considero este novo ano como uma página em branco que vosso Pai me apresenta e em que escreverá, dia por dia, o que dispôs em seu divino beneplácito. Desde já, no alto da página, escrevo com absoluta confiança: Senhor, fazei de mim o que vos aprouver. E no fim da página, ponho já meu Amém, assim seja, a todas as disposições de vossa divina vontade. Sim, ó Senhor, sim a todas as alegrias, a todas as dores, a todas as graças, a todos os cansaços que me preparastes e que me ireis revelando, dia após dia. Fazei que o meu amém seja o amém pascal, sempre seguido do aleluia, pronunciado com todo o coração, na alegria de uma completa doação. Dai-me o vosso amor e a vossa graça e serei bastante rica”.


Ir. Carmela do Espírito Santo
Escritos inéditos


FESTA DA SAGRADA FAMÍLIA – Ó Família de Nazaré, imagem viva da Igreja de Deus!



SAGRADA FAMÍLIA
FESTA
27 DE DEZEMBRO

«Ó Família de Nazaré, imagem viva da Igreja de Deus!»

No clima jubiloso do Natal, ao viver com renovada admiração o mistério do Emanuel, Deus conosco, a Igreja leva-nos hoje a contemplar a Sagrada Família de Nazaré, modelo admirável de virtudes humanas e sobrenaturais para todas as famílias cristãs. Da contemplação deste maravilhoso modelo, a Igreja haure valores a serem repropostos às mulheres e aos homens de todos os tempos e de todas as culturas.

«Ó Família de Nazaré, imagem viva da Igreja de Deus!». Com estas palavras, a comunidade cristã reconhece na comunhão familiar de Jesus, Maria e José uma autêntica «regra de vida»: quanto mais a Igreja souber realizar o «pacto de amor» que se manifesta na Sagrada Família, tanto mais cumprirá a missão de ser fermento para que «n'Ele os homens constituam uma família» (cf. Ad gentes, 1).

Da Sagrada Família irradia uma luz de esperança também sobre a realidade da família de hoje. A humilde casa de Nazaré é para todo o crente, e especialmente para as famílias cristãs, uma autêntica escola do Evangelho. Aqui admiramos a realização do projeto divino de fazer da família uma íntima comunidade de vida e de amor; aqui aprendemos que cada núcleo familiar cristão é chamado a ser pequena "igreja doméstica", onde devem resplandecer as virtudes evangélicas. Recolhimento e oração, compreensão mútua e respeito, disciplina pessoal e ascese comunitária, espírito de sacrifício, trabalho e solidariedade são traços típicos que fazem da família de Nazaré um modelo para todos os nossos lares. Da Sagrada Família irradia uma luz de esperança também sobre a realidade da família de hoje.

Sim, precisamente em Nazaré desabrochou a primavera da vida humana do Filho de Deus, no momento em que Ele foi concebido por obra do Espírito Santo no seio da Virgem Maria. E entre as paredes hospitaleiras da Casa de Nazaré Jesus, que «crescia em sabedoria, em estatura e graça, diante de Deus e dos homens» (Lc 2, 52), viveu com alegria a Sua infância.

Desta forma, o mistério de Nazaré ensina todas as famílias a gerar e educar os próprios filhos, cooperando de forma admirável na obra do Criador e oferecendo ao mundo, em cada criança, um novo sorriso. É na família unida que os filhos maturam a sua existência, vivendo a experiência mais significativa e rica do amor gratuito, da fidelidade, do respeito recíproco e da defesa da vida. Famílias de hoje, olhai para a Família de Nazaré, inspirando-vos no exemplo de Maria e de José, que se dedicaram amorosamente ao Verbo Encarnado, a fim de obter deles as indicações adequadas para as quotidianas opções de vida! À luz dos ensinamentos recebidos naquela insuperável escola, cada família poderá orientar-se no caminho rumo à plena atuação do desígnio de Deus.


Santo Padre João Paulo II
Angelus, 27/12/1998;30/12/2001


FESTA DA SAGRADA FAMÍLIA – Encontro de um verdadeiro aperitivo da vida eterna



SAGRADA FAMÍLIA
FESTA
27 DE DEZEMBRO

«Sagrada Família, o encontro de um verdadeiro aperitivo da vida eterna»

Quando José estava no exílio com o Menino e sua mãe, soube pelo anjo, durante o sono, que Herodes tinha morrido; mas, ao ouvir dizer que o seu filho Arquelau reinava no país, continuou a ter grande receio de que o Menino fosse morto. Herodes, que perseguia o Menino e o queria matar, é o mundo que, sem dúvida alguma, mata o Menino, o mundo de onde é necessário fugir se se quer salvar o Menino. Mas, uma vez que se fugiu exteriormente do mundo..., eis que Arquelau se levanta e reina: há ainda todo um mundo em ti, um mundo do qual tu não triunfarás sem muita aplicação e sem o socorro de Deus.

Porque há três inimigos fortes e encarniçados a vencer em ti e é com dificuldade se alguma vez se triunfa deles. Serás atacado pelo orgulho do espírito: queres ser visto, considerado, escutado... O segundo inimigo é a tua própria carne que te provoca pela impureza corporal e espiritual... O terceiro inimigo é aquele que te ataca, inspirando-te a malvadez, os pensamentos amargos, as suspeitas, os julgamentos malévolos, a raiva e os desejos de vingança... Queres tornar-te cada vez mais querido de Deus? Deves renunciar completamente a tais atitudes, porque tudo isso é Arquelau, o malvado. Receia e fica atento; na verdade, ele quer matar o Menino...

José foi avisado pelo anjo e chamado a regressar ao país de Israel. Israel significa «terra da visão»; Egito quer dizer «trevas»... É durante o sono, é só num verdadeiro abandono e na verdadeira passividade que receberás o convite para sair delas, tal como aconteceu a José... Podes então dirigir-te para a Galiléia, que quer dizer «passagem». Ali está-se acima de todas as coisas, tudo se atravessou, e chegou-se a Nazaré, «a verdadeira floração», o país onde desabrocham flores para a vida eterna.

Ali está-se certo de encontrar um verdadeiro aperitivo da vida eterna; ali está toda a segurança, a paz inexprimível, a alegria e o repouso; ali só chegam os que se abandonam, os que se submetem a Deus até que Ele os liberte e que não procuram libertar-se a si mesmos pela violência. São esses os que alcançam essa paz, essa floração, Nazaré, e ali encontram o que lhes dará a alegria eterna. Que isso seja a nossa partilha comum, que a isso nos ajude o nosso Deus, digno de todo o amor!


Johannes Tauler, O.P. (Juan Tauler)
Místico Dominicano do século XIV
Sermo II de Vigilia Epiphaniae


SAGRADA FAMÍLIA – Modelo de vida na Sagrada Família de Nazaré



SAGRADA FAMÍLIA
FESTA
27 DE DEZEMBRO

«Modelo de vida na Sagrada Família de Nazaré»

“Podeis rezar à Sagrada Família pela vossa família:

Pai Nosso, que estás nos céus e que nos deste um modelo de vida na Sagrada Família de Nazaré,

Ajuda-nos, Pai Santíssimo, a fazer da nossa família uma nova Nazaré, onde reinem a alegria e a paz. Que ela seja profundamente contemplativa, intensamente eucarística e vibrante de alegria.

Ajuda-nos a permanecer unidos na felicidade e nas dores, graças à oração em família.

Ensina-nos a reconhecer Jesus em cada membro da nossa família, em particular nos que sofrem.

Que o Coração Eucarístico de Jesus torne o nosso coração manso e humilde como o d'Ele (Mt 11,29).

Ajuda-nos a corresponder santamente à nossa vocação familiar.

Que sejamos capazes de nos amar uns aos outros como Deus ama cada um de nós, cada dia mais, e de perdoar os pecados uns aos outros como tu nos perdoas os nossos pecados.

Ajuda-nos, Pai amantíssimo, a tomar o que nos dás e a dar o que nos tomas com um grande sorriso.

Coração Imaculado de Maria, causa da nossa alegria, roga por nós.

Santos anjos da guarda, sede sempre a nossa companhia, guiando-nos e protegendo-nos.

Amen”.


Beata Teresa de Calcutá (1910-1997)
Fundadora das Irmãs Missionárias da Caridade
Um Caminho Simples


SAGRADA FAMÍLIA – A família é uma graça de Deus, que deixa transparecer o que Ele próprio é: Amor



SAGRADA FAMÍLIA
FESTA
27 DE DEZEMBRO

«A família é uma graça de Deus, que deixa transparecer o que Ele próprio é: Amor»

Queridos irmãos e irmãs!

Neste domingo, que segue o Natal do Senhor, celebramos com alegria a Santa Família de Nazaré. O contexto é o mais adequado, porque o Natal é por excelência a festa da família. Demonstram-no tantas tradições e costumes sociais, especialmente o hábito de se reunir todos, precisamente em família, para as refeições festivas e para os bons votos e troca dos dons; e, como não frisar que nestas circunstâncias, o mal-estar e o sofrimento causados por certas feridas familiares são amplificados?

Jesus quis nascer e crescer numa família humana; teve a Virgem Maria como mãe e José que lhe fez de pai; eles cresceram-no e educaram-no com imenso amor. A família de Jesus merece deveras o título de "santa", porque está totalmente absorvida pelo desejo de cumprir a vontade de Deus, encarnada na adorável presença de Jesus. Por um lado, é uma família como todas e, como tal, é modelo de amor conjugal, de colaboração, de sacrifício, de entrega à divina Providência, de laboriosidade e de solidariedade, em suma, de todos aqueles valores que a família guarda e promove, contribuindo de modo primordial para formar o tecido de cada sociedade. Mas, ao mesmo tempo, a Família de Nazaré é única, diversa de todas, pela sua singular vocação ligada à missão do Filho de Deus. Precisamente com esta sua unicidade ela indica a cada família, em primeiro lugar às famílias cristãs, o horizonte de Deus, a primazia doce e exigente da sua vontade, a perspectiva do Céu para o qual somos destinados. Por tudo isto hoje damos graças a Deus, mas também à Virgem Maria e a São José, que com tanta fé e disponibilidade cooperaram para o desígnio de salvação do Senhor.

Sem dúvida, a família é uma graça de Deus, que deixa transparecer o que Ele próprio é: Amor. Um amor totalmente gratuito, que sustenta a fidelidade ilimitada, mesmo nos momentos de dificuldade e desencorajamento. Estas qualidades encarnam-se de modo eminente na Sagrada Família, na qual Jesus veio ao mundo e foi crescendo e se foi enchendo de sabedoria, com os cuidados amorosos de Maria e com a tutela fiel de São José.

Queridas famílias, não deixeis que o amor, a abertura à vida e os vínculos incomparáveis que unem o vosso lar se desvirtuem. Pedi por isto constantemente ao Senhor, rezai juntos, para que os vossos propósitos sejam iluminados pela fé e enaltecidos pela graça divina no caminho rumo à santidade. Deste modo, com a alegria do vosso compartilhar todo o amor, dareis ao mundo um maravilhoso testemunho de quanto a família é importante para o ser humano e para a sociedade. O Papa está ao vosso lado, pedindo sobretudo ao Senhor por quantos em cada família têm mais necessidade de saúde, de trabalho, de conforto e de companhia.

Recomendo-vos a todos à nossa Mãe do céu, à Santíssima Virgem Maria. Confiemos ao Senhor cada família, sobretudo as mais provadas pelas dificuldades da vida e pelas chagas da incompreensão e da divisão. O Redentor, que nasceu em Belém, conceda a todas as famílias a serenidade e a força para caminhar unidas pelas vias do bem.


Santo Padre Bento XVI
Angelus, 28/12/2008


quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

NATAL DE NOSSO SENHOR – Ó Verbo Eterno, Doce Menino de Belém!



NATAL DE NOSSO SENHOR JESUS CRISTO
SOLENIDADE COM OITAVA
25 DE DEZEMBRO


«Ó Verbo Eterno, Doce Menino de Belém»

“Ó Doce Menino de Belém, fazei que eu possa aproximar-me, com toda a alma, deste profundo mistério do Natal. Infundi no coração dos homens aquela paz que eles procuram, talvez com tanta dificuldade e que só Vós podeis dar. Ajudai-nos a conhecer-nos melhor e a vivermos fraternalmente como filhos do mesmo Pai. Descobri vossa beleza, vossa santidade, vossa pureza. Despertai em nosso coração o amor e o reconhecimento pela vossa infinita bondade. Uni a todos na caridade, e dai-nos a vossa paz celeste.

Ó Verbo Eterno do Pai, Filho de Deus e de Maria, renovai no misterioso íntimo das almas o prodígio admirável de vosso nascimento! Revesti de imortalidade os filhos de vossa redenção; inflamai-os de caridade, unificai todos no vínculo de vosso Corpo Místico, a fim de que vossa vinda traga a alegria verdadeira, a paz segura, a eficaz fraternidade dos indivíduos e dos povos. Amém, amém!”


Beato Papa João XXIII
Breviário, pp.38, 384