domingo, 29 de novembro de 2009

ADVENTO – 1º DOMINGO – Vinde a nós, Senhor!



DOMINGO I DO ADVENTO

«Vinde a nós, Senhor!»

“Aguardamos o aniversário de Vosso nascimento, ó Jesus e, segundo Vossa promessa, vê-lo-emos logo. Fazei que, elevando-se nosso espírito acima desse mesmo, se lance, louco de alegria, ao Vosso encontro, Senhor, Vós que vindes com ardor impaciente, desejoso de contemplar o futuro.

Vinde a nós, Senhor, mesmo antes do Vosso Advento! Antes de aparecerdes ao mundo inteiro, vinde visitar-nos, no íntimo da alma. Vinde agora visitar-nos neste tempo entre o primeiro e o último advento, afim de que não nos seja inútil Vossa primeira vinda e não nos condene a última.

Com Vossa vinda atual, procurais corrigir nossa soberba e conformar-nos com Vossa humildade manifestada na primeira vinda. Então podereis transformar nosso humilde corpo, tornando-o semelhante ao Vosso glorioso, quando aparecerdes no último dia.

Suplicamo-vos ardentemente: preparai-nos para obtermos esta visita pessoal, que nos confere à graça do primeiro advento e nos promete a glória do fim dos tempos. Porque Vós, Senhor, amais a misericórdia e a verdade, conferir-nos-eis a graça e a glória; a graça, por Vossa misericórdia, e a glória na verdade.”


Beato Guerric d'Igny, Abade Cisterciense
De Adventu Domini, 2,3

ADVENTO – 1º DOMINGO – É necessária a Vossa presença, ó Cristo!



DOMINGO I DO ADVENTO

«É necessária a Vossa presença, ó Cristo! »

“É necessária a Vossa vinda a todos os homens, ó nosso Salvador!

É necessária a Vossa presença, ó Cristo!

Vinde, pela Vossa imensa bondade! Habitai em nós pela fé e iluminai nossa cegueira. Ficai conosco e ajudai nossa enfermidade.

Colocai-Vos ao nosso lado, protegendo e defendendo nossa fragilidade. Se estiverdes em nós, quem poderá enganar-nos? Que não poderemos em Vós que nos confortais? Se estiverdes conosco, quem contra nós?

Justamente para isto viestes ao mundo: a fim de que, habitando em nós, conosco e por nós, colocando-Vos ao nosso lado, ilumineis nossas trevas, alivieis nossos cansaços, afastei de nós os perigos”.


São Bernardo de Clairvaux
De Adventu Domini, 7, 2

ADVENTO – 1º DOMINGO – Vós vos tornastes pequeno, para elevar o homem!




DOMINGO I DO ADVENTO

«Vós vos tornastes pequeno, para elevar o homem! »

“Ó Sumo e Eterno Bem, quem nos levou, Deus infinito, a iluminar com a luz da Vossa verdade a mim, vossa criatura finita? Vós! A causa sois Vós, Fogo de Amor, porque foi sempre o amor que nos moveu e move a nos criar à Vossa imagem e semelhança, a fazer-nos misericórdia, comunicando infinitas e incomensuráveis graças às vossas criaturas racionais.

Ó Bondade sobre toda bondade! Só Vós sois sumamente Bom! Mandastes o Verbo do Vosso Unigênito Filho a conviver conosco. Qual foi a causa? O amor, porque nos amastes antes de existirmos.

Ó Bem, ó Eterna Grandeza, Vós vos abaixastes e vos tornastes pequeno, para elevar o homem. De qualquer lado a que me volte não encontro mais que o abismo e fogo da Vossa Caridade”.


Santa Catarina de Sena
Diálogo, 134, pp. 364-365

ADVENTO – 1º DOMINGO – Permanecer no Reino de Cristo




DOMINGO I DO ADVENTO

Permanecer no Reino de Cristo

«O Reino de Deus está dentro de vós», diz o Senhor. Apressa-te portanto a preparar o coração para este Esposo, a fim de que Ele se digne vir a ti e habitar em ti. Porque Ele disse: «Quem me ama guardará a minha palavra; então viremos até ele e nele estabeleceremos a nossa morada» (Jo 14,23). Dá, pois, lugar a Cristo e nega a entrada a tudo o mais. Se possuíres a Cristo, és rico, e só Ele te bastará. Ele velará por ti, a tudo proverá, de modo a que não tenhas de recorrer aos homens. Porque os homens mudam muito e facilmente faltam, enquanto «Cristo permanece eternamente» (Jo 12, 34); Ele dá-nos firme assistência até ao fim.

Não ponhas portanto grande confiança no homem, que é frágil e mortal, ainda que nos seja útil e muito querido. Não te entristeças demasiado se te decepcionar ou te contradisser. Os que hoje estão contigo poderão amanhã estar contra ti e vice-versa, pois os homens mudam como o vento. Põe portanto toda a tua confiança em Deus. Que Ele seja o teu temor e o teu amor. Ele responderá por ti e fará o que for melhor.

«Não tens aqui em baixo morada permanente» (Heb 13, 14). Onde estiveres, és «estrangeiro e peregrino» (Heb 11,13). A paz vir-te-á da tua união íntima a Cristo.


Thomas de Kempis
Imitação de Cristo
Livro II, Cap.1, 2-3

ADVENTO – 1º DOMINGO – Dar a Deus o lugar principal




DOMINGO I DO ADVENTO

«Dar a Deus o lugar principal»

Aquele que a si próprio se preza não pode amar a Deus; mas aquele que a si não se preza, devido às riquezas superiores da caridade divina, esse ama a Deus. É por isso que tal homem nunca procura a própria glória, mas a de Deus; porque o que a si mesmo se preza procura a glória própria. Aquele que preza a Deus ama a glória do seu Criador. É, de facto, próprio das almas profundas e amigas de Deus procurar constantemente a glória de Deus em todos os mandamentos cumpridos, e ter regozijo na própria humilhação. Porque a Deus convém a glória em razão da Sua grandeza, e ao homem, a humilhação; deste modo se torna o homem próximo de Deus. Se assim agirmos, regozijando-nos com a glória do Senhor, a exemplo do santo João Baptista, pôr-nos-emos então a dizer continuamente: «É preciso que ele cresça e que eu diminua» (Jo 3,30).

Conheço alguém que ama tanto a Deus, ainda que muito se lamente por não O amar como quereria, que a alma lhe arde ininterruptamente no desejo de em si próprio e nos seus gestos ver Deus glorificado, e de se ver a si mesmo como não tendo existência própria. Esse homem não sabe o que é, ainda que o elogiemos, em palavras; porque no seu grande desejo de humilhação não pensa na dignidade própria. Executa os serviços divinos como fazem os padres, mas na sua extrema disposição de amor para com Deus aniquila a recordação da sua própria dignidade no mais profundo da sua caridade para com Deus, enterrando em pensamentos humildes a glória que daí tiraria. Assume-se sempre como um mero servo inútil; o seu desejo de humilhação de alguma maneira lhe exclui a dignidade própria. Eis o que devemos fazer, nós também, de forma a nos afastarmos de toda a honra, de toda a glória, fazendo jus à riqueza transbordante do amor d'Aquele que tanto nos amou.


Diádoco de Foticeia, Bispo
Sobre a perfeição espiritual, 12-15

ADVENTO – 1º DOMINGO – Erguei-vos, porque aproxima-se a vossa redenção




DOMINGO I DO ADVENTO

«Erguei-vos e levantai a cabeça, porque aproxima-se a vossa redenção»

"Então, todas as árvores da floresta saltarão de alegria diante do Senhor, porque Ele vem para julgar a terra" (Sl 95,12-13). O Senhor veio uma primeira vez e virá de novo. Veio uma primeira vez "sobre as núvens" (Mt 26,64) na sua Igreja. Que núvens o trouxeram? Os apóstolos, os pregadores... Veio uma primeira vez trazido pelos seus pregadores e encheu toda a terra. Não ponhamos resistência à sua primeira vinda se não queremos temer a segunda...

Que deve pois fazer o cristão? Aproveitar este mundo mas não o servir. Em que consiste isso? "Possuir como se não se possuisse". É o que diz S. Paulo: "Irmãos, o tempo é breve... Desde já, aqueles que choram seja como se não chorassem, os que são felizes, como se o não fossem, os que compram, como se nada possuissem, os que tiram proveito deste mundo, como se não se aproveitassem dele. Porque este mundo, tal como o vemos, vai passar. Quereria ver-vos livres de toda a preocupação" (1Co 7,29-32). Quem está livre de toda a preocupação espera com segurança a vinda do seu Senhor. Será que se ama o Senhor quando se receia a sua vinda? Meus irmãos, não nos envergonhamos disso? Amamo-lo e receamos a sua vinda? Amamo-lo verdadeiramente ou amamos mais os nossos pecados? Odiemos então os nossos pecados e amemos Aquele que há-de vir...

"Todas as árvores da foresta rejubilarão à vista do Senhor", porque Ele veio uma primeira vez... Veio uma primeira vez e regressará para julgar a terra; então encontrará cheios de alegria os que tiverem acreditado na sua primeira vinda.


Santo Agostinho
Bispo de Hipona e Doutor da Igreja
Discurso sobre o Salmo 95

ADVENTO – 1º DOMINGO – Estai vigilantes : Quem cumpre a vontade de Deus permanece para sempre




DOMINGO I DO ADVENTO

«Velai, pois, porque não sabeis que dia virá o vosso Senhor... Estai preparados, porque no momento que não penseis, virá o Filho do homem»

Pergunta-se às vezes por que Deus nos esconde algo tão importante como a hora de sua vinda, que para cada um de nós, considerado singularmente, coincide com a hora da morte. A resposta tradicional é: «Para que estivéssemos alerta, sabendo cada um que isso pode acontecer em seus dias» (Santo Efrém o Sírio). Mas o principal motivo é que Deus nos conhece; sabe que terrível angústia teria sido para nós conhecer com antecipação a hora exata e assistir à sua lenta e inexorável aproximação. Isso é o que mais atemoriza em certas doenças. São mais numerosos hoje os que morrem de afecções imprevistas de coração do que os que morrem de «penosas doenças». No entanto, dão mais medo estas últimas, porque nos parece que privam dessa incerteza que nos permite esperar.

A incerteza da hora não deve levar-nos a viver despreocupados, mas como pessoas vigilantes. O ano litúrgico está em seu início, enquanto o ano civil chega a seu fim. Uma ocasião ótima para fazer espaço para uma reflexão sábia sobre o sentido de nossa existência. A própria natureza no outono nos convida a refletir sobre o tempo que passa. O que o poeta Giuseppe Ungaretti dizia dos soldados na trincheira do Carso, durante a primeira guerra mundial, vale para todos os homens: «Estão / como no outono / nas árvores / nas folhas». Isto é, a ponto de cair, de um momento a outro. «O tempo passa e o homem não percebe isso», dizia Dante.

Um antigo filósofo expressou esta experiência fundamental com uma frase que se tornou célebre: «panta rei», ou seja, tudo passa. Ocorre na vida como na televisão: os programas se sucedem rapidamente e cada um anula o precedente. A tela continua sendo a mesma, mas as imagens mudam. É igual conosco: o mundo permanece, mas nós passamos, um após o outro. De todos os nomes, os rostos, as notícias que enchem os jornais e os noticiários do dia – de mim, de você, de todos nós – o que permanecerá daqui a um ano ou década? Nada de nada. O homem não é mais que «um traço criado pela onda na areia do mar e que a onda seguinte apaga».

Vejamos o que a fé tem a dizer-nos a propósito deste fato de que tudo passa. «O mundo passa, mas quem cumpre a vontade de Deus permanece para sempre» (1 Jo 2, 17). Assim, existe alguém que não passa, Deus, e existe uma forma de que nós não passemos totalmente: fazer a vontade de Deus, ou seja, crer, aderir a Deus. Nesta vida somos como pessoas em uma balsa que um rio leva ao mar aberto, sem retorno. Em certo momento, a balsa passa perto da margem. O náufrago diz: «Agora ou nunca!», e salta até a terra firme. Que suspiro de alívio quando sente a rocha sob seus pés! É a sensação experimentada freqüentemente por quem chega à fé. Poderíamos recordar, como conclusão desta reflexão, as palavras que Santa Teresa de Ávila deixou como uma espécie de testamento espiritual: «Nada te perturbe, nada te espante. Tudo passa, só Deus basta».


Raniero Cantalamessa
Cantalamessa.org

ADVENTO – 1º DOMINGO – A verdadeira humildade do coração




DOMINGO I DO ADVENTO

«A verdadeira humildade do coração é mais sentida que vivida»

“A verdadeira humildade do coração é mais sentida e vivida do que exteriorizada. É certo que devemos mostrar-nos sempre humildes na presença de Deus, mas não com a falsa humildade que conduz ao desencorajamento, ao esmagamento e ao desespero. Temos de ter má impressão de nós mesmos, não colocar os nossos interesses à frente dos interesses dos outros, considerar-nos inferiores ao nosso próximo.

Se precisamos de paciência para suportar as misérias dos outros, de mais paciência precisamos ainda para aprendermos a suportar-nos a nós mesmos. Perante as infidelidades quotidianas, não cesses de fazer atos de humildade. Quando o Senhor te vir assim arrependido, estender-te-á a Sua mão e atrair-te-á a Si.

Neste mundo, ninguém merece coisa alguma; é o Senhor quem nos concede tudo, por pura benevolência e porque, na Sua bondade infinita, nos perdoa tudo”.


São Pio de Pietrelcina
AP; CE 47

ADVENTO – 1º DOMINGO – Meu filho, dá-me o teu coração




DOMINGO I DO ADVENTO

« Examinai pois com atenção a vossa morada interior, abri os olhos e apreciai o vosso capital de amor »

Irmãos, examinai pois com atenção a vossa morada interior, abri os olhos e apreciai o vosso capital de amor, e depois aumentai a soma que tiverdes descoberto em vós. E guardai esse tesouro, a fim de serdes ricos interiormente. Chamam-se caros os bens que têm um preço elevado, e com razão. Mas que coisa há mais cara do que o amor, meus irmãos? Em vossa opinião, que preço tem ele? E como pagá-lo? O preço de uma terra, o preço do trigo, é a prata; o preço de uma pérola é o ouro; mas o preço do amor és tu mesmo. Se queres comprar um campo, uma jóia, um animal, procuras em teu redor os fundos necessários para isso. Mas, se desejas possuir o amor, procura apenas em ti mesmo, pois é a ti mesmo que tens de encontrar.

Que receias ao dar-te? Receias perder-te? Pelo contrário, é recusando-te a dar-te que te perdes. O próprio Amor exprime-se pela boca da Sabedoria e apazigua com uma palavra a desordem que em ti lançava a expressão: "Dá-te a ti mesmo!" Se alguém quisesse vender-te um terreno, dir-te-ia: "Dá-me prata"; ou, se quisesse vender-te outra coisa qualquer: "Dá-me dinheiro". Pois escuta o que diz o Amor, pela boca da Sabedoria: "Meu filho, dá-me o teu coração" (Prov 23, 26). O teu coração sofria quando estava em ti; eras presa de futilidades, ou mesmo de más paixões. Afasta-te delas! Para onde hás-de levá-lo? A quem o hás-de oferecer? "Meu filho, dá-me o teu coração", diz a Sabedoria. Se ele for Meu, já não te perderás.

"Amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração, com toda a tua alma e com todo o teu entendimento" (Mt 22, 37). Quem te criou quer-te todo para Si.


Santo Agostinho
Bispo de Hipona e Doutor da Igreja
Sermo 32 (sobre Salmo 149)

NOSSA SENHORA DAS GRAÇAS - Ela é, na Terra, um paraíso celeste




«Ela é, na Terra, um paraíso celeste»


Esta alma santa e divina é para a Igreja o que a aurora é para o firmamento, e ela precede, imediatamente, o sol. Mas ela é mais do que a aurora...

Nasceu no silêncio, sem que o mundo o soubesse, e sem que Israel cogitasse o considerável fato, sendo Maria a flor de Israel e a mais eminente da Terra. Porém, se a Terra não a conhece, o Céu a admira e a venera como aquela que Deus criou para tão grande desígnio e para prestar grande serviço à sua própria pessoa, isto é, para um dia revesti-la de uma nova natureza.

E é este mesmo Deus que deseja dela nascer, que a ama e a olha nesta qualidade. Seu olhar não se dirige, então, aos grandes, aos monarcas que a Terra adora, mas o primeiro e mais doce olhar de Deus, na Terra, afaga a humilde Virgem que o mundo ainda não conhece: este foi, então, o mais alto pensamento que o Altíssimo teve, sobre toda a sua criação.

Deus a admira, a olha, a acarinha, a conduz, como aquela a quem Ele deseja se doar, e se doar, na qualidade de Filho seu, tornando-a sua mãe. Ele a enche de graças desde a sua concepção e a santifica desde a sua infância.

Deus a sequestra do mundo e a consagra ao seu Templo, para marcar e figurar que, logo, ela seria consagrada ao serviço de um templo mais augusto e mais sagrado do que o anterior. Lá está ela, na sua solidão... Ele a guarda, a envolve com o seu poder, animando o seu espírito, alimentando-a com a sua Palavra, elevando-a com a sua graça, iluminando-a com suas luzes, envolvendo-a e abraçando-a com seus ardores, visitando-a, por meio de seus anjos, enquanto aguarda o momento em que irá visitá-la pessoalmente.

Deus está e age nela, mais do que ela própria. As idéias de Maria existem para a graça de Deus; nela, nenhum movimento se concretiza, a não ser por meio do Seu espírito, nenhuma ação se concretiza, a não ser através do Seu amor.

O curso de sua vida é um movimento perpétuo que, sem interrupção alguma, sem nenhum momento de repouso, é dedicado Àquele que, em breve, será a sua vida...

Este objetivo se aproxima, e o Senhor está com ela, Ele se derrama nela, cumulando-a, e estabelece uma graça preciosa e rara, que convém, exclusivamente a ela, pois, esta Virgem oculta, abrigada num canto da Judéia, desconhecida do universo, noiva de José, faz um coro à parte na ordem da graça, tão singular como é!

Os anos correm, as graças aumentam. Maria adentra, dia após dia, numa elevação admirável, por especial inspiração e perfeita cooperação.

Ela é, na Terra, um paraíso celeste que Deus plantou com a própria mão e que seu anjo guarda, protege, preserva para o segundo Adão. Mas este prodígio está escondido aos olhos dos homens e seu espírito, mergulhado no mais profundo de sua humildade, não alcança a magnificência que Deus programou para ela.


Cardeal Pierre de Bérulle
"La Mère de mon Seigneur"

NOSSA SENHORA DAS GRAÇAS - Doce Armadilha




«Como Doce Armadilha»



O Senhor revelara a Santa Catarina de Sena, o motivo pelo qual criara Maria: "Eu reservei esta filha bem-amada para mim, como doce armadilha, para pescar os homens, sobretudo os pecadores e, em seguida, atraí-los ao meu amor".



Santo Afonso Maria de Ligório
Bispo e Doutor
Glórias de Maria



domingo, 22 de novembro de 2009

SOLENIDADE JESUS CRISTO REI DO UNIVERSO



CRISTO REI DO UNIVERSO

SOLENIDADE


Homilia de sua Santidade João Paulo II na celebração Eucarística da Solenidade de Jesus Cristo, Rei do Universo em 2000

"Tu o dizes: Eu sou rei" (Jo 18, 37)

Assim respondeu Jesus a Pilatos num diálogo dramático, que o Evangelho nos faz ouvir novamente na hodierna solenidade de Cristo, Rei do universo. Nessa ocorrência, colocada na conclusão do ano litúrgico, Jesus, Verbo eterno do Pai, é apresentado como princípio e fim de toda a criação, como Redentor do homem e Senhor da história. Na primeira leitura, o profeta Daniel afirma: "O seu poder é um poder eterno, que nunca lhe será tirado. E o seu Reino é tal que jamais será destruído" (7, 14).

Sim, ó Cristo, Vós sois Rei! Paradoxalmente, a vossa realeza manifesta-se na cruz, na obediência ao desígnio do Pai "que como escreve o Apóstolo Paulo nos arrancou do poder das trevas e nos transferiu para o Reino do seu Filho amado, no Qual temos a redenção, a remissão dos pecados" (Cl 1, 13-14). Primogênito daqueles que ressuscitaram dos mortos, Vós, Jesus, sois o Rei da nova humanidade, restituída à sua dignidade primitiva.

Vós sois Rei! Porém, o vosso reino não é deste mundo (cf. Jo 18, 36); não é o fruto de conquistas bélicas, de dominações políticas, de impérios econômicos, de hegemonias culturais. O vosso é um "reino de verdade e de vida, de santidade e de graça, de justiça, de amor e de paz" (cf. Prefácio da solenidade de Cristo Rei), que se manifestará na sua plenitude no fim dos tempos, quando Deus será tudo em todos (cf. 1 Cor 15, 28). A Igreja, que já pode saborear na terra as primícias que se hão-de realizar no futuro, não cessa de repetir: "Venha o vosso reino", "Adveniat regnum tuum" (Mt 6, 10).

Venha o Vosso Reino!


Papa João Paulo II
Homilia Solenidade de Cristo Rei do Universo
26 de Novembro de 2000

CRISTO REI DO UNIVERSO



CRISTO REI DO UNIVERSO

SOLENIDADE


Ó Jesus meu, quem pudera dar a entender a Majestade com que Vos mostrais! E quão Senhor de todo o mundo e dos céus e de outros mil mundos, e mundos e céus sem conta que Vós poderíeis criar! E a alma entende, segundo a majestade com que Vos representais, que isso não é nada para Vós serdes Senhor de tudo.

Aqui se vê claramente, Jesus meu, o pouco poder de todos os demônios em comparação do Vosso, e como, quem Vos tiver contente, pode calcar aos pés o inferno todo. Vejo que quereis dar a entender à alma quão grande é o poder que tem esta sacratíssima Humanidade junto com a Divindade. Aqui se representa bem o que será, no dia do juízo, ver a Majestade deste Rei e vê-Lo com rigor para os maus. Aqui é a verdadeira humildade que deixa esta visão na alma ao ver sua miséria, pois não a pode ignorar. Aqui a confusão e verdadeiro arrependimento dos pecados, pois a alma, ainda que veja que Ele lhe mostra amor, não sabe aonde se meter, e assim se desfaz toda.

Digo que tem tão grandíssima força esta visão, quando o Senhor quer mostrar à alma grande parte da sua Grandeza e Majestade, que tenho por impossível podê-la sofrer qualquer pessoa, se o Senhor, de modo muito sobrenatural, não a quisesse ajudar, pondo-a em arroubamento e êxtase, onde perde de vista, com o gozo, a visão daquela Divina Presença.

Será verdade que se esquece depois? Fica porém tão impressa aquela Majestade e Formosura, que não há maneira de se poder esquecer, a não ser quando o Senhor quer que a alma padeça uma grande aridez e solidão, que direi adiante, que então até de Deus parece que se esquece. A alma fica outra, sempre embebida; parece-lhe que começa de novo um amor vivo de Deus em muito alto grau, a meu ver; porque, embora a visão passada, em que disse que Deus se representa sem imagem, seja mais perfeita, contudo, para durar na memória, conforme a nossa fraqueza, e para trazer bem ocupado o pensamento, é grande coisa o ficar representada e posta na imaginação tão Divina Presença. E quase sempre vêm juntas estas duas maneiras de visão. E até mesmo é assim que vêm. Porque, com os olhos da alma, vê-se a excelência e formosura e glória da Santíssima Humanidade e, por esta outra maneira que fica dita, se nos dá a entender como é Deus é Poderoso e que tudo pode e tudo manda e tudo governa e a tudo enche o Seu amor.


Santa Teresa de Jesus
Livro da Vida 28, 8-9

JESUS CRISTO REI DO UNIVERSO



CRISTO REI DO UNIVERSO

SOLENIDADE


«Vinde, benditos de meu Pai, recebei como herança o reino que vos está preparado desde a criação do mundo»

«Depois de haver completado a purificação dos pecados, sentou-Se à direita da majestade divina nas alturas» (Hb 1,3). Foi, pois, para nos servir que Ele veio de junto de Seu Pai a este mundo. E o cúmulo é que não é apenas no momento em que aparece nesta terra, revestido da enfermidade humana, que Se apresenta sob a forma de escravo, escondendo a Sua qualidade de Senhor; será também mais tarde, no dia em que vier com todo o Seu poder e aparecer em toda a glória de Seu Pai, quando da Sua manifestação. Quando vier no Seu reino, «cingir-Se-á, mandará que se ponham à mesa e servi-los-á» (Lc 12, 7). Eis Aquele pelo Qual reinam os soberanos e governam os príncipes!

É assim que Ele há de exercer a Sua realeza, verdadeira e sem mancha; é assim que Ele domina aqueles que submeteu ao Seu poder: mais amável que um amigo, mais equitativo que um príncipe, mais terno que um pai, mais íntimo que os membros, mais indispensável que o coração. Ele não Se impõe pelo medo, nem submete através do salário. Somente em Si mesmo encontra a força do Seu poder, apenas prende os que Se lhe submetem. Porque reinar pelo medo ou com vista a um salário não é governar por si mesmo, mas pela esperança do lucro ou pela ameaça.

É preciso que Cristo reine em sentido próprio; qualquer outra autoridade é indigna Dele. Ele soube chegar a este ponto por uma via extraordinária: para Se tornar o verdadeiro Senhor, abraça a condição de escravo e torna-Se servo de escravos, até à cruz e à morte; e assim arrebata a alma dos escravos e apodera-Se diretamente da vontade deles.

Sabendo que é esse o segredo deste modo de reinar, Paulo escreve: «Humilhou-Se a Si mesmo, feito obediente até à morte, e morte de cruz. Por isso é que Deus O exaltou» (Fl 2,8-9). Pela primeira criação, Cristo é Senhor da natureza; pela nova criação, tornou-Se Senhor da nossa vontade. É por isso que Ele diz: «Foi-Me dado todo o poder no céu e na terra» (Mt 28,18).


São Nicolau Cabasilas
A Vida em Jesus Cristo; Livro 4, 93-97; 102


NOSSO SENHOR JESUS CRISTO REI DO UNIVERSO



CRISTO REI DO UNIVERSO

SOLENIDADE


Deus não poupou seu próprio Filho, mas o entregou por todos nós.

Deus não chegou ao ponto de entregar seu Filho? E tu não podes sequer dar do teu pão, a quem se entregou e morreu por ti? O Pai, por tua causa, não quis poupar seu verdadeiro Filho! E tu o deixas, com indiferença, morrer de fome, quando não farias mais que dar-lhe dos seus próprios bens, e para teu próprio lucro.

Ele se entregou por ti, por ti deixou-se matar, e por ti sai agora mendigando: o que lhe dás, para ajudá-lo, de seus próprios bens o tiras, e mesmo assim, não lhe dás nada! Pois não se satisfez somente em suportar a cruz e a morte; quis ainda conhecer o exílio, ser peregrino e nu, ser lançado na prisão e nada poder, para assim lançar-te o apelo: “Se tu me queres retribuir o mesmo que sofri por ti, tem piedade de mim por causa da minha miséria, deixa-te comover por minha enfermidade e prisão. Se não me queres pagar na mesma moeda, atende ao meu modesto pedido: eu não te peço nada que te custe; somente um pão, um teto e algumas palavras de conforto.

Se continuas insensível, que ao menos o pensamento do reino celeste e das recompensas prometidas te tornem melhor! Não queres levar em conta tudo isso? Então, que o teu coração ao menos se comova, por simples instinto natural, ao ver-me nu. Lembra-te da nudez que eu sofri na cruz por causa de ti. Por tua causa fui então algemado, e ainda o sou até hoje por tua causa. Por tua causa jejuei, e por tua causa ainda hoje passo fome. Senti sede quando estive suspenso na cruz, e continuo a senti-la nos pobres, a fim de atrair-te a mim e de tornar-te mais humano para tua própria salvação.

Assim, tendo-te obrigado por inumeráveis benefícios, peço-te agora que retribuas; não te peço, porém, como a um devedor, mas quero coroar-te como a um benfeitor e dar-te em troca desses pobres dons, o Reino.

Se estou na prisão, não te forço a me retirares de lá, quebrando minhas algemas. Só te peço uma coisa: veres que estou preso por ti; isto para mim será o bastante, em troca eu te darei o céu. Ainda que eu te tenha libertado de teus pesados grilhões, será bastante para mim que tu queiras visitar-me na prisão.

Eu poderia coroar-te sem tudo isto, mas quero ser teu devedor. Eis por que, podendo dispor de alimento, ponho-me a vagar como um mendigo e coloco-me à tua porta de mão estendida para ser alimentado por ti: eu te amo tanto! É por isto que eu desejo estar à tua mesa como entre amigos, e disso me glorio, e o proclamo diante do mundo, e a todo o universo me apresento como alguém a quem dás de comer.


São João Crisóstomo
Homilia 15, 6 in Epistolam ad Romanos
Patrologia Grega 60, 547-548

CRISTO REI, A LUZ DO MUNDO



CRISTO REI DO UNIVERSO

SOLENIDADE

«Eu sou a luz, vim ao mundo para que aquele que crê em mim não permaneça nas trevas»

Cristo é «a Luz do mundo» (Jo 8, 12) e Ele ilumina a Igreja com a sua Luz. E, tal como a lua recebe a sua luz do sol a fim de iluminar a noite, assim também a Igreja, recebendo a Luz de Cristo, ilumina todos aqueles que se encontram na noite da ignorância. É, pois, Cristo que é «a verdadeira Luz que ilumina todo o homem vindo a este mundo» (Jo 1,9), e a Igreja, recebendo a sua Luz, torna-se, ela própria, luz do mundo, «iluminando aqueles que caminham nas trevas» (Rom 2,19), de acordo com esta Palavra de Cristo aos seus discípulos: «Vós sois a luz do mundo» (Mt 5,14). Do que se conclui que Cristo é a luz dos apóstolos, e os apóstolos, por sua vez, a luz do mundo.


Orígenes, Presbítero
Homilias sobre o Gênesis, 1, 5-7

CRISTO REI - A MAJESTADE DIVINA



CRISTO REI DO UNIVERSO

SOLENIDADE

Cristo Rei

Não nos é fácil entender a realeza de Cristo com os olhos deste mundo. Estamos, como Pilatos, diante de um homem que é trazido a julgamento porque se fez Rei. “Então és tu, rei?” Sequer entendemos o que pode significar ser rei, senão como o senhor absoluto, o dominador e não um julgado à morte.

E, no entanto, a resposta de Jesus é afirmativa. E conclusiva: “para isso nasci e para isto vim ao mundo, para dar testemunho da verdade. E quem é da verdade escuta minha voz.” (Cf. Jo.18, 33-37).

Em outra passagem do Evangelho, diz que os poderosos deste mundo querem mandar e serem servidos. “Mas entre vós não deverá ser assim. Ao contrário aquele que quiser tornar-se grande entre vós, seja aquele que serve… Deste modo o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos” (Cf. Mt.20, 25-28)

Como, então entender esta realeza que se marca pelo serviço e que tem na fronte uma coroa de espinhos e, por trono, o patíbulo da cruz?

Marcada pelo pecado do orgulho, a humanidade quis prescindir da verdade e dominar pela soberba. Rejeitou a Deus e tenta sujeitar a si todas as coisas, escravizando-as. Transtornou a ordem do universo que, contra ela se revoltou –“A terra produzirá para ti espinhos e cardos e comerás a erva dos campos. Com o suor do teu rosto comerás o pão”(Cf. Gen 3, 18)

Só a Verdade nos libertará (Cf. Jo.8, 32), quando reconhecendo a Majestade Divina, voltarmos à ordem da criação. Para restaurar a beleza deste universo, Cristo, ao entrar no mundo, como nos ensina a Carta aos Hebreus, disse: “Eis-me aqui, eu vim, ó Deus, para fazer a tua vontade”(Cf. Heb.10, 7).

Reconhecendo a soberania de Deus, as criaturas se abrem entre si no amor e no serviço de reconstrução da dignidade perdida.

Por isso, Cristo se ofereceu na ara, no altar da Cruz, no vértice da História, ungido com o óleo da alegria e da exaltação, apagando com seu sangue o pecado e estabelecendo um novo reino, uma nova terra, um reino de santidade e de vida, de justiça, de amor e de paz, para o qual nós caminhamos cada dia, com o auxílio da graça, no esforço de cumprirmos a vontade de Deus no serviço e amor aos irmãos.

Todo este trabalho, unido ao sacrifício de Cristo, não tem comparação, como nos ensina S. Paulo, com a glória que vai se revelar em nós, pela qual anseia toda a natureza na esperança de também ela ser libertada da escravidão da corrupção para entrar na liberdade da glória dos filhos de Deus (Cf. Rom. 8,18).

O patíbulo dos condenados se transformou no trono de glória. Santo Agostinho, no seu ardor de convertido, exclama que hoje a cruz encima os mais altos edifícios e se sobrepõe na coroa dos reis que a ela se submetem. E a Igreja, num dos mais belos hinos sobre a bandeira da Cruz, canta, solene e vitoriosa, que o Senhor reinou pela cruz.

“Este sinal da cruz”, reza o capítulo 12, do Segundo Livro da Imitação de Cristo, “estará no céu, quando o Senhor vier julgar. Então todos os servos da cruz, que conformaram sua vida com o Crucificado, acorrerão ao encontro de Cristo, com grande confiança”.

Neste dia, quando Cristo se assentar para o julgamento final, Ele entregará ao Pai o Universo restaurado na graça e os redimidos irão com Ele para a glória: “A realeza do mundo passou agora para Nosso Senhor e seu Cristo e ele reinará pelos séculos dos séculos” (Cf. Apoc. 11, 15.)

O Reino de Cristo, não é um Reino passageiro e temporal. É um Reino eterno e universal que faz a humanidade caminhar ao encontro da sua perfeição e dignidade e com ela toda a criação. Vi, então um novo céu e uma nova terra, porque “Agora realizou-se a salvação e a realeza de nosso Deus e a autoridade de seu Cristo.(Cf. Apoc.12,10).


D. Eurico dos Santos Veloso
Arcebispo Metropolitano de Juiz de Fora

sábado, 14 de novembro de 2009

A VIDA INTERIOR




A VIDA INTERIOR

“Nossa Senhora do Monte Carmelo é a Patrona da vida interior, a Virgem que nos afasta da multidão e nos leva docemente até esses cumes onde o ar é mais puro, o céu mais claro, Deus está mais próximo e nas que transcorre a vida de intimidade com Deus.

Segundo São Gregório Magno, a vida contemplativa e a vida eterna não são duas coisas diferentes, mas uma só realidade; uma é a aurora, a outra o meio-dia. A vida contemplativa é o principio da dita eterna, seu sabor antecipado. Que a Rainha do céu nos conceda, pois, a graça de compreender o estreito vínculo que une essas duas vidas para viver aqui embaixo como se estivéssemos já no céu.

Uma alma interior é uma alma que encontrou a Deus no fundo de seu coração e que vive sempre com Ele.

Deus está no fundo da alma, mas está ali escondido. A vida interior é como uma eclosão de Deus na alma.

Mantenhamo-nos no centro de nossa alma, nesse ponto preciso de onde podemos vigiar todos os seus movimentos, para detê-los ou dirigi-los, segundo o caso. Vivamos ou de Deus ou para Deus, mas repitamos a nós mesmos que não se age de todo para Deus senão quando já não se faz absolutamente nada para nós mesmos. Se age então porque Deus o quer, quando Ele quer e como Ele quer, por estar sempre unidos no fundo com Aquele de quem não somos mais que um ditoso instrumento.

Duas coisas fazem falta para chegar à perfeição e à íntima união com Deus: tempo e paz.

O que dá valor aos atos reflexivos do homem é a união com Deus pela caridade. Quanto mais profunda é essa intimidade, mais valor de eternidade tem seus frutos.

Uma alma cujo olhar interior, afetuoso e humilde, está sempre fixo em Deus, obtém Dele quanto quer.

Entre uma alma recolhida, desligada de tudo, e Deus, não há nada. A união se realiza por si mesma. É imediata.

O tempo passa; sempre se ama a Deus muito pouco e muito tarde.

Que delicado és em teus afetos, Deus meu! Tens em conta o que de legitimamente pessoal há em nós, e tratas a alma que amas como se no mundo não houvesse outra coisa a não ser ela e Tu.

Crer é comungar com a ciência de Deus: Ele vê; nós cremos em sua Palavra de testemunho.

Na fé, Deus fala; pela esperança, Deus ajuda; na caridade, Deus se dá, Deus preenche.

Elevemo-nos então, até Deus constantemente. Deixemos na terra a terra. Vivamos menos nos demais e mais em nós mesmos, mas o mais possível, senão em Deus, pelo menos perto Dele.

Quando no fundo de vossas almas ouvirdes duas vozes contraditórias, convém que escuteis geralmente a que fala mais baixo. Em todo caso, essa é a que pede mais sacrifícios. E tem tanto valor o sofrimento bem entendido! Desliguemo-nos e aproximemo-nos de Deus”.


Robert de Langeac, PSS
(Abade Augustin Delage, PSS)
“La vida oculta en Dios”