sexta-feira, 7 de agosto de 2009

S. JOÃO MARIA VIANNEY - A mensagem que o Cura d’Ars nos dirige hoje



FESTA 04 DE AGOSTO

Homem de oração

Longos momentos diante do tabernáculo, uma verdadeira intimidade com Deus, um abandono total a sua vontade, um rosto transfigurado; características que impressionavam quem o encontrava e permitiam perceber a profundidade de sua vida de oração e de sua união com Deus. Para não falar de sua grande alegria e de sua verdadeira amizade com Deus: «Eu vos amo, ó meu Deus, e meu único desejo é amar-vos até o último suspiro de minha vida». Uma amizade que implica uma reciprocidade, como dois pedaços de cera, que, uma vez fundidos, explicava João Maria Vianney, já não podem ser separados nem identificados; o mesmo acontece entre nossa alma e Deus, quando rezamos.

O coração pulsante: a Eucaristia celebrada e adorada

«Ele está ali!», exclamava o Santo Cura, apontando para o tabernáculo. Homem da Eucaristia, celebrada e adorada: «Não há nada maior que a Eucaristia», exclamava. Talvez o que mais o tenha impressionado foi constatar que seu Deus estava ali, presente para nós no tabernáculo. «Ele nos espera!» A tomada de consciência da presença real de Deus no Santíssimo Sacramento talvez tenha sido uma de suas maiores graças e uma de suas maiores alegrias. Dar Deus aos homens e os homens a Deus: o sacrifício eucarístico tornou-se, muito cedo, o cerne de seus dias e de sua pastoral.

Obcecado pela salvação dos homens

Talvez seja essa expressão a que melhor resume o que foi o Santo Cura ao longo de seus 41 anos de presença em Ars. Obcecado por sua salvação e pela salvação dos outros, especialmente daqueles que o procuravam ou tinham sido postos sob sua responsabilidade. Como pároco, Deus há de lhe «pedir contas» deles, dizia. Para que todos pudessem sentir a alegria de conhecer a Deus e de amá-lo, de saber que Ele nos ama: era assim que agia sem descanso João Maria Vianney.

Mártir do confessionário

De 1830 em diante, milhares de pessoas irão a Ars para se confessar com ele; serão mais de 100 mil no último ano de sua vida. Pregado em seu confessionário até 17 horas por dia, para reconciliar os homens com Deus e entre si, o Cura d’Ars é «um verdadeiro mártir do confessionário», frisava João Paulo II. Conquistado pelo amor de Deus, admirado diante da vocação do homem, o Cura d’Ars media a loucura que havia em que alguém quisesse se separar de Deus. Queria que todos fossem livres para poder saborear o amor de Deus.

No coração de sua paróquia, um homem de autêntica sociabilidade

«Não sabemos o que o Santo Cura não fez em termos de obras sociais», relata um de seus biógrafos. Vendo a presença do Senhor em cada um de seus irmãos, ele não se dava um minuto de paz procurando socorrê-los, aliviar seus sofrimentos ou suas feridas, criar condições para que cada um se sentisse livre e realizado. Orfanato, escolas, dedicação aos mais pobres e aos doentes, construtor incansável... nada lhe escapava. Acompanhava as famílias e se esforçava por protegê-las de tudo o que pudesse destruí-las (o álcool, a violência, o egoísmo...). Em seu vilarejo, procurava considerar o homem em todas as suas dimensões (humana, espiritual, social).

Padroeiro de todos os párocos do universo

Beatificado em 1904, será declarado por São Pio X, em 12 de abril do mesmo ano, padroeiro dos sacerdotes da França. Em 1929, quatro anos depois de sua canonização, papa Pio XI o declarará «padroeiro de todos os párocos do universo». Papa João Paulo II sublinhará essa idéia, recordando em três ocasiões que «o Cura d’Ars continua a ser para todas as cidades um modelo sem par, ao mesmo tempo de realização do ministério e de santidade do ministro». «Oh, o sacerdote é algo realmente grande, pois pode dar Deus aos homens e os homens a Deus; é testemunha da ternura do Pai por cada um e artífice da salvação!», exclamava João Maria Vianney. O Cura d’Ars é um grande irmão no sacerdócio, a quem todo sacerdote do mundo pode confiar seu ministério ou sua vida sacerdotal.

Um chamado universal à santidade

«Eu lhe mostrarei o caminho do Céu», respondera ao pastorzinho que lhe indicava o caminho para Ars, ou seja, vou ajudá-lo a tornar-se santo. «Por onde passam os santos, passa Deus com eles!», afirmaria mais tarde. No fim de seus dias, convidava cada pessoa a se deixar santificar por Deus, a buscar com todos os meios essa união com Deus, neste mundo e por toda a eternidade.

Cit.por Ars Net. Org

Ano Sacerdotal - Sacerdote deve ser antes de tudo homem de Deus



04 DE AGOSTO

Sacerdote deve ser antes de tudo homem de Deus, diz Arcebispo

Dom Eurico Veloso assinala exemplo do Santo Cura d’Ars

JUIZ DE FORA, terça-feira, 4 de agosto de 2009 (ZENIT.org).- O Arcebispo emérito de Juiz de Fora, Minas Gerais, Dom Eurico dos Santos Veloso, afirma que o sacerdote deve buscar ser antes de tudo um “homem de Deus”, na expressão usada por João XXIII.

“O sacerdote, através da renovação diária do sacrifício de Cristo, deve, aos poucos, ir conformando sua mente, seus atos, seu modo de tratar as pessoas, ao modo de viver e pensar do próprio Cristo”, escreve o arcebispo emérito, em artigo enviado a Zenit ontem.

Dom Eurico Veloso indica aos presbíteros que “o Divino Mestre seja seu único amigo e consolador, quer na vigília junto ao sacrário, quer no estudo das Sagradas Escrituras, quer no cuidado dos pobres e doentes ou no ministério da pregação”.

O prelado recorda então a pessoa do Santo Cura d’Ars, “modelo de pároco, em cuja vida deve se espelhar todo verdadeiro sacerdote, ainda mais agora que o Papa Bento XVI propõe a figura do ilustre e santo sacerdote como patrono de todo o clero”.

“Não vejo outro caminho a ser trilhado pelo sacerdote, a não ser ir copiando em sua vida todos os traços de Jesus Cristo, Sumo Sacerdote, que outra coisa não fez em sua vida, do que plantar nos corações o Deus vivo, seu e nosso Pai”, afirma.

O Arcebispo reconhece que hoje os sacerdotes são chamados a muitas atividades no cumprimento da missão evangelizadora da Igreja.

Entretanto –prossegue Dom Eurico–, a missão do sacerdote no mundo “é que ele seja sempre e em tudo, apesar de tudo, um homem de Deus, quer pela oração, quer pela vivência do Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo, quer pelo anúncio da Boa-nova, missão recebida do próprio Senhor”.

D. Eurico dos Santos Veloso
Arcebispo emérito de Juiz de Fora

Ano Sacerdotal - Cardeal Hummes aos pais: ousem pedir a graça da vocação sacerdotal na família



04 DE AGOSTO

Prefeito da Congregação para o Clero presidiu missa em homenagem ao Cura d’Ars

ARS, terça-feira, 4 de agosto de 2009 (ZENIT.org).- O Cardeal Claudio Hummes, Prefeito da Congregação para o Clero, pediu hoje que os pais não tenham medo de uma possível vocação sacerdotal do filho, mas que cheguem a ousar pedir a Deus essa graça.

Dom Claudio presidiu esta manhã na Diocese de Belley-Ars, França, à missa em comemoração do 150º aniversário da morte de São João Maria Vianney, o Santo Cura d’Ars, Patrono dos sacerdotes.

Além da missa desta manhã, houve ainda procissão da relíquia do coração do santo e solene celebração das Vésperas, no contexto das festividades do Ano Sacerdotal.

Em sua homilia –da qual Rádio Vaticano difundiu algumas passagens–, o prefeito da Congregação para o Clero destacou que a vida de São João Maria Vianney é rica em ensinamentos.

“O Cura d’Ars é modelo de fé, de oração constante, de uma espiritualidade profunda e sólida; exemplo de penitência, de humildade e pobreza”, afirmou.

Ao falar do Ano Sacerdotal, o Cardeal brasileiro afirmou que se trata de um tempo de graças. “A Igreja quer dizer aos sacerdotes que agradece a Deus por sua presença, que os admira e os ama”. Além disso, sustenta-os com a oração e quer ajudá-los concretamente no desempenho de sua missão sacerdotal, disse.

Dom Claudio lamentou que hoje “tantas pessoas vaguem pela vida como ovelhas sem pastor”, estando “à espera da palavra salvífica do Evangelho”.

O purpurado destacou ainda a importância do sacramento da reconciliação, que deve ser cumprido “com fé, espírito de sacrifício e amor pastoral”, colocando-se à disposição das pessoas com “grande generosidade”.

Ao concluir sua homilia, o purpurado enfatizou o papel da família no cultivo das vocações. “As famílias devem ser verdadeiras Igrejas domésticas, fontes de fé e de amor, onde se reza junto”.

Ele pediu que os pais não tenham medo se o Senhor escolher um de seus filhos para se tornar padre. “Ousem pedir a Deus a graça de uma vocação sacerdotal na família; descubram que doar à Igreja um sacerdote é uma verdadeira bênção”.

Cardeal Claudio Hummes
Prefeito da Congregação para o Clero

Ano Sacerdotal - Carta do Prefeito da Congregação para o Clero aos presbíteros



04 DE AGOSTO

Carta do Prefeito da Congregação para o Clero aos presbíteros

Cardeal Hummes escreve aos padres no mês das vocações

CIDADE DO VATICANO, terça-feira, 4 de agosto de 2009 (ZENIT.org).- O Prefeito da Congregação para o Clero, Cardeal Claudio Hummes, enviou aos presbíteros uma carta com ocasião do Dia do Presbítero, que se celebra hoje, festividade de São João Maria Vianney.

* * *

Jesus disse: “Eu não vim para julgar o mundo, mas para salvá-lo” (Jo 12,47).

Caros Presbíteros,

A atual cultura ocidental dominante, sempre mais difundida em todo o mundo, através da mídia global e da mobilidade humana, também nos países de outras culturas, apresenta novos desafios, não pouco empenhativos, para a evangelização. Trata-se de uma cultura marcada profundamente por um relativismo que recusa toda afirmação de uma verdade absoluta e transcendente e, em consequência, arruína também os fundamentos da moral e se fecha à religião. Dessa forma, perde-se a paixão pela verdade, relegada a uma “paixão inútil”. Jesus Cristo, no entanto, apresenta-se como a Verdade, o Logos universal, a Razão que ilumina e explica tudo o que existe. O relativismo, ademais, vem acompanhado de um subjetivismo individualista, que põe no centro de tudo o próprio ego. Por fim, chega-se ao niilismo, segundo o qual não há nada nem ninguém pelo qual vale a pena investir a própria inteira vida e, portanto, a vida humana carece de um verdadeiro sentido. Todavia, é preciso reconhecer que a atual cultura dominante, pós-moderna, traz consigo um grande e verdadeiro progresso científico e tecnológico, que fascina o ser humano, principalmente os jovens. O uso deste progresso, infelizmente, não tem sempre como escopo principal o bem do homem e de todos os homens. Falta-lhe um humanismo integral, capaz de dar-lhe seu verdadeiro sentido e finalidade. Poderíamos referir-nos ainda a outros aspectos dessa cultura: consumismo, libertinagem, cultura do espetáculo e do corpo. Não se pode, porém, não frisar que tudo isso produz um laicismo, que não quer a religião, faz de tudo para enfraquecê-la ou, ao menos, relegá-la à vida particular das pessoas.

Essa cultura produz uma descristianização, por demais visível, na maioria dos países cristãos, especialmente no Ocidente. O número das vocações sacerdotais caiu. Diminuiu também o número dos presbíteros, seja pela falta de vocações seja pelo influxo do ambiente cultural em que vivem. Tais circunstâncias poderiam conduzir-nos à tentação de um pessimismo desencorajante, que condena o mundo atual, e induzir-nos à retirada para a defensiva, nas trincheiras da resistência.

Jesus Cristo, ao invés, afirma: “Eu não vim para julgar o mundo, mas para salvá-lo” (Jo 12,47). Não podemos nem desencorajar-nos nem ter medo da sociedade atual nem simplesmente condená-la. É preciso salvá-la! Cada cultura humana, também a atual, pode ser evangelizada. Em cada cultura há “sementes do Verbo”, como aberturas para o Evangelho. Certamente, também na nossa atual cultura. Sem dúvida, também os assim chamados “pós-cristãos” poderiam ser tocados e reabrir-se, caso fossem levados a um verdadeiro encontro pessoal e comunitário com a pessoa de Jesus Cristo vivo. Em tal encontro, cada pessoa humana de boa vontade pode, por Ele, ser alcançada. Ele ama a todos e bate à porta de todos, porque quer salvar a todos, sem exceção. Ele é o Caminho, a Verdade e a Vida, para todos. É o único mediador entre Deus e os homens.

Caríssimos Presbíteros, nós, pastores, nos tempos de hoje, somos chamados com urgência à missão, seja “ad gentes”, seja nas regiões dos países cristãos, onde tantos batizados afastaram-se da participação em nossas comunidades ou, até mesmo, perderam a fé. Não podemos ter medo nem permanecer quietos em casa. O Senhor disse a seus discípulos: “Por que tendes medo, homens fracos na fé?” (Mt 8, 26). “Não se acende uma lâmpada e se coloca debaixo do alqueire, mas no candeeiro, para que ilumine a todos os que estão na casa” (5,15). “Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda criatura” (Mc 16,15). “Eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos” (Mt 28,20).

Não lançaremos a semente da Palavra de Deus apenas da janela de nossa casa paroquial, mas sairemos ao campo aberto da nossa sociedade, a começar pelos pobres, para chegar também a todas as camadas e instituições sociais. Iremos visitar as famílias, todas as pessoas, principalmente os batizados que se afastaram. Nosso povo quer sentir a proximidade da sua Igreja. Nós o faremos, indo à nossa sociedade com alegria e entusiasmo, certos da presença do Senhor conosco na missão e certos de que Ele baterá à porta dos corações aos quais O anunciarmos.

Cardeal Cláudio Hummes
Arcebispo Emérito de São Paulo
Prefeito da Congregação para o Clero

sábado, 1 de agosto de 2009

São Bernardo - Ó minha alma, volta ao Verbo para seres transformada por Ele!



“Ó meu Deus, que não poderia eu, confiante, ousar Convosco, cuja nobre imagem e luminosa semelhança sei que trago em mim? Por que deveria eu temer tão alta Majestade, quando posso confiar na nobreza de minha origem? Ajudai-me a conservar a integridade de minha natureza com a inocência da vida! Ensinai-me a embelezar e honrar, com virtudes e afetos dignos, a Celeste Imagem que trago em mim.

Ó minha alma, volta ao Verbo para seres transformada por Ele, para te tornares igual a Ele na caridade! Se amares perfeitamente, desposar-te-ei com Ele. Haverá coisa mais feliz do que esta conformidade? Haverá coisa mais desejável do que o amor pelo qual tu, minha alma, te aproximas espontânea e confiantemente do Verbo, a Ele constantemente adoras, a Ele familiarmente interrogas e consultas em todas as coisas, tão capaz de entender quanto audaz em desejar?

Este é verdadeiramente contrato de espiritual e santo matrimônio! É o amplexo! Sim, é verdadeiramente amplexo porque um idêntico querer e não querer faz de dois um só espírito”.

São Bernardo de Claraval
In Cantica Cant. 83, 1-3
Oeuvres mystiques de Saint Bernard, Paris, 1953

São Pedro Julião Eymard – A via do amor



Festa 02 de agosto

A via do amor

O dom de si mesmo é uma meta difícil, mas S.Pedro Julião Eymard mostra às almas o caminho para se chegar até aí, o caminho do amor.

“O discípulo de Cristo pode chegar à perfeição cristã por duas vias. A primeira é a lei do dever: mediante o laborioso exercício das virtudes se vai progressivamente ao amor, que é o vínculo da perfeição. Esta via é uma via longa e trabalhosa, e por ela poucos chegam à perfeição pois, depois de haver subido durante algum tempo pela montanha de Deus, muitos param pelo caminho.

A segunda via é mais curta e mais nobre: é a via do amor. Antes de agir, o discípulo começa a estimar e a amar. O amor segue ao conhecimento e por ele se lança em tudo, como a águia até o cimo da montanha onde o amor tem a sua morada. E ali, como a águia real, contempla o sol do amor para conhecer bem a sua beleza e sua potência.

O amor, eis aqui o primeiro ponto de partida da vida cristã. O amor é o ponto de partida de Deus até sua criatura, de Jesus Cristo até o homem. Nada mais justo, então, que seja também o do homem até Deus. Mas, antes de ser ponto de partida, é necessário que o amor de Jesus Cristo seja um ponto de profundo recolhimento de todas as faculdades do homem, uma escola onde aprender a conhecer a Jesus. E especialmente na oração, a alma conhece Jesus e Ele se revela a ela”.

São Pedro Julião Eymard
La Eucaristía y la vida cristiana

São Pedro Julião Eymard – Apóstolo do amor à Eucaristia



Festa 02 de agosto

A Eucaristia incendiava seu coração

O centro da vida espiritual de São Pedro Julião Eymard foi sempre a devoção ao Santíssimo Sacramento. O santo dizia: “Sem Ele, eu perderia minha alma”. São Pedro Julião nos relata uma experiência extraordinária em uma procissão de Corpus Christi, enquanto levava o Santíssimo Sacramento em suas mãos:

“Minha alma se inundou de fé e de amor por Jesus no Santíssimo Sacramento. As duas horas se passaram num instante. Pus aos pés do Senhor a Igreja, ao mundo inteiro, a mim mesmo. Meus olhos estavam cheios de lágrimas, como se meu coração fosse um lagar. Quisera eu, nesse momento, que todos os corações estivessem com o meu e se incendiassem com um zelo tal qual o de São Paulo”.

São Pedro Julião Eymard
Colección Les Saints

Santo Afonso Maria de Ligório - Agradar a Deus



Festa 01 de agosto

Agradar a Deus

‘Filii hujus saeculi sapientiores filiis lucis’: bem que nos podemos chamar filhos da luz, porque Deus nos fez compreender que nada importa tanto no mundo como entregar-nos totalmente a Deus.

Meus diletíssimos, nós que somos servos de um Senhor tão bom e tão grande, se temos uma fé viva, devemos esforçar-nos por agradar a este Senhor, e cuidar de avançar sempre mais na sua amizade e na sua graça.

Sabe-se que alguém age por Deus se, quando faz alguma coisa, ou pretende fazer, e não o pode fazer, ou deve deixar para depois porque a obediência manda outra coisa, se então não se perturba, mas faz o que é mandado pela obediência, com a mesma alegria com que faria qualquer outra coisa também por Deus.

Quando aquilo que faz, o faz com espírito e com fervor, para agradar a Deus e para dar gosto a Deus; quando não se espanta nem recua diante das dificuldades que encontra, nem deixa de agir por causa do sofrimento ou das fadigas; então verdadeiramente age por Deus, e não por inclinação ou pelo amor próprio.

Santo Afonso Maria de Ligório, Bispo e Doutor
“Manoscritti inediti”; “Sentimenti di Monsignore”

Santo Afonso Maria de Ligório - Amor total a Cristo



Festa 01 de agosto

Amor total a Cristo

“É belo amar Jesus Cristo de todo o coração. Mas quão pouco são aqueles homens que verdadeiramente nutrem em seu coração um tal afeto. Por isso vemos, com a experiência, que o amor de muitos, e não me engano se digo que da maioria, não só dos cristãos mas até das pessoas chamadas a uma vida santa e perfeita, é feito apenas de palavras, e pouco ou quase nada de atos como deveria ser.

Que significa amar? Que significa amar a Deus de todo o coração? Em se tratando de um simples cristão, significa que observe pontualmente todos os dez mandamentos de Deus, além de observar a lei de Deus e da Igreja. Em se tratando daqueles que buscam a santidade, que procuram tornarem-se santos, significa que observem pontualmente os preceitos que requisita este caminho; que busquem se manter em contínuo recolhimento interior seja em qualquer lugar, em qualquer ação; que não falem em tempo de silêncio, nem nos lugares de silêncio; significa receberem com humildade as correções que lhe forem feitas, especialmente se vierem de Superiores e que se vença e não desobedeça voluntariamente; significa que devem pelo menos suportar as contrariedades do dia a dia com paciência e sem irritar-se e, se possível, caminhar para amar os desprezos, como os santos os amaram; significa que devem amar a mortificação interna e externa ou que ao menos suportem o que Deus lhe manda; significa que devem ser como um pouco de argila nas Mãos do Oleiro Divino”.

Santo Afonso Maria de Ligório, Bispo e Doutor
“Manoscritti inediti”; “Sentimenti di Monsignore”

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Santo Inácio de Loyola – O amor é o critério da sua vida espiritual



Festa 31 de julho

S. Inácio - O Discernimento a partir da caridade.

“O peso da alma é o amor”. Assim escrevia S. Inácio a um antigo colega da universidade de Paris dando-nos a chave do seu itinerário interior e do próprio carisma da Companhia de Jesus. 450 anos depois da sua morte, Inácio de Loyola, continua a ser reconhecido na Igreja como o grande especialista do discernimento. O que é talvez menos conhecido é a importância dada por S. Inácio ao amor como critério do discernimento afetivamente livre. Segundo os Exercícios Espirituais o desejo de viver em reciprocidade com Jesus, “Eterno Senhor de todas as coisas”, sintetiza-se no exercício de “Contemplação” que é capaz de “alcançar o Amor”. S. Inácio une assim a “ação” com a “Contemplação” (ser alcançado pelo Amor).

“Sair do próprio amor” para abraçar o amor de Cristo foi, para S. Inácio, tal como é hoje para todos os que continuam a seguir a sua espiritualidade, o processo que leva cada homem a ver o “Mundo” para além do “mundo” do seu próprio eu, abandonando-se nas mãos do Pai, na confiança de que só o Seu amor basta.”Dá-me o Teu amor e a Tua graça que isto me basta” dizia S. Inácio. O amor é para S. Inácio o critério averiguador da verdade do discernimento, a condição de possibilidade da autêntica liberdade humana. Para S. Inácio, não é possível reduzir o amor a uma experiência sentimental, intimista ou platônica. O amor é Deus. E Deus é “ativo”, “habita”, “trabalha” em todas as coisas. S. Inácio experimentou este amor e, foi este amor que lhe permitiu encontrar “Deus em todas as coisas e todas as coisas em Deus”. O amor verdadeiro é operativo, concreto, eficaz. Cresce, tende para o “mais”. O importante é libertar o amor de toda a afetividade egoísta, de toda a desordem. Já não se trata de viver apenas para evitar o pecado; trata-se de “amar para poder viver na liberdade” e na “discrição da caridade” colocando “toda a confiança com verdadeira fé e intenso amor no Seu Criador e Senhor”. Sem amor nada fazia sentido, nada podia ser discernido. Não fazia sentido viver em pobreza. A pobreza escolhe-se por amor a Cristo pobre. Não fazia sentido a obediência. O amor é a alma da obediência dizia o P. Pedro Arrupe referindo-se a S. Inácio. Não fazia sentido a Castidade. A castidade sem amor é inútil. Nada sem amor fazia sentido para S. Inácio.


O P. Gonçalves da Câmara a quem S. Inácio contou algumas memórias autobiográficas deixou-nos este traço do perfil de S. Inácio: “Sempre é mais inclinado ao amor. Todo ele parece amor”. O “magistério” de S. Inácio em socorrer os famintos de Roma durante a grande fome de 1538, em proteger e defender os hebreus espoliados dos seus próprios bens, em socorrer os mendigos, em ajudar as prostitutas sem as obrigar a uma vida religiosa forçada nos conventos como era próprio de então, em dar apoio ás mulheres desprotegidas, permite-nos conhecer a grandeza da sua caridade apostólica. A amizade com o Senhor e a amizade com os mais pobres encontram-se unidas na sua experiência mística. Se a experiência do amor de Cristo levava Inácio à prática da caridade como a forma mais elevada de praticar a justiça, esse mesmo amor moveu-o a agir em todas as outras aéreas da vida com o esforço de um sacerdócio erudito, capaz de dialogar com a cultura do seu tempo, combater as heresias e ajudar a transformar a Igreja a partir de dentro do próprio amor. Para S. Inácio a “Maior Glória de Deus” e o “serviço dos homens” coincide no exercício apostólico de quem, dentro e não fora da Igreja, procura “fazer tudo como se dependesse de si, sabendo que tudo depende de Deus”.

S. Inácio amava o mundo e cada ser humano na sua inteireza como ele próprio se sentiu continuamente amado pelo Senhor. Por ser tão amado pelo Senhor fez do amor o critério da sua vida espiritual, do seu governo apostólico, de todas as suas decisões convidando “todos os que aspiram a mais” a viver na liberdade de quem, pondo “mais amor nas obras do que nas palavras” é capaz de “em tudo amar e servir”. É que o mundo, para S. Inácio não é só o cenário onde Deus se revela. O mundo é revelação de Deus. E o discernimento é a capacidade de descobrir os sinais de Deus a partir da caridade.

Pe.Carlos Carneiro, SJ
Cit.por companhia-jesus.pt

Santo Inácio de Loyola – Tomai minha liberdade



Festa 31 de julho

Santo Inácio de Loyola foi o Fundador da Companhia de Jesus (Jesuítas) em 1534. Sua conversão se dá após ser ferido em combate e tendo que se recuperar em casa. Como homem ativo que era, sente dificuldades em permanecer deitado durante sua convalescência e somente encontra algum alívio nas leituras. Acaba absorvido por leituras espirituais, como a vida de Cristo e a biografia de santos. Após sua recuperação, decide fazer uma peregrinação ao Santuário de Montserrat e depois passar um tempo de recolhimento em Manresa, onde inicia os escritos dos Exercícios espirituais, os quais são um importante e seguro guia para a iniciação das almas na vida contemplativa. Os Exercícios espirituais indicam o caminho para a alma seguir até a união com Deus.


"Tomai, Senhor e recebei
toda a minha liberdade, minha memória,
meu entendimento e toda minha vontade
Tudo que tenho e possuo
Vós me destes com amor,e a Vós,
Senhor, vos devolvo com gratidão.
Tudo é vosso;
dispõe de tudo segundo vossa vontade
Dai-me somente o vosso amor e vossa graça,
que isto me basta sem que te peça outra coisa.
Dai-me vosso Amor e Graça,
que elas me bastam."


Exercícios Espirituais 234

Santo Inácio, rogai por nós!



Santo Inácio de Loyola – Os Exercícios Espirituais, uma experiência para encontrar o Deus Vivo



Festa 31 de julho

Exercícios Espirituais

Os Exercícios Espirituais são uma experiência que Santo Inácio iniciou para ajudar outras pessoas a encontrarem-se com um Deus que não está mudo e que não vive distante, lá acima na abóbada celeste. Um encontro forte, vivo, pessoal, que compromete a quem segue generosamente essa ginástica espiritual e que o leva a entender e experimentar que Jesus ressuscitado chama a colaborar com a missão que Ele mesmo teve: levar a Boa Nova. Os Exercícios são um benéfico terremoto interior.

Ainda que Inácio estivesse se restabelecendo da ferida na perna provocada por uma bala de canhão, durante a defesa de Pamplona contra os franceses, teve uma série de experiências interiores que sacudiram energicamente sua vida e foram levando-o a encontrar-se com uma verdade gozosa: quem decide ouvir ao Senhor, pode escutar sua voz, chegar a conhecer, por meio do discernimento, a vontade de Deus e tomar as decisões importantes seguindo o impulso do Espírito. Esta mesma experiência é a que Inácio partilha com seus companheiros de estudo, quando lhes dá os Exercícios Espirituais. Todos eles também perceberam, por meio destas práticas, que eram capazes de ouvir a Deus, que podiam crescer em liberdade, seguir radicalmente a Cristo, amar a Deus inseridos num mundo, a um Deus que vive, trabalha e ama no mundo. Desde então, os Exercícios Espirituais, o método que Inácio descreveu tão cuidadosamente, são a base da formação dos jovens jesuítas e nosso ministério mais típico.

O Livro dos Exercícios, composto na alvorada do Renascimento e na época da Reforma, deveria ter caído de moda há muito tempo. Ao contrário, conserva sua atualidade plenamente. Porque na vida concreta de cada dia, os Exercícios ajudam a reler pessoalmente toda a obra da salvação, para descobrir a vontade amorosa da divina Majestade sobre cada um de nós, por meio do Senhor Jesus, sob a moção sensível do Espírito e, quando reconhecemos a sua ação seguindo os ensinamentos dos Exercícios, isto nos impulsiona a encarnar por meio da eleição que o inspira, o maior serviço, que atualiza hoje em nossa vida, a Obra de Cristo. Os Exercícios Espirituais ajudam também a formar cristãos alimentados por uma experiência pessoal de Deus e capazes, ao mesmo tempo, de distanciar-se dos falsos absolutos das ideologias e sistemas, para comprometer-se com o esforço apostólico único da promoção integral - espiritual, social e cultural - do homem e da humanidade. Deles obtemos uma vida no Espírito mais vigorosa, um amor cada vez mais pessoal ao Filho, que carrega sua cruz, e um desejo mais encarnado de poder "em tudo amar e servir".

Peter Hans Kolvenbach, S.J., Prepósito Geral
Jesuitas.org

Santo Inácio de Loyola – Espiritualidade Inaciana



Festa 31 de julho

Espiritualidade Inaciana

O centro da Espiritualidade Inaciana são os Exercícios Espirituais que Santo Inácio. Inácio, em sua caminhada espiritual foi anotando num livrinho como Deus ia se revelando em vários momentos marcantes de sua vida. Essa experiência de Deus gerou uma espiritualidade singular na Igreja que é característica dos jesuítas, religiosos, sacerdotes e leigos, que descobriram na espiritualidade inaciana um caminho eficaz no seguimento de Jesus.

Assim como toda espiritualidade cristã, ela está centrada na pessoa de Jesus e na Palavra de Deus. Mas por outro lado, toda espiritualidade nasce de uma experiência pessoal de Deus e traz para vida da Igreja sempre um novo matiz. A espiritualidade inaciana tem alguns traços próprios, como por exemplo o ser "contemplativo na ação", o "buscar e encontrar Deus em todas as coisas", o fazer tudo para "a maior Glória de Deus", o "princípio e fundamento", o "discernimento inaciano", "o maior serviço", "o bem mais universal", o "sentir com a Igreja", o "exame de consciência diário", a "aplicação dos sentidos", etc. Todas essas expressões para serem entendidas precisam ser vivenciadas a partir dos Exercícios Espirituais (EE).

Os EE podem ser feitos na vida cotidiana, onde o exercitante sob a orientação de um diretor espiritual não precisa deixar seus afazeres e ir para uma casa de retiros. Como pode também qualquer pessoa fazê-la em oito, ou em trinta dias, dependendo de sua disponibilidade de tempo. Os Jesuítas durante o período da formação fazem o retiro de trinta dias pelo menos duas vezes e, a cada ano fazem um de oito dias como forma de voltar as fontes da espiritualidade que os anima, inspira e determina o seguimento de Jesus e o serviço que eles prestam à Igreja.

Jesuitas.org

Santo Inácio de Loyola – Reflexões chaves do Diário Espiritual



Festa 31 de julho

Reflexões chaves do Diário Espiritual de Santo Inácio de Loyola

“Deus me ama mais que eu a mim mesmo”.

“Seguindo-vos, Jesus, não posso perder-me”.

“Deus proverá o que lhe pareça melhor”.

“Senhor, sou uma criança! Aonde me levais?”.

“Jesus, por nada no mundo eu vos deixaria!”.

“Que quereis de mim, Senhor?”.

“Senhor, sustenta-me com a vossa Graça!”.

“Não mereço, Senhor, tudo quanto recebo”.

“Dai-me, Senhor, o vosso Amor e Graça que eles me bastam”.

“Jesus, sê meu guia para conduzir-me em tudo”.


Santo Inácio de Loyola
Diário espiritual de S.Inácio de Loyola
Ed.Loyola


quinta-feira, 30 de julho de 2009

São Pedro Crisólogo – O nome de Cristo é Paz



30 DE JULHO

«O nome de Cristo é Paz»

“Por ocasião da vinda de nosso Senhor e Salvador, e de sua presença num corpo, os anjos que dirigiam os coros celestes davam a boa nova aos pastores, dizendo: «Eu vos anuncio uma grande alegria, que será para todo o povo» (Lc 2, 10). Portanto, nós também, tomando emprestada a voz desses santos anjos, vos anunciamos uma grande alegria. Hoje a Igreja está em paz; hoje a barca da Igreja está no porto; hoje, caríssimo, o povo de Cristo é exaltado e os inimigos da verdade são humilhados; hoje Cristo se alegra e o diabo chora; hoje os anjos exultam e os demônios se confundem.

Que mais diremos? Hoje Cristo, que é o rei da paz, saindo com a sua paz, afugentou todo conflito, repeliu as dissensões, lançou fora a discórdia. E, tal como o esplendor do sol ilumina o céu, assim ele ilumina a Igreja com o fulgor da paz. Porque «nasceu-vos hoje o Salvador do mundo» (Lc 2, 11).

Como é desejável esse nome de paz, estável fundamento da fé cristã e celeste ornamento do altar do Senhor! E que poderíamos dizer que fosse digno dessa paz? O próprio nome de Cristo é paz, como diz o Apóstolo: «Cristo é a nossa paz, de ambos os povos fez um só» (Ef 2, 14). Pois bem: assim como, quando o rei está para sair, as ruas são limpas e toda a cidade é ornada com flores e enfeites variados, de modo que não haja nada menos digno de se mostrar a ele, também agora, à chegada de Cristo, rei da paz, seja retirado tudo o que é triste; e, ao brilhar a verdade, seja afugentada a mentira, cesse o conflito, resplandeça a concórdia.

Por isso, se também na terra a paz é louvada pelos santos, o esplendor do seu louvor é realizado no céu, onde os anjos a louvam, dizendo: «Glória a Deus no mais alto dos céus, e paz na terra aos homens que ele ama» (Lc 2, 14). Vede, irmãos, como os habitantes do céu e da terra trocam entre si os presentes da paz: enquanto os anjos do céu anunciam a paz na terra, os santos da terra louvam a Cristo, que é a nossa paz e está nos céus, e todos cantam juntos em místicos coros: «Hosana nas alturas!»”

Digamos, portanto, também nós com os anjos: Glória a Deus nas alturas, glória a Deus que humilhou o diabo e exaltou o seu Cristo, que repeliu a discórdia e estabeleceu a paz”.

S.Pedro Crisólogo, Bispo e Doutor
Sermo 149(Patrologia Latina 52)

São Pedro Crisólogo – A Chama da Caridade Divina



30 DE JULHO

«Muitos profetas e justos desejaram ver o que vós vedes»

“Quando viu o mundo transtornado pelo medo, Deus pôs em ação o seu amor para o chamar a Si, a sua graça para o convidar, o seu afeto para o abraçar. Quando do dilúvio, chama Moisés a gerar um mundo novo, encoraja-o por meio de doces palavras, dá-lhe uma confiança de predileto, instrui-o com bondade sobre o presente e consola-o com a sua graça relativamente ao futuro. Participa no seu labor e encerra na arca o germe do mundo inteiro, a fim de que o amor pela sua aliança banisse o medo.

Em seguida, Deus chama Abraão do meio das nações, eleva o seu nome e faz dele pai dos crentes. Acompanha-o pelo caminho, protege-o no estrangeiro, cumula-o de riquezas, honra-o com vitórias, confirma-o com as suas promessas, arranca-o às injustiças, consola-o na sua hospitalidade e maravilha-o com um nascimento inesperado, a fim de que, atraído pela doçura do amor divino, ele aprenda a adorar a Deus amando-O e já não temendo-O.

Mais tarde, Deus consola Jacob em fuga por meio de sonhos. No regresso, provoca-o para um combate e, durante a luta, estreita-o nos braços, a fim de que ele ame o Pai dos combates e deixe de O temer. Depois, chama Moisés e fala-lhe com o amor de um pai, para o convidar a libertar o seu povo.

Em todos estes acontecimentos, a chama da caridade divina abrasou o coração dos homens e estes, de alma ferida, começaram a desejar ver a Deus com os olhos da carne. O amor não admite não ver aquilo que ama. Não é verdade que todos os santos consideraram pouca coisa tudo quanto obtinham quando não viam a Deus? Que ninguém pense, pois, que Deus fez mal em vir ter com os homens por meio de um homem. Ele tomou carne entre nós para ser visto por nós”.

S.Pedro Crisólogo, Bispo e Doutor
Sermo 147(Patrologia Latina 52)

São Pedro Crisólogo – Servos inúteis que, livres, servirão somente a Deus



30 DE JULHO

«Livre em face do universo, o homem servirá somente a Deus»

“Assim também vós: quando tiverdes feito tudo o que vos mandaram, dizei: Somos servos inúteis! (Lc 17, 10). Assim também vós? Mas onde está a semelhança? Não haverá antes diferença, e grande diferença? O homem não deverá a Deus senão o que pode dever a um homem? É evidente que não! A relação das situações não é a mesma, o fundamento da obrigação é diferente, o compromisso da pessoa é inteiramente diverso. Deus fez o homem existir, Deus mandou-o nascer, Deus lhe deu a vida, Deus lhe dá o conhecimento. Deus lhe fez presente do tempo, dividindo-o em épocas, que lhe concede em vista da sua glória. Deus fez do homem uma criatura aberta à honra, colocou-o à frente dos animais, e colocou-o como senhor da terra inteira, segundo a lei que pronunciou e o tempo que estabeleceu. E como esses dons originais se haviam perdido, Deus os restabeleceu de novo, amplificando-os até a divindade, elevando-os até o céu. Desde homem, a quem ele dera a terra como morada, fez um cidadão do céu.

Assim, o homem poderá conservar, em sua nova condição agora garantida, tudo o que perdera em sua incerta liberdade. Assim, finalmente, livre em face do universo, o homem servirá somente a Deus. Esse serviço, que o homem devia ao Autor do seu primeiro estado e da sua própria existência, ele o deve agora, segundo o Apóstolo, porque Deus o adquiriu, porque Deus o resgatou: «De fato, fostes comprados, e por preço muito alto!» (1Cor 6, 20). «Não vos torneis, pois, escravos de seres humanos» (1Cor 7, 23).

«Senhor», diziam os discípulos, «até os demônios nos obedecem por causa do teu nome» (Lc 10, 17). Mas Jesus os acalma: «Não vos alegreis porque os espíritos se submetem a vós. Antes, ficai alegres porque vossos nomes estão escritos nos céus» (Lc 10, 20). E para que o orgulho deles não lhes retirasse o que haviam ganho com seus esforços, para que evitassem atribuírem a si o que haviam obtido de Deus, Jesus os convida, por meio de uma comparação, à humildade, mãe de toda ciência verdadeira: «Se alguém de vós tem um servo que trabalha a terra ou cuida dos animais, quando ele volta do campo, lhe dirá: Vem depressa para a mesa?» (Lc 17, 7).

Após os trabalhos realizados e o testemunho de múltiplos milagres, os apóstolos se haviam julgado, a si próprios, servos de grande utilidade. Eles esqueciam o peso da terra, do barro de que seus corpos eram feitos. Sua inutilidade, que eles não enxergavam, a traição de Judas tornará manifesta. Ainda mais: Pedro o renega, João foge, todos o abandonam. Então, contemplamos, sozinho, o único no qual subsiste, o único do qual procede a utilidade do servo”.

São Pedro Crisólogo, Bispo e Doutor
Sermo 162(Patrologia Latina 52)

terça-feira, 28 de julho de 2009

Beato Tito Brandsma – O amor voltará a ganhar o mundo



Festa 27 de julho

Beato Tito Brandsma, Sacerdote Católico em um campo de concentração, ensina que o amor voltará a ganhar o mundo inteiro.

O amor voltará a ganhar o mundo inteiro

Um pastor protestante dizia de Tito Brandsma: “Nosso querido irmão em Cristo é realmente um mistério da graça!”. A graça é o que explica o que havia na alma daquele homem santo e o que lhe impulsionou a viver e amar a todos com tanta boa vontade e perdoar com tanta sinceridade: era a manifestação cada vez mais clara da graça de Cristo. Este era o segredo de sua entrega total pelos demais, a fonte de sua profunda e pura caridade. Tito sabia que tudo se devia à graça, à vida divina que atuava nele. As palavras de Cristo: “Sem Mim nada podeis fazer” (Jo 15, 5), eram o princípio que regia toda a sua vida quotidiana.

Em suas próprias palavras, Tito deixou por escrito seu ilimitado amor e sua enorme capacidade de querer bem. E é através dessas palavras que descobrimos a profundidade de sua alma ante o ambiente de ódio - difícil de imaginar e se igualar – que sofreu durante os últimos anos de sua vida: “Embora o neo-paganismo não queira mais o amor, o amor voltará a ganhar o amor dos pagãos. A prática da vida faz o amor ser sempre de novo uma força vitoriosa, que conquistará e manterá unidos os corações dos homens”.


Padre Rafael Arce Gargollo
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