terça-feira, 28 de julho de 2009

Beato Frei Tito Brandsma – Fica comigo, Jesus, que tudo é bom junto de Ti



Festa 27 de julho

Oração feita diante da imagem de Cristo na prisão

“Ó Jesus, quando te contemplo,
Eu redescubro, a sós contigo,
Que te amo e que teu coração
Me ama como a um dileto amigo.

Ainda que a descoberta exija
Coragem, faz-me bem a dor:
Por ela me assemelho a ti
Que ela é o caminho redentor.

Na minha dor me rejubilo:
Já não a julgo sofrimento,
Mas sim predestinada escolha
Que me une a ti neste momento.

Deixa-me, pois, nessa quietude,
Malgrado o frio que me alcança.
Presença humana não permitas,
Que a solidão já não me cansa,

Pois de mim sinto-te tão próximo
Como jamais antes senti.
Doce Jesus, fica comigo,
Que tudo é bom junto de ti”.


Esta oração foi escrita por Frei Tito, na passagem do dia 12 para 13 de fevereiro de 1942, na prisão de Scheveningen. Tradução de
Lacyr Schettino, terceira carmelita.


Beato Frei Tito Brandsma,
Carmelita e Mártir


Beato Tito Brandsma – A oração em Frei Tito



Festa 27 de julho


“A oração não é um oásis no deserto; é uma vida toda”.


Beato Tito Brandsma,
Carmelita e Mártir



Beato Frei Tito Brandsma – Buscando a união com Deus



Festa 27 de julho

“Para Deus o coração de Maria permaneceu sempre aberto. Nela devemos aprender a expulsar do nosso coração tudo o que não pertence ao Senhor, e que para Ele o nosso coração esteja sempre aberto para se encher da graça divina. Então Jesus descerá no nosso peito, crescerá e renascerá em nós e encher-nos-á de graças. Devemos viver uma vida divina não buscando outra glória e outra salvação que não a união com Deus”.


Beato Frei Tito Brandsma, Carmelita e Mártir
Do Discurso no Congresso Mariano de Tongezloo


sábado, 25 de julho de 2009

A Luz de Cristo



“A fim de receber no coração a Luz de Cristo, é preciso, tanto quanto possível, desligar-se de todos os objetos visíveis. Tendo antes purificado a alma pela contrição e as boas obras, e cheios de fé em Cristo Crucificado, tendo fechado os olhos de carne, o homem deve mergulhar o espírito no coração para chamar o nome de Nosso Senhor Jesus Cristo; então, na medida de sua assiduidade e fervor para com o Bem Amado, ele encontra no Nome invocado consolo e doçura, o que o incita a buscar um conhecimento mais elevado.

Quando por meio de tais exercícios o espírito se enraíza no coração, a Luz de Cristo vem brilhar no interior, iluminando a alma com sua divina claridade, como diz o profeta Malaquias: ‘Mas para vós, que temeis seu Nome, o sol de justiça brilhará, que tem a cura em seus raios’ (Mal. l 3:20). Esta luz é também a vida, segundo a Palavra do Evangelho ‘De todo ser Ele era a vida, e a vida era a luz dos homens’ (João 1:4).

Quando o homem contempla dentro de si esta Luz eterna, ele esquece tudo o que é carnal, esquece-se a si mesmo e deseja se esconder nas profundezas da terra para não ser privado deste Bem único, Deus”.

São Serafim de Sarov
Extrato das “Instruções Espirituais”
Saint Séraphim – l’Ange de Sarov
Par Valentine Zander – Editions Bénédictines

Sede misericordiosos como o vosso Pai é Misericordioso



“Não te prendas às suspeitas nem às pessoas que te levam a te escandalizares com certas coisas. Porque aqueles que, de uma forma ou de outra, se escandalizam com as coisas que lhes acontecem, quer as tenham querido quer não, ignoram o caminho da paz que, pelo amor, leva ao conhecimento de Deus os que dela se enamoram.

Não tem ainda o perfeito amor aquele que é ainda afetado pelo temperamento dos outros, que, por exemplo, ama uns e detesta outros, ou que umas vezes ama e outras detesta a mesma pessoa pelas mesmas razões. O perfeito amor não despedaça a única e mesma natureza dos homens só porque eles têm temperamentos diferentes mas, tendo em consideração essa natureza, ama de igual forma todos os homens. Ama os virtuosos como amigos e os maus, embora sejam inimigos, fazendo-lhes bem, suportando-os com paciência, aceitando o que vem deles, não tomando em consideração a malícia, chegando mesmo a sofrer por eles em se oferecendo uma ocasião. Assim, fará deles amigos, se tal for possível. Pelo menos, será fiel a si mesmo; mostra sempre os seus frutos a todos os homens, de igual modo. O Nosso Deus e Senhor Jesus Cristo, mostrando o amor que tem por nós, sofreu pela humanidade inteira e deu a esperança da ressurreição a todos de igual forma, embora cada um, com as suas obras, atraia sobre si a glória ou o castigo”.

S. Máximo, o Confessor, Monge e teólogo
Centúria 1 sobre o amor, na Filocalia

NOSSA SENHORA DO CARMO – Maria, modelo das almas interiores



Festa 16 de julho

“Ó Maria, sois modelo das almas interiores, das criaturas por Deus escolhidas para viverem no seu íntimo, num profundo abismo. Com que paz, com que recolhimento vos aproximáveis de alguma coisa, fazíeis qualquer coisa! Aliás, as mais comuns, eram por vós divinizadas! Em tudo e por tudo vivíeis em adoração do dom de Deus! O que não vos impedia de vos dedicardes aos outros, quando se tratava de praticar a caridade.

Como me pareceis bela quando vos contemplo durante vosso longo martírio, tão serena em vossa majestade, que revela ao mesmo tempo força e doçura! Bem haveis aprendido do Verbo como hão de sofrer os que chama o pai a serem vítimas! Os que decidiu associar à grande obra da Redenção, os que ‘conheceu e predestinou a serem conformes a Cristo’ crucificado por amor.

Permaneceis de pé, junto à cruz, forte, heróica, e diz-me o Mestre: ‘Eis tua mãe’. Assim vos deu a mim por mãe. Agora, que voltou ao Pai, colocou-me em seu lugar na cruz para que ‘sofra em meu corpo o que falta à sua Paixão em benefício de seu Corpo que é a Igreja’. E Vós, ó Virgem Santa, estás também junto à minha cruz para ensinar-me a sofrer com Ele, para transmitir-me os últimos cânticos de sua alma que somente Vós pudestes perceber”.

Beata Elizabeth da Trindade, ocd
Retiro I, 10,1; Retiro II, 15

NOSSA SENHORA DO CARMO – Papa João Paulo II e a Virgem do Carmo



Festa 16 de julho

DA CARTA DO SANTO PADRE PAPA JOÃO PAULO II, POR OCASIÃO DOS 750 ANOS DE DEVOÇÃO AO ESCAPULÁRIO: 1251 - 16 DE JULHO - 2001

“As várias gerações do Carmelo, desde as suas origens até os dias de hoje, no seu itinerário rumo à montanha santa, Jesus Cristo nosso Senhor, procuram plasmar a própria vida segundo os exemplos de Maria.

Por isso no Carmelo, e em qualquer alma movida pelo terno afeto à Virgem e Mãe santíssima, floresce a sua contemplação, d’Ela que, desde o princípio, soube estar aberta à escuta da Palavra de Deus e ser obediente à sua vontade (cf. Lc 2,19.51). Maria, educada e plasmada pelo Espírito (cf. Lc 2,44-50), foi capaz de ler na fé a própria história (cf. Lc 1,46) e dócil às sugestões divinas, avançou no caminho da fé, e conservou fielmente a união com seu Filho até à cruz, junto da qual, por desígnio de Deus, se manteve de pé (cf. Jo 19,25); sofreu profundamente com o seu Unigênito e associou-se de coração maternal ao seu sacrifício (Lumen gentium, 58).

A contemplação da Virgem, apresenta-mo-la enquanto como Mãe solícita, vê crescer o seu Filho em Nazaré, o segue pelas estradas da Palestina, o assiste nas bodas de Caná e, aos pés da cruz, torna-se a Mãe associada à sua oferenda e doada a todos os homens na entrega que o próprio Jesus faz dela ao seu discípulo predileto. Como Mãe da Igreja, a Virgem santa está unida aos discípulos que se entregavam assiduamente à oração e, como Mulher nova que antecipa em si o que um dia se realizará para todos na plena fruição da vida trinitária, é elevada ao Céu sobre os filhos peregrinos para o monte santo da glória.

Uma atitude contemplativa da mente e do coração como esta, leva a admirar a experiência de fé e de amor da Virgem, que já vive em si o que cada fiel deseja realizar no mistério de Cristo e da Igreja (cf SC 103; LG, 53). Justamente por isso os Carmelitas, nos seus dois ramos, escolheram Maria como própria padroeira e Mãe espiritual e têm sempre diante dos olhos do coração a Virgem Puríssima que guia a todos para o perfeito conhecimento e imitação de Cristo.

Floresce assim uma intimidade de relações espirituais que incrementam cada vez mais a comunhão com Cristo e com Maria. Para os membros da Família carmelita, Maria a virgem Mãe de Deus e dos homens, não é só um modelo para imitar, mas também uma doce presença de Mãe e Irmã na qual confiar. Justamente Santa Teresa de Jesus exortava: ‘Imitai Maria e ponderai qual deva ser a grandeza desta Senhora e o benefício de a ter como Padroeira’ (Castelo interior, III,1,3).


Esta intensa vida Mariana, que se exprime em oração confiante, em entusiástico louvor e em diligente imitação, leva a compreender como a forma mais genuína da devoção à Virgem santíssima, expressa pelo humilde sinal do Escapulário, seja a consagração ao seu Coração Imaculado (cf Pio XII, Carta Neminem profecto later 11 / 02 1950; LG, 67). É assim que no coração se realiza uma crescente comunhão e familiaridade com a Virgem Santa, como maneira nova de viver para Deus e de continuar aqui na terra o amor do Filho à sua mãe Maria. Pomo-nos desta forma, segundo a expressão do Beato mártir carmelita Tito Brandsma, em profunda sintonia com Maria, a Theotokos, tornando-nos como Ela transmissores da vida divina: ‘Também a nós o Senhor envia o seu anjo. Também nós devemos receber Deus nos nossos corações, levá-lo dentro dos nossos corações, nutri-lo e fazê-lo crescer em nós de tal forma que ele nasça de nós e viva conosco como Deus-conosco, o Emanuel’ (Da relação do Beato Tito Brandsma ao Congresso Mariológico de Tongerlo, agosto de 1936).

Este rico patrimônio do Carmelo tornou-se, no tempo, através da difusão da devoção do Santo escapulário, um tesouro para toda a Igreja. No sinal do Escapulário evidencia-se uma síntese eficaz de espiritualidade Mariana, que alimenta a devoção dos crentes, tornando-os sensíveis à presença amorosa da Virgem Mãe na sua vida. O Escapulário é essencialmente um hábito. Quem o recebe é agregado ou associado num grau mais ou menos íntimo à Ordem do Carmelo, dedicado ao serviço de Nossa Senhora para o bem de toda a Igreja

São, portanto, duas as verdades recordadas no sinal do Escapulário: por um lado, a proteção contínua da Virgem santíssima, não só ao longo do caminho da vida, mas também no momento da passagem para a plenitude da glória eterna; por outro, a consciência de que a devoção a Ela não se pode limitar a orações e obséquios em sua honra em algumas circunstâncias, mas deve constituir um hábito, isto é, um ponto de referência permanente do seu comportamento cristão, tecido de oração e de vida interior, mediante a prática freqüente dos Sacramentos e o exercício concreto das obras de misericórdia espiritual e corporal. Desta forma o Escapulário torna-se sinal de aliança e de comunhão recíproca entre Maria e os fiéis; de fato, ele traduz de maneira concreta a entrega que Jesus, na cruz, fez a João, e nele a todos nós, da sua Mãe, e o ato de confiar o seu apóstolo predileto e a nós a Ela, constituída nossa Mãe espiritual.

Desta espiritualidade Mariana, que plasma interiormente as pessoas e as configura com Cristo, primogênito de muitos irmãos, são um maravilhoso exemplo os testemunhos de santidade e de sabedoria de tantos Santos e Santas do Carmelo, todos crescidos à sombra e sob a tutela da Mãe.

Também eu levo no meu coração, desde há muito tempo o Escapulário do Carmo! Pelo amor que nutro pela Mãe celeste de todos nós, cuja proteção experimento continuamente, desejo que este ano mariano ajude todos os religiosos e as religiosas do Carmelo e os piedosos fiéis que a veneram filialmente, a crescer no seu amor e a irradiar no mundo a presença desta Mulher do silêncio e da oração, invocada como Mãe da misericórdia, Mãe da esperança e da graça”.

Papa João Paulo II

NOSSA SENHORA DO CARMO – Oração à Beatíssima Virgem do Monte Carmelo



Festa 16 de julho

“Oh piedosíssima Virgem! Vós, que nove séculos antes de existir fostes vista em profecia pelo servo de Deus, nosso pai Santo Elias e venerada por seus filhos no Carmelo. Vós, que em carne mortal vos dignastes visitar-lhes e dispensar-lhes celestiais consolos. Vós, que cuidais sempre da virtuosa família que teve por superior a vosso estimado filho S.Simão Stock, por pais e reformadores a seráfica virgem, mística e Doutora Santa Teresa de Jesus e ao esclarecido e extático S.João da Cruz, assim como por uma de suas digníssimas filhas a exemplar esposa de Jesus Cristo Santa Maria Madalena de Pazzi, vossa devotíssima serva. Vós, que engrandeceis a Ordem do Carmo com a estimável prenda do Santo Escapulário. E, enfim, Vós, que de tantas maneiras haveis demonstrado vosso carinhoso amor aos carmelitas e seus agregados, recebei benévola meu coração ardente de fervoroso entusiasmo pela mais pura das criaturas e a mais terna das Mães. Não permitais, Senhora, que os rugidos do leão assustem meu espírito no caminho da perfeição. Fortalecei minha fraqueza com vosso poder, iluminai as trevas de meu entendimento com vossa sabedoria, aumentai em mim a fé, a esperança e a caridade. Adornai minha alma com tais graças e virtudes para que seja sempre alma amada de vosso Divino Filho e de Vós. Assisti-me na vida e consolai-me quando morrer com vossa amabilíssima presença, apresentando-me à augustíssima Trindade como filho e servo devoto vosso, a fim de vos louvar eternamente e bendizer-vos no Paraíso. Amém!”.

Devocionário Católico

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Santa Teresa de Los Andes – Fascinada por Deus



Festa 13 de julho

“Que felicidade! Como sou feliz em sacrificar tudo por Deus! Tudo não é nada em comparação com o que Nosso Senhor sacrificou por nós desde o berço até a cruz; desde a cruz até aniquilar-se inteiramente sob a forma de pão. Ele, um Deus, sob as espécies de pão e até a consumação dos séculos. Que grandeza de amor infinito! Amor não conhecido, amor não correspondido pela maioria dos homens.

Como quisera comunicar-te meus sentimentos! Como quisera fazer-te ver o horizonte infinito, belíssimo, incriado, que vivo contemplando! Amo a Deus mil vezes mais que antes, porque antes não o conhecia. Ele se revela e se mostra cada vez mais à alma que o busca sinceramente e que deseja conhecê-lo para amá-lo. Tudo o que é da terra me parece cada vez menor, mais miserável diante desta Divindade que, como Sol infinito, vai iluminando com seus raios minha alma miserável. Oh! Se por um instante pudesses penetrar-me até o íntimo, me verias presa por essa Beleza, por essa Bondade incompreensível... Como quisera prender os corações das criaturas e sujeitá-las ao amor divino! Tu não conheces o céu que, pela misericórdia de Deus, possuo em meu coração. Sim, em minha alma tenho um céu, porque Deus está em minha alma, e Deus é o céu.

Ama e faze o bem para possuir o bem imutável, o Bem infinito, o único que pode preencher e satisfazer tua vontade. Que posso eu? Nada. Absolutamente nada. Une-te a mim no agir, a fim de não ter outro motivo em nossos atos senão Deus. Mas nos separamos se não ages por Ele. Pois que abismo maior pode haver entre as obras feitas por Deus e as que se fazem por uma criatura!

Quando alguém ama, só pode falar do objeto amado. Ainda mais quando o objeto amado reúne em si todas as perfeições possíveis. Não sei como fazer outra coisa senão contemplá-lo e amá-lo. Que queres, se Jesus Cristo, este Louco de amor, me tornou louca? É um martírio o que padeço ao ver que corações nobres e bem nascidos, corações capazes de amar o bem, não amem o bem imutável; que corações agradecidos para com as criaturas não sejam para com Aquele que os sustenta, que lhes dá a vida e os ampara, que lhes dá e lhes deu tudo, até dar-se a Ele mesmo.

Pensa tranqüilamente quem é Deus e quem és tu, e tudo o que lhe deves. Vai a uma igreja, onde Jesus solitário te fale ao coração em místico silêncio. Une-te a mim. Acompanhemos o Deus abandonado e peçamos-lhe nos dê seu santo amor”.

Santa Teresa de Los Andes, ocd
Carta n°107
Obras completas, Editorial Monte Carmelo

Santa Teresa de Los Andes – Apóstola da Eucaristia



Festa 13 de julho

“Tens de ser muito agradecida a Ele e deves dar-te a Ele: comungar todos os dias. Quando terei esta grande alegria de saber que, antes de iniciar teus estudos, vais receber nosso Senhor que a está esperando desde uma eternidade, já que Ele sabia as sagradas hóstias que consumirias? Oxalá minhas palavras não caiam em terreno árido, e que em tua próxima carta me digas que te unes a mim diariamente na comunhão. Para mim é inconcebível que, tendo ansiado por ser feliz, não busques Jesus. Depois de comungar temos tudo, porque temos Deus, que é nosso céu no desterro. Dir-me-ás que não sentes nada dessa felicidade. Mas então, eu te pergunto como te preparaste. Tomaste conhecimento da grandeza de Deus e do amor infinito que te manifesta ao reduzir-se a hóstia? Quando comungares reflete sobre o que vais fazer: todo um Ser eterno, que não necessita de ti para nada, visto que é Todo-Poderoso, um Ser imenso que está em todo lugar, um Ser infinito e majestoso diante do qual os anjos tremem, e com toda a sua pureza, este Ser vem cheio de infinito amor por ti, pobre criatura, cheia de pecados e misérias. Entre tantas pessoas que existem no mundo, és tu honrada com a visita desse grande Rei. Mais ainda: para que te aproximes a recebê-lo, Ele deixa seu esplendor e, sob a forma de pão, do mais simples dos alimentos, se une a sua pobre criatura, para tornar-se uma mesma coisa com ela. E Ele está ardendo em infinito amor, e ela permanece fria e indiferente, sem agradecer tão notável favor.

Perdoa-me meu sermão; mas te quero tanto e desejo que sejas muito boa; e, para isso, deves comungar. Quando, um dia, nos encontrarmos no céu, que pela misericórdia de Deus obteremos, agradecerás por te ter pedido tanto a comunhão diária, porque compreenderás que nela reside o germe da vida eterna”.

Santa Teresa de Los Andes, ocd
Carta n°117
Obras completas, Editorial Monte Carmelo

sexta-feira, 3 de julho de 2009

São João da Cruz - Amar a Deus com todo o coração



«Amarás o Senhor, teu Deus, com todo o teu coração, com toda a tua alma, e com todas as tuas forças» Mc 12,28-34

“A força da alma reside nas suas potências, impulsos e faculdades. Se a vontade os volta para Deus e os mantém longe de tudo o que não é Deus, a alma reserva para Ele toda a sua força; ama com todas as suas forças, como o próprio Deus lhe manda. Buscar a si mesmo em Deus é buscar as doçuras e consolações de Deus, e isto é contrário ao puro amor de Deus. É um grande mal ter em vista os bens de Deus e não a Deus mesmo, a oração e o desprendimento.

Há muitos que procuram em Deus as suas próprias consolações e gostos, e desejam que Sua Majestade os encha dos seus favores e dons, mas o número dos que se esforçam por agradar-lhe e oferecer-lhe algo de si mesmos, rejeitando qualquer interesse próprio, é muito pequeno. São poucos os homens espirituais, mesmo entre os que temos por muito avançados na virtude, que conseguem uma perfeita determinação de fazer o bem. Não chegam nunca a renunciar por completo a si mesmos em algum aspecto do espírito do mundo ou da natureza, nem a desprezar aquilo que se pensará ou dirá deles, quando se trata de cumprir, por amor a Jesus Cristo, as obras da perfeição e do desprendimento.

Aqueles que amam só a Deus não caminham nas trevas, por muito pobres e privados de luz que possam ver-se aos próprios olhos. A alma que, no meio das securas e abandonos, conserva sempre a sua atenção e solicitude em servir a Deus poderá sofrer, poderá temer não conseguir, mas, na realidade, oferecerá a Deus um sacrifício de agradável odor (Gn 8, 21)”.

São João da Cruz, Doutor da Igreja
«Avisos e Máximas»
Obras completas, Editorial Monte Carmelo


quarta-feira, 1 de julho de 2009

Chiara Lubich – A Fonte da vida está em ti



«A fonte da vida está em ti.» (Sl 36,10)

“Não foi suficiente para o amor do Pai pronunciar a Palavra com a qual tudo foi criado. Ele quis que a sua própria Palavra assumisse a nossa carne. Deus, o único verdadeiro Deus, fez-se homem em Jesus e trouxe à terra a fonte da vida. A fonte de todo o bem, de todo o ser e de toda a felicidade veio ficar entre nós, para que a tivéssemos, por assim dizer, ao alcance de nossas mãos. «Eu vim para que tenham a vida, e a tenham em abundância», disse Jesus. Ele preencheu de si cada momento e espaço da nossa existência. E quis permanecer conosco para sempre, de modo a ser reconhecido e amado sob as mais diferentes vestes. Às vezes chegamos a pensar: "Como seria bom viver no tempo de Jesus!" Pois bem, o seu amor inventou um modo de permanecer em todos os pontos da Terra. Conforme a sua promessa, Ele se faz presente na Eucaristia. E ali podemos saciar a nossa sede para nutrir e renovar a nossa vida.

«A fonte da vida está em ti.»

Outra fonte de onde extrair a água viva da presença de Deus é o irmão, a irmã. Se nós amamos cada próximo que passa ao nosso lado, especialmente o mais necessitado, não podemos considerá-lo um nosso beneficiado, mas um nosso benfeitor, porque ele nos doa Deus. De fato, amando Jesus nele - «Pois eu estava com fome, estava com sede, eu era estrangeiro, estava na prisão» - recebemos em troca o seu amor, a sua vida, porque Ele mesmo, presente nos nossos irmãos e irmãs, é a nascente para nós.



Uma fonte rica de água é também a presença de Deus dentro de nós. Ele sempre nos fala, e cabe a nós escutar a sua voz que fala na nossa consciência. Quanto mais nos esforçamos em amar a Deus e o próximo, tanto mais a sua voz se torna forte e supera todas as outras. Mas existe um momento privilegiado no qual, como em nenhum outro, podemos gerar a sua presença dentro de nós: é quando rezamos e procuramos aprofundar o nosso relacionamento direto com Ele, que habita no fundo do nosso coração.

É comparado ainda a um profundo lençol d'água que jamais seca, que está sempre à nossa disposição e que pode saciar a nossa sede a cada instante. Bastará fechar por um momento as janelas da alma e recolher-nos para encontrar esse manancial, mesmo estando no mais árido deserto. Até alcançar aquela união com Ele na qual sentimos que não estamos mais sós, e somos dois: Ele em mim e eu n'Ele. Todavia, somos um - por sua graça - como a água e a nascente, a flor e a sua semente.

A Palavra do Salmo nos lembra que somente Deus é a fonte da vida e, por isso, da comunhão plena, da paz e da alegria. Quanto mais nos saciarmos desta fonte, quanto mais vivermos desta água viva que é a sua Palavra, tanto mais nos aproximaremos uns dos outros e viveremos como irmãos e irmãs. Então se realizará, como continua o Salmo: «Quando nos iluminais, vivemos na luz», aquela mesma luz que a humanidade espera.”

Chiara Lubich
Fundadora dos Focolares
Palavra de vida, Jan de 2002

domingo, 28 de junho de 2009

DIA DO PAPA – Tu és Pedro!





"Tu és Pedro
e sobre esta Pedra
edificarei a minha Igreja!"







Ao Santo Padre Bento XVI,

nossa sempre fiel oração e

a nossa efetiva e sincera obediência!


DIA DO PAPA – Sobre ti construirei a minha Igreja



Crendo na Luz, torna-se luz para o mundo

“Jesus retribui o testemunho que o Apóstolo Pedro dera sobre ele. Pedro havia dito: ‘Tu és Cristo, o Filho do Deus vivo’ (Mt 16,16). Sua profissão de fé sincera recebe a recompensa: ‘Feliz és tu, Simão, filho de Jonas, porque não foi carne e sangue quem te revelou isso, mas o meu Pai’ (Mt 16,17). O que carne e sangue não pôde te revelar, a graça do Espírito Santo te revelou. Portanto, sua profissão de fé mereceu-lhe um nome indicando que sua revelação proveio do Espírito Santo, de quem ele é também chamado filho. De fato, Bar Iona significa em nossa língua ‘filho da pomba’.

Quanto às palavras: ‘Não foi carne e sangue quem te revelou isso’, compara com a narrativa do Apóstolo, quando diz: ‘Para que o anunciasse, não consultei carne e sangue’ (Gl 1,16). Por carne e sangue ele designa aqui os judeus. Ainda nesta passagem, por outras palavras, mostra-se que não foi a doutrina dos fariseus, mas a graça divina que lhe revelou Cristo, o Filho de Deus.

‘Por isso te digo’ (Mt 16,18). Por que afirma: ‘Eu te digo?’ ‘Porque me disseste: Tu és Cristo, o Filho do Deus vivo, eu também te digo não uma palavra inútil ou sem efeito, mas te digo, pois para mim, ter dito é ter feito: Tu és Pedro, e sobre esta pedra construirei a minha Igreja’ (Mt 16,18).

Sendo Ele mesmo a luz, transmitiu aos apóstolos a luz para que fossem chamados luz do mundo, bem como por outros nomes que o Senhor lhes deu. De igual modo, a Simão, que acreditava na Pedra que é Cristo, Ele deu o nome de Pedro. E prosseguindo sua metáfora da pedra, disse-lhe com sinceridade: ‘sobre ti eu construirei a minha Igreja’.

‘E as forças do Inferno não poderão vencê-la’ (Mt 16,18). Pela expressão forças do Inferno, eu entendo os vícios e pecados que seduzem os homens e os levam ao inferno. Portanto, ninguém creia que se trata de morte ou que os apóstolos não estariam submetidos à lei da morte, eles dos quais vemos resplandecer o martírio”.

São Jerônimo, Doutor da Igreja
Do Comentário sobre o Evangelho de São Mateus

São Pedro e São Paulo - Duas colunas, um só amor!



Solenidade
28 de junho

“Vós sabeis, irmãos, como entre todos os apóstolos e mártires de nosso Senhor, estes dois, cuja solenidade hoje celebramos, parecem ter uma particular dignidade. Não é de admirar! Foi a eles que, de modo muito especial, o Senhor confiou a Santa Igreja.

Com efeito, quando São Pedro proclamou que o Senhor era o Filho de Deus, este lhe respondeu: ‘Tu és Pedro, e sobre esta pedra construirei a minha Igreja. Eu te darei as chaves do Reino dos Céus’ (Mt 16,18.19). Foi ainda o Senhor que, de certo modo, deu-lhe São Paulo por companheiro, como afirma o próprio Paulo: ‘O mesmo que tinha preparado Pedro para o apostolado entre os judeus preparou também a mim para o apostolado entre os pagãos’ (Gl 2,8). São eles que, através do profeta, o Senhor prometeu à santa Igreja, dizendo: ‘A teus pais sucederão teus filhos’ (Sl 44[45],17). Os pais da santa Igreja são os santos patriarcas e profetas, os primeiros que ensinaram a lei de Deus e anunciaram a vinda de nosso Senhor. Se antes de sua vinda cessaram as profecias, isto se deve aos pecados do povo.

Veio, pois, nosso Senhor e, em lugar dos profetas, escolheu os santos apóstolos, realizando assim o que predissera o profeta: A teus pais sucederão teus filhos. Vede como ele declara ser a dignidade dos apóstolos bem maior que a dos profetas. Estes foram príncipes de um só povo, viveram em uma única nação e em uma só parte da terra; enquanto sobre os apóstolos, ele diz: ‘Deles farás príncipes sobre toda a terra’ (Sl 44[45],17). Que terra existe, irmãos, onde não se reconheça o poder e a dignidade destes apóstolos?

São eles as colunas que, com a doutrina, a oração e o exemplo da própria paciência, sustentam a santa Igreja. Foi nosso Senhor quem tornou inabaláveis estas colunas. No começo eram muito frágeis, não podendo sustentar-se nem a si nem aos outros. Mas isso correspondia a um admirável desígnio de nosso Deus pois, se sempre tivessem sido fortes, outros poderiam pensar que esta graça provinha deles mesmos. Desse modo, nosso Senhor quis primeiramente mostrar quem eram eles para depois fortificá-los: todos então compreenderiam como provinda de Deus a força que possuíam.

Entretanto, visto que seriam os pais da Igreja e os médicos das almas enfermas, não podiam compadecer-se da fraqueza alheia se antes não houvessem feito análoga experiência em si mesmos. Assim tornaram-se sólidas as colunas da terra, isto é, da santa Igreja. De fato, como era frágil esta coluna, quer dizer, São Pedro, quando bastou a voz de uma criada para fazê-lo cair! Mas depois, o Senhor deu-lhe vigor ao interrogá-lo três vezes: ‘Pedro, tu me amas?’; ao que ele também por três vezes respondeu: ‘Eu te amo’. Convém notar que o Senhor, quando Pedro lhe responde: Eu te amo, de imediato acrescenta: ‘Apascenta minhas ovelhas’ (cf. Jo 21,15-17), como se quisesse dizer: demonstra o amor que tens por mim apascentando minhas ovelhas. Por isso, irmãos, não é sincero quem diz amar a Deus mas não quer apascentar suas ovelhas”.

S. Aelred de Rievaulx, Abade Cisterciense
The Liturgical Sermons: The First Clairvaux Collection

São Pedro e São Paulo – Os gigantes da fé!



Solenidade
28 de junho

“Eis os santos que, vivendo neste mundo, plantaram a Igreja, regando-a com seu sangue. Beberam do cálice do Senhor e se tornaram amigos de Deus. Estas palavras da Liturgia resumem o significado de São Pedro e São Paulo. A Igreja chama a ambos de 'corifeus' isto é líderes, chefes, colunas. Eles são apóstolos, os primeiros enviados do Senhor, são testemunhas do Cristo morto e ressuscitado. Sua pregação plantou a Igreja, que vive do testemunho que eles deram (Mt 10,1ss; 28,18-20).

Pedro, discípulo da primeira hora, seguiu Jesus nos dias de sua pregação, recebeu do Senhor o nome de Pedra e foi colocado à frente do Colégio dos Doze e de todos os discípulos de Cristo. Generoso e ao mesmo tempo frágil, chegou a negar o Mestre e, após a ressurreição, teve confirmada a missão de apascentar o rebanho de Cristo. Pregou o Evangelho e deu seu último testemunho em Roma, onde foi crucificado sob o Imperador Nero no ano 67.

Paulo não conhecera Jesus segundo a carne. Foi perseguidor ferrenho dos cristãos, até ser alcançado pelo Senhor ressuscitado na estrada de Damasco. Jesus o fez ser apóstolo. Pregou o Evangelho incansavelmente pelas principais cidades do Império Romano e fundou inúmeras igrejas. Combateu ardentemente pela fidelidade à novidade cristã, separando a Igreja da Sinagoga. Por fim, foi preso e decapitado em Roma também sob o Imperador Nero no mesmo ano que Pedro ( 2Cor 11,18 – 12,10).

Estes gigantes da fé foram fiéis à missão recebida. As palavras de Paulo servem também para Pedro: 'Combati o bom combate, completei a corrida, guardei a fé'. Ambos foram perseverantes e generosos na missão que o Senhor lhes confiara: entre provações e lágrimas, eles fielmente plantaram a Igreja de Cristo, buscando não o próprio interesse, mas o de Jesus Cristo. Ambos experimentaram também, dia após dia, a presença e o socorro do Senhor. Paulo, como Pedro, pôde dizer: 'Agora sei, de fato, que o Senhor enviou o seu anjo para me libertar...'.


Ambos viveram profundamente o que pregaram: pregaram o Cristo com a palavra e a vida, tudo dando por Cristo. Pedro disse com acerto: 'Senhor, tu sabes tudo; tu sabes que te amo'; Paulo exclamou com verdade: 'Para mim, o viver é Cristo. Minha vida presente na carne, eu a vivo na fé do Filho de Deus, que me amou e se entregou por mim'. Dois homens, um amor apaixonado: Jesus Cristo! Duas vidas, um só ideal: anunciar Jesus Cristo! Em Jesus, eles apostaram tudo; por Jesus, gastaram a própria vida; da loucura da cruz e da esperança da ressurreição de Jesus, eles fizeram seu tesouro e seu critério de vida (Jo 21,15-19; Fl 3,4-14).

Ambos derramaram o Sangue pelo Senhor: 'Beberam do cálice do Senhor e se tornaram amigos de Deus'. Eis a maior de todas a honras de Pedro e de Paulo: beberam o cálice do Senhor, participando dos seus sofrimentos, unido a ele suas vidas até o martírio em Roma, para serem herdeiros de sua glória.

Hoje também, nossos corações voltam-se para a Igreja de Roma, aquela que foi regada com o sangue dos bem-aventurados Pedro e Paulo, aquela, que guarda seus túmulos, aquela, que é e será sempre a Igreja de Pedro, a Igreja de Roma, que é a Esposa do Cordeiro, imagem da Jerusalém celeste (Ap 21,1-11).

Conhecemos e veneramos o ministério que o Senhor Jesus confiou a Pedro e seus sucessores em benefício de toda a Igreja: ser o pastor de todo o rebanho de Cristo e a primeira testemunha da verdadeira fé naquele que é o 'Cristo, Filho do Deus vivo'. Pedro é o primeiro (Mt 10,2:); sobre ele Cristo fundou sua Igreja (Mt 16,17ss) e por isso ele deve confirmar seus irmãos na fé (Lc 22,31s). Cefas quer dizer Pedro, pedra. Pedro é o chefe da Igreja, sempre ocupando o primeiro lugar na responsabilidade (Jo 20,3-8; At 1,15ss; 2,14ss; 2,3-s; 5,1-11; 1Cor 15,3-5).

Sabemos com certeza de fé que a missão de Pedro perdura nos seus sucessores em Roma; hoje, em Bento XVI. O Papa será sempre, na Igreja, o referencial seguro da comunhão na verdadeira fé e na unidade. Quando surgem, como ervas daninhas, tantas e tantas seitas cristãs e pseudo-cristãs, nossa comunhão com Pedro é garantia de permanência seguríssima na verdadeira fé. Quando o mundo já não mais se constrói nem se regula pelos critérios do Evangelho, a palavra segura de Pedro é, para nós, uma referência segura daquilo que é ou não é conforme o Evangelho”.

D.Henrique Soares da Costa, Bispo
Dos Estudos Bíblicos-Catequéticos
Cit.por domhenrique.com

sábado, 27 de junho de 2009

São Cirilo de Alexandria – Defensor da Maternidade Divina da Virgem Maria



Memória Facultativa

Tu és verdadeiramente Mãe de Deus, ó Virgem Maria!

“Causa-me profunda admiração haver alguns que duvidam em dar à Virgem Santíssima o título de Mãe de Deus. Realmente, se nosso Senhor Jesus Cristo é Deus, por que razão não pode ser chamada de Mãe de Deus, a Virgem Santíssima que o gerou? Esta verdade nos foi transmitida pelos discípulos do Senhor, embora não usassem esta expressão. Assim fomos também instruídos pelos Santos Padres. Em particular, Santo Atanásio, nosso pai na fé, de ilustre memória, na terceira parte do livro que escreveu sobre a santa e consubstancial Trindade, dá frequentemente à virgem Santíssima o título de Mãe de Deus.

Vejo-me obrigado a citar aqui suas palavras, que têm o seguinte teor: “a Sagrada Escritura, como tantas vezes fizemos notar, tem por finalidade e característica afirmar de Cristo Salvador estas duas coisas: que ele é Deus e nunca deixou de o ser, visto que é o Verbo do Pai, seu esplendor e sabedoria; e também que nestes últimos tempos, por causa de nós, se fez homem, assumindo um corpo da virgem Maria, Mãe de Deus”.

E continua mais adiante: “Houve muitos que já nasceram santos e livres de todo pecado. Por exemplo: Jeremias foi santificado desde o seio materno; também João, antes de ser dado à luz, exultou de alegria ao ouvir a voz de Maria, Mãe de Deus”. Estas palavras são de um homem inteiramente digno de lhe darmos crédito, sem receio, e a quem podemos seguir com toda segurança. Com efeito, ele jamais pronunciou uma só palavra que fosse contrária às Sagradas Escrituras.


De fato, a Escritura, verdadeiramente inspirada por Deus, afirma que o Verbo de Deus se fez carne, quer dizer, uniu-se à carne dotada de alma racional. Portanto, o Verbo de Deus assumiu a descendência de Abraão e, formando para si um corpo vindo de uma mulher, tornou-se participante da carne e do sangue. Assim, já não é somente Deus mas homem também, semelhante a nós, em virtude da sua união com a nossa natureza.

Por conseguinte, o Emanuel, Deus-conosco, possui duas realidades, isto é, a divindade e a humanidade. Todavia, é um só o Senhor Jesus Cristo, único e verdadeiro Filho por natureza, ainda que ao mesmo tempo Deus e homem. Não é apenas um homem divinizado, igual àqueles que pela graça se tornam participantes da natureza divina; mas é verdadeiro Deus, que para nossa salvação, se tornou visível em forma humana, conforme Paulo testemunha com as seguintes palavras: Quando se completou o tempo previsto, Deus enviou o seu Filho, nascido de uma mulher, nascido sujeito à Lei, a fim de resgatar os que estavam sujeitos à Lei e para que todos recebêssemos a filiação adotiva e fôssemos filhos por adoção (Gl 4,4-5)”.

São Cirilo de Alexandria, Bispo e Doutor
Das Cartas, Carta 1

São Cirilo de Alexandria - Aquele que é bem formado será como o seu mestre



Memória Facultativa

“O discípulo não está acima do mestre. Porque é que estás a julgar quando o Mestre ainda não julga? Porque Ele não veio julgar o mundo mas derramar nele a sua graça. Entendida neste sentido, a Palavra de Cristo passa a ser: Se Eu não julgo, não julgues tu também, tu que és meu discípulo. Pode acontecer que tu sejas culpado de faltas mais graves do que aquele que estás a julgar. Como será a tua vergonha quando disso tiveres consciência!

O Senhor dá-nos o mesmo ensinamento na parábola em que diz: «Porque te preocupas com a palha no olho do teu irmão?» Com argumentos irrefutáveis, Ele convence-nos a não querer julgar os outros e a estarmos sobretudo atentos ao nosso íntimo. Em seguida, pede-nos que procuremos libertar-nos das paixões que aí se instalaram, pedindo a Deus essa graça. Com efeito, é Ele quem cura os que têm o coração desfeito e nos liberta das nossas doenças espirituais. Porque, se os pecados que te esmagam são maiores e mais graves do que os dos outros, porque é que os criticas sem te preocupares com os teus?

Todos os que querem viver piedosamente e sobretudo os que têm o encargo de instruir os outros, tirarão necessariamente proveito deste preceito. Se forem virtuosos e moderados, dando com as suas ações o exemplo da vida evangélica, repreenderão com doçura aqueles que ainda não se tiverem decidido a fazer o mesmo”.

São Cirilo de Alexandria, Bispo e Doutor
Comentário ao Evangelho de Lucas