sexta-feira, 19 de junho de 2009

SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS – Por teu Coração ferido



Solenidade
19 de junho

Santa Gertrudes, a Grande, ou Gertrudes de Helfta, é uma importante santa na história da devoção ao Sagrado Coração. Religiosa beneditina alemã de grande cultura filosófica e literária,se destacou por seu dom de contemplação. Foi uma dos primeiros apóstolos do Sagrado Coração de Jesus.. Ainda antes que Nosso Senhor aparecesse a Santa Margarida Maria Alacoque, Santa Gertrudes teve uma experiência mística do Sagrado Coração de Jesus.

Santa Gertrudes se adiantou a seu tempo em certos pontos como a comunhão frequente, a devoção a São José e a devoção ao Sagrado Coração. Com frequência falava do Sagrado Coração com Santa Matilde, sua irmã, e se conta que em duas visões diferentes reclinou a cabeça sobre o peito de Nosso Senhor e ouviu as batidas de seu Coração Divino. Foi uma apaixonada pelo Sagrado Coração.

Oração de Santa Gertrudes

“Por teu Coração ferido, querido Senhor, transpassa o meu tão profundamente com o dardo do teu Amor, que já não possa mais ele conter as coisas terrenas e seja inteiramente e tão somente governado pela ação de teu divino Amor!”.

Santa Gertrudes de Helfta
Mensaje de la Divina Misericórdia, Madrid, BAC

SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS – Revelações do Coração de Jesus



Solenidade
19 de junho

4ª Revelação de Jesus

Das revelações de Jesus a Santa Margarida Maria Alacoque, a 4ª revelação é considerada a mais importante. Nela o Senhor manifestou a sua vontade de estabelecer na Igreja uma Festa litúrgica em honra do seu Sagrado Coração.

Esta revelação aconteceu no curso da oitava de Corpus Christi do ano 1675, entre os dias 13 e 20 de junho. Santa Margarida conta:

“Estando ante o Santíssimo Sacramento um dia de sua oitava e querendo tributar-lhe amor por tão grande amor, me disse o Senhor: ‘Não podes tributar-me nada maior do que o que tantas vezes já te pedi’. Então, o Senhor descobriu seu Coração e disse: ‘ Eis aqui o Coração que tanto amou os homens e que não reteve nada até ao extremo de esgotar-se e consumir-se para testemunhar o seu amor. E, em compensação, só recebe, da maioria deles, ingratidões, assim como friezas e menosprezos que têm para comigo neste Sacramento de amor. Mas o que mais me dói é que se portem assim os corações que me foram consagrados. Por isso te peço que na primeira sexta-feira depois da oitava de Corpus Christi, se celebre uma Festa especial para honrar meu Coração, e que se comungue nesse dia para pedir perdão e reparar os ultrajes por ele recebidos durante o tempo que permaneceu exposto nos altares.. Também te prometo que meu Coração se dilatará para derramar em abundância os efeitos de seu divino Amor sobre quem lhe faça essa honra e procure lhe render esse tributo”.

O Padre Claudio de la Colombière ordenou a Margarida que cumprisse plenamente a vontade do Senhor, e que também escrevesse tudo quanto Ele lhe havia revelado. Margarida obedeceu a tudo o que lhe pediu pois seu maior desejo era que se chegasse a cumprir o desígnio do Senhor.


Se passariam mais de dez anos antes que se chegasse a instituir a devoção ao Sagrado Coração de Jesus no Mosteiro da Visitação. Seriam dez anos muito duros para Margarida. A Madre Superiora, que por fim chegou a acreditar nela, foi transferida para outro mosteiro. Mas antes de ir, ordena a Margarida que relatasse a toda comunidade tudo quanto o Senhor lhe havia revelado. Ela aceitou somente em nome da santa obediência e comunicou a todas o que o Senhor lhe havia revelado, inclusive os castigos que faria cair sobre a comunidade.

Quando todas, enfurecidas, começaram a falar-lhe duramente, Margarida se manteve calada, aguentando com humildade tudo quanto lhe diziam. No dia seguinte, a maioria das monjas, sentindo-se culpadas do que haviam feito, acudiram à confissão. Margarida então ouviu que o Senhor lhe dizia que nesse dia, por fim, chegava a paz novamente ao mosteiro e que por seu grande sofrimento, a sua divina justiça havia sido aplacada.

Contra sua vontade, Margarida foi designada como mestra de noviças e sub-priora.Isto chegou a ser parte do plano do Senhor para que por fim se começasse a abraçar a devoção do Sagrado Coração de Jesus. Entretanto, Margarida nunca chegou a ver, durante sua vida na terra, o pleno reconhecimento dessa devoção.

Na tarde de 17 de outubro de 1690, havendo Margarida previamente indicado esta data como dia de sua morte, encomendou sua alma ao Senhor, a quem ela havia amado com todo seu coração. Morre entre 7 e 8 horas da noite. Tinha 43 anos de idade e 18 anos de profissão religiosa.

Passaram-se somente três anos após de sua morte, quando o Papa Inocêncio XIII começou um movimento que abriria as portas para esta devoção. Proclamou uma Bula Papal, dando indulgências a todos os Mosteiros Visitandinos, que resultou na instituição da Festa do Sagrado Coração na maioria dos conventos. Em 1765, o Papa Clemente XIII introduziu a Festa em Roma, e em 1856 o Papa Pio IX estendeu a Festa do Sagrado Coração a toda a Igreja. Finalmente, em 1920, Margarida Maria Alacoque foi elevada à honra dos altares pelo Papa Bento XV”.

“Amado e glorificado seja em toda a parte o Sagrado Coração de Jesus”.

Santa Margarida Maria Alacoque
Do Diário Espiritual

SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS – Consagração ao Sagrado Coração



Solenidade
19 de junho

Consagração ao Sagrado Coração

“Me entrego e consagro ao Sagrado Coração de Nosso Senhor Jesus Cristo, minha pessoa e vida, ações, dores e sofrimentos, para que utilize meu corpo somente para honrar, amar e glorificar ao Sagrado Coração.

Este é meu propósito definitivo, único, ser todo d'Ele, e fazer tudo por amor a Ele, e ao mesmo tempo renunciar com todo o meu coração qualquer coisa que não lhe compraz, além de tomar-te, Ó Sagrado Coração, para que sejas ele o único objeto de meu amor, o guardião de minha vida, meu seguro de salvação, o remédio para minhas fraquezas e inconstância, a solução aos erros de minha vida e meu refúgio seguro à hora da morte.

Seja, Ó Coração de Bondade, meu intercessor ante Deus Pai, e livra-me de sua sabia ira. Ó Coração de amor, ponho toda minha confiança em ti, temo minhas fraquezas e falhas, mas tenho esperança em tua Divindade e Bondade.

Tira de mim tudo o que está mal e tudo o que provoque que não faça tua santa vontade, permite a teu amor puro que se imprima no mais profundo de meu coração, para que eu não me esqueça nem me separe de ti.

Que eu obtenha de tua amada bondade a graça de ter meu nome escrito em teu Coração, para depositar em ti toda minha felicidade e glória, viver e morrer em tua bondade. Amém”.

Santa Margarida Maria Alacoque
Diário Espiritual

SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS – Decálogo do Coração de Jesus segundo Bento XVI




Solenidade
19 de junho

CIDADE DO VATICANO, sábado, 7 de junho de 2008 (ZENIT.org)- Domingo,1 de junho, em suas palavras na oração do Angelus, o Papa Bento XVI falou da devoção ao Sagrado Coração de Jesus, traçando uma síntese deste mistério e culto. Eis aqui, em forma de decálogo, redigido por Jesus de lãs Heras, diretor da revista Ecclesia.


O coração é o símbolo da fé cristã.

O coração de Jesus, síntese da Encarnação e da Redenção.

O Sagrado Coração, manancial de bondade e de verdade.

O Coração de Jesus, expressão da boa nova do amor.

O Sagrado Coração, palpitação de uma presença em

que se pode confiar e descansar.


Decálogo do Sagrado Coração

1. O Coração de Cristo é símbolo da fé cristã, particularmente amado tanto pelo povo como pelos místicos e teólogos, pois expressa de uma maneira simples e autêntica a “Boa Nova do Amor”, resumindo em si o mistério da Encarnação e da Redenção.

2. A solenidade litúrgica do Sagrado Coração de Jesus é a terceira e última das festas do Tempo Pascal, após a Santíssima Trindade e o Corpus Christi. Esta sucessão faz pensar em um movimento até o centro: um movimento do Espírito guiado pelo próprio Deus.

3. Desde o horizonte infinito de seu amor, de fato, Deus quis entrar nos limites da história e da condição humana, tomou um corpo e um coração, para que possamos contemplar e encontrar o infinito no finito, o Mistério invisível e inefável no Coração humano de Jesus, o Nazareno.

4. Em minha primeira Encíclica sobre o tema amor, o ponto de partida foi precisamente o olhar dirigido ao costado transpassado de Cristo, do que fala João em seu Evangelho. (Cf. 19,37; Deus caritas est, 12).

5. Este centro da fé é também a fonte da esperança pela qual fomos salvos, esperança que foi o tema de minha segunda Encíclica.

6. Toda pessoa necessita de um “centro” para sua própria vida, um manancial de verdade e de bondade ao qual recorrer ante a sucessão das diferentes situações e no cansaço da vida cotidiana.

7. Cada um de nós, quando se detém em silêncio, necessita sentir não só o palpitar de seu coração, mas também, de maneira mais profunda, o palpitar de uma presença confiável que se pode perceber com os sentidos da fé e que, entretanto, é muito mais real: a presença de Cristo, coração do mundo.

8. Convido-lhes, portanto, a cada um para renovar no mês de junho a sua própria devoção ao Coração de Cristo.

9. Um dos caminhos para revitalizar esta devoção ao Coração de Cristo é valorizar e praticar também a tradicional oração de oferecimento do dia e tendo presentes as intenções que proponho em toda a Igreja.

10. Junto ao Sagrado Coração de Jesus, a liturgia nos convida a venerar o Coração Imaculado de Maria. Encomendemo-nos a Ela com grande confiança.

Santo Padre Bento XVI
Angelus, 07 de junho de 2008

SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS – Oração “Dá-me teu Coração!”



Solenidade
19 de junho

“Que farás, Senhor, para vencer a obstinada indiferença dos homens? Teu Coração não encontra neles mais que dureza, esquecimento, desprezo, ingratidão. Tu te esgotaste neste Mistério de Amor; Tu foste tão longe que, como dizem os Santos Padres, chegaste onde podia chegar o teu Poder.

Se os contatos divinos com tua Sagrada Carne não conseguem destruir tudo o que me distrai e seduz, em vão poderei esperar um outro remédio de maior força.

A tão grande calamidade, somente uma saída encontro: dá-me outro coração, um coração dócil, um coração sensível, um coração que ame incondicionalmente, um coração que não seja de mármore nem de bronze; concede-me, Senhor, o teu próprio Coração!

Este Coração que se encontra ainda com os mesmos sentimentos e sobretudo sempre abrasado de amor pelos homens; sempre sensível aos nossos males; sempre desejoso de fazer-nos participantes de seus tesouros e de dar-se a si mesmo; sempre disposto a receber-nos e a servir-nos de asilo, mansão, de paraíso, já nesta vida. Este Coração que ama e não é amado, e nem sequer seu amor é conhecido, porque não se dignam os homens a receber os dons que lhes doa para conhecê-lo, nem escutar as amáveis e íntimas manifestações que quer fazer aos nossos corações.

Vem, então, amável Coração de Jesus, vem e coloca-te no centro do meu peito, e nele acende um braseiro de amor tal que me leve ininterruptamente a corresponder, de algum modo, ao meu dever de amar-te sempre e cada vez mais.

Deus meu, ama a Jesus que está em mim na medida em que me amou a mim Nele. Faz com que eu não viva senão para Ele e por Ele a fim de chegar a viver eternamente com Ele no Céu. Amém”.


São Claudio de la Colombière
Sermón 32º O.C. 10, p. 34

SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS – Jaculatórias, setas de amor atiradas ao Coração Divino



Solenidade
19 de junho

As jaculatórias são orações breves que, repetidas ao longo do dia, ajudam a lembrar da presença de Deus em nossas vidas. São uma forma de estarmos em constante contato com a Trindade de Amor em todos os momentos de nossas vidas, muito especialmente nas nossas experiências de aflição, na nossa fraqueza, desespero, ou quando provados pelas tentações. Podem ser recitadas a qualquer momento do nosso dia a dia. São ainda muito importantes quando feitas apenas e tão somente para demonstrar o nosso amor ao Deus Uno e Trino - Pai, Filho e Espírito Santo. Então, tornam-se como setas de amor que atiramos ao Céu diretamente no Coração amoroso de Deus Amor.

Jaculatórias com indulgências parciais

“Doce Coração de Jesus, sede o meu amor”.

“Sagrado Coração de Jesus, eu tenho confiança em Vós”.

“Sagrado Coração de Jesus, eu me dou a Vós por Maria”.

“Coração de Jesus, fazei que eu vos ame e vos faça amar”.

“Sagrado Coração de Jesus, creio no vosso amor para comigo”.

“Coração de Jesus, Fonte de toda pureza, tende piedade de nós”.

“Seja conhecido, amado e imitado o Sagrado Coração de Jesus”.

“Jesus, manso e humilde de coração, fazei o meu coração semelhante ao vosso”.

“Coração Eucarístico de Jesus, aumentai em nós a fé, a esperança e a caridade”.

“Doce Coração do meu Jesus, que tanto nos amais, fazei que vos ame cada vez mais”.

“Coração de Jesus, abrasado de amor por nós, inflamai o nosso coração de amor por Vós”.


“Sagrado Coração de Jesus, venha a nós o vosso Reino”.

“Sagrado Coração de Jesus, protegei as nossas famílias”.

“Ó Jesus, Vida eterna no seio do Pai, Vida das almas feitas à vossa semelhança, em nome do vosso amor, fazei conhecer, revelai o vosso Coração”.

“Coração de Jesus, Vítima de caridade, fazei me para Vós uma hóstia viva, santa e agradável a Deus”.

“Adoremos, demos graças, supliquemos e consolemos, com Maria Imaculada, o Sacratíssimo e Amantíssimo Coração Eucarístico de Jesus”.

“Ó Coração de amor, eu ponho toda a minha confiança em Vós pois temo a minha fraqueza, mas tudo espero de vossa bondade”.

“Divino Coração de Jesus, convertei os pecadores, salvai os moribundos e livrai as almas do Purgatório”.

“Coração de Jesus, eu vos amo. Convertei os pobres blasfemos!”.

“Eterno Pai, recebei como sacrifício de propiciação pelas necessidades da Igreja e em reparação dos pecados dos homens, o preciosíssimo Sangue e Água saídos da Chaga do Divino Coração de Jesus e tende misericórdia de nós!”.

“Amado e glorificado seja em to¬da a parte o Sagrado Coração de Jesus”.

“Tudo por Vós, Coração de Jesus”!

SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS – Oração de Santa Madalena Sofia Barat


Solenidade
19 de junho


“Meu Sagrado Coração de Jesus,
corro e venho a Vós,
porque sois o meu único refúgio,
o meu único consolo,
o minha única certeza,
a minha única e firme esperança.

Vós sois o remédio infalível e seguro
para todos os meus males,
a esperança para as minhas misérias,
o reparo das minhas faltas,
a luz nas minhas dúvidas e agonias
o consolo do meu desamparo.
Vós preencheis as minhas lacunas e
sois a certeza nos meus pedidos.
Vós sois a infalível e infinita
Fonte de luz e força,
de bênção e de paz.

Estou segura de que nunca,
nunca,vos cansareis de mim,
de que nunca me abandonareis,
de que nunca deixareis de me amar,
ajudando-me e protegendo-me sempre,
porque o amor de vosso coração
por mim é infinito e absoluto.

Tende piedade de mim, Senhor,
pela vossa grande misericórdia,
e fazei comigo, de mim e para mim,
tudo o quanto quiserdes,
mantendo-me sempre e para sempre
dentro de vosso Coração de Amor.
Me abandono em Vós,
Coração do meu Amor,
com toda e a inteira confiança
de que nunca me abandonareis,
de que nunca estarei só.
Amém”.


Santa Madalena Sofia Barat
Fundadora da Sociedade do Sagrado Coração de Jesus
Diário Espiritual, pt. III, prs.12


SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS – ANO SACERDOTAL – Carta do Papa Bento XVI para a proclamação do Ano Sacerdotal



Solenidade
19 de junho

CARTA DO SUMO PONTÍFICE BENTO XVI PARA A PROCLAMAÇÃO DE UM ANO SACERDOTAL POR OCASIÃO DO 150º ANIVERSÁRIO DO DIES NATALIS DO SANTO CURA D’ARS

SÍNTESE

Amados irmãos no sacerdócio,

Na próxima solenidade do Sacratíssimo Coração de Jesus, sexta-feira 19 de Junho de 2009 – dia dedicado tradicionalmente à oração pela santificação do clero – tenho em mente proclamar oficialmente um «Ano Sacerdotal» por ocasião do 150.º aniversário do «dies natalis» de João Maria Vianney, o Santo Patrono de todos os párocos do mundo. Tal ano, que pretende contribuir para fomentar o empenho de renovação interior de todos os sacerdotes para um seu testemunho evangélico mais vigoroso e incisivo, terminará na mesma solenidade de 2010. «O sacerdócio é o amor do Coração de Jesus»: costumava dizer o Santo Cura d’Ars. Esta tocante afirmação permite-nos, antes de mais nada, evocar com ternura e gratidão o dom imenso que são os sacerdotes não só para a Igreja mas também para a própria humanidade. Penso em todos os presbíteros que propõem, humilde e quotidianamente, aos fiéis cristãos e ao mundo inteiro as palavras e os gestos de Cristo, procurando aderir a Ele com os pensamentos, a vontade, os sentimentos e o estilo de toda a sua existência. Como não sublinhar as suas fadigas apostólicas, o seu serviço incansável e escondido, a sua caridade tendencialmente universal? E que dizer da fidelidade corajosa de tantos sacerdotes que, não obstante dificuldades e incompreensões, continuam fiéis à sua vocação: a de «amigos de Cristo», por Ele de modo particular chamados, escolhidos e enviados?

Eu mesmo guardo ainda no coração a recordação do primeiro pároco junto de quem exerci o meu ministério de jovem sacerdote: deixou-me o exemplo de uma dedicação sem reservas ao próprio serviço sacerdotal, a ponto de encontrar a morte durante o próprio ato de levar o viático a um doente grave. Depois repasso na memória os inumeráveis irmãos que encontrei e encontro, inclusive durante as minhas viagens pastorais às diversas nações, generosamente empenhados no exercício diário do seu ministério sacerdotal. Mas a expressão utilizada pelo Santo Cura d’Ars evoca também o Coração traspassado de Cristo com a coroa de espinhos que O envolve. E isto leva o pensamento a deter-se nas inumeráveis situações de sofrimento em que se encontram imersos muitos sacerdotes, ou porque participantes da experiência humana da dor na multiplicidade das suas manifestações, ou porque incompreendidos pelos próprios destinatários do seu ministério: como não recordar tantos sacerdotes ofendidos na sua dignidade, impedidos na sua missão e, às vezes, mesmo perseguidos até ao supremo testemunho do sangue?


Os ensinamentos e exemplos de S. João Maria Vianney podem oferecer a todos um significativo ponto de referência. O Cura d’Ars era humilíssimo, mas consciente de ser, enquanto padre, um dom imenso para o seu povo: «Um bom pastor, um pastor segundo o coração de Deus, é o maior tesouro que o bom Deus pode conceder a uma paróquia e um dos dons mais preciosos da misericórdia divina». Falava do sacerdócio como se não conseguisse alcançar plenamente a grandeza do dom e da tarefa confiados a uma criatura humana: «Oh como é grande o padre! Se lhe fosse dado compreender-se a si mesmo, morreria. Deus obedece-lhe: ele pronuncia duas palavras e, à sua voz, Nosso Senhor desce do céu e encerra-se numa pequena hóstia». E, ao explicar aos seus fiéis a importância dos sacramentos, dizia: «Sem o sacramento da Ordem, não teríamos o Senhor. Quem O colocou ali naquele sacrário? O sacerdote. Quem acolheu a vossa alma no primeiro momento do ingresso na vida? O sacerdote. Quem a alimenta para lhe dar a força de realizar a sua peregrinação? O sacerdote. Quem a há-de preparar para comparecer diante de Deus, lavando-a pela última vez no sangue de Jesus Cristo? O sacerdote, sempre o sacerdote. E se esta alma chega a morrer [pelo pecado], quem a ressuscitará, quem lhe restituirá a serenidade e a paz? Ainda o sacerdote. Depois de Deus, o sacerdote é tudo! Ele próprio não se entenderá bem a si mesmo, senão no céu». Estas afirmações, nascidas do coração sacerdotal daquele santo pároco, podem parecer excessivas. Nelas, porém, revela-se a sublime consideração em que ele tinha o sacramento do sacerdócio. Parecia subjugado por uma sensação de responsabilidade sem fim: «Se compreendêssemos bem o que um padre é sobre a terra, morreríamos: não de susto, mas de amor. Sem o padre, a morte e a paixão de Nosso Senhor não teria servido para nada. É o padre que continua a obra da Redenção sobre a terra. Que aproveitaria termos uma casa cheia de ouro, senão houvesse ninguém para nos abrir a porta? O padre possui a chave dos tesouros celestes: é ele que abre a porta; é o ecônomo do bom Deus; o administrador dos seus bens Deixai uma paróquia durante vinte anos sem padre, e lá adorar-se-ão as bestas. O padre não é padre para si mesmo, é-o para vós».


Tinha chegado a Ars, uma pequena aldeia com 230 habitantes, precavido pelo Bispo de que iria encontrar uma situação religiosamente precária: «Naquela paróquia, não há muito amor de Deus; infundi-lo-eis vós». Por conseguinte, achava-se plenamente consciente de que devia ir para lá a fim de encarnar a presença de Cristo, testemunhando a sua ternura salvífica: «Meu Deus, concedei-me a conversão da minha paróquia; aceito sofrer tudo aquilo que quiserdes por todo o tempo da minha vida!»: foi com esta oração que começou a sua missão. E, à conversão da sua paróquia, dedicou-se o Santo Cura com todas as suas energias, pondo no cume de cada uma das suas idéias a formação cristã do povo a ele confiado. Amados irmãos no sacerdócio, peçamos ao Senhor Jesus a graça de podermos também nós assimilar o método pastoral de S. João Maria Vianney. A primeira coisa que devemos aprender é a sua total identificação com o próprio ministério. Em Jesus, tendem a coincidir Pessoa e Missão: toda a sua ação salvífica era e é expressão do seu «Eu filial» que, desde toda a eternidade, está diante do Pai em atitude de amorosa submissão à sua vontade. Com modesta mas verdadeira analogia, também o sacerdote deve ansiar por esta identificação. Não se trata, certamente, de esquecer que a eficácia substancial do ministério permanece independentemente da santidade do ministro; mas também não se pode deixar de ter em conta a extraordinária frutificação gerada do encontro entre a santidade objetiva do ministério e a subjetiva do ministro. O Cura d’Ars principiou imediatamente este humilde e paciente trabalho de harmonização entre a sua vida de ministro e a santidade do ministério que lhe estava confiado, decidindo «habitar», mesmo materialmente, na sua igreja paroquial: «Logo que chegou, escolheu a igreja por sua habitação. Entrava na igreja antes da aurora e não saía de lá senão à tardinha depois do Angelus. Quando precisavam dele, deviam procurá-lo lá»

O seu exemplo induz-me a evidenciar os espaços de colaboração que é imperioso estender cada vez mais aos fiéis leigos, com os quais os presbíteros formam um único povo sacerdotal e no meio dos quais, em virtude do sacerdócio ministerial, se encontram «para os levar todos à unidade, “amando-se uns aos outros com caridade fraterna, e tendo os outros por mais dignos” (Rm 12, 10)».

Neste contexto, há que recordar o caloroso e encorajador convite feito pelo Concílio Vaticano II aos presbíteros para que «reconheçam e promovam sinceramente a dignidade e participação própria dos leigos na missão da Igreja. Estejam dispostos a ouvir os leigos, tendo fraternalmente em conta os seus desejos, reconhecendo a experiência e competência deles nos diversos campos da atividade humana, para que, juntamente com eles, saibam reconhecer os sinais dos tempos».


Amados sacerdotes, a celebração dos cento e cinquenta anos da morte de S. João Maria Vianney (1859) segue-se imediatamente às celebrações há pouco encerradas dos cento e cinquenta anos das aparições de Lourdes (1858). Já em 1959, o Beato Papa João XXIII anotara: «Pouco antes que o Cura d’Ars concluísse a sua longa carreira cheia de méritos, a Virgem Imaculada aparecera, noutra região da França, a uma menina humilde e pura para lhe transmitir uma mensagem de oração e penitência, cuja imensa ressonância espiritual há um século que é bem conhecida. Na realidade, a vida do santo sacerdote, cuja comemoração celebramos, fora de antemão uma viva ilustração das grandes verdades sobrenaturais ensinadas à vidente de Massabielle. Ele próprio nutria pela Imaculada Conceição da Santíssima Virgem uma vivíssima devoção, ele que, em 1836, tinha consagrado a sua paróquia a Maria concebida sem pecado e havia de acolher com tanta fé e alegria a definição dogmática de 1854».O Santo Cura d’Ars sempre recordava aos seus fiéis que «Jesus Cristo, depois de nos ter dado tudo aquilo que nos podia dar, quis ainda fazer-nos herdeiros de quanto Ele tem de mais precioso, ou seja, da sua Santa Mãe».

À Virgem Santíssima entrego este Ano Sacerdotal, pedindo-Lhe para suscitar no ânimo de cada presbítero um generoso relançamento daqueles ideais de total doação a Cristo e à Igreja que inspiraram o pensamento e a ação do Santo Cura d’Ars. Com a sua fervorosa vida de oração e o seu amor apaixonado a Jesus crucificado, João Maria Vianney alimentou a sua quotidiana doação sem reservas a Deus e à Igreja. Possa o seu exemplo suscitar nos sacerdotes aquele testemunho de unidade com o Bispo, entre eles próprios e com os leigos que é tão necessário hoje, como o foi sempre. Não obstante o mal que existe no mundo, ressoa sempre atual a palavra de Cristo aos seus apóstolos, no Cenáculo: «No mundo sofrereis tribulações. Mas tende confiança: Eu venci o mundo» (Jo 16, 33). A fé no divino Mestre dá-nos a força para olhar confiadamente o futuro. Amados sacerdotes, Cristo conta convosco. A exemplo do Santo Cura d’Ars, deixai-vos conquistar por Ele e sereis também vós, no mundo atual, mensageiros de esperança, de reconciliação, de paz.

Com a minha bênção.
Vaticano, 16 de Junho de 2009
BENEDICTUS PP. XVI

terça-feira, 16 de junho de 2009

Maria, Mãe da Eucaristia



“Jesus nos deixou sua Santíssima Mãe para que seja mãe e modelo dos adoradores”.

São Pedro Julião Eymard
Devocionário




Mãe Santíssima, ensina-nos a adorar com perfeição!


segunda-feira, 15 de junho de 2009

CORPUS CHRISTI – Eucaristia deve ser o absoluto do nosso amor



Solenidade
11 de junho

“A fé conduz a Jesus Cristo enquanto o amor encontra-o e adora-o. O amor manifesta-se de três maneiras, manifestações essas que lhe constituem a vida.

Manifesta-se, em primeiro lugar, pela simpatia que, formando entre duas almas o laço e a lei de duas vidas, torna-as semelhantes uma a outra. A ação da simpatia natural – e com quanto mais razão da sobrenatural para com Nosso Senhor – constitui a atração forte, a transformação uniforme de duas almas numa só alma, de dois corpos num só corpo. Assim como o fogo absorve e transforma em si toda matéria simpática, assim também o cristão se transforma em Deus pelo Amor de Jesus Cristo. “Símiles ei erimus”.

Como foram os magos atraídos imediatamente a este Menino que ainda não fala nem sequer lhes pode revelar o pensamento? Ah! O amor viu e, vendo, uniu-se ao objeto amado! Contemplai os reis de joelhos ante o presépio, rodeados pelos animais e adorando, num estado tão humilhado e humilhante para a realeza, a débil Criança que os fita com tão singelo olhar!

Se entre amigos fazem-se necessário palavras, aqui basta tão somente o amor. Não imitam eles tanto quanto podem o estado do divino Infante, pois o amor, por ser simpático, é naturalmente imitador? Eles desejariam rebaixar-se, aniquilar-se até às entranhas da terra, a fim de melhor adorar e assemelhar-se àquele que, do Trono de sua Glória, se humilhou até descer, sob a forma do escravo, ao presépio.

Eles abraçam a humildade que o Verbo Encarnado desposou; a pobreza que deificou; o sofrimento que divinizou. O amor, por ser transformador, produz identidade de vida. Torna os reis simples, os sábios humildes, os ricos pobres de coração. Não praticam os magos todas essas virtudes?


A simpatia, indispensável à vida de amor, por suavizar os sacrifícios e assegurar-lhes a perseverança, é, numa palavra, a verdadeira prova de amor e a garantia de sua durabilidade. O amor que não se torna mais simpático é uma virtude laboriosa, privada de alegria e dos encantos da amizade, embora por vezes sublime.

O cristão, chamado a viver do Amor de Deus, precisa desta simpatia de amor. Ora, é na Santa Eucaristia que Nosso Senhor nos dá o suave penhor do seu Amor pessoal como a amigos. É aí que nos permite repousar ligeiramente nosso coração sobre o seu como o discípulo amado. Aí nos faz provar, ao menos passageiramente, a doçura do maná celestial. Aí nos faz gozar no coração a alegria de possuir ao nosso Deus, como Zaqueu; nosso Salvador, como Madalena; nossa soberana felicidade e nosso tudo, como a Esposa dos Cânticos. Aí, soltam-se suspiros de amor: ‘Quão suave sois! Quão bom, quão terno, ó Jesus, para com aquele que vos recebe com amor’.

Mas a simpatia do amor não descansará no gozo. É a brasa que o Salvador acende no coração quando encontra correspondência: ‘Carbo est Eucharistia quae nos inflammat’. O fogo ativo é invasor. Assim é que a alma dominada por ele, é levada a exclamar: ‘Que farei, Senhor, em troca de tamanho Amor?’. E Jesus responde: ‘Procurarás assemelhar-te a mim, viver para mim, viver de mim’. A transformação será fácil. Na escola do Amor, diz a Imitação, não se anda, corre-se, voa-se: ‘Amans, currit, volat’.

Manifesta-se, em segundo lugar, o amor pelo absoluto do sentimento. Quer tudo dominar, como senhor único e radical do coração. O amor é um. Tendendo à unidade, que é sua essência, absorve ou é absorvido.


Tal verdade brilha em todo o seu esplendor na adoração dos magos. Ao encontrar o régio Infante, não tomam em consideração nem a indignidade do local, nem os animais que aí estão, tornando-o repugnante. Não pedem nem prodígios ao Céu, nem explicações à Mãe. Não examinam curiosamente o menino, mas caem logo de joelhos em profunda adoração. Só por Ele vieram. Em presença do sol eclipsam-se todos os astros. O Evangelho nem sequer menciona as honras que, necessariamente, prestaram a Santa Mãe. A adoração, qual o amor que a inspira, é uma delas.

Ora, a Eucaristia, por ser a quintessência de todos os Mistérios de sua Vida de Salvador, é o absoluto do Amor de Jesus Cristo pelo homem. Tudo quanto Jesus Cristo fez, da Encarnação à Cruz, visava ao Dom Eucarístico, visava a sua união pessoal e corporal com cada cristão pela Comunhão, em que via o meio de nos comunicar os tesouros da sua Paixão, as virtudes da sua Santa Humanidade, os méritos da sua Vida. Eis o prodígio do Amor. ‘Qui manducat meam carnem, in me manet et ego in eo’.

A Eucaristia deve também ser o absoluto do nosso amor para com Jesus Cristo, se quisermos alcançar, pelo nosso lado, o fim que se propôs na Comunhão, isto é, transformar-nos nele pela união. A Eucaristia deve, pois, ser a lei das nossas virtudes, a alma da nossa piedade, o supremo anelo da nossa vida, o pensamento real e dominante do nosso coração, a bandeira gloriosa dos nossos combates e sacrifícios. E, fora desta unidade de ação, jamais conseguiremos o absoluto no amor. Com ele, porém, nada é mais suave e mais fácil. Temos então todo o poder do homem e de Deus concentrados harmoniosamente no reinado do amor. ‘Dilectus meus mihi et ego illi’, ‘O meu amado é para mim e eu para o meu amado’.

São Pedro Julião Eymard
A Divina Eucaristia, v.1, pp. 234-237

CORPUS CHRISTI – Corpo e Sangue de Cristo saciam e alegram



Solenidade
11 de junho

“O novo e antigo Mistério! Antigo pelas figuras, novo pela realidade do Sacramento, no qual recebe a criatura sempre máxima novidade. Bem o sabemos, e pela fé temos esta certeza: o pão e o vinho, pela consagração, tornam-se substancialmente, por divino poder, vosso Corpo e vosso Sangue, ó Cristo Deus e Homem, em virtude das palavras que ordenastes e o sacerdote pronuncia, neste mistério de transubstanciação.

Ó Deus humanado, saciais, superais, nimiamente fartais, alegrais vossas criaturas, sobre todas e além de todas, sem limite nem medida.

Ó Bem desconhecido, não amado, não considerado mas encontrado pelos que vos desejam todo inteiro e não vos podem possuir perfeitamente!

Dai-me vir ao vosso encontro, ó Sumo Bem, chegar-me a tão sublime mesa com muita reverência, grande pureza, santo temor e imenso amor. Que chegue toda feliz e adornada, porque venho a Vós que sois o Bem de toda a glória, a Bem-aventurança perfeita e Vida eterna, Beleza, Doçura, Nobreza, Puro Amor e Suavidade de Amor”.

Beata Ângela de Foligno
Il libro della Beata Angela da Foligno II, pp. 192, 194-195

CORPUS CHRISTI – O abandono de Jesus Sacramentado



Solenidade
11 de junho

O Beato Manuel González García, Bispo, chamado o “Apóstolo dos Sacrários Abandonados”, dedicou toda a sua vida a lutar a fim de que Jesus Sacramentado seja conhecido e visitado por todos.

A pior das catástrofes: o abandono de Jesus Sacramentado

“Há vinte séculos que Jesus Cristo vive com seus irmãos os homens na terra, nas casas (os Sacrários, os templos) que os homens fizeram por bem preparar para Ele. E em cada um dos dias destes vinte séculos – como é triste dizer isto! - o Coração desse Hóspede divino que está ali não deixou de irradiar luz, calor, saúde, paz e virtude de ressurreição e vida sobre cada um de seus vizinhos e – segue a triste confissão! – na maior parte desses segundos, minutos, horas e dias não lhe chega uma justa homenagem de agradecimento nem um acento de carinho, nem um gesto de correspondência, nem um olhar de resposta. Alí Ele está só… Jesus está só! Que solidão!

E não são gentios, nem judeus nem hereges os que o abandonam – estes até o poderão negar, desconhecer, mas abandonar, não. São os cristãos. Estes, estes são os que de verdade o abandonam. Crêem firmemente que é Ele que está no Sacrário, o que desejam e oferecem, e não obstante se encerram em uma inconsequência sem par entre as inconsequências humanas, e dispensam a Jesus Sacramentado um tratamento inferior ao que se dá ao último mendigo, para não dizer ainda inferior ao que se concede a um cão doméstico. Conheceis desprezo como esse desprezo, abandono tão longo em duração, tão intenso em malícia, tão variado em suas formas, tão sustentado em seu fundo, enquanto tão horrivelmente injusto para o Abandonado e tão incalculavelmente funesto para os que o abandonam? Conheceis uma dor maior que essa dor?


Em vista dessa dor, que pesa de modo misterioso e incompreensível, mas verdadeiro, por seu estado de glória sobre Jesus Sacramentado, o que fazer? Diante dessa dor de um Jesus tão nosso, e depois de tudo o que lhe causamos e de ter Ele sofrido tanto por nós, ter sido levado por amor a nós, não cabe mais resposta senão a reparação de nossa companhia pronta, generosa e perene, manifestada em uma compaixão sem medida para lamentá-lo e em uma ação sem descanso para repará-lo, evitando-o ou diminuindo-o. Esse é o nosso desejo: a companhia reparadora.

Primeiro, pela compaixão sobre toda compaixão. Segundo, pela ação essencialmente eucarística. Não terá Ele direito, já que não se lhe deu o amor, a que se lhe dê compaixão? E não merecerá essa queixa um direito preferencial de compaixão entre todas as queixas que exalem todas as dores da terra?

A maior pena e a maior injustiça é o abandono de Jesus Sacramentado. Esta é uma injustiça maior que toda injustiça, e uma pena mais exacerbada que todas as penas. Para o nosso coração não há – e nem queremos que haja, enquanto ele bata – mais que uma ocupação: a de verter constantemente a torrente de sua compaixão sobre essa dor, mais forte que toda dor, que se chama Jesus abandonado.

E para nossas mãos e nossa boca, como em quaisquer de nossas atividades, não queremos outra ocupação senão a de apagar a queixa que arranca aquela dor, levando e procurando com toda urgência nossos consolos ao Pobre Abandonado do Sacrário. Ajudem-nos a levar ao povo esse Evangelho da Eucaristia.

Esta é a melhor obra de caridade individual e social que podemos fazer pelo povo: mostrar-lhe Jesus, fazê-lo ser visto. Como? Pregando o Evangelho da Eucaristia!”.

Beato Manuel González García, Bispo
Obras Completas, t. I, II, III, Ed. Monte Carmelo, Burgos, 1998

CORPUS CHRISTI – Fazer companhia a Jesus Sacramentado



Solenidade
11 de junho

“Ó Jesus, já que estais sempre conosco na Santa Eucaristia, fazei que estejamos sempre convosco, que vos façamos companhia aos pés do Sacrário, e não percamos, por culpa nossa, um só dos momentos passados diante de Vós. Ó amado Jesus, nosso Tudo, aí estais e nos convidais a fazer-vos companhia; não deveríamos pois precipitar-nos para Vós? Ou iríamos passar em outro lugar um só dos momentos que nos permitis ficar aos vossos pés?

Na Santa Eucaristia estais todo inteiro, perfeitamente vivo, ó amado Jesus, tão plenamente como outrora na casa da santa Família de Nazaré, na casa de Madalena em Betânia, ou entre vossos Apóstolos. Do mesmo modo aqui estais, ó meu amado e meu tudo!Oh! Fazei que jamais nos afastemos da Presença da Santa Eucaristia, durante um só dos momentos que nos permitis passar convosco!”.

Beato Charles de Foucauld
Veremos a Deus
Obras Espirituais, p. 786

CORPUS CHRISTI – Mártir por amor à Eucaristia



Solenidade
11 de junho

Uma história sobre o verdadeiro valor e zelo que devemos ter pela Eucaristia

“Alguns meses antes de sua morte, o Bispo Fulton J. Sheen foi entrevistado pela rede nacional de televisão: ‘Bispo Sheen, o senhor inspirou milhares de pessoas em todo o mundo. Quem inspirou o senhor? Foi acaso um Papa?’. O Bispo Sheen respondeu que sua maior inspiração não foi um Papa, um Cardeal ou outro Bispo, e nem sequer um sacerdote ou monja. Foi uma menina chinesa de onze anos de idade.

Explicou que quando os comunistas se apoderaram da China, houve uma perseguição a religiosos e sacerdotes. Um desses sacerdotes contou-lhe o que havia acontecido em sua paróquia. Disse que o prenderam e o encarceraram em sua própria casa paroquial, em frente à Igreja. E que de sua janela, o sacerdote observou aterrado como os comunistas invadiram a Igreja e dirigiram-se ao altar. Cheios de ódio profanaram o sacrário, pegaram o cibório e atiraram-no ao chão, espalhando as Hóstias Consagradas. Como eram tempos de perseguição, o sacerdote havia tomado a precaução de saber exatamente quantas Hóstias havia no cibório: trinta e duas.

Depois do feito, os comunistas se retiraram, deixando um guarda para vigiá-lo e não permitir que celebrasse as Missas. Quando saíram da Igreja talvez não tivessem se dado conta ou não prestaram atenção a uma pequena menina que rezava na penumbra do fundo da Igreja. A pequena viu tudo o que havia sucedido e depois foi para sua casa. Mas naquela noite ela voltou e, evitando o guarda que vigiava a casa paroquial onde estava recluso o sacerdote, entrou na Igreja vazia, cheia de destroços e, o mais importante, com as Hóstias Consagradas espalhadas pelo chão.


Ali, se ajoelhou na parte de trás e permaneceu rezando e adorando durante uma hora. Um ato de amor para reparar um ato de ódio. Depois de sua hora santa, levantou-se e caminhou silenciosamente em direção ao presbitério. Lá se ajoelhou e, abaixando a cabeça até o solo, com sua língua tomou uma das Sagradas Espécies, recebendo a Jesus na Sagrada Comunhão. Naquela época ainda não estavam vigentes as atuais normas sobre a comunhão e não era permitido aos leigos tocar a Hóstia com suas mãos.

A pequena menina continuou voltando escondida a cada noite, fazendo sua hora santa e aproximando-se depois do presbitério para receber ao Corpo de Cristo, seu amado Jesus Eucarístico em sua língua. Na trigésima segunda noite, depois de haver consumido a última Hóstia, tropeçou provocando acidentalmente um ruído que despertou o guarda. A pequena tentou fugir mas o guarda correu atrás dela, agarrou-a e golpeou-a até matá-la com a culatra de seu rifle.

Esse ato de martírio heróico foi presenciado pelo sacerdote que, profundamente abatido e aterrorizado, viu tudo da janela de seu quarto convertido em cela de prisão, e de onde não podia fazer nada.

O Bispo Sheen contou ao entrevistador que quando escutou este relato, sofreu um impacto muito grande e ficou de tal forma impressionado, que se sentiu inspirado a prometer a Deus que faria uma hora santa de adoração diante de Jesus Sacramentado todos os dias, pelo resto de sua vida. Se aquela pequenina menina pôde dar testemunho com sua vida da real e bela Presença de Jesus no Santíssimo Sacramento, então o Bispo via-se obrigado ao mesmo. Seu único desejo desde então, seria atrair o mundo ao Coração Ardente de Jesus no Santíssimo Sacramento.

A pequena ensinou ao Bispo o verdadeiro valor e zelo que se deve ter pela Eucaristia; como a fé pode sobrepor-se a todo medo e como o verdadeiro amor a Jesus na Eucaristia deve transcender a própria vida.

O que se esconde na Hóstia Sagrada é a glória de Seu amor. Todo o criado é um reflexo da realidade suprema que é Jesus Cristo. O sol no céu é apenas um símbolo do Filho de Deus no Santíssimo Sacramento e por isso muitos ostensórios têm a representação dos raios de sol. Assim como o sol é a fonte natural de toda energia, o Santíssimo Sacramento é a fonte sobrenatural de toda graça e amor. O Santíssimo Sacramento é Jesus, a Luz do mundo!”.

Padre Martin Lucía
Artigo "Let the Son Shine"
Cit.por religionenlibertad

CORPUS CHRISTI – Muito amor à Eucaristia





Senhor, fazei nosso coração semelhante ao vosso!


CORPUS CHRISTI – A Hóstia, Pão do vosso Sacramento



Solenidade
11 de junho

“Durante a consagração e a comunhão, me oferecerei a Vós, meu Senhor, com muito amor, dizendo-vos de todo o coração, com profunda reverência, que, como vos ofereceis ao Pai por mim e pela minha salvação, assim quero oferecer-me todo à sua Divina Majestade, e dedicar-me com todas as minhas forças ao serviço do seu Reino.

Senhor, parti-me como o Pão do vosso Sacramento, dobrai-me, torcei-me se necessário, nas espirais de vossa vontade, contanto que esteja em comunhão com a Hóstia partida no cálice, minha fonte da única paz”.

Servo de Deus Monsenhor Giuseppe Canovai
Suscipe Domine, pp. 254.295

CORPUS CHRISTI – Eucaristia, amor que transforma o mundo



Solenidade
11 de junho

Eucaristia, amor que transforma o mundo, explica Papa

Meditação na festa de Corpus Christi

CIDADE DO VATICANO, domingo, 14 de junho de 2009 (ZENIT.org)- A Eucaristia, explica Bento XVI, é o mistério do amor que tudo transforma, e que, portanto, transforma uma realidade tão simples, como o pão, para converter-se em presença de Deus na história.

Esta foi a reflexão cheia de esperança que o pontífice propôs aos milhares de fiéis que congregaram-se neste domingo ao meio-dia, sob um forte sol, na praça de São Pedro, para participar da oração mariana do Angelus, na solenidade do Corpus Christi.

O Corpus Christi, disse, falando da janela de seu apartamento, “é uma manifestação de Deus, um testemunho de que Deus é amor”.

“De maneira única e peculiar, esta festa nos fala do amor divino, do que é e do que faz. Diz-nos, por exemplo, que regenera ao entregar-se a si mesmo, que se recebe ao dar.”

Segundo o Papa, o amor “tudo transforma e, portanto, compreende-se que no centro desta festa do Corpus Christi encontra-se o mistério da transubstanciação, sinal de Jesus-Caridade, que transforma o mundo”.

“Ao contemplá-lo e adorá-lo, dizemos: sim, o amor existe, e dado que existe, as coisas podem mudar para melhor e nós podemos ter esperança. A esperança que procede do amor de Cristo nos dá força para viver e enfrentar as dificuldades.”

Por isso, disse o Papa, “cantamos, enquanto levamos em procissão o Santíssimo Sacramento; cantamos e louvamos a Deus que se revelou a nós escondendo-se no sinal do pão partido.

Deste Pão todos temos necessidade, pois é longo e cansativo o caminho para a liberdade, a justiça e a paz”.

Em Roma, Bento XVI celebrou o Corpus Christi na quinta-feira passada, festa litúrgica original, presidindo à missa ao ar livre na Basílica de São João de Latrão e a procissão pela rua que leva até a Basílica de Santa Maria Maior.

Santo Padre Papa Bento XVI
Oração mariana do Angelus, na solenidade do Corpus Christi

CORPUS CHRISTI – Bento XVI pede que os padres sejam exemplo de verdadeira devoção à Eucaristia



Solenidade
11 de junho

Bento XVI pede que padres sejam exemplo de verdadeira devoção à Eucaristia
Verdadeira devoção requer “veneração” e “respeito” pela liturgia; oração não deve ser “superficial e apressada”

ROMA, quinta-feira, 11 de junho de 2009 (ZENIT.org)- Às vésperas do início do Ano Sacerdotal (19 de junho), Bento XVI pediu que os sacerdotes sejam para os fiéis exemplo de uma “verdadeira devoção à Eucaristia”, cultivando pelo Corpo e Sangue do Senhor o amor “livre e puro que nos faz dignos ministros de Cristo”.

No início da noite de hoje (19h do horário de Roma), o Papa presidiu à Missa de Corpus Christi na Basílica de São João de Latrão. Após a celebração, o pontífice liderou a procissão até a Basílica de Santa Maria Maior e concedeu a bênção eucarística.

Em sua homilia, já com indicações do que espera para o Ano Sacerdotal, o Papa fez um apelo especial aos sacerdotes.

“Só a partir da união com Jesus pode-se ter aquela fecundidade espiritual que é fonte de esperança em seu ministério pastoral”, disse.

Bento XVI citou palavras de São Leão Magno, para fazer compreender que a participação no Corpo e Sangue de Cristo deve ter como objetivo fundamental “nos transformar naquilo que recebemos".

“Ser Eucaristia! Seja este o nosso desejo e esforço constante, para que a oferta do Corpo e Sangue do Senhor que fazemos sobre o altar esteja acompanhada do sacrifício das nossas vidas”, assinalou.

O Papa pediu que, “todos os dias”, os padres cultivem pelo Corpo e Sangue do Senhor “aquele amor livre e puro que nos faz dignos ministros de Cristo e testemunhas da sua alegria”.

Segundo o Pontífice, o que os fiéis esperam de um padre é “o exemplo de que é uma verdadeira devoção à Eucaristia; o amor que se vê ao passar longos momentos de silêncio e de adoração diante de Jesus”.


Bento XVI apontou o risco de se ter a fé como um dado já adquirido, principalmente em tempos em que se observa o risco de uma secularização intrínseca na Igreja.

Esta secularização interna pode-se “traduzir em um culto eucarístico formal e vazio, em celebrações destituídas daquela participação do coração que se exprime na veneração e no respeito pela liturgia”.

“É sempre forte a tentação de reduzir a oração a momentos superficiais e apressados, deixando-se submergir pelas atividades e preocupações terrenas”, disse o Papa.

‘O pão nosso de cada dia nos dai hoje’ –expressão do Pai Nosso–, segundo Bento XVI, remete-se também “ao pão da vida eterna que é dado na Santa Missa, a fim de que desde agora o mundo futuro comece em nós”.

“Com a Eucaristia, portanto, o céu vem sobre a terra, o advir de Deus ergue-se no presente, e o tempo é abraçado pela eternidade divina”, disse.

O Papa não escondeu sua alegria ao poder acompanhar Cristo Sacramentado pela Via Merulana, que leva da Basílica de São João de Latrão à Basílica de Santa Maria Maior.

O Papa acompanhava a Eucaristia ajoelhado em um genuflexório, em cima de uma caminhonete branca coberta com um toldo, quando caía a noite sobre a Cidade Eterna.

Os fiéis, com velas nas mãos, faziam do seu silêncio uma profissão de fé.

Santo Padre Papa Bento XVI
Homilia da Missa de Corpus Christi na Basílica de São João de Latrão