sexta-feira, 19 de junho de 2009

SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS – Oração de Santa Madalena Sofia Barat


Solenidade
19 de junho


“Meu Sagrado Coração de Jesus,
corro e venho a Vós,
porque sois o meu único refúgio,
o meu único consolo,
o minha única certeza,
a minha única e firme esperança.

Vós sois o remédio infalível e seguro
para todos os meus males,
a esperança para as minhas misérias,
o reparo das minhas faltas,
a luz nas minhas dúvidas e agonias
o consolo do meu desamparo.
Vós preencheis as minhas lacunas e
sois a certeza nos meus pedidos.
Vós sois a infalível e infinita
Fonte de luz e força,
de bênção e de paz.

Estou segura de que nunca,
nunca,vos cansareis de mim,
de que nunca me abandonareis,
de que nunca deixareis de me amar,
ajudando-me e protegendo-me sempre,
porque o amor de vosso coração
por mim é infinito e absoluto.

Tende piedade de mim, Senhor,
pela vossa grande misericórdia,
e fazei comigo, de mim e para mim,
tudo o quanto quiserdes,
mantendo-me sempre e para sempre
dentro de vosso Coração de Amor.
Me abandono em Vós,
Coração do meu Amor,
com toda e a inteira confiança
de que nunca me abandonareis,
de que nunca estarei só.
Amém”.


Santa Madalena Sofia Barat
Fundadora da Sociedade do Sagrado Coração de Jesus
Diário Espiritual, pt. III, prs.12


SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS – ANO SACERDOTAL – Carta do Papa Bento XVI para a proclamação do Ano Sacerdotal



Solenidade
19 de junho

CARTA DO SUMO PONTÍFICE BENTO XVI PARA A PROCLAMAÇÃO DE UM ANO SACERDOTAL POR OCASIÃO DO 150º ANIVERSÁRIO DO DIES NATALIS DO SANTO CURA D’ARS

SÍNTESE

Amados irmãos no sacerdócio,

Na próxima solenidade do Sacratíssimo Coração de Jesus, sexta-feira 19 de Junho de 2009 – dia dedicado tradicionalmente à oração pela santificação do clero – tenho em mente proclamar oficialmente um «Ano Sacerdotal» por ocasião do 150.º aniversário do «dies natalis» de João Maria Vianney, o Santo Patrono de todos os párocos do mundo. Tal ano, que pretende contribuir para fomentar o empenho de renovação interior de todos os sacerdotes para um seu testemunho evangélico mais vigoroso e incisivo, terminará na mesma solenidade de 2010. «O sacerdócio é o amor do Coração de Jesus»: costumava dizer o Santo Cura d’Ars. Esta tocante afirmação permite-nos, antes de mais nada, evocar com ternura e gratidão o dom imenso que são os sacerdotes não só para a Igreja mas também para a própria humanidade. Penso em todos os presbíteros que propõem, humilde e quotidianamente, aos fiéis cristãos e ao mundo inteiro as palavras e os gestos de Cristo, procurando aderir a Ele com os pensamentos, a vontade, os sentimentos e o estilo de toda a sua existência. Como não sublinhar as suas fadigas apostólicas, o seu serviço incansável e escondido, a sua caridade tendencialmente universal? E que dizer da fidelidade corajosa de tantos sacerdotes que, não obstante dificuldades e incompreensões, continuam fiéis à sua vocação: a de «amigos de Cristo», por Ele de modo particular chamados, escolhidos e enviados?

Eu mesmo guardo ainda no coração a recordação do primeiro pároco junto de quem exerci o meu ministério de jovem sacerdote: deixou-me o exemplo de uma dedicação sem reservas ao próprio serviço sacerdotal, a ponto de encontrar a morte durante o próprio ato de levar o viático a um doente grave. Depois repasso na memória os inumeráveis irmãos que encontrei e encontro, inclusive durante as minhas viagens pastorais às diversas nações, generosamente empenhados no exercício diário do seu ministério sacerdotal. Mas a expressão utilizada pelo Santo Cura d’Ars evoca também o Coração traspassado de Cristo com a coroa de espinhos que O envolve. E isto leva o pensamento a deter-se nas inumeráveis situações de sofrimento em que se encontram imersos muitos sacerdotes, ou porque participantes da experiência humana da dor na multiplicidade das suas manifestações, ou porque incompreendidos pelos próprios destinatários do seu ministério: como não recordar tantos sacerdotes ofendidos na sua dignidade, impedidos na sua missão e, às vezes, mesmo perseguidos até ao supremo testemunho do sangue?


Os ensinamentos e exemplos de S. João Maria Vianney podem oferecer a todos um significativo ponto de referência. O Cura d’Ars era humilíssimo, mas consciente de ser, enquanto padre, um dom imenso para o seu povo: «Um bom pastor, um pastor segundo o coração de Deus, é o maior tesouro que o bom Deus pode conceder a uma paróquia e um dos dons mais preciosos da misericórdia divina». Falava do sacerdócio como se não conseguisse alcançar plenamente a grandeza do dom e da tarefa confiados a uma criatura humana: «Oh como é grande o padre! Se lhe fosse dado compreender-se a si mesmo, morreria. Deus obedece-lhe: ele pronuncia duas palavras e, à sua voz, Nosso Senhor desce do céu e encerra-se numa pequena hóstia». E, ao explicar aos seus fiéis a importância dos sacramentos, dizia: «Sem o sacramento da Ordem, não teríamos o Senhor. Quem O colocou ali naquele sacrário? O sacerdote. Quem acolheu a vossa alma no primeiro momento do ingresso na vida? O sacerdote. Quem a alimenta para lhe dar a força de realizar a sua peregrinação? O sacerdote. Quem a há-de preparar para comparecer diante de Deus, lavando-a pela última vez no sangue de Jesus Cristo? O sacerdote, sempre o sacerdote. E se esta alma chega a morrer [pelo pecado], quem a ressuscitará, quem lhe restituirá a serenidade e a paz? Ainda o sacerdote. Depois de Deus, o sacerdote é tudo! Ele próprio não se entenderá bem a si mesmo, senão no céu». Estas afirmações, nascidas do coração sacerdotal daquele santo pároco, podem parecer excessivas. Nelas, porém, revela-se a sublime consideração em que ele tinha o sacramento do sacerdócio. Parecia subjugado por uma sensação de responsabilidade sem fim: «Se compreendêssemos bem o que um padre é sobre a terra, morreríamos: não de susto, mas de amor. Sem o padre, a morte e a paixão de Nosso Senhor não teria servido para nada. É o padre que continua a obra da Redenção sobre a terra. Que aproveitaria termos uma casa cheia de ouro, senão houvesse ninguém para nos abrir a porta? O padre possui a chave dos tesouros celestes: é ele que abre a porta; é o ecônomo do bom Deus; o administrador dos seus bens Deixai uma paróquia durante vinte anos sem padre, e lá adorar-se-ão as bestas. O padre não é padre para si mesmo, é-o para vós».


Tinha chegado a Ars, uma pequena aldeia com 230 habitantes, precavido pelo Bispo de que iria encontrar uma situação religiosamente precária: «Naquela paróquia, não há muito amor de Deus; infundi-lo-eis vós». Por conseguinte, achava-se plenamente consciente de que devia ir para lá a fim de encarnar a presença de Cristo, testemunhando a sua ternura salvífica: «Meu Deus, concedei-me a conversão da minha paróquia; aceito sofrer tudo aquilo que quiserdes por todo o tempo da minha vida!»: foi com esta oração que começou a sua missão. E, à conversão da sua paróquia, dedicou-se o Santo Cura com todas as suas energias, pondo no cume de cada uma das suas idéias a formação cristã do povo a ele confiado. Amados irmãos no sacerdócio, peçamos ao Senhor Jesus a graça de podermos também nós assimilar o método pastoral de S. João Maria Vianney. A primeira coisa que devemos aprender é a sua total identificação com o próprio ministério. Em Jesus, tendem a coincidir Pessoa e Missão: toda a sua ação salvífica era e é expressão do seu «Eu filial» que, desde toda a eternidade, está diante do Pai em atitude de amorosa submissão à sua vontade. Com modesta mas verdadeira analogia, também o sacerdote deve ansiar por esta identificação. Não se trata, certamente, de esquecer que a eficácia substancial do ministério permanece independentemente da santidade do ministro; mas também não se pode deixar de ter em conta a extraordinária frutificação gerada do encontro entre a santidade objetiva do ministério e a subjetiva do ministro. O Cura d’Ars principiou imediatamente este humilde e paciente trabalho de harmonização entre a sua vida de ministro e a santidade do ministério que lhe estava confiado, decidindo «habitar», mesmo materialmente, na sua igreja paroquial: «Logo que chegou, escolheu a igreja por sua habitação. Entrava na igreja antes da aurora e não saía de lá senão à tardinha depois do Angelus. Quando precisavam dele, deviam procurá-lo lá»

O seu exemplo induz-me a evidenciar os espaços de colaboração que é imperioso estender cada vez mais aos fiéis leigos, com os quais os presbíteros formam um único povo sacerdotal e no meio dos quais, em virtude do sacerdócio ministerial, se encontram «para os levar todos à unidade, “amando-se uns aos outros com caridade fraterna, e tendo os outros por mais dignos” (Rm 12, 10)».

Neste contexto, há que recordar o caloroso e encorajador convite feito pelo Concílio Vaticano II aos presbíteros para que «reconheçam e promovam sinceramente a dignidade e participação própria dos leigos na missão da Igreja. Estejam dispostos a ouvir os leigos, tendo fraternalmente em conta os seus desejos, reconhecendo a experiência e competência deles nos diversos campos da atividade humana, para que, juntamente com eles, saibam reconhecer os sinais dos tempos».


Amados sacerdotes, a celebração dos cento e cinquenta anos da morte de S. João Maria Vianney (1859) segue-se imediatamente às celebrações há pouco encerradas dos cento e cinquenta anos das aparições de Lourdes (1858). Já em 1959, o Beato Papa João XXIII anotara: «Pouco antes que o Cura d’Ars concluísse a sua longa carreira cheia de méritos, a Virgem Imaculada aparecera, noutra região da França, a uma menina humilde e pura para lhe transmitir uma mensagem de oração e penitência, cuja imensa ressonância espiritual há um século que é bem conhecida. Na realidade, a vida do santo sacerdote, cuja comemoração celebramos, fora de antemão uma viva ilustração das grandes verdades sobrenaturais ensinadas à vidente de Massabielle. Ele próprio nutria pela Imaculada Conceição da Santíssima Virgem uma vivíssima devoção, ele que, em 1836, tinha consagrado a sua paróquia a Maria concebida sem pecado e havia de acolher com tanta fé e alegria a definição dogmática de 1854».O Santo Cura d’Ars sempre recordava aos seus fiéis que «Jesus Cristo, depois de nos ter dado tudo aquilo que nos podia dar, quis ainda fazer-nos herdeiros de quanto Ele tem de mais precioso, ou seja, da sua Santa Mãe».

À Virgem Santíssima entrego este Ano Sacerdotal, pedindo-Lhe para suscitar no ânimo de cada presbítero um generoso relançamento daqueles ideais de total doação a Cristo e à Igreja que inspiraram o pensamento e a ação do Santo Cura d’Ars. Com a sua fervorosa vida de oração e o seu amor apaixonado a Jesus crucificado, João Maria Vianney alimentou a sua quotidiana doação sem reservas a Deus e à Igreja. Possa o seu exemplo suscitar nos sacerdotes aquele testemunho de unidade com o Bispo, entre eles próprios e com os leigos que é tão necessário hoje, como o foi sempre. Não obstante o mal que existe no mundo, ressoa sempre atual a palavra de Cristo aos seus apóstolos, no Cenáculo: «No mundo sofrereis tribulações. Mas tende confiança: Eu venci o mundo» (Jo 16, 33). A fé no divino Mestre dá-nos a força para olhar confiadamente o futuro. Amados sacerdotes, Cristo conta convosco. A exemplo do Santo Cura d’Ars, deixai-vos conquistar por Ele e sereis também vós, no mundo atual, mensageiros de esperança, de reconciliação, de paz.

Com a minha bênção.
Vaticano, 16 de Junho de 2009
BENEDICTUS PP. XVI

terça-feira, 16 de junho de 2009

Maria, Mãe da Eucaristia



“Jesus nos deixou sua Santíssima Mãe para que seja mãe e modelo dos adoradores”.

São Pedro Julião Eymard
Devocionário




Mãe Santíssima, ensina-nos a adorar com perfeição!


segunda-feira, 15 de junho de 2009

CORPUS CHRISTI – Eucaristia deve ser o absoluto do nosso amor



Solenidade
11 de junho

“A fé conduz a Jesus Cristo enquanto o amor encontra-o e adora-o. O amor manifesta-se de três maneiras, manifestações essas que lhe constituem a vida.

Manifesta-se, em primeiro lugar, pela simpatia que, formando entre duas almas o laço e a lei de duas vidas, torna-as semelhantes uma a outra. A ação da simpatia natural – e com quanto mais razão da sobrenatural para com Nosso Senhor – constitui a atração forte, a transformação uniforme de duas almas numa só alma, de dois corpos num só corpo. Assim como o fogo absorve e transforma em si toda matéria simpática, assim também o cristão se transforma em Deus pelo Amor de Jesus Cristo. “Símiles ei erimus”.

Como foram os magos atraídos imediatamente a este Menino que ainda não fala nem sequer lhes pode revelar o pensamento? Ah! O amor viu e, vendo, uniu-se ao objeto amado! Contemplai os reis de joelhos ante o presépio, rodeados pelos animais e adorando, num estado tão humilhado e humilhante para a realeza, a débil Criança que os fita com tão singelo olhar!

Se entre amigos fazem-se necessário palavras, aqui basta tão somente o amor. Não imitam eles tanto quanto podem o estado do divino Infante, pois o amor, por ser simpático, é naturalmente imitador? Eles desejariam rebaixar-se, aniquilar-se até às entranhas da terra, a fim de melhor adorar e assemelhar-se àquele que, do Trono de sua Glória, se humilhou até descer, sob a forma do escravo, ao presépio.

Eles abraçam a humildade que o Verbo Encarnado desposou; a pobreza que deificou; o sofrimento que divinizou. O amor, por ser transformador, produz identidade de vida. Torna os reis simples, os sábios humildes, os ricos pobres de coração. Não praticam os magos todas essas virtudes?


A simpatia, indispensável à vida de amor, por suavizar os sacrifícios e assegurar-lhes a perseverança, é, numa palavra, a verdadeira prova de amor e a garantia de sua durabilidade. O amor que não se torna mais simpático é uma virtude laboriosa, privada de alegria e dos encantos da amizade, embora por vezes sublime.

O cristão, chamado a viver do Amor de Deus, precisa desta simpatia de amor. Ora, é na Santa Eucaristia que Nosso Senhor nos dá o suave penhor do seu Amor pessoal como a amigos. É aí que nos permite repousar ligeiramente nosso coração sobre o seu como o discípulo amado. Aí nos faz provar, ao menos passageiramente, a doçura do maná celestial. Aí nos faz gozar no coração a alegria de possuir ao nosso Deus, como Zaqueu; nosso Salvador, como Madalena; nossa soberana felicidade e nosso tudo, como a Esposa dos Cânticos. Aí, soltam-se suspiros de amor: ‘Quão suave sois! Quão bom, quão terno, ó Jesus, para com aquele que vos recebe com amor’.

Mas a simpatia do amor não descansará no gozo. É a brasa que o Salvador acende no coração quando encontra correspondência: ‘Carbo est Eucharistia quae nos inflammat’. O fogo ativo é invasor. Assim é que a alma dominada por ele, é levada a exclamar: ‘Que farei, Senhor, em troca de tamanho Amor?’. E Jesus responde: ‘Procurarás assemelhar-te a mim, viver para mim, viver de mim’. A transformação será fácil. Na escola do Amor, diz a Imitação, não se anda, corre-se, voa-se: ‘Amans, currit, volat’.

Manifesta-se, em segundo lugar, o amor pelo absoluto do sentimento. Quer tudo dominar, como senhor único e radical do coração. O amor é um. Tendendo à unidade, que é sua essência, absorve ou é absorvido.


Tal verdade brilha em todo o seu esplendor na adoração dos magos. Ao encontrar o régio Infante, não tomam em consideração nem a indignidade do local, nem os animais que aí estão, tornando-o repugnante. Não pedem nem prodígios ao Céu, nem explicações à Mãe. Não examinam curiosamente o menino, mas caem logo de joelhos em profunda adoração. Só por Ele vieram. Em presença do sol eclipsam-se todos os astros. O Evangelho nem sequer menciona as honras que, necessariamente, prestaram a Santa Mãe. A adoração, qual o amor que a inspira, é uma delas.

Ora, a Eucaristia, por ser a quintessência de todos os Mistérios de sua Vida de Salvador, é o absoluto do Amor de Jesus Cristo pelo homem. Tudo quanto Jesus Cristo fez, da Encarnação à Cruz, visava ao Dom Eucarístico, visava a sua união pessoal e corporal com cada cristão pela Comunhão, em que via o meio de nos comunicar os tesouros da sua Paixão, as virtudes da sua Santa Humanidade, os méritos da sua Vida. Eis o prodígio do Amor. ‘Qui manducat meam carnem, in me manet et ego in eo’.

A Eucaristia deve também ser o absoluto do nosso amor para com Jesus Cristo, se quisermos alcançar, pelo nosso lado, o fim que se propôs na Comunhão, isto é, transformar-nos nele pela união. A Eucaristia deve, pois, ser a lei das nossas virtudes, a alma da nossa piedade, o supremo anelo da nossa vida, o pensamento real e dominante do nosso coração, a bandeira gloriosa dos nossos combates e sacrifícios. E, fora desta unidade de ação, jamais conseguiremos o absoluto no amor. Com ele, porém, nada é mais suave e mais fácil. Temos então todo o poder do homem e de Deus concentrados harmoniosamente no reinado do amor. ‘Dilectus meus mihi et ego illi’, ‘O meu amado é para mim e eu para o meu amado’.

São Pedro Julião Eymard
A Divina Eucaristia, v.1, pp. 234-237

CORPUS CHRISTI – Corpo e Sangue de Cristo saciam e alegram



Solenidade
11 de junho

“O novo e antigo Mistério! Antigo pelas figuras, novo pela realidade do Sacramento, no qual recebe a criatura sempre máxima novidade. Bem o sabemos, e pela fé temos esta certeza: o pão e o vinho, pela consagração, tornam-se substancialmente, por divino poder, vosso Corpo e vosso Sangue, ó Cristo Deus e Homem, em virtude das palavras que ordenastes e o sacerdote pronuncia, neste mistério de transubstanciação.

Ó Deus humanado, saciais, superais, nimiamente fartais, alegrais vossas criaturas, sobre todas e além de todas, sem limite nem medida.

Ó Bem desconhecido, não amado, não considerado mas encontrado pelos que vos desejam todo inteiro e não vos podem possuir perfeitamente!

Dai-me vir ao vosso encontro, ó Sumo Bem, chegar-me a tão sublime mesa com muita reverência, grande pureza, santo temor e imenso amor. Que chegue toda feliz e adornada, porque venho a Vós que sois o Bem de toda a glória, a Bem-aventurança perfeita e Vida eterna, Beleza, Doçura, Nobreza, Puro Amor e Suavidade de Amor”.

Beata Ângela de Foligno
Il libro della Beata Angela da Foligno II, pp. 192, 194-195

CORPUS CHRISTI – O abandono de Jesus Sacramentado



Solenidade
11 de junho

O Beato Manuel González García, Bispo, chamado o “Apóstolo dos Sacrários Abandonados”, dedicou toda a sua vida a lutar a fim de que Jesus Sacramentado seja conhecido e visitado por todos.

A pior das catástrofes: o abandono de Jesus Sacramentado

“Há vinte séculos que Jesus Cristo vive com seus irmãos os homens na terra, nas casas (os Sacrários, os templos) que os homens fizeram por bem preparar para Ele. E em cada um dos dias destes vinte séculos – como é triste dizer isto! - o Coração desse Hóspede divino que está ali não deixou de irradiar luz, calor, saúde, paz e virtude de ressurreição e vida sobre cada um de seus vizinhos e – segue a triste confissão! – na maior parte desses segundos, minutos, horas e dias não lhe chega uma justa homenagem de agradecimento nem um acento de carinho, nem um gesto de correspondência, nem um olhar de resposta. Alí Ele está só… Jesus está só! Que solidão!

E não são gentios, nem judeus nem hereges os que o abandonam – estes até o poderão negar, desconhecer, mas abandonar, não. São os cristãos. Estes, estes são os que de verdade o abandonam. Crêem firmemente que é Ele que está no Sacrário, o que desejam e oferecem, e não obstante se encerram em uma inconsequência sem par entre as inconsequências humanas, e dispensam a Jesus Sacramentado um tratamento inferior ao que se dá ao último mendigo, para não dizer ainda inferior ao que se concede a um cão doméstico. Conheceis desprezo como esse desprezo, abandono tão longo em duração, tão intenso em malícia, tão variado em suas formas, tão sustentado em seu fundo, enquanto tão horrivelmente injusto para o Abandonado e tão incalculavelmente funesto para os que o abandonam? Conheceis uma dor maior que essa dor?


Em vista dessa dor, que pesa de modo misterioso e incompreensível, mas verdadeiro, por seu estado de glória sobre Jesus Sacramentado, o que fazer? Diante dessa dor de um Jesus tão nosso, e depois de tudo o que lhe causamos e de ter Ele sofrido tanto por nós, ter sido levado por amor a nós, não cabe mais resposta senão a reparação de nossa companhia pronta, generosa e perene, manifestada em uma compaixão sem medida para lamentá-lo e em uma ação sem descanso para repará-lo, evitando-o ou diminuindo-o. Esse é o nosso desejo: a companhia reparadora.

Primeiro, pela compaixão sobre toda compaixão. Segundo, pela ação essencialmente eucarística. Não terá Ele direito, já que não se lhe deu o amor, a que se lhe dê compaixão? E não merecerá essa queixa um direito preferencial de compaixão entre todas as queixas que exalem todas as dores da terra?

A maior pena e a maior injustiça é o abandono de Jesus Sacramentado. Esta é uma injustiça maior que toda injustiça, e uma pena mais exacerbada que todas as penas. Para o nosso coração não há – e nem queremos que haja, enquanto ele bata – mais que uma ocupação: a de verter constantemente a torrente de sua compaixão sobre essa dor, mais forte que toda dor, que se chama Jesus abandonado.

E para nossas mãos e nossa boca, como em quaisquer de nossas atividades, não queremos outra ocupação senão a de apagar a queixa que arranca aquela dor, levando e procurando com toda urgência nossos consolos ao Pobre Abandonado do Sacrário. Ajudem-nos a levar ao povo esse Evangelho da Eucaristia.

Esta é a melhor obra de caridade individual e social que podemos fazer pelo povo: mostrar-lhe Jesus, fazê-lo ser visto. Como? Pregando o Evangelho da Eucaristia!”.

Beato Manuel González García, Bispo
Obras Completas, t. I, II, III, Ed. Monte Carmelo, Burgos, 1998

CORPUS CHRISTI – Fazer companhia a Jesus Sacramentado



Solenidade
11 de junho

“Ó Jesus, já que estais sempre conosco na Santa Eucaristia, fazei que estejamos sempre convosco, que vos façamos companhia aos pés do Sacrário, e não percamos, por culpa nossa, um só dos momentos passados diante de Vós. Ó amado Jesus, nosso Tudo, aí estais e nos convidais a fazer-vos companhia; não deveríamos pois precipitar-nos para Vós? Ou iríamos passar em outro lugar um só dos momentos que nos permitis ficar aos vossos pés?

Na Santa Eucaristia estais todo inteiro, perfeitamente vivo, ó amado Jesus, tão plenamente como outrora na casa da santa Família de Nazaré, na casa de Madalena em Betânia, ou entre vossos Apóstolos. Do mesmo modo aqui estais, ó meu amado e meu tudo!Oh! Fazei que jamais nos afastemos da Presença da Santa Eucaristia, durante um só dos momentos que nos permitis passar convosco!”.

Beato Charles de Foucauld
Veremos a Deus
Obras Espirituais, p. 786

CORPUS CHRISTI – Mártir por amor à Eucaristia



Solenidade
11 de junho

Uma história sobre o verdadeiro valor e zelo que devemos ter pela Eucaristia

“Alguns meses antes de sua morte, o Bispo Fulton J. Sheen foi entrevistado pela rede nacional de televisão: ‘Bispo Sheen, o senhor inspirou milhares de pessoas em todo o mundo. Quem inspirou o senhor? Foi acaso um Papa?’. O Bispo Sheen respondeu que sua maior inspiração não foi um Papa, um Cardeal ou outro Bispo, e nem sequer um sacerdote ou monja. Foi uma menina chinesa de onze anos de idade.

Explicou que quando os comunistas se apoderaram da China, houve uma perseguição a religiosos e sacerdotes. Um desses sacerdotes contou-lhe o que havia acontecido em sua paróquia. Disse que o prenderam e o encarceraram em sua própria casa paroquial, em frente à Igreja. E que de sua janela, o sacerdote observou aterrado como os comunistas invadiram a Igreja e dirigiram-se ao altar. Cheios de ódio profanaram o sacrário, pegaram o cibório e atiraram-no ao chão, espalhando as Hóstias Consagradas. Como eram tempos de perseguição, o sacerdote havia tomado a precaução de saber exatamente quantas Hóstias havia no cibório: trinta e duas.

Depois do feito, os comunistas se retiraram, deixando um guarda para vigiá-lo e não permitir que celebrasse as Missas. Quando saíram da Igreja talvez não tivessem se dado conta ou não prestaram atenção a uma pequena menina que rezava na penumbra do fundo da Igreja. A pequena viu tudo o que havia sucedido e depois foi para sua casa. Mas naquela noite ela voltou e, evitando o guarda que vigiava a casa paroquial onde estava recluso o sacerdote, entrou na Igreja vazia, cheia de destroços e, o mais importante, com as Hóstias Consagradas espalhadas pelo chão.


Ali, se ajoelhou na parte de trás e permaneceu rezando e adorando durante uma hora. Um ato de amor para reparar um ato de ódio. Depois de sua hora santa, levantou-se e caminhou silenciosamente em direção ao presbitério. Lá se ajoelhou e, abaixando a cabeça até o solo, com sua língua tomou uma das Sagradas Espécies, recebendo a Jesus na Sagrada Comunhão. Naquela época ainda não estavam vigentes as atuais normas sobre a comunhão e não era permitido aos leigos tocar a Hóstia com suas mãos.

A pequena menina continuou voltando escondida a cada noite, fazendo sua hora santa e aproximando-se depois do presbitério para receber ao Corpo de Cristo, seu amado Jesus Eucarístico em sua língua. Na trigésima segunda noite, depois de haver consumido a última Hóstia, tropeçou provocando acidentalmente um ruído que despertou o guarda. A pequena tentou fugir mas o guarda correu atrás dela, agarrou-a e golpeou-a até matá-la com a culatra de seu rifle.

Esse ato de martírio heróico foi presenciado pelo sacerdote que, profundamente abatido e aterrorizado, viu tudo da janela de seu quarto convertido em cela de prisão, e de onde não podia fazer nada.

O Bispo Sheen contou ao entrevistador que quando escutou este relato, sofreu um impacto muito grande e ficou de tal forma impressionado, que se sentiu inspirado a prometer a Deus que faria uma hora santa de adoração diante de Jesus Sacramentado todos os dias, pelo resto de sua vida. Se aquela pequenina menina pôde dar testemunho com sua vida da real e bela Presença de Jesus no Santíssimo Sacramento, então o Bispo via-se obrigado ao mesmo. Seu único desejo desde então, seria atrair o mundo ao Coração Ardente de Jesus no Santíssimo Sacramento.

A pequena ensinou ao Bispo o verdadeiro valor e zelo que se deve ter pela Eucaristia; como a fé pode sobrepor-se a todo medo e como o verdadeiro amor a Jesus na Eucaristia deve transcender a própria vida.

O que se esconde na Hóstia Sagrada é a glória de Seu amor. Todo o criado é um reflexo da realidade suprema que é Jesus Cristo. O sol no céu é apenas um símbolo do Filho de Deus no Santíssimo Sacramento e por isso muitos ostensórios têm a representação dos raios de sol. Assim como o sol é a fonte natural de toda energia, o Santíssimo Sacramento é a fonte sobrenatural de toda graça e amor. O Santíssimo Sacramento é Jesus, a Luz do mundo!”.

Padre Martin Lucía
Artigo "Let the Son Shine"
Cit.por religionenlibertad

CORPUS CHRISTI – Muito amor à Eucaristia





Senhor, fazei nosso coração semelhante ao vosso!


CORPUS CHRISTI – A Hóstia, Pão do vosso Sacramento



Solenidade
11 de junho

“Durante a consagração e a comunhão, me oferecerei a Vós, meu Senhor, com muito amor, dizendo-vos de todo o coração, com profunda reverência, que, como vos ofereceis ao Pai por mim e pela minha salvação, assim quero oferecer-me todo à sua Divina Majestade, e dedicar-me com todas as minhas forças ao serviço do seu Reino.

Senhor, parti-me como o Pão do vosso Sacramento, dobrai-me, torcei-me se necessário, nas espirais de vossa vontade, contanto que esteja em comunhão com a Hóstia partida no cálice, minha fonte da única paz”.

Servo de Deus Monsenhor Giuseppe Canovai
Suscipe Domine, pp. 254.295

CORPUS CHRISTI – Eucaristia, amor que transforma o mundo



Solenidade
11 de junho

Eucaristia, amor que transforma o mundo, explica Papa

Meditação na festa de Corpus Christi

CIDADE DO VATICANO, domingo, 14 de junho de 2009 (ZENIT.org)- A Eucaristia, explica Bento XVI, é o mistério do amor que tudo transforma, e que, portanto, transforma uma realidade tão simples, como o pão, para converter-se em presença de Deus na história.

Esta foi a reflexão cheia de esperança que o pontífice propôs aos milhares de fiéis que congregaram-se neste domingo ao meio-dia, sob um forte sol, na praça de São Pedro, para participar da oração mariana do Angelus, na solenidade do Corpus Christi.

O Corpus Christi, disse, falando da janela de seu apartamento, “é uma manifestação de Deus, um testemunho de que Deus é amor”.

“De maneira única e peculiar, esta festa nos fala do amor divino, do que é e do que faz. Diz-nos, por exemplo, que regenera ao entregar-se a si mesmo, que se recebe ao dar.”

Segundo o Papa, o amor “tudo transforma e, portanto, compreende-se que no centro desta festa do Corpus Christi encontra-se o mistério da transubstanciação, sinal de Jesus-Caridade, que transforma o mundo”.

“Ao contemplá-lo e adorá-lo, dizemos: sim, o amor existe, e dado que existe, as coisas podem mudar para melhor e nós podemos ter esperança. A esperança que procede do amor de Cristo nos dá força para viver e enfrentar as dificuldades.”

Por isso, disse o Papa, “cantamos, enquanto levamos em procissão o Santíssimo Sacramento; cantamos e louvamos a Deus que se revelou a nós escondendo-se no sinal do pão partido.

Deste Pão todos temos necessidade, pois é longo e cansativo o caminho para a liberdade, a justiça e a paz”.

Em Roma, Bento XVI celebrou o Corpus Christi na quinta-feira passada, festa litúrgica original, presidindo à missa ao ar livre na Basílica de São João de Latrão e a procissão pela rua que leva até a Basílica de Santa Maria Maior.

Santo Padre Papa Bento XVI
Oração mariana do Angelus, na solenidade do Corpus Christi

CORPUS CHRISTI – Bento XVI pede que os padres sejam exemplo de verdadeira devoção à Eucaristia



Solenidade
11 de junho

Bento XVI pede que padres sejam exemplo de verdadeira devoção à Eucaristia
Verdadeira devoção requer “veneração” e “respeito” pela liturgia; oração não deve ser “superficial e apressada”

ROMA, quinta-feira, 11 de junho de 2009 (ZENIT.org)- Às vésperas do início do Ano Sacerdotal (19 de junho), Bento XVI pediu que os sacerdotes sejam para os fiéis exemplo de uma “verdadeira devoção à Eucaristia”, cultivando pelo Corpo e Sangue do Senhor o amor “livre e puro que nos faz dignos ministros de Cristo”.

No início da noite de hoje (19h do horário de Roma), o Papa presidiu à Missa de Corpus Christi na Basílica de São João de Latrão. Após a celebração, o pontífice liderou a procissão até a Basílica de Santa Maria Maior e concedeu a bênção eucarística.

Em sua homilia, já com indicações do que espera para o Ano Sacerdotal, o Papa fez um apelo especial aos sacerdotes.

“Só a partir da união com Jesus pode-se ter aquela fecundidade espiritual que é fonte de esperança em seu ministério pastoral”, disse.

Bento XVI citou palavras de São Leão Magno, para fazer compreender que a participação no Corpo e Sangue de Cristo deve ter como objetivo fundamental “nos transformar naquilo que recebemos".

“Ser Eucaristia! Seja este o nosso desejo e esforço constante, para que a oferta do Corpo e Sangue do Senhor que fazemos sobre o altar esteja acompanhada do sacrifício das nossas vidas”, assinalou.

O Papa pediu que, “todos os dias”, os padres cultivem pelo Corpo e Sangue do Senhor “aquele amor livre e puro que nos faz dignos ministros de Cristo e testemunhas da sua alegria”.

Segundo o Pontífice, o que os fiéis esperam de um padre é “o exemplo de que é uma verdadeira devoção à Eucaristia; o amor que se vê ao passar longos momentos de silêncio e de adoração diante de Jesus”.


Bento XVI apontou o risco de se ter a fé como um dado já adquirido, principalmente em tempos em que se observa o risco de uma secularização intrínseca na Igreja.

Esta secularização interna pode-se “traduzir em um culto eucarístico formal e vazio, em celebrações destituídas daquela participação do coração que se exprime na veneração e no respeito pela liturgia”.

“É sempre forte a tentação de reduzir a oração a momentos superficiais e apressados, deixando-se submergir pelas atividades e preocupações terrenas”, disse o Papa.

‘O pão nosso de cada dia nos dai hoje’ –expressão do Pai Nosso–, segundo Bento XVI, remete-se também “ao pão da vida eterna que é dado na Santa Missa, a fim de que desde agora o mundo futuro comece em nós”.

“Com a Eucaristia, portanto, o céu vem sobre a terra, o advir de Deus ergue-se no presente, e o tempo é abraçado pela eternidade divina”, disse.

O Papa não escondeu sua alegria ao poder acompanhar Cristo Sacramentado pela Via Merulana, que leva da Basílica de São João de Latrão à Basílica de Santa Maria Maior.

O Papa acompanhava a Eucaristia ajoelhado em um genuflexório, em cima de uma caminhonete branca coberta com um toldo, quando caía a noite sobre a Cidade Eterna.

Os fiéis, com velas nas mãos, faziam do seu silêncio uma profissão de fé.

Santo Padre Papa Bento XVI
Homilia da Missa de Corpus Christi na Basílica de São João de Latrão

terça-feira, 9 de junho de 2009

ANO SACERDOTAL - Responsabilidade do sacerdote requer formação exigente



Audiência do Papa com o Seminário Francês de Roma

Papa afirma que responsabilidade do sacerdote requer formação exigente

CIDADE DO VATICANO, domingo, 7 de junho de 2009 (ZENIT.org)- A extraordinária responsabilidade do sacerdote, a quem são confiadas almas pelas quais Cristo deu sua vida, requer uma formação exigente, reconhece Bento XVI. Esta formação, esclarece, deve promover “a maturidade humana, as qualidades espirituais, o zelo apostólico e o rigor intelectual”.

O Pontífice traçou as características fundamentais que devem fazer parte da formação do futuro sacerdote, ao receber, neste sábado, a comunidade do Seminário Francês de Roma, onde vivem seminaristas e sacerdotes que estudam nas universidades pontifícias da Cidade Eterna.

A audiência foi realizada no momento em que os sacerdotes da Congregação do Espírito Santo, que fundaram e dirigiram este seminário desde 1853, passam a responsabilidade à Conferência Episcopal da França, ao não poder continuar garantindo esta função por falta de religiosos.

Nestes 156 anos de vida, o seminário formou 4.800 estudantes de todas as dioceses francesas e de vários países do mundo. Cerca de 60 dos atuais Bispos da França e do mundo – alguns Cardeais – estudaram neste seminários, assim como o Patriarca ortodoxo de Constantinopla, Bartolomeu I. Como explica a Zenit o Pe. Jean-Baptiste Edart, Prefeito de estudos do seminário, este centro acolhe seminaristas e sacerdotes de várias nacionalidades, alguns ortodoxos ou católicos que não são de rito latino.

“A tarefa de formar sacerdotes é uma missão delicada”, explicou o Papa no discurso que dirigiu à comunidade do seminário, que neste domingo participou de uma missa presidida pelo Cardeal André Vingt-Trois, Arcebispo de Paris e presidente da Conferência Episcopal da França na Basílica de São Pedro, por ocasião da solenidade da Santíssima Trindade, para agradecer o serviço prestado pela Congregação do Espírito Santo.

“A formação proposta no seminário é exigente, pois uma porção do Povo de Deus será confiada à solicitude pastoral dos futuros sacerdotes, esse povo que Cristo salvou e pelo qual deu sua vida”, acrescentou.


Segundo o Bispo de Roma, “é conveniente que os seminaristas recordem que a Igreja é exigente com eles, pois terão de cuidar daqueles a quem Cristo atraiu para si por um preço tão alto”.

O Papa enumerou assim “as aptidões que se pedem aos futuros sacerdotes”: “maturidade humana, qualidades espirituais, zelo apostólico, rigor intelectual. Para alcançar estas virtudes – disse –, os candidatos ao sacerdócio não só devem poder vê-las em seus formadores, mas devem poder ser os primeiros beneficiários destas qualidades vividas e dispensadas por aqueles que têm a tarefa de fazê-los crescer.”

“É uma lei da nossa humanidade e da nossa fé o fato de que, com grande frequência, não somos capazes de dar o que não recebemos de Deus através das mediações eclesiais e humanas que ele instituiu.”

“Quem tem a tarefa do discernimento e da formação deve recordar que a esperança que tem pelos demais é, em primeiro lugar, um dever para ele mesmo.”

Às vésperas do ano sacerdotal, o Papa traçou este perfil do presbítero citando uma descrição do cardeal Emmanuel Suhard (1874-1949), arcebispo de Paris durante a 2ª Guerra Mundial: “Eterno paradoxo o do sacerdote: ele tem em si dois contrários. Concilia, com o preço de sua vida, a fidelidade a Deus e a fidelidade ao homem. Parece pobre e sem forças... Não tem nem os meios políticos, nem os recursos financeiros, nem a força das armas, recursos dos quais os outros se servem para conquistar a terra. Sua força consiste em estar desarmado e poder tudo n’Aquele que o fortalece”.

“Que estas palavras que evocam tão bem a figura do Santo Cura de Ars”, São João Maria Vianney, padroeiro dos párocos, em honra de quem o Papa convocou o ano do sacerdócio, pois se celebrarão os 150 anos do seu falecimento, “permitam que numerosos jovens cristãos da França, que desejam uma vida útil e fecunda para servir ao amor de Deus, escutem este chamado vocacional”, concluiu Bento XVI.

Santo Padre Papa Bento XVI
Audiência no Pontifício Seminário Gallicum de Roma

ANO SACERDOTAL - Formar padres é uma missão delicada



Bento XVI afirmou à comunidade do Seminário francês de Roma que formar padres é uma missão delicada

Maturidade humana, qualidades espirituais, zelo apostólico e rigor intelectual são para Bento XVI as aptidões que se requerem aos futuros padres. O Papa recebeu em audiência especial neste sábado, 06 de junho, na Sala Clementina do palácio Apostólico do Vaticano, padres e frades da Congregação do Espírito Santo e prelados e membros do Pontifício Seminário Gallicum de Roma (Seminário Pontifício Francês). O encontro aconteceu por conta da mudança, após 156 anos, da liderança do Seminário. Por falta de meios suficientes para prosseguir o serviço, o Seminário, fundado e regido pela Congregação do Espírito Santo, passará à responsabilidade da Conferência Episcopal Francesa.

O Papa começou por recordar a meritória atividade formativa desenvolvida, desde a origem desta instituição, pela Congregação do Espírito Santo (Espiritanos), acompanhando cerca de cinco mil seminaristas ou padres jovens, ao longo de um século e meio.

Bento XVI sublinhou que mantém toda a sua força e validade o carisma da Congregação fundada pelo venerável Pe. Liberman, nomeadamente nas missões africanas, e fez votos de que o Senhor abençoe a Congregação e as suas missões. Detendo-se depois na exigente missão de formar novos padres, observou Bento XVI:

"A tarefa de formar padres é uma missão delicada. O eterno paradoxo do sacerdote é que ele é portador em si mesmo de opostos: ele concilia, ao preço da vida, a fidelidade a Deus e ao homem. A formação proposta no seminário é exigente porque é uma porção do povo de Deus que será confiada à solicitude pastoral dos futuros padres, este povo que Cristo salvou e pelo qual deu a sua vida".

Bento XVI recordou também que a particularidade do Seminário Francês reside no fato de se encontrar "na cidade de Pedro", fazendo votos para que "no decurso da sua estadia em Roma os seminaristas possam familiarizar-se de modo privilegiado com a história da Igreja, descobrir as dimensões da sua catolicidade e a sua unidade viva à volta do sucessor de Pedro, de modo que o amor da Igreja se fixe para sempre no seu coração de pastor".

Santo Padre Papa Bento XVI
Audiência no Pontifício Seminário Gallicum de Roma
Radio Vaticano

ANO SACERDOTAL – Ano para mostrar amor da Igreja aos sacerdotes (II)



Entrevista com o Cardeal Claudio Hummes, Prefeito da Congregação para o Clero

Cardeal: Ano para mostrar amor da Igreja aos sacerdotes (II)


Continuação da entrevista


CIDADE DO VATICANO, sexta-feira, 5 de junho de 2009 (ZENIT.org)- No próximo dia 19 de junho, o Papa Bento XVI inaugurará na Basílica de São Pedro o Ano Sacerdotal, com o tema: “Fidelidade de Cristo, fidelidade do sacerdote”. Durante este ano, Bento XVI proclamará São João Maria Vianney como “padroeiro de todos os sacerdotes do mundo”. Também será publicado o “Diretório para os confessores e diretores espirituais”, assim como uma recopilação de textos do Papa sobre temas essenciais da vida e da missão sacerdotal na época atual. Zenit conversou com o Cardeal brasileiro Claudio Hummes, O.F.M., Prefeito da Congregação do Clero e Bispo emérito de São Paulo, que apresenta este Ano como “propositivo” e como uma oportunidade para que os sacerdotes recordem que “a Igreja os ama, que se preocupa com eles”. A primeira parte desta entrevista foi publicada em 04 de junho.

– Como o senhor acha que deve ser a formação de um seminarista nos âmbitos pessoal, espiritual, intelectual e litúrgico? Que aspectos acha que não podem faltar?

– Cardeal Hummes: A Igreja fala de quatro dimensões que devem ser cultivadas com os candidatos.

Em primeiro lugar, a dimensão humana, a afetiva – toda questão de sua pessoa –, sua natureza, sua dignidade e uma maturidade afetiva normal. Isso é importante, porque é a base.

Depois está a dimensão espiritual. Hoje nos encontramos diante de uma cultura que já não é nem cristã nem religiosa. Portanto, é ainda mais necessário desenvolver bem a espiritualidade nos candidatos.

Existe também a dimensão intelectual. É necessário estudar filosofia e teologia para que os sacerdotes sejam capazes de falar e de anunciar Jesus Cristo e sua mensagem hoje, de modo que se evidencie toda a riqueza do diálogo entre a fé e a razão humana. Deus é o Logos de tudo e Jesus Cristo é sua explicação.

Depois, obviamente, está a dimensão de apostolado, ou seja, deve-se preparar estes candidatos para ser pastores no mundo de hoje. Neste âmbito pastoral, hoje é muito importante a identidade missionária. Os sacerdotes devem ter não só uma preparação, mas também um estímulo forte para não limitar-se só a receber e oferecer o serviço àqueles que vem para vê-los, mas também para sair em busca das pessoas que não vão à Igreja, sobretudo daqueles batizados que se afastaram porque não foram suficientemente evangelizados, e que têm o direito de sê-lo, porque prometemos levar Jesus Cristo, educar na fé. Isso muitas vezes não se fez ou se fez muito pouco. O sacerdote deve ir em missão e preparar sua comunidade para que vá anunciar Jesus Cristo às pessoas, ao menos àqueles que estão no território de sua paróquia, mas também mais além desta. Hoje, esta dimensão missionária é muito importante. O discípulo se converte em missionário com sua adesão entusiasta, alegre a Cristo, capaz de revestir d’Ele incondicionalmente toda sua vida. Devemos ser como os discípulos: fervorosos, missionários, alegres. Nisto consiste a chave, o segredo.


– Que atividades especiais vão realizar neste ano, tanto para os jovens como para os próprios sacerdotes?

– Cardeal Hummes: Haverá iniciativas no âmbito da Igreja universal, mas o ano do sacerdote deve ser celebrado também a nível local. Ou seja, nas igrejas locais, nas dioceses e nas paróquias, porque os sacerdotes são os ministros do povo e devem incluir as comunidades. As dioceses devem impulsionar iniciativas tanto de aprofundamento como de celebração, para levar aos sacerdotes a mensagem de que a Igreja os ama, respeita, admira e se sente orgulhosa deles.

O Papa abrirá o Ano Sacerdotal em 19 de junho, na Festa do Sagrado Coração de Jesus, porque é a Jornada Mundial de Oração pela Santificação dos Sacerdotes. Haverá vésperas solenes celebradas na basílica vaticana, estará presente a relíquia do Cura d’Ars. Seu coração estará na Basílica como sinal da importância que o Papa quer dar aos sacerdotes. Esperamos que muitos sacerdotes estejam presentes.

O encerramento acontecerá um ano depois. Ainda está por definir-se a data exata do grande encontro do Papa com os sacerdotes, ao qual estão convidadas todas as dioceses. Haverá outras muitas iniciativas. Estamos pensando também em realizar um congresso teológico internacional nos dias precedentes ao encerramento. Também haverá exercícios espirituais. Esperamos também poder envolver as universidades católicas, para que possam aprofundar no sentido do sacerdócio, na teologia do sacerdócio e em todos os temas que são importantes para os sacerdotes.

– O senhor poderia falar-nos agora dos desafios que um sacerdote enfrenta nesta sociedade tão anti-religiosa? Como crê que pode permanecer fiel a sua vocação?

– Cardeal Hummes: Em primeiro lugar, a Igreja, através de seus seminários e formadores, deve fazer uma seleção muito rigorosa dos candidatos. Depois, é necessário ter uma boa formação, fundamentalmente na dimensão humana, intelectual, espiritual, pastoral e missionária. É fundamental recordar que o sacerdote é discípulo de Jesus Cristo e estar seguro de que tenha tido este encontro pessoal e comunitário intenso com Jesus Cristo, tenha lhe dado sua adesão. Cada missa pode ser um momento muito forte para este encontro. Mas também a leitura da Palavra de Deus.

Como dizia João Paulo II, há muitas oportunidades para testemunhar o encontro com Jesus Cristo. É fundamental ser um missionário capaz de renovar este zelo sacerdotal, de sentir-se alegre e convencido de sua missão e de conscientizar-se de que isso tem um sentido fundamental para a Igreja e para o mundo.

Sempre digo que os sacerdotes não são importantes só pelo aspecto religioso dentro da Igreja. Desempenham também um grandioso trabalho na sociedade, porque promovem os grandes valores humanos, estão muito perto dos pobres com a solidariedade, a atenção pelos direitos humanos. Creio que devemos ajudá-los para que vivam esta vocação com alegria, com muita lucidez e também com coração, para que sejam felizes, dado que se pode ser feliz no sacrifício e no cansaço.

Ser feliz não está em contradição com o sofrimento. Jesus não era infeliz na cruz. Sofria tremendamente, mas estava feliz, porque sabia que o fazia por amor e que isto tinha um sentido fundamental para a salvação do mundo. Era um gesto de fidelidade a seu Pai.

– Que outros santos o senhor acha acha que podem ser modelos para o sacerdote de hoje?

– Cardeal Hummes: Obviamente, o grande ideal é sempre Jesus Cristo, o Bom Pastor. No caso dos apóstolos, sobretudo São Paulo. Celebramos o Ano Paulino. Vê-se que ele era uma figura realmente impressionante e que pode ser sempre uma grande inspiração para os sacerdotes, sobretudo em uma sociedade que já não é cristã. Cruzou as fronteiras de Israel para ser apóstolo dos gentios, dos pagãos. Em um mundo que está se afastando tanto de qualquer manifestação religiosa, seu exemplo é fundamental. São Paulo tinha esta consciência muito forte: Jesus veio para salvar, não para condenar. É a mesma consciência que devemos ter nós diante do mundo de hoje.

Cardeal Dom Cláudio Hummes
Prefeito da Congregação para o Clero
Em entrevista a Zenit

domingo, 7 de junho de 2009

SANTÍSSIMA TRINDADE: O Mistério da Trindade



Solenidade da Santíssima Trindade
07 de junho

“O mistério da Santíssima Trindade é chamado pelos doutores da Igreja a substância do Novo Testamento, quer dizer o maior de todos os mistérios, a origem e o fundamento dos outros. Foi para o conhecerem e o contemplarem que os anjos foram criados no céu e os homens na terra. Foi para manifestar este mistério mais claramente que o próprio Deus desceu da sua morada com os anjos para junto dos homens.

O apóstolo Paulo anuncia a Trindade das pessoas e a unidade da sua natureza quando escreve: «Da parte d'Ele, por meio d'Ele e para Ele são todas as coisas. Glória a Ele pelos séculos» (Rom 11,36). Santo Agostinho escreveu, comentando esta passagem: «Estas palavras não são devidas ao acaso. ‘Da parte d'Ele’ designa o Pai, ‘por meio d'Ele’ designa o Filho e ‘para Ele’ designa o Espírito Santo». Com justeza a Igreja tem o hábito de atribuir ao Pai as obras da Divindade onde resplandece o poder, ao Filho aquelas onde resplandece a sabedoria e ao Espírito Santo aquelas onde resplandece o amor. Não que todas as perfeições e obras exteriores não sejam comuns às pessoas divinas: «as obras da Trindade são indivisíveis, como a essência da Trindade é indivisível» (Sto Agostinho).

Mas, por uma certa comparação, uma certa afinidade entre estas obras e as propriedades das pessoas, as obras são atribuídas ou «apropriadas» como se diz, a uma das pessoas mais do que às outras. De algum modo, o Pai, que é «o princípio de toda a divindade» (Sto Agostinho), é também a causa eficiente de todas as coisas, da encarnação do Verbo, e da santificação das almas: «tudo Lhe pertence». Mas o Filho, o Verbo, a Palavra de Deus e a imagem de Deus, é também a causa-modelo, o arquétipo; d'Ele tudo o que foi criado recebe a sua forma e a sua beleza, a ordem e a harmonia. Ele é para nós «o caminho, a verdade e a vida» (Jo 14,6), o reconciliador do homem com Deus: «tudo é por meio d'Ele». O Espírito Santo é a causa última de todas as coisas, a bondade divina e o amor mútuo do Pai e do Filho; pelo Seu poder mais doce, completa o amor mútuo do Pai e do Filho; pelo Seu poder mais doce, completa a obra escondida da salvação eterna do homem e leva-a à perfeição: «tudo é para Ele»”.

Santo Padre Papa Leão XIII
Da Encíclica «Divinum Illud Munus»

SANTÍSSIMA TRINDADE: Oração à Santíssima Trindade



Solenidade da Santíssima Trindade
07 de junho

“Ó benigna Trindade,
Pai, Filho e Espírito Santo, um só Deus,
ensina-me, dirige-me, ajuda-me
segundo a minha esperança.
Pai, com o teu poder,
fixa a minha memória em ti
e enche-a de santos e divinos pensamentos.
Filho, com a tua sabedoria eterna,
ilumina a minha inteligência
com o conhecimento da suprema verdade.
Espírito Santo, amor do Pai e do Filho,
leva para ti a minha vontade
e abrasa-a nas chamas ardentes da tua caridade.
Possa eu, ó adorável Trindade,
louvar-te e amar-te tão perfeitamente
como os santos e os anjos no céu”.

D. Louis de Blois, OSB
Abade de Liesse, autor ascético e espiritual
“L’Institution Spirituelle”

SANTÍSSIMA TRINDADE - Reconhecendo a glória da Trindade



Solenidade da Santíssima Trindade
07 de junho

“Reconhecendo a glória da Trindade eterna, adorando a sua omnipotente unidade"

”A verdade sobre a Santíssima Trindade tinha-me sido exposta por teólogos, mas nunca a compreendi como a compreendo agora, depois daquilo que Deus me mostrou. Foram-me representadas três Pessoas distintas, que podem ser consideradas e com quem se pode conviver em separado. Percebi depois que só o Filho encarnou, o que mostra claramente a realidade desta distinção. Estas Pessoas conhecem-se, amam-se e comunicam entre si. Mas, se as três Pessoas são distintas, como dizemos que têm, todas três, uma mesma essência? Com efeito, é nisso que acreditamos; trata-se de uma verdade absoluta, pela qual estaria disposta a sofrer mil vezes a morte. Estas três Pessoas têm um único querer, um só poder, uma única soberania, de tal maneira que nenhuma delas pode coisa alguma sem as outras, e que há um só Criador de tudo quanto foi criado. Poderia o Filho criar uma formiga que fosse sem o Pai? Não, porque Eles têm um mesmo poder. E o mesmo acontece com o Espírito Santo.

Assim, há um só Deus Todo-Poderoso, e as três Pessoas constituem uma só Majestade. Poderá alguém amar o Pai sem amar o Filho e o Espírito Santo? Não, mas aquele que se torna agradável a uma destas três Pessoas torna-se agradável às três, e aquele que ofende uma delas ofende as outras duas. Poderá o Pai existir sem o Filho e sem o Espírito Santo? Não, porque têm uma mesma essência, e onde se encontra uma Pessoa encontram-se as outras duas, porque não podem separar-se.

Como é então que vemos três Pessoas distintas? Como é que o Filho encarnou, sem que o Pai e o Espírito Santo tenham encarnado? Eu não o compreendo; os teólogos sabem explicá-lo. O que eu sei é que as três Pessoas concorreram para esta obra maravilhosa. De resto, não me detenho durante muito tempo em questões deste gênero; o meu espírito passa imediatamente à verdade de que Deus é Todo-Poderoso e de que, tendo-o querido, pôde fazê-lo, e poderia, da mesma maneira, fazer tudo o que quisesse. Quanto menos compreendo estas coisas, mais acredito nelas, e mais devoção delas retiro. Bendito seja Deus para sempre! Amém”.

Santa Teresa de Jesus, ocd
Contas de consciência, nº 33
Obras Completas(Editorial Monte Carmelo)