terça-feira, 9 de junho de 2009

ANO SACERDOTAL - Responsabilidade do sacerdote requer formação exigente



Audiência do Papa com o Seminário Francês de Roma

Papa afirma que responsabilidade do sacerdote requer formação exigente

CIDADE DO VATICANO, domingo, 7 de junho de 2009 (ZENIT.org)- A extraordinária responsabilidade do sacerdote, a quem são confiadas almas pelas quais Cristo deu sua vida, requer uma formação exigente, reconhece Bento XVI. Esta formação, esclarece, deve promover “a maturidade humana, as qualidades espirituais, o zelo apostólico e o rigor intelectual”.

O Pontífice traçou as características fundamentais que devem fazer parte da formação do futuro sacerdote, ao receber, neste sábado, a comunidade do Seminário Francês de Roma, onde vivem seminaristas e sacerdotes que estudam nas universidades pontifícias da Cidade Eterna.

A audiência foi realizada no momento em que os sacerdotes da Congregação do Espírito Santo, que fundaram e dirigiram este seminário desde 1853, passam a responsabilidade à Conferência Episcopal da França, ao não poder continuar garantindo esta função por falta de religiosos.

Nestes 156 anos de vida, o seminário formou 4.800 estudantes de todas as dioceses francesas e de vários países do mundo. Cerca de 60 dos atuais Bispos da França e do mundo – alguns Cardeais – estudaram neste seminários, assim como o Patriarca ortodoxo de Constantinopla, Bartolomeu I. Como explica a Zenit o Pe. Jean-Baptiste Edart, Prefeito de estudos do seminário, este centro acolhe seminaristas e sacerdotes de várias nacionalidades, alguns ortodoxos ou católicos que não são de rito latino.

“A tarefa de formar sacerdotes é uma missão delicada”, explicou o Papa no discurso que dirigiu à comunidade do seminário, que neste domingo participou de uma missa presidida pelo Cardeal André Vingt-Trois, Arcebispo de Paris e presidente da Conferência Episcopal da França na Basílica de São Pedro, por ocasião da solenidade da Santíssima Trindade, para agradecer o serviço prestado pela Congregação do Espírito Santo.

“A formação proposta no seminário é exigente, pois uma porção do Povo de Deus será confiada à solicitude pastoral dos futuros sacerdotes, esse povo que Cristo salvou e pelo qual deu sua vida”, acrescentou.


Segundo o Bispo de Roma, “é conveniente que os seminaristas recordem que a Igreja é exigente com eles, pois terão de cuidar daqueles a quem Cristo atraiu para si por um preço tão alto”.

O Papa enumerou assim “as aptidões que se pedem aos futuros sacerdotes”: “maturidade humana, qualidades espirituais, zelo apostólico, rigor intelectual. Para alcançar estas virtudes – disse –, os candidatos ao sacerdócio não só devem poder vê-las em seus formadores, mas devem poder ser os primeiros beneficiários destas qualidades vividas e dispensadas por aqueles que têm a tarefa de fazê-los crescer.”

“É uma lei da nossa humanidade e da nossa fé o fato de que, com grande frequência, não somos capazes de dar o que não recebemos de Deus através das mediações eclesiais e humanas que ele instituiu.”

“Quem tem a tarefa do discernimento e da formação deve recordar que a esperança que tem pelos demais é, em primeiro lugar, um dever para ele mesmo.”

Às vésperas do ano sacerdotal, o Papa traçou este perfil do presbítero citando uma descrição do cardeal Emmanuel Suhard (1874-1949), arcebispo de Paris durante a 2ª Guerra Mundial: “Eterno paradoxo o do sacerdote: ele tem em si dois contrários. Concilia, com o preço de sua vida, a fidelidade a Deus e a fidelidade ao homem. Parece pobre e sem forças... Não tem nem os meios políticos, nem os recursos financeiros, nem a força das armas, recursos dos quais os outros se servem para conquistar a terra. Sua força consiste em estar desarmado e poder tudo n’Aquele que o fortalece”.

“Que estas palavras que evocam tão bem a figura do Santo Cura de Ars”, São João Maria Vianney, padroeiro dos párocos, em honra de quem o Papa convocou o ano do sacerdócio, pois se celebrarão os 150 anos do seu falecimento, “permitam que numerosos jovens cristãos da França, que desejam uma vida útil e fecunda para servir ao amor de Deus, escutem este chamado vocacional”, concluiu Bento XVI.

Santo Padre Papa Bento XVI
Audiência no Pontifício Seminário Gallicum de Roma

ANO SACERDOTAL - Formar padres é uma missão delicada



Bento XVI afirmou à comunidade do Seminário francês de Roma que formar padres é uma missão delicada

Maturidade humana, qualidades espirituais, zelo apostólico e rigor intelectual são para Bento XVI as aptidões que se requerem aos futuros padres. O Papa recebeu em audiência especial neste sábado, 06 de junho, na Sala Clementina do palácio Apostólico do Vaticano, padres e frades da Congregação do Espírito Santo e prelados e membros do Pontifício Seminário Gallicum de Roma (Seminário Pontifício Francês). O encontro aconteceu por conta da mudança, após 156 anos, da liderança do Seminário. Por falta de meios suficientes para prosseguir o serviço, o Seminário, fundado e regido pela Congregação do Espírito Santo, passará à responsabilidade da Conferência Episcopal Francesa.

O Papa começou por recordar a meritória atividade formativa desenvolvida, desde a origem desta instituição, pela Congregação do Espírito Santo (Espiritanos), acompanhando cerca de cinco mil seminaristas ou padres jovens, ao longo de um século e meio.

Bento XVI sublinhou que mantém toda a sua força e validade o carisma da Congregação fundada pelo venerável Pe. Liberman, nomeadamente nas missões africanas, e fez votos de que o Senhor abençoe a Congregação e as suas missões. Detendo-se depois na exigente missão de formar novos padres, observou Bento XVI:

"A tarefa de formar padres é uma missão delicada. O eterno paradoxo do sacerdote é que ele é portador em si mesmo de opostos: ele concilia, ao preço da vida, a fidelidade a Deus e ao homem. A formação proposta no seminário é exigente porque é uma porção do povo de Deus que será confiada à solicitude pastoral dos futuros padres, este povo que Cristo salvou e pelo qual deu a sua vida".

Bento XVI recordou também que a particularidade do Seminário Francês reside no fato de se encontrar "na cidade de Pedro", fazendo votos para que "no decurso da sua estadia em Roma os seminaristas possam familiarizar-se de modo privilegiado com a história da Igreja, descobrir as dimensões da sua catolicidade e a sua unidade viva à volta do sucessor de Pedro, de modo que o amor da Igreja se fixe para sempre no seu coração de pastor".

Santo Padre Papa Bento XVI
Audiência no Pontifício Seminário Gallicum de Roma
Radio Vaticano

ANO SACERDOTAL – Ano para mostrar amor da Igreja aos sacerdotes (II)



Entrevista com o Cardeal Claudio Hummes, Prefeito da Congregação para o Clero

Cardeal: Ano para mostrar amor da Igreja aos sacerdotes (II)


Continuação da entrevista


CIDADE DO VATICANO, sexta-feira, 5 de junho de 2009 (ZENIT.org)- No próximo dia 19 de junho, o Papa Bento XVI inaugurará na Basílica de São Pedro o Ano Sacerdotal, com o tema: “Fidelidade de Cristo, fidelidade do sacerdote”. Durante este ano, Bento XVI proclamará São João Maria Vianney como “padroeiro de todos os sacerdotes do mundo”. Também será publicado o “Diretório para os confessores e diretores espirituais”, assim como uma recopilação de textos do Papa sobre temas essenciais da vida e da missão sacerdotal na época atual. Zenit conversou com o Cardeal brasileiro Claudio Hummes, O.F.M., Prefeito da Congregação do Clero e Bispo emérito de São Paulo, que apresenta este Ano como “propositivo” e como uma oportunidade para que os sacerdotes recordem que “a Igreja os ama, que se preocupa com eles”. A primeira parte desta entrevista foi publicada em 04 de junho.

– Como o senhor acha que deve ser a formação de um seminarista nos âmbitos pessoal, espiritual, intelectual e litúrgico? Que aspectos acha que não podem faltar?

– Cardeal Hummes: A Igreja fala de quatro dimensões que devem ser cultivadas com os candidatos.

Em primeiro lugar, a dimensão humana, a afetiva – toda questão de sua pessoa –, sua natureza, sua dignidade e uma maturidade afetiva normal. Isso é importante, porque é a base.

Depois está a dimensão espiritual. Hoje nos encontramos diante de uma cultura que já não é nem cristã nem religiosa. Portanto, é ainda mais necessário desenvolver bem a espiritualidade nos candidatos.

Existe também a dimensão intelectual. É necessário estudar filosofia e teologia para que os sacerdotes sejam capazes de falar e de anunciar Jesus Cristo e sua mensagem hoje, de modo que se evidencie toda a riqueza do diálogo entre a fé e a razão humana. Deus é o Logos de tudo e Jesus Cristo é sua explicação.

Depois, obviamente, está a dimensão de apostolado, ou seja, deve-se preparar estes candidatos para ser pastores no mundo de hoje. Neste âmbito pastoral, hoje é muito importante a identidade missionária. Os sacerdotes devem ter não só uma preparação, mas também um estímulo forte para não limitar-se só a receber e oferecer o serviço àqueles que vem para vê-los, mas também para sair em busca das pessoas que não vão à Igreja, sobretudo daqueles batizados que se afastaram porque não foram suficientemente evangelizados, e que têm o direito de sê-lo, porque prometemos levar Jesus Cristo, educar na fé. Isso muitas vezes não se fez ou se fez muito pouco. O sacerdote deve ir em missão e preparar sua comunidade para que vá anunciar Jesus Cristo às pessoas, ao menos àqueles que estão no território de sua paróquia, mas também mais além desta. Hoje, esta dimensão missionária é muito importante. O discípulo se converte em missionário com sua adesão entusiasta, alegre a Cristo, capaz de revestir d’Ele incondicionalmente toda sua vida. Devemos ser como os discípulos: fervorosos, missionários, alegres. Nisto consiste a chave, o segredo.


– Que atividades especiais vão realizar neste ano, tanto para os jovens como para os próprios sacerdotes?

– Cardeal Hummes: Haverá iniciativas no âmbito da Igreja universal, mas o ano do sacerdote deve ser celebrado também a nível local. Ou seja, nas igrejas locais, nas dioceses e nas paróquias, porque os sacerdotes são os ministros do povo e devem incluir as comunidades. As dioceses devem impulsionar iniciativas tanto de aprofundamento como de celebração, para levar aos sacerdotes a mensagem de que a Igreja os ama, respeita, admira e se sente orgulhosa deles.

O Papa abrirá o Ano Sacerdotal em 19 de junho, na Festa do Sagrado Coração de Jesus, porque é a Jornada Mundial de Oração pela Santificação dos Sacerdotes. Haverá vésperas solenes celebradas na basílica vaticana, estará presente a relíquia do Cura d’Ars. Seu coração estará na Basílica como sinal da importância que o Papa quer dar aos sacerdotes. Esperamos que muitos sacerdotes estejam presentes.

O encerramento acontecerá um ano depois. Ainda está por definir-se a data exata do grande encontro do Papa com os sacerdotes, ao qual estão convidadas todas as dioceses. Haverá outras muitas iniciativas. Estamos pensando também em realizar um congresso teológico internacional nos dias precedentes ao encerramento. Também haverá exercícios espirituais. Esperamos também poder envolver as universidades católicas, para que possam aprofundar no sentido do sacerdócio, na teologia do sacerdócio e em todos os temas que são importantes para os sacerdotes.

– O senhor poderia falar-nos agora dos desafios que um sacerdote enfrenta nesta sociedade tão anti-religiosa? Como crê que pode permanecer fiel a sua vocação?

– Cardeal Hummes: Em primeiro lugar, a Igreja, através de seus seminários e formadores, deve fazer uma seleção muito rigorosa dos candidatos. Depois, é necessário ter uma boa formação, fundamentalmente na dimensão humana, intelectual, espiritual, pastoral e missionária. É fundamental recordar que o sacerdote é discípulo de Jesus Cristo e estar seguro de que tenha tido este encontro pessoal e comunitário intenso com Jesus Cristo, tenha lhe dado sua adesão. Cada missa pode ser um momento muito forte para este encontro. Mas também a leitura da Palavra de Deus.

Como dizia João Paulo II, há muitas oportunidades para testemunhar o encontro com Jesus Cristo. É fundamental ser um missionário capaz de renovar este zelo sacerdotal, de sentir-se alegre e convencido de sua missão e de conscientizar-se de que isso tem um sentido fundamental para a Igreja e para o mundo.

Sempre digo que os sacerdotes não são importantes só pelo aspecto religioso dentro da Igreja. Desempenham também um grandioso trabalho na sociedade, porque promovem os grandes valores humanos, estão muito perto dos pobres com a solidariedade, a atenção pelos direitos humanos. Creio que devemos ajudá-los para que vivam esta vocação com alegria, com muita lucidez e também com coração, para que sejam felizes, dado que se pode ser feliz no sacrifício e no cansaço.

Ser feliz não está em contradição com o sofrimento. Jesus não era infeliz na cruz. Sofria tremendamente, mas estava feliz, porque sabia que o fazia por amor e que isto tinha um sentido fundamental para a salvação do mundo. Era um gesto de fidelidade a seu Pai.

– Que outros santos o senhor acha acha que podem ser modelos para o sacerdote de hoje?

– Cardeal Hummes: Obviamente, o grande ideal é sempre Jesus Cristo, o Bom Pastor. No caso dos apóstolos, sobretudo São Paulo. Celebramos o Ano Paulino. Vê-se que ele era uma figura realmente impressionante e que pode ser sempre uma grande inspiração para os sacerdotes, sobretudo em uma sociedade que já não é cristã. Cruzou as fronteiras de Israel para ser apóstolo dos gentios, dos pagãos. Em um mundo que está se afastando tanto de qualquer manifestação religiosa, seu exemplo é fundamental. São Paulo tinha esta consciência muito forte: Jesus veio para salvar, não para condenar. É a mesma consciência que devemos ter nós diante do mundo de hoje.

Cardeal Dom Cláudio Hummes
Prefeito da Congregação para o Clero
Em entrevista a Zenit

domingo, 7 de junho de 2009

SANTÍSSIMA TRINDADE: O Mistério da Trindade



Solenidade da Santíssima Trindade
07 de junho

“O mistério da Santíssima Trindade é chamado pelos doutores da Igreja a substância do Novo Testamento, quer dizer o maior de todos os mistérios, a origem e o fundamento dos outros. Foi para o conhecerem e o contemplarem que os anjos foram criados no céu e os homens na terra. Foi para manifestar este mistério mais claramente que o próprio Deus desceu da sua morada com os anjos para junto dos homens.

O apóstolo Paulo anuncia a Trindade das pessoas e a unidade da sua natureza quando escreve: «Da parte d'Ele, por meio d'Ele e para Ele são todas as coisas. Glória a Ele pelos séculos» (Rom 11,36). Santo Agostinho escreveu, comentando esta passagem: «Estas palavras não são devidas ao acaso. ‘Da parte d'Ele’ designa o Pai, ‘por meio d'Ele’ designa o Filho e ‘para Ele’ designa o Espírito Santo». Com justeza a Igreja tem o hábito de atribuir ao Pai as obras da Divindade onde resplandece o poder, ao Filho aquelas onde resplandece a sabedoria e ao Espírito Santo aquelas onde resplandece o amor. Não que todas as perfeições e obras exteriores não sejam comuns às pessoas divinas: «as obras da Trindade são indivisíveis, como a essência da Trindade é indivisível» (Sto Agostinho).

Mas, por uma certa comparação, uma certa afinidade entre estas obras e as propriedades das pessoas, as obras são atribuídas ou «apropriadas» como se diz, a uma das pessoas mais do que às outras. De algum modo, o Pai, que é «o princípio de toda a divindade» (Sto Agostinho), é também a causa eficiente de todas as coisas, da encarnação do Verbo, e da santificação das almas: «tudo Lhe pertence». Mas o Filho, o Verbo, a Palavra de Deus e a imagem de Deus, é também a causa-modelo, o arquétipo; d'Ele tudo o que foi criado recebe a sua forma e a sua beleza, a ordem e a harmonia. Ele é para nós «o caminho, a verdade e a vida» (Jo 14,6), o reconciliador do homem com Deus: «tudo é por meio d'Ele». O Espírito Santo é a causa última de todas as coisas, a bondade divina e o amor mútuo do Pai e do Filho; pelo Seu poder mais doce, completa o amor mútuo do Pai e do Filho; pelo Seu poder mais doce, completa a obra escondida da salvação eterna do homem e leva-a à perfeição: «tudo é para Ele»”.

Santo Padre Papa Leão XIII
Da Encíclica «Divinum Illud Munus»

SANTÍSSIMA TRINDADE: Oração à Santíssima Trindade



Solenidade da Santíssima Trindade
07 de junho

“Ó benigna Trindade,
Pai, Filho e Espírito Santo, um só Deus,
ensina-me, dirige-me, ajuda-me
segundo a minha esperança.
Pai, com o teu poder,
fixa a minha memória em ti
e enche-a de santos e divinos pensamentos.
Filho, com a tua sabedoria eterna,
ilumina a minha inteligência
com o conhecimento da suprema verdade.
Espírito Santo, amor do Pai e do Filho,
leva para ti a minha vontade
e abrasa-a nas chamas ardentes da tua caridade.
Possa eu, ó adorável Trindade,
louvar-te e amar-te tão perfeitamente
como os santos e os anjos no céu”.

D. Louis de Blois, OSB
Abade de Liesse, autor ascético e espiritual
“L’Institution Spirituelle”

SANTÍSSIMA TRINDADE - Reconhecendo a glória da Trindade



Solenidade da Santíssima Trindade
07 de junho

“Reconhecendo a glória da Trindade eterna, adorando a sua omnipotente unidade"

”A verdade sobre a Santíssima Trindade tinha-me sido exposta por teólogos, mas nunca a compreendi como a compreendo agora, depois daquilo que Deus me mostrou. Foram-me representadas três Pessoas distintas, que podem ser consideradas e com quem se pode conviver em separado. Percebi depois que só o Filho encarnou, o que mostra claramente a realidade desta distinção. Estas Pessoas conhecem-se, amam-se e comunicam entre si. Mas, se as três Pessoas são distintas, como dizemos que têm, todas três, uma mesma essência? Com efeito, é nisso que acreditamos; trata-se de uma verdade absoluta, pela qual estaria disposta a sofrer mil vezes a morte. Estas três Pessoas têm um único querer, um só poder, uma única soberania, de tal maneira que nenhuma delas pode coisa alguma sem as outras, e que há um só Criador de tudo quanto foi criado. Poderia o Filho criar uma formiga que fosse sem o Pai? Não, porque Eles têm um mesmo poder. E o mesmo acontece com o Espírito Santo.

Assim, há um só Deus Todo-Poderoso, e as três Pessoas constituem uma só Majestade. Poderá alguém amar o Pai sem amar o Filho e o Espírito Santo? Não, mas aquele que se torna agradável a uma destas três Pessoas torna-se agradável às três, e aquele que ofende uma delas ofende as outras duas. Poderá o Pai existir sem o Filho e sem o Espírito Santo? Não, porque têm uma mesma essência, e onde se encontra uma Pessoa encontram-se as outras duas, porque não podem separar-se.

Como é então que vemos três Pessoas distintas? Como é que o Filho encarnou, sem que o Pai e o Espírito Santo tenham encarnado? Eu não o compreendo; os teólogos sabem explicá-lo. O que eu sei é que as três Pessoas concorreram para esta obra maravilhosa. De resto, não me detenho durante muito tempo em questões deste gênero; o meu espírito passa imediatamente à verdade de que Deus é Todo-Poderoso e de que, tendo-o querido, pôde fazê-lo, e poderia, da mesma maneira, fazer tudo o que quisesse. Quanto menos compreendo estas coisas, mais acredito nelas, e mais devoção delas retiro. Bendito seja Deus para sempre! Amém”.

Santa Teresa de Jesus, ocd
Contas de consciência, nº 33
Obras Completas(Editorial Monte Carmelo)

SANTÍSSIMA TRINDADE – Uma Fonte que brota e inunda



Solenidade da Santíssima Trindade
07 de junho

«Um só Deus, um só Senhor, na trindade das pessoas e na unidade da sua natureza»

Sei de uma fonte que brota e inunda,
Mas fica nas profundezas da noite.

Esta fonte eterna mantém-se escondida;
Mas eu não ignoro onde é que ela nasce,
E é nas profundezas da noite.

Na noite escura a que chamam vida,
Conheço pela fé o seu curso fresco e puro,
Mas é nas profundezas da noite.

Sei, posso dizê-lo, que ela não tem origem,
E contudo sei onde ela tem as raízes,
Mas é nas profundezas da noite…

Nunca o seu fulgor poderá escurecer
Porque só dela brota toda a luz,
Mas é nas profundezas da noite.

Estou seguro que as suas ondas, transbordando sem cessar,
Regam o abismo, a terra, todos os povos,
Mas é nas profundezas da noite.

Ora há uma corrente que nasce desta fonte,
Tão larga e poderosa como a própria fonte,
Mas é nas profundezas da noite.

Das duas primeiras correntes, procede uma terceira;
Não é mais antiga do que as que a produziram,
Mas é nas profundezas da noite.

Sei que todas três são uma só água viva
E que uma da outra vão derivando sem cessar
Mas é nas profundezas da noite.

Esta fonte eterna reune-se toda
No nosso pão vivo para nos dar a vida,
Mas é nas profundezas da noite…

São João da Cruz, Doutor da Igreja
Poema “Canto da alma que conhece Deus pela fé”
Obras completas, Editorial Monte Carmelo

SANTÍSSIMA TRINDADE – Um só Senhor na Trindade das Pessoas



Solenidade da Santíssima Trindade
07 de junho

“Um só Deus, um só Senhor, na trindade das pessoas e na unidade da natureza”

”O Pai, o Filho e o Espírito Santo são de uma só substância e de uma inseparável igualdade. A unidade está na essência, a pluralidade nas pessoas. O Senhor indica abertamente a unidade da essência divina e a trindade das pessoas quando diz: “Batizai em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo”. Não diz “nos nomes”, mas
“em nome”, mostrando assim a unidade da essência. Em seguida, porém, emprega três nomes, para mostrar que há três pessoas.

Nesta Trindade se encontra a origem suprema de todas as coisas, a beleza perfeita, a alegria bem-aventurada. A origem suprema, afirma Santo Agostinho no seu livro sobre a verdadeira religião, é Deus Pai, de quem provêm todas as coisas, de quem procedem o Filho e o Espírito Santo. A beleza perfeita é o Filho, a verdade do Pai, que em nada se distingue dele, que veneramos com o Pai e no Pai, que é o modelo de todas as coisas, porque tudo foi feito por Ele e tudo se refere a Ele. A alegria bem-aventurada, a soberana bondade, é o Espírito Santo, que é o dom do Pai e do Filho; e devemos crer e manter que este dom é exatamente como o Pai e o Filho.

Ao contemplar a criação, concluímos pela Trindade de uma só substância. Apreendemos um só Deus: Pai, de quem somos, Filho, por quem somos, Espírito Santo, em quem somos. Príncipe, a quem recorremos; modelo, que seguimos; graça, que nos reconcilia”.

Santo Antônio de Lisboa
Franciscano, Doutor da Igreja
Sermões para o domingo e as festas dos santos

SANTÍSSIMA TRINDADE – Reveste-me, Trindade eterna



Solenidade da Santíssima Trindade
07 de junho

“Ó Trindade eterna, Tu és mar profundo,
no qual quanto mais me abismo,
mais e mais eu te encontro,
e quanto mais te encontro,
mais e mais te procuro.
De ti nunca se poderá dizer: basta!
A alma que se sacia em tuas profundezas
deseja-te sem cessar,
porque está sempre faminta de ti,
sempre desejosa de ver sua luz em tua luz.

Nesta luz eu te conheço,
e Tu estás presente ao meu espírito,
Tu, que és o Bem supremo e infinito,
o Bem acima de todo o bem,
que realiza a verdadeira felicidade.
Tu és a Beleza acima de toda a beleza,
a Sabedoria acima de toda a sabedoria.
Reveste-me, Trindade eterna,
reveste-me de ti mesma,
para que eu passe esta vida
na luz de tua revelação,
que inebriou minha alma”.

Santa Catarina de Sena, Doutora da Igreja
Le Dialogue (P. Lethielleux, Paris, 1913)

SANTÍSSIMA TRINDADE - Oh, meu Deus, Trindade que adoro



Solenidade da Santíssima Trindade
07 de junho

Elevação à Santíssima Trindade

“Ó meu Deus, Trindade que adoro, ajudai-me a esquecer-me inteiramente de mim mesma para fixar-me em Vós, imóvel e pacífica, como se minha alma já estivesse na eternidade. Que nada possa perturbar-me a paz nem me fazer sair de Vós, ó meu Imutável, mas que em cada minuto eu me adentre mais na profundidade de vosso Mistério. Pacificai minha alma, fazei dela o vosso céu, vossa morada preferida e o lugar de vosso repouso. Que eu jamais vos deixe só, mas que aí esteja toda inteira, totalmente desperta em minha fé, toda em adoração, entregue inteiramente à vossa Ação criadora.

Ó meu Cristo amado, crucificado por amor, quisera ser uma esposa para vosso Coração, quisera cobrir-vos de glória, amar-vos... até morrer de amor! Sinto, porém, minha impotência e peço-vos «revestir-me de Vós mesmo», identificar a minha alma com todos os movimentos da vossa, submergir-me, invadir-me, substituir-vos a mim, para que minha vida seja uma verdadeira irradiação da vossa.Vinde a mim como Adorador, como Reparador e como Salvador. Ó Verbo eterno, Palavra de meu Deus, quero passar minha vida a escutar-vos, quero ser de uma docilidade absoluta para tudo aprender de Vós. Depois, através de todas as noites, de todos os vazios, de todas as impotências, quero ter sempre os olhos fixos em Vós e ficar sob vossa grande luz; ó meu Astro amado, fascinai-me a fim de que não me seja mais possível sair da vossa irradiação.

Ó Fogo devorador, Espírito de amor, «vinde a mim» para que se opere em minha alma como que uma encarnação do Verbo: que eu seja para Ele uma humanidade de acréscimo na qual Ele renove todo o seu Mistério.

E Vós, ó Pai, inclinai-vos sobre vossa pobre e pequena criatura, «cobri-a com vossa sombra», vendo nela só o Bem-Amado, no qual «pusestes todas as vossas complacências».

Ó meus Três, meu Tudo, minha Beatitude, Solidão infinita, Imensidade onde me perco, entrego-me a Vós qual uma presa. Sepultai-vos em mim para que eu me sepulte em Vós, até que vá contemplar em vossa luz o abismo de vossas grandezas”.


Beata Elisabete da Trindade, ocd
Obras Completas(Editorial Monte Carmelo)


sábado, 6 de junho de 2009

O Santo Espírito nos une a Cristo



“É necessário seguir Cristo, é necessário aderir a Ele, não O devemos abandonar até à morte.

Como dizia Eliseu ao seu mestre: «Pelo Deus vivo e pela tua vida, juro que não te deixarei» (2R 2,2). Então, sigamos Cristo e unamo-nos a Ele! «A felicidade é estar perto de Deus» diz o salmista (Sl 72,28). «A minha alma está unida a Ti, a Tua mão direita me sustenta» (Sl 62,9). E São Paulo acrescenta: «Quem se une ao Senhor, forma com Ele um só espírito» (1Cor 6,17). Não apenas um só corpo, mas também um só espírito.

Do Espírito de Cristo, todo o seu corpo vive; pelo corpo de Cristo, chegamos ao Espírito de Cristo. Por conseguinte, permanece pela fé no corpo Cristo e um dia serás um só espírito com Ele. Pela fé, estás desde já unido ao seu Corpo; pela visão, também serás unido ao seu Espírito. Não é que no alto vejamos sem o corpo, mas os nossos corpos serão espirituais (1Cor 15,44).

«Para que todos sejam um só, como Tu, Pai, estás em Mim e Eu em Ti; para que assim eles estejam em Nós e o mundo creia»: eis a união pela fé. E mais adiante pede: «que eles cheguem à perfeição da unidade e assim o mundo reconheça»: eis a união pela visão.

Eis o modo de nos alimentarmos espiritualmente do Corpo de Cristo: ter n'Ele uma fé pura, procurar sempre, através da meditação assídua, o conteúdo desta fé, encontrar o que procuramos pela inteligência, amar ardentemente o objeto da nossa descoberta, imitar na medida do possível Aquele que amamos; e, imitando-o, aderir a Ele constantemente para chegarmos à união eterna”.


Guigues de Chartres, o Cartuxo
Prior da Grande Cartuxa
Méditation 10 (trad. SC 163, p. 187)


sexta-feira, 5 de junho de 2009

ANO SACERDOTAL – Ano para mostrar amor da Igreja aos sacerdotes (I)



Entrevista de Zenit com o Cardeal Dom Claudio Hummes, Prefeito da Congregação para o Clero

Cardeal: Ano para mostrar amor da Igreja aos sacerdotes (I)

CIDADE DO VATICANO, quinta-feira, 4 de junho de 2009 (ZENIT.org) - No próximo dia 19 de junho, o Papa Bento XVI inaugurará na Basílica de São Pedro o Ano Sacerdotal, com o tema: “Fidelidade de Cristo, fidelidade do sacerdote”. Durante este ano, Bento XVI proclamará São João Maria Vianney como “padroeiro de todos os sacerdotes do mundo”. Igualmente, será publicado o “Diretório para os confessores e diretores espirituais”, assim como uma recopilação de textos do Papa sobre temas essenciais da vida e da missão sacerdotal na época atual.

Zenit conversou com o Cardeal brasileiro Claudio Hummes, O.F.M., Prefeito para a Congregação do Clero e Bispo emérito de São Paulo, que apresenta este ano como “propositivo” e como uma oportunidade para que os sacerdotes recordem que “a Igreja os ama, que se preocupa com eles”.

– Qual é o principal objetivo do ano sacerdotal?

– Cardeal Hummes: Em primeiro lugar, a circunstância. Será um ano jubilar pelos 150 anos da morte de São João Maria Vianney, mais conhecido como o Santo Cura de Ars. Esta é a oportunidade, mas o motivo fundamental é que o Papa quer dar aos sacerdotes uma importância especial e dizer quanto os ama, quanto os quer ajudar a viver com alegria e com fervor sua vocação e missão.

Esta iniciativa do Papa acontece em um momento de grande expansão de uma nova cultura: hoje domina a cultura pós-moderna, relativista, urbana, pluralista, secularizada, laicista, na qual os sacerdotes devem viver sua vocação e sua missão.

O desafio é entender como ser sacerdote neste novo tempo, não para condenar o mundo, mas para salvar o mundo, como Jesus, que não veio para condená-lo mas para salvá- lo. O sacerdote deve fazer isso de coração, com muita abertura, sem “demonizar” a sociedade. Deve estar integrado nela com a alegria missionária de querer levar as pessoas desta sociedade a Jesus Cristo.

É necessário dar uma oportunidade para que todos rezem com os sacerdotes e pelos sacerdotes, convocar os sacerdotes a rezar, fazê-lo da melhor maneira possível na sociedade atual e também, eventualmente, tomar iniciativas para que os sacerdotes tenham melhores condições para viver sua vocação e a missão.

É um ano positivo e propositivo. Não se trata, em primeiro lugar, de corrigir os sacerdotes. Há problemas que sempre devem ser corrigidos e a Igreja não pode fechar os olhos, mas sabemos que a grande maioria dos sacerdotes tem uma grande dignidade e adere ao seu ministério e à sua vocação. Dão sua vida por esta vocação que aceitaram livremente.

Lamentavelmente, existem os problemas dos quais nos inteiramos nos últimos anos relativos à pedofilia e outros delitos sexuais graves, mas, como máximo, talvez podem chegar a 4% do clero. A Igreja quer dizer aos 96% restantes que estamos orgulhosos deles, que são homens de Deus e que queremos ajudá-los e reconhecer tudo o que fazem como testemunho de vida.

É também um momento oportuno para intensificar e aprofundar a questão de como ser sacerdotes neste mundo que muda e que Deus colocou diante de nós para ser salvo.


– Por que o Papa apresentou São João Maria Vianney como modelo para os sacerdotes?

– Cardeal Hummes: Porque há muito tempo é o padroeiro dos párocos. Faz parte do mundo do presbítero. Queremos também estimular várias nações e conferências episcopais ou igrejas locais para que escolham algum sacerdote exemplar de sua área, apresentá-lo ao mundo e aos jovens. Homens e sacerdotes que sejam verdadeiramente modelos, que possam inspirar e possam renovar a convicção do grande valor e da importância do ministério sacerdotal.

– Para o senhor, como sacerdote, qual é o aspecto mais belo de sua vocação?

– Cardeal Hummes: Esta pergunta me faz recordar um fato de São Francisco de Assis, que disse uma vez: “Se me encontrasse pelo caminho com um sacerdote e um anjo, saudaria primeiro o sacerdote e depois o anjo. Por quê? Porque o sacerdote é quem nos dá Cristo na Eucaristia”. Isto é o mais fundamental e maravilhoso: o sacerdote tem o dom e a graça de Deus para ser ministro deste grande mistério da Eucaristia.

O sacerdócio foi instituído por Jesus Cristo na Última Ceia. Quando disse “Fazei isto em memória de mim”, deu aos apóstolos este mandamento e também o poder de fazer isto, de fazer o mesmo que Jesus fez na última ceia. E estes apóstolos transmitiram, por sua vez, este ministério e este poder divino aos homens que são Bispos e sacerdotes.

Isto é o mais importante e o centro. A Eucaristia é o centro da Igreja. O Papa João Paulo II disse que a Igreja vive da Eucaristia. O sacerdote é o ministro deste grande sacramento, que é o memorial da morte de Jesus.

E depois temos também o sacramento da Reconciliação. Jesus disse: “A quem perdoardes os pecados, eles lhes serão perdoados” (Jo 20, 23). Veio para reconciliar o mundo com Deus e os seres humanos entre eles. Deu o Espírito Santo aos apóstolos, soprando sobre eles.

Ele deu aos apóstolos, em nome de Deus e seu, aquilo que havia adquirido com seu sangue e com sua vida na Cruz, transformando a violência em um ato de amor para o perdão dos pecados. E disse aos apóstolos que serão os ministros deste perdão. Isto é fundamental para todos. Cada um quer ser perdoado de seus pecados, estar em paz com Deus e com os demais. O mistério da reconciliação é muito importante na vida do sacerdote.

Há outras muitas ações, como a evangelização, o anúncio da pessoa de Jesus Cristo morto e ressuscitado, de seu reino. O mundo tem direito de saber e conhecer Jesus Cristo e tudo o que significa seu Reino. Este é um ministério específico também do sacerdote, que compartilha com os Bispos e com os leigos, que fazem o anúncio da Palavra e devem levar as pessoas a um encontro intenso e pessoal com Jesus Cristo.


Cardeal Dom Cláudio Hummes
Arcebispo Emérito de São Paulo
Prefeito da Congregação para o Clero


quarta-feira, 3 de junho de 2009

MÊS DO SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS



Coração de Jesus, pleno de bondade e amor

“O Coração de Jesus é «Fornalha ardente de caridade», porque o amor possui algo da natureza do fogo que arde e queima para iluminar e aquecer. Ao mesmo tempo, no Sacrifício do Calvário, o Coração do Redentor não foi aniquilado com o fogo do sofrimento. Embora humanamente morto, como constatou o centurião romano quando transpassou o costado de Cristo com a lança, na economia divina da salvação este Coração permaneceu vivo como o manifestou a Ressurreição.

O Coração vivo do Redentor ressuscitado e glorificado é pleno de bondade e de amor, infinita e sobrenaturalmente pleno. O transbordar do coração humano alcança em Cristo a medida divina. Assim foi este Coração já durante os dias da sua vida terrena. Toda a narração do Evangelho o testemunha. A plenitude do amor se manifesta através da bondade: através da bondade se irradiava e se difundia a todos, em primeiro lugar aos que sofrem e aos pobres, e a todos segundo suas necessidades e expectativas mais verdadeiras. Assim é o Coração humano do Filho de Deus, inclusive depois da experiência da Cruz e do Sacrifício. Melhor dizendo, mais ainda transbordante de amor e de bondade.”


Santo Padre João Paulo II
Ângelus, 21 de julho de 1985


Oração de união ao Sagrado Coração de Jesus



“Oh, Coração do meu Salvador,
Digno e Doador de todo o Amor,
sê Tu o Coração de meu coração,
a Alma de minha alma,
o Espírito do meu espírito,
a Vida da minha vida
e o único e real Princípio
de todos os meus pensamentos,
palavras e ações,
de todas as faculdades de minha alma
e de todos os meus sentidos
internos como externos,
a força e a luz de todo o meu ser!
Amém!”


São João Eudes,
Meditação VI para a Festa do Sagrado Coração


terça-feira, 2 de junho de 2009

O Dono da vinha



São Marcos 12, 1-12

”Santa Catarina ouviu Deus dizer-lhe:

«Toda a criatura dotada de razão possui em si uma vinha, que é a vinha da alma. A vontade, pelo livre arbítrio, é o obreiro dessa vinha durante o tempo da vida; passado esse tempo, já ela não pode ali fazer mais nenhum trabalho, bom ou mau, mas, durante a vida, pode cultivar a sua vinha, vinha para a qual Eu a enviei. Esse obreiro da alma recebeu de Mim uma força tal, que não há demônio ou criatura alguma que lha possa tirar, se a estes se opuser. Foi no batismo que recebeu essa força e ao mesmo tempo o gládio do amor pela virtude e do ódio ao pecado. Foi por esse amor e esse ódio, pelo amor por vós e pelo ódio ao pecado, que morreu o Meu Filho unigênito, por vós derramando todo o seu Sangue. E é este amor pela virtude e este ódio ao pecado que vós encontrais no santo batismo, que vos dá vida pela força do seu sangue.

Arrancai pois os espinhos dos pecados mortais e plantai as virtudes, praticai a contrição, tende desgosto pelo pecado e amor à virtude; recebereis então os frutos do sangue do Meu Filho. Não podereis recebê-los se não vos dispuserdes a tornar-vos bons ramos unidos ao tronco da videira, o Meu Filho, que disse: ‘Eu sou a Videira verdadeira, o meu Pai é o Agricultor, e vós, os ramos’ (Jo 15, 1.5).

Esta é a verdade. Sou Eu o verdadeiro Agricultor, pois toda a coisa que possui ser veio e vem de Mim. O Meu poder é insondável e pelo Meu poder e força governo todo o universo, pois nada é feito nem ordenado sem ser por Mim. Sim, sou o Agricultor; fui Eu Quem plantou a verdadeira Videira, o Meu Filho unigênito, na terra da vossa humanidade, para que vós, que sois ramos unidos a esta Videira, deis fruto»”.


Santa Catarina de Sena, Doutora da Igreja
Le Dialogue 23 (P. Lethielleux, Paris, 1913)


Parábola da vinha



São Marcos 12, 1-12

”A vinha é o nosso símbolo, porque o povo de Deus eleva-se acima da terra enraizado na cepa da vinha eterna (Jo 15, 5). Fruto de um solo ingrato, a vinha pode desenvolver-se e florescer, ou revestir-se de verdura, ou assemelhar-se ao jugo amável da cruz, quando cresce e os seus braços estendidos são os sarmentos de uma videira fecunda. É, pois, com razão que chamamos vinha ao povo de Cristo, quer porque Ele traça na testa o sinal da cruz (Ez 9, 4), quer porque os frutos da vinha são recolhidos na última estação do ano, quer porque, tal como acontece aos ramos da videira, pobres e ricos, humildes e poderosos, servos e senhores, todos são, na Igreja, de uma igualdade completa.

Quando é ligada, a vinha endireita-se; se é podada, não é para a diminuir, mas para fazê-la crescer. E o mesmo se passa com o povo santo: quando é preso, liberta-se; quando é humilhado, eleva-se; quando é cortado, é uma coroa que lhe é dada. Melhor ainda: tal como o rebento que é retirado de uma árvore velha e enxertado noutra raiz, assim também este povo santo vem a desenvolver-se quando é alimentado na árvore da cruz. E o Espírito Santo, como que expandindo-se nos sulcos de um terreno, derrama-se sobre o nosso ser lavando tudo o que é imundo e limpando-nos os membros, para os dirigir ao céu.

O Vinhateiro tem por costume mondar esta vinha, ligá-la e apará-la (Jo 15, 2). Ora inunda de sol os segredos do nosso corpo, ora os rega com a chuva. Gosta de mondar o terreno para que os espinheiros não perturbem os rebentos; e vela para que as folhas não façam demasiada sombra, privando-nos de luz às virtudes e impedindo os frutos de amadurecer”.


Santo Ambrósio, Bispo de Milão e Doutor da Igreja
L'Evangile commenté, p. 290 rev, cf SC 52


sábado, 30 de maio de 2009

PENTECOSTES – No Espírito Santo, Cristo permanece conosco



Solenidade de Pentecostes
31 de maio

«Quando vier o Paráclito, o Espírito da Verdade, ensinar-vos-á toda a verdade, porque não falará por si mesmo, mas dirá o que ouvir, e anunciar-vos-á as coisas que virão. Ele me glorificará, porque receberá do que é meu, e vo-lo anunciará» Jo 16, 13-14


“O Senhor diz à Samaritana: «Deus é espírito»; sendo Deus invisível, incompreensível e infinito, não será num monte nem num templo que Deus deverá ser adorado (Jo 4,21-24). «Deus é espírito» e um espírito não pode ser circunscrito, nem contido; pela força da sua natureza, Ele está em todo o lado e de local algum está ausente; em todo o lado e em tudo superabunda. Por isso é preciso adorar a Deus, que é Espírito, no Espírito Santo.

O apóstolo Paulo outra coisa não diz quando escreve: «O Senhor é o Espírito e onde está o Espírito do Senhor, aí está a liberdade» (2Cor 3,17). Que cessem, portanto, os argumentos daqueles que recusam o Espírito. O Espírito Santo é um, por todo o lado foi derramado, iluminando todos os patriarcas, os profetas e o coração de todos quantos participaram na redação da Lei. Inspirou João Batista já no seio de sua mãe; foi por fim infundido sobre os apóstolos e sobre todos os crentes para que conhecessem a verdade que lhes é dada na graça.


Qual é a ação do Espírito Santo em nós? Escutemos as palavras do próprio Senhor: «Tenho ainda muitas coisas a dizer-vos, mas não sois capazes de as compreender por agora. É melhor para vós que Eu vá, pois, se Eu não for, o Paráclito não virá a vós; mas, se Eu for, Eu vo-lo enviarei. Quando Ele vier, o Espírito da Verdade, há de guiar-vos para a Verdade completa» (Jo 16,7-13). São-nos reveladas, nestas palavras, a vontade do doador, assim como a natureza e o papel d'Aquele que Ele nos dá. Porque a nossa fragilidade não nos permite conhecer nem o Pai nem o Filho; o mistério da encarnação de Deus é difícil de compreender. O dom do Espírito Santo, que se faz nosso aliado por sua intercessão, ilumina-nos.

Ora, este dom único que está em Cristo é oferecido a todos em plenitude. Está sempre presente em todo o lado e a cada um de nós é dado, tanto quanto o queiramos receber. O Espírito Santo permanecerá conosco até ao fim dos tempos, é a nossa consolação na espera, é o penhor dos bens da esperança que há de vir, é a luz dos nossos espíritos, o esplendor das nossas almas”.


Santo Hilário de Poitiers, Bispo e Doutor da Igreja
Do Tratado Sobre a Santíssima Trindade(Ed. Paulus)

PENTECOSTES – Oração – Espírito Santo, concedei-me vosso Espírito de Amor



Solenidade de Pentecostes
31 de maio

“Espírito Santo, que unis o Pai e o Filho em bem-aventurança eterna, ensinai-me a viver a cada instante e em todos os acontecimentos, na intimidade com meu Deus, sempre mais consumado na unidade da Trindade Santa. Sim, acima de tudo, concedei-me vosso Espírito de Amor para animar com vossa santidade os mínimos atos da minha vida, a fim de que, na Igreja, seja eu, verdadeiramente, pela redenção das almas e a glória do Pai, uma hóstia de amor em louvor da Trindade.

Peço-vos uma alma de limpidez cristalina, digna de ser templo vivo da Santíssima Trindade. Deus Santo, guardai na unidade minha alma para Jesus, com todo o seu poder de amor, ávida de beber incessantemente vossa pureza infinita. Que minha alma atravesse este mundo santa e imaculada no amor, amando acima de tudo vossa presença, unicamente sob vosso olhar, sem a menor imperfeição, sem que a menor mácula venha nela ofuscar o esplendor de vossa beleza. Amém”.


Frei M. M. Philipon, O.P.
Consagração à SS. Trindade