terça-feira, 2 de junho de 2009

O Dono da vinha



São Marcos 12, 1-12

”Santa Catarina ouviu Deus dizer-lhe:

«Toda a criatura dotada de razão possui em si uma vinha, que é a vinha da alma. A vontade, pelo livre arbítrio, é o obreiro dessa vinha durante o tempo da vida; passado esse tempo, já ela não pode ali fazer mais nenhum trabalho, bom ou mau, mas, durante a vida, pode cultivar a sua vinha, vinha para a qual Eu a enviei. Esse obreiro da alma recebeu de Mim uma força tal, que não há demônio ou criatura alguma que lha possa tirar, se a estes se opuser. Foi no batismo que recebeu essa força e ao mesmo tempo o gládio do amor pela virtude e do ódio ao pecado. Foi por esse amor e esse ódio, pelo amor por vós e pelo ódio ao pecado, que morreu o Meu Filho unigênito, por vós derramando todo o seu Sangue. E é este amor pela virtude e este ódio ao pecado que vós encontrais no santo batismo, que vos dá vida pela força do seu sangue.

Arrancai pois os espinhos dos pecados mortais e plantai as virtudes, praticai a contrição, tende desgosto pelo pecado e amor à virtude; recebereis então os frutos do sangue do Meu Filho. Não podereis recebê-los se não vos dispuserdes a tornar-vos bons ramos unidos ao tronco da videira, o Meu Filho, que disse: ‘Eu sou a Videira verdadeira, o meu Pai é o Agricultor, e vós, os ramos’ (Jo 15, 1.5).

Esta é a verdade. Sou Eu o verdadeiro Agricultor, pois toda a coisa que possui ser veio e vem de Mim. O Meu poder é insondável e pelo Meu poder e força governo todo o universo, pois nada é feito nem ordenado sem ser por Mim. Sim, sou o Agricultor; fui Eu Quem plantou a verdadeira Videira, o Meu Filho unigênito, na terra da vossa humanidade, para que vós, que sois ramos unidos a esta Videira, deis fruto»”.


Santa Catarina de Sena, Doutora da Igreja
Le Dialogue 23 (P. Lethielleux, Paris, 1913)


Parábola da vinha



São Marcos 12, 1-12

”A vinha é o nosso símbolo, porque o povo de Deus eleva-se acima da terra enraizado na cepa da vinha eterna (Jo 15, 5). Fruto de um solo ingrato, a vinha pode desenvolver-se e florescer, ou revestir-se de verdura, ou assemelhar-se ao jugo amável da cruz, quando cresce e os seus braços estendidos são os sarmentos de uma videira fecunda. É, pois, com razão que chamamos vinha ao povo de Cristo, quer porque Ele traça na testa o sinal da cruz (Ez 9, 4), quer porque os frutos da vinha são recolhidos na última estação do ano, quer porque, tal como acontece aos ramos da videira, pobres e ricos, humildes e poderosos, servos e senhores, todos são, na Igreja, de uma igualdade completa.

Quando é ligada, a vinha endireita-se; se é podada, não é para a diminuir, mas para fazê-la crescer. E o mesmo se passa com o povo santo: quando é preso, liberta-se; quando é humilhado, eleva-se; quando é cortado, é uma coroa que lhe é dada. Melhor ainda: tal como o rebento que é retirado de uma árvore velha e enxertado noutra raiz, assim também este povo santo vem a desenvolver-se quando é alimentado na árvore da cruz. E o Espírito Santo, como que expandindo-se nos sulcos de um terreno, derrama-se sobre o nosso ser lavando tudo o que é imundo e limpando-nos os membros, para os dirigir ao céu.

O Vinhateiro tem por costume mondar esta vinha, ligá-la e apará-la (Jo 15, 2). Ora inunda de sol os segredos do nosso corpo, ora os rega com a chuva. Gosta de mondar o terreno para que os espinheiros não perturbem os rebentos; e vela para que as folhas não façam demasiada sombra, privando-nos de luz às virtudes e impedindo os frutos de amadurecer”.


Santo Ambrósio, Bispo de Milão e Doutor da Igreja
L'Evangile commenté, p. 290 rev, cf SC 52


sábado, 30 de maio de 2009

PENTECOSTES – No Espírito Santo, Cristo permanece conosco



Solenidade de Pentecostes
31 de maio

«Quando vier o Paráclito, o Espírito da Verdade, ensinar-vos-á toda a verdade, porque não falará por si mesmo, mas dirá o que ouvir, e anunciar-vos-á as coisas que virão. Ele me glorificará, porque receberá do que é meu, e vo-lo anunciará» Jo 16, 13-14


“O Senhor diz à Samaritana: «Deus é espírito»; sendo Deus invisível, incompreensível e infinito, não será num monte nem num templo que Deus deverá ser adorado (Jo 4,21-24). «Deus é espírito» e um espírito não pode ser circunscrito, nem contido; pela força da sua natureza, Ele está em todo o lado e de local algum está ausente; em todo o lado e em tudo superabunda. Por isso é preciso adorar a Deus, que é Espírito, no Espírito Santo.

O apóstolo Paulo outra coisa não diz quando escreve: «O Senhor é o Espírito e onde está o Espírito do Senhor, aí está a liberdade» (2Cor 3,17). Que cessem, portanto, os argumentos daqueles que recusam o Espírito. O Espírito Santo é um, por todo o lado foi derramado, iluminando todos os patriarcas, os profetas e o coração de todos quantos participaram na redação da Lei. Inspirou João Batista já no seio de sua mãe; foi por fim infundido sobre os apóstolos e sobre todos os crentes para que conhecessem a verdade que lhes é dada na graça.


Qual é a ação do Espírito Santo em nós? Escutemos as palavras do próprio Senhor: «Tenho ainda muitas coisas a dizer-vos, mas não sois capazes de as compreender por agora. É melhor para vós que Eu vá, pois, se Eu não for, o Paráclito não virá a vós; mas, se Eu for, Eu vo-lo enviarei. Quando Ele vier, o Espírito da Verdade, há de guiar-vos para a Verdade completa» (Jo 16,7-13). São-nos reveladas, nestas palavras, a vontade do doador, assim como a natureza e o papel d'Aquele que Ele nos dá. Porque a nossa fragilidade não nos permite conhecer nem o Pai nem o Filho; o mistério da encarnação de Deus é difícil de compreender. O dom do Espírito Santo, que se faz nosso aliado por sua intercessão, ilumina-nos.

Ora, este dom único que está em Cristo é oferecido a todos em plenitude. Está sempre presente em todo o lado e a cada um de nós é dado, tanto quanto o queiramos receber. O Espírito Santo permanecerá conosco até ao fim dos tempos, é a nossa consolação na espera, é o penhor dos bens da esperança que há de vir, é a luz dos nossos espíritos, o esplendor das nossas almas”.


Santo Hilário de Poitiers, Bispo e Doutor da Igreja
Do Tratado Sobre a Santíssima Trindade(Ed. Paulus)

PENTECOSTES – Oração – Espírito Santo, concedei-me vosso Espírito de Amor



Solenidade de Pentecostes
31 de maio

“Espírito Santo, que unis o Pai e o Filho em bem-aventurança eterna, ensinai-me a viver a cada instante e em todos os acontecimentos, na intimidade com meu Deus, sempre mais consumado na unidade da Trindade Santa. Sim, acima de tudo, concedei-me vosso Espírito de Amor para animar com vossa santidade os mínimos atos da minha vida, a fim de que, na Igreja, seja eu, verdadeiramente, pela redenção das almas e a glória do Pai, uma hóstia de amor em louvor da Trindade.

Peço-vos uma alma de limpidez cristalina, digna de ser templo vivo da Santíssima Trindade. Deus Santo, guardai na unidade minha alma para Jesus, com todo o seu poder de amor, ávida de beber incessantemente vossa pureza infinita. Que minha alma atravesse este mundo santa e imaculada no amor, amando acima de tudo vossa presença, unicamente sob vosso olhar, sem a menor imperfeição, sem que a menor mácula venha nela ofuscar o esplendor de vossa beleza. Amém”.


Frei M. M. Philipon, O.P.
Consagração à SS. Trindade

PENTECOSTES – Vinde, Espírito Santo



Solenidade de Pentecostes
31 de maio

"Verdadeiramente admirável sois Vós, ó Verbo de Deus, no Espírito Santo, ao fazer que Ele se infunda de tal modo na alma, que ela chegue a unir-se a Deus, conheça a Deus, saboreie Deus, e em nada se alegre fora de Deus.

O Espírito Santo desce à alma, marcado com o precioso selo do Sangue do Verbo, do Cordeiro imolado; mais ainda, é esse mesmo Sangue que o incita a descer, embora o Espírito já por si tenha esse desejo.

O Espírito que assim deseja, é a substância do Pai e a substância do Verbo; procede da essência do Pai e do beneplácito do Verbo, vem como fonte que se difunde na alma, e a alma submerge-se n’Ele. Assim como dois rios, confluindo, de tal modo se misturam que o menor perde o seu nome e recebe o do maior. Assim atua este Espírito Divino, quando desce à alma para com ela se unir. Mas é necessário que a alma, que é menor, perca o seu nome e o ceda ao Espírito Santo; e deve fazer isto transformando-se de tal modo no Espírito que se torne com Ele uma só coisa.

Porém, este Espírito, distribuidor dos tesouros que estão no coração do Pai e guarda dos segredos entre o Pai e o Filho, introduz-se tão suavemente na alma que não se sente a sua vinda e, pela sua grandeza, poucos o apreciam.

Com a sua densidade e a sua leveza entra em todos os lugares que estão aptos e predispostos para o receber. Na sua palavra frequente, como também no seu profundo silêncio, é ouvido por todos; com impetuosidade e prudência, imóvel e mobilíssimo, penetra em todos os corações.


Não ficais, Espírito Santo, no Pai imóvel e também não ficais no Verbo; estais sempre no Pai e no Verbo, e em Vós mesmo, e em todos os espíritos bem-aventurados e nas criaturas. Sois necessário à criatura, por causa do Sangue derramado pelo Verbo Unigênito, o qual, pela veemência do amor, se tornou necessário à sua criatura.

Repousais nas criaturas que se predispõem com pureza a receber em si, pela comunicação dos vossos dons, a vossa própria semelhança. Repousais nas almas que recebem em si os efeitos do Sangue do Verbo e se tornam habitação digna de Vós.

Vinde, Espírito Santo! Venha a união do Pai e o beneplácito do Verbo! Vós, Espírito da Verdade, sois o prêmio dos santos, o refrigério das almas, a luz das trevas, a riqueza dos pobres, o tesouro dos que amam, a abundância dos famintos, a consolação dos peregrinos; enfim, Vós sois aquele que contém em si todos os tesouros.

Vinde, Vós que, descendo a Maria, realizastes a Encarnação do Verbo, e realizai em nós, pela graça, o que n’Ela realizastes pela graça e pela natureza!

Vinde, Vós que sois o alimento de todo o pensamento casto, a fonte de toda a clemência, a plenitude de toda a pureza!

Vinde e transformai tudo o que em nós é obstáculo para sermos plenamente transformados em Vós!”.


Santa Maria Madalena de Pazzi, O.Carm.
Opere di S. Maria Maddalena di Pazzi, 4, pp. 200.269; 6, p. 194

PENTECOSTES – Oração – Espírito Santo, Fogo Divino


Solenidade de Pentecostes
31 de maio

“Ó Fogo Divino, quando, vindo do alto, começais a inflamar o coração do homem, as paixões logo diminuem e perdem a força; seu peso, de grave que era, faz-se mais leve; e na medida em que cresce o ardor, não é difícil sentir-se o coração humano tão leve que tome asas como de pomba (SL 54, 7).

Ó Bem-Aventurado Fogo que não consumis mas iluminais! E se consumis, destruís as más disposições para que não se acabe a vida! Quem me dera me envolvesse tal Fogo! Fogo que me purifique, tirando do meu espírito, com a luz de verdadeira sabedoria, as trevas da ignorância, a escuridão da consciência errônea. Fogo que transforme em amor ardente o frio da preguiça, do egoísmo e da negligência. Fogo que não permita ao meu coração endurecer-me, mas com seu calor o torne sempre maleável, obediente e devoto, liberte-me do pesado jugo das preocupações e dos maus desejos!

Nas asas da santa contemplação que nutre e aumenta a caridade, tanto eleve este Fogo meu coração, que me faça repetir com o profeta: ‘Alegrai a alma de vosso servo; ó Senhor, a Vós elevo minha alma’ (Sl 85, 4)".


São Roberto Belarmino
De ascensione mentis in Deum, Op. V. 6, p.232

PENTECOSTES – Vigiar no Espírito Santo




Solenidade de Pentecostes
31 de maio

“Temos de estar vigilantes e atentos à obra da salvação que se realiza em nós, porque é com admirável subtileza e com a delicadeza de uma arte divina que o Espírito Santo realiza continuamente esta obra no mais íntimo do nosso ser. Que esta unção que tudo nos ensina não nos seja retirada sem que tenhamos consciência disso, e que a sua vinda não nos apanhe desprevenidos. Pelo contrário, convém-nos estar permanentemente atentos, com o coração totalmente aberto, para recebermos esta bênção generosa do Senhor. Em que disposições quer o Espírito encontrar-nos? “Sede como os servos que esperam o seu senhor, quando ele regressa das núpcias”. Ele nunca regressa de mãos vazias da mesa celeste, mas com todas as alegrias que esta prodigaliza.

Temos, pois, de velar, e de velar em todo o momento, porque nunca sabemos a que horas virá o Espírito, nem a que horas voltará a partir. O Espírito vai e vem (Jo 3, 8); e se, graças à Sua presença, nos mantemos de pé, quando Ele se retira caímos inevitavelmente, mas sem nos magoarmos, porque o Senhor nos sustenta com a sua mão. E o Espírito não cessa de comunicar esta alternância de presença e ausência aos que são espirituais, ou antes, àqueles que tem a intenção de se tornar espirituais. É por isso que os visita de madrugada, pondo-os em seguida subitamente à prova”.


São Bernardo de Claraval, Abade Cisterciense e Doutor
Sermones sobre el Cantar de los Cantares, 17, 2
Obras completas, BAC, Madrid, 1987



quinta-feira, 28 de maio de 2009

ANO SACERDOTAL: Carta do Cardeal Hummes para o Ano Sacerdotal



ANO ESPECIAL DE ORAÇÃO DOS SACERDOTES, COM OS SACERDOTES E PELOS SACERDOTES

Começa no dia 19 de junho de 2009

CIDADE DO VATICANO, quarta-feira, 26 de maio de 2009 (ZENIT.org)- Publicamos a carta que o Prefeito da Congregação para o Clero, Cardeal Claudio Hummes, escreveu com motivo do Ano Sacerdotal, convocado por Bento XVI a partir de 19 de junho de 2009, por ocasião do 150º aniversário da morte de São João Maria Vianney, o Santo Cura D'Ars.

* * *

O ANO SACERDOTAL

Caros Sacerdotes,

Povo ama seus Sacerdotes e os quer santos e felizes

O Ano Sacerdotal, anunciado por nosso amado Papa Bento XVI, para celebrar o 150º aniversário da morte de S. João Maria Vianney, o Santo Cura D’Ars, está às portas. O Santo Padre o abrirá a 19 de junho p.f., Festa do Sagrado Coração de Jesus e Dia Mundial de oração pela santificação dos sacerdotes. O anúncio deste ano especial teve uma repercussão mundial positiva, especialmente entre os próprios sacerdotes. Todos queremos empenhar-nos com determinação, profundidade e fervor, a fim de que seja um ano amplamente celebrado em todo o mundo, nas dioceses, nas paróquias, em cada comunidade local, com envolvimento caloroso do nosso povo católico, que sem dúvida ama seus padres e os quer ver felizes, santos e alegres no trabalho apostólico quotidiano.

A Igreja está orgulhosa de seus Sacerdotes

Deverá ser um ano positivo e propositivo, em que a Igreja quer dizer antes de tudo aos sacerdotes, mas também a todos os cristãos, à sociedade mundial, através dos meios de comunicação global, que ela se orgulha de seus sacerdotes, os ama, os venera, os admira e reconhece com gratidão seu trabalho pastoral e seu testemunho de vida. Realmente, os sacerdotes são importantes não só pelo que fazem, mas também pelo que são. Ao mesmo tempo, é verdade que alguns deles apareceram envolvidos em problemas graves e situações delituosas. Obviamente, é preciso continuar a investigá-los, julgá-los devidamente e puni-los. Estes casos, contudo, dizem respeito somente a uma porcentagem muito pequena do clero. Na sua imensa maioria, os sacerdotes são pessoas muito dignas, dedicadas ao ministério, homens de oração e de caridade pastoral, que investem toda sua vida na realização de sua vocação e missão, muitas vezes com grandes sacrifícios pessoais, mas sempre com amor autêntico a Jesus Cristo, à Igreja e ao povo, solidários com os pobres e os sofridos. Por isso, a Igreja está orgulhosa de seus sacerdotes em todo o mundo.


Dias de recolhimento e exercícios espirituais

Este ano seja também ocasião para um período de intenso aprofundamento da identidade sacerdotal, da teologia do sacerdócio católico e do sentido extraordinário da vocação e da missão dos sacerdotes na Igreja e na sociedade. Isso exigirá congressos de estudo, jornadas de reflexão, exercícios espirituais específicos, conferências e semanas teológicas em nossa faculdades eclesiásticas, pesquisas científicas e respectivas publicações.

Ano de renovação da espiritualidade de cada Sacerdote

O Santo Padre, em seu discurso de anúncio, durante a Assembléia Plenária da Congregação para o Clero, a 16 de março p.p., disse que com este ano especial pretende-se «favorecer esta tensão dos sacerdotes para a perfeição espiritual da qual sobretudo depende a eficácia do seu ministério». Por esta razão, deve ser, de modo muito especial, um ano de oração dos sacerdotes, com eles e por eles, um ano de renovação da espiritualidade do presbitério e de cada presbítero.

Adoração Eucarística e Maternidade espiritual pela santificação dos Sacerdotes

A adoração eucarística pela santificação dos sacerdotes e a maternidade espiritual de monjas, de religiosas consagradas e de leigas referente a sacerdotes, como já proposto, tempos atrás, pela Congregação para o Clero, poderiam ser desenvolvidas com frutos reais de santificação.

Sacerdotes: alguns na pobreza e privação

Seja um ano em que se examinem de novo as condições concretas e a sustentação material em que vivem nossos sacerdotes, às vezes submetidos a situações de dura pobreza.


Aos Sacerdotes, a comunhão e a amizade

Seja, ao mesmo tempo, um ano de celebrações religiosas e públicas, que levem o povo, as comunidades católicas locais, a rezar, a meditar, a festejar e a prestar uma justa homenagem a seus sacerdotes. A festa na comunidade eclesial constitui uma expressão muito cordial, que exprime e nutre a alegria cristã, uma alegria que brota da certeza de que Deus nos ama e festeja conosco. Será uma oportunidade para desenvolver a comunhão e a amizade dos sacerdotes com a comunidade que lhes foi confiada.

Criatividade das Igrejas locais

Muitos outros aspectos e iniciativas poderiam ser nomeados para enriquecer o Ano Sacerdotal. Aqui deverá entrar a justa criatividade das Igrejas locais. Por esta razão, convém que cada Conferência Episcopal, cada diocese, cada paróquia e comunidade local estabeleçam, quanto antes, um verdadeiro e próprio programa para este ano especial. Obviamente, será muito importante começar o ano com um evento significativo. No próprio dia da abertura do Ano Sacerdotal em Roma com o Santo Padre, 19 de junho, as Igrejas locais são convidadas a participar, de algum modo, quiçá com um ato litúrgico específico e festivo. Os que puderem vir a Roma para a abertura, venham para manifestar assim a própria participação nesta feliz iniciativa do Papa. Deus, sem dúvida, abençoará este empenho com grande amor. E a Santíssima Virgem Maria, Rainha do Clero, intercederá por todos vós, caros sacerdotes!


Cardeal Dom Cláudio Hummes
Arcebispo Emérito de São Paulo
Prefeito da Congregação para o Clero


quarta-feira, 27 de maio de 2009

MÊS DE MARIA: Uma santidade absolutamente excepcional



“Existem duas criaturas cuja santidade é absolutamente excepcional, isto é, que possuem laços incomparáveis com a Santíssima Trindade: inicialmente, a Mãe de Deus e, junto a Ela, São José.

Todas as criaturas santificadas o são, a partir da Encarnação redentora de Jesus; mas, em primeiro lugar, Deus destinou Maria e José a se agregarem, a se associarem a Ele, cada um com a sua missão, para a realização desta mesma Encarnação”.


Cônego Daniel-Joseph Lallement
Mystère de la paternité de Saint Joseph, p. 34


MÊS DE MARIA – Sobre a necessidade de recorrer à Santíssima Virgem



“Se as tempestades das tentações se levantam, se cais no escolho das tristezas, eleva teus olhos à Estrela do Mar: invoca a Maria!
Se te golpeiam as ondas da soberba, da maledicência, da inveja, olha a Estrela: invoca a Maria!
Se a cólera, a avareza, a sensualidade de teus sentidos querem afundar a barca de teu espírito, que teus olhos procurem essa Estrela: invoca a Maria!
Se ante a recordação desconsoladora de teus muitos pecados e da severidade de Deus, te sentes ir até o abismo do desalento ou do desespero, lança um olhar para a Estrela: invoca a Mãe de Deus!
Em meio aos perigos, às tuas angústias, às tuas dúvidas, pensa em Maria, invoca a Maria!
O pensar nela e o invocá-la sejam duas coisas que não se afastem nunca nem de teu coração nem de teus lábios. E para estar mais seguro de sua proteção não te esqueças de imitar os seus exemplos.
Seguindo-a não te perderás no caminho!
Implorando a Ela não te desesperarás!
Pensando Nela não te extraviarás!
Se Ela te tem nas mãos não poderás afundar. Debaixo de seu manto nada há que temer. Sob a sua guia não haverá cansaço e com o seu favor chegarás felizmente ao Porto da Pátria Celestial! Amém!”


São Bernardo de Claraval, Doutor da Igreja
Obras Completas, BAC, Madrid, 1953, t. II, PP. 205-206


segunda-feira, 25 de maio de 2009

Santa Maria Madalena de Pazzi - Papa Bento XVI a apresenta como «mestra de espiritualidade» para todos



25 de maio
Memória Facultativa

Papa Bento XVI apresenta Santa Maria Madalena de Pazzi, «mestra de espiritualidade» para todos

Da Carta do Papa Bento XVI ao Arcebispo de Florença, Cardeal Ennio Antonelli, por ocasião das celebrações do IV centenário da morte de Santa Maria Madalena de Pazzi em 29 de abril de 2007

CIDADE DO VATICANO/FLORENÇA, terça-feira, 29 de maio de 2007 (ZENIT.org)- O Papa Bento XVI afirma que a mística italiana Santa Maria Madalena de Pazzi tem o dom, para todos, «de ser mestra de espiritualidade, particularmente para os sacerdotes, por quem teve especial predileção». No IV centenário da morte da Santa carmelita, o Papa anima a que as celebrações por este aniversário «contribuam para dar a conhecer cada vez mais esta luminosa figura, que a todos manifesta a dignidade e a beleza da vocação cristã».

«Assim como na vida, tocando aos sinos, chamava seus irmãos de comunidade com o grito: ‘Vinde amar o Amor!’, que a grande mística, desde Florença, desde seu seminário, desde os mosteiros carmelitas que se inspiram nela, possa ainda hoje fazer ouvir sua voz em toda a Igreja, difundindo o anúncio do amor de Deus por toda criatura humana». É o que deseja o Santo Padre.

São palavras que Bento XVI dirige em uma carta ao Cardeal Ennio Antonelli, Arcebispo de Florença, Itália. O purpurado as leu na sexta-feira passada, na Celebração Eucarística, na Catedral local, pela carmelita, nascida em 2 de abril de 1566 e falecida em 25 de maio de 1607.

Em sua carta, o Papa aprofunda na biografia da Santa florentina, «figura emblemática de um amor vivo que remete à essencial dimensão mística de toda vida cristã», e dá graças a Deus pelo dom da religiosa, «que cada geração se redescubra especialmente próxima em saber comunicar um ardente amor por Cristo e pela Igreja».

«Batizada com o nome de Catarina, desde menina teve uma especial sensibilidade pela vida sobrenatural e se sentiu atraída ao colóquio íntimo com Deus. Fez a Primeira Comunhão pouco antes de completar dez anos; dias depois se entregou para sempre ao Senhor com uma promessa de virgindade.


De nobre família, manteve o desejo de assemelhar-se mais ‘a seu Esposo crucificado’ e amadureceu a decisão de deixar o mundo e entrar no Carmelo de Santa Maria dos Anjos, onde em 1583 recebeu o hábito da comunidade e o nome de irmã Maria Madalena.

Um ano depois, gravemente enferma, pediu para pronunciar a profissão antes do tempo estabelecido. Na Solenidade da Santíssima Trindade, em 27 de maio de 1584, levada ao coro em uma maca, emitiu para sempre ante o Senhor seus votos de castidade, pobreza e obediência.

Desde este momento teve início uma intensa época mística, recorda o Papa, da qual procede a fama dos êxtases da jovem religiosa. Também passou por longos anos de purificação interior, entre provas e grandes tentações, um contexto no qual se marca seu ardente compromisso pela renovação da Igreja.

Como Catarina de Sena, ela se sentiu ‘obrigada’ a escrever algumas cartas para pedir ao Papa, aos cardeais da Cúria, a seu arcebispo e a outras personalidades eclesiásticas um decidido empenho para a ‘Renovação da Igreja’, como diz o título do manuscrito que as contém; foram doze cartas ditadas em êxtase, talvez nunca enviadas, mas que permanecem como testemunho de sua paixão pela ‘Sponsa Verbi’ (Esposa do Verbo, a Igreja, ndr).

Sua dura prova terminou em Pentecostes de 1590; pôde então se dedicar com toda energia ao serviço da comunidade, em particular à formação das noviças.


A Irmã Maria Madalena teve o dom de viver a comunhão com Deus de uma forma cada vez mais interiorizada, convertendo-se em ponto de referência para toda a comunidade, que até hoje continua considerando-a como uma ‘mãe’. O amor purificado que batia em seu coração lhe abriu ao desejo da plena conformidade com Cristo, seu Esposo, até compartilhar com Ele o padecimento da cruz», sublinha o Papa.

«A enfermidade a fez sofrer intensamente os três últimos anos de sua vida, que concluiu na terra em 25 de maio de 1607. Menos de duas décadas depois, o Papa Urbano VIII a proclamou Beata. Em 1669, Clemente IX a incluiu no Catálogo dos Santos.

Seu corpo incorrupto é meta de peregrinações constantes.

O Mosteiro onde a Santa viveu é atualmente sede do Seminário Arcebispal de Florença, que a venera como Padroeira. A cela que ocupou é agora uma Capela.

Santa Maria Madalena de Pazzi permanece como uma presença espiritual para as carmelitas da antiga observância - assinala Bento XVI -, que vêem nela a ‘irmã’ que percorreu inteiramente a via da união transformadora com Deus e que indica em Maria a ‘estrela’ do caminho da perfeição.

Para todos, esta grande Santa tem o dom de ser Mestra de espiritualidade, especialmente para os sacerdotes, pelos quais alimentou sempre uma verdadeira paixão», conclui o Papa Bento XVI.


Santo Padre Papa Bento XVI


Santa Maria Madalena de Pazzi - O Amor não é amado!



Memória Facultativa

25 de maio

“Ó Deus Amor, Amor não amado nem conhecido, Amor, Amor, não me saciarei de chamar-te Amor. O meu coração e meu corpo exultem em Ti, meu Amor. Ó Amor, dá-me uma voz tal que, chamando Amor, eu seja ouvida do Oriente ao Ocidente, e em todos os lugares do mundo, a fim de que por todos Tu sejas conhecido e amado, Amor.

Amor, Amor, Tu és forte e poderoso. Ó Amor, Tu és Deus e homem. Ó Amor, faze com que todas as criaturas te amem, Amor; mas, meu amor, apressa-te, pois como és tão pouco amado!

Ó Amor, por que desejaste fazer aquela tua última Ceia? Ah! Amor, por que querias mostrar o amor que tinhas pela tua criatura!

Ó Amor, Amor, é possível que Tu não tenhas outro nome além de Amor? Entretanto, és tão pobre de nome, ó Amor! Na verdade, tens nomes, e quantos, Amor, mas te agrada mais ser chamado com este de Amor, pois neste Tu mais te deste a conhecer à criatura. Também os santos no céu te chamam por este nome: Amor; dizem sempre Amor, Amor. Jamais cessam de dizer Sanctus, Sanctus, e acrescentam, Amor.

Ó Amor, Amor, feliz e bem-aventurada a alma que tem a ti, Amor, Amor, Amor por tão poucos amado e conhecido.

Quem, Amor, tem amor bastante para louvar-te, Amor?

Se todas as línguas dos homens juntamente com os Anjos, e todas as estrelas do céu, a areia do mar, as plantas da terra, as gotas de água, os pássaros do céu se tornassem línguas para louvar-te, Amor, não seriam suficientes para louvar-te, Amor.

Amor, Amor, concede-o a todas as criaturas e faz, Amor, que todas, todas, todas te amem, Amor, te desejem, Amor, procurem somente a ti, Amor.

Nada mais sei que pedir senão o amor, pois se tenho o amor tenho tudo, e se não o tenho, tudo me falta. Amor, Amor!”


Santa Maria Madalena de Pazzi, O.Carm.
Libro dei colloqui


Santa Maria Madalena de Pazzi – Ó Trindade, concedei a todos a Vossa Luz



Memória Facultativa

25 de maio

“Ó meu Deus, se me achásseis digna de dar a vida pela salvação das vossas criaturas e assim destruir tanto mal, de quanto refrigério isto me seria! Grande coisa é viver e continuamente morrer! Oh, quão grande pena é ver que poderia ajudar as vossas criaturas dando por elas a vida, e não poder fazê-lo! Ó caridade, sois uma lima que, ao mesmo tempo, consumis, pouco a pouco, alma e corpo, e continuamente nutris alma e corpo.

Ó Trindade, ó Pai, ó Verbo, ó Espírito, concedei a cada uma das vossas criaturas a vossa luz para que possam todas elas conhecer sua própria malícia; e a mim, dai-me a graça de poder satisfazer por elas, dando a vida, se necessário for. Por que não posso eu dar a todos esta vossa Luz? Oxalá pudéssemos todos juntos reparar nossas ofensas, se bem que unicamente vossa bondade pode satisfazer-nos cabalmente. Ó bondade imensa, difundi-nos no coração dos vossos eleitos!”


Santa Maria Madalena de Pazzi, O.Carm.
Libro dei colloqui, Coloqui I, Op, v.3


domingo, 24 de maio de 2009

ASCENSÃO DO SENHOR - Ninguém subiu ao céu senão Aquele que veio do céu



Solenidade

"Hoje nosso Senhor Jesus Cristo subiu ao céu; suba também, como Ele, nosso coração. Ouçamos o que nos diz o Apóstolo: Se fostes ressuscitados com Cristo, buscai as coisas do alto, onde Cristo está sentado à destra de Deus. Ponde vosso coração nas coisas do céu, não nas da terra. Pois, do mesmo modo que ele sofreu, sem por isso afastar-se de nós, assim também nós estamos já com Ele, embora ainda não se tenha realizado em nosso corpo o que nos foi prometido.

Ele foi elevado ao mais alto dos céus; entretanto, continua sofrendo na terra através das fadigas que experimentam os seus membros. Assim o testificou com aquela voz vinda do céu: ‘Saulo, Saulo, por que me persegues?’ E também: ‘Tive fome e me destes de comer’. Por que não trabalhamos nós também aquí na terra, de maneira que, pela fé, a esperança e a caridade que nos unem a Ele, descansemos já com Ele nos céus? Ele está ali, mas continua estando conosco; nós, estando aqui, estamos também com Ele. Ele está conosco por sua divindade, por seu poder, por seu amor; nós, embora não possamos realizar isto como Ele pela divindade, podemos pelo amor a Ele.


Ele, quando desceu até nós, não deixou o céu; tampouco nos deixou ao voltar para o céu. Ele mesmo assegura que não deixou o céu enquanto estava conosco, posto que afirma: ‘Ninguém subiu ao céu senão aquele que desceu do céu, o Filho do homem, que está no céu’. Isto diz em virtude da unidade que existe entre Ele, nossa cabeça, e nós, seu Corpo. E ninguém, exceto Ele, poderia dizer isso, já que nós estamos identificados com Ele, em virtude de que Ele, por nossa causa, fez-se Filho do homem, e nós, por Ele, fomos feitos filhos de Deus.

Neste sentido diz o Apóstolo: ‘Assim como o corpo é um e tem muitos membros, e todos os membros do corpo, apesar de serem muitos, são um só corpo, assim também é Cristo’. Não diz: ‘assim é Cristo’, mas: ‘assim também é Cristo’. Portanto, Cristo é apenas um corpo formado por muitos membros. Desceu, pois, do céu, por sua misericórdia, mas já não subiu sozinho, posto que nós subimos também Nele pela graça. Assim, pois, Cristo desceu sozinho, mas já não ascendeu Ele sozinho; não é que queiramos confundir a divindade da cabeça com a do corpo, mas sim, afirmamos que a unidade de todo o corpo pede que este não seja separado de sua cabeça."


Dos Sermões de Santo Agostinho de Hipona, Bispo
Sermão 98, Sobre a Ascensão do Senhor, 1-2; PLS 2, 494-495

ASCENSÃO DO SENHOR - As verdadeiras e fiéis testemunhas de Cristo



Solenidade

“Não são poucos os que querem ser testemunhas do Senhor da paz, enquanto tudo corre conforme seus desejos. Querem de boa vontade ser santos, mas sem trabalho, sem tédio, sem tribulações, sem prejuízos. Desejam, pois, conhecer a Deus, saboreá-lo, senti-lo, mas sem amargura alguma. Se efetivamente devem trabalhar e se lhes produz amargura, tristeza, trevas e árduas tentações, se Deus se lhes esconde e se vêem desprovidos de consolos interiores ou exteriores, num instante se desvanecem seus bons propósitos. Não são as verdadeiras testemunhas que o Senhor exige.

Quem há que não busque a paz, quem que não queira ter a paz em tudo o que faz? E, entretanto, este modo de buscar esta paz deve sem dúvida ser descartado. Devemos esforçar-nos em ter paz em todo o tempo, inclusive nas adversidades com não pouco esforço. Daí deve nascer a verdadeira paz, estável, segura. Verdadeiramente qualquer outra coisa que busquemos ou queiramos será um engano. Se, em troca, nos esforçamos enquanto nos seja possível, por estar alegres na tristeza e nos mantivermos tranqüilos na tribulação, simples nas dificuldades e alegres na angústia, então seremos verdadeiras testemunhas de Deus e de Nosso Senhor Jesus Cristo.

A tais discípulos, o mesmo Cristo, vivo e ressuscitado dentre os mortos, desejava a paz. Estes em sua vida terrena nunca encontraram uma paz externa; mas lhes foi dada uma paz essencial, a verdadeira paz nas tribulações, a felicidade nos insultos, a vida na morte. Se alegravam e exultavam quando os homens lhes odiavam, quando os entregavam aos tribunais, quando eram condenados à morte. Tais são as verdadeiras testemunhas de Deus”.


Frei Johannes Tauler, O.P.
Místico Dominicano do século XIV
Sermón en la fiesta de la Ascensión del Señor
Cit.por dominicos.org

ASCENSÃO DO SENHOR - A gloriosa Ascensão do Senhor



Solenidade

“Hoje a Igreja celebra a Solenidade da Ascensão do Senhor. Esta Solenidade ocorre dentro do Tempo Pascal. Isto significa que o mistério da Ascensão é um aspecto da Páscoa de Cristo.

Na santa Ressurreição Jesus foi glorificado na sua natureza humana: seu corpo e sua alma humana foram totalmente impregnados pelo Santo Espírito, de modo que o Filho eterno do Pai é também um homem divinizado, um homem impregnado da vida divina. Isto contemplamos na Ressurreição: o que aconteceu a Jesus.

Agora, na santa Ascensão, contemplamos o que Jesus glorificado se tornou para nós. Ele não somente foi glorificado, mas o foi em nosso favor, para o nosso bem! Dizer que Ele está à Direita do Pai é um modo figurado de afirmar que Ele participa do senhorio que é próprio de Deus.

Jesus Cristo, com toda a autoridade no céu e na terra, é Senhor do universo, cabeça de toda a criação: tudo caminha para Ele, Ele é o ponto Ômega, o ponto de chegada de todas coisas. Mas, não só: Ele é também Senhor da história: para Ele caminha a história humana e a história de cada um de nós. Nele toda lágrima será enxugada, toda ferida, sarada, toda morte, redimida!


Ele é também o Advogado, o primeiro Paráclito, o nosso Mediador e Intercessor junto do Pai. É isto que afirma a Carta aos Hebreus quando diz que Ele está à direita do Pai com o seu próprio sangue. Ele é aquele Cordeiro de pé como que imolado, tendo nas mãos o livro com as folhas lacradas, que João contemplou no seu Apocalipse.

Sendo assim, Ele é o eterno sacerdote, que continuamente está diante do Pai, oferecendo-se uma vez por todas. É esta sua oferta, de Cordeiro glorioso (de pé) e imolado (como que imolado), que se torna presente em cada Celebração eucarística. Participar do Banquete sacrifical da Eucaristia é participar das coisas do céu, do santo sacrifício que o Senhor Jesus eternamente apresenta ao Pai por nós e pelo mundo inteiro.

Finalmente, Cristo à Direita do Pai é nosso juiz: nele, com o critério da sua cruz, amor que ama até dá a vida, tudo será passado a limpo, tudo será julgado.

Eis, portanto, o belíssimo e rico sentido da Solenidade de hoje!”.


D.Henrique Soares da Costa,Bispo
Cit.por domhenrique.org


sábado, 23 de maio de 2009

Caminhando para a Ascensão cantando o Aleluia



“Toda a nossa vida presente deve transcorrer no louvor de Deus, porque louvar a Deus será sempre também a alegria eterna de nossa vida futura. Ora, ninguém pode tornar-se apto para a vida futura se, já desde já, não se prepara para ela. Agora louvamos a Deus, mas também rogamos a Deus. O nosso louvor está cheio de alegrias e a nossa oração, de gemidos. Foi-nos prometido algo que ainda não possuímos; porém, por ser feliz quem o prometeu, alegramo-nos na esperança; mas, como ainda não estamos na posse da promessa, gememos na ansiedade. É bom perseverarmos no desejo, até que a promessa se realize; então acabará o gemido e permanecerá somente o louvor.

Agora, pois irmãos, vos exortamos a louvar a Deus. É isto o que todos nós exprimimos mutuamente quando cantamos “Aleluia”. “Louvai o Senhor”, dizemos nós uns aos outros. E assim todos põem em prática aquilo que se exortam. Mas louvai-o com todas as vossas forças, isto é, louvai a Deus não só com a língua e a voz, mas também com a vossa consciência, vossa vida, vossas ações.

Na verdade, louvamos a Deus agora que nos encontramos reunidos na igreja. Mas logo ao voltarmos para casa, parece que deixamos de louvar a Deus. Não deixes de viver santamente e louvarás sempre a Deus. Deixas de louvá-lo quando te afastas da justiça e do que lhe agrada. Mas, se nunca te desviares do bom caminho, ainda que tua língua se cale, tua vida clamará; e o ouvido de Deus estará perto do teu coração. Porque assim como nossos ouvidos escutam nossas palavras, assim os ouvidos de Deus escutam nossos pensamentos”.


Santo Agostinho de Hipona,
Sermão 98, Sobre a Ascensão do Senhor, 1-2; PLS 2, 494-495


Santa Teresa de Jesus: Enfermos de amor por Ti, meu Senhor



“Ó Deus verdadeiro e Senhor meu! Para a alma afligida pela solidão em que vive na tua ausência, é grande consolo saber que estás em toda a parte. Mas que sentido há nisto, Senhor, quando a força do amor e a impetuosidade desta pena aumentam, e o coração se atormenta, a tal ponto, que nem podemos já compreender nem conhecer tal verdade? A alma percebe apenas que está apartada de Ti, e nenhum remédio admite. Porque o coração que muito ama não consente outros conselhos nem consolos, senão os vindos d'Aquele que o feriu; d'Ele, somente, espera a cura para a pena.

Quando Tu queres, Senhor, depressa saras a ferida que fizeste. Ó meu Bem-Amado, com quanta compaixão, com quanta doçura, bondade e ternura, com quantas mostras de amor Tu saras estas chagas feitas com as setas do teu amor! Ó meu Deus, Tu és o repouso para todas as penas.

Não será loucura vã procurar meios humanos para curar os que vivem enfermos do divino fogo? Quem poderá saber aonde tal ferida chegará, donde vem, e como mitigar tão penoso tormento? Quanta razão tem a esposa do Cântico dos Cânticos, ao dizer: «O meu amado é para mim e eu para Ele!» (Ct 2,16). Porque o amor que sinto não pode ter origem em algo tão baixo como é este meu amor. E, no entanto, Esposo meu, sendo ele assim tão baixo, como entender que seja afinal capaz de superar todas as coisas criadas, para chegar ao seu Criador?”

Santa Teresa d'Ávila,
Monja Carmelita e Doutora da Igreja
Obras Completas(Editorial Monte Carmelo)