domingo, 24 de maio de 2009

ASCENSÃO DO SENHOR - As verdadeiras e fiéis testemunhas de Cristo



Solenidade

“Não são poucos os que querem ser testemunhas do Senhor da paz, enquanto tudo corre conforme seus desejos. Querem de boa vontade ser santos, mas sem trabalho, sem tédio, sem tribulações, sem prejuízos. Desejam, pois, conhecer a Deus, saboreá-lo, senti-lo, mas sem amargura alguma. Se efetivamente devem trabalhar e se lhes produz amargura, tristeza, trevas e árduas tentações, se Deus se lhes esconde e se vêem desprovidos de consolos interiores ou exteriores, num instante se desvanecem seus bons propósitos. Não são as verdadeiras testemunhas que o Senhor exige.

Quem há que não busque a paz, quem que não queira ter a paz em tudo o que faz? E, entretanto, este modo de buscar esta paz deve sem dúvida ser descartado. Devemos esforçar-nos em ter paz em todo o tempo, inclusive nas adversidades com não pouco esforço. Daí deve nascer a verdadeira paz, estável, segura. Verdadeiramente qualquer outra coisa que busquemos ou queiramos será um engano. Se, em troca, nos esforçamos enquanto nos seja possível, por estar alegres na tristeza e nos mantivermos tranqüilos na tribulação, simples nas dificuldades e alegres na angústia, então seremos verdadeiras testemunhas de Deus e de Nosso Senhor Jesus Cristo.

A tais discípulos, o mesmo Cristo, vivo e ressuscitado dentre os mortos, desejava a paz. Estes em sua vida terrena nunca encontraram uma paz externa; mas lhes foi dada uma paz essencial, a verdadeira paz nas tribulações, a felicidade nos insultos, a vida na morte. Se alegravam e exultavam quando os homens lhes odiavam, quando os entregavam aos tribunais, quando eram condenados à morte. Tais são as verdadeiras testemunhas de Deus”.


Frei Johannes Tauler, O.P.
Místico Dominicano do século XIV
Sermón en la fiesta de la Ascensión del Señor
Cit.por dominicos.org

ASCENSÃO DO SENHOR - A gloriosa Ascensão do Senhor



Solenidade

“Hoje a Igreja celebra a Solenidade da Ascensão do Senhor. Esta Solenidade ocorre dentro do Tempo Pascal. Isto significa que o mistério da Ascensão é um aspecto da Páscoa de Cristo.

Na santa Ressurreição Jesus foi glorificado na sua natureza humana: seu corpo e sua alma humana foram totalmente impregnados pelo Santo Espírito, de modo que o Filho eterno do Pai é também um homem divinizado, um homem impregnado da vida divina. Isto contemplamos na Ressurreição: o que aconteceu a Jesus.

Agora, na santa Ascensão, contemplamos o que Jesus glorificado se tornou para nós. Ele não somente foi glorificado, mas o foi em nosso favor, para o nosso bem! Dizer que Ele está à Direita do Pai é um modo figurado de afirmar que Ele participa do senhorio que é próprio de Deus.

Jesus Cristo, com toda a autoridade no céu e na terra, é Senhor do universo, cabeça de toda a criação: tudo caminha para Ele, Ele é o ponto Ômega, o ponto de chegada de todas coisas. Mas, não só: Ele é também Senhor da história: para Ele caminha a história humana e a história de cada um de nós. Nele toda lágrima será enxugada, toda ferida, sarada, toda morte, redimida!


Ele é também o Advogado, o primeiro Paráclito, o nosso Mediador e Intercessor junto do Pai. É isto que afirma a Carta aos Hebreus quando diz que Ele está à direita do Pai com o seu próprio sangue. Ele é aquele Cordeiro de pé como que imolado, tendo nas mãos o livro com as folhas lacradas, que João contemplou no seu Apocalipse.

Sendo assim, Ele é o eterno sacerdote, que continuamente está diante do Pai, oferecendo-se uma vez por todas. É esta sua oferta, de Cordeiro glorioso (de pé) e imolado (como que imolado), que se torna presente em cada Celebração eucarística. Participar do Banquete sacrifical da Eucaristia é participar das coisas do céu, do santo sacrifício que o Senhor Jesus eternamente apresenta ao Pai por nós e pelo mundo inteiro.

Finalmente, Cristo à Direita do Pai é nosso juiz: nele, com o critério da sua cruz, amor que ama até dá a vida, tudo será passado a limpo, tudo será julgado.

Eis, portanto, o belíssimo e rico sentido da Solenidade de hoje!”.


D.Henrique Soares da Costa,Bispo
Cit.por domhenrique.org


sábado, 23 de maio de 2009

Caminhando para a Ascensão cantando o Aleluia



“Toda a nossa vida presente deve transcorrer no louvor de Deus, porque louvar a Deus será sempre também a alegria eterna de nossa vida futura. Ora, ninguém pode tornar-se apto para a vida futura se, já desde já, não se prepara para ela. Agora louvamos a Deus, mas também rogamos a Deus. O nosso louvor está cheio de alegrias e a nossa oração, de gemidos. Foi-nos prometido algo que ainda não possuímos; porém, por ser feliz quem o prometeu, alegramo-nos na esperança; mas, como ainda não estamos na posse da promessa, gememos na ansiedade. É bom perseverarmos no desejo, até que a promessa se realize; então acabará o gemido e permanecerá somente o louvor.

Agora, pois irmãos, vos exortamos a louvar a Deus. É isto o que todos nós exprimimos mutuamente quando cantamos “Aleluia”. “Louvai o Senhor”, dizemos nós uns aos outros. E assim todos põem em prática aquilo que se exortam. Mas louvai-o com todas as vossas forças, isto é, louvai a Deus não só com a língua e a voz, mas também com a vossa consciência, vossa vida, vossas ações.

Na verdade, louvamos a Deus agora que nos encontramos reunidos na igreja. Mas logo ao voltarmos para casa, parece que deixamos de louvar a Deus. Não deixes de viver santamente e louvarás sempre a Deus. Deixas de louvá-lo quando te afastas da justiça e do que lhe agrada. Mas, se nunca te desviares do bom caminho, ainda que tua língua se cale, tua vida clamará; e o ouvido de Deus estará perto do teu coração. Porque assim como nossos ouvidos escutam nossas palavras, assim os ouvidos de Deus escutam nossos pensamentos”.


Santo Agostinho de Hipona,
Sermão 98, Sobre a Ascensão do Senhor, 1-2; PLS 2, 494-495


Santa Teresa de Jesus: Enfermos de amor por Ti, meu Senhor



“Ó Deus verdadeiro e Senhor meu! Para a alma afligida pela solidão em que vive na tua ausência, é grande consolo saber que estás em toda a parte. Mas que sentido há nisto, Senhor, quando a força do amor e a impetuosidade desta pena aumentam, e o coração se atormenta, a tal ponto, que nem podemos já compreender nem conhecer tal verdade? A alma percebe apenas que está apartada de Ti, e nenhum remédio admite. Porque o coração que muito ama não consente outros conselhos nem consolos, senão os vindos d'Aquele que o feriu; d'Ele, somente, espera a cura para a pena.

Quando Tu queres, Senhor, depressa saras a ferida que fizeste. Ó meu Bem-Amado, com quanta compaixão, com quanta doçura, bondade e ternura, com quantas mostras de amor Tu saras estas chagas feitas com as setas do teu amor! Ó meu Deus, Tu és o repouso para todas as penas.

Não será loucura vã procurar meios humanos para curar os que vivem enfermos do divino fogo? Quem poderá saber aonde tal ferida chegará, donde vem, e como mitigar tão penoso tormento? Quanta razão tem a esposa do Cântico dos Cânticos, ao dizer: «O meu amado é para mim e eu para Ele!» (Ct 2,16). Porque o amor que sinto não pode ter origem em algo tão baixo como é este meu amor. E, no entanto, Esposo meu, sendo ele assim tão baixo, como entender que seja afinal capaz de superar todas as coisas criadas, para chegar ao seu Criador?”

Santa Teresa d'Ávila,
Monja Carmelita e Doutora da Igreja
Obras Completas(Editorial Monte Carmelo)


terça-feira, 19 de maio de 2009

Sobre o juízo dos homens e o amor próprio



“Ó morte, que doce é a tua sentença (Sir 41,2). Para que penso no amanhã? Devo fazer, com toda a diligência do espírito, tudo quanto Deus quer de mim em cada momento, deixando que Ele se preocupe com o futuro.

A idéia dos exames assusta-me; não sei como apresentar-me aos meus professores, a todo o corpo docente reunido, para provar que estudei. E o que fará minha alma, sozinha, pobre pecadora, diante de toda a corte celestial, diante de Jesus, Juiz divino? Os santos tremiam de espanto só ao pensá-lo, escondiam-se nos desertos, e eram santos. Quão louco sou! Tremo quando não há razão e no que deveria preocupar-me, penso pouco. Tenho, pois, que ser mais objetivo. Menos medo dos exames aqui da terra, e mais aplicação para ganhar méritos e fazer boas obras que me suavizem o juízo de Deus.

Porque tanta angústia e preocupação com o êxito? No fundo é tudo por causa da opinião que possam ter acerca da minha pessoa, porque sou escravo do juízo dos homens, escravo do meu amor próprio. Que insensatez! O que me importa o juízo dos homens? Serão eles que hão de premiar-me? Não são para Deus, afinal, todos os meus atos? Tenho de aprender a enfrentar o juízo dos homens, a despreocupar-me, a não deixar que me afete de modo nenhum, porque, no futuro desempenho do ministério sacerdotal, me verei obrigado, com freqüência, a contrariá-lo e a desafiá-lo, se quiser fazer algum bem. ‘Se tratasse de agradar aos homens, não agradaria a Deus’, dizia São Paulo.

O meu pai espiritual insiste em que, durante os santos Exercícios, me ocupe sobretudo do meu amor próprio, do outro eu, pois não serei realmente grande, nem útil para nada, enquanto não me despojar por completo de mim mesmo. O amor próprio. Que problema, se bem pensarmos. Quem terá conseguido definir em que consiste? Que filósofo se terá ocupado dele? E é a questão mais importante que trazemos entre as mãos, uma questão decisiva. E quem pensa nisso? Contudo, Jesus Cristo – e estou a vê-lo nas meditações destes dias – nos seus ensinamentos, mais não fez do que indicar-nos como havemos de lutar, na prática, contra esse inimigo mortal que corrompe todas as nossas ações.


É uma exposição, um conjunto doutrinal admirável, que me dá o que pensar; embora não seja a primeira vez que o ouço, mostra-me certos aspectos que me parecem novos, revela-me certos aprofundamentos desconhecidos e maravilhosos. Mas – e aqui aumenta o espanto – a vida de Jesus, considerada sob esse aspecto, é uma revolução em toda a linha, uma contradição dos modos de ver, sentir, raciocinar, mesmo das pessoas piedosas e realmente boas.

Quanto a nós, ou somos santos de todo, esforçando-nos por alcançar o terceiro grau de humildade, isto é, querer padecer e ser menosprezado, ou não somos nada: com o primeiro grau, as lições de Jesus quase ficam sem fruto e o amor próprio só aparentemente é anulado. É essa a conclusão. Mas então, o que ando a fazer se nem sequer alcancei o primeiro grau da humildade?

Amável Jesus, prostro-me aos vossos pés, certo de que sabereis realizar aquilo que nem sequer sou capaz de imaginar. Quero servir-vos até onde quiseres, custe o que custar, sob pena de qualquer sacrifício. Não sei fazer nada; não sei humilhar-me; a única coisa que sei dizer-vos e vos digo firmemente é: quero humilhar-me, quero amar a humilhação, a falta de atenções que o meu próximo tiver para comigo; lanço-me de olhos fechados, de boa vontade, no mar de desprezos, sofrimentos e abjeções a que vos agrade sujeitar-me. Sinto repugnância em vos dizer, sinto angústia no coração, mas prometo isso a Vós. Quero sofrer, quero ser desprezado por vosso amor. Não sei o que vou fazer, nem sequer acredito em mim mesmo, mas não desisto de o querer com toda a força da minha alma: padecer e ser desprezado por teu amor”.


Seminarista Angelo Giuseppe Roncalli (Papa João XXIII)
Diário de uma alma, (2ª parte, no Seminário de Roma)


sábado, 16 de maio de 2009

Quem recebe aquele que eu enviei recebe a mim Jo 13, 20



Jo 13, 20

“Em verdade, em verdade vos digo: quem recebe aquele que eu enviei recebe a mim; e quem me recebe, recebe aquele que me enviou”.

“Porque o que recebe ao que Jesus envia, recebe ao mesmo Jesus que existe em seu enviado. E o que recebe Jesus, recebe ao Pai. Logo, o que recebe ao que Jesus envia recebe o Pai que envia. Também pode entender-se deste outro modo: o que recebe a quem Eu enviarei, se faz digno de receber-me a mim. E o que me recebe, não por intermediação do apóstolo que eu enviarei, mas me recebe quando me dirijo às almas, recebe também o Pai, de tal modo que não só Eu moro nele mas também o Pai”.

Orígenes
In Ioannem tract., 32
Catena Aurea


“Onde Jesus diz: «Meu Pai e Eu somos uma só coisa» ( Jn 10,30), não deixa nenhuma dúvida quanto à distância. E ao aceitar agora estas palavras do Senhor, «Quem me recebe, recebe aquele que me enviou» (Jo 13, 20), ao entender que uma mesma é a natureza do Pai e do Filho, seria lógico que na locução «Se recebe ao que Eu enviar, recebe a mim», se entendesse também que uma mesma é a natureza do Filho e a do apóstolo. E assim, parece que se devia dizer: «Quem recebe ao que Eu enviar, recebe a mim como homem, e o que me recebe como Deus, recebe o Pai me enviou». Mas quando dizia isto não fazia alusão à unidade de natureza, senão que recomendava a sua própria autoridade que reside no enviado. Se, pois, atendes a Cristo em Pedro, verás o Mestre no discípulo; e se olhas ao Filho no Pai, verás o Pai no Unigênito”.


Santo Agostinho de Hipona
In Ioannem tract., 59
Catena Aurea


Ano Sacerdotal: Indulgências especiais



Um decreto da Penitenciária Apostólica divulgou as condições

CIDADE DO VATICANO, terça-feira, 12 de maio de 2009 (ZENIT.org) - Os sacerdotes e fiéis que realizarem determinados exercícios de piedade durante o Ano Sacerdotal receberão a indulgência plenária.

Assim informa um decreto divulgado hoje pela Sala de Imprensa da Santa Sé, assinado pelo cardeal James Francis Stafford e pelo bispo Gianfranco Girotti, O.F.M., penitenciário maior e regente da Penitenciária Apostólica, respectivamente.

A Igreja celebrará o Ano Sacerdotal do dia 19 de junho de 2009 até o mesmo dia do ano seguinte, por ocasião do 150º aniversário da morte de São João Maria Vianney, o Cura de Ars.

O Ano Sacerdotal começará no dia da Solenidade do Sagrado Coração de Jesus, com a celebração, presidida pelo Papa, das Vésperas diante das relíquias de São João Maria Vianney, levadas a Roma pelo Bispo de Belley-Ars.

Bento XVI concluirá o “sagrado período” um ano depois, na Praça de São Pedro, com sacerdotes do mundo inteiro, que “renovarão a fidelidade a Cristo e o vínculo de fraternidade”, segundo o texto.


O decreto explica detalhadamente as modalidades para a obtenção das indulgências:

1-Em primeiro lugar, poderão obter a indulgência plenária os sacerdotes que, “arrependidos de coração”, rezem qualquer dia as Laudes ou Vésperas diante do Santíssimo Sacramento exposto para a adoração pública ou no sacrário e, seguindo o exemplo de São João Maria Vianney, ofereçam-se para celebrar os sacramentos, sobretudo a Confissão, “com espírito generoso e disposto”.

2-O texto indica que os sacerdotes poderão beneficiar-se da indulgência plenária aplicável a outros sacerdotes defuntos como sufrágio, se, em conformidade com as disposições vigentes, se confessarem, comungarem e rezarem pelas intenções do Papa.

3-Também receberão indulgência parcial, sempre aplicável aos irmãos no sacerdócio defuntos, “cada vez que rezarem orações devidamente aprovadas para levar uma vida santa e cumprir os ofícios que lhes foram confiados”.

4-Por outro lado, todos os cristãos poderão beneficiar-se de indulgência plenária sempre que, “arrependidos de coração”, assistirem à Santa Missa e oferecerem pelos sacerdotes da Igreja orações a Jesus Cristo e qualquer boa obra.

Tudo isso complementado com o sacramento da confissão e a oração pelas intenções do Papa “nos dias em que se abra e se conclua o Ano Sacerdotal, no dia do 150º aniversário da morte de São João Maria Vianney, nas primeiras quintas-feiras de cada mês ou em qualquer outro dia estabelecido pelos Ordinários dos lugares para a utilidade dos fiéis”.

Os idosos, doentes e todos aqueles que, por motivos legítimos, não possam sair de casa, também poderão obter a indulgência plenária se, com ânimo afastado do pecado e o propósito de cumprir as três condições necessárias assim que lhes for possível, “nos dias indicados rezarem pela santificação dos sacerdotes e oferecerem a Deus, por meio de Maria, Rainha dos Apóstolos, suas doenças e sofrimentos”.

O decreto indica que se concederá a indulgência parcial a todos os fiéis cada vez que rezarem 5 Pai Nossos, Ave Marias e Glórias, e outra oração devidamente aprovada “em honra do Sagrado Coração de Jesus, para que os sacerdotes se conservem em pureza e santidade de vida”.

O texto indica que o Santo Cura de Ars “aqui na terra foi um maravilhoso modelo de verdadeiro pastor do rebanho de Cristo”.

Também destaca que as indulgências podem ajudar os sacerdotes, junto com a oração e as boas obras, a obter “a graça de resplandecer com a fé, a esperança, a caridade e as demais virtudes” e “mostrar com sua conduta de vida, também com seu aspecto exterior, que estão plenamente dedicados ao bem espiritual das pessoas”.


Fonte: Zenit


sexta-feira, 15 de maio de 2009

Madre Teresa de Calcutá: As árvores conhecem-se pelos seus frutos




“As árvores conhecem-se pelos seus frutos”


”Se há coisa que sempre nos garantirá o céu, são os atos de caridade e de generosidade com que tivermos preenchido a nossa existência. Saberemos jamais o bem que pode fazer um simples sorriso? Proclamamos que Deus acolhe, compreende, perdoa. Mas somos a prova viva disso que proclamamos? Os outros detectam em nós esse acolhimento, essa compreensão e esse perdão, vivos?

Sejamos sinceros nas nossas relações uns com os outros; tenhamos a coragem de nos aceitar uns aos outros tal como somos. Não nos deixemos espantar nem preocupar com os nossos fracassos nem com os fracassos dos outros; antes, vejamos o bem que há em cada um de nós; descubramo-lo, porque todos nós fomos criados à imagem de Deus.

Não esqueçamos que ainda não somos santos, mas que nos esforçamos por sê-lo. Sejamos, pois, extremamente pacientes com os nossos pecados e com as nossas quedas. Não te sirva a língua senão para o bem dos outros, “porque a boca fala da abundância do coração”. Temos de ter alguma coisa no coração para podermos dar, e aqueles cuja missão é dar têm primeiro de crescer no conhecimento e amor a Deus”.


Beata Teresa de Calcutá
Fundadora das Missionárias da Caridade
Não há amor maior


quarta-feira, 13 de maio de 2009

NOSSA SENHORA DE FÁTIMA - Necessitamos nos santificar por Maria – 1ª parte



13 de Maio
5a Semana da Páscoa

De São Luís Maria Grignon de Montfort
O Segredo de Maria

Necessitamos nos santificar por Maria

“Alma, imagem viva de Deus e resgatada pelo Sangue precioso de Jesus Cristo, a vontade de Deus a teu respeito é que te tornes santa como Ele nesta vida, e gloriosa como Ele na outra.

A aquisição da santidade de Deus é tua vocação assegurada; e é para lá que todos os teus pensamentos, palavras e ações, teus sofrimentos e todos os movimentos de tua vida devem tender; ou do contrário, tu resistes a Deus, não fazendo aquilo para o que Ele te criou e te conserva agora.

Ó! Que obra admirável! A poeira transformada em luz, a imundície em pureza, o pecado em santidade, a criatura em Criador e o homem em Deus! Ó obra admirável! Eu o repito, mas obra difícil em si mesma e impossível à natureza por si só; unicamente Deus, por uma graça, uma graça abundante e extraordinária, é quem pode levá-la a cabo; e a criação de todo o universo não é maior obra-prima do que esta.

Alma, como farás? Que meios tu escolherás para subir onde Deus te chama? Os meios de salvação e de santidade são conhecidos de todos, estão assinalados no Evangelho, explicados pelos mestres da vida espiritual, são praticados pelos santos e necessários a todos os que querem salvar-se e chegar à perfeição; tais são: a humildade de coração, a oração contínua, a mortificação universal, o abandono à divina Providência, a conformidade com a vontade de Deus.

Para praticar todos esses meios de salvação e de santidade, a graça e o socorro de Deus são absolutamente necessários, e esta graça é dada a todos, maior ou menor; não resta dúvida. Eu digo: maior ou menor, pois Deus, ainda que sendo infinitamente bom, não dá sua Graça igualmente forte para todos, embora Ele a dê suficiente para todos. A alma fiel a uma grande graça faz uma grande ação, e com uma fraca graça faz uma pequena ação. O valor e a excelência da graça dada por Deus e correspondida pela alma fazem o valor e a excelência de nossas ações. Esses princípios são incontestáveis.

Tudo se reduz, portanto, a encontrar um meio fácil para obter de Deus a graça necessária para tornar-se santo; e é isto que eu quero mostrar e ensinar. E, eu digo que para encontrar a graça de Deus, é necessário encontrar Maria.


Um escultor pode fazer uma figura ou um retrato ao natural de duas maneiras: 1º - servindo-se de sua indústria, de sua força, de sua ciência e da qualidade de seus instrumentos para fazer essa figura em uma matéria dura e informe; 2º - ele pode colocá-la num molde. A primeira maneira é demorada, difícil, e sujeita a vários acidentes: não é preciso, freqüentemente, mais que um golpe mal dado de cinzel ou de martelo para estragar toda uma obra. A segunda é pronta, fácil e doce, quase sem sofrimento e sem custo, desde que o molde seja perfeito e que ele represente ao natural; desde que a matéria de que ele se sirva seja bem maleável, não resistindo nunca à sua mão.

Maria é o grande molde de Deus, feito pelo Espírito Santo, para formar ao natural um Homem-Deus pela união hipostática, e para formar um homem-Deus pela graça. Não falta a este molde nenhum traço da divindade; qualquer um que seja jogado nele e se deixa manejar, nele recebe todos os traços de Jesus Cristo, verdadeiro Deus, de uma maneira doce e proporcionada à fraqueza humana, sem muita luta e trabalho; de uma maneira segura, sem medo de ilusão, pois o demônio nunca teve e não terá jamais entrada junto a Maria, santa e imaculada, sem sombra da menor mancha de pecado.

Ó, cara alma! Que diferença há entre uma alma formada em Jesus Cristo pelas vias ordinárias daqueles que, como os escultores, se fiam em sua experiência e se apóiam em sua capacidade, e uma alma bem maleável, bem desfeita, bem derretida, e que, sem nenhum apoio em si mesma, se lança em Maria e n’Ela se deixa manusear pela operação do Espírito Santo! Quanto há de máculas, quanto há de defeitos, quanto há de trevas, quanto há de ilusões, quanto há de natural, quanto há de humano na primeira alma; e como a segunda é pura, divina e parecida com Jesus Cristo!”


(Continua)

NOSSA SENHORA DE FÁTIMA - Necessitamos nos santificar por Maria – 2ª parte



13 de Maio
5a Semana da Páscoa

Continuação:

“Absolutamente não há, nem nunca haverá jamais, criatura onde Deus seja maior, fora d’Ele mesmo e em si mesmo, que na divina Maria, sem exceção nem dos bem-aventurados, nem dos querubins, nem dos mais altos serafins, no Paraíso mesmo. Maria é o Paraíso de Deus e seu mundo inefável, onde o Filho de Deus entrou para lá operar maravilhas, para o guardar e comprazer-se lá. Ele fez um mundo para o homem viandante, que é este em que estamos; Ele fez um mundo para o homem bem-aventurado, que é o Paraíso; mas Ele fez um outro para si, ao qual deu o nome de Maria; mundo desconhecido a quase todos os mortais, e incompreensível a todos os anjos e bem-aventurados, lá no Céu, que, na admiração de ver Deus tão elevado e tão distanciado deles todos, tão separado e tão recluso em Seu mundo, a divina Maria, bradam dia e noite: Santo, Santo, Santo.

Feliz e mil vezes feliz a alma, aqui embaixo, à qual o Espírito Santo revela o segredo de Maria, para o conhecer, e à qual Ele abre e permite penetrar esse jardim fechado, essa fonte selada para nela abeberar-se das águas vivas da graça! Esta alma não encontrará senão Deus somente, sem criatura, nesta amável criatura. Mas Deus, ao mesmo tempo infinitamente Santo e Elevado, infinitamente condescendente e proporcionado à sua fraqueza. Uma vez que Deus está em todo lugar, pode-se encontrá-lo em todo lugar, até nos infernos; mas não há lugar onde a criatura possa encontrá-lo mais perto de si e mais proporcionada à sua fraqueza que em Maria, pois foi para este efeito que Ele desceu a Ela. Por toda parte Ele é o Pão dos fortes e dos Anjos; mas em Maria, Ele é o Pão dos filhos.

Que ninguém imagine, portanto, junto com alguns falsos iluminados, que Maria, sendo criatura, seja um impedimento à união como o Criador; não é mais Maria que vive, é Jesus Cristo só, é Deus só que vive n’Ela. Sua transformação em Deus ultrapassa mais a de São Paulo e dos outros santos, de que o céu ultrapassa a terra em elevação. Maria não foi feita senão para Deus, e tal seria que Ela faça parar uma alma n’Ela mesma. Pelo contrário, Ela a lança em Deus e a une a Ele com tanto maior perfeição, quanto maior a união da alma com Ela. Maria é o eco admirável de Deus, que não responde senão: Deus, quando alguém grita: Maria, que não glorifica senão a Deus, quando, com Santa Isabel, alguém lhe chama bem-aventurada. Se os falsos iluminados, que foram miseravelmente enganados pelo demônio até na oração, houvessem sabido encontrar Maria, e por Maria, Jesus, e por Jesus, Deus, eles não teriam tido tão terríveis quedas. Quando se tem uma vez encontrado Maria, e por Maria, Jesus, e por Jesus, Deus Pai, tem-se encontrado todo bem, dizem as almas santas. Quem diz a "todo" não faz exceção de nada: toda graça e toda amizade junto a Deus; toda sinceridade contra os inimigos de Deus; toda verdade contra a mentira; toda facilidade e toda vitória contra as dificuldades da salvação; toda doçura e toda alegria nas amarguras da vida.


Isso não quer dizer que quem encontrou Maria, por meio de uma verdadeira devoção, seja isento de cruzes e de sofrimentos; pode ser sim, mais assaltado do que qualquer outro, porque Maria, sendo a Mãe dos viventes, dá a todos os seus filhos pedaços da Árvore da vida, que é a Cruz de Jesus; mas talhando-lhes umas boas cruzes, Ela lhes dá a graça de carregá-las pacientemente e mesmo alegremente; de sorte que as cruzes que Ela dá aos que lhe pertencem são mais uns doces, ou umas cruzes confeitadas, que cruzes amargas; ou, se eles sentem por um tempo a amargura do cálice que é preciso beber necessariamente para ser amigo de Deus, a consolação e a alegria, que esta boa Mãe faz suceder à tristeza, os anima infinitamente a levar cruzes ainda mais pesadas e amargas.

Conclusão

A dificuldade está, portanto, em saber encontrar verdadeiramente a divina Maria, para encontrar toda graça abundante. Deus, sendo Senhor absoluto, pode comunicar por Ele mesmo o que Ele não comunica ordinariamente senão por Maria; não se pode negar, sem temeridade, que Ele o faça mesmo algumas vezes; entretanto, segundo a ordem que a divina Sabedoria estabeleceu, Ele não se comunica ordinariamente aos homens senão por Maria na ordem da graça, como diz São Tomás. É necessário, para subir e se unir a Ele, servir-se do mesmo meio de que Ele se serviu para descer a nós, para se fazer homem e para nos comunicar suas graças; e este meio é uma verdadeira devoção à Santa Virgem Maria”.


São Luís Maria Grignon de Montfort
O Segredo de Maria

NOSSA SENHORA DE FÁTIMA – Oração do Papa João Paulo II – Totus Tuus



13 de Maio
5a Semana da Páscoa

Totus Tuus

“Virgem Maria,
Mãe do meu Deus!
Faz que eu seja todo teu!
Teu na vida,
teu na morte,
teu no sofrimento,
teu no medo e na miséria,
teu na cruz
e no doloroso desalento,
teu no tempo
e na eternidade.
Virgem,
Mãe do meu Deus!
Faz que eu seja todo,
todo teu!
Amém!”


Papa João Paulo II


sábado, 9 de maio de 2009

Ano Sacerdotal – Caminhando de encontro ao Ano Sacerdotal



Na Carta aos Sacerdotes na quinta-feira santa de 1986, o Papa João Paulo II escreveu:

“O sacramento da reconciliação e o da Eucaristia estão estreitamente unidos. Sem uma conversão constantemente renovada, junto à acolhida da graça sacramental do perdão, a participação na Eucaristia não logrará sua plena eficácia redentora. Como Cristo, que começou seu ministério com a exortação «arrependei-vos e crede no Evangelho» (Mc 1, 15), o Cura d’Ars começava geralmente a sua atividade diária com o sacramento do perdão. Mas se alegrava conduzindo à Eucaristia os seus penitentes já reconciliados. A Eucaristia ocupava certamente o centro de sua vida espiritual e de seu labor pastoral. Costumava dizer: «Todas as boas obras juntas não podem comparar-se com o Sacrifício da Missa pois são obras dos homens, enquanto que a Santa Missa é Obra de Deus». Nela se faz presente o sacrifício do Calvário para redenção do mundo. Evidentemente, o sacerdote deve unir ao oferecimento da Missa a doação cotidiana de si mesmo. «Portanto, é bom que o sacerdote se ofereça a Deus em sacrifício todas as manhãs». «A comunhão e o santo sacrifício da Missa são os dois atos mais eficazes para conseguir a transformação dos corações».

Deste modo, a Missa era para João Maria Vianney a grande alegria e alento em sua vida de sacerdote. Apesar da afluência de penitentes, se preparava com toda diligência e em silêncio durante mais de um quarto de hora. Celebrava com recolhimento, deixando entrever sua atitude de adoração nos momentos da consagração e da comunhão. Com grande realismo, enfatizava: «A causa do relaxamento do sacerdote está em não dedicar suficiente atenção à Missa».


O Cura d’Ars detinha-se particularmente ante a presença real de Cristo na Eucaristia. Ante o tabernáculo passava frequentemente longas horas de adoração, antes de amanhecer ou durante a noite. Em suas homilias costumava apontar o Sacrário dizendo com emoção: «Ele está ali». Por isso, ele, que tão pobremente vivia em sua casa paroquial, não duvidava em gastar quanto fosse necessário para embelezar a Igreja. Logo se pode ver o bom resultado: os fiéis tomaram por costume o ir rezar ante o Santíssimo Sacramento, descobrindo, através da atitude de seu pároco, o grande mistério da fé.

Por Cristo, trata de conformar-se fielmente às exigências radicais que Jesus propõe no Evangelho aos discípulos que envia em missão: oração, pobreza, humildade, renúncia de si mesmo e penitência voluntária. E, como Cristo, sente por seus fiéis um amor que lhe leva a uma entrega pastoral sem limites e ao sacrifício de si mesmo. Raramente um pastor foi até este consciente de suas responsabilidades, devorado pelo desejo de arrancar seus fiéis do pecado ou da tibieza. «Oh Deus meu, concedei-me a conversão de minha paróquia! Aceito sofrer tudo o que quiserdes por toda a minha vida».

Ante tal testemunho, vem à nossa mente o que o Concílio Vaticano II nos diz hoje acerca dos sacerdotes: «Seu ofício sagrado o exercem, sobretudo, no culto ou assembléia eucarística» (Lumen gentium, 28). E, mais recentemente, o Sínodo extraordinário (dezembro de 1985) recordava: «A liturgia deve fomentar o sentido do sagrado e fazê-lo resplandecer. Deve estar imbuída de reverência e da glorificação de Deus. A Eucaristia é a fonte e o cume de toda a vida cristã».


Queridos irmãos sacerdotes, o exemplo do Cura d’Ars nos convida a um sério exame de consciência. Que lugar ocupa a santa Missa em nossa vida cotidiana? A Missa continua sendo como no dia de nossa Ordenação, a qual foi nosso primeiro ato como sacerdotes, o princípio de nosso labor apostólico e de nossa santificação pessoal? Como é nossa oração ante o Santíssimo Sacramento e como a infundimos nos fiéis? Qual é nosso empenho em fazer de nossas igrejas a Casa de Deus para que a presença divina atraia aos homens de hoje, que com tanta freqüência sentem que o mundo está vazio de Deus?

O Cura d’Ars é um modelo de zelo sacerdotal para todos os pastores. O segredo de sua generosidade se encontra sem dúvida alguma em seu amor a Deus, vivido sem limites, em resposta constante ao amor manifestado em Cristo crucificado. Nisto se fundamenta seu desejo de fazer todas as coisas para salvar as almas resgatadas por Cristo a tão grande preço e encaminhá-las até o amor de Deus. Recordemos uma daquelas suas frases lapidares cujo segredo ele bem conhecia: «O sacerdócio é o amor do Coração de Jesus». Em seus sermões e catequeses se referia sempre a este amor: «Oh, Deus meu, prefiro morrer amando-vos que viver um só instante sem amar-vos. Eu vos amo, meu divino Salvador, porque fostes crucificado por mim, porque me tendes crucificado para Vós»”.

Amados irmãos sacerdotes, alimentados pelo Concílio Vaticano II, que felizmente situou a consagração do sacerdote no marco de sua missão pastoral, busquemos o dinamismo de nosso zelo pastoral com São João Maria Vianney, no Coração de Jesus, em seu amor pelas almas. Se não acudirmos à mesma fonte, nosso ministério correrá o risco de dar muito poucos frutos.”


Santo Padre Papa João Paulo II
Carta aos Sacerdotes na quinta-feira santa de 1986


sexta-feira, 8 de maio de 2009

MÊS DE MARIA – Maria e a Redenção




A Cooperação privilegiada de Maria à Redenção

“Maternidade espiritual de Maria - «A Bem-aventurada Virgem, predestinada, desde toda a eternidade no cerne do desígnio da encarnação do Verbo divino, para ser a Mãe de Deus na Terra, por disposição da divina Providência, foi a venerável Mãe do Redentor divino, generosamente associada à sua obra, título absolutamente único, e humilde escrava do Senhor.

Concebendo a Cristo, gerando-o, alimentando-o, apresentando-o no Templo ao Pai, sofrendo com seu Filho que morria na cruz, ela cooperou de modo absolutamente singular - pela obediência, pela fé, pela esperança e por sua ardente caridade - na obra do Salvador, para restaurar a vida sobrenatural das almas. Por tudo isto, Ela é nossa Mãe na Ordem da graça»".


Lumen Gentium, Capítulo VIII § 61
Concílio Vaticano II


MÊS DE MARIA – Nossa Senhora, Mãe do Amor



Maria, Mãe do Amor

“Esta Mãe do Amor Formoso pode aliviar teu coração de todo escrúpulo e de todo amor servil. Entrega-te a Ela e o teu coração Ela abrirá e alargará para correr pelo caminho dos mandamentos do seu Filho, com a santa liberdade dos filhos de Deus. Passarás a olhar a Deus como teu Bondoso Pai, tratando de agradar-lhe incessantemente, e com Ele conversarás confidentemente, à semelhança de um filho com seu Pai. Se por acaso o ofenderes, humilha-te diante dele, pede-lhe perdão confiantemente e humildemente, e estenderás simplesmente a mão, e te levantarás amorosamente sem perturbação nem inquietação, para continuar a caminhar para Ele, nosso Pai e nosso Amor”.


São Luis Maria Grignon de Montfort
Tvd, n.215

MÊS DE MARIA – Quem se iguala à tua grandeza?




Quem se iguala à tua grandeza?

“Ó nobre Virgem,
Tu és verdadeiramente grande,
acima de toda a grandeza!
Pois, quem pode se igualar à tua grandeza,
ó morada de Deus, o Verbo?
A quem poderia eu compará-la,
ó Virgem, entre todas as criaturas?
Nós sabemos que és a maior
dentre todas as criaturas.
Poderia eu comparar-te
à terra e a seus frutos?
Tu os superas...
Se declaro que os Anjos de Deus
e os Arcanjos são grandes,
Tu és bem maior que todos eles.
Pois os Anjos e os Arcanjos servem com
tremor Aquele que mora em teu seio”.


Santo Atanásio de Alexandria



quinta-feira, 7 de maio de 2009

O Bom Pastor: Se alguém entrar por Mim estará salvo




«Eu sou o Bom Pastor». É evidente que o título de pastor convém a Cristo. Porque, assim como um pastor leva o seu rebanho a pastar, assim também Cristo restaura os fiéis através do alimento espiritual, que é o seu Corpo e o seu Sangue. Por outro lado, Cristo afirmou que o pastor entra pela porta e que Ele próprio é essa porta. Temos de compreender, pois, que é Ele que entra, e que entra por si mesmo. E é bem verdade: é por si mesmo que Ele entra; manifesta-se a si mesmo e mostra que conhece o Pai por si mesmo, enquanto que nós entramos por Ele e é Ele que nos dá a felicidade perfeita.

Mais ninguém é a porta, porque mais ninguém é «a luz verdadeira que a todo o homem ilumina» (Jo 1, 9). É por isso que nenhum homem afirma ser a porta. Cristo reservou para si este nome, como pertencendo-lhe com propriedade. O título de pastor, porém, comunicou-o a outros, deu-o a alguns dos seus membros. Com efeito, também Pedro o foi (Jo 21, 15) e os outros apóstolos, e todos os Bispos. «Dar-vos-ei pastores segundo o meu coração», diz a Escritura (Jer 3, 15). Nenhum pastor é bom se não estiver unido a Cristo pela caridade, tornando-se assim membro do verdadeiro Pastor.

Porque o serviço do Bom Pastor é a caridade. É por isso que Jesus afirma que dá a vida pelas suas ovelhas (Jo 10, 11). Cristo deu-nos o exemplo: «Ele deu a sua vida por nós, e nós devemos dar a vida pelos nossos irmãos» (1Jo 3, 16)”.


São Tomás de Aquino, Doutor da Igreja
Comentário ao Evangelho de João 10, 3


domingo, 3 de maio de 2009

O Bom Pastor: "Dou às minhas ovelhas a vida eterna"



IV Domingo da Páscoa

Domingo do Bom Pastor

Dia mundial de oração pelas vocações

“Aquele que é Bom, não por um dom recebido mas por natureza, diz-nos: "Eu sou o bom Pastor". E continua, para que imitemos o modelo que nos deu da sua bondade: "O bom Pastor dá a vida pelas suas ovelhas" (Jo 10.11). No seu caso, Ele realizou o que tinha ensinado; mostrou o que tinha ordenado. Bom Pastor, Ele deu a vida pelas suas ovelhas, para mudar o seu corpo e sangue em nosso sacramento e saciar com o alimento da sua carne as ovelhas que tinha resgatado. Mostrou o caminho a seguir: desprezou a morte. Eis diante de nós o modelo a que temos de nos conformar. Em primeiro lugar, gastar-nos exteriormente com ternura pelas suas ovelhas; em seguida, se for necessário, oferecer-lhes a nossa morte.


Ele acrescenta: "Eu conheço - quer dizer, amo - as minhas ovelhas e elas me conhecem". É como se Ele dissesse de uma forma mais clara: "Quem me ama, siga-me!", porque quem não ama a verdade é porque ainda a não conhece. Vede, irmãos caríssimos, se sois verdadeiramente as ovelhas do bom Pastor, vede se o conheceis, vede se vos apropriais da luz da verdade. Não falo da apropriação pela fé mas pelo amor; vede se vos apropriais não pela vossa fé mas pelo vosso comportamento. Porque o mesmo evangelista João, que nos transmitiu esta palavra, afirma ainda: "Quem diz que conhece Deus e não guarda os seus mandamentos, é um mentiroso" (1 Jo 2,4).


É por isso que, no nosso texto, Jesus acrescenta logo a seguir: "Assim como o Pai me conhece, Eu conheço o Pai e dou a vida pelas minhas ovelhas", o que equivale a dizer claramente: o fato de que Eu conheço o meu Pai e sou conhecido por Ele consiste em que Eu dê a vida pelas minhas ovelhas. Por outras palavras: este amor que me leva a morrer pelas minhas ovelhas mostra até que ponto Eu amo o Pai”.


S. Gregório Magno, Papa e Doutor da Igreja
Homilia XIV sobre o Evangelho


sábado, 2 de maio de 2009

Vida interior, vida de oração



“Persevera na oração. Persevera, ainda que o teu esforço
pareça estéril. A oração é sempre fecunda”

São Josemaría Escrivá
Caminho 101


“Vida interior, em primeiro lugar. Como são poucos ainda os que a entendem! Ao ouvirem falar de vida interior, pensam na escuridão do templo, quando não no ambiente rarefeito de certas sacristias. Há mais de um quarto de século venho dizendo que não é isso. O que descrevo é a vida interior de um simples cristão, que habitualmente se encontra em plena rua, ao ar livre; e que na rua, no trabalho, na família e nos momentos de lazer permanece atento a Jesus o dia todo. E o que é isso senão vida de oração contínua? Não é verdade que compreendeste a necessidade de ser alma de oração, com uma relação de amizade com Deus que te leve a endeusar-te? Essa é a fé cristã e assim o compreenderam sempre as almas de oração. Escreve Clemente de Alexandria: ‘Torna-se Deus o homem que quer o mesmo que Deus quer (Pædagogus, 3, 1, 1, 5)’.

A princípio custa. É preciso esforçar-se por dirigir o olhar para o Senhor, por agradecer a sua piedade paternal e concreta para conosco. Pouco a pouco, o amor de Deus - embora não seja coisa de sentimentos - torna-se tão palpável como uma flechada na alma. É Cristo que nos persegue amorosamente: ‘Eis que estou à tua porta e bato’ (Ap 3,20). Como vai a tua vida de oração? Não sentes às vezes, durante o dia, desejos de conversar mais com Ele? Não lhe dizes: mais tarde te contarei isto, mais tarde conversarei sobre isto contigo?

A oração se torna contínua, como o palpitar do coração, como o pulso. Sem essa presença de Deus, não há vida contemplativa; e, sem vida contemplativa, de pouco vale trabalhar por Cristo, porque, se Deus não edifica a casa, em vão trabalham os que a constroem.


Não sabes o que dizer ao Senhor na oração. Não te lembras de nada, e, no entanto, quererias consultá-Lo sobre muitas coisas. Olha: durante o dia, toma algumas notas sobre os assuntos que desejes considerar na presença de Deus. E depois, serve-te dessas notas na oração.

A vida de oração e de penitência, e a consideração da nossa filiação divina, nos transformam em cristãos profundamente piedosos, como crianças diante de Deus. A piedade é a virtude dos filhos e, para que o filho possa confiar-se aos braços de seu pai, deve ser e sentir-se pequeno, necessitado. Tenho meditado com frequência nessa vida de infância espiritual, que não se opõe à fortaleza porque exige uma vontade enérgica, uma maturidade temperada, um caráter firme e aberto.

Não saímos nunca do mesmo: tudo é oração, tudo pode e deve levar-nos a Deus, alimentar esse convívio contínuo com Ele, da manhã até à noite. Todo o trabalho honrado pode ser oração; e todo o trabalho que for oração, é apostolado. Desse modo, a alma se enrijece numa unidade de vida simples e forte”.


São Josemaría Escrivá
É Cristo que passa 8, 10
Caminho, 97