sábado, 25 de abril de 2009

FESTA DO BEATO RAFAEL ARNÁIZ BARÓN, OCSO



FESTA EM 26 DE ABRIL

Rafael Arnáiz Barón nasceu em Burgos, Espanha, em 09 de abril de 1911 e aí passa os seus primeiros anos. É o primogênito de quatro filhos de uma família enriquecida por profundas convicções cristãs, que calaram fundo na personalidade de Rafael. Foi educado em colégios dirigidos pela Companhia de Jesus, tanto em Burgos como em Olviedo, cidade para a qual se mudou a sua família em 1922, por exigências profissionais de seu pai.

Ao chegar à adolescência, se revela em Rafael uma notável riqueza humana, intelectual e espiritual, que se manifesta em sua pessoa aberta e positiva e em sua profunda sensibilidade, que vai se desenvolvendo por entre inquietudes e em contato com a natureza, a pintura e as demais artes. A harmoniosa integração em sua personalidade deste conjunto de elementos com a visão e o sentido cristão de vida e da realidade fazem cristalizar nele, mesmo depois de haver iniciado a faculdade de arquitetura, a vocação monástica cisterciense, pela qual opta – segundo suas próprias palavras: “seguindo os ditames de seu coração até Deus e a ânsia de ser preenchido e tomado por Ele”. Estudava Arquitetura em Madri quando se sentiu chamado por Deus e, renunciando ao brilhante futuro que lhe era oferecido, ingressou no Mosteiro Cisterciense de San Isidro de Dueñas, em Palencia, no dia 15 de janeiro de 1934, levando como única bagagem “um coração muito alegre e com muito amor a Deus”. Ali se entregou com alegria e generosidade a Deus na vida monástica, a qual amava de modo especial.



A partir da entrada de Rafael na Trapa, parece que tudo se precipitou em sua vida, tanto pessoalmente quanto espiritualmente. Só lhe restam 4 anos de vida, passados em temporadas alternadas entre a casa de seus pais e a comunidade monástica, por causa de um implacável diabetes manifestado repentinamente depois de 4 meses de seu ingresso na vida monástica. A enfermidade, que constituiu o crisol do seu caminho de fé, lhe obriga a deixar o noviciado e marcou, com sua evolução, as distintas saídas e reingressos na Trapa, que põem em evidência a firmeza de sua convicção vocacional e a generosidade de sua entrega até morrer na enfermaria do Mosteiro, aos 27 anos, em 26 de abril de 1938. Sua cruz, como chamava a grave doença com todas as suas conseqüências, elevou seu espírito às alturas, levando-o a se apaixonar sempre mais por Cristo e a segui-lo fielmente "agarrado" a esta cruz com muito amor e carinho; cruz essa que considerava tudo no caminho para Deus.



Em face da brevidade e do particular desenvolvimento de sua vida e vocação, e como se sua evolução espiritual se houvesse realizado sob pressão devida a essa mesma brevidade e às circunstâncias excepcionais, Rafael aparece como a realização plena da graça vocacional cisterciense: polarizado por Deus, como reflexa a sua expressão característica, “Solo Dios!”, “Só Deus!’. Rafael testemunha e é testemunho da transcendência e do absoluto de Deus. Não tanto de um Deus sobre Quem se sabe muitas coisas, mas de um Deus experimentado na própria vida como Amor absoluto. A única aspiração da existência de Rafael foi “viver para amar”, amar a Jesus, amar a Maria, amar à Cruz, amar seu querido Mosteiro. Esta é a nota sobressalente de sua pessoal e rica espiritualidade. Seu próprio sofrimento, aceito como Graça de Deus foi o despojo final que expressou este amor e o purificou ao preparar Rafael para a visão definitiva de Deus.

O Irmão María Rafael foi proclamado, pelo Papa João Paulo II, como modelo para todos os jovens de todo o mundo em 19 de agosto de 1989, em Santiago de Compostela e proclamou-o Beato em 27 de setembro de 1992. Em 7 de dezembro de 2008, o Papa Bento XVI aprovou o milagre que levará o Hermano Rafael Arnáiz aos altares.


Beato Rafael, intercedei por nós!


Fonte: Blog do Beato Rafael Arnáiz


Mais sobre o Beato Rafael Arnáiz, OCSO



FESTA EM 26 DE ABRIL

ESCRITOS

O Irmão Rafael, como é comumente conhecido na Espanha, é um dos autores mais conhecidos e populares de escritos espirituais e místicos do século XX, e sua fama de santidade logo se estendeu fora dos muros de seu Mosteiro, alcançando âmbito mundial. Seus numerosos escritos, de uma profundidade espiritual realmente sublime, são acolhidos e pedidos por toda parte. Hoje, seus escritos estão traduzidos, de forma total ou parcial, ao francês, inglês, alemão, japonês, português e polonês. Seus escritos, que muito se tem lido e comentado, lhe valeram o título de “um dos maiores místicos do século XX” e a fama de “mestre de vida espiritual”.

Dentro da abundante bibliografía sobre sua figura e escritos, se destacam:

- Vida y escritos (Ed. Perpetuo Socorro. Madrid).
- Obras Completas (Ed. Monte Carmelo. Burgos).
- Escritos por temas (Ed. Monte Carmelo. Burgos).

E entre os estudos sistemáticos de sua figura e espiritualidade:

- Mi Rafael (Ed. Desclée de Brouwer), um livro sobre Rafael segundo seu confessor, o Padre Teófilo Sandoval.

- El deseo de Dios y la ciencia de la Cruz: Aproximación a la experiencia religiosa del Hermano Rafael (Ed.Desclée. Bilbao, 1996), de Antonio Mª Martín Fernández-Gallardo, Monge Trapista de San Isidro de Dueñas.


CANONIZAÇÃO

O Papa Bento XVI canonizará em breve o Beato Rafael Arnáiz, jovem Monge Trapista espanhol, que havia sido proposto por João Paulo II, na Jornada Mundial da Juventude de Santiago de Compostela (1989), como modelo de vida cristã para os todos os jovens. A Cerimônia de Canonização já tem data marcada. O anúncio foi feito pela Santa Sé, no final do Consistório presidido pelo Papa. O Beato Rafael, para alegria de milhares de devotos seus, será canonizado em 11 de outubro de 2009.

ORAÇÃO

Ó Deus, que fizestes do Beato Rafael um discípulo preclaro na ciência da Cruz de Cristo, concedei-nos que, por seu exemplo e intercessão, Vos amemos acima de todas as coisas e, seguindo o caminho da Cruz com o coração dilatado, consigamos participar da alegria pascal. Por Cristo nosso Senhor. Amém.


Fonte: Blog do Beato Rafael Arnáiz


Beato Rafael Arnáiz, OCSO – Máximas espirituais



FESTA EM 26 DE ABRIL

“Que grande é Deus! Essa é a primeira exclamação de um coração deveras enamorado”.

“Ajoelhado aos pés de Tua Santíssima Cruz, Te peço paciência, humildade e mansidão. Somente aos pés de Tua Cruz se aprende a perdoar. A lição que Tu me ensinas desde a Cruz me dá forças para tudo”.

“Como se inunda minha alma de caridade verdadeira pelo homem, pelo irmão débil, doente...Se o mundo soubesse o que é amar um pouco a Deus, também amaria ao próximo!”.

“Que grande é Deus! Que bem ordena todos os acontecimentos sempre para sua glória!”.

“Deus não nos exige mais que simplicidade por fora e amor por dentro”.

“Minha alma nada deseja mais que amar. Quisera, Senhor, tornar-me louco de amor por ti”.

“Fiz o voto de amar sempre a Jesus. Virgem Maria, ajuda-me a cumprir o meu voto”.

”Para Jesus tudo, e tudo para sempre, para sempre!”.

”Não bastou a Deus entregar-nos seu Filho numa Cruz, também nos deixou Maria”.

”Honrando a Virgem, amaremos mais a Jesus; colocando-nos debaixo de seu manto, compreenderemos melhor a misericórdia divina”.

Que grande é Deus! Que doce é Maria!


Dos escritos do Irmão Rafael


quinta-feira, 23 de abril de 2009

Beata Maria Gabriella Sagheddu, OCSO - A santidade na unidade



Beata Maria Gabriella Sagheddu, OCSO

Festa em 22 de abril

A Beata Maria Gabriella Sagheddu, Monja Trapista (1914-1939), nasceu em Dorgali, Nuoro, em 17 de março de 1914 e entrou aos vinte anos no Mosteiro Trapista de Grottaferrata, atualmente transferido para Vitorchiano (Viterbo). Ofereceu com simplicidade a sua vida pela Unidade da Igreja e pelos irmãos separados. Seu holocausto foi agradável ao Senhor, que o consumou no dia 23 de abril de 1939, domingo do Bom Pastor.

A vida da Irmã Maria Gabriella não apresenta acontecimentos extraordinários nem milagres estrepitosos. Sua vida foi uma vida simples mas sempre fortemente motivada por fortes ideais: primeiro, o desejo de viver a própria realização pessoal com a sua entrada no Mosteiro Trapista, e depois viver uma doação total de sua alma a Deus. Nessa doação, ofertou a entrega de si mesma a Deus pela unidade dos cristãos. “Sinto que o Senhor me pede”, dizia ela a sua Abadessa. A ela são atribuídas numerosas vocações que continuam a chegar ao Mosteiro. Foi beatificada em 25 de janeiro de 1983. Seus restos mortais descansam na Capela da Unidade, anexa ao Mosteiro de Vitorchiano.


Trapa de Vitorchiano

“Rezar pela unidade não está só reservado a quem vive num contexto de divisão entre os cristãos. Naquele diálogo íntimo e pessoal, que cada de um de nós deve estabelecer com o Senhor na oração, a preocupação pela unidade não pode ficar de fora. Pois só assim é que tal preocupação fará parte plenamente da realidade da nossa vida e dos compromissos que assumimos na Igreja.

Para confirmar esta exigência, eu quis propor aos fiéis da Igreja Católica um modelo, que me parece exemplar, o de uma freira trapista, Maria Gabriella da Unidade, que proclamei Beata no dia 25 de janeiro de 1983.


A Irmã Maria Gabriella, chamada pela sua vocação a estar fora do mundo, dedicou a existência à meditação e à oração, centradas no capítulo 17 do Evangelho de S. João, oferecendo-as pela unidade dos cristãos.

Está aqui o fulcro de toda a oração: oferta total e sem reservas da própria vida ao Pai, pelo Filho, no Espírito Santo. O exemplo da Irmã Maria Gabriella ensina e faz-nos compreender como não há tempos, situações ou lugares particulares para rezar pela unidade. A oração de Cristo ao Pai é modelo para todos, sempre e em qualquer lugar”.

Papa João Paulo II, Encíclica ‘Ut unum sint’, 1995, nº 27



“A vontade de Deus, seja ela qual for, esta é a minha alegria, a minha felicidade, a minha paz”.

“Ofereci-me inteiramente e não volto atrás na palavra dada”.

“Não desejo outra coisa que amar”


Irmã Maria Gabriella Saghueddu, OCSO
Escritos


No caso de graças obtidas por intercessão da Beata Maria Gabriela, é pedido que se envie notícias aos seguintes endereços:


VICE POSTULAZIONE - MONASTERO DELLE TRAPPISTE
101030 VITORCHIANO (VT) FAX 0039-0761-370952
e-mail: trappa@vitorchiano.org


quarta-feira, 22 de abril de 2009

Santo Anselmo de Canterbury: Saudade de Deus


21 de abril

Festa de Santo Anselmo, Monge, Abade e Bispo de Canterbury. Santo Anselmo foi um grande místico, filósofo e teólogo do século XI; um homem grande, porque grande era a saudade que tinha do Infinito, grande era a saudade que tinha de Deus.

Saudade de Deus

“Encontraste, ó minh’alma, o que procuravas? Procuravas a Deus e viste que Ele está muito acima de tudo e nada melhor do que Ele se pode pensar; que Ele é a própria vida, a luz, a sabedoria, a bondade, a eterna felicidade e a feliz eternidade; e que Ele é tudo isto sempre e em toda parte.

Senhor meu Deus, meu Criador e Redentor, dize à minh’alma sedenta em que és diferente daquilo que ela viu, para que veja mais claramente o que deseja. Ela se esforça por ver sempre mais; contudo nada vê além do que já viu, senão trevas. Ou melhor, não vê trevas, porque elas não existem em ti; porém vê que não pode enxergar mais por causa das trevas que possui.

Verdadeiramente, Senhor, esta é a luz inacessível em que habitas; verdadeiramente nada há que penetre nesta luz para ali te ver, como és. De fato, eu não vejo essa luz, porque é excessiva para mim; e, no entanto, tudo quanto vejo, é através dela: semelhante à nossa vista humana que, pela sua fraqueza, só pode ver por meio da luz do sol e contudo não pode olhar diretamente para o sol.

Minha inteligência é incapaz de ver essa luz, demasiado brilhante para ser compreendida; os olhos de minh’alma não suportam fixar-se nela por muito tempo. Ficam ofuscados pelo seu esplendor, vencidos pela sua imensidade, confundidos pela sua grandeza.


Ó luz suprema e inacessível! Ó verdade plena e bem-aventurada! Como estás longe de mim que de ti estou tão perto! Quão afastada estás de meu olhar, de mim que estou tão presente ao teu olhar!

Estás presente em toda parte, e eu não te vejo. Em ti me movo, em ti existo, e de ti não posso me aproximar. Estás dentro de mim e a meu redor, e eu não te percebo.

Peço-te, meu Deus, faze que eu te conheça e te ame, para encontrar em ti minha alegria. E se não o posso alcançar plenamente nesta vida, que ao menos vá me aproximando, dia após dia, dessa plenitude. Cresça agora em mim o conhecimento de ti, para que chegue um dia ao conhecimento perfeito; cresça agora em mim o amor por ti até que chegue um dia à plenitude do amor; seja agora a minha alegria grande em esperança, para que, um dia, seja plena mediante a posse da realidade.

Senhor, por meio de teu Filho ordenas, ou melhor, aconselhas a pedir, e prometes acolher o pedido para que nossa alegria seja completa. Por isso, peço-te, Senhor, o que aconselhas por meio do nosso admirável Conselheiro; possa eu receber o que em tua fidelidade prometes, a fim de que minha alegria seja completa. Deus fiel, eu te peço: faze que o receba, para que minha alegria seja completa.

Por enquanto, nisto medite meu espírito e fale minha língua. Isto ame meu coração e proclame minha boca. Desta felicidade prometida tenha fome e sede a minha carne. Todo o meu ser a deseje, até que um dia entre na alegria do meu Senhor, que é Deus uno e trino, bendito pelos séculos. Amém”.

Santo Anselmo de Canterbury, Bispo


domingo, 19 de abril de 2009

SEGUNDO DOMINGO DA PÁSCOA – FESTA DA DIVINA MISERICÓRDIA



A Festa da Divina Misericórdia é uma Festa oficial da Igreja, celebrada no Primeiro Domingo após a Páscoa da Ressurreição, ou seja, no Segundo Domingo da Páscoa. Foi estabelecida oficialmente como Festa universal pelo Papa João Paulo II e a Igreja recomenda que este dia seja celebrado como “Domingo da Divina Misericórdia”, conforme solicitado pelo Papa João Paulo II, quando a estabeleceu.

A Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos publicou, em 23 de maio de 2000, um decreto no qual estabelece, por indicação do Papa João Paulo II, a Festa da Divina Misericórdia, que terá lugar no segundo Domingo da Páscoa. A denominação oficial deste dia litúrgico será «Segundo Domingo da Páscoa ou da Divina Misericórdia».


O Papa já o havia anunciado durante a canonização da Irmã Faustina Kowalska, no dia 30 de abril: «Por todo o mundo, o segundo Domingo da Páscoa receberá o nome de Domingo da Divina Misericórdia, um convite perene para os cristãos do mundo enfrentarem, com confiança na divina benevolência, as dificuldades e provas que a humanidade irá enfrentar nos anos que virão» (Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, Decreto de 23 de Maio de 2000).

Entretanto, o Papa João Paulo II não havia escrito estas palavras, que foram proferidas de improviso, de modo que não apareceram na transcrição oficial dos seus discursos nessa canonização.

O Papa dedicou uma de suas Encíclicas à Divina Misericórdia e a chamou «Dives in misericordia».


A Festa da Divina Misericórdia tem suas origens com Santa Maria Faustina Kowalska, que em 1931 recebeu de Jesus revelações, uma entre as quais sobre a instituição dessa Festa na Igreja. Jesus pediu a instituição da Festa da Divina Misericórdia e a ela refere 14 vezes em seus colóquios com Santa Faustina, expressando o imenso desejo do Seu Coração Misericordioso de distribuir, neste dia, as suas graças:

"Neste dia, estão abertas as entranhas da Minha misericórdia. Derramo todo um mar de graças sobre as almas que se aproximam da fonte da minha Misericórdia; a alma que se confessar e comungar alcançará o perdão total das culpas e penas; nesse dia estão abertas todas as Comportas Divinas, pelas quais fluem as graças” (Diário, 570).

"Dize à humanidade que sofre que se aproxime do meu Coração Misericordioso, e Eu a cumularei de paz” (Diário 1074).


O decreto vaticano esclarece que a liturgia do segundo Domingo de Páscoa e as leituras da Liturgia das Horas seguirão sendo as que já integravam o missal e o rito romano.

Indulgência plenária na Festa da Misericórdia

A Festa da Divina Misericórdia é um momento de abundantes graças aos católicos. Cada fiel que se confessar durante o tempo da Quaresma e comungar no dia da Festa da Misericórdia (segundo Domingo de Páscoa) terá o perdão das culpas e penas. A Igreja concede, portanto, indulgência plenária a quem cumprir as condições prescritas e necessárias para obtê-la. Essa indulgência plenária concedida por ocasião da Festa da Divina Misericórdia possui vigor perpétuo, ou seja, renova-se automaticamente a cada ano (portanto, em cada celebração da Festa), sem que a Igreja precise prescrevê-la anualmente.

Senhor, tende misericórdia de nós e do mundo inteiro!


SEGUNDO DOMINGO DA PÁSCOA – Santa Faustina e a Festa da Divina Misericórdia



A Irmã Faustina Kowalska, (Helen Kowalska), conhecida como a mensageira da Divina Misericórdia, era polonesa, natural da vila de Glogowiec, perto de Lodz, Cracóvia, Polônia. Ela vinha de uma família muito pobre que havia trabalhado exaustivamente em sua pequena fazenda durante os terríveis anos da I Guerra Mundial. Era a terceira de uma prole de dez filhos. Irmã Faustina teve apenas três anos de educação muito simples e aos vinte anos entrou para a Congregação de Nossa Senhora da Misericórdia, cujas irmãs se dedicavam à assistência de moças desvalidas ou em perigo de seguir o mau caminho. Suas tarefas eram sempre as mais humildes do Convento. E é por essa humilde freira que Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo traz ao mundo a maravilhosa mensagem da Misericórdia de seu Coração, aparecendo-lhe em 22 de fevereiro de 1931.



Irmã Faustina nos conta como foi em seu diário:

"À noite, quando eu estava em minha cela, percebi a presença do Senhor Jesus vestido com uma túnica branca. Uma mão estava levantada a fim de abençoar, a outra pousava na altura do peito. Da abertura da túnica no peito saíam dois grandes raios, um vermelho e outro pálido. Em silêncio, eu olhei intensamente para o Senhor; minha alma estava tomada pelo espanto, mas também por grande alegria. Depois de um tempo, Jesus me disse: «Pinta uma imagem de acordo com o que vês, com a inscrição embaixo, 'Jesus, eu confio em Vós’. Desejo que esta imagem seja venerada primeiro na tua capela e depois no mundo inteiro. Prometo que a alma que venerar esta imagem não perecerá. Prometo também a vitória sobre os inimigos já nesta terra mas especialmente na hora da morte. Eu mesmo a defenderei com a minha própria glória. Ofereço aos homens um recipiente com o qual deverão vir buscar graças na fonte da misericórdia. O recipiente é esta própria imagem com a inscrição: Jesus, eu confio em Vós!»".


Ainda em outras ocasiões, Jesus voltou a falar sobre a imagem:

"O meu olhar naquela imagem é igual ao meu olhar na Cruz".

"Não na beleza da cor, nem na habilidade do artista, mas na minha graça está o valor desta imagem".

A pedido de seu diretor espiritual, Irmã Faustina perguntou ao Senhor qual era o significado dos dois raios que tanto se destacavam na imagem. Jesus respondeu:

"Os dois raios representam o sangue e a água. O raio pálido representa a Água que justifica as almas, o vermelho representa o Sangue, que é a vida das almas. Ambos os raios saíram das entranhas da minha Misericórdia quando, na Cruz, o meu Coração agonizante na morte foi aberto com a lança. Estes raios defendem as almas da ira do meu Pai. Feliz aquele que viver sob a proteção deles, porque não será atingido pelo braço da justiça de Deus ".


Em 1934, por indicação de seu diretor espiritual, iniciou um diário que intitulou «A divina misericórdia em minha alma». Nele descreve as revelações místicas que recebeu de Jesus, entre as quais as que Ele lhe mostrou seu Coração, Fonte de Misericórdia, e lhe manifestou o seu expresso desejo de que se estabelecesse uma Festa para honrar a Misericórdia de seu Coração.

O Senhor lhe pede, por pelo menos 14 vezes, que se institua oficialmente uma “Festa da Misericórdia” (Diário de Santa Faustina):

“Esta Festa surge das entranhas de minha piedade. Desejo que seja celebrada com grande solenidade no primeiro domingo depois da Páscoa da Ressurreição. Desejo que a Festa da Misericórdia seja refúgio e abrigo para todas as almas e especialmente para os pobres pecadores. As entranhas mais profundas de minha Misericórdia se abrem nesse dia. Derramarei todo um mar de graças sobre aquelas almas que se aproximam da fonte da minha Misericórdia.

A alma que acuda à confissão e que receba a Sagrada Comunhão obterá a remissão total de suas culpas e das penas. Nesse dia estão abertas todas as comportas divinas, pelas quais se derramam as graças. Que nenhuma alma receie se aproximar de mim ainda que seus pecados sejam escuros e escarlate. Toda Comunhão recebida com o coração limpo tende a restabelecer, naquele que a recebe, a inocência do Batismo, posto que o Mistério Eucarístico é «Fonte de toda graça»”. (Diário, 699)


Nosso Senhor também pede que a Imagem da Divina Misericórdia seja solenemente venerada neste dia: “Desejo que esta Imagem seja solenemente benta no primeiro domingo depois da Páscoa e que receba veneração pública, para que toda alma possa saber disso” (Diário, 341).

Jesus disse ainda à Ir. Faustina:

"Minha filha, declara que a Festa da minha Misericórdia brotou das minhas entranhas para consolação do mundo inteiro". ( Diário, 1517)

"Desejo unir-me às almas humanas; a minha delícia é unir-me a elas. Sabe, minha filha, que quando venho pela Sagrada Comunhão ao coração do homem, tenho as mãos cheias de toda a espécie de graças e desejo entregá-las às almas, mas elas nem me prestam atenção; deixam-me sozinho e ocupam-se com outras coisas. Ah, quão triste fico por não reconhecerem o meu Amor!"( Diário, 1385).


”Como me é doloroso que as almas se unam tão pouco a mim na Santa Comunhão! Eu espero as almas mas elas são indiferentes comigo. Amo-as tanto e com tanta ternura! Quero enchê-las de graças e elas não as querem aceitar. Tratam-me como coisa morta, no entanto o meu Coração está cheio de amor e de misericórdia." (Diário, 1683).

”Escreve para benefício das almas que a minha delícia é vir aos seus corações na Sagrada Comunhão." (Diário, 1683).

"Repara, abandonei o Trono do Céu para me unir a ti. Se o que estás a ver é apenas uma pequena parcela e a tua alma já desfalece de amor, então em que assombro ficará o teu coração, quando me contemplares em toda a Glória? Porém, quero dizer-te que essa vida eterna deve iniciar-se já aqui na terra pela Sagrada Comunhão. Cada Comunhão torna-te mais capaz de conviver com Deus por toda a eternidade." (Diário, 1810).

Senhor, tem misericórdia de nós e do mundo inteiro!


SEGUNDO DOMINGO DA PÁSCOA – FESTA DA DIVINA MISERICÓRDIA - Oração para ser misericordioso



ORAÇÃO PARA SER MISERICORDIOSO

“Oh, Senhor, desejo transformar-me toda em tua Misericórdia e ser um vivo reflexo de ti. Que este supremo atributo de Deus, sua insondável Misericórdia, passe através de meu coração ao próximo.
Ajuda-me, oh Senhor, para que meus olhos sejam misericordiosos, a fim de que eu jamais desconfie de ninguém ou julgue segundo as aparências, e que busque o belo na alma de meu próximo e corra a ajudá-lo.
Ajuda-me, oh Senhor, para que meus ouvidos sejam misericordiosos, a fim de que leve em conta as necessidades de meu próximo e não seja indiferente a suas penas e gemidos.
Ajuda-me, oh Senhor, para que minha língua seja misericordiosa, a fim de que jamais fale negativamente de meu próximo e que tenha sempre uma palavra de consolo e perdão para todos.
Ajuda-me, oh Senhor, para que minhas mãos sejam misericordiosas e cheias de boas obras, a fim de que saiba fazer só o bem a meu próximo e tome para mim os trabalhos mais difíceis e mais penosos.
Ajuda-me, oh Senhor, para que meus pés sejam misericordiosos, a fim de que sempre me apresse a socorrer meu próximo, dominando minha própria fadiga e meu cansaço.
Ajuda-me, oh Senhor, para que meu coração seja misericordioso, a fim de que eu sinta todos os sofrimentos de meu próximo.
Que tua Misericórdia, oh Senhor meu, repouse sempre dentro de mim”.

Santa Faustina Kowalska
Diário, 163


sábado, 18 de abril de 2009

OITAVA DA PÁSCOA – Jesus apresentou-se na margem


«Ao romper do dia, Jesus apresentou-se na margem»

“Deus misericordioso, Deus muito compassivo e amigo dos homens (Sab 1, 6), quando Tu falas, nada é impossível, mesmo o que parece impossível ao nosso espírito: és Tu que dás um fruto saboroso em troca dos duros espinhos da nossa vida.

Senhor Cristo, Sopro da nossa vida (Lam 4, 20) e Esplendor da nossa beleza, Luz e Doador da luz, Tu não encontras prazer no mal, não queres a perdição de ninguém, não desejas nunca a morte (Ez 18,32). Não és abalado pela perturbação, nem estás sujeito à cólera; não és intermitente no teu amor, nem modificas a tua compaixão; jamais alteras a tua bondade. Não voltas as costas, não desvias a face, mas és totalmente Luz e Vontade de Salvação. Quando queres perdoar, perdoas; quando queres curar, és poderoso; quando queres vivificar, és capaz; quando concedes a tua graça, és generoso; quando queres devolver a saúde, és prodigioso. Quando queres renovar és criador; quando queres ressuscitar, és Deus. Quando, antes mesmo de nós o pedirmos, queres estender a tua mão, não faltas com nada. Se me queres fortalecer, a mim que sou inseguro, és rochedo; se queres dar-me de beber, a mim que estou sequioso, és fonte; se queres revelar o que está escondido, és Luz.

Tu, que para minha salvação, combateste com coragem, tomaste sobre o teu corpo inocente todo o sofrimento das punições que merecíamos, a fim de, ao tornares-te exemplo, manifestares em ato a compaixão que tens por nós”.

São Gregório de Narek, Monge
O Livro de orações, n° 66

OITAVA DA PÁSCOA – Emaus, olhos impedidos de O reconhecer



«Os seus olhos, porém, estavam impedidos de O reconhecer»

”Acabais de ouvir, irmãos caríssimos: dois discípulos de Jesus caminhavam na estrada e, não acreditando que era Ele, d'Ele falavam, porém. O Senhor apareceu-lhes, sem contudo se lhes mostrar sob uma forma por que o pudessem reconhecer. O Senhor realizou portanto no exterior, aos olhos do corpo, o que neles se cumpria no interior, aos olhos do coração. No seu próprio interior, os discípulos amavam e duvidavam em simultâneo; no exterior, o Senhor estava presente sem no entanto manifestar Quem era. Àqueles que d' Ele falavam, oferecia a sua presença; mas aos que duvidavam d'Ele, escondia o aspecto habitual, que lhes teria permitido reconhecê-lo. Trocou algumas palavras com eles, reprovou-lhes a lentidão em compreender, explicou-lhes os mistérios da Sagrada Escritura que lhe diziam respeito. E, no entanto, no coração deles continuava a ser um estranho, por falta de fé; fez então menção de seguir para diante. A Verdade, que é simples, nada fez com duplicidade, mas manifestou-se simplesmente aos discípulos no seu corpo tal como estava no espírito deles.


Com esta prova, o Senhor queria ver se os que ainda não o amavam como Deus eram ao menos capazes de o amar como viajante. A Verdade caminhava com eles; não podiam pois continuar estranhos ao amor; ofereceram-lhe hospitalidade, propondo-lhe que pernoitasse com eles, como se costuma fazer aos viajantes. Por que dizemos então que eles lhe propuseram, quando está escrito: «Insistiram com Ele»? Este exemplo mostra-nos bem que não devemos apenas oferecer hospitalidade aos viajantes, mas fazê-lo com insistência.

Os discípulos puseram a mesa, ofereceram da sua ceia; e, não tendo reconhecido a Deus quando da sua explicação da Sagrada Escritura, eis que o reconhecem agora, na fração do pão. Não foi pois ao escutar os mandamentos de Deus que ficaram iluminados e seus olhos enxergaram, mas ao pô-los em prática”.

São Gregório Magno, Papa e Doutor da Igreja
Homilia 23 sobre o Evangelho

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Papa Bento XVI faz 82 anos “procurando levar os homens a Deus”



Vaticano

O Papa faz 82 anos “procurando levar os homens a Deus”

VATICANO, 16 Abr. 09 / 10:56 am (ACI) - O Papa Bento XVI completa esta quinta-feira 82 anos, “procurando levar os homens a Deus”, conforme explicou o Diretor da Sala de Imprensa da Santa Sede, o Pe. Federico Lombardi, SJ.

O Pontífice celebra seus 82 anos no Palácio Apostólico de Castel Gandolfo, a poucos quilômetros de Roma, onde transcorre um breve período de descanso depois dos ritos de Semana Santa.

O Pe. Lombardi expressou sua felicitação ao Papa manifestando o desejo de que “possa continuar exercendo durante muitos anos seu ministério, que é um ministério profundo de ajuda aos homens e mulheres para encontrar a Deus”.

“O centro de sua preocupação é levar aos homens a Deus e Deus aos homens através de um grande amor pessoal por Cristo”, disse o Pe. Lombardi; e assinalou que “apesar da atitude crítica necessária ao redor de tantos aspectos negativos da cultura ou da mentalidade de hoje, no fundo, a mensagem que quer dar é uma mensagem de amor, uma mensagem para o bem do ser humano e que é a reconciliação com Deus e com todos os habitantes da terra”.


Joseph Aloysius Ratzinger, nome de batismo de Bento XVI, nasceu em Marktl am Inn (Bavária, Alemanha) em 16 de abril de 1927. Desde 1946 a 1951, ano em que foi ordenado sacerdote (29 de junho) e iniciava sua atividade de professor, estudou filosofia e teologia na universidade de Munique e na escola superior de Filosofia e Teologia de Freising. Em 1953, se doutora em Teologia com a dissertação "Povo e casa de Deus na doutrina da Igreja de Santo Agostinho". Quatro anos depois obtinha a cadeira com seu trabalho sobre "A Teologia da História de São Boaventura".


Depois de conseguir o cargo de Dogmática e Teologia Fundamental na escola superior de Filosofia e Teologia de Freising, prosseguiu o ensino em Bonn, de 1959 a 1969, Münster de 1963 a 1966 e Tubinga, de 1966 a 1969. Neste último ano passou a ser catedrático de Dogmática e História do Dogma na Universidade de Regensburgo e vice-presidente da mesma universidade. Em 1962 contribuiu uma notável contribuição no Concílio Vaticano II como consultor teológico do Cardeal Joseph Frings, Arcebispo de Colônia.


O Papa Paulo VI o nomeou Arcebispo de Munique em 24 de março de 1977 e o criou Cardeal em 27 de junho de 1977. Em 1981, o Papa João Paulo II o nomeou Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé.

Foi também Presidente da Pontifícia Comissão Bíblica e da Pontifícia Comissão Teológica Internacional e Decano do Colégio Cardinalício.

Em 19 de abril de 2005, no segundo dia do conclave, foi eleito Papa.


Em uma entrevista concedida a Rádio Vaticano a propósito do aniversário, o Padre Lombardi destacou que em apenas um ano “o Papa esteve na América, nos Estados Unidos, nas Nações Unidas. Esteve na Austrália para a Jornada Mundial da Juventude. Na França e, finalmente, em África, faz poucas semanas”.

“Percorreu quatro continentes em um ano e todas estas viagens foram notáveis pela acolhida, pela eficácia com que sua mensagem foi recebida também por parte de públicos completamente distintos do ponto de vista cultural e de sua situação. Por isso diria que o Papa viveu a dimensão universal de seu ministério de forma extremamente eficaz, no curso deste ano”, assinalou.


Momentos difíceis

Sobre os momentos delicados e difíceis neste último ano de Pontificado, o Padre Lombardi considerou discussões com motivo da remissão da excomunhão aos quatro bispos ordenados por Marcel Lefebvre e o caso Williamson.

“Como o viveu o Papa? Vêmo-lo com a Carta que ele mesmo escreveu aos Bispos de todo o mundo, que é um documento extraordinário, um documento muito pessoal, intenso, em que vemos como ele confronta uma situação de tensão dentro da Igreja e também em relação com a cultura circunstante. Confronta-a substancialmente colocando novamente em claro as prioridades de seu pontificado, reconduzir aos homens a Deus e Deus aos homens, e destacando os critérios evangélicos com os quais tomou esta iniciativa da remissão da excomunhão, como um gesto de misericórdia, inspirando-se nas palavras do Evangelho: reconcilie-se com seu irmão. Diria que nos deu um testemunho muito intenso como homem de fé, como pastor que guia a Igreja com critérios de pura fé e grande caridade e responsabilidade espiritual em relação com o povo de Deus e da humanidade de hoje”, indicou.


Deus o abençoe, Papa Bento!


Fonte: Acidigital

PAPA BENTO XVI – Aniversário com presente


Aniversário de Bento XVI: exposição na sua casa natal

Bento XVI completa 82 anos, e em vários lugares do mundo, organizam-se comemorações e eventos. Um deles, de modo especial, está a realizar-se justamente na casa onde nasceu, em Marktl am Inn, na Baviera: uma exposição que revela os aspectos “domésticos” de Joseph Ratzinger.

A mostra é intitulada «Onde estou verdadeiramente em casa: a pátria e o Papa Bento XVI», e é dedicada especificamente ao significado do conceito de “pátria” para o Papa.

A casa natal de Joseph Ratzinger foi comprada por uma Fundação, logo após a sua eleição, em Abril de 2005, e transformada em museu. Nesta mostra, os visitantes podem ver documentos escritos por ele e pelo seu irmão Georg, além de conhecer episódios da sua infância, revelados pelos habitantes da comunidade.


Fonte: Agência Ecclesia


OITAVA DA PÁSCOA – Dies Domini – O Dia que o Senhor fez!



“Este é o dia que o Senhor fez. Exultemos e alegremo-nos nele.” Salmo 118, 24

Dies Domini

“Dai graças ao Senhor, porque Ele é bom,
porque eterna é a sua misericórdia.
Diga a casa de Israel:
eterna é a sua misericórdia.
A mão do Senhor fez prodígios,
a mão do Senhor foi magnífica.
Não morrerei, mas hei de viver
para anunciar as obras do Senhor”.

Salmo 118, 1-2; 16-17


«Este é o dia que o Senhor fez» (Sl 118,24). Lembrai-vos do estado do mundo no princípio: «As trevas cobriam o abismo, e o Espírito de Deus movia-se sobre a superfície das águas. Deus disse: 'Faça-se a luz'. E a luz foi feita. Deus viu que a luz era boa e separou a luz das trevas. Deus chamou dia à luz e às trevas noite» (Gn 1,2s). Este é o dia que o Senhor fez. É o dia de que fala o apóstolo Paulo: «Outrora éreis trevas, mas agora sois luz no Senhor» (Ef 5,8).

Não era Tomé um homem, um dos discípulos, um homem da multidão, por assim dizer? Os seus irmãos disseram-lhe: «Vimos o Senhor». E ele: «Se eu não tocar, se não meter o meu dedo no seu lado, não acreditarei». Os evangelistas trazem-te a novidade, e tu não acreditas? O mundo acreditou e um discípulo não acreditou? Ainda não tinha chegado esse dia que o Senhor fez; as trevas estavam ainda sobre o abismo, nas profundezas do coração humano, que estava nas trevas. Que venha, pois, Este que é o sinal do dia, que Ele venha e que diga com paciência, com doçura, sem cólera, Ele que cura: «Vem! Vem, toca aqui e acredita. Tu declaraste: 'Se não tocar, se não meter o meu dedo, não acreditarei'. Vem, toca, põe o teu dedo e não sejas incrédulo, mas crente. Eu conheço as tuas feridas, guardei para ti a minha cicatriz».


Aproximando a sua mão, o discípulo pode plenamente completar a sua fé. Qual é, com efeito, a plenitude da fé? Não acreditar que Cristo é somente Homem, não acreditar também que Cristo é somente Deus, mas sim acreditar que Ele é Homem e Deus. Assim, o discípulo ao qual o seu Salvador deu a tocar os membros do seu corpo e as suas cicatrizes exclamou: «Meu Senhor e meu Deus». Ele tocou o Homem, reconheceu Deus. Tocou a Carne, voltou-se para a Palavra, porque «a Palavra fez-se carne e habitou entre nós» (Jo 1,14). A Palavra suportou que a sua carne fosse suspensa na cruz; a Palavra suportou que a sua carne fosse colocada no túmulo. A Palavra ressuscitou na sua carne, mostrou-a aos olhos dos seus discípulos, prestou-se a ser tocada pelas suas mãos. Eles tocaram, e eles exclamaram: «Meu Senhor e meu Deus!». Este é o Dia que o Senhor fez!”.

Dos sermões de Santo Agostinho, Bispo e Doutor da Igreja


quarta-feira, 15 de abril de 2009

OITAVA DA PÁSCOA - Felizes os que Nele procuram abrigo


“Felizes os que Nele procuram abrigo” (Sl 2, 12)

“Bem-aventurado seja Aquele que, para me permitir ocultar-me ‘nas fendas do rochedo’ (Cant 2, 14), deixou que lhe perfurassem as mãos, os pés e o lado. Bem-aventurado Aquele que se abriu por completo a mim, a fim de que eu pudesse ‘penetrar no admirável santuário’ (Sl 41, 5) e ‘abrigar-me na sua tenda’ (Sl 26, 5). Este rochedo é um refúgio, doce lugar de repouso para as pombas, e os orifícios escancarados das chagas que tem por todo o corpo oferecem o perdão aos pecadores e concedem a graça aos justos. É morada segura, irmãos, “torre sólida contra o inimigo” (Sl 60, 4). É preciso habitar nessa morada por meio da meditação amante e constante nas chagas de Cristo Nosso Senhor, da busca do Crucificado na fé e no amor, da busca daquele que é abrigo seguro para a nossa alma, abrigo contra a veemência da carne, as trevas deste mundo, os assaltos do demônio. A proteção desse Santuário sobrepõe-se a todas as vantagens deste mundo.

Entra pois neste rochedo, esconde-te, refugia-te no Crucificado. O que é a chaga do lado de Cristo, senão a porta aberta da arca para os que serão preservados do dilúvio? Mas a Arca de Noé era apenas um símbolo; isto é a realidade; já não se trata de salvar a vida mortal, mas de receber a imortalidade.

É, pois, razoável que a pomba de Cristo, a sua amiga formosa (Cant 2, 13-14), cante hoje os louvores do Amado com alegria. Da memória ou da imitação da Paixão, da meditação das suas santas chagas, como das fendas do rochedo, a sua voz dulcíssima ressoa sempre aos ouvidos do Esposo (Cant 2, 14)”.

Beato Guerric d'Igny, Abade Cisterciense
Sermão IV para os Ramos

domingo, 12 de abril de 2009

PÁSCOA DA RESSURREIÇÃO – CRISTO RESSUSCITOU- SURREXIT DOMINUS VERE! ALLELUIA!

Feliz e Santa Páscoa!
Surrexit Dominus vere! Alleluia!



Cristo ressuscitou!

Irmãos e filhos: escutai! Nós somos testemunhas desse fato! Somos a voz que se perpetua, ano após ano, na história; somos a voz que se difunde em círculos sempre mais amplos no mundo; somos a voz que repete o testemunho irrefragável daqueles que por primeiro o viram com os próprios olhos e o tocaram com as próprias mãos, e verificaram a novidade e a realidade do fato triunfante sobre os esquemas de toda experiência natural; somos os transmissores, de uma geração para outro, de um povo para outro, da mensagem de vida da ressurreição de Cristo. Somos a voz da Igreja, para isso fundada, para isso difundida na humanidade, para isso militante, para isso viva e esperançosa, para isso pronta a confirmar com o próprio sangue a própria palavra: ressuscitou! Cristo ressuscitou!

O fato da ressurreição de Cristo tem que ver, sim, com a sua história, que é o Evangelho, tem que ver com sua vida, que se manifestou humana e divina, viva na Pessoa do Verbo de Deus; mas tem que ver igualmente com nós mesmos. Em Jesus Cristo se realiza um desígnio de Deus; o mistério, guardado em segredo por séculos, da redenção da humanidade, revelou-se; em Cristo nós somos salvos. Em Cristo se concentram os nossos destinos, em Cristo se resolvem os nossos dramas, em Cristo se explicam as nossas dores, em Cristo se perfilam as nossas esperanças.


Não é um fato isolado a ressurreição do Senhor; é um fato que tem que ver com toda a humanidade; por Cristo estende-se ao mundo, tem uma importância cósmica! E é maravilhoso: aquele prodigioso acontecimento reverbera sobre cada homem vindo a este mundo com efeitos diversos e dramáticos; reveste toda árvore genealógica da humanidade; Cristo é o novo Adão, que infunde na frágil, na mortal circulação da vida humana natural um princípio vital novo; inefável, mas real, um princípio de purificadora regeneração, um germe de imortalidade, uma relação de comunhão existencial com Ele, Cristo, até participar com Ele, no fluxo do seu Espírito Santo, da própria vida do infinito Deus, que em virtude sempre de Cristo podemos chamar bem-aventuradamente: Pai nosso!"

Servo de Deus Papa Paulo VI
Da Mensagem pascal, 1964

PÁSCOA DA RESSURREIÇÃO - Tudo é novo! Cristo ressuscitou!



“Dia da Ressurreição: um solene princípio!
Acendamos a nossa luz neste dia de festa!
Abracemo-nos uns aos outros!
Voltemo-nos, ó irmãos,
mesmo para aqueles que nos odeiam,
não somente a quem, por amor,
tenha feito ou sofrido alguma coisa por nós!
Relevemos tudo, por causa da Ressurreição.
E perdoemo-nos uns aos outros!

Ontem, eu fui crucificado com Cristo,
Hoje, sou glorificado juntamente com Ele!
Ontem, eu morri com Ele; hoje fomos nós dois vivificados!
Ontem eu fui sepultado juntamente com Cristo;
Hoje, eu e Ele ressurgimos!

Tragamos, portanto, ofertas Àquele que padeceu e ressuscitou por nós! Pensais vós, talvez, que eu esteja me referindo a ouro ou prata ou tecidos e pedras reluzentes e preciosas. Matéria corruptível que provém da terra e sobre a terra é destinada a permanecer, além do mais em propriedade de gente malvada e escrava do mundo e do seu príncipe. Eu digo, ao invés, que devemos oferecer a Deus totalmente a nós mesmos: esta é a oferta que lhe agrada e que convém!


Procuremos ser como Cristo, já que também Cristo tornou-se um de nós!
Procuremos nos tornar divinos por meio dele, já que Ele mesmo, por nós, tornou-se Homem!

Ele tomou o pior sobre si para nos conceder o melhor: fez-se pobre para que nós, graças à sua pobreza, nos tornássemos ricos; assumiu o aspecto de servo, para que obtivéssemos a liberdade; desceu ao mais baixo, para que nós fôssemos elevados ao mais alto; sofreu a tentação, para que nós conseguíssemos vencê-la; deixou-se desprezar, para nos dar a glória; morreu, para trazer-nos a salvação; subiu ao céu, para atrair a si aqueles que jazem na terra, depois de terem caído por causa do pecado.

Cada um, portanto, doe tudo, ofereça tudo em sacrifício Àquele que nos deu a si mesmo para a nossa redenção! O maior dom que podemos oferecer-lhe será exatamente aquele de nos doar-lhe totalmente a nós mesmos, depois de termos compreendido o significado de tal Mistério e de nos ter dado conta que tudo Ele realizou por nós!”

São Gregório Nazianzeno, Bispo e Doutor da Igreja

PÁSCOA DA RESSURREIÇÃO - Hino a Cristo, nossa Páscoa



“Ó Mística Exultação! Ó Espiritual Festa! Ó Páscoa Divina!
Do céu Tu desces à terra e da terra, de novo, Tu sobes ao céu!
Ó salvação de todas as coisas! Ó solenidade de todo o cosmo!
Ó alegria do universo, sua honra, festim de delícias!

Por ti, a morte foi destruída e a vida foi difundida sobre todos os seres. Foram abertas as portas do céu! Por ti foram destruídos os infernos e suas correntes foram quebradas! Os habitantes na mansão dos mortos ressuscitam e se unem aos coros celestes!

Ó Páscoa Divina!
Por ti a grande sala nupcial tornou-se cheia: todos trazem a veste nupcial! Ó Páscoa! Por ti não mais se apagam as lâmpadas das almas, mas todos recebem o fogo espiritual da graça, alimentado pelo Corpo, pelo Espírito e pelo óleo de Cristo!



A ti invocamos, ó Cristo, Deus soberano, Rei eterno. Estende as tuas mãos imensas sobre a tua Santa Igreja e sobre o teu povo santo, eternamente teu: protege-o, guarda-o, combate por ele! Submete todos os inimigos, vencendo com a tua potência invisível também os adversários invisíveis como venceste as potências que nos eram hostis!

Ergue também hoje os teus troféus sobre nós e dá-nos a graça de entoar com Moisés o hino da vitória, porque tua é a glória e o poder pelos séculos dos séculos. Amém”

Dos cristãos da Ásia Menor do século II

PÁSCOA DA RESSURREIÇÃO - Nele estamos todos presentes



“Cristo, primícias da nova criação, depois de ter vencido a morte, ressuscitou e sobe para o Pai como oferenda magnífica e esplendorosa, como as primícias do gênero humano, renovado e incorruptível. Podemos considerá-lo o símbolo do feixe das primícias da colheita que o Senhor Deus exigiu a Israel que oferecesse no Templo (Lv 23,9). O que representa este sinal?

Podemos comparar o gênero humano às espigas de um campo, que nascem da terra, ficam à espera de crescer e, depois de amadurecerem, são apanhadas pela morte. Era por isso que Cristo dizia aos Seus discípulos: «Não dizeis vós que, dentro de quatro meses, chegará o tempo da ceifa? Pois bem, Eu digo-vos: erguei os olhos e vede. Os campos estão brancos para a ceifa. O ceifeiro já recebe o salário e recolhe o fruto para a vida eterna» (Jo 4,35-36). Ora, Cristo nasceu entre nós, nasceu da Virgem Santa como as espigas brotam da terra. Aliás, não hesita em dizer de si próprio que é o grão de trigo: «Em verdade, em verdade vos digo: se o grão de trigo, lançado à terra, não morrer, fica ele só; mas, se morrer, dá muito fruto.» Deste modo, ofereceu-se por nós ao Pai, à maneira de um feixe e como primícias da terra.



Porque a espiga de trigo, como aliás nós próprios, não pode ser considerada isoladamente. Vêmo-la num feixe, constituído por numerosas espigas de uma mesma braçada. Cristo Jesus é único, mas aparece-nos como um feixe, e constitui efetivamente uma espécie de braçada, no sentido em que contém em si todos os crentes, em união espiritual, evidentemente. Se assim não fosse, como poderia São Paulo escrever: «Com Ele nos ressuscitou e nos fez sentar lá nos céus» (Ef 2,6)? Com efeito, uma vez que se fez um de nós, nós formamos com Ele um mesmo corpo (Ef 3, 6). Aliás, é Ele quem dirige estas palavras a Seu Pai: «Que todos sejam um como Tu, ó Pai, estás em Mim e Eu em Ti» (Jo 17,21). O Senhor constitui, pois, as primícias de toda humanidade, que está destinada a ser armazenada nos celeiros do céu”.

São Cirilo de Alexandria, Bispo e Doutor da Igreja
Do Comentário sobre o Livro dos Números