quarta-feira, 8 de abril de 2009

Quarta-feira Santa - Lázaro, vem para fora!



“Lázaro, sai para fora! Deitado no túmulo, ouviste este chamamento imperioso. Haverá voz mais sonora do que a do Verbo? Então, vieste para fora, tu que estavas morto, e não apenas há quatro dias, mas há muito tempo. Ressuscitaste com Cristo, caíram-te as ataduras.

Agora, não voltes a cair na morte; não voltes a juntar-te aos que habitavam nos túmulos; não te deixes abafar pelas ataduras dos teus pecados. É que talvez não pudesses voltar a ressuscitar. Poderias acaso retirar da morte deste mundo a ressurreição de todos, no final dos tempos?

Que o chamamento do Senhor te ressoe, pois, aos ouvidos! Não te feches aos ensinamentos e aos conselhos do Senhor. Se estavas cego e mergulhado em trevas no túmulo, abre os olhos para não te afundares no sono da morte. Na luz do Senhor, contempla a luz; no Espírito de Deus, fixa o teu olhar no Filho. Se acolheres a Palavra, concentrarás na tua alma todo o poder de Cristo, que cura e ressuscita. Não receies sofrer para conservares a pureza do teu batismo e abre no coração os caminhos que te fazem ascender ao Senhor. Conserva cuidadosamente o ato de libertação que recebeste por pura graça.

Sejamos luz, como os discípulos aprenderam a sê-lo Daquele que é a grande Luz: ‘Vós sois a luz do mundo’ (Mt 5,14). Sejamos luminárias no mundo, erguendo bem alto a Palavra da vida, sendo poder de vida para os outros. Partamos em busca de Deus, em busca Daquele que é a primeira e a mais pura das luzes”.


Dos Sermões de São Gregório de Nazianzo,
Bispo e Doutor da Igreja

terça-feira, 7 de abril de 2009

Terça-feira Santa - A Semana Santa



“Na tragédia da Paixão, consuma-se a nossa própria vida e toda a história humana. A Semana Santa não pode reduzir-se a uma simples recordação, porque é a consideração do mistério de Jesus Cristo, que se prolonga em nossas almas; o cristão está obrigado a ser alter Christus, ipse Christus, outro Cristo, o próprio Cristo. Pelo Batismo, todos fomos constituídos sacerdotes da nossa própria existência, para oferecer vítimas espirituais, que sejam agradáveis a Deus por Jesus Cristo, para realizar cada uma de nossas ações em espírito de obediência à vontade de Deus, e assim perpetuarmos a missão do Deus Homem.

Por contraste, essa realidade nos leva a deter-nos nas nossas desditas, nos nossos erros pessoais. É uma consideração que não nos deve desanimar nem colocar-nos na atitude cética de quem renunciou às grandes esperanças, porque o Senhor reclama-nos tal como somos, para que participemos da sua vida, para que lutemos por ser santos.

A santidade: quantas vezes pronunciamos esta palavra como se fosse um som vazio! Para muitos, chega a ser um ideal inacessível, um lugar comum da ascética, mas não um fim concreto, uma realidade viva. Não pensavam assim os primeiros cristãos, que usavam os nomes dos santos para se chamarem entre si, com toda a naturalidade e com grande freqüência: Todos os santos vos saúdam, saudai a todos os santos em Cristo Jesus.

Situados agora perante o momento do Calvário, em que Jesus já morreu e ainda se não manifestou a glória do seu triunfo, temos uma excelente ocasião para examinarmos os nossos desejos de vida cristã, de santidade; para reagirmos com um ato de fé perante as nossas fraquezas e, confiantes no poder de Deus, fazermos o propósito de depositar amor nas coisas do nosso dia-a-dia. A experiência do pecado tem que nos conduzir à dor, a uma decisão mais amadurecida e mais profunda de ser fiéis, de nos identificarmos deveras com Cristo, de perseverar custe o que custar nessa missão sacerdotal que Ele confiou a todos os seus discípulos sem exceção, e que nos impele a ser sal e luz do mundo.


O pensamento da morte de Cristo traduz-se num convite para que nos situemos com absoluta sinceridade perante os nossos afazeres diários e tomemos a sério a fé que professamos. A Semana Santa não pode, pois, ser um parêntesis sagrado no contexto de um viver motivado exclusivamente por interesses humanos; deve ser uma ocasião de adentrar nas profundezas do Amor de Deus, para assim podermos mostrá-lo aos homens, com a palavra e com as obras.

A vida, a própria alma, é o que o Senhor nos pede. Se somos fátuos, se nos preocupamos apenas com a nossa comodidade pessoal, se encaramos a existência dos outros e inclusive do mundo por referência exclusiva a nós mesmos, não temos o direito de nos chamarmos cristãos e de nos considerarmos discípulos de Cristo. A entrega tem que se realizar com obras e com verdade, não apenas com a boca. O amor a Deus convida-nos a levar a cruz a pulso, a sentir também sobre nós o peso da humanidade inteira, e a cumprir, dentro das circunstâncias próprias do estado e do trabalho de cada um, os desígnios ao mesmo tempo claros e amorosos da vontade do Pai. Na passagem que comentamos, Jesus prossegue: E aquele que não carrega a sua cruz e me segue, também não pode ser meu discípulo (Lc 14, 27).

Temos que aceitar a vontade de Deus sem medo, precisamos formular sem vacilações o propósito de edificar toda a nossa vida de acordo com o que nossa fé nos ensina e exige. Não há dúvida de que encontraremos luta, sofrimento e dor, mas, se possuímos uma fé verdadeira, nunca nos consideraremos infelizes: mesmo com penas e até com calúnias, seremos felizes, com uma felicidade que nos impelirá a amar os outros e a fazê-los participar da nossa alegria sobrenatural”.

São José Maria Escrivá
É Cristo que passa 96, 97

Terça-feira Santa - A minha vez de servir



«Quem quiser ser grande entre vós, faça-se vosso servo e quem quiser ser o primeiro entre vós, faça-se o servo de todos. Pois também o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por todos.» Mc 10,32-45.

“O homem tinha sido criado para servir o seu criador. Haverá coisa mais justa, que servir Aquele que nos pôs no mundo, sem o qual não teríamos existência? E haverá coisa mais feliz que servi-Lo, pois que servi-Lo, é reinar? Mas o homem disse ao seu Criador: «Não servirei» (Jr 2,20). «Então servir-te-ei Eu», disse o Criador ao homem. «Senta-te, servir-te-ei, lavar-te-ei os pés».

Sim, Cristo, «servo bom e fiel» (Mt 25,21), Tu foste verdadeiramente servo, servo em fé e verdade, em paciência e constância. Sem tibieza, lançaste-Te, qual gigante que corre, na via da obediência (Sl 18,6); sem fingimento, deste-nos sobretudo, depois de tantos cansaços, a tua própria vida; maltratado, inocente, humilhaste-Te e não abriste a boca (Is 53,7). Está escrito e é verdade: «O servo que, conhecendo a vontade do seu senhor, não se preparou e não agiu conforme os seus desejos, será castigado com muitos açoites» (Lc 12,47). Mas, pergunto-vos, que ações dignas deixou por cumprir este servo? Que omitiu Ele do que devia ter feito?

«Fez tudo bem feito», dizem aqueles que observavam a sua conduta; «fez ouvir os surdos e falar os mudos» (Mc 7,37). Pois se cumpriu todas as ações que são dignas de recompensa, como sofreu então tanta indignidade? Ofereceu as costas ao chicote, recebeu uma quantidade inimaginável de chicotadas atrozes, por todo o lado o seu sangue correu. Foi interrogado no meio de opróbrios e de tormentos, como escravo ou malfeitor que é submetido a interrogatórios para que lhe seja arrancada a confissão de um crime. Ó detestável orgulho do homem que desdenha servir, a quem tão só humilha o máximo exemplo da servidão do seu próprio Deus!


Sim, meu Senhor, pois muito sofreste Tu a servir-me; seria justo e equitativo que de agora em diante tivesses repouso, e que o teu servo, por seu turno, te servisse agora; chegou a sua vez. Venceste, Senhor, este servo rebelde; estendo as mãos para que a Ti as ligues, curvo a cabeça para receber o teu jugo. Permite que Te sirva. Recebe-me como teu servo para sempre, ainda que servo inútil se não tiver em mim a tua graça; envia-a pois do teu santo céu, para que me assista nos meus trabalhos (Sb 9,10)”.

Beato Guerric d'Igny
Abade Cisterciense

Terça-feira Santa - Servos anônimos somos: cumprimos o nosso dever apenas



“Sê sempre fiel nas pequenas coisas, pois nelas reside a nossa força. Para Deus, nada é pequeno. A seus olhos nada tem pouco valor. Para Ele, todas as coisas são infinitas. Deves pôr fidelidade nas coisas mais mínimas, não pela virtude que lhes é própria, mas por essa coisa maior que é a vontade de Deus – e que, eu própria, respeito infinitamente.

Não procures realizar ações espetaculares. Devemos renunciar deliberadamente ao desejo de contemplar o fruto do nosso labor, devemos apenas fazer o que podemos, o melhor que pudermos, e deixar o resto nas mãos de Deus. O que importa, é a dádiva que fazes de ti mesmo, o grau de amor que pões em cada ação que realizas. Não te permitas desencorajar face aos fracassos, se deste de fato o teu melhor. Recusa também a glória sempre que sejas bem sucedido.

Oferece tudo a Deus na mais profunda gratidão. Se te sentires abatido, isso é sinal de orgulho que mostra o quanto acreditas nas tuas forças. Deixa de te preocupar com o que as pessoas pensam. Sê humilde e nunca mais coisa alguma te importunará. O Senhor ligou-me aqui, ao lugar onde estou; é Ele quem me desligará de onde estou. Servos anônimos é o que somos: cumprimos o nosso dever apenas”.


Beata Teresa de Calcutá
Fundadora das Missionárias da Caridade
Não há amor maior

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Segunda-feira Santa - O Deus que pede é o Deus que dá sem medida



“Deus pede Isaac a Abraão. Que prova! A fé de Abraão, aqui, chega quase que ao absurdo! Mas, ele foi em frente e ‘estendeu a mão, empunhando a faca para sacrificar o filho’.

Pensemos um pouco: Deus tinha o direito de pedir isso a Abraão? Deus tem o direito de nos provar, de tantas vezes nos pedir coisas que não compreendemos bem? Tem o direito de pedir fé e confiança diante dos percalços da vida? Poderíamos responder dizendo simplesmente que “sim”, porque Ele é Deus; deu-nos tudo e pode pedir-nos o que desejar. Mas, não é essa a resposta que a Palavra de Deus nos indica. Ele nos pode pedir, certamente, e nós devemos dar, com certeza, porque Ele mesmo, o nosso Deus, nos deu tudo! Ele, que pede que Abraão lhe sacrifique o filho único e amado, é o mesmo Deus que, como diz São Paulo, ‘não poupou seu próprio Filho, mas o entregou por todos nós!’ Eis o grande mistério: Deus, no seu amor por nós – primeiro pelo povo de Israel, descendência de Abraão, e, depois, por toda a humanidade, com a qual Ele deseja formar o novo povo, que é a Igreja – Deus, no seu amor por nós, entregou à morte o seu Filho único, o Amado, o Justo e Santo, aquele no qual Ele coloca todo o seu bem-querer. Não é assim que Ele no-lo apresenta no Monte Tabor? ‘Este é o meu Filho amado. Escutai o que ele diz!’. É este Filho que será entregue à morte. O Evangelho de São Lucas nos diz que, precisamente nesta ocasião, Jesus transfigurado falava com Moisés e Elias ‘sobre a sua partida, isto é, a sua morte, que iria se consumar em Jerusalém’ (Lc 9,31). E no Evangelho de São Marcos, o próprio Jesus, ao descer da montanha, ‘ordenou que não contassem a ninguém o que tinham visto, até que o Filho do Homem tivesse ressuscitado dos mortos’. Eis a mensagem: sobre o Monte Tabor, com o Transfigurado envolto em glória, paira a sombra da paixão, da morte do Filho amado e único, que o Deus de Abraão entregará por nós até o fim. Ao filho de Abraão, a Isaac, Deus poupou no último momento; não poupará, contudo, o seu próprio Filho!



Isso nos revela a dimensão do amor de Deus, da sua paixão pela humanidade, do seu compromisso salvífico em nosso favor! Ele pode nos pedir tudo e nós deveríamos dar-lhe tudo, porque, ainda que não compreendamos, Ele deseja somente o nosso bem, a nossa vida, a nossa salvação. Somos preciosos a seus olhos! Eis o que afirma o Apóstolo: ‘Se Deus é por nós, quem será contra nós? Deus que não poupou seu próprio Filho, mas o entregou por todos nós, como não nos daria tudo juntamente com ele? Quem acusará os escolhidos de Deus? Deus, que os declara justos? Quem condenará? Jesus Cristo, que morreu, mais ainda, que ressuscitou, e está à direita de Deus, intercedendo por nós?’ Eis, pois, a dimensão e a profundidade, a largura e a altura do amor de Deus por nós!

Deixemo-nos, portanto, tocar no nosso coração; convertamo-nos! Abramo-nos para o Senhor! Arrependamo-nos de nossas indiferenças, de nossa frieza, de nosso fechamento! Tenhamos vergonha de tanta incredulidade e desconfiança de Deus, simplesmente porque não entendemos seu modo de agir! Que Santo Abraão, nosso pai na fé, e a Santíssima Virgem Maria, nossa Mãe na fé, intercedam por nós para uma verdadeira conversão quaresmal. E que, realizando com generosidade e amor, as práticas quaresmais, cheguemos às alegrias da Páscoa e contemplemos nos santos mistérios da Liturgia, a face do Cristo glorificado!”.

D. Henrique Soares da Costa
Bispo Titular de Acufida e Auxiliar de Aracaju




“Como se aproximam os dias mais importantes que originaram os sacramentos da nossa salvação, devemos dedicar maior cuidado para purificar nossos corações e entregar-nos mais cuidadosamente aos exercícios das virtudes. Quanto mais sublime é a festa, tanto mais preparado deve estar aquele que vai participar dela.

Perscrute cada um sua consciência e se apresente diante de si mesmo para a censura do próprio julgamento. Veja cada um, na intimidade do seu coração, se encontra aquela paz que é dada pelo Cristo!”

Papa São Leão Magno

sábado, 4 de abril de 2009

O amor é o caminho para Deus



“Reinar no céu não é outra coisa que aderir a Deus e a todos os santos mediante o amor, com uma só vontade. Por isso, ama a Deus mais que a ti mesmo e começarás a obter tudo quanto queres possuir perfeitamente no céu. Coloca-te de acordo com Deus e com os homens – desde que esses não se separem de Deus – e já começarás a reinar com Deus e com todos os bem-aventurados.

Na medida em que agora estiveres em harmonia com a vontade divina e dos irmãos, Deus e todos os santos estarão de acordo com as tuas vontades. Queres reinar no céu? Ama a Deus e aos homens como deves e merecerás ser aquilo que desejas para ti mesmo.


Não poderás possuir perfeitamente esse amor se não esvaziares teu coração de qualquer outro amor egoísta e descentralizador de Deus. Eis por que aqueles que enchem o próprio coração do amor a Deus e ao próximo têm como única vontade aquela de Deus – ou aquela de um outro homem, desde que esta não seja contrária à vontade de Deus.

Já que esses são fiéis na oração, na recordação do céu e na fixação do próprio pensamento em tais realidades, é para eles um prazer desejar o Senhor, falar daquele a quem amam, escutar falar dele, pensar nele. Alegram-se com quem está alegre, choram com quem se encontra aflito, têm compaixão dos infelizes, repartem os bens com os pobres. Enfim, amam os outros como a si próprios. Sim, verdadeiramente, toda lei e os profetas estão contidos nos dois mandamentos do amor (Mt 22,40)”.


Das Cartas de Santo Anselmo de Canterbury,
Monge, Bispo e Doutor da Igreja


Papa convoca Ano Sacerdotal



Papa convoca «Ano Sacerdotal» para próximo 19 de junho

Proclamará o Santo Cura de Ars como Padroeiro de todos os sacerdotes do mundo

CIDADE DO VATICANO, segunda-feira, 16 de março de 2009 (ZENIT)- O Papa convocou um Ano Sacerdotal, por ocasião do 150º aniversário da morte do Santo Cura de Ars, a quem proclamará como Padroeiro de todos os sacerdotes do mundo, segundo deu hoje a conhecer a Santa Sé em um comunicado.

O Papa fez este anúncio durante a audiência concedida aos participantes da Plenária da Congregação para o Clero, e esta o divulgou posteriormente em um comunicado, no qual detalha algumas das iniciativas postas em andamento por ocasião deste ano jubilar sacerdotal.

O tema escolhido para o Ano Sacerdotal é o de «Fidelidade de Cristo, fidelidade do sacerdote». Está previsto que o Papa o abra com uma celebração de Vésperas, em 19 de junho, solenidade do Sagrado Coração de Jesus e Dia de Santificação Sacerdotal, «em presença da relíquia do Cura de Ars trazida pelo Bispo de Belley-Ars», Dom Guy Claude Bagnard, segundo informa a Santa Sé.


O encerramento será celebrado justamente um ano depois, com um «Encontro Mundial Sacerdotal» na Praça de São Pedro.

Durante este Ano jubilar, está prevista a publicação de um «Diretório para os Confessores e Diretores Espirituais», assim como de uma «recopilação de textos do Papa sobre os temas essenciais da vida e da missão sacerdotais na época atual».

O objetivo deste ano é, segundo expressou o próprio Papa hoje aos membros da Congregação para o Clero, «ajudar a perceber cada vez mais a importância do papel e da missão do sacerdote na Igreja e na sociedade contemporânea».

Outro tema importante no qual se quer incidir, segundo o comunicado da Congregação, é a «necessidade de potenciar a formação permanente dos sacerdotes ligando-a à dos seminaristas».


Fonte: Zenit


sexta-feira, 3 de abril de 2009

Oração de Quaresma


“Treina-me, Senhor!
Quero estar preparado, por Ti e contigo,
para que a dureza da cruz não me surpreenda,
e que longe de assustar-me,
veja nela um expoente e porta-voz de tua glória.
Quero manter-me em forma,
para não perder o ritmo da fé e para que
não se apague o brilho de minha esperança.
Porque temo que se Tu não vais comigo,
o mal se aproveite de qualquer brecha e
penetre no mais fundo de minhas entranhas.

Treina-me, Senhor!
Quero jogar contigo a grande partida da Páscoa;
agora, com a cor arroxeada da penitência,
mas logo, na alvorada da Ressurreição,
com a cor branca do triunfo da Vida.
Sim, Senhor, quero que nestes 40 dias
me ensines a olhar o céu, me indiques
como entregar-me aos meus irmãos,
me recordes que,
na sobriedade e não na abundância,
está a riqueza e a felicidade de meus anos.

Treina-me, Senhor!
Que possa voltar dos caminhos equivocados
e que, prostrando-me diante de Ti,
possa dizer sem temor nem vergonha alguma:
pequei, não mereço ser contado entre os teus,
‘trata-me como a um de teus servos diaristas’.

Treina-me, Senhor!
Preciso correr,
recuperar o estilo de um autêntico crente
e falar-te com orações que nascem no silêncio.
Escutar palavras que curam e salvam.
Corrigir condutas e comportamentos,
atitudes e esquecimentos
que me afastaram de Ti faz tempo.

Treina-me, Senhor!
E faz que esta Santa Quaresma
seja uma oportunidade para aproximar-me de tudo isso.
Amém.”


Padre Javier Leoz


quinta-feira, 2 de abril de 2009

João Paulo II: quatro anos no Céu!



“Peregrino do amor, assim podemos definir o que foi o Papa João Paulo II. O Papa que mais viajou pelo mundo, visitando todos os povos foi um instrumento permanente do Amor de Deus, exemplo de dedicação e amor ao Evangelho. Hoje, dia 4 de abril de 2009, completam-se 4 anos do falecimento de João Paulo II”. Grupo de oração jovem João Paulo II


“Quando penso no mundo,
que se desvanece e morre
pela falta de Cristo;
quando penso no caos profundo
em que se despenca
a inquieta e cega humanidade
pela falta de Cristo;
quando me encontro
com a força da juventude
apática e destroçada
na própria primavera da vida
pela falta de Cristo,
não posso sufocar as queixas
de meu coração.
Quisera multiplicar-me, dividir-me,
para escrever, pregar,
ensinar Cristo.
E do espírito mesmo do meu espírito
brota contundente e único grito:

Minha vida por Cristo!”

Papa João Paulo II




Os «milagres» de João Paulo II

Imediatamente depois da morte de João Paulo II começaram a se conhecer supostas curas e «milagres» nos quais o falecido Papa haveria intercedido em vida. Para aprofundar estes episódios Andrea Tornielli, vaticanista do jornal «Il Giornale», realizou uma investigação recolhida no livro «Os milagres do Papa Wojtyla» («I miracoli di Papa Wojtyla», Piemme), publicado a princípios do verão. Nesta entrevista concedida a Zenit, aborda o conteúdo de suas páginas:

Quais e quantos são os milagres atribuídos à intercessão de João Paulo II que se relatam no livro?

Andrea Tornielli: Descrevo amplamente oito, mas cito mais. Trata-se dos testemunhos que surgiram imediatamente depois do falecimento de João Paulo II. Em alguns casos, trata-se de relatos dos quais eu tinha conhecimento desde há tempo, mas dos que me havia pedido que não escrevesse em vida do pontífice.

Quem são as testemunhas dos «milagres»?

Andrea Tornielli: Na maior parte dos casos os interessados diretamente ou seus familiares. Em um caso, no de um judeu norte-americano curado, a testemunha é o arcebispo Stanislaw Dziwisz, que durante quatro décadas foi secretário de Karol Wojtyla.


Por que escrever um livro assim sobre João Paulo II? Não está antecipando o processo de beatificação?

Andrea Tornielli: De maneira alguma. Meu trabalho se trata de indicações de graças ocorridas enquanto o Papa Wojtyla estava ainda com vida e portanto não podem ser utilizadas no processo, que como é sabido toma em consideração supostos milagres ocorridos pela intercessão do servo de Deus após sua morte. O que tentei fazer, reunindo estes testemunhos, é fazer ver quantas vezes em torno ao Papa e graças à sua oração de intercessão as pessoas recebiam graças. Intencionalmente escrevi um capítulo ao final do livro narrando episódios similares sucedidos em outros Papas em odor de santidade.


João Paulo II era consciente dos acontecimentos extraordinários dos que foi portador?

Andrea Tornielli: Era, porque às vezes percebia algo que ocorria; outras vezes porque comunicavam a ele em seguida, agradecendo-o. Mas ordenava sempre a todos que não falassem, que permanecessem em silêncio. E sobretudo sublinhava que os milagres e as graças as fazia o Senhor, não o Papa. Este rogava só para que as petições das pessoas que sofriam fossem escutadas.

Independentemente dos sucedidos extraordinários, o pontificado de João Paulo II influiu de maneira determinante em eventos históricos, e não só na queda do muro de Berlim. Não acredita?

Andrea Tornielli: Foi um papado que atravessou o último quarto do século XX e introduziu a Igreja no terceiro milênio. Estou de acordo em que a influência que teve nos acontecimentos históricos não há que vinculá-la só à queda do muro de Berlim (ainda que nesse caso o Papa originário da Polônia teve sua contribuição determinante): pensemos, por exemplo, no gesto profético da visita à mesquita de Damasco em maio de 2001, poucos meses antes do 11 de setembro. Era como se indicasse com antemão o caminho a seguir.

Fonte: Zenit


“Somente o que é construido sobre Deus, sobre o amor, é durável. Não tenham medo de ser santos!”


Papa João Paulo II


quarta-feira, 1 de abril de 2009

Como São Francisco passou uma Quaresma



“Ao verdadeiro Servo de Deus, São Francisco, já que em certas coisas foi como um segundo Cristo dado ao mundo para salvação dos povos, quis Deus Pai fazê-lo, em muitos aspectos de sua vida, conforme e semelhante a seu Filho Jesus Cristo, como aparece no venerável colégio dos doze companheiros, no admirável mistério das sagradas chagas e no jejum contínuo da santa quaresma, que realizou da seguinte maneira:

Em certa ocasião, achando-se São Francisco, no último dia de carnaval, junto ao lago de Perusa, na casa de um devoto seu, onde havia passado a noite, sentiu a inspiração de Deus de ir passar a quaresma em uma ilha do dito lago. São Francisco pediu, então, a este devoto seu, por amor a Cristo, que lhe levasse em seu barco a uma ilha do lago totalmente desabitada e que o fizesse na noite de quarta-feira de cinzas, sem que ninguém se desse conta. Assim o fez pontualmente o homem, pela grande devoção que tinha a São Francisco, e lhe levou à ilha. São Francisco não levou consigo mais que dois pãezinhos. Depois de chegarem à ilha e o amigo já estar pronto para voltar para casa, São Francisco lhe pediu encarecidamente que não contasse a ninguém o seu paradeiro e que não voltasse para buscá-lo até a quinta-feira santa. E com isso, partiu o homem, deixando São Francisco a sós.


Como não havia na ilha habitação alguma onde pudesse se alojar, entrou em um canto de largura muito estreita, onde as sarças e os arbustos formavam uma espécie de cabana. E neste lugar se pôs a rezar e a contemplar as coisas celestiais. Ali esteve toda a quaresma sem comer outra coisa que a metade de um daqueles pãezinhos, como pode comprovar, na quinta-feira santa, aquele mesmo amigo ao ir buscá-lo. Dos dois pequenos pães, achou um inteiro e a metade do outro. Acredita-se que São Francisco o comeu apenas por respeito ao jejum de Cristo bendito, que jejuou quarenta dias e quarenta noites, sem tomar nenhum alimento material. Assim, comendo aquele meio pão, afastou de si o veneno da vanglória e jejuou a exemplo de Cristo, quarenta dias e quarenta noites.

Mais tarde, naquele lugar onde São Francisco havia feito tão admirável abstinência, Deus realizou, por seus méritos, muitos milagres, pelo que muitas pessoas começaram a construir casas e viver ali.

Em pouco tempo, se formou na ilha uma aldeia boa e grande. Há também ali, um Convento dos irmãos que se chama o ‘Convento da ilha’. Hoje em dia, os homens e mulheres dessa aldeia veneram com grande devoção aquele lugar em que São Francisco passou a dita quaresma.

Em louvor de Cristo bendito. Amém.”


Do Florilégio de São Francisco


terça-feira, 31 de março de 2009

É preciso ouvir a Voz de Deus



Chiara Lubich, a Fundadora dos Focolares, afirma que não é difícil tentar discernir qual é a vontade de Deus...

É preciso ouvir a Voz de Deus

“É preciso ouvirmos bem dentro de nós uma voz delicada, que muitas vezes sufocamos, e que se torna quase imperceptível. Mas, se a ouvirmos bem: é a voz de Deus. Ela diz-nos que aquele é o momento de ir estudar, ou de ajudar quem tem necessidade, ou de trabalhar, ou de vencer uma tentação, ou de cumprir um dever de cristão ou de cidadão. Convida-nos a dar atenção a alguém que nos fala em nome de Deus, ou a enfrentar com coragem situações difíceis. Temos que a ouvir. Não façamos calar essa Voz, ela é o tesouro mais precioso que possuímos. Sigamo-la!”


“A pena não sabe o que deverá escrever.
O pincel não sabe o que deverá pintar.
Do mesmo modo, quando
Deus se serve de uma criatura
para fazer surgir na Igreja uma sua obra,
ela não sabe aquilo que deve fazer.
É um instrumento.
E os instrumentos de Deus
em geral têm uma característica:
a pequenez, a fragilidade...
'a fim de que nenhuma criatura
se possa vangloriar diante de Deus’.
Enquanto o instrumento se move
nas mãos de Deus, Ele o forma com
mil expedientes dolorosos e alegres.
Assim torna-o sempre mais idôneo
para o trabalho que deve fazer.
Até que, pode dizer com autoridade:
eu nada sou, Deus é tudo”.


Dos escritos de Chiara Lubich


segunda-feira, 30 de março de 2009

Dai-me, Senhor, um coração puro!



5º Domingo da Quaresma - Ano B : Jn 12,20-33

Salmo 50, 3-4; 12-15; 18-19

“Tende piedade de mim, ó meu Deus, misericórdia! Na imensidão de vosso amor,purificai-me, cancelai o meu pecado! Lavai-me todo inteiro do pecado e apagai completamente a minha culpa!
Cria em mim, ó Deus, um coração que seja puro, dai-me de novo um espírito decidido. Ó Senhor, não me afasteis da vossa face, nem retireis de mim o vosso Espírito! Devolve-me a alegria de ser salvo, e confirmai-me com espírito generoso! Ensinarei vossos caminhos aos que erram e a Vós voltarão os pecadores.
Pois não Vos agrada o sacrifício e, se vos ofereço holocaustos, não os aceitais. Sacrifício para Deus é um espírito contrito; não desprezais, ó Deus, um coração contrito e humilhado”.

Cria em mim, ó Deus, um coração puro (Sl 50, 12)

«Grava-me como um selo em teu coração, porque o amor é forte como a morte» (Ct 8,6). Forte como a morte é o amor porque o amor de Cristo é a morte da morte. Da mesma forma, o amor com que amamos a Cristo é, também ele, forte como a morte, porque constitui, à sua maneira, uma morte: uma morte que põe fim à vida velha, em que os vícios são abolidos e as obras mortas são abandonadas. De fato, o amor que temos a Cristo – mesmo estando longe de igualar aquele que Cristo tem por nós – é à imagem e semelhança do seu. Cristo, de fato, «amou-nos primeiro» (1Jo 4,19) e, através do exemplo que nos deu, tornou-se para nós um selo, a fim de que nos tornemos conformes à sua imagem.



É por isso que Ele nos diz: «Grava-me como um selo em teu coração», como se dissesse: «Ama-me como Eu te amo. Guarda-me no teu espírito, na tua memória, no teu desejo, nos teus suspiros, nos teus gemidos, nos teus soluços. Lembra-te, homem, de que natureza te criei: de quanto te preferi às outras criaturas, de que dignidade de enobreci, de que glória e de que honra te coroei e como te fiz pouco inferior aos anjos e como tudo coloquei sob os teus pés (Sl 8,6-7). Lembra-te, não apenas de tudo o que fiz por ti, mas ainda de tudo aquilo que, de fato, suportei da tua parte, em sofrimento e desprezo. E vê se não és injusto para comigo, não me amando. Quem, de fato, te amou como Eu? Quem te criou, se não Eu? Quem te resgatou, se não Eu?»



Senhor, arranca de mim este coração de pedra, este coração gelado, este coração incircunciso. E dá-me um coração novo, um coração de carne, um coração puro (Ez 36,26). Tu, que purificas o coração e que amas o coração puro, vem possuir e habitar o meu coração; envolve-o e enche-o, Tu que ultrapassas tudo o que sou e que me és mais interior e íntimo do que eu mesmo. Tu, o modelo da beleza e o selo da santidade, confirma o meu coração à tua imagem, marca o meu coração com a tua misericórdia, Deus do meu coração, meu refúgio e minha herança para sempre (Sl 72,26)”.


Balduíno de Ford, Abade Cisterciense
Homilia X, sobre Ct 8, 6


sábado, 28 de março de 2009

A Voz do silêncio



"A Voz do silêncio

Introversão

É de todo necessário a volta ao interior, entrar dentro de nós mesmos, para que Deus nasça na alma. Urge alcançar um forte impulso de recolhimento, recolher e introduzir todas as nossas potências, inferiores e superiores, e trocar a dispersão pela concentração, pois, como dizem, a união faz a força. Quando um atirador pretende um golpe certeiro no branco, fecha um olho para fixar melhor com o outro. Assim também quem quer conhecer algo a fundo necessita que todos os seus sentidos convirjam a um mesmo ponto a fim de dirigi-los ao centro da alma de onde saíram.

Ao encontro do Senhor

Assim, nos teremos disposto para sair ao encontro do Senhor. Saiamos agora e avancemos por cima de nós mesmos até Deus. É necessário renunciar a todo querer, desejar ou atuar próprio. Nada mais que a intenção pura e desnuda de buscar só a Deus, sem o mínimo desejo de buscar-se a si mesmo nem coisa alguma que possa redundar em seu proveito. Com vontade plena de ser exclusivamente para Deus, de conceder-lhe a morada mais digna, a mais íntima a fim de que Ele nasça e leve a cabo a sua obra em nós, sem impedimento algum.

Com efeito, para que haja fusão entre duas coisas é necessário que uma seja paciente e a outra se comporte como agente. Unicamente quando o olho está limpo é que poderá ver um quadro pregado na parede ou qualquer outro objeto. Isso seria impossível se houvesse outra pintura gravada na retina. O mesmo ocorre com o ouvido: enquanto um ruído lhe ocupa, está impedido de captar outro. Como conclusão, o recipiente é tanto mais útil quanto mais puro e vazio.

A isto se referia Santo Agostinho quando disse: “Esvazia-te para seres preenchido, sai para entrar”. E em outro lugar: “Oh, tu, alma nobre, nobre criatura, porque buscas fora a quem está plena e manifestadamente dentro de ti? És partícipe da natureza divina, porque então escravizar-te às criaturas?”.


Vazio e plenitude

Se de tal modo o homem preparasse a sua morada, o fundo da alma, Deus o preencheria sem dúvida alguma, se lhe daria em abundância. Romperiam-se os céus para preencher o vazio.

A nossa natureza tem horror ao vazio, dizem. Então, quanto seria contrário ao Criador e à sua justiça, abandonar uma alma assim disposta! Escolhe pois um dos dois: calar, tu, e falar Deus ou falar, tu, para que Ele se cale. Deves fazer silêncio.

Então, será outra vez pronunciada a Palavra que tu poderás entender e nascer: Deus na alma. Em troca, tens por certo que se tu insistires em falar, nunca ouvirás a sua Voz. Manter nosso silêncio, aguardando a escuta do Verbo é o melhor serviço que lhe podemos prestar. Se saíres de ti completamente, Deus de novo se te dará em plenitude. Porque à medida que tu sais, Ele entra. Nem mais nem menos.

Silêncio da alma

A esse sossego do espírito se refere o cântico da Missa que começa: “Quando um sossegado silêncio tudo envolvia” (Sb 18, 14). Em pleno silêncio, toda a criação calava na mais alta paz da meia noite. Então, oh Senhor, a Palavra onipotente deixou seu Trono para acampar em nossa tenda (Liturgia de Natal). Será então, no ponto culminante, no apogeu do silêncio, quando todas as coisas ficaram submersas na calma, somente então, se fará sentir a realidade desta Palavra. Porque, se queres que Deus fale, faz falta que tu cales. Para que Ele entre, todas as coisas deverão ter saído”.


Johannes Tauler, O.P. (Juan Tauler/1300-1361)
Instituciónes, Temas de oración


sexta-feira, 27 de março de 2009

Suportai-vos por amor



«Suportai-vos uns aos outros com amor» (Ef 4,2).

«É esta mesma a lei de Cristo (Gl 6, 2).
Quando noto, no meu irmão, alguma coisa de incorrigível, consequência de dificuldades ou fraquezas e enfermidades físicas ou morais, porque não o suportar com paciência, porque não o consolar de todo o coração, segundo a Palavra da Escritura : «Os seus filhos serão levados ao colo e consolados sobre os joelhos»( Is 66,12)? Será que me falta essa caridade que tudo suporta, que é paciente para aguentar, indulgente e forte para amar? (cf 1 Co 13,7). E esta é, em todo o caso, a lei de Cristo.

Na sua Paixão, Ele «tomou verdadeiramente sobre si os nossos sofrimentos», e, na sua misericórdia, «carregou as nossas dores» (Is 53, 4), amando aqueles que levava, levando aqueles que amava.

Aquele que, pelo contrário, se mostra agressivo e impaciente, indelicado e de má vontade para com o seu irmão fraco, doente, sofrendo, em dificuldade ou necessitado de conversão, aquele que arma uma ratoeira à sua fraqueza, qualquer que ela seja, submete-se manifestamente à lei do mal e cumpre-a. Sejamos pois mutuamente compassivos e cheios de amor fraterno, suportemos as fraquezas e persigamos os vícios... Todo o tipo de vida que permite dedicar-se mais sinceramente ao amor de Deus e, por Ele, ao amor do próximo, quaisquer que sejam o hábito e a observância ou o tipo de vida, é também e sempre mais agradável a Deus».


Isaac de l’Étoile, Monge Cisterciense
Sermão 31: Pl 194


quinta-feira, 26 de março de 2009

Oração à Senhora do Silêncio



“Mãe do silêncio e da humildade, Tu vives perdida e encontrada no mar sem fundo do Mistério do Senhor.

Tu és disponibilidade e receptividade. Tu és fecundidade e plenitude. Tu és atenção e solicitude pelos irmãos. Estás revestida de fortaleza. Resplandecem em Ti a maturidade humana e a elegância espiritual. És senhora de Ti mesma antes de ser Nossa Senhora.

Em Ti não existe dispersão. Em um ato simples e total, tua alma, toda imóvel, está paralisada e identificada com o Senhor. Estás dentro de Deus, e Deus dentro de Ti. O Mistério total te envolve e te penetra e te possui, ocupa e integra todo o teu ser.

Parece que em Ti tudo ficou parado, tudo se identificou contigo: o tempo, o espaço, a palavra, a música, o silêncio, a mulher, Deus. Tudo ficou assumido em Ti, e divinizado.

Jamais se viu figura humana de tamanha doçura, nem se voltará a ver nesta terra uma mulher tão inefavelmente evocadora.

Entretanto, teu silêncio não é ausência, mas presença. Estás abismada no Senhor e ao mesmo tempo atenta aos irmãos, como em Caná. A comunicação nunca é tão profunda como quando não se diz nada, e o silêncio nunca é tão eloqüente como quando nada se comunica.

Faz-nos compreender que o silêncio não é desinteresse pelos irmãos ou pela vida mas fonte de energia e irradiação; não é encolhimento e sim projeção. Faz-nos compreender que, para que se derrame de si, é preciso preencher-se.

Afoga-se o mundo no mar da dispersão, e não é possível amar os irmãos com um coração disperso. Faz-nos compreender que o apostolado, sem silêncio, é alienação, e que o silêncio, sem apostolado, é comodidade.

Envolve-nos em teu manto de silêncio e comunica-nos a fortaleza de tua Fé, a altura de tua Esperança e a profundidade de teu Amor. Fica com os que ficam e vem com os que partem.

Ó Mãe Admirável do Silêncio!"

Inácio Larrañaga, OFM
“O silêncio de Maria.”


quarta-feira, 25 de março de 2009

O Silêncio



“O silêncio tem uma dupla maneira de se impor a nós: provém da nossa pobreza ou brota de uma plenitude. Frequentemente é necessário que o silêncio nos chegue através do sentimento de nossa pobreza. Isto acontece muito simplesmente quando nos damos conta de que não somos capazes de pronunciar a palavra como se deveria. Jesus se mostrou severo em confronto com as palavras inúteis pronunciadas pelo fiel com leviandade (cf. Mt 12, 36). A palavra foi dada ao homem para dar testemunho da Palavra de Deus, para dar graças, bendizer e adorar a Deus. Ao invés disso, nossas palavras tornaram-se uma das ocasiões mais fáceis para ofender a Deus, para ferir os irmãos e assim, faltar com a caridade, infringir a lei do amor. Uma certa discrição no falar é sinal de que somos conscientes disto e de que desejamos sinceramente não pronunciar outras palavras senão aquelas que chegaram à maturidade em nosso coração. Um tal silêncio provém, antes de tudo, de um vazio em nós, mas de um vazio lucidamente vivido e aceito.

Mas existe um outro silêncio: aquele que brota de uma plenitude que existe em nós. Santo Isaac, o sírio, escrevia: «Esforça-te, antes de tudo, por calar-te. Disto nascerá em nós o que nos conduzirá ao silêncio. Que Deus te conceda, então, de sentir o que nasce do silêncio. Se fazes assim, levantar-se-á em ti uma luz que não sei explicar. Da ascese do silêncio nasce no coração, com o tempo, um prazer que impele o corpo a permanecer pacientemente na paz. E vêm as lágrimas abundantes, primeiro no sofrimento, depois no êxtase. O coração, então, sente o que discerne no profundo da contemplação maravilhosa».


Este silêncio é já oração ou, segundo ainda Santo Isaac, «linguagem dos séculos vindouros». O silêncio testemunha a plenitude da vida de Deus em nós, plenitude que deve renunciar a toda palavra humana para exprimi-la de maneira adequada. Por um certo tempo, somente as palavras da Bíblia conseguem ainda expressá-la um pouco, mas depois chega o momento, no qual somente o silêncio pode dar conta da extraordinária riqueza que nos foi dado descobrir no nosso coração.

É este um silêncio que se impõe com doçura e com força ao mesmo tempo, mas de dentro para fora. A oração torna-se lei de si mesma. Ela faz compreender quando é necessário calar e quando é necessário falar. É puríssimo louvor, e ao mesmo tempo, uma assombrosa irradiação. Um silêncio assim jamais fere alguém. Ele estabelece ao redor do silencioso uma zona de paz e de quietude, na qual Deus pode ser percebido como presente, de maneira irresistível. «Guarda o teu coração na paz», dizia São Serafim de Sarov, «e uma multidão ao teu redor será salva».

Louf, A., La voie cistercienne, 97-98.


terça-feira, 24 de março de 2009

O valor do silêncio em Marta Robin



Dai-nos, Mãe, a graça de compreender o valor do silêncio!


“Ó Maria! Ó minha santa e boa Mãe!
Dai-me e dai a todos nós, a graça de
compreender o grande valor do silêncio,
no qual conseguimos ouvir Deus.
Ensinai-me o silêncio;
quero calar-me para poder
ouvir a eterna Sabedoria.
Ensinai-me a arrancar do silêncio
tudo o que ele encerra de grande,
de sobrenatural, de divino.
Ajudai-me a fazer desta descoberta,
uma oração perfeita,
uma oração plena de fé,
de confiança e de amor.
Desejo fazer uma oração vibrante,
enérgica, laboriosa, fecunda e eficaz,
capaz de glorificar a Deus e de salvar almas!”


Serva de Deus Marta Robin (1902-1981)



Alimentou-se somente da Eucaristia durante 53 anos

Marta Robin, nasceu no dia 13 de março de 1902, em Châteauneuf-de-Galaure (Drôme), na França, no seio de uma família de camponeses, e passou toda a sua vida na casa paterna, onde morreu no dia 6 de fevereiro de 1981. Toda a existência de Marta girou ao redor de Jesus Eucaristia, quem foi para ela: “Aquele que cura, consola, aligeira, abençoa, o meu Tudo”.

Desde 1928, depois de uma grave doença neurológica, Marta estava quase absolutamente impossibilitada de movimentar-se, e particularmente não podia engolir porque os músculos da deglutição estavam bloqueados. Além disso foi obrigada, por causa de uma doença nos olhos, a viver praticamente na escuridão.


Eis o testemunho do Padre Finet, o seu diretor espiritual: “Quando recebeu os estigmas, no início do mês de outubro de 1930, Marta já vivia a sua Paixão desde 1925, ano em que ela se ofereceu como vítima de amor. No mesmo dia, Jesus lhe disse que depois da Virgem Maria, Ele tinha escolhido ela para viver mais intensamente a Paixão e ninguém poderia vivê-la de maneira tão plena. Acrescentou que cada dia ela sofreria mais e mais, e que nunca mais dormiria à noite. Depois dos estigmas, Marta não pôde mais nem comer, nem beber e o êxtase durava até a segunda ou terça-feira. Durante um dos êxtases, Jesus disse a Marta: Os meus sacerdotes, os meus sacerdotes, dá-me tudo por eles. Minha Mãe e Eu os amamos tanto. Dá-me todos os teus sofrimentos, tudo o que sofres neste momento, todos aqueles com os quais tu queres mergulhar no meu Amor, dá-me o teu isolamento e a tua solidão e a solidão na que eu te coloquei, tudo sem descanso pelos meus sacerdotes. Oferece-te ao Pai comigo por eles e não temas sofrer muito pelos meus sacerdotes, eles necessitam realmente de tudo isso que estou para realizar em ti em favor deles”.


A Serva de Deus Marta Robin deu o seu sim prontamente, livremente, de boa-vontade e com o coração repleto de paz, tudo o que Jesus lhe pedia, todos os sofrimentos e dores por amor, um grande amor a Jesus redentor e pelos seus tão queridos pecadores que queria salvar.

Marta Robin se tornou conhecida depois que o famoso e ilustre escritor e filósofo Jean Guitton escreveu o livro "A Jornada Imóvel". O grande filósofo Jean Guitton, recordando o seu encontro com a vidente, escreveu um impactante testemunho:

“Encontrei-me naquele quarto escuro, apresentado a Marta por uma das mentes mais contestatórias do nosso tempo: o médico de Anatole France, o Doutor Couchourd, discípulo de Alfred Loisy e diretor de uma coleção de livros anticristãos. Desde o primeiro encontro com Marta Robin, entendi que ela seria para mim uma “irmã na caridade”, como sempre o foi para milhares de visitantes. Era uma camponesa dos campos franceses, que por trinta anos não ingeriu nem comida, nem bebida; nutria-se somente da Eucaristia e cada sexta-feira revivia, com os estigmas, as dores da Paixão de Jesus. Uma mulher que talvez foi a pessoa mais estranha, extraordinária e desconcertante da nossa época, mas que justamente no século da televisão permaneceu desconhecida ao público, sepultada no mais profundo silêncio...”.

Efetivamente, além dos fenômenos místicos extraordinários, a obra evangelizadora que Marta levou adiante foi realmente muito significativa, apesar das suas precárias condições. Graças à ajuda do Padre Finet, seu diretor espiritual, fundou sessenta “Foyers de Lumiére, de Charité et d’Amour” espalhados pelo mundo todo.


Fonte: The Real Presence


segunda-feira, 23 de março de 2009

Purificação espiritual por amor



A purificação espiritual por meio do amor no jejum e nas obras de misericórdia

“Em todo tempo, amados filhos, a terra está repleta da misericórdia do Senhor (SI 32,5). A própria natureza é para todo fiel uma lição que o ensina a antes de tudo amar e louvar a Deus, pois o céu, a terra, o mar e tudo o que neles existe proclamam a bondade, o amor e a onipotência de seu Criador; e a admirável beleza dos elementos postos a nosso serviço requer da criatura racional uma justa ação de graças.

O retorno, porém, nesses dias que os mistérios da salvação humana marcaram de modo mais especial e que precedem imediatamente a festa da Páscoa, exige que nos preparemos com maior cuidado por meio de uma dedicada e amorosa purificação espiritual.

Na verdade, é próprio da solenidade pascal que a Igreja inteira se alegre com o perdão dos pecados. Não é apenas nos que renascem pelo santo batismo que ele se realiza, mas também naqueles que desde há muito são contados entre os filhos adotivos.

É, sem dúvida, o banho da regeneração que nos torna criaturas novas; mas todos têm necessidade de se renovar a cada dia para evitarmos a ferrugem inerente à nossa condição mortal, e não há ninguém que não deva se esforçar para progredir no caminho da perfeição; por isso, todos sem exceção, devemos empenhar-nos para que, no dia da redenção, pessoa alguma seja ainda encontrada nos vícios do passado, mas sim transformada em amor.


Por conseguinte, amados filhos, aquilo que cada cristão deve praticar em todo tempo, deve praticá-lo agora com maior zelo e piedade, para cumprir a prescrição, que remonta aos apóstolos, de jejuar quarenta dias, não somente reduzindo os alimentos, mas sobretudo abstendo-se do pecado e sendo mais benevolentes, mais bondosos.

A estes santos e razoáveis jejuns, nada virá junta-se com maior proveito que as esmolas. Sob o nome de obras de misericórdia, incluem-se muitas e louváveis ações de bondade, caridade e amor; graças a elas, todos os fiéis podem manifestar igualmente os seus sentimentos, por mais diversos que sejam os recursos de cada um.

Se verdadeiramente amamos a Deus e ao próximo, nenhum obstáculo impedirá nossa boa vontade e nossos atos de amor. Quando os anjos cantaram: Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens de voa vontade (Lc 2, 14), proclamavam bem-aventurados, não só pela virtude da benevolência mas também pelo dom da paz, todo aquele que, por amor, se compadece do sofrimento alheio.

São inúmeras as obras de misericórdia, o que permite aos verdadeiros cristãos tomar parte na distribuição de esmolas, sejam eles ricos, possuidores de grandes bens, ou pobres, sem muitos recursos. Apesar de nem todos poderem ser iguais na possibilidade de dar, todos podem sê-lo na boa vontade e no amor que manifestam”.

Texto extraído da Tradição Sagrada: por Pseudo-Crisóstomo