sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Maria, Mãe do Amor



Esta Mãe do Amor Formoso pode aliviar teu coração de todo escrúpulo e de todo amor servil. Entrega-te a Ela e o teu coração Ela abrirá e alargará para correr pelo caminho dos mandamentos do Seu Filho, com a santa liberdade dos filhos de Deus. Passarás a olhar a Deus como teu Bondoso Pai, tratando de agradar-Lhe incessantemente, e com Ele conversarás confidentemente, à semelhança de um filho com Seu Pai. Se por acaso o ofenderes, humilha-te diante Dele, pede-Lhe perdão confiantemente e humildemente, e estenderás simplesmente a mão, e te levantarás amorosamente sem perturbação nem inquietação, para continuar a caminhar para Ele, nosso Pai e nosso Amor.

São Luis Maria Grignon de Montfort
Tvd, n.215


terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Conversei com Ele?



É possível que esta palavra te assuste: meditação. Recorda-te livros de capas pretas e vermelhas, ruídos de suspiros ou de rezas como cantilenas rotineiras... Mas isso não é meditação. Meditar é considerar, contemplar que Deus é Pai, e tu, seu filho, necessitado de muita ajuda; e depois dar-Lhe graças por tudo que já te concedeu e por tudo o que ainda te dará.

Procura-O no teu exame diário:
Deixei passar alguma hora sem falar com meu Pai-Deus?
Conversei com Ele, com amor de filho?

O único meio de conhecer Jesus é chegar ao trato com Ele! NEle encontrarás sempre um Pai, um Amigo, um Conselheiro e um Colaborador para todas as atividades nobres da tua vida cotidiana.

E, com o trato íntimo, nascerá o Amor.

“Fica conosco, porque escureceu...” Foi eficaz a oração de Cléofas e do seu companheiro.

Que pena se tu e eu não soubéssemos “deter” Jesus que passa!

Que dor, se não Lhe pedimos que fique!


São José Maria Escrivá
Sulco, 671


domingo, 11 de janeiro de 2009

Queima, arranca, consome



Desapega o meu coração de tudo,
a fim de ficar livre
para que nada o impeça de Te ver.
Queima a minha vontade,
abaixa o meu orgulho,
Ó Tu, tão humilde de coração.
Enfim, educa o meu para Ti
a fim de que possa ser a Tua morada amada,
para que venhas repousar nele,
e conversar comigo numa união ideal.
Que este pobre coração não seja
senão um com o Teu Divino Coração.
E para isso queima, arranca,
consome tudo o que Te desagrada.

Beata Elizabeth da Trindade, ocd


quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Consolo antes do martírio



São Thomas More, pouco antes de seu martírio, consola a sua filha dizendo-lhe:

“Nada pode me acontecer que Deus não queira. E tudo o que Ele quer, por muito mau que nos pareça, é na realidade o melhor”


Santo Tomás Moro, poco antes de su martirio, consuela a su hija diciéndole:

“Nada puede pasarme que Dios no quiera.Y todo lo que EL quiere, por muy malo que nos parezca, es en realidad lo mejor.”


Carta da prisão; cf. Liturgia das Horas, III, Ofício das Leituras, 22 de junho.

Carta de prisión; cf. Liturgia de las Horas, III, Oficio de lectura 22 junio.


quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Talvez não saibamos amar



“Talvez não saibamos o que é amar, e não me surpreenderei muito, porque amar não está no maior gosto, senão na maior determinação de desejar em tudo a Deus e procurar enquanto pudermos não ofender-lhe”.


"Quizás no sabemos qué es amar, y no me espantaré mucho; porque no está en el mayor gusto, sino en la mayor determinación de desear en todo a Dios y procurar en cuanto pudiéremos, no ofenderle".

Santa Teresa de Jesús, ocd
Monja Carmelita e Doutora da Igreja


terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Como valorizar a humildade?



Lucas 14, 1.7-14

E sucedeu um sábado que Jesus foi à casa de um dos chefes dos fariseus (...) Observando como os convidados elegiam os primeiros postos, disse-lhes uma parábola: “Quando fores convidado por alguém a uma boda, não te ponhas no primeiro posto, não seja que tenha sido convidado por ele outro mais distinguido que tu, e vindo o que vos convidou a ti e a ele, diga: ‘Deixa o lugar para ele’”. (...) Disse também ao que lhe havia convidado: “Quando deres um banquete, chama os pobres, os feridos, os coxos, os cegos; e serás ditoso, porque não te podem corresponder, e serás recompensado na ressurreição dos justos”.

O começo do Evangelho de hoje nos ajuda a corrigir uma discriminação muito difundida entre os cristãos. Acabou-se por fazer dos fariseus o protótipo de todos os vícios: hipocrisia, falsidade, os inimigos de Jesus. Com estes significados negativos, o termo fariseu e o adjetivo farisaico entraram no vocabulário de nossa língua e de muitas outras. Tal idéia dos fariseus não é correta. Entre eles havia certamente muitos elementos que responderam a esta imagem, e é com eles com quem Cristo se choca duramente. Mas não todos eram assim. Nicodemos, que foi ter com Jesus de noite e que mais tarde o defendeu no Sinédrio, era um fariseu (Cf. João 3,1: 7, 50ss). Fariseu era também Paulo antes da conversão, e era certamente pessoa sincera e diligente, ainda que mal iluminada. Fariseu era Gamaliel, que defendeu os apóstolos ante o Sinédrio (Cf. Atos 5, 34ss).

As relações de Jesus com eles não foram, portanto, só conflitantes. Alguns, como neste caso, também o convidam a comer em sua casa. Estes convites por parte de fariseus são tanto mais dignos de destacar enquanto que eles sabem muito bem que não será o fato de convidá-lo a sua própria casa o que impede a Jesus de dizer o que pensa. Também em nosso caso Jesus aproveita a ocasião para corrigir alguns desvios e levar adiante sua obra de evangelização. Durante a refeição, aquele sábado, Jesus ofereceu dois ensinamentos importantes: um dirigido aos convidados, outro ao anfitrião.

Ao senhor da casa, Jesus diz: «Quando deres uma ceia, não chames teus amigos, nem teus irmãos, nem teus parentes, nem teus vizinhos ricos...». Assim fez ele mesmo, Jesus, quando convidou ao grande banquete do Reino pobres, afligidos, mansos, famintos, perseguidos (as categorias de pessoas enumeradas nas Bem-aventuranças).

Mas é sobre o que Jesus diz aos convidados onde queria deter-me esta vez. «Quando fores convidado por alguém a uma boda, não te ponhas no primeiro lugar...». Jesus não pretende dar conselhos de boa educação. Tampouco trata de alentar o sutil cálculo de quem se põe no último lugar, com a secreta esperança de que o anfitrião lhe faça um gesto de subir mais para cima. A parábola aqui pode levar a um engano, se não se pensa de que banquete e de que senhor está falando Jesus.

O banquete é o mais universal do Reino e o senhor é Deus. Na vida, quer dizer Jesus, elege o último lugar, tenta fazer felizes os demais mais que a ti mesmo; sê modesto ao valorizar seus méritos, deixa que sejam os demais os que os reconheçam, não tu («ninguém é bom juiz em sua própria casa»), e já desde esta vida Deus te exaltará. Exaltar-te-á em sua graça, far-te-á subir na lista de seus amigos e dos verdadeiros discípulos de seu Filho, que é o único que verdadeiramente conta.

Exaltar-te-á também na estima dos demais. É um fato surpreendente, mas certo. Não é só Deus que «se inclina para o humilde, mas ao soberbo conhece desde longe» (Sal 137, 6); o homem faz o mesmo, independentemente do fato de que seja mais ou menos crente. A modéstia, quando é sincera e não afetada, conquista, faz a pessoa amada, sua companhia desejada, sua opinião apreciada. A verdadeira glória foge de quem a persegue e persegue a quem a foge.

Vivemos em uma sociedade que tem necessidade extrema de voltar a escutar esta mensagem evangélica sobre a humildade. Correr a ocupar os primeiros postos, talvez passando, sem escrúpulos, sobre as cabeças dos demais, a competitividade exasperada, são características por todos suplicadas e por todos, lamentavelmente, seguidas. O Evangelho tem um impacto sobre o social, até quando fala de humildade e modéstia.


Padre Raniero Cantalamessa, Pregador da Casa Pontifícia
Do original italiano publicado por «Famiglia Cristiana».
Tradução realizada por Zenit


domingo, 4 de janeiro de 2009

Concede-me, Senhor




Que eu chegue a Ti, Senhor,
por um caminho seguro e reto;
caminho que não se desvie
nem na prosperidade nem na adversidade,
de tal forma que eu te dê graças
nas horas prósperas e nas adversas,
conserve a paciência,
não me deixando exaltar pelas primeiras
nem abater pelas outras.

Que nada me alegre ou entristeça,
exceto o que me conduza a Ti
ou que de Ti me separe.

Que eu não deseje agradar
nem receie desagradar senão a Ti.
Tudo o que passa torne-se
desprezível a meus olhos
por tua causa, Senhor,
e tudo o que Te diz respeito me seja caro,
mas Tu, meu Deus, mais do que o resto.

Qualquer alegria sem Ti me seja
totalmente fastidiosa,
e nada eu deseje fora de Ti.
Qualquer trabalho, Senhor,
feito por Ti me seja agradável
e insuportável todo aquele
de que estiveres ausente.

Concede-me a graça
de erguer continuamente,
fielmente, o coração a Ti
e que, quando eu caia,
me arrependa.
Torna-me, Senhor meu Deus,
obediente, pobre e casto;
paciente, sem reclamação;
humilde, sem fingimento;
alegre, sem dissipação;
triste, sem abatimento;
reservado, sem rigidez;
activo, sem leviandade;
animado pelo temor, sem desânimo;
sincero, sem duplicidade;
fazendo o bem sem presunção;
corrigindo o próximo sem altivez;
edificando-o com palavras e exemplos,
sem nenhuma falsidade.

Dá-me, Senhor Deus,
um coração vigilante,
que nenhum pensamento curioso
arraste para longe de Ti;
um coração nobre
que nenhuma afeição indigna debilite;
um coração recto
que nenhuma intenção equívoca desvie;
um coração firme,
que nenhuma adversidade abale;
um coração livre,
que nenhuma paixão subjugue.

Concede-me, Senhor meu Deus,
uma inteligência que Te conheça,
uma vontade que Te busque,
uma sabedoria que Te encontre,
uma vida que te agrade,
uma perseverança que Te espere com
confiança e uma confiança que
plenamente Te possua, enfim.
Amém.

S. Tomás de Aquino

sábado, 3 de janeiro de 2009

Um só Espírito




“A mensagem de esperança que o contemplativo lhe oferece é que, entenda você ou não, Deus o ama, está presente em você, habita em você, o chama, salva-o e lhe oferece um entendimento e uma luz que você jamais encontrou em livros nem ouviu em palestras ou sermões. O contemplativo nada tem a lhe dizer que não seja reafirmar e dizer que, se ousar penetrar no seu próprio silêncio interior e arriscar dividir a solidão encontrada com outros solitários que buscam a Deus por seu intermédio, realmente recuperará a luz e a capacidade de entender o que está além das palavras e além das explicações, porque está próxima demais para ser explicada: é a união íntima, na profundeza de seu próprio coração, do espírito de Deus e do seu próprio eu particular, de forma que você e Ele são, em verdade, um só Espírito.”

Thomas Merton, Carta a Dom Francis Decroix, de 21 de agosto de 1967, publicada em The Hidden Ground of Love.


quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Solenidade de Santa Maria


CELEBRADA EM 1º DE JANEIRO




Deus vos salve, filha de Deus Pai!
Deus vos salve, mãe de Deus Filho!
Deus vos salve, esposa do Espírito Santo!
Deus vos salve, sacrário da Santíssima Trindade!

MATINAS

Agora, lábios meus dizei e anunciai
os grandes louvores
da Virgem, Mãe de Deus

Sede em meu favor,
Virgem soberana,
Livrai-me do inimigo
com vosso valor.

Glória seja ao Pai,
ao Filho e ao Amor também,
que é um só Deus
em pessoas três,
agora e sempre e
sem fim. Amém.

Hino

Deus vos salve,
Virgem Senhora do mundo
rainha dos céus,
e das virgens, Virgem.

Estrela da manhã
Deus vos salve,
cheia de graça divina,
formosa e louçã.
Dai pressa, Senhora,
Em favor do mundo
Pois Vos reconhecem
Como defensora

Deus vos nomeou
desde a eternidade
para a mãe do Verbo
com o qual criou

Terra, mar e céus,
e vos escolheu,
quando Adão pecou,
por esposa de Deus.

Deus a escolheu
e, já muito antes,
em seu tabernáculo
morada lhe deu.

Ouvi, Mãe de Deus,
minha oração.
Toquem em vosso peito
os clamores meus.

Santa Maria, rainha dos céus, mãe de nosso Senhor Jesus Cristo, senhora do mundo, que a nenhum pecador desamparais e nem desprezais, ponde, senhora, em mim os olhos de vossa piedade e alcançai de vosso amado Filho o perdão de todos os meus pecados, para que eu, que agora venero com devoção vossa Santa e Imaculada Conceição, mereça na outra vida alcançar o prêmio da bem-aventurança, pelo merecimento de vosso bendito Filho Jesus Cristo, nosso Senhor, que com o Pai e o Espírito Santo vive e reina para sempre. Amém.

Do Ofício da Imaculada

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Sobre o ascetismo e a quietude




EVAGRIUS PONTICUS

Evagrius Ponticus (345-399) é um dos primeiros escritores espirituais sobre o ascetismo na tradição ascética cristã. Ele observou de perto os Padres do Deserto e viveu seus últimos anos como um deles. Sua influência foi significativa em João Cassiano, pois foi através desse último que o Ocidente conheceu a espiritualidade do deserto.

O "Esboço dos Ensinamentos sobre Ascetismo e Quietude na Vida Solitária” é um catálogo de práticas ascéticas. O objetivo prático é o que a tradição Cristã do Oriente chama "quietude" ao estado de serenidade e o "vazio", que é o fruto da solidão: "Pois a prática da quietude é cheia de alegria e beleza". Por conseguinte, a quietude é igualmente o fruto e a prática, o fim e os meios. E os meios são as práticas ascéticas que ele recomenda neste ensaio.

“Você deseja abraçar esta vida de solidão
e buscar as bênçãos da quietude?
Então, abandone todo o tipo de cuidado,
livre-se dos apegos às coisas materiais,
da dominação das paixões e desejos
de modo que, como um estranho a tudo isso,
você possa atingir a verdadeira serenidade.
Pois somente se elevando sobre estas coisas
pode o homem atingir a vida de quietude.”



“The Desert Fathers”, traduzido do Latim com Introdução por Helen Waddel, p. 26-39. London: Constable, 193; Ann Arbor: University of Michigan Press, 1957.


segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

As nossas orações



“Todas as nossas orações não devem ter outra
finalidade a não ser alcançar de Deus a graça de
seguir em tudo a sua Santa Vontade”.


Santa Maria Madalena de Pazzi, O.Carm.


Para contemplar





"Para contemplar basta elevar o coração a
Deus com o simples e amoroso desejo
de estar com Ele e esperar".


Pedro Finkler


Pai, te entrego todos!




"Só o Amor abre as portas das ilhas da dor e do silêncio das asas dos que voam nos átrios do Pai.

Pai, entrego a todos nas tuas mãos. Tu sabes embalar as suas almas que esperam o teu beijo, cuida delas.

Ao caminhar por entre os vales das lágrimas recolhidas nos rostos tristes dos que caminham, sinto a alma refrescar a sede da ausência do AMOR do Pai.

Sede Santos como Eu sou Santo, aí está a resposta e a oferta do pai: a SANTIDADE ao alcance de todos sem exceção.

A Santidade é a marca dos filhos reais do Pai.

A flor não nasce antes da planta que a germina, assim é a Palavra do Pai. Sim, colhe lentamente o sabor do fruto e será um alimento forte para a tua alma.

O Pai apenas bate à porta do coração, jamais força a abertura. São as tuas mãos que tem que encontrar a força e a coragem para o abrir ao desconhecido eterno.

Ao caminhar, Pai, através do vale da dor e da alegria, estende os teus braços e abre as tuas mãos para que as tuas brisas de ESPERANÇA molhem todo o nosso ser e refresquem a nossa alma seca pelos ventos dos desertos.

Pai entrego a todos nas tuas mãos. Tu sabes embalar as tuas almas que esperam o teu beijo, cuida de todas.

Sanctus, Sanctus, Sanctus!

Salve Regina!"

Irmão Silêncio, Monge Trapista


domingo, 28 de dezembro de 2008

As Núpcias do Cordeiro




PAPA JOÃO PAULO II

AUDIÊNCIA

Quarta-Feira 10 de dezembro de 2003

As núpcias do Cordeiro


Segundo a série dos Salmos e dos Cânticos que constituem a oração eclesial das Vésperas, encontramo-nos diante de um trecho de hino, tirado do capítulo 19 do Apocalipse e composto por uma sequência de aleluias e de aclamações.

Por detrás destas aclamações jubilosas está a lamentação dramática entoada no capítulo precedente pelos reis, pelos mercadores e navegadores face à queda da Babilónia imperial, a cidade da maldade e da opressão, símbolo da perseguição que se desencadeou em relação à Igreja.

Em antítese a este brado que se eleva da terra, ressoa nos céus um coro jubiloso de tipo litúrgico que, além do aleluia, repete também o amém. As várias aclamações semelhantes a antífonas, que agora a Liturgia das Vésperas une num único cântico, na realidade, no texto do Apocalipse, são colocadas nos lábios de várias personagens. Encontramos antes de mais uma "multidão imensa", constituída pela assembleia dos anjos e dos santos (cf. vv. 1-3). Distingue-se depois a voz dos "vinte e quatro idosos" e dos "quatro seres vivos", figuras simbólicas que se parecem com os sacerdotes desta liturgia celeste de louvor e de agradecimento (cf. v. 4). Por fim, eleva-se uma voz solista (cf. v. 5) que, por sua vez, envolve no cântico uma "grande multidão" com a qual se tinha começado (cf. vv. 6-7).

Teremos a ocasião, nas etapas futuras deste nosso itinerário orante, de ilustrar cada uma das antífonas deste grandioso e alegre hino de louvor a várias vozes. Contentamo-nos agora com duas anotações. A primeira refere-se à aclamação de abertura que diz assim: "A salvação, a glória e o poder pertencem ao nosso Deus, porque os seus julgamentos são verdadeiros e justos" (vv. 1-2).

No centro desta invocação jubilosa encontra-se a representação da intervenção decisiva de Deus na história: o Senhor não é indiferente, como um imperador impassível e isolado, em relação às vicissitudes humanas. Como diz o Salmista, "o Senhor do Seu trono celestial, observa com os seus olhos, e com a sua vista examina os filhos dos homens" (Sl 10, 4).

Aliás, o seu olhar é fonte de acção, porque ele intervém e destrói os impérios prepotentes e opressivos, derrota os orgulhosos que o desafiam, julga todos os que perpetram o mal. É ainda o Salmista quem descreve as imagens pictóricas (cf. Sl 10, 7), esta irrupção de Deus na história, assim como o autor do Apocalipse tinha evocado no capítulo anterior (cf. Ap 18, 1-24) a terrível intervenção divina em relação à Babilónia, desenraizada da sua sede e lançada ao mar. O nosso hino menciona esta intervenção com um trecho que não é retomado na celebração das Vésperas (cf. Ap 19, 2-3).

Então, a nossa oração deve sobretudo invocar e louvar a acção divina, a justiça eficaz do Senhor, a sua glória obtida com a vitória sobre o mal. Deus faz-se presente na história, pondo-se do lado dos justos e das vítimas, precisamente como declara a aclamação, breve mas essencial, do Apocalipse e como se repete com frequência no cântico dos Salmos (cf. Sl 145, 6-9).

Desejamos realçar outro tema do nosso Cântico. É desenvolvido da aclamação final e é um dos motivos dominantes do próprio Apocalipse: "Chegaram as núpcias do Cordeiro, a Sua esposa já está preparada" (Ap 19, 7). Cristo e a Igreja, o Cordeiro e a esposa, estão em profunda comunhão de amor.

Procuraremos fazer brilhar este carácter esponsal místico através do testemunho poético de um grande Padre da Igreja síria, Santo Efrém, que viveu no quarto século. Usando simbolicamente o sinal das núpcias de Caná (cf. Jo 2, 1-11), ele introduz a própria cidadania, personificada, que louva Cristo pelo grande dom recebido:

"Darei graças juntamente com os meus hóspedes porque ele me considerou digna de o convidar: Ele, que é o Esposo celeste, que desceu e a todos convidou; e também eu fui convidada para participar na sua festa pura de núpcias. Reconhecê-lo-ei diante dos povos como o Esposo, como Ele não há outro. O seu quarto nupcial está preparado desde há séculos, e o seu quarto nupcial está adornado com riquezas e nada lhe falta: não como as Bodas de Caná, cujas faltas Ele satisfez" (Inni sulla verginità, 33, 3: L'arpa dello Spirito, Roma 1999, págs. 73-74).

Noutro hino que canta também as núpcias de Caná, Santo Efrém realça como Cristo, convidado para as núpcias de outrem (precisamente os esposos de Caná), tenha desejado celebrar a festa das suas núpcias - as núpcias com a sua esposa, que é qualquer alma fiel:

"Jesus, tu foste enviado a uma festa de núpcias de outrem, dos esposos de Caná, aqui, ao contrário, é a tua festa, pura e bela: alegra os nossos dias, porque também os teus hóspedes, Senhor, precisam dos teus cânticos: deixa que a tua harpa preencha tudo! A alma é a tua esposa, o corpo é o teu quarto nupcial, os teus convidados são os sentidos e os pensamentos. E se um só corpo é para ti uma festa de núpcias toda a Igreja constitui o teu banquete nupcial!" (Inni sulla fede, 14, 4-5: op. cit., pág. 27).


Sobre a oração





"Quanto mais se ama, melhor se reza"


Charles de Foucauld


Oração de Abandono





“Meu Pai, eu me abandono a Ti,
faz de mim tudo o que quiseres.
O que fizeres de mim eu Te agradeço.
Estou disposto a tudo, aceito tudo.
Contanto que a Tua Santa Vontade
se faça em mim como também se
faça em todas as Tuas criaturas.
Eu não desejo mais, Deus meu.
Ponho minha vida em Tuas Mãos.
Te dou minha vida hoje, Deus meu,
com todo o amor de meu coração,
porque Te amo e porque para mim,
amar-Te é dar-me por inteiro, é
entregar-me,em Tuas Mãos sem
medida, com infinita confiança.
Porque Tu és o meu Pai Amado.”

Charles de Foucauld