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terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

FESTA DA APRESENTAÇÃO DO SENHOR - Oferecei vosso Filho, ó Virgem Santa, apresentai ao Senhor o bendito fruto de vosso seio



APRESENTAÇÃO DO SENHOR
02 DE FEVEREIRO
FESTA


«Oferecei vosso Filho, ó Virgem Santa, apresentai ao Senhor o bendito fruto de vosso seio. Oferecei a Hóstia Santa e Agradável a Deus, pela reconciliação de todos nós»


“Oferecei vosso Filho, ó Virgem Santa, apresentai ao Senhor o bendito fruto de vosso seio. Oferecei a Hóstia Santa e Agradável a Deus, pela reconciliação de todos nós. Certamente aceitará Deus Pai a nova oblação, a preciosíssima vítima de quem Ele próprio disse: ‘Eis o meu dileto Filho em quem pus minhas complacências’.

Também eu, Senhor, voluntariamente vos oferecerei meu sacrifício, já que voluntariamente vos oferecestes, não por necessidade vossa mas para minha salvação. Só duas pobres coisas tenho, ó Senhor: meu corpo e minha alma. Quem me dera vo-los oferecer dignamente, em sacrifício de louvor!

Melhor, muito melhor para mim oferecer-me a Vós do que ser abandonado a mim mesmo. Se ficar só, agita-se minha alma. Mas assim que me ofereço a Vós com plena submissão, exulta em Vós meu espírito. Não quereis, ó Senhor, minha morte; e não vos ofereceria eu, de bom grado, minha vida? É, de fato, minha vida, hóstia que aplaca vossa ira, hóstia que vos agrada, hóstia viva”.


São Bernardo de Claraval
In Purificazione B.V. Mariae, 3, 2-3
Sermoni per le feste della Madonna, Ed. Paoline, Roma, 1970

APRESENTAÇÃO DO SENHOR - A apresentação de Jesus no Templo recorda o reconhecimento que se deve ao Criador por toda a vida humana



APRESENTAÇÃO DO SENHOR
02 DE FEVEREIRO
FESTA

«Um ancião homem de Deus, Simeão, toma Jesus nos braços e indica n’Ele a salvação que chegou para Israel e para todos os povos: a Luz das nações»

Hoje, Festa da Candelária, recordamos a apresentação de Jesus no Templo. Maria e José, quarenta dias depois do nascimento de Jesus, foram a Jerusalém para O oferecer ao Senhor, segundo a prescrição da lei mosaica. É um episódio que se enquadra na perspectiva da especial consagração do povo de Israel a Deus. Ele, porém, tem também um significado mais amplo: recorda, com efeito, o reconhecimento que se deve ao Criador por toda a vida humana.

A vida é um grande dom de Deus, que se deve acolher sempre com ação de graças. Se no domingo passado eu me mostrava preocupado pelo vazio de valores, que ameaça a nossa convivência, hoje quereria recordar com vigor um destes valores fundamentais, que absolutamente devem ser recuperados, se não se quiser precipitar no abismo: refiro-me ao valor sagrado da vida, de cada vida humana, desde o seu desabrochar no seio materno até ao seu declínio natural.

Digo-o recordando que hoje na Itália se celebra o Dia pela Vida, ocasião propícia para afirmar com vigor que da vida, própria e dos outros, não se pode dispor à vontade: ela pertence ao Autor da vida. O amor inspira a cultura da vida, e o egoísmo, a cultura da morte. Escolhei a vida — diz o Senhor — para viverdes vós e as gerações futuras! (cf. Dt. 30, 19).

No Templo de Jerusalém, segundo a narração evangélica, um ancião homem de Deus, Simeão, toma Jesus nos braços e indica n’Ele a salvação que chegou para Israel e para todos os povos: a Luz das nações (cf. Lc. 2, 30-31).

As palavras do santo ancião dão voz ao anélito que percorre a história da humanidade. Exprimem a expectativa de Deus, aquele desejo universal, talvez inconsciente mas incancelável, de que Ele venha ao nosso encontro para nos tornar partícipes da Sua vida. Simeão encarna a imagem da humanidade que tende a acolher o raio de luz, que faz novas todas as coisas, o germe de vida que transforma cada velhice em perene juventude.

Neste contexto, adquire um significado singular o Dia da Vida consagrada, que hoje celebramos pela primeira vez. Já há tempo a Festa da apresentação de Jesus no Templo reunia nas Comunidades diocesanas os membros dos Institutos de Vida consagrada e das Sociedades de Vida apostólica, para manifestarem diante do povo de Deus a alegria do empenho, sem reservas, pelo Senhor e pelo seu Reino. Eu quis que esta experiência se estendesse à Igreja inteira, para dar graças a Deus pelo grande dom da vida consagrada e promover, cada vez mais, o seu conhecimento e a sua estima. E de estímulo serviu também o Sínodo dos Bispos sobre a Vida consagrada, celebrado recentemente, cujos resultados confluíram na Exortação Apostólica pós-sinodal «Vita consecrata».

Enquanto vos convido a rezar, caríssimos, por estes nossos irmãos e irmãs que oferecem o seu testemunho de Cristo pobre, casto e obediente, dirijo-me com o pensamento em particular a quantos corroboraram o seu serviço à Igreja com o sacrifício da vida.


Papa João Paulo II
Angelus, 02 de Fevereiro de 1997

FESTA DA APRESENTAÇÃO DO SENHOR - Impossível deixar de olhar-te, Senhor



APRESENTAÇÃO DO SENHOR
02 DE FEVEREIRO
FESTA


«Impossível deixar de olhar-te, Senhor»


“Não o permitas, Senhor Deus meu, não permitas, Amado meu, que meus olhos estejam em outro lugar distinto de minha cabeça, e que eu não esteja continuamente unido a Ti, meu Amado. Te seguirei com todas as minhas forças por onde quer que vás ou voltes, e quando não puder alcançar-te me contentarei com cair rendido a ti. Tenho muito gravada esta frase: pela vida do Senhor e por minha vida, que não te deixarei, e que terei meus olhos sempre em ti. Teu escravo está sempre disposto a obedecer o que ordene o meu Senhor, mas me resulta intolerável que afastes teus olhos de mim ou que eu os tire de ti. Volta teus olhos para mim e os meus para ti, porque eu jamais poderei olhar a ti se Tu não te fixas antes em mim. Tu, que és o mais formoso, sereno e doce de todos, o Unigênito de Deus Pai, que vives e reinas com esse mesmo Pai e o Espírito Santo e és Deus por todos os séculos dos séculos. Amém”.


John of Ford, Abade Cisterciense
Sermón 48 sobre el Cantar de los Cantares, vol. II, p. 226
Biblioteca Cisterciense – Burgos 2003

FESTA DA APRESENTAÇÃO DO SENHOR - Pela humildade ao coração do Amor



APRESENTAÇÃO DO SENHOR
02 DE FEVEREIRO
FESTA


«Pela humildade ao coração do Amor»


“Como este ser inefável não pode ser visto senão de uma maneira inefável, o que queira vê-lo purifique seu coração. Porque o que dorme não pode alcançá-lo através de nenhuma semelhança corporal, nem o que vela, por nenhuma forma sensível; nenhuma busca da razão pode vê-lo nem alcançá-lo mas somente um coração puro que ama humildemente.

Este é o Rosto de Deus que ninguém pode ver e, ao mesmo tempo, viver para o mundo. Esta é a beleza que aspira a contemplar todo aquele que deseja amar ao Senhor, seu Deus, com todo o seu coração, com toda a sua alma, com toda a sua mente e com todas as suas forças. E tão pouco deixa de incitar seu próximo a isso se o ama como a si mesmo”.



Guilherme de Saint-Thierry
Abade do Mosteiro de Saint-Thierry
Carta de Oro, Azul 2003, p.159

APRESENTAÇÃO DO SENHOR - Dai-me, Senhor, uma fé que habilite meu espírito para falar com Deus e com os homens



APRESENTAÇÃO DO SENHOR
02 DE FEVEREIRO
FESTA

«Dai-me, Senhor, uma fé jubilosa que encha de paz e alegre meu espírito, e o habilite para falar com Deus e com os homens, de modo que irradie no colóquio sagrado e profano a interior beatitude de sua afortunada posse»


“Senhor, eu creio; quero crer em Vós. Ó Senhor, fazei que minha fé seja plena, sem reservas, penetre meu pensamento, meu modo de julgar as coisas divinas e as humanas.

Ó Senhor, fazei com que a minha fé seja livre; isto é, tenha o concurso pessoal da minha adesão, aceite as renúncias e os deveres que exige; exprima ela o ápice decisivo da minha personalidade: creio em Vós, Senhor.

Ó Senhor, dai-me uma fé certa; com provas exteriores convenientes e com interior testemunho do Espírito Santo, certa por sua luz tranqüilizante, por sua conclusão pacificante, por sua assimilação serena.

O Senhor, fazei forte minha fé, sem temor das contrariedades, dos problemas que enchem a experiência de nossa vida ávida de luz; não tema os ataques de quem a discute, a impugna, a refuta, a nega; mas se torne cada vez mais firme pelo testemunho interior de vossa verdade.

Dai-me, Senhor, uma fé jubilosa que encha de paz e alegre meu espírito, e o habilite para falar com Deus e com os homens, de modo que irradie no colóquio sagrado e profano a interior beatitude de sua afortunada posse.

Ó Senhor, fazei ativa a minha fé, que dê à caridade as razões de sua expansão moral, para ser verdadeira amizade convosco e seja contínua busca de Vós nas obras, nos sofrimentos, na espera, na revelação final; seja um contínuo testemunho e alimento contínuo da esperança.

Ó Senhor, fazei com que minha fé seja humilde e não presuma fundamentar-se na experiência de meu pensamento e de meu sentimento, mas se renda ao testemunho do Espírito Santo; e outra melhor garantia não tenha que a docilidade à autoridade do Magistério da Santa Igreja. Amém”.


Papa Paulo VI
Ensinamentos V6, pp.994-995
Insegnamenti, 9vols, Poliglota Vaticana, 1963-71

sábado, 23 de janeiro de 2010

S.AELRED DE RIEVAULX – Receber ao Senhor no coração: preparar o castelo interior



SANTO AELRED DE RIEVAULX
12 DE JANEIRO
SOLENIDADE CALENDÁRIO LITÚRGICO CISTERCIENSE

RECEBER AO SENHOR NO CORAÇÃO

Nosso receber ao Senhor

Quem de vós, se Nosso Senhor estivesse na terra e quisesse chegar até Ele, não se alegraria de um modo admirável e inefável? Que diremos, portanto, irmãos, se agora, porque Ele não está corporalmente na terra, porque não podemos recebê-lo corporalmente, por isto deixaríamos de esperar a Sua vinda? Preparemos devidamente nossas casas e, sem dúvida, nesse trabalho, Ele virá muito melhor que se tivesse vindo corporalmente.


Receber ao Senhor no coração


Preparar o castelo interior: a fundação e a humildade

Por conseguinte, irmãos, preparemos a casa espiritual para que venha a nós o Nosso Senhor. Digo sem rodeios: se a Virgem Maria não tivesse preparado em si este castelo, o Senhor Jesus não haveria entrado em seu seio nem em seu coração.

Preparemos, pois, este castelo. Nele se fazem três coisas para que seja forte, isto é: fundação, muro e torre. Primeiro, a fundação; depois, o muro sobre a fundação e, por último, a torre que é mais forte e excelente que tudo o mais. O muro e a fundação se protegem mutuamente porque, se não precede a fundação, podem os homens, por algum meio engenhoso, aproximarem-se do muro para escavá-lo. E se o muro não estivesse sobre a fundação, poderiam aproximarem-se igualmente a esta e enchê-la. A torre guarda todas as coisas porque é mais alta que todas.

Entremos, agora, em nossa alma e vejamos como deve realizar-se espiritualmente tudo isto em nós.

Encher a fundação

Que é a fundação senão a terra profunda? Então, cavemos em nosso coração onde haja terra vil. Tiremos a terra que está dentro e a joguemos fora. Assim, efetivamente, se faz a fundação.

A terra que devemos tirar e jogar fora é nossa terrena fragilidade. Que esta não permaneça oculta no interior, mas que esteja sempre presente ante nossos olhos para que exista a fundação em nosso coração, quer dizer, a terra profunda da humildade.

Logo, irmãos, esta fundação é a humildade. Recordemos do que disse aquele dono da vinha no Evangelho a respeito daquela árvore que o Senhor da vinha quis cortar porque não encontrou fruto nela: Senhor, deixa-a também este ano até que cave ao redor e a melhore. Quis fazer ali uma fundação, isto é, ensinar-lhe a humildade. Assim, pois, irmãos, comecemos a edificar esta casa porque, se tal fundação não estivesse primeiramente em nosso coração, quer dizer, a verdadeira humildade, poderíamos edificar só ruína sobre a própria cabeça.


S. Aelred de Rievaulx, Abade Cisterciense
Del Sermón 17, En la Asunción de María
Del libro “Caminar con Cristo”
Padres Cistercienses

S.AELRED DE RIEVAULX – Praticar a caridade fraterna segundo o exemplo de Cristo



SANTO AELRED DE RIEVAULX
12 DE JANEIRO
SOLENIDADE CALENDÁRIO LITÚRGICO CISTERCIENSE

Devemos praticar a caridade fraterna segundo o exemplo de Cristo

“Nada nos anima tanto ao amor dos inimigos, no que consiste a perfeição da caridade fraterna, como a grata consideração daquela admirável paciência com a qual Aquele que era «o mais belo dos homens» entregou seu atraente rosto às afrontas dos ímpios, e submeteu aqueles olhos, cujo pestanejar rege todas as coisas, a ser velados pelos iníquos; aquela paciência com a qual apresentou suas costas à flagelação e sua cabeça, temível aos principados e potestades, à aspereza dos espinhos; aquela paciência com a qual se submeteu aos opróbrios e maus tratos; com a qual, enfim, admitiu pacientemente a cruz, os cravos, a lança, o fel, o vinagre, sem deixar de manter-se em todo momento suave, manso e tranquilo. Em resumo, como cordeiro foi levado ao matadouro, como uma ovelha ante o tosquiador, emudecia e não abria a boca.

Haverá alguém que ao escutar aquela frase admirável, plena de doçura, de caridade, de imutável serenidade: «Pai, perdoa-lhes», não se apresse a abraçar com toda sua alma a seus inimigos? «Pai», disse, «perdoa-lhes». Haveria algo mais de mansidão ou de caridade que pudesse acrescentar a esta petição?

Entretanto, Ele o acrescentou. Era pouco interceder; quis também desculpá-los. «Pai», disse, «perdoa-os porque não sabem o que fazem». São desde sempre grandes pecadores, mas muito pouco perspicazes; portanto, Pai, perdoa-os. Crucificam; mas não sabem a quem crucificam, porque «se tivessem sabido, nunca teriam crucificado ao Senhor da glória»; por isso, «Pai, perdoa-os». Pensam que se trata de um prevaricador da lei, de alguém que se crê presunçosamente Deus, de um sedutor do povo. Mas Eu lhes havia escondido meu rosto e não puderam conhecer minha majestade; por isso, «Pai, perdoa-os, porque não sabem o que fazem».

Em consequência, para que o homem se ame retamente a si mesmo, procure não deixar-se corromper por nenhum atrativo mundano. Mas para não sucumbir ante semelhantes inclinações, trate de orientar todos os seus afetos até a suavidade da natureza humana do Senhor. Logo, para sentir-se sereno mais perfeita e suavemente com os atrativos da caridade fraterna, trate de abraçar também a seus inimigos com um verdadeiro amor.

Mas para que este Fogo divino não se debilite ante as injurias, considere sempre com os olhos da mente a serena paciência de seu amado Senhor e Salvador”.


S. Aelred de Rievaulx, Abade Cisterciense
De speculo caritatis, III, V: PL 195, 582

S.AELRED DE RIEVAULX – Deus permitiu ao homem ser feliz



SANTO AELRED DE RIEVAULX
12 DE JANEIRO
SOLENIDADE CALENDÁRIO LITÚRGICO CISTERCIENSE

«Deus permitiu ao homem ser feliz: o homem é capaz de ser feliz»

"Na criação do universo Deus permitiu ao homem não somente existir, como aos outros seres, nem de ser somente bom, nem somente belo e equilibrado, mas também ser feliz. Mas, como nenhuma criatura existe por si mesma, nem por si mesma é bela ou boa, mas recebe o que tem do próprio Deus, que é o sumo ser, o sumo bem, a suma beleza, a bondade de todas as coisas boas, a beleza de todas as coisas belas, a causa de todas as coisas existentes, assim nem a felicidade de todas as realidades felizes é feliz por si mesma, mas por obra daquele que é a suma felicidade. Somente a criatura racional é capaz de tal felicidade. Essa, de fato, foi criada à imagem do seu Criador e, portanto, é adequada a unir-se profundamente a Ele, do qual é à imagem: dado que Ele é o único bem da criatura racional, como afirma o santo Davi: o meu bem é estar junto de Deus. Certamente esta não é uma união do corpo, mas da alma, na qual o autor da natureza inseriu três faculdades com as quais o homem torna-se possuidor da eternidade divina, participante da sabedoria divina e saboreador da doçura divina. Chamo a estas três faculdades de memória, ciência, amor ou vontade. A memória é capaz de conduzir à eternidade, a ciência à sabedoria, a vontade à doçura. O homem foi criado com estas três faculdades à imagem da Trindade: graças à memória lembra-se de Deus sem poder esquecê-lo, com a ciência o conhece sem errar, através da vontade o abraça sem desejar nenhuma outro coisa. Alcançado este ponto é feliz".


S. Aelred de Rievaulx, Abade Cisterciense
De speculo caritatis, I, III, a cura di M. A. Chirico, pp.309-311
Scuola Cistercense, Pensieri D’amore, Casale Monferrato 2000

sábado, 16 de janeiro de 2010

Oração - Somos mais verdadeiramente livres no livre encontro de nossos corações com Deus



«Oração é liberdade no livre encontro de nossos corações com Deus»

“A oração é a mais verdadeira garantia da liberdade pessoal. Somos mais verdadeiramente livres no livre encontro de nossos corações com Deus em Sua palavra e ao recebermos o Seu Espírito, que é o Espírito de verdade e liberdade. A Verdade que nos liberta não é uma mera questão de informação sobre Deus, mas a presença em nós, por amor e graça, de uma pessoa divina que nos leva a participar da vida pessoal íntima de Deus como Seus Filhos (e Filhas) adotivos.

Esta é a base de toda oração, e toda oração deve estar voltada para este mistério da adoção na qual o Espírito em nós reconhece o Pai. O clamor do Espírito em nós, o clamor do reconhecimento de que somos Filhos (e Filhas) no Filho, é o cerne da nossa oração e o maior motivo de oração. Portanto, recolhimento não é exclusão de coisas materiais, e sim atenção ao Espírito no mais íntimo do nosso coração.

A vida contemplativa não deve ser encarada como uma prerrogativa exclusiva dos que residem entre paredes monásticas. Todos podem procurar e encontrar essa consciência e despertar íntimos que são dons de amor e um toque vivificante de poder criador e redentor, do poder que ergueu Cristo de entre os mortos e que nos limpa das obras de morte para servirmos ao Deus vivo.

Hoje com certeza é preciso enfatizar que a oração é uma real fonte de liberdade pessoal em meio a um mundo no qual somos dominados por organizações imponentes e instituições rígidas que só procuram nos explorar para obter dinheiro e poder. Longe de ser a causa da alienação, a verdadeira religião em espírito é uma força libertadora que nos ajuda a encontrar-nos em Deus”.


Thomas Merton, OCSO
The Hidden Ground of Love, Letters, p.159
Ferrar, Straus; Giroux Publishers; New York; 1985

Oração - Os caminhos da oração, purificar cada vez mais o seu amor a Deus



«Os caminhos da oração, purificar cada vez mais o seu amor a Deus»

“Não fique ansioso em relação ao seu progresso nos caminhos da oração, pois você saiu das trilhas batidas e está percorrendo sendas que não podem ser mapeadas nem medidas. Portanto, deixe Deus cuidar do seu grau de santidade e contemplação. Se você mesmo tentar medir o seu próprio progresso, perderá tempo em uma introspecção fútil. Procure apenas uma coisa: purificar cada vez mais o seu amor a Deus, entregar-se cada vez mais perfeitamente à Sua vontade e amá-Lo de maneira cada vez mais exclusiva e completa, mas também de forma mais simples e pacífica e com uma confiança mais total e sem meios termos”.


Thomas Merton, OCSO
What is Contemplation?, pp.64-65
Springfield, Illinois; Templegate Publishers; 1950

Oração - Minha oração é a oração da Igreja



«Quando rezo, a Igreja reza em mim. Minha oração é a oração da Igreja»

“A verdadeira dificuldade em definir a consciência cristã é que esta não é nem coletiva nem individual. É pessoal, e é uma comunhão de santos.

Do ponto de vista da oração, quando digo consciência estou falando da que é mais profunda do que a consciência moral. Quando rezo, não estou mais falando com Deus nem comigo amado por Deus. Quando rezo, a Igreja reza em mim. Minha oração é a oração da Igreja.

Isto não se aplica apenas à liturgia: aplica-se também à oração particular, porque sou membro de Cristo. Para rezar de forma válida e profunda, tem de ser com a consciência de mim como sendo mais do que apenas eu mesmo quando rezo. Em outras palavras, não sou só um indivíduo quando rezo, e não sou apenas um indivíduo com graça quando rezo. Quando rezo, sou, em certo sentido, todo mundo. A mente que reza em mim é mais do que minha própria mente; e os pensamentos que me vêm são mais do que os meus próprios pensamentos porque, quando rezo, esta consciência profunda é um lugar de encontro entre eu e Deus, e do amor comum de todos. É a vontade e o amor comuns da Igreja encontrando-se com a minha vontade e a vontade de Deus na minha consciência quando rezo.”


Thomas Merton, OCSO
Thomas Merton in Alaska, pp. 134-135
New Directions Press; New York; 1988

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

SOLENIDADE DA SANTA MÃE DE DEUS – A humildade encanta a Deus



MARIA, SANTA MÃE DE DEUS
SOLENIDADE
01 DE JANEIRO


«A humildade encanta a Deus»


"Existe uma humildade tão grande e maravilhosa como a sua, em meio a tanta pureza e inocência, com uma consciência tão limpa de pecado e tão cheia de graça? De onde te vem, oh ditosa mulher, essa humildade tão incomparável? Bem merece que o Senhor se fixe nela, que o Rei fique prisioneiro de sua beleza, e que com seu delicado perfume atraia a seu tálamo ao que vive no Seio eterno do Pai! Observa quanta harmonia existe entre o canto de nossa Virgem e o canto nupcial; não podia ser de outra maneira: seu seio foi o tálamo do Esposo. Escuta a Maria no Evangelho: Se fixou em sua humilde escrava. E escuta-a no canto dos esposos: Enquanto o rei estava em seu leito, meu nardo desprendia seu perfume. O nardo é uma planta muito pequena e muito reconfortante, por isso simboliza admiravelmente a humildade, cujo aroma e formosura encantaram a Deus".


São Bernardo de Claraval
Obras completas de San Bernardo, p. 371
En la Asunción de Santa María, 4
Ed. Monjes Cistercienses de España


SOLENIDADE DA SANTA MÃE DE DEUS – Como um arco-íris, acima das nuvens



MARIA, SANTA MÃE DE DEUS
SOLENIDADE
01 DE JANEIRO


«Como um arco-íris, acima das nuvens»


Santa Brígida afirma ter ouvido dos lábios da Mãe de Deus:


"Eu sou aquela que, em constante oração, vela pelo mundo, como o arco-íris que surge no céu, acima das nuvens e que parece se inclinar sobre a terra e tocá-la, com suas duas extremidades.

Eu me inclino, efetivamente, para as boas pessoas, para que nelas sejam reforçados os preceitos da Santa Madre Igreja; inclino-me sobre aqueles que não são bons, para que eles não perseverem na malícia, tornando-se piores."


Santa Brígida da Suécia
Revelações 1, 3, c 10. Ed. Durante, p. 183


SOLENIDADE DA SANTA MÃE DE DEUS – Para achar a graça de Deus é necessário encontrar Maria



MARIA, SANTA MÃE DE DEUS
SOLENIDADE
01 DE JANEIRO


«Para a prática da virtude necessitamos da graça de Deus;
Para achar a graça de Deus é necessário encontrar Maria»


“Para que bem utilizemos todos esses meios de salvação e de santificação, mister se nos faz o socorro e a graça de Deus, graça que, em maior ou menos grau, é a todos concedida; ninguém o duvide. Em maior ou menor grau, digo eu, porque Deus, ainda que infinitamente bom, não concede sua graça de modo igual a todos, muito embora de a todos a graça suficiente. A alma fiel a uma grande graça, pratica uma grande ação; com uma graça menor, pratica uma ação menor. O preço e a excelência da graça, dada por Deus e correspondida pela alma, fazem o preço e a excelência de nossas ações. São incontestáveis esses princípios.

Tudo enfim se reduz a encontrar-se um meio fácil de obter de Deus a graça necessária para a santificação; é o que te quero ensinar. Asseguro-te, porém que para achar a graça de Deus é necessário encontrar Maria. Porque Maria nos é necessária? Porque somente Maria encontrou graça diante de Deus”.


São Luis Mª Grignon de Monfort
"O Segredo de Maria"


SOLENIDADE DA SANTA MÃE DE DEUS – A Mãe de Deus nos encoraje a começar este novo ano com um gesto de amor



MARIA, SANTA MÃE DE DEUS
SOLENIDADE
01 DE JANEIRO

«A Mãe de Deus nos encoraje a começar este novo ano com um gesto de amor»

Caríssimos Irmãos e Irmãs,

Neste primeiro dia do ano desejo fazer chegar a todas as famílias, a todos os povos, a todas as pessoas de boa vontade, os meus votos de serenidade e de paz. São os votos que se elevam do coração, mas sobretudo estão apoiados sobre a certeza de que, no desenrolar do tempo, Deus permanece fiel ao seu amor. Sim, Deus ama-nos! Ama-nos com um amor ilimitado! Recordamo-lo também na solenidade litúrgica deste dia, que nos faz invocar a Virgem Santa com o título de «Mãe de Deus». O que significa proclamar Maria «Mãe de Deus»? Significa reconhecer que Jesus, o fruto do seu seio, é o Filho de Deus, consubstancial ao Pai, por Ele gerado na eternidade. Mistério grande, mistério de amor! Ele, o Unigénito do Pai (Jo 1, 14), fez-Se um de nós. Deste modo, «a eternidade entrou no tempo» (Tertio millennio adveniente, 9), e o desenrolar dos anos, dos séculos, dos milênios, já não é uma cega viagem rumo ao desconhecido, mas um caminhar em direção a Ele, plenitude do tempo (cf. Gl 4, 4) e a meta da história.

Honrando a Virgem Santa como Mãe de Deus, nós queremos também ressaltar que Jesus, o Verbo eterno feito carne, é verdadeiro «Filho de Maria». Ela transmitiu-Lhe uma humanidade plena. Foi-Lhe mãe e educadora, infundindo-Lhe a doçura, a delicada fortaleza do seu temperamento e as riquezas da sua sensibilidade. Maravilhoso intercâmbio de dons: Maria que, como criatura, é antes de tudo discípula de Cristo e por Ele remida, ao mesmo tempo, foi escolhida como sua Mãe para plasmar a sua humanidade. Na relação entre Maria e Jesus realiza-se assim, de modo exemplar, o sentido profundo do Natal: Deus fez-Se como nós, para que nos tornássemos, de algum modo, como Ele!

Foi precisamente em virtude deste mistério de amor que não hesitei centralizar a minha mensagem para este primeiro dia do ano, no qual se celebra o Dia Mundial da Paz, num tema exigente e de igual modo vital: «Oferece o perdão, recebe a paz». Bem sei: é difícil perdoar, às vezes parece mesmo impossível, mas é a única via, pois toda a vingança e toda a violência atraem outras vinganças e outras violências. Torna-se com certeza menos difícil perdoar, quando se é consciente de que Deus jamais se cansa de nos amar e de nos perdoar. Quem de nós não tem necessidade do perdão de Deus? A Virgem Santa, a Mãe de Deus, nos encoraje a começar este novo ano com um gesto de amor, se necessário, de reconciliação, com o propósito de contribuir para a edificação dum mundo melhor, marcado pela justiça e pela paz. Jamais nos esqueçamos de que tudo passa e só o eterno pode preencher o coração.

Feliz Ano Novo, cheio de bênçãos do Céu que Jesus Cristo nos trouxe e oferece a todos!


Papa João Paulo II
Angelus, 01 de Janeiro de 1997


SOLENIDADE DA SANTA MÃE DE DEUS – Ó Divina e Viva Obra-prima em quem Deus Criador Se compraz



MARIA, SANTA MÃE DE DEUS
SOLENIDADE
01 DE JANEIRO

«Ó Divina e Viva Obra-prima em quem Deus Criador Se compraz»

"Ó Filha sempre Virgem, que pudestes conceber sem intervenção humana, porque Aquele que concebestes tem um Pai Eterno! Ó Filha da estirpe terrena, que trouxestes o Criador em vossos braços divinamente maternos!

Verdadeiramente sois mais preciosa do que toda a criação, porque somente de Vós o Criador recebeu em herança as primícias de nossa matéria humana. A Sua Carne foi feita de vossa carne, Seu Sangue de vosso sangue; Deus se alimentou de vosso leite, vossos lábios tocaram os lábios de Deus.

Ó Senhora amabilíssima, três vezes Bem-aventurada! «Bendita sois entre as mulheres, e bendito é o fruto de vosso ventre». Ó Senhora, Filha do Rei David e Mãe de Deus, Rei do Universo! Ó divina e viva obra-prima em quem Deus Criador Se compraz, cujo espírito é guiado por Deus e atento a Ele só e de quem todo o desejo se eleva apenas Àquele que é o único amável e desejável. Por Ele que viestes à vida, por sua graça servireis à salvação universal, a fim de que, por vosso intermédio, cumpra-se o antigo desígnio de Deus, que é a Encarnação do Verbo e a nossa divinização".


São João Damasceno
Homilia in Nativ, B.V.M., 6,7.9


SOLENIDADE DA SANTA MÃE DE DEUS – Tende piedade de mim, que sou um nada e não possuo valor algum



MARIA, SANTA MÃE DE DEUS
SOLENIDADE
01 DE JANEIRO

«Tende piedade de mim, que sou um nada e não possuo valor algum»

Paul Verlaine, um alcoólatra, libertino e homicida, quando estava na prisão, se voltou para Maria, Refúgio dos pecadores, afirmando: "Não quero pensar em nada mais, a não ser em Maria, minha Mãe, porque todos os outros amores são de obrigatoriedade e porque Ela é a fonte do perdão..."

Ele fez magníficos poemas para a Mãe de Deus:

"Necessito, a qualquer preço,
de um socorro urgente e forte.
E este socorro forte, seguro, sois Vós,
Senhora vitoriosa sobre a morte,
e, sendo a Rainha da vida, ó Virgem Imaculada,
que voltais para Jesus a Face constelada,
cravejada de estrelas, para mostrar-Lhe
o Seio de todas as dores e estendeis,
sobre nossos passos, risos e lágrimas
e sobre nossas vaidades dolorosas,
vossas Mãos Luminosas, a verterem bálsamos.
Maria, tende piedade de mim,
que sou um nada e não possuo valor algum.
Fazei florescer em todo o meu ser,
a flor das divinas primaveras,
vosso amor, Doce Mãe, e vosso terno culto.
Ah! Amar-vos, amar a Deus através de Vós,
desejá-Lo, aspirá-Lo em Vós,
sem qualquer outro desvio sutil,
e morrer, tendo-vos ao meu lado.
Amém.


Paul Verlaine (+8-1-1896)
O Angelus do meio-dia, novembro de 1873


ANO NOVO - Uma página em branco que o Pai nos apresenta



ANO NOVO
01 DE JANEIRO
MARIA, MÃE DE DEUS
SOLENIDADE



«Ano Novo, uma página em branco que o Pai nos apresenta »


“Ó Jesus, considero este novo ano como uma página em branco que vosso Pai me apresenta e em que escreverá, dia por dia, o que dispôs em seu divino beneplácito. Desde já, no alto da página, escrevo com absoluta confiança: Senhor, fazei de mim o que vos aprouver. E no fim da página, ponho já meu Amém, assim seja, a todas as disposições de vossa divina vontade. Sim, ó Senhor, sim a todas as alegrias, a todas as dores, a todas as graças, a todos os cansaços que me preparastes e que me ireis revelando, dia após dia. Fazei que o meu amém seja o amém pascal, sempre seguido do aleluia, pronunciado com todo o coração, na alegria de uma completa doação. Dai-me o vosso amor e a vossa graça e serei bastante rica”.


Ir. Carmela do Espírito Santo
Escritos inéditos


FESTA DA SAGRADA FAMÍLIA – Encontro de um verdadeiro aperitivo da vida eterna



SAGRADA FAMÍLIA
FESTA
27 DE DEZEMBRO

«Sagrada Família, o encontro de um verdadeiro aperitivo da vida eterna»

Quando José estava no exílio com o Menino e sua mãe, soube pelo anjo, durante o sono, que Herodes tinha morrido; mas, ao ouvir dizer que o seu filho Arquelau reinava no país, continuou a ter grande receio de que o Menino fosse morto. Herodes, que perseguia o Menino e o queria matar, é o mundo que, sem dúvida alguma, mata o Menino, o mundo de onde é necessário fugir se se quer salvar o Menino. Mas, uma vez que se fugiu exteriormente do mundo..., eis que Arquelau se levanta e reina: há ainda todo um mundo em ti, um mundo do qual tu não triunfarás sem muita aplicação e sem o socorro de Deus.

Porque há três inimigos fortes e encarniçados a vencer em ti e é com dificuldade se alguma vez se triunfa deles. Serás atacado pelo orgulho do espírito: queres ser visto, considerado, escutado... O segundo inimigo é a tua própria carne que te provoca pela impureza corporal e espiritual... O terceiro inimigo é aquele que te ataca, inspirando-te a malvadez, os pensamentos amargos, as suspeitas, os julgamentos malévolos, a raiva e os desejos de vingança... Queres tornar-te cada vez mais querido de Deus? Deves renunciar completamente a tais atitudes, porque tudo isso é Arquelau, o malvado. Receia e fica atento; na verdade, ele quer matar o Menino...

José foi avisado pelo anjo e chamado a regressar ao país de Israel. Israel significa «terra da visão»; Egito quer dizer «trevas»... É durante o sono, é só num verdadeiro abandono e na verdadeira passividade que receberás o convite para sair delas, tal como aconteceu a José... Podes então dirigir-te para a Galiléia, que quer dizer «passagem». Ali está-se acima de todas as coisas, tudo se atravessou, e chegou-se a Nazaré, «a verdadeira floração», o país onde desabrocham flores para a vida eterna.

Ali está-se certo de encontrar um verdadeiro aperitivo da vida eterna; ali está toda a segurança, a paz inexprimível, a alegria e o repouso; ali só chegam os que se abandonam, os que se submetem a Deus até que Ele os liberte e que não procuram libertar-se a si mesmos pela violência. São esses os que alcançam essa paz, essa floração, Nazaré, e ali encontram o que lhes dará a alegria eterna. Que isso seja a nossa partilha comum, que a isso nos ajude o nosso Deus, digno de todo o amor!


Johannes Tauler, O.P. (Juan Tauler)
Místico Dominicano do século XIV
Sermo II de Vigilia Epiphaniae


quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

NATAL DE NOSSO SENHOR – Ó Verbo Eterno, Doce Menino de Belém!



NATAL DE NOSSO SENHOR JESUS CRISTO
SOLENIDADE COM OITAVA
25 DE DEZEMBRO


«Ó Verbo Eterno, Doce Menino de Belém»

“Ó Doce Menino de Belém, fazei que eu possa aproximar-me, com toda a alma, deste profundo mistério do Natal. Infundi no coração dos homens aquela paz que eles procuram, talvez com tanta dificuldade e que só Vós podeis dar. Ajudai-nos a conhecer-nos melhor e a vivermos fraternalmente como filhos do mesmo Pai. Descobri vossa beleza, vossa santidade, vossa pureza. Despertai em nosso coração o amor e o reconhecimento pela vossa infinita bondade. Uni a todos na caridade, e dai-nos a vossa paz celeste.

Ó Verbo Eterno do Pai, Filho de Deus e de Maria, renovai no misterioso íntimo das almas o prodígio admirável de vosso nascimento! Revesti de imortalidade os filhos de vossa redenção; inflamai-os de caridade, unificai todos no vínculo de vosso Corpo Místico, a fim de que vossa vinda traga a alegria verdadeira, a paz segura, a eficaz fraternidade dos indivíduos e dos povos. Amém, amém!”


Beato Papa João XXIII
Breviário, pp.38, 384