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domingo, 13 de dezembro de 2009

ADVENTO – 3º DOMINGO – Ó Senhor, conduzi-me à posse de Vossa bem-aventurança



DOMINGO III DO ADVENTO

«Ó Senhor, dai-me pensamentos espirituais e conduzi-me a posse de Vossa bem-aventurança»

“Ó Senhor, não sou luz para mim mesmo: olho posso ser; luz, não. Que vale ter olhos perfeitos e abertos, quando falta a luz? A Vós elevo meu clamor e digo: sereis a luz de minha lâmpada, ó Senhor; com vossa Luz, ó Senhor, iluminareis minhas trevas. De minha parte, sou só trevas. Vós, ao contrário, sois luz que expulsa as trevas e me ilumina. Não de mim me vem a luz: só em Vós tenho luz.

Os sábios e prudentes deste mundo julgam-se luz e são trevas! E porque são trevas e se julgam luz, não podem ser iluminados. Mas os que são trevas, e trevas confessam ser, mantêm-se pequenos e não querem engrandecer-se, são humildes e não soberbos. Conhecem-se a si mesmos, louvam-Vos, ó Senhor, e não se desviam do caminho que conduz à salvação. Louvando-Vos, invocam-Vos e são libertados de seus inimigos.

Senhor, Deus Pai Onipotente, com sinceridade de coração, dirijo-me a Vós, tanto quanto me permite a minha pequenez, dou-vos alegremente vivíssimas e copiosas graças, implorando com toda a alma Vossa extraordinária bondade de acolher benevolamente minhas súplicas: com Vosso poder, expulsai de meus atos e pensamentos o inimigo, aumentai em mim a fé, governai-me a mente, dai-me pensamentos espirituais e conduzi-me a posse de Vossa bem-aventurança”.


Santo Agostinho
Sermo 67, 8-10


ADVENTO – 3º DOMINGO – Sejamos um edifício firme, invulnerável às tempestades



DOMINGO III DO ADVENTO

«Sejamos um edifício firme, invulnerável às tempestades»

O batismo de João é um batismo com o Espírito Santo e com o fogo (Lc 3, 16). Se fores santo, serás batizado no Espírito; se pecador, mergulharás no fogo. E assim, um mesmo batismo se tornará condenação e fogo para os indignos e pecadores, enquanto os santos, que se convertem ao Senhor com toda fé, receberão a graça do Espírito Santo e a salvação.

Ora, aquele que batiza com o Espírito Santo e com o fogo tem a pá em sua mão; limpará a sua eira e recolherá o trigo em seu celeiro; a palha, porém, ele a queimará num fogo inextinguível. Quero descobrir por que razão nosso Senhor tem a pá em sua mão, e que vento é esse que ao soprar dispersa a palha leve, enquanto o grão de trigo, mais pesado, se junta num só lugar; com efeito, sem vento não se pode separar a palha do trigo.

Suponho que por vento podemos entender as tentações que, num grupo indistinto de fiéis, fazem ver que uns são palha e outros trigo. Quando tua alma foi vencida por alguma tentação, não é que ela te tenha transformado em palha, mas porque já eras palha, isto é, leviano e incrédulo, a tentação revelou a tua natureza latente. Quando, ao contrário, suportas a prova com coragem, não é a tentação que te faz fiel e paciente; ela apenas traz à tona a virtude de paciência e fortaleza que em ti estava escondida. “Pensas, diz o Senhor, que falando-te assim eu teria outra intenção que não fosse a de manifestar tua justiça?” E, em outro lugar: Eu te afligi e despojei, a fim de conhecer o que tinhas no coração (cf. Dt 8, 2).

Do mesmo modo, a tempestade não deixa de pé o edifício construído sobre a areia; se queres, pois, edificar, edifica sobre a rocha. Quando se levantar a tempestade, o que estiver fundado sobre a rocha não ruirá, mas o que estiver sobre a areia vacilará, provando que não estava bem fundado. Por isso, antes que a tempestade comece, antes que os ventos levantem e as correntes intumesçam, enquanto tudo ainda está em silêncio, dediquemos todo nosso empenho às fundações do edifício, edifiquemos nossa casa com as pedras firmes e variadas dos preceitos de Deus. E assim, quando a perseguição recrudescer e o terrível furacão se levantar contra os cristãos, mostremos ter nosso edifício construído sobre a rocha que é Cristo Jesus.

Se alguém, no entanto, negar a Cristo – o que não aconteça – saiba que não o negou no momento em que foi visto negando, mas que as sementes e as raízes de sua negação já eram antigas. Naquele instante, apenas veio a lume e se tornou conhecido o que havia em seu interior. Roguemos, pois, ao Senhor, para que sejamos um edifício firme, invulnerável às tempestades, fundado sobre a rocha que é nosso Senhor Jesus Cristo, ao qual sejam dadas a glória e o império, pelos séculos dos séculos. Amém.


Orígenes, Presbítero
In Lucam, Homilia 26, 3-5
Sources Chrétiennes 87


ADVENTO – 3º DOMINGO – Crer no excessivo amor de Deus



DOMINGO III DO ADVENTO


«Crer no excessivo amor de Deus para conosco»


Quando é o homem capaz de crer ‘no excessivo amor de Deus para com ele’, deste se pode dizer o que foi dito de Moisés: ‘Era inabalável na fé como se tivesse visto o invisível’.

Ó Senhor, jamais me detenha eu nos gostos e sentimentos; pouco me importe o sentir-Vos ou não Vos sentir, pouco me importe que me deixe glória ou sofrimento. Creio no Vosso amor.

Quanto mais provada, mais cresce a fé, porque sabe ir além de todos os obstáculos, para repousar no seio do amor infinito que só pode fazer obras de amor. A esta alma totalmente vigilante em sua fé podeis, ó Mestre, dizer-lhe no íntimo a palavra que dirigistes um dia a Maria Madalena: ‘Vai em paz, a tua fé te salvou’.


Beata Elizabeth da Trindade
1, Retiro 6,1


ADVENTO – 3º DOMINGO – Que o seu Advento se realize todos os dias em nós



DOMINGO III DO ADVENTO

«Que o seu Advento se realize todos os dias em nós para que possamos dizer: Já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim»

Está escrito sobre João: “Uma voz grita no deserto: Preparai o caminho do Senhor, endireitar as suas veredas”. Mas o que vem a seguir diz respeito exclusivamente ao Senhor, nosso Salvador. Porque não foi João quem “aplanou os vales”, mas o Senhor, nosso Salvador.

Considere cada um o que era antes de ter fé; e constatará que era um vale profundo, a pique, mergulhado nos abismos. Mas veio o Senhor Jesus, e enviou o Espírito Santo em seu lugar; foi então que “os vales foram aplanados”. Foram aplanados com as boas obras e os frutos do Espírito Santo. A caridade não deixa subsistir em ti vale algum e, se possuíres a paz, a paciência e a bondade, para além de deixares de ser vale, também começarás a ser montanha de Deus.

“As montanhas e as colinas serão abaixadas”. Nestas montanhas e nestas colinas abaixadas, podemos ver os poderes inimigos que se erguiam contra os homens. Com efeito, para que os vales de que falamos sejam aplanados, os poderes inimigos, as montanhas e as colina s, terão de ser abaixados.

Mas vejamos se a profecia seguinte, que diz respeito ao advento de Cristo, se realizou. Com efeito, o texto diz em seguida: “E todos os caminhos tortuosos serão endireitados”. Todos nós éramos tortuosos – pelo menos se estivermos a falar do que éramos e não daquilo que somos hoje – e a vinda de Cristo que se realizou na nossa alma endireitou tudo quanto era tortuoso.

Rezemos para que o seu advento se realize todos os dias em nós, e para que possamos dizer: “Já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim” (Gal 2, 20).


Orígenes, Presbítero
In Lucam, Homilia 22, 1-3
Sources Chrétiennes 87


ADVENTO – 3º DOMINGO – O amor que deseja a face do Amado



DOMINGO III DO ADVENTO

«O amor que deseja a face do Amado»

Vendo o mundo oprimido pelo temor, Deus procura continuamente chamá-lo com amor, convidá-lo com a sua graça, segurá-lo com a caridade, abraçá-lo com afeto. Por isso, purifica com o castigo do dilúvio a terra que se tinha inveterado no mal; chama Noé para gerar um mundo novo; encoraja-o com palavras afetuosas, concede-lhe sua confiante amizade, o instrui com bondade acerca do presente e anima-o com sua graça a respeito do futuro. E já não se limita a dar-lhe ordens, mas tomando parte no seu trabalho, encerra na arca toda aquela descendência que havia de perdurar por todos os tempos, para que esta aliança de amor acabasse com o temor da servidão esse conservasse na comunhão de amor o que fora salvo com a comunhão de esforços.

Por esse motivo chama Abraão dentre os pagãos, engrandece seu nome, torna-o pai dos crentes, acompanha-o em sua viagem, protege-o entre os estrangeiros, cumula-o de bens, exalta-o com vitórias, dá-lhe a garantia de suas promessas, livra-o das injúrias, torna-se seu hóspede, maravilha-o com o nascimento de um filho que ele já não podia esperar. Tudo isso a fim de que, cumulado de tantos benefícios, atraído pela grande doçura da caridade divina, aprendesse a amar a Deus e não mais temê-lo, a honrá-lo com amor e não com medo.

Por isso também consola em sonhos a Jacó quando fugia, desafia-o para um combate em seu regresso e na luta aperta-o nos braços, para que não temesse, porém, amasse o instigador do combate. Por isso ainda, chama Moisés na própria língua e fala-lhe com afeto paterno, convidando-o a ser o libertador de seu povo.

Em todos esses fatos que relembramos, de tal modo a chama da caridade divina inflamou o coração dos homens e o inebriamento do amor de Deus penetrou os seus sentidos que, cheios de afeto, começaram a desejar ver a Deus com os olhos do corpo. Deus, que o mundo não pode conter, como o olhar limitado do homem o abrangeria? Mas, o que deve ser, o que é possível, não é a regra do amor. O amor ignora as leis, não tem regra, desconhece medida. O amor não desiste perante o impossível, não desanima diante das dificuldades. O amor, se não alcança o que deseja, chega a matar o que ama; vai para onde é atraído, e não para onde deveria ir. O amor gera o desejo, cresce com ardor e pretende o impossível. E que mais? O amor não poderia deixar de ver o que ama. Por isso todos os santos consideravam pouca coisa toda recompensa , enquanto não vissem a Deus. Por isso mesmo, o amor que deseja ver a Deus, vê-se impelido, para além de todo raciocínio, pelo fervor da piedade. Por isso Moisés se atreve a dizer: “Se encontrei graça na vossa presença, mostrai-me o vosso rosto” (Ex 33,13.18). Por isso, diz também o Salmista: “Não me escondais a vossa face” (Sl 26,9). Por isso, enfim, até os próprios pagãos, no meio de seus erros, modelaram ídolos, para poderem ver com seus próprios olhos o objeto de seu culto.


São Pedro Crisólogo, Bispo de Ravena
Sermo 147: PL, 52, 594-595


ADVENTO – 3º DOMINGO – Mostra-me o Amado de minha alma



DOMINGO III DO ADVENTO

«Mostra-me o Amado de minha alma porque estou ferida de amor Ct 1,6»

Irmãos, sigamos a vocação que nos chama da vida para a fonte da vida, fonte não apenas de água viva, mas da eterna vida, fonte de luz e de claridade; dela tudo provém, sabedoria e vida, luz eterna.

Autor da vida, é fonte da vida; Criador da luz, fonte da luz. Portanto, desprezando o que se vê e ultrapassando o mundo até as alturas dos céus, busquemos, quais peixes muito inteligentes e espertos, a fonte da luz, a fonte da vida, a fonte de água viva, para bebermos a água viva que jorra para a vida eterna (cf. Jo 4,14).

Oxalá te dignes admitir-me a esta fonte, Deus misericordioso, bom Senhor, onde eu, com os que têm sede de ti, beberei da onda viva da fonte viva de água corrente. Refeito por sua indizível doçura, esteja sempre unido a ela e diga: “Quão doce é a fonte de água viva, donde nunca falta a água que jorra para a vida eterna!”

Ó Senhor, tu és esta fonte, sempre, sempre desejável, sempre, sempre a ser bebida. Dá-nos, sempre, Cristo Senhor, desta água, para que também em nós haja a fonte de água viva que jora para a vida eterna. Grande coisa peço, quem o duvida? Mas tu, rei da glória, sabes dar grandes coisas e grandes coisas prometeste; nada maior do que tu e te deste a nós, te deste por nós.

Rogamos-te então que conheçamos o que amamos, porque não te pedimos dar-nos nada além de ti. Tu és o nosso tudo, nossa vida, nossa luz, nossa salvação, nosso alimento, nossa bebida, nosso Deus. Rogo-te, nosso Jesus, inspira nossos corações com aquela brisa de teu Espírito e fere nossas almas com tua caridade. Que cada uma de nossas almas possa na verdade dizer: Mostra-me o amado de minha alma (cf. Ct 1,6), porque estou ferida de amor.

Desejo, Senhor, que se grave em mim esta ferida. Feliz a alma que assim foi ferida pela caridade; esta busca a fonte, esta bebe e, no entanto, sempre tem sede bebendo e sempre haure desejando aquela que sempre bebe sedenta. Assim sempre busca amando aquela que se cura ferindo. Que Deus e nosso Senhor Jesus Cristo, o bom médico eficaz, se digne ferir com a chaga da salvação o íntimo de nossa alma. A ele,com o Pai e com o Espírito Santo, pertence a unidade pelos séculos dos séculos.

Amém.

São Columbano, Abade
Instr.13, De Christo fonte vitae, 2-3:
Opera, Dublin1957,118-120


ADVENTO – 3º DOMINGO – Alegremo-nos: o nosso Deus é um Deus próximo



DOMINGO III DO ADVENTO

«Tende coragem: Jesus já vem. Alegremo-nos: o nosso Deus é um Deus próximo»

“Alegrai-vos sempre no Senhor! O Senhor está próximo!” Alegremo-nos porque o Senhor vem e sua vinda traz a salvação! Celebrando sua vinda no Natal, experimentaremos o quanto Deus é fiel às suas promessas e encher-nos-emos de alegria e ânimo para reconhecer suas vindas a cada dia, preparando-nos para o encontro com Ele no Final dos tempos, quando toda dor, todo pranto, toda morte serão vencidos!

Cuidado com o desânimo; cuidado com a tibieza, cuidado com a frieza de coração! Cuidado também com o espírito do mundo, com o paganismo em nossos pensamentos e ações! Cuidado para não descuidarmos das coisas de Deus, para não desacreditarmos de suas palavras e não fechar para Ele o nosso coração! Ele vem, e vem porque nos ama, e vem para salvar! Assim sendo, acolhamos as consoladoras palavras de Sofonias: “Canta de alegria, Sião; rejubila, Israel! Alegra-te exulta de todo coração! O Senhor está no meio de ti, nunca mais temerás o mal! Não temas, Sião; não te deixes levar pelo desânimo! O Senhor exultará de alegria por ti, movido por amor, como nos dias de festa”!

Que tristeza a vida se tivéssemos de vivê-la sozinhos, se não houvesse um Destino Bendito! Que tédio miserável a nossa existência, se não houvesse um Deus-Salvador que visse nosso caminhar, que recolhesse nossas lágrimas, que fosse nosso companheiro na solidão e na dor, no medo e na angústia de cada dia! A vida não pode ser somente viver e morrer; nosso caminho sobre a terra não pode ser uma passageira ilusão, uma distração alucinada para não nos lembrar que aqui estamos de passagem e que um dia morreremos.

Mas, não! Caminhamos para o Senhor que vem! E Ele vem mesmo, porque é fidelíssimo! Pois, alegremo-nos: o nosso Deus é um Deus próximo; Deus de perto e não de longe! Saibamos reconhecê-lo. Saibamos acolhê-lo! “Não vos inquieteis com coisa alguma! A paz de Deus, que ultrapassa todo entendimento, guardará os vossos corações e pensamento em Cristo Jesus!”


Dom Henrique Soares da Costa
Bispo Titular de Acúfica e Auxiliar de Aracaju


terça-feira, 8 de dezembro de 2009

IMACULADA CONCEIÇÃO - Que por Vós seja-nos concedido ir ao Filho, ó Mãe da Salvação!




IMACULADA CONCEIÇÃO DE NOSSA SENHORA

SOLENIDADE
08 DE DEZEMBRO


Que por Vós seja-nos concedido ir ao Filho, ó Mãe da Salvação!

“Que por Vós, Maria, seja-nos concedido ir ao Filho, ó Bendita, que encontrastes graça, que gerastes a vida e sois a Mãe da Salvação! Por vossa mediação, acolha-nos quem por vós se deu a nós, pecadores.

Vossa integridade compense diante dele a culpa da nossa corrupção e vossa humildade, tão agradável a Deus, alcance perdão para nossa vaidade.

Vossa grande caridade cubra a multidão dos nossos pecados e vossa gloriosa fecundidade nos alcance fecundidade de méritos.

Senhora, Medianeira e Advogada nossa, reconciliai-nos com vosso Filho! Recomendai-nos a Ele e a Ele apresentai-nos.

Pela graça que encontrastes, pelo privilégio que merecestes, pela Misericórdia que gerastes, fazei, ó Bendita, que quem, graças a Vós, dignou-se tornar-se participante da nossa enfermidade e miséria, graças ainda à vossa intercessão, faça-nos participantes da sua glória e bem-aventurança”.


São Bernardo de Claraval
In Adventu Domini, 2, 5: Opera omnia, Edit cisterc.


IMACULADA CONCEIÇÃO - Mãe Imaculada, faz com que me mova exclusivamente o Amor!




IMACULADA CONCEIÇÃO DE NOSSA SENHORA

SOLENIDADE
08 DE DEZEMBRO

Mãe Imaculada, faz com que me mova exclusivamente o Amor!

Nestes dias, vendo como tantos cristãos exprimem dos mais diversos modos o seu carinho à Virgem Santa Maria, também vós certamente vos sentis mais dentro da Igreja, mais irmãos de todos esses vossos irmãos.

É uma espécie de reunião de família, como quando os irmãos que a vida separou voltam a encontrar-se junto da Mãe, por ocasião de alguma festa. Ainda que alguma vez tenham discutido uns com os outros e se tenham tratado mal, naquele dia não; naquele dia sentem-se unidos, reencontram-se unidos, reencontram-se todos no afeto comum.

Como gostam os homens de que lhes recordem o seu parentesco com personagens da literatura, da política, do exército, da Igreja!... - Canta diante da Virgem Imaculada, recordando-Lhe:Ave, Maria, Filha de Deus Pai; Ave, Maria, Mãe de Deus Filho; Ave, Maria, Esposa de Deus Espírito Santo... Mais do que tu, só Deus!

Permite-me um conselho, para que o ponhas diariamente em prática: quando o coração te fizer notar as suas baixas tendências, reza devagar à Virgem Imaculada: - "Olha-me com compaixão, não me deixes, minha Mãe!". E aconselha-o a outros. João, o discípulo amado de Jesus, recebe Maria e introdu-la em sua casa, na sua vida. Os autores espirituais viram nestas palavras do Santo Evangelho um convite dirigido a todos os cristãos para que Maria entre também nas suas vidas.

Quando te vires com o coração seco, sem saber o que hás de dizer, recorre com confiança a Nossa Senhora. Se a invocares com fé, Ela far-te-á saborear - no meio dessa secura - a proximidade de Deus.

Diz-Lhe: "Minha Mãe Imaculada, intercede por mim!. Virgem Imaculada, Mãe!, não me abandones: olha como se enche de lágrimas o meu pobre coração. Não quero ofender o meu Deus!Já sei, e penso que nunca o esquecerei, que não valho nada: quanto me pesa a minha insignificância, a minha solidão! Mas... não estou sozinho: tu, Doce Senhora, e o meu Pai Deus não me deixais. Ante a rebelião da minha carne e ante as razões diabólicas contra a minha Fé, amo a Jesus e creio: Amo e Creio. Meu Deus, só desejo ser agradável aos teus olhos, tudo o resto não me importa. Mãe Imaculada, faz com que me mova exclusivamente o Amor".


São Josemaría Escrivá
Caminho,496; Cristo que passa,139,140; Forja, 215,1028; Sulco,695,849


domingo, 6 de dezembro de 2009

ADVENTO – 2º DOMINGO – SENHOR, VINDE À MINHA ALMA!




DOMINGO II DO ADVENTO


SENHOR, VINDE À MINHA ALMA!

“Tendo eu consciência dos meus pecados, de que me adianta, Senhor, que venhais, se não vierdes à minha alma, se não voltardes ao meu espírito, se Vós, ó Cristo, não viveis em mim e não falais comigo? É a mim que deveis vir, é por mim que deverá realizar-se o vosso Advento. O vosso segundo Advento, Senhor, acontecerá no fim do mundo, quando pudermos dizer: ‘O mundo está crucificado para mim e eu para o mundo’.

Fazei, ó Senhor, que no fim do mundo, eu me encontre tal como será minha vida no céu. Então, para mim, realizar-se-á a presença da sabedoria, a presença da virtude, da justiça e da redenção. De fato Vós, ó Cristo, morrestes uma só vez pelos pecados do povo, a fim de resgatar, cada dia, o povo dos seus pecados”.


Santo Ambrósio
Comentário ao Evangelho de S.Lucas, X, 7-8


ADVENTO – 2º DOMINGO – Convosco, ó Deus, alegro-me e regozijo-me!




DOMINGO II DO ADVENTO


Convosco, ó Deus, alegro-me e regozijo-me!

“Eia, pois, ó alma formosíssima entre todas as criaturas, que tanto desejas saber o lugar onde está teu Amado, a fim de o buscares e a Ele te unires! Já te foi dito que és tu mesma o aposento onde Ele mora e o recôndito e esconderijo em que se oculta. Nisso tenho motivo de grande contentamento e alegria, vendo que todo o meu Bem e esperança se encontram tão perto de mim, a ponto de estar dentro de mim, ou, melhor dizendo, não posso estar sem Ele.

Que mais há de querer, ou buscar fora de mim, se tenho dentro de mim, minhas riquezas e meus deleites, minha satisfação, meu reino, isto é, meu Amado a quem desejo ardentemente? Convosco, ó meu Deus, alegro-me e me regozijo no meu recolhimento interior! Aqui vos desejo, adoro-vos, sem ir procurar-vos fora de mim, porque me distrairei, me cansarei, sem poder encontrar-vos nem gozar com maior segurança, nem mais depressa, nem mais perto do que dentro de mim”.


São João da Cruz
Cântico 1, 7-8

ADVENTO – 2º DOMINGO – Fica conosco, Senhor!




DOMINGO II DO ADVENTO


Fica conosco, Senhor!

“Ficai conosco, Senhor, porque chega a noite. Estou na noite do pecado e a luz da salvação só pode vir de Vós. Ficai, Senhor, comigo, porque sou pecador e estou desanimado ao ver tantas imperfeições que, a toda hora e a todo instante, continuamente cometo diante de Vós. Vós estais em mim; e diante de Vós, em Vós, da manhã à noite, a cada momento, cometo imperfeições.

Foi uma das coisas que contribuíram, por muito tempo, a impedir-me de procurar-vos em mim mesmo para adorar-vos e para pôr-me aos vossos pés. Faltava-me a coragem, ao perceber-vos tão dentro de mim, tão junto de minhas misérias, tão junto de minhas inumeráveis imperfeições”.


Beato Charles de Foucauld
Sulle feste dell’anno, Op. Sp., p.311

ADVENTO – 2º DOMINGO – Vejam-te meus olhos!



DOMINGO II DO ADVENTO


Vejam-te meus olhos!

Jesus bendito, minha esperança, meu desejo, meu amor, tenho uma coisa para te dizer, uma coisa a teu respeito, um assunto cheio de dor e de miséria.

Tu que és o Verbo, Unigênito do Pai que não foi gerado, tornado carne por mim, Palavra saída do coração do Pai, Palavra que Deus proferiu uma só vez (cf. Hb 9,26), Palavra pela qual «nos últimos dias» (Hb 1,2) o teu Pai celeste me falou, digna-te escutar, Tu, ó Palavra de Deus, a palavra que desejos abundantes fazem sair do meu coração!

Escuta e vê: a minha alma fica triste e toda perturbada quando me dizem cada dia: «Onde está o teu Deus?» (Sl 41,4). Não tenho nada a responder, receio que não estejas aí, não sinto a tua presença.

O meu coração arde, desejo ver o meu Senhor. Onde estão, na verdade, a minha paciência e a minha constância? És Tu o Senhor meu Deus e, eu, o que vou fazer? Procuro-te e não te encontro; desejo-te e não te vejo; corro atrás de ti e não te agarro. Qual é a minha força, para que possa suportar?Até onde posso resistir? Há alguma coisa mais triste do que a minha alma? Algo mais miserável? Algo mais provado? Acreditas, meu Amor, que a minha tristeza se mudará em alegria quando te vir (Jo 16,20)?...

«Fala, Senhor, que o teu servo escuta» (1Sm 3,9). Que eu possa escutar o que Tu dizes em mim, Senhor meu Deus. Dize à minha alma: «Sou a tua salvação!» (Sl 84,9; 34,3) Dize mais, Senhor, e fala de forma a que eu te ouça: «Meu filho, tu estás sempre comigo e tudo o que é meu é teu» (Lc 15,31). Ah! Verbo de Deus Pai! é isso que eu queria ouvir.


Hildebrando, Monge Cisterciense do século XIII
“Opúsculo Sobre a Contemplação”

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

ADVENTO – Chiara Lubich: acima de tudo, revesti-vos do amor



Acima de tudo, revesti-vos do amor

«Mas, acima de tudo, revesti-vos do amor, que é o vínculo da perfeição.»

Estas palavras são decisivas para a nossa vida e o nosso testemunho no mundo. Para explicar a conduta do cristão, Paulo gosta muito de empregar a imagem das vestes que o seguidor de Cristo deve usar. E também aqui, na Carta aos Colossenses, ele compara as virtudes, que devem tomar lugar no nosso coração, a muitas peças de roupa. São elas: a misericórdia, a bondade, a humildade, a mansidão, a paciência, o suportar, o perdão.

Mas, "acima de tudo, revesti-vos do amor" - afirma Paulo, quase que imaginando o amor como uma cintura que une tudo e dá um perfeito caimento ao vestuário. Portanto, é necessário o amor porque para um cristão não basta ser bom, misericordioso, humilde, manso, paciente... Ele deve amar os irmãos e as irmãs.

Mas alguém poderá questionar: amar não é, por acaso, ser bons, misericordiosos, pacientes, saber perdoar? Sim, mas não é só isso.

O amor foi-nos ensinado por Jesus e amar consiste em dar a vida pelos outros. O ódio tira a vida dos outros ("quem odeia é homicida"), o amor lhes dá a vida. Somente morrendo a si mesmo pelos outros é que cada cristão possui o amor. E se ele tem o amor - diz Paulo -, será perfeito, e todas as suas demais virtudes alcançarão a perfeição.

«Mas, acima de tudo, revesti-vos do amor, que é o vínculo da perfeição.»

Certamente alguns de nós podem ter uma boa disposição para com os irmãos e as irmãs, perdoando e suportando. Mas, se observarmos bem, aquilo que frequentemente nos falta pode ser justamente o amor. Mesmo com as mais santas intenções, a natureza nos leva a nos fecharmos em nós mesmos e, conseqüentemente, quando amamos os outros, usamos meias medidas.

Porém não somos cristãos se agirmos unicamente assim. É preciso elevar o nosso coração à tensão máxima. Diante de cada próximo que encontramos durante o dia (na família, no trabalho, em toda parte), devemos dizer a nós mesmos: "Coragem, responda a Deus; é o momento de amar, com um amor tão grande que põe em jogo também a vida".

«Mas, acima de tudo, revesti-vos do amor, que é o vínculo de perfeição.»

Esta Palavra do Apóstolo convida-nos, portanto, a examinar até que ponto nossa vida cristã é animada pelo amor, o qual, como vínculo de perfeição, é a ligação que nos leva à mais alta unidade com Deus e entre nós.

Agradeçamos, então, ao Senhor por ter derramado em nossos corações o seu amor, que nos torna sempre mais capazes de escutar, de identificar-nos com os problemas e com as preocupações dos nossos próximos; de partilhar com eles o pão, as alegrias e as dores; de derrubar certas barreiras, que ainda nos dividem; de deixar de lado certas atitudes de orgulho, de rivalidade, de inveja, de ressentimento por eventuais ofensas recebidas; de superar a terrível tendência à crítica negativa; de sair do nosso isolamento egoísta para colocar-nos à disposição de quem está em necessidade ou na solidão; de construir, por toda parte, a unidade que Jesus deseja.

É esta a contribuição que nós, cristãos, podemos dar à paz mundial e à fraternidade entre os povos, especialmente nos momentos mais trágicos da história.


Chiara Lubich
Fundadora dos Focolares
Palavra de vida, Dez de 2001

ADVENTO – Chiara Lubich: Esforçar-nos para entrar pela porta estreita



Esforçar-nos para entrar pela porta estreita

«Esforçai-vos por entrar pela porta estreita, porque Eu vos digo que muitos tentarão entrar sem o conseguir» (Lc 13, 24)

Várias vezes, Jesus comparou o Paraíso a uma festa de casamento, a uma reunião de família à volta da mesa. De fato, na nossa experiência humana, são estes os melhores momentos e os mais serenos. Mas quantos entrarão no Paraíso, quantos se sentarão na “sala do banquete”?

É a pergunta que, um dia, alguém dirige a Jesus: “Senhor, são poucos os que se salvam?”. Como já tinha feito outras vezes, Jesus vai para além da discussão e coloca cada um diante da decisão que deve tomar. Convida-o a entrar na casa de Deus.

Mas isso não é fácil. A porta para entrar é estreita e fica aberta por pouco tempo. Na verdade, para seguir Jesus é necessário renegar-se, renunciar – pelo menos espiritualmente – a si mesmo, às coisas, às pessoas. Mais ainda: é preciso pegar na cruz, como Ele fez. Um caminho difícil, sem dúvida, mas que todos – com a graça de Deus – podem percorrer.

«Esforçai-vos por entrar pela porta estreita, porque Eu vos digo que muitos tentarão entrar sem o conseguir»

É mais fácil entrar pela “porta larga” e pelo “caminho espaçoso” de que Jesus fala noutro lugar, mas esse caminho pode conduzir à “perdição”. Neste nosso mundo secularizado, saturado de materialismo, de consumismo, de hedonismo, de vaidades, de violência, tudo parece ser permitido. Tende-se a satisfazer todas as exigências, a ceder a todos os compromissos para atingir a felicidade.

Mas nós sabemos que só se obtém a verdadeira felicidade amando. E também que a renúncia é a condição necessária para o amor. É preciso sermos podados para dar bons frutos. É preciso morrermos a nós mesmos para viver. É a lei de Jesus, um Seu paradoxo. A mentalidade corrente invade-nos como a enchente de um rio e nós devemos ir contra a corrente: saber renunciar, por exemplo, à avidez de possuir, à rivalidade preconcebida, à difamação do adversário. Mas também realizar o nosso trabalho com honestidade e generosidade, sem lesar os interesses dos outros. Saber discernir aquilo que se pode ver na televisão ou aquilo que se pode ler, etc.

«Esforçai-vos por entrar pela porta estreita, porque Eu vos digo que muitos tentarão entrar sem o conseguir»

Para quem se deixa levar por uma vida fácil e não tem a coragem de enfrentar o caminho proposto por Jesus, abre-se um futuro triste. Também isto é mencionado no Evangelho. Jesus fala-nos do sofrimento daqueles que serão deixados de fora. Não bastará vangloriarmo-nos de pertencer a uma certa religião ou contentarmo-nos com um cristianismo de tradição. É inútil dizermos: “Comemos e bebemos contigo...”. A salvação é, antes de mais, uma dádiva de Deus, mas que cada um deve conquistar com esforço.

Será duro ouvir dizer: “(Não vos conheço), não sei de onde sois”. Será solidão, desespero, absoluta falta de relacionamentos, o desgosto enorme de ter tido a possibilidade de amar e de já não poder amar. Um tormento do qual não se vê o fim porque nunca terá fim: “pranto e ranger de dentes”.

Jesus avisa-nos porque deseja o nosso bem. Não é Ele que fecha a porta. Somos nós que nos fechamos ao Seu amor. Ele respeita a nossa liberdade.

«Esforçai-vos por entrar pela porta estreita, porque Eu vos digo que muitos tentarão entrar sem o conseguir»

Se a porta larga conduz à perdição, a porta estreita abre-se de par em par à verdadeira felicidade. Depois de cada Inverno desponta a Primavera. Sim, devemos viver com prontidão a renúncia que o Evangelho exige, pegar todos os dias na nossa cruz. Se soubermos sofrer com amor, em unidade com Jesus que assumiu todas as nossas dores, experimentaremos um paraíso antecipado.

Foi assim também para Roberto, quando esteve na última audiência do processo contra quem tinha causado a morte do pai, quatro anos antes. Depois da sentença de condenação, o autor do atropelamento, juntamente com a mulher e o pai, mostrava-se muito deprimido. “Gostaria de me aproximar daquele homem, vencendo o orgulho que me dizia que não; fazer-lhe sentir que estava com ele”.

Mas a irmã disse-lhe: “São eles que nos devem pedir desculpa...”. Roberto convence-a e, juntos, vão ter com a família “adversária”: “Se isto puder aliviar o vosso espírito, saibam que não temos nenhum rancor para convosco”. Apertam as mãos uns dos outros com força. “Sinto-me invadido pela felicidade: soube aproveitar a ocasião para olhar para o sofrimento dos outros, esquecendo o meu”.


Chiara Lubich
Fundadora dos Focolares
Palavra de vida, Ago de 2004

domingo, 29 de novembro de 2009

ADVENTO – 1º DOMINGO – Vinde a nós, Senhor!



DOMINGO I DO ADVENTO

«Vinde a nós, Senhor!»

“Aguardamos o aniversário de Vosso nascimento, ó Jesus e, segundo Vossa promessa, vê-lo-emos logo. Fazei que, elevando-se nosso espírito acima desse mesmo, se lance, louco de alegria, ao Vosso encontro, Senhor, Vós que vindes com ardor impaciente, desejoso de contemplar o futuro.

Vinde a nós, Senhor, mesmo antes do Vosso Advento! Antes de aparecerdes ao mundo inteiro, vinde visitar-nos, no íntimo da alma. Vinde agora visitar-nos neste tempo entre o primeiro e o último advento, afim de que não nos seja inútil Vossa primeira vinda e não nos condene a última.

Com Vossa vinda atual, procurais corrigir nossa soberba e conformar-nos com Vossa humildade manifestada na primeira vinda. Então podereis transformar nosso humilde corpo, tornando-o semelhante ao Vosso glorioso, quando aparecerdes no último dia.

Suplicamo-vos ardentemente: preparai-nos para obtermos esta visita pessoal, que nos confere à graça do primeiro advento e nos promete a glória do fim dos tempos. Porque Vós, Senhor, amais a misericórdia e a verdade, conferir-nos-eis a graça e a glória; a graça, por Vossa misericórdia, e a glória na verdade.”


Beato Guerric d'Igny, Abade Cisterciense
De Adventu Domini, 2,3

sábado, 14 de novembro de 2009

A VIDA INTERIOR




A VIDA INTERIOR

“Nossa Senhora do Monte Carmelo é a Patrona da vida interior, a Virgem que nos afasta da multidão e nos leva docemente até esses cumes onde o ar é mais puro, o céu mais claro, Deus está mais próximo e nas que transcorre a vida de intimidade com Deus.

Segundo São Gregório Magno, a vida contemplativa e a vida eterna não são duas coisas diferentes, mas uma só realidade; uma é a aurora, a outra o meio-dia. A vida contemplativa é o principio da dita eterna, seu sabor antecipado. Que a Rainha do céu nos conceda, pois, a graça de compreender o estreito vínculo que une essas duas vidas para viver aqui embaixo como se estivéssemos já no céu.

Uma alma interior é uma alma que encontrou a Deus no fundo de seu coração e que vive sempre com Ele.

Deus está no fundo da alma, mas está ali escondido. A vida interior é como uma eclosão de Deus na alma.

Mantenhamo-nos no centro de nossa alma, nesse ponto preciso de onde podemos vigiar todos os seus movimentos, para detê-los ou dirigi-los, segundo o caso. Vivamos ou de Deus ou para Deus, mas repitamos a nós mesmos que não se age de todo para Deus senão quando já não se faz absolutamente nada para nós mesmos. Se age então porque Deus o quer, quando Ele quer e como Ele quer, por estar sempre unidos no fundo com Aquele de quem não somos mais que um ditoso instrumento.

Duas coisas fazem falta para chegar à perfeição e à íntima união com Deus: tempo e paz.

O que dá valor aos atos reflexivos do homem é a união com Deus pela caridade. Quanto mais profunda é essa intimidade, mais valor de eternidade tem seus frutos.

Uma alma cujo olhar interior, afetuoso e humilde, está sempre fixo em Deus, obtém Dele quanto quer.

Entre uma alma recolhida, desligada de tudo, e Deus, não há nada. A união se realiza por si mesma. É imediata.

O tempo passa; sempre se ama a Deus muito pouco e muito tarde.

Que delicado és em teus afetos, Deus meu! Tens em conta o que de legitimamente pessoal há em nós, e tratas a alma que amas como se no mundo não houvesse outra coisa a não ser ela e Tu.

Crer é comungar com a ciência de Deus: Ele vê; nós cremos em sua Palavra de testemunho.

Na fé, Deus fala; pela esperança, Deus ajuda; na caridade, Deus se dá, Deus preenche.

Elevemo-nos então, até Deus constantemente. Deixemos na terra a terra. Vivamos menos nos demais e mais em nós mesmos, mas o mais possível, senão em Deus, pelo menos perto Dele.

Quando no fundo de vossas almas ouvirdes duas vozes contraditórias, convém que escuteis geralmente a que fala mais baixo. Em todo caso, essa é a que pede mais sacrifícios. E tem tanto valor o sofrimento bem entendido! Desliguemo-nos e aproximemo-nos de Deus”.


Robert de Langeac, PSS
(Abade Augustin Delage, PSS)
“La vida oculta en Dios”


CAMINHO ESPIRITUAL - AO ENCONTRO DO SENHOR




AO ENCONTRO DO SENHOR

Temos que nos dispor para sair ao encontro do Senhor. Saiamos agora para fora e avancemos por cima de nós mesmos até Deus. É preciso renunciar a todo querer, desejar o atuar próprio. Nada mais que a intenção pura e desnuda de buscar só a Deus, sem o mínimo desejo de buscar-se a si próprio nem coisa alguma que possa redundar em seu proveito. Com vontade plena de ser exclusivamente para Deus, de conceder-lhe a morada mais digna, a mais íntima para que Ele nasça ali e leve a cabo sua obra em nós, sem sofrer impedimento algum.

Com efeito, para que duas coisas se fundam é necessário que uma seja paciente e a outra se comporte como agente. Unicamente quando o olho está limpo é que poderá ver um quadro pendurado na parede ou qualquer outro objeto. Impossível seria se houvesse outra pintura gravada na retina. O mesmo ocorre com o ouvido: enquanto um ruído lhe ocupa, está impedido de captar outro. Como conclusão, o recipiente é tanto mais útil quanto mais puro e vazio.

A esse sossego do espírito se refere o cântico da Missa que começa: “Quando um sossegado silêncio tudo envolvia” (Sb 18, 14). Em pleno silêncio, toda a criação calava na mais alta paz da meia noite. Então, oh Senhor, a Palavra onipotente deixou seu Trono para acampar em nossa tenda (Liturgia de Natal). Será então, no ponto culminante, no apogeu do silêncio, quando todas as coisas ficaram submersas na calma, somente então, se fará sentir a realidade desta Palavra. Porque, se queres que Deus fale, faz falta que tu cales. Para que Ele entre, todas as coisas deverão ter saído”.

A isto se referia Santo Agostinho quando dizia: "Esvazia-te para seres preenchida, sai para entrar". E em outro lugar: "Oh tu, alma nobre, nobre criatura, por que buscas fora a Quem está plena y manifestamente dentro de ti? És partícipe da natureza divina".


Johannes Tauler OP (Juan Tauler/1300-1361)
Instituciones, Temas de oración, CI 9


domingo, 8 de novembro de 2009

Beata Teresa de Calcutá – Uma grande santidade começa aprendendo-se a arte da delicadeza




«A santidade começa com a atenção aos outros»


Os cristãos são como luz para os outros, para todos os homens do mundo inteiro. Se somos cristãos, temos de ser semelhantes a Cristo.

Se quereis aprendê-la, a arte da delicadeza far-vos-á cada vez mais semelhantes a Cristo, pois o Seu coração era humilde e Ele estava sempre atento às carências dos homens. Uma grande santidade começa por essa atenção aos outros; para ser bela, a nossa vocação deve estar cheia dessa atenção. Por onde Jesus passou, fez o bem. E a Virgem Maria em Caná só pensou nas necessidades dos outros e em comunicá-las a Jesus.

Um Cristão é um tabernáculo de Deus vivo. Ele criou-me, Ele escolheu-me, Ele veio habitar-me, porque precisava de mim. Agora que sabeis quanto Deus vos ama, o que há de mais natural para vós do que passar o resto da vossa vida a resplandecer desse amor? Ser Cristo é amar como somos amados, como Cristo nos amou.


Bem-aventurada Teresa de Calcutá
Fundadora das Missionárias da Caridade
“A Gift for God”


quinta-feira, 5 de novembro de 2009

CANONIZAÇÃO/CANONIZACIÓN São Rafael Arnáiz Barón – O silêncio




CANONIZAÇÃO 11 DE OUTUBRO DE 2009

SÃO RAFAEL ARNÁIZ BARÓN

O silêncio

“Das coisas que nos consolam na vida monástica, uma delas é o silêncio.

Sobretudo, há certas horas em que o silêncio se impõe pela necessidade; precisa-se dele; é o consolo do trapista; é o refúgio do aflito e desconsolado; é o recreio do que está alegre, e faz a felicidade do enamorado de Deus.

No silêncio é onde o monge encontra o bálsamo de suas dores e de suas, algumas vezes, desolações; no silêncio monacal é onde a alma que goza de Deus esconde suas delícias; no silêncio se ama melhor a Deus; com o silêncio o sofrimento é mais eficaz; no silêncio é onde muitas vezes se encontra o consolo que não podem dar as criaturas.

Que formoso e agradável é o silêncio!
Como ajuda a alma a buscar a Deus!
E como, uma vez que a Deus se encontrou, nos ajuda a conservá-lo e a não profanar sua presença!

Alguns dias, a alma de certo trapista encontra sua felicidade em conservar seu silêncio. Este trapista não trocaria de lugar com ninguém pois o que para o mundo é uma penitência, para ele é o seu céu na terra.

Quando lentamente transcorrem as horas da noite, dessa noite que o monge utiliza para rezar diante de Deus, quando toda a natureza dorme e a escuridão convida a alma ao recolhimento e à oração, quando nessas horas serenas esse fradezinho se aproxima do altar de Deus e recebe em seu coração o Autor da noite, ao Deus que fez os céus cobertos de estrelas, então, quando a alma se encontra rodeada de paz por fora e de luz por dentro, quando a escuridão envolve o Mosteiro e divinos resplendores iluminam o coração, então é quando se precisa do silêncio.

O sol, como que envergonhado de perturbar a paz da noite, vai aparecendo pouco a pouco no horizonte; uma tênue neblina rodeia o que há na paisagem; a Criação vai despertando, tudo vai se inundando de luz pouco a pouco; a Igreja do convento tem uma janela por cima do Altar Maior, e por esta janela entra a luz; esta luz suave do amanhecer fere e acaricia a imagem da Virgem Maria, chega até o Sacrário e entra no Coro.

Já se pode ler claramente nos grandes livros. À medida que a luz que Deus envia ao mundo cada manhã vai tomando tudo, a alma do monge vai se inundando também de alegria, de paz, de agradecimento ao Senhor que é tão bom com o homem. Então, quando tudo começa a viver, quando os pássaros aturdem com seus cantos, quando o sossego da oração é trocado pelos instrumentos de trabalho manual, quando o monge começa sua jornada, quem sabe se a padecer, então a alma deste homem, dando-se conta de que a vida sobre a terra é luta, de que ainda está no desterro, eleva seu coração sobre todas as coisas, pede auxílio a Deus, a quem oferece as obras do dia, se abraça à cruz de cada dia e, com o pensamento na Virgem, se refugia no silêncio, nesse silêncio que lhe ajuda a conservar a oração da noite. E nesse silêncio, oferece a Deus, umas vezes o suor de sua fronte, outras o frio, e sempre seu trabalho, seja qual for.

Que formoso é esse silêncio do trapista durante o seu trabalho!...A alma se dilata ao abismar-se na grandeza de Deus, manifestada nos céus embaixo do qual esse monge trabalha.

A Criação inteira está sujeita à mão do homem; tudo canta as glórias de Deus, os trigos, as flores, os montes e o céu, tudo é um concerto sublime de harmonia; nada falta e nada sobra; tudo o que Deus faz está feito.

A alma deste trapista algumas vezes está na terra, e outras está no céu bendizendo a Deus, mas sempre em silêncio. Embora algumas vezes, silêncio esse interrompido para cantar à Virgem, e eu conheço um desses casos”.


São Rafael Arnáiz Barón
Vida y Escritos del Beato Fray María Rafael Arnáiz Barón
Meditações de um Trapista, pp.306-308