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terça-feira, 8 de dezembro de 2009

IMACULADA CONCEIÇÃO – Câmara nupcial do Espírito, cidade do Deus vivo




IMACULADA CONCEIÇÃO DE NOSSA SENHORA

SOLENIDADE
08 DE DEZEMBRO


Câmara nupcial do Espírito, cidade do Deus vivo

Hoje sopraram as brisas anunciadoras da alegria universal. Dá louvores, ó céu! Fica feliz, ó terra! (Is 49, 13). Que a natureza inteira exulte: vem ao mundo a ovelha pela qual o pastor revestirá o cordeiro e rasgará as túnicas da antiga mortalidade! Celebremos uma festa para a Mãe de Deus.

Canta, ó Ana estéril, tu que não mais dais à luz! Explode de alegria e dá vivas, tu que já não tens as dores do parto! (Is 54, 1).

Regozija-te, Joaquim, pois de tua filha, nasceu para nós um menino, um filho nos foi dado. Seu nome será: Maravilhoso Conselheiro, isto é, da salvação do universo, Deus Forte (Is 9, 5).

Se o menino é Deus, como não será Mãe de Deus aquela que o põe no mundo? “Quem não reconhece a Santíssima Virgem como Mãe de Deus, está separado da divindade”. Não é minha esta afirmação, mas ela me pertence; recebi-a como preciosa herança teológica de meu pai, Gregório, o Teólogo. Hoje é o começo da salvação para o mundo, porque no rebanho do Senhor nasce a Mãe de Deus, da qual quis nascer o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo.

Hoje o Criador de todas as coisas, o Verbo divino, compôs um cântico novo, saído do coração do Pai, para ser escrito com uma pluma pelo Espírito, que é a linguagem de Deus.

Filha digna de Deus, beleza da natureza humana, reabilitação de Eva, nossa primeira mãe, Filha sempre virgem que pudeste conceber sem a intervenção humana, pois aquele que geraste tem um Pai eterno. Filha da raça humana que carregaste nos braços o Criador.

De fato, és mais preciosa que toda a criação, pois somente contigo o Criador partilhou as primícias de nossa humanidade. Sua carne foi feita de tua carne, seu sangue, do teu sangue; Deus se alimentou do teu leite, teus lábios tocaram os lábios de Deus. Na presciência da tua dignidade, o Deus do universo te amou; como te amou, te predestinou, e nos últimos tempos te chamou à existência e te estabeleceu mãe para dar à luz um Deus e alimentar seu próprio Filho, o Verbo. Por todo o teu ser és a câmara nupcial do Espírito, a cidade do Deus vivo, toda bela e próxima de Deus, alegrada pelas torrentes do rio que são as ondas dos carismas do Espírito.

Virgem cheia da graça divina, templo santo de Deus, teu adorno não é de ouro nem de pedras mortas, mas é o Espírito quem te confere um esplendor bem maior que o do ouro. Como jóia tens a pérola mais preciosa, a chama da divindade: Cristo.

Deus Santo é o Pai que, em seu desígnio, quis que se cumprisse em ti o mistério que predestinara antes dos séculos.

Santo e Forte é o Filho unigênito de Deus, que te fez nascer para nascer de ti como Filho único de uma Virgem Mãe, primogênito de uma multidão de irmãos, semelhante a nós e participante, por teu intermédio, de nossa carne e de nosso sangue.

Santo e Imortal é o Espírito de toda santidade, que pelo orvalho de sua divindade te resguardou do fogo divino, que a sarça ardente de Moisés prefigurava. Amém! Amém!

Ave, cheia de graça, o Senhor está contigo, bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto de teu ventre (Lc 1, 28.42), Jesus Cristo, o Filho de Deus. A ele, a glória pelos séculos dos séculos.


São João Damasceno
Homilia 6 in Nativitate Beatæ Mariæ Virginis, 4-12


IMACULADA CONCEIÇÃO – Maria, Estrela da esperança, Mãe nossa, ensinai-nos a crer, esperar e amar convosco




IMACULADA CONCEIÇÃO DE NOSSA SENHORA


SOLENIDADE
08 DE DEZEMBRO

Maria, Estrela da esperança, Mãe nossa, ensinai-nos a crer, esperar e amar convosco

Com um hino do século VIII/IX, portanto com mais de mil anos, a Igreja saúda Maria, a Mãe de Deus, como « Estrela do mar »: Ave maris stella. A vida humana é um caminho. Rumo a qual meta? Como achamos o itinerário a seguir? A vida é como uma viagem no mar da história, com frequência enevoada e tempestuosa, uma viagem na qual perscrutamos os astros que nos indicam a rota. As verdadeiras estrelas da nossa vida são as pessoas que souberam viver com retidão. Elas são luzes de esperança. Certamente, Jesus Cristo é a luz por antonomásia, o sol erguido sobre todas as trevas da história. Mas, para chegar até Ele precisamos também de luzes vizinhas, de pessoas que dão luz recebida da luz d'Ele e oferecem, assim, orientação para a nossa travessia. E quem mais do que Maria poderia ser para nós estrela de esperança? Ela que, pelo seu « sim », abriu ao próprio Deus a porta do nosso mundo; Ela que Se tornou a Arca da Aliança viva, onde Deus Se fez carne, tornou-Se um de nós e estabeleceu a sua tenda no meio de nós (cf. Jo 1,14).

Por isso, a Ela nos dirigimos: Santa Maria, Vós pertencíeis àquelas almas humildes e grandes de Israel que, como Simeão, esperavam «a consolação de Israel» (Lc 2,25) e, como Ana, aguardavam a «libertação de Jerusalém» (Lc 2,38). Vós vivíeis em íntimo contacto com as Sagradas Escrituras de Israel, que falavam da esperança, da promessa feita a Abraão e à sua descendência (cf. Lc 1,55). Assim, compreendemos o santo temor que Vos invadiu, quando o anjo do Senhor entrou nos vossos aposentos e Vos disse que daríeis à luz Àquele que era a esperança de Israel e o esperado do mundo.

Por meio de Vós, através do vosso «sim», a esperança dos milênios havia de se tornar realidade, entrar neste mundo e na sua história. Vós Vos inclinastes diante da grandeza desta missão e dissestes «sim». «Eis a escrava do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra» (Lc 1,38). Quando, cheia de santa alegria, atravessastes apressadamente os montes da Judéia para encontrar a vossa parente Isabel, tornastes-Vos a imagem da futura Igreja, que no seu seio, leva a esperança do mundo através dos montes da história. Mas, a par da alegria que difundistes pelos séculos, com as palavras e com o cântico do vosso Magnificat, conhecíeis também as obscuras afirmações dos profetas sobre o sofrimento do servo de Deus neste mundo.

Sobre o nascimento no presépio de Belém brilhou o esplendor dos anjos que traziam a boa nova aos pastores, mas, ao mesmo tempo, a pobreza de Deus neste mundo era demasiado palpável. O velho Simeão falou-Vos da espada que atravessaria o vosso coração (cf. Lc 2,35), do sinal de contradição que vosso Filho haveria de ser neste mundo. Depois, quando iniciou a atividade pública de Jesus, tivestes de Vos pôr de lado, para que pudesse crescer a nova família, para cuja constituição Ele viera e que deveria desenvolver-se com a contribuição daqueles que tivessem ouvido e observado a sua palavra (cf. Lc 11,27s).

Apesar de toda a grandeza e alegria do primeiro início da atividade de Jesus, Vós, já na Sinagoga de Nazaré, tivestes de experimentar a verdade da palavra sobre o «sinal de contradição» (cf. Lc 4,28s). Assim, vistes o crescente poder da hostilidade e da rejeição que se ia progressivamente afirmando à volta de Jesus até à hora da cruz, quando tivestes de ver o Salvador do mundo, o herdeiro de David, o Filho de Deus morrer como um falido, exposto ao escárnio, entre os malfeitores. Acolhestes então a palavra: «Mulher, eis aí o teu filho» (Jo 19,26). Da cruz, recebestes uma nova missão. A partir da cruz ficastes mãe de uma maneira nova: mãe de todos aqueles que querem acreditar no vosso Filho Jesus e segui-Lo.

A espada da dor trespassou o vosso coração. Tinha morrido a esperança? Ficou o mundo definitivamente sem luz, a vida sem objetivo? Naquela hora, provavelmente, no vosso íntimo tereis ouvido novamente a palavra com que o anjo tinha respondido ao vosso temor no instante da anunciação: «Não temas, Maria!» (Lc 1,30). Quantas vezes o Senhor, o vosso Filho, dissera a mesma coisa aos seus discípulos: Não temais! Na noite do Gólgota, Vós ouvistes outra vez esta palavra. Aos seus discípulos, antes da hora da traição, Ele tinha dito: «Tende confiança! Eu venci o mundo» (Jo 16,33). «Não se turve o vosso coração, nem se atemorize» (Jo 14,27). «Não temas, Maria!» Na hora de Nazaré, o anjo também Vos tinha dito: «O seu reinado não terá fim» (Lc 1,33). Teria talvez terminado antes de começar? Não; junto da cruz, na base da palavra mesma de Jesus, Vós tornastes-Vos mãe dos crentes. Nesta fé que, inclusive na escuridão do Sábado Santo, era certeza da esperança, caminhastes para a manhã de Páscoa. A alegria da ressurreição tocou o vosso coração e uniu-Vos de um novo modo aos discípulos, destinados a tornar-se família de Jesus mediante a fé. Assim Vós estivestes no meio da comunidade dos crentes, que, nos dias após a Ascensão, rezavam unanimemente pedindo o dom do Espírito Santo (cf. At 1,14) e o receberam no dia de Pentecostes. O «reino» de Jesus era diferente daquele que os homens tinham podido imaginar. Este «reino» iniciava naquela hora e nunca mais teria fim. Assim, Vós permaneceis no meio dos discípulos como a sua Mãe, como Mãe da esperança.

Santa Maria, Mãe de Deus, Mãe nossa, ensinai-nos a crer, esperar e amar convosco. Indicai-nos o caminho para o seu reino! Estrela do mar, brilhai sobre nós e guiai-nos no nosso caminho!


Papa Bento XVI
Carta Encíclica Spe Salvi 49-50
30 de Novembro do ano 2007


IMACULADA CONCEIÇÃO - Encantadoramente Imaculada!



IMACULADA CONCEIÇÃO DE NOSSA SENHORA

SOLENIDADE
08 DE DEZEMBRO


Encantadoramente Imaculada!

Dentro do Advento, no 8 de dezembro, celebra-se a Concepção Imaculada de Maria, a Virgem. Trata-se de uma solenidade que calha bem neste tempo de preparação para o Natal do Senhor. Imaculada Concepção de Maria! O povo de Deus crê com todas as suas fibras que a Santa Virgem Maria, por ter sido escolhida por Deus para mãe do Cordeiro Imaculado que tira o pecado do mundo, fora, por força da paixão, morte e ressurreição do seu Filho, preservada desde o primeiro momento de sua existência humana, daquela solidariedade no pecado que envolve a nossa raça humana e a que chamamos “pecado original”.

Em Maria, a Virgem, não há aquela quebradura interior que todos nós experimentamos: aquele fechamento tão profundo para Deus, fechamento que aparece como desconfiança, às vezes como teimosia em fazer do nosso jeito, em descaso, falta de piedade, soberba, orgulho, e tantos outros vícios que sufocam a nossa liberdade e ferem o nosso coração. Nela não há aquele fechamento para os outros, que se manifesta em tantas e tão diversificadas formas de egoísmo: falta de compaixão, orgulho, sensualidade, frieza, ganância, maledicência, ira, ciúme, inveja... a lista é deveras extensa... Não! Na Mãe do Senhor não há sombra disso: Deus, o Pai, pelos méritos do Filho bendito, preservou-a de toda lama, de toda mácula! Da lama, Deus em Cristo nos arranca; pela lama, Deus em Cristo, sequer permitiu que a Virgem fosse tocada! Ela é aquela inimiga visceral da serpente: sem acordo, sem pacto sem trégua: ela é a Mulher do Gênesis, do Evangelho, do Apocalipse, em guerra de morte contra a antiga Serpente (cf. Gn 3,15; Jo 2,4; 19, 26; Ap 12,1.3s). Ela é aquela a quem Gabriel, chama com que com um nome novo, ao saudá-la: “Alegra-te, Cheia de Graça!” ou “Alegra-te, ó tu que tens o favor de Deus!”, ou “Alegra-te, Muito Favorecida, Agraciada!” ou “Alegra-te, tu que Foste e Permaneces Repleta da Graça Divina!” – as palavras de Gabriel podem ser traduzidas com toda esta riqueza de expressões e sentidos... afirmando a mesma realidade espantosa: na Virgem de Nazaré a graça de Deus, o favor de Deus, o amor de Deus habitou como em nenhuma criatura! – Em ti, Virgem Maria, não há o menor espaço para a “des-graça” do pecado! Deus, o Pai, pode dizer de ti: “Como és bela, minha amada, como és bela! És toda bela, minha amada, e não tens um só defeito!” (Ct 4,1.7).

Desde a antiguidade, os Santos Padres e Doutores da Igreja, contemplando este mistério tão grande, chamam a Virgem de “Toda Santa”! Toda Santa, toda inundada da graça que Deus nos dá em Cristo, toda santificada pela santidade de Cristo Jesus! Por isso, a Missa da Imaculada começa com as palavras de Isaías, colocadas pela Virgem Igreja na boca da Virgem Maria: “Com grande alegria rejubilo-me no Senhor, e minha alma exultará no meu Deus, pois me revestiu de justiça e salvação, como a noiva ornada de suas jóias!” (Is 61,10).

A Imaculada! Que sonho! A Virgem Santíssima é imagem viva, sonho vivo, testemunho fiel daquilo que Cristo realiza em nós, pobre e frágil humanidade: Aquele que preservou sua Mãe do pecado, do pecado miserável nos arranca; Aquele que fez de sua Mãe a Primeira Redimida, primeira a ser salva (só Jesus salva, e salvou sua Mãe de modo admirável!), salva toda a humanidade e tira o pecado do mundo!

Maria, a Virgem! Maria, a Imaculada! Sonho lindo de Deus, sonho lindo do que deve ser a humanidade! A Imaculada! Quando a gente vê o mundo ferido, a humanidade angustiada, meio perdida... quando ligamos a televisão e vemos a violência dos traficantes, os descaminhos de tantos jovens, a terrível solidão no seio das famílias... quando vemos tanta feiúra: a guerra, a fome, a injustiça, as crises, a solidão, a morte... quando a gente vê tudo isso... e pensa na Imaculada (beleza, candura, pureza, paz, ternura, sorriso e encanto de Deus), então, tem a certeza que esse mundo tem jeito, que Deus não esquece de nós e, de tal modo nos purifica pelo seu Filho, que seremos todos imaculados (cf. Ef 1,4).

Maria, a Virgem, a Imaculada desde a concepção! Pensar em ti é tomar novo respiro e crer que Deus pode fazer em nós maravilhas: pode nos renovar, pode revigorar este mundo cansado e purificar sempre de novo nosso coração manchado... Imaculada: beleza de Deus, ternura de Deus, maravilha de Deus, sorriso de Deus, sonho lindo de Deus! Imaculada desde a conceição... doce aurora que anuncia o Dia – Jesus Cristo, nosso Deus, Aquele que celebraremos no Natal e acolheremos na Glória!

Imaculada! Hoje e sempre, Imaculada! Encantadoramente, Imaculada!


Dom Henrique Soares da Costa
Bispo Titular de Acúfica e Auxiliar de Aracaju


IMACULADA CONCEIÇÃO - Queres saber se Ela é a Virgem Santa?



IMACULADA CONCEIÇÃO DE NOSSA SENHORA

SOLENIDADE
08 DE DEZEMBRO


Queres saber se Ela é a Virgem Santa?


São Filipe Néri era, freqüentemente, consultado pelos Bispos para o reconhecimento da autenticidade dos místicos. A prática da humildade e da obediência permitia-lhe testar com infalibilidade os falsos místicos, pois o demônio é orgulhoso e independente. Num dia, do ano de 1560, os Cardeais estavam divididos quanto à veracidade das visões de uma religiosa. Solicitaram, então, a opinião de Felipe. Ao vê-la chegar, ele a olhou calorosamente, e disse-lhe:

-Mas, não é a senhora que desejo ver; desejo ver a santa!
-Mas eu sou a santa, Padre!
-Ah! A senhora é a santa? Obrigado.
Ele virou-se para os Cardeais e disse:
-Isto não vem de Deus...

Noutra ocasião, um de seus penitentes confiou-lhe que a Virgem Santa costumava visitá-lo à noite, em seu quarto, e que isto o deixava pleno de alegria e de luz! Então, Felipe lhe disse:

-Ouça, a próxima vez que ela vier, cuspa-lhe no rosto.

Na noite seguinte, a aparição surgiu e lhe falou sobre Deus. Lembrando-se, porém, da promessa que fizera a seu Diretor espiritual, o rapaz começou a cuspir no rosto da visão. Esta desapareceu, imediatamente, envolta em uma nuvem de enxofre.

Na mesma noite, ele despertou e viu o quarto cheio de luz, com uma nova aparição a lhe sorrir. Desta vez, ela não estava sentada na cama, mas encontrava-se mais afastada e, como o jovem tencionava cuspir, novamente, a visão lhe disse:

-Pode cuspir, se você quiser.

Ele não conseguiu atingi-la porque ela não estava perto dele, mas a figura o felicitou porque ele havia obedecido a seu diretor espiritual.

Disse-lhe, então, o Padre Felipe Néri:

-Efetivamente, é a Virgem Maria!


São Felipe Neri
Trecho de L´Etoile Notre Dame nº 148

domingo, 22 de novembro de 2009

SOLENIDADE JESUS CRISTO REI DO UNIVERSO



CRISTO REI DO UNIVERSO

SOLENIDADE


Homilia de sua Santidade João Paulo II na celebração Eucarística da Solenidade de Jesus Cristo, Rei do Universo em 2000

"Tu o dizes: Eu sou rei" (Jo 18, 37)

Assim respondeu Jesus a Pilatos num diálogo dramático, que o Evangelho nos faz ouvir novamente na hodierna solenidade de Cristo, Rei do universo. Nessa ocorrência, colocada na conclusão do ano litúrgico, Jesus, Verbo eterno do Pai, é apresentado como princípio e fim de toda a criação, como Redentor do homem e Senhor da história. Na primeira leitura, o profeta Daniel afirma: "O seu poder é um poder eterno, que nunca lhe será tirado. E o seu Reino é tal que jamais será destruído" (7, 14).

Sim, ó Cristo, Vós sois Rei! Paradoxalmente, a vossa realeza manifesta-se na cruz, na obediência ao desígnio do Pai "que como escreve o Apóstolo Paulo nos arrancou do poder das trevas e nos transferiu para o Reino do seu Filho amado, no Qual temos a redenção, a remissão dos pecados" (Cl 1, 13-14). Primogênito daqueles que ressuscitaram dos mortos, Vós, Jesus, sois o Rei da nova humanidade, restituída à sua dignidade primitiva.

Vós sois Rei! Porém, o vosso reino não é deste mundo (cf. Jo 18, 36); não é o fruto de conquistas bélicas, de dominações políticas, de impérios econômicos, de hegemonias culturais. O vosso é um "reino de verdade e de vida, de santidade e de graça, de justiça, de amor e de paz" (cf. Prefácio da solenidade de Cristo Rei), que se manifestará na sua plenitude no fim dos tempos, quando Deus será tudo em todos (cf. 1 Cor 15, 28). A Igreja, que já pode saborear na terra as primícias que se hão-de realizar no futuro, não cessa de repetir: "Venha o vosso reino", "Adveniat regnum tuum" (Mt 6, 10).

Venha o Vosso Reino!


Papa João Paulo II
Homilia Solenidade de Cristo Rei do Universo
26 de Novembro de 2000

CRISTO REI DO UNIVERSO



CRISTO REI DO UNIVERSO

SOLENIDADE


Ó Jesus meu, quem pudera dar a entender a Majestade com que Vos mostrais! E quão Senhor de todo o mundo e dos céus e de outros mil mundos, e mundos e céus sem conta que Vós poderíeis criar! E a alma entende, segundo a majestade com que Vos representais, que isso não é nada para Vós serdes Senhor de tudo.

Aqui se vê claramente, Jesus meu, o pouco poder de todos os demônios em comparação do Vosso, e como, quem Vos tiver contente, pode calcar aos pés o inferno todo. Vejo que quereis dar a entender à alma quão grande é o poder que tem esta sacratíssima Humanidade junto com a Divindade. Aqui se representa bem o que será, no dia do juízo, ver a Majestade deste Rei e vê-Lo com rigor para os maus. Aqui é a verdadeira humildade que deixa esta visão na alma ao ver sua miséria, pois não a pode ignorar. Aqui a confusão e verdadeiro arrependimento dos pecados, pois a alma, ainda que veja que Ele lhe mostra amor, não sabe aonde se meter, e assim se desfaz toda.

Digo que tem tão grandíssima força esta visão, quando o Senhor quer mostrar à alma grande parte da sua Grandeza e Majestade, que tenho por impossível podê-la sofrer qualquer pessoa, se o Senhor, de modo muito sobrenatural, não a quisesse ajudar, pondo-a em arroubamento e êxtase, onde perde de vista, com o gozo, a visão daquela Divina Presença.

Será verdade que se esquece depois? Fica porém tão impressa aquela Majestade e Formosura, que não há maneira de se poder esquecer, a não ser quando o Senhor quer que a alma padeça uma grande aridez e solidão, que direi adiante, que então até de Deus parece que se esquece. A alma fica outra, sempre embebida; parece-lhe que começa de novo um amor vivo de Deus em muito alto grau, a meu ver; porque, embora a visão passada, em que disse que Deus se representa sem imagem, seja mais perfeita, contudo, para durar na memória, conforme a nossa fraqueza, e para trazer bem ocupado o pensamento, é grande coisa o ficar representada e posta na imaginação tão Divina Presença. E quase sempre vêm juntas estas duas maneiras de visão. E até mesmo é assim que vêm. Porque, com os olhos da alma, vê-se a excelência e formosura e glória da Santíssima Humanidade e, por esta outra maneira que fica dita, se nos dá a entender como é Deus é Poderoso e que tudo pode e tudo manda e tudo governa e a tudo enche o Seu amor.


Santa Teresa de Jesus
Livro da Vida 28, 8-9

JESUS CRISTO REI DO UNIVERSO



CRISTO REI DO UNIVERSO

SOLENIDADE


«Vinde, benditos de meu Pai, recebei como herança o reino que vos está preparado desde a criação do mundo»

«Depois de haver completado a purificação dos pecados, sentou-Se à direita da majestade divina nas alturas» (Hb 1,3). Foi, pois, para nos servir que Ele veio de junto de Seu Pai a este mundo. E o cúmulo é que não é apenas no momento em que aparece nesta terra, revestido da enfermidade humana, que Se apresenta sob a forma de escravo, escondendo a Sua qualidade de Senhor; será também mais tarde, no dia em que vier com todo o Seu poder e aparecer em toda a glória de Seu Pai, quando da Sua manifestação. Quando vier no Seu reino, «cingir-Se-á, mandará que se ponham à mesa e servi-los-á» (Lc 12, 7). Eis Aquele pelo Qual reinam os soberanos e governam os príncipes!

É assim que Ele há de exercer a Sua realeza, verdadeira e sem mancha; é assim que Ele domina aqueles que submeteu ao Seu poder: mais amável que um amigo, mais equitativo que um príncipe, mais terno que um pai, mais íntimo que os membros, mais indispensável que o coração. Ele não Se impõe pelo medo, nem submete através do salário. Somente em Si mesmo encontra a força do Seu poder, apenas prende os que Se lhe submetem. Porque reinar pelo medo ou com vista a um salário não é governar por si mesmo, mas pela esperança do lucro ou pela ameaça.

É preciso que Cristo reine em sentido próprio; qualquer outra autoridade é indigna Dele. Ele soube chegar a este ponto por uma via extraordinária: para Se tornar o verdadeiro Senhor, abraça a condição de escravo e torna-Se servo de escravos, até à cruz e à morte; e assim arrebata a alma dos escravos e apodera-Se diretamente da vontade deles.

Sabendo que é esse o segredo deste modo de reinar, Paulo escreve: «Humilhou-Se a Si mesmo, feito obediente até à morte, e morte de cruz. Por isso é que Deus O exaltou» (Fl 2,8-9). Pela primeira criação, Cristo é Senhor da natureza; pela nova criação, tornou-Se Senhor da nossa vontade. É por isso que Ele diz: «Foi-Me dado todo o poder no céu e na terra» (Mt 28,18).


São Nicolau Cabasilas
A Vida em Jesus Cristo; Livro 4, 93-97; 102


NOSSO SENHOR JESUS CRISTO REI DO UNIVERSO



CRISTO REI DO UNIVERSO

SOLENIDADE


Deus não poupou seu próprio Filho, mas o entregou por todos nós.

Deus não chegou ao ponto de entregar seu Filho? E tu não podes sequer dar do teu pão, a quem se entregou e morreu por ti? O Pai, por tua causa, não quis poupar seu verdadeiro Filho! E tu o deixas, com indiferença, morrer de fome, quando não farias mais que dar-lhe dos seus próprios bens, e para teu próprio lucro.

Ele se entregou por ti, por ti deixou-se matar, e por ti sai agora mendigando: o que lhe dás, para ajudá-lo, de seus próprios bens o tiras, e mesmo assim, não lhe dás nada! Pois não se satisfez somente em suportar a cruz e a morte; quis ainda conhecer o exílio, ser peregrino e nu, ser lançado na prisão e nada poder, para assim lançar-te o apelo: “Se tu me queres retribuir o mesmo que sofri por ti, tem piedade de mim por causa da minha miséria, deixa-te comover por minha enfermidade e prisão. Se não me queres pagar na mesma moeda, atende ao meu modesto pedido: eu não te peço nada que te custe; somente um pão, um teto e algumas palavras de conforto.

Se continuas insensível, que ao menos o pensamento do reino celeste e das recompensas prometidas te tornem melhor! Não queres levar em conta tudo isso? Então, que o teu coração ao menos se comova, por simples instinto natural, ao ver-me nu. Lembra-te da nudez que eu sofri na cruz por causa de ti. Por tua causa fui então algemado, e ainda o sou até hoje por tua causa. Por tua causa jejuei, e por tua causa ainda hoje passo fome. Senti sede quando estive suspenso na cruz, e continuo a senti-la nos pobres, a fim de atrair-te a mim e de tornar-te mais humano para tua própria salvação.

Assim, tendo-te obrigado por inumeráveis benefícios, peço-te agora que retribuas; não te peço, porém, como a um devedor, mas quero coroar-te como a um benfeitor e dar-te em troca desses pobres dons, o Reino.

Se estou na prisão, não te forço a me retirares de lá, quebrando minhas algemas. Só te peço uma coisa: veres que estou preso por ti; isto para mim será o bastante, em troca eu te darei o céu. Ainda que eu te tenha libertado de teus pesados grilhões, será bastante para mim que tu queiras visitar-me na prisão.

Eu poderia coroar-te sem tudo isto, mas quero ser teu devedor. Eis por que, podendo dispor de alimento, ponho-me a vagar como um mendigo e coloco-me à tua porta de mão estendida para ser alimentado por ti: eu te amo tanto! É por isto que eu desejo estar à tua mesa como entre amigos, e disso me glorio, e o proclamo diante do mundo, e a todo o universo me apresento como alguém a quem dás de comer.


São João Crisóstomo
Homilia 15, 6 in Epistolam ad Romanos
Patrologia Grega 60, 547-548

CRISTO REI, A LUZ DO MUNDO



CRISTO REI DO UNIVERSO

SOLENIDADE

«Eu sou a luz, vim ao mundo para que aquele que crê em mim não permaneça nas trevas»

Cristo é «a Luz do mundo» (Jo 8, 12) e Ele ilumina a Igreja com a sua Luz. E, tal como a lua recebe a sua luz do sol a fim de iluminar a noite, assim também a Igreja, recebendo a Luz de Cristo, ilumina todos aqueles que se encontram na noite da ignorância. É, pois, Cristo que é «a verdadeira Luz que ilumina todo o homem vindo a este mundo» (Jo 1,9), e a Igreja, recebendo a sua Luz, torna-se, ela própria, luz do mundo, «iluminando aqueles que caminham nas trevas» (Rom 2,19), de acordo com esta Palavra de Cristo aos seus discípulos: «Vós sois a luz do mundo» (Mt 5,14). Do que se conclui que Cristo é a luz dos apóstolos, e os apóstolos, por sua vez, a luz do mundo.


Orígenes, Presbítero
Homilias sobre o Gênesis, 1, 5-7

CRISTO REI - A MAJESTADE DIVINA



CRISTO REI DO UNIVERSO

SOLENIDADE

Cristo Rei

Não nos é fácil entender a realeza de Cristo com os olhos deste mundo. Estamos, como Pilatos, diante de um homem que é trazido a julgamento porque se fez Rei. “Então és tu, rei?” Sequer entendemos o que pode significar ser rei, senão como o senhor absoluto, o dominador e não um julgado à morte.

E, no entanto, a resposta de Jesus é afirmativa. E conclusiva: “para isso nasci e para isto vim ao mundo, para dar testemunho da verdade. E quem é da verdade escuta minha voz.” (Cf. Jo.18, 33-37).

Em outra passagem do Evangelho, diz que os poderosos deste mundo querem mandar e serem servidos. “Mas entre vós não deverá ser assim. Ao contrário aquele que quiser tornar-se grande entre vós, seja aquele que serve… Deste modo o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos” (Cf. Mt.20, 25-28)

Como, então entender esta realeza que se marca pelo serviço e que tem na fronte uma coroa de espinhos e, por trono, o patíbulo da cruz?

Marcada pelo pecado do orgulho, a humanidade quis prescindir da verdade e dominar pela soberba. Rejeitou a Deus e tenta sujeitar a si todas as coisas, escravizando-as. Transtornou a ordem do universo que, contra ela se revoltou –“A terra produzirá para ti espinhos e cardos e comerás a erva dos campos. Com o suor do teu rosto comerás o pão”(Cf. Gen 3, 18)

Só a Verdade nos libertará (Cf. Jo.8, 32), quando reconhecendo a Majestade Divina, voltarmos à ordem da criação. Para restaurar a beleza deste universo, Cristo, ao entrar no mundo, como nos ensina a Carta aos Hebreus, disse: “Eis-me aqui, eu vim, ó Deus, para fazer a tua vontade”(Cf. Heb.10, 7).

Reconhecendo a soberania de Deus, as criaturas se abrem entre si no amor e no serviço de reconstrução da dignidade perdida.

Por isso, Cristo se ofereceu na ara, no altar da Cruz, no vértice da História, ungido com o óleo da alegria e da exaltação, apagando com seu sangue o pecado e estabelecendo um novo reino, uma nova terra, um reino de santidade e de vida, de justiça, de amor e de paz, para o qual nós caminhamos cada dia, com o auxílio da graça, no esforço de cumprirmos a vontade de Deus no serviço e amor aos irmãos.

Todo este trabalho, unido ao sacrifício de Cristo, não tem comparação, como nos ensina S. Paulo, com a glória que vai se revelar em nós, pela qual anseia toda a natureza na esperança de também ela ser libertada da escravidão da corrupção para entrar na liberdade da glória dos filhos de Deus (Cf. Rom. 8,18).

O patíbulo dos condenados se transformou no trono de glória. Santo Agostinho, no seu ardor de convertido, exclama que hoje a cruz encima os mais altos edifícios e se sobrepõe na coroa dos reis que a ela se submetem. E a Igreja, num dos mais belos hinos sobre a bandeira da Cruz, canta, solene e vitoriosa, que o Senhor reinou pela cruz.

“Este sinal da cruz”, reza o capítulo 12, do Segundo Livro da Imitação de Cristo, “estará no céu, quando o Senhor vier julgar. Então todos os servos da cruz, que conformaram sua vida com o Crucificado, acorrerão ao encontro de Cristo, com grande confiança”.

Neste dia, quando Cristo se assentar para o julgamento final, Ele entregará ao Pai o Universo restaurado na graça e os redimidos irão com Ele para a glória: “A realeza do mundo passou agora para Nosso Senhor e seu Cristo e ele reinará pelos séculos dos séculos” (Cf. Apoc. 11, 15.)

O Reino de Cristo, não é um Reino passageiro e temporal. É um Reino eterno e universal que faz a humanidade caminhar ao encontro da sua perfeição e dignidade e com ela toda a criação. Vi, então um novo céu e uma nova terra, porque “Agora realizou-se a salvação e a realeza de nosso Deus e a autoridade de seu Cristo.(Cf. Apoc.12,10).


D. Eurico dos Santos Veloso
Arcebispo Metropolitano de Juiz de Fora

sábado, 15 de agosto de 2009

Assunção de Nossa Senhora - Maria engrandece o Senhor pela singularidade de seu amor



15 de agosto

Maria engrandece o Senhor pela singularidade de seu amor


“A alma de Maria engrandece o Senhor porque ela foi por Ele primeiro engrandecida. Se não tivesse sido antes engrandecida pelo Senhor, a alma de Maria não teria podido engrandecê-lo. Engrandece, portanto, aquele por quem foi engrandecida, não somente pelo louvor de sua boca e pela integridade de seu corpo, mas pela singularidade de seu amor.

Muitos engrandecem pela língua, mas blasfemam por seu comportamento, procedendo com soberba de coração. A seu respeito é que foi escrito: ‘Afirmam que conhecem a Deus, mas o negam com seus atos’ (Tt 1, 16). Esses não engrandecem, antes diminuem o quanto podem o nome do Senhor. É a eles que se dirige o Apóstolo: ‘O nome de Deus é blasfemado entre as nações por causa de vós!’ (Rm 2, 24).

Em Maria, pelo contrário, a língua, a vida, a alma engrandecem o Senhor. A língua, narrando a santa magnificência da glória divina; a vida, tornando-se digna da mesma glória por suas obras; a alma, amando-o de maneira singular, atingindo-o pelas asas da contemplação, e contendo em seu espírito e em seu seio a incompreensível magnificência. Por isso, proclama: ‘Minha alma engrandece o Senhor’ (Lc 1, 46).

Como é que o engrandeces? Porventura, tornarias maior aquele cuja grandeza é infinita? ‘Grande é o Senhor e muito digno de louvores’ (Sl 144 [145], 3), exclama o salmista. Tão grande, tão grande, que sua grandeza não tem comparação nem medida. Como então o engrandeces, se de pequeno não o fazes grande, nem de grande maior ainda? Tu o engrandeces porque o louvas, porque, mais luminosa que o sol, mais bela que a lua, mais perfumada que a rosa, mais branca que a neve, fazes crescer o esplendor do conhecimento de Deus em meio às trevas deste mundo. Tu o engrandeces, portanto, não aumentando a sua grandeza sem limites, mas trazendo para as trevas deste mundo, que a desconhece, a luz da verdadeira Divindade. Pois o Senhor que engrandeces, assim como ignora o tempo por ser eterno, também não admite progresso, por ser perfeito.

Ele é eterno porque não tem começo nem fim. É perfeito porque nada falta a sua plenitude. E, contudo, tu o engrandeces quando, por teus méritos eminentes, és exaltada a ponto de receberes a plenitude da graça, de seres digna da visita do Espírito Santo, de dares à luz o Salvador do mundo que perecia, permanecendo virgem, e se tornando a Mãe do Filho de Deus”.


D. Adam de Perseigne, Abade
Epistula 2,13-15
(Sources Chrétiennes 66, 62-64)

Assunção de Nossa Senhora - A Esposa escolhida por Deus



15 de agosto

Era preciso que a Esposa escolhida por Deus habitasse a casa do céu

“Hoje a Virgem Imaculada, que não conheceu nenhuma das inclinações terrestres, mas alimentou-se de pensamentos do céu, não voltou ao pó da terra; sendo ela própria um céu vivo, é colocada nos celestes tabernáculos. Quem faltaria à verdade chamando-a de céu, a não ser por considerá-la superior aos céus por seus incomparáveis privilégios? Hoje o tesouro da vida, o abismo da graça nos é escondido por uma espécie de morte que dá vida. Sem receio Maria vê aproximar-se a morte, pois gerou Aquele que a destruiu, se é que podemos dar o nome de morte a essa luminosa partida de vida e de santidade. Pois, como poderia estar sujeita à morte aquela que deu ao mundo a verdadeira vida? Obedeceu, porém, à lei imposta por Aquele que Ela gerou, e, como filha do velho Adão, sofreu a sentença pronunciada contra o pai. Se seu Filho, que é a própria Vida, não recusou a morte, é justo que aconteça o mesmo com a mãe do Deus vivo.

Se o corpo santo e incorruptível que Deus, em Maria, unira a sua pessoa, ressuscitou do túmulo ao terceiro dia, é justo que também sua Mãe fosse arrancada ao túmulo e se juntasse a seu Filho. E, do mesmo modo que Ele descera até ela, foi elevada a um tabernáculo mais alto e mais precioso: o próprio céu. Era preciso, digo, que fosse colocada nos divinos tabernáculos de seu Filho quem abrigara em seu seio o Verbo de Deus. E, assim como o Senhor dissera estar em companhia dos que pertenciam a seu Pai, convinha igualmente que a Mãe permanecesse no palácio de seu Filho, na casa do Senhor e nos átrios de nosso Deus.

Pois, se lá habitam todos os que vivem na alegria, onde haveríamos de encontrar a causa de sua alegria? Era preciso que o corpo daquela que, ao dar à luz, conservara a virgindade, fosse também conservado após a morte. Era preciso que a Esposa escolhida por Deus habitasse a casa do céu. Era preciso que aquela que contemplara seu Filho na cruz e tivera o coração transpassado pelo gládio que lhe havia sido poupado ao dar à luz, o contemplasse sentado ao lado do Pai. Era preciso, enfim, que a Mãe de Deus possuísse tudo aquilo que seu Filho possuía, e fosse honrada por todas as criaturas”.

São João Damasceno
Homilia II in Dormitione Beatæ Mariæ Virginis, 2.13

Assunção de Nossa Senhora - Maria é a distribuidora de todas as graças



15 de agosto

“Com toda razão, depois da Assunção e de sua entrada na glória, Maria é a distribuidora de todas as graças. Da mesma forma que tantas mães santas sabem no céu as necessidades espirituais dos filhos que deixou na terra, Maria sabe as necessidades espirituais de todos os homens. E como Ela é uma excelente Mãe, reza por eles e, como Ela tem poder sobre o Coração de seu Filho, obtém para eles todas as graças, para todos que não persistem no mal. Ela é, como já foi dito, como um aqueduto de graças e, no corpo místico, como o virginal pescoço unindo a Cabeça aos membros”.

Réginald Garrigou-Lagrange, OP
The Three Ages of the Interior Life

Assunção de Nossa Senhora - Uma Mulher revestida de Sol



SOLENIDADE LITÚRGICA DA ASSUNÇÃO DA BEM-AVENTURADA VIRGEM MARIA

HOMILIA DO SANTO PADRE JOÃO PAULO II

15 de agosto de 2001

1. "O último inimigo a ser destruído será a morte" (1 Cor 15, 26).

As palavras de Paulo, que acabam de ser proclamadas na segunda leitura, ajudam-nos a compreender o significado da solenidade que hoje celebramos. Em Maria, que subiu ao Céu no termo da sua vida terrestre, resplandece a vitória definitiva de Cristo sobre a morte, que entrou no mundo em virtude do pecado de Adão. Foi Cristo, o "novo" Adão, que venceu a morte, oferecendo-se em sacrifício no Calvário, em atitude de amor obediente ao Pai. Assim, Ele resgatou-nos da escravidão do pecado e do mal. No triunfo da Virgem, a Igreja contempla Aquela que o Pai escolheu como verdadeira Mãe do seu Filho unigênito, associando-a intimamente ao desígnio salvífico da Redenção.

É por isso que Maria, como é bem evidenciado pela Liturgia, constitui um sinal consolador da nossa esperança. Olhando para Ela, arrebatada na exultação das plêiades angélicas, toda a existência humana, impregnada de luzes e de sombras, se abre para a perspectiva da bem-aventurança eterna. Se a experiência quotidiana nos faz sentir diretamente como a peregrinação terrestre se desenvolve sob o sinal da incerteza e da luta, a Virgem exaltada na glória do Paraíso assegura-nos que o socorro divino jamais nos faltará.

2. "Apareceu um grande sinal no Céu: uma mulher revestida de Sol" (Ap 12, 1).

Olhemos para Maria, caríssimos Irmãos e Irmãs que aqui vos encontrais reunidos num dia tão especial para a devoção do povo cristão. Saúdo-vos com grande afeto. Cumprimento de modo particular o Senhor Cardeal Angelo Sodano, meu primeiro colaborador, e o Bispo de Albano acompanhado do seu Auxiliar, e agradeço-lhes a sua presença. Além disso, saúdo o pároco com os sacerdotes que o assistem, os religiosos, as religiosas e todos os fiéis aqui presentes, de maneira especial os consagrantes salesianos, a Comunidade de Castelgandolfo e a das Vilas Pontifícias. Incluo no meu pensamento os peregrinos de várias línguas, que quiseram unir-se à nossa celebração. A cada um formulo votos para que viva com alegria a solenidade deste dia, rica de sugestões para a meditação.

Hoje aparece um sinal grandioso no Céu: a Virgem Maria! É dela que nos fala com linguagem profética o sagrado autor do livro do Apocalipse, na primeira leitura. Que prodígio extraordinário se apresenta diante dos nossos olhos estupefatos! Acostumados a olhar para as realidades da terra, somos convidados a elevar o nosso olhar para o Alto: rumo ao Céu, que é a nossa Pátria definitiva, onde a Santíssima Virgem espera por nós.

O homem moderno, talvez mais do que no passado, tem interesses e preocupações materiais. Busca segurança e não raro experimenta a solidão e a angústia. Além disso, que dizer do enigma da morte? A Assunção de Maria é um acontecimento que nos interessa de perto, precisamente porque cada homem é destinado a morrer. Todavia, a morte não é a última palavra. Ela garante-nos o mistério da Assunção da Virgem é a passagem para a vida, ao encontro do Amor. É a passagem para a bem-aventurança celestial, reservada a quantos se empenham em prol da verdade e da justiça, esforçando-se por seguir a Cristo.

3. "Desde agora, todas as gerações me hão de chamar ditosa" (Lc 1, 48).

Assim exclama a Mãe de Cristo no encontro com a idosa prima Isabel. O Evangelho acabou de nos propor de novo o Magnificat, que a Igreja canta todos os dias. Trata-se da resposta de Nossa Senhora às palavras proféticas de Santa Isabel: "Feliz daquela que acreditou que teriam cumprimento as coisas que lhe foram ditas da parte do Senhor" (Lc 1, 45).

Em Maria, a promessa torna-se realidade: ditosa é a Mãe e felizes seremos nós, seus filhos se, como Ela, escutarmos e pusermos em prática a palavra do Senhor.

A solenidade deste dia abra o nosso coração para esta exaltante perspectiva da existência. Possa a Virgem, que hoje contemplamos resplandecente à direita do Filho, ajudar o homem contemporâneo a viver, acreditando "que terão cumprimento as coisas que lhe foram ditas da parte do Senhor".

4. "Hoje, os filhos da Igreja na terra celebram com alegria a passagem da Virgem para a Cidade superna, a Jerusalém celeste" (Laudes et hymni, VI).

É assim que a Liturgia armênia canta no dia de hoje. Faço minhas estas palavras, pensando na peregrinação apostólica ao Cazaquistão e à Armênia que, se Deus quiser, realizarei daqui a pouco mais de um mês. Confio-te a Ti, Maria, o bom êxito desta nova etapa do meu serviço à Igreja e ao mundo. Confio-te a Ti o auxílio aos fiéis, a fim de que sejam sentinelas da esperança que não desilude e proclamem incessantemente que Cristo é o vencedor do mal e da morte. Ilumina, Mulher fiel, a humanidade do nosso tempo, para que compreenda que a vida de cada homem não se esgota num punhado de pó, mas é chamada a um destino de felicidade eterna.

Maria, "Tu que és o júbilo do céu e da terra", vela e intercede por nós e pelo mundo inteiro, agora e sempre!


Papa João Paulo II
Homilia da Solenidade da Assunção
15 de agosto de 2001

domingo, 28 de junho de 2009

DIA DO PAPA – Tu és Pedro!





"Tu és Pedro
e sobre esta Pedra
edificarei a minha Igreja!"







Ao Santo Padre Bento XVI,

nossa sempre fiel oração e

a nossa efetiva e sincera obediência!


DIA DO PAPA – Sobre ti construirei a minha Igreja



Crendo na Luz, torna-se luz para o mundo

“Jesus retribui o testemunho que o Apóstolo Pedro dera sobre ele. Pedro havia dito: ‘Tu és Cristo, o Filho do Deus vivo’ (Mt 16,16). Sua profissão de fé sincera recebe a recompensa: ‘Feliz és tu, Simão, filho de Jonas, porque não foi carne e sangue quem te revelou isso, mas o meu Pai’ (Mt 16,17). O que carne e sangue não pôde te revelar, a graça do Espírito Santo te revelou. Portanto, sua profissão de fé mereceu-lhe um nome indicando que sua revelação proveio do Espírito Santo, de quem ele é também chamado filho. De fato, Bar Iona significa em nossa língua ‘filho da pomba’.

Quanto às palavras: ‘Não foi carne e sangue quem te revelou isso’, compara com a narrativa do Apóstolo, quando diz: ‘Para que o anunciasse, não consultei carne e sangue’ (Gl 1,16). Por carne e sangue ele designa aqui os judeus. Ainda nesta passagem, por outras palavras, mostra-se que não foi a doutrina dos fariseus, mas a graça divina que lhe revelou Cristo, o Filho de Deus.

‘Por isso te digo’ (Mt 16,18). Por que afirma: ‘Eu te digo?’ ‘Porque me disseste: Tu és Cristo, o Filho do Deus vivo, eu também te digo não uma palavra inútil ou sem efeito, mas te digo, pois para mim, ter dito é ter feito: Tu és Pedro, e sobre esta pedra construirei a minha Igreja’ (Mt 16,18).

Sendo Ele mesmo a luz, transmitiu aos apóstolos a luz para que fossem chamados luz do mundo, bem como por outros nomes que o Senhor lhes deu. De igual modo, a Simão, que acreditava na Pedra que é Cristo, Ele deu o nome de Pedro. E prosseguindo sua metáfora da pedra, disse-lhe com sinceridade: ‘sobre ti eu construirei a minha Igreja’.

‘E as forças do Inferno não poderão vencê-la’ (Mt 16,18). Pela expressão forças do Inferno, eu entendo os vícios e pecados que seduzem os homens e os levam ao inferno. Portanto, ninguém creia que se trata de morte ou que os apóstolos não estariam submetidos à lei da morte, eles dos quais vemos resplandecer o martírio”.

São Jerônimo, Doutor da Igreja
Do Comentário sobre o Evangelho de São Mateus

São Pedro e São Paulo - Duas colunas, um só amor!



Solenidade
28 de junho

“Vós sabeis, irmãos, como entre todos os apóstolos e mártires de nosso Senhor, estes dois, cuja solenidade hoje celebramos, parecem ter uma particular dignidade. Não é de admirar! Foi a eles que, de modo muito especial, o Senhor confiou a Santa Igreja.

Com efeito, quando São Pedro proclamou que o Senhor era o Filho de Deus, este lhe respondeu: ‘Tu és Pedro, e sobre esta pedra construirei a minha Igreja. Eu te darei as chaves do Reino dos Céus’ (Mt 16,18.19). Foi ainda o Senhor que, de certo modo, deu-lhe São Paulo por companheiro, como afirma o próprio Paulo: ‘O mesmo que tinha preparado Pedro para o apostolado entre os judeus preparou também a mim para o apostolado entre os pagãos’ (Gl 2,8). São eles que, através do profeta, o Senhor prometeu à santa Igreja, dizendo: ‘A teus pais sucederão teus filhos’ (Sl 44[45],17). Os pais da santa Igreja são os santos patriarcas e profetas, os primeiros que ensinaram a lei de Deus e anunciaram a vinda de nosso Senhor. Se antes de sua vinda cessaram as profecias, isto se deve aos pecados do povo.

Veio, pois, nosso Senhor e, em lugar dos profetas, escolheu os santos apóstolos, realizando assim o que predissera o profeta: A teus pais sucederão teus filhos. Vede como ele declara ser a dignidade dos apóstolos bem maior que a dos profetas. Estes foram príncipes de um só povo, viveram em uma única nação e em uma só parte da terra; enquanto sobre os apóstolos, ele diz: ‘Deles farás príncipes sobre toda a terra’ (Sl 44[45],17). Que terra existe, irmãos, onde não se reconheça o poder e a dignidade destes apóstolos?

São eles as colunas que, com a doutrina, a oração e o exemplo da própria paciência, sustentam a santa Igreja. Foi nosso Senhor quem tornou inabaláveis estas colunas. No começo eram muito frágeis, não podendo sustentar-se nem a si nem aos outros. Mas isso correspondia a um admirável desígnio de nosso Deus pois, se sempre tivessem sido fortes, outros poderiam pensar que esta graça provinha deles mesmos. Desse modo, nosso Senhor quis primeiramente mostrar quem eram eles para depois fortificá-los: todos então compreenderiam como provinda de Deus a força que possuíam.

Entretanto, visto que seriam os pais da Igreja e os médicos das almas enfermas, não podiam compadecer-se da fraqueza alheia se antes não houvessem feito análoga experiência em si mesmos. Assim tornaram-se sólidas as colunas da terra, isto é, da santa Igreja. De fato, como era frágil esta coluna, quer dizer, São Pedro, quando bastou a voz de uma criada para fazê-lo cair! Mas depois, o Senhor deu-lhe vigor ao interrogá-lo três vezes: ‘Pedro, tu me amas?’; ao que ele também por três vezes respondeu: ‘Eu te amo’. Convém notar que o Senhor, quando Pedro lhe responde: Eu te amo, de imediato acrescenta: ‘Apascenta minhas ovelhas’ (cf. Jo 21,15-17), como se quisesse dizer: demonstra o amor que tens por mim apascentando minhas ovelhas. Por isso, irmãos, não é sincero quem diz amar a Deus mas não quer apascentar suas ovelhas”.

S. Aelred de Rievaulx, Abade Cisterciense
The Liturgical Sermons: The First Clairvaux Collection

São Pedro e São Paulo – Os gigantes da fé!



Solenidade
28 de junho

“Eis os santos que, vivendo neste mundo, plantaram a Igreja, regando-a com seu sangue. Beberam do cálice do Senhor e se tornaram amigos de Deus. Estas palavras da Liturgia resumem o significado de São Pedro e São Paulo. A Igreja chama a ambos de 'corifeus' isto é líderes, chefes, colunas. Eles são apóstolos, os primeiros enviados do Senhor, são testemunhas do Cristo morto e ressuscitado. Sua pregação plantou a Igreja, que vive do testemunho que eles deram (Mt 10,1ss; 28,18-20).

Pedro, discípulo da primeira hora, seguiu Jesus nos dias de sua pregação, recebeu do Senhor o nome de Pedra e foi colocado à frente do Colégio dos Doze e de todos os discípulos de Cristo. Generoso e ao mesmo tempo frágil, chegou a negar o Mestre e, após a ressurreição, teve confirmada a missão de apascentar o rebanho de Cristo. Pregou o Evangelho e deu seu último testemunho em Roma, onde foi crucificado sob o Imperador Nero no ano 67.

Paulo não conhecera Jesus segundo a carne. Foi perseguidor ferrenho dos cristãos, até ser alcançado pelo Senhor ressuscitado na estrada de Damasco. Jesus o fez ser apóstolo. Pregou o Evangelho incansavelmente pelas principais cidades do Império Romano e fundou inúmeras igrejas. Combateu ardentemente pela fidelidade à novidade cristã, separando a Igreja da Sinagoga. Por fim, foi preso e decapitado em Roma também sob o Imperador Nero no mesmo ano que Pedro ( 2Cor 11,18 – 12,10).

Estes gigantes da fé foram fiéis à missão recebida. As palavras de Paulo servem também para Pedro: 'Combati o bom combate, completei a corrida, guardei a fé'. Ambos foram perseverantes e generosos na missão que o Senhor lhes confiara: entre provações e lágrimas, eles fielmente plantaram a Igreja de Cristo, buscando não o próprio interesse, mas o de Jesus Cristo. Ambos experimentaram também, dia após dia, a presença e o socorro do Senhor. Paulo, como Pedro, pôde dizer: 'Agora sei, de fato, que o Senhor enviou o seu anjo para me libertar...'.


Ambos viveram profundamente o que pregaram: pregaram o Cristo com a palavra e a vida, tudo dando por Cristo. Pedro disse com acerto: 'Senhor, tu sabes tudo; tu sabes que te amo'; Paulo exclamou com verdade: 'Para mim, o viver é Cristo. Minha vida presente na carne, eu a vivo na fé do Filho de Deus, que me amou e se entregou por mim'. Dois homens, um amor apaixonado: Jesus Cristo! Duas vidas, um só ideal: anunciar Jesus Cristo! Em Jesus, eles apostaram tudo; por Jesus, gastaram a própria vida; da loucura da cruz e da esperança da ressurreição de Jesus, eles fizeram seu tesouro e seu critério de vida (Jo 21,15-19; Fl 3,4-14).

Ambos derramaram o Sangue pelo Senhor: 'Beberam do cálice do Senhor e se tornaram amigos de Deus'. Eis a maior de todas a honras de Pedro e de Paulo: beberam o cálice do Senhor, participando dos seus sofrimentos, unido a ele suas vidas até o martírio em Roma, para serem herdeiros de sua glória.

Hoje também, nossos corações voltam-se para a Igreja de Roma, aquela que foi regada com o sangue dos bem-aventurados Pedro e Paulo, aquela, que guarda seus túmulos, aquela, que é e será sempre a Igreja de Pedro, a Igreja de Roma, que é a Esposa do Cordeiro, imagem da Jerusalém celeste (Ap 21,1-11).

Conhecemos e veneramos o ministério que o Senhor Jesus confiou a Pedro e seus sucessores em benefício de toda a Igreja: ser o pastor de todo o rebanho de Cristo e a primeira testemunha da verdadeira fé naquele que é o 'Cristo, Filho do Deus vivo'. Pedro é o primeiro (Mt 10,2:); sobre ele Cristo fundou sua Igreja (Mt 16,17ss) e por isso ele deve confirmar seus irmãos na fé (Lc 22,31s). Cefas quer dizer Pedro, pedra. Pedro é o chefe da Igreja, sempre ocupando o primeiro lugar na responsabilidade (Jo 20,3-8; At 1,15ss; 2,14ss; 2,3-s; 5,1-11; 1Cor 15,3-5).

Sabemos com certeza de fé que a missão de Pedro perdura nos seus sucessores em Roma; hoje, em Bento XVI. O Papa será sempre, na Igreja, o referencial seguro da comunhão na verdadeira fé e na unidade. Quando surgem, como ervas daninhas, tantas e tantas seitas cristãs e pseudo-cristãs, nossa comunhão com Pedro é garantia de permanência seguríssima na verdadeira fé. Quando o mundo já não mais se constrói nem se regula pelos critérios do Evangelho, a palavra segura de Pedro é, para nós, uma referência segura daquilo que é ou não é conforme o Evangelho”.

D.Henrique Soares da Costa, Bispo
Dos Estudos Bíblicos-Catequéticos
Cit.por domhenrique.com

domingo, 21 de junho de 2009

ANO SACERDOTAL – Papa Bento XVI inaugura Ano pedindo sacerdotes santos



Bento XVI inaugura Ano Sacerdotal pedindo presbíteros santos

Que o coração de cada presbítero seja inflamado de amor por Jesus

CIDADE DO VATICANO, sexta-feira, 19 de junho de 2009 (ZENIT.org)- Bento XVI inaugurou o Ano Sacerdotal na tarde desta sexta-feira, constatando a necessidade que a Igreja tem de santos sacerdotes.

Ao mesmo tempo, ao presidir as segundas vésperas na Solenidade do Sagrado Coração de Jesus, na Basílica Vaticana, reconheceu que o maior sofrimento para a Igreja é o pecado dos sacerdotes.

A celebração começou quando o Papa se dirigiu à Capela do Coral da Basílica de São Pedro para venerar em silêncio o coração do Santo Cura de Ars, São João Maria Vianney; neste ano se comemora precisamente o 150º aniversário do seu falecimento.

“A Igreja tem necessidade de sacerdotes santos – disse o Papa na homilia; de ministros que ajudem os fiéis a experimentarem o amor misericordioso do Senhor e sejam suas testemunhas convictas.”

Por isso, convidou os crentes a pedirem “ao Senhor que inflame o coração de cada presbítero” de amor por Jesus.

“Como esquecer que nada causa mais sofrimento à Igreja, Corpo de Cristo, que os pecados dos seus pastores, sobretudo daqueles que se convertem em ‘ladrões de ovelhas’, seja porque as desviam com suas doutrinas privadas, seja porque as atam com os laços do pecado e da morte?”, perguntou-se o Papa.

“Também para nós, queridos sacerdotes, aplica-se o chamado à conversão e a recorrer à misericórdia divina, e igualmente devemos dirigir com humildade incessante a súplica ao Coração de Jesus, para que nos preserve do terrível risco de causar dano àqueles a quem devemos salvar”, disse o Papa aos numerosos presbíteros e bispos presentes.

Por isso, afirmou: “Nossa missão é indispensável para a Igreja e para o mundo, e exige fidelidade plena a Cristo e uma incessante união com Ele, isto é, exige que busquemos constantemente a santidade, como o fez São João Maria Vianney”.

Papa Bento XVI
Inauguração do Ano Sacerdotal

sexta-feira, 19 de junho de 2009

SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS – O Amor é digno de toda glória!



Solenidade
19 de junho

“Queridos irmãos e irmãs,

Nos encontramos reunidos para venerar esse momento único na história do universo em que Deus-Filho se fez homem nas profundezas do Coração da Virgem de Nazaré.

É o momento da Anunciação que reflete a oração do ‘Angelus Domini’: ‘Conceberás em teu seio e darás à luz um filho, a quem porás o nome Jesus. Ele será chamado Filho do Altíssimo’ (Lc 1, 31-32)

Maria disse: ‘Faça-se em mim segundo a tua palavra’ (Lc 1, 38).

E desde aquele momento seu Coração se prepara para acolher a Deus-Homem: "Coração de Jesus, digníssimo de toda glória"!

Nos unimos à Mãe de Deus para adorar a este Coração do Homem que, mediante o mistério da união hipostática (união das naturezas), é ao mesmo tempo o Coração de Deus.

Tributamos a Deus a adoração devida ao Coração de Cristo Jesus, desde o primeiro momento de sua concepção no seio da Virgem.

Junto com Maria lhe tributamos a mesma adoração no momento do nascimento: quando veio ao mundo na extrema pobreza de Belém. Nós lhe tributamos a mesma adoração, junto com Maria, durante todos os dias e os anos de sua vida oculta em Nazaré, durante todos os dias e os anos em que cumpre seu serviço messiânico em Israel.

E quando chega o tempo da paixão, do despojamento, da humilhação e do opróbio da cruz, nos unimos todavia mais ardentemente ao Coração da Mãe para gritar: ‘Coração de Jesus, digníssimo de toda glória!’.

Sim. Digníssimo de toda glória precisamente por causa deste opróbio e humilhação! Com efeito, então o Coração do Redentor alcança o cume do amor de Deus. E precisamente o Amor é digno de toda glória!

Nós ‘não nos gloriaremos a não ser na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo’ (cf. Gál 6, 14), escreverá São Paulo, enquanto São João ensina: ‘Deus é amor’ (1 Jn 4, 8).

Jesus Cristo está na glória de Deus Pai. Desta glória o Pai rodeou, no Espírito Santo, o Coração de seu Filho glorificado. Esta glória anuncia nos séculos a assunção ao céu do Coração de sua Mãe. E todos nós nos unimos a Ela para confessar: ‘Coração de Jesus, digníssimo de toda glória, tem piedade de nós!’.

Santo Padre João Paulo II
Angelus, 04 de agosto de 1985