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domingo, 7 de junho de 2009

SANTÍSSIMA TRINDADE – Uma Fonte que brota e inunda



Solenidade da Santíssima Trindade
07 de junho

«Um só Deus, um só Senhor, na trindade das pessoas e na unidade da sua natureza»

Sei de uma fonte que brota e inunda,
Mas fica nas profundezas da noite.

Esta fonte eterna mantém-se escondida;
Mas eu não ignoro onde é que ela nasce,
E é nas profundezas da noite.

Na noite escura a que chamam vida,
Conheço pela fé o seu curso fresco e puro,
Mas é nas profundezas da noite.

Sei, posso dizê-lo, que ela não tem origem,
E contudo sei onde ela tem as raízes,
Mas é nas profundezas da noite…

Nunca o seu fulgor poderá escurecer
Porque só dela brota toda a luz,
Mas é nas profundezas da noite.

Estou seguro que as suas ondas, transbordando sem cessar,
Regam o abismo, a terra, todos os povos,
Mas é nas profundezas da noite.

Ora há uma corrente que nasce desta fonte,
Tão larga e poderosa como a própria fonte,
Mas é nas profundezas da noite.

Das duas primeiras correntes, procede uma terceira;
Não é mais antiga do que as que a produziram,
Mas é nas profundezas da noite.

Sei que todas três são uma só água viva
E que uma da outra vão derivando sem cessar
Mas é nas profundezas da noite.

Esta fonte eterna reune-se toda
No nosso pão vivo para nos dar a vida,
Mas é nas profundezas da noite…

São João da Cruz, Doutor da Igreja
Poema “Canto da alma que conhece Deus pela fé”
Obras completas, Editorial Monte Carmelo

SANTÍSSIMA TRINDADE – Um só Senhor na Trindade das Pessoas



Solenidade da Santíssima Trindade
07 de junho

“Um só Deus, um só Senhor, na trindade das pessoas e na unidade da natureza”

”O Pai, o Filho e o Espírito Santo são de uma só substância e de uma inseparável igualdade. A unidade está na essência, a pluralidade nas pessoas. O Senhor indica abertamente a unidade da essência divina e a trindade das pessoas quando diz: “Batizai em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo”. Não diz “nos nomes”, mas
“em nome”, mostrando assim a unidade da essência. Em seguida, porém, emprega três nomes, para mostrar que há três pessoas.

Nesta Trindade se encontra a origem suprema de todas as coisas, a beleza perfeita, a alegria bem-aventurada. A origem suprema, afirma Santo Agostinho no seu livro sobre a verdadeira religião, é Deus Pai, de quem provêm todas as coisas, de quem procedem o Filho e o Espírito Santo. A beleza perfeita é o Filho, a verdade do Pai, que em nada se distingue dele, que veneramos com o Pai e no Pai, que é o modelo de todas as coisas, porque tudo foi feito por Ele e tudo se refere a Ele. A alegria bem-aventurada, a soberana bondade, é o Espírito Santo, que é o dom do Pai e do Filho; e devemos crer e manter que este dom é exatamente como o Pai e o Filho.

Ao contemplar a criação, concluímos pela Trindade de uma só substância. Apreendemos um só Deus: Pai, de quem somos, Filho, por quem somos, Espírito Santo, em quem somos. Príncipe, a quem recorremos; modelo, que seguimos; graça, que nos reconcilia”.

Santo Antônio de Lisboa
Franciscano, Doutor da Igreja
Sermões para o domingo e as festas dos santos

SANTÍSSIMA TRINDADE – Reveste-me, Trindade eterna



Solenidade da Santíssima Trindade
07 de junho

“Ó Trindade eterna, Tu és mar profundo,
no qual quanto mais me abismo,
mais e mais eu te encontro,
e quanto mais te encontro,
mais e mais te procuro.
De ti nunca se poderá dizer: basta!
A alma que se sacia em tuas profundezas
deseja-te sem cessar,
porque está sempre faminta de ti,
sempre desejosa de ver sua luz em tua luz.

Nesta luz eu te conheço,
e Tu estás presente ao meu espírito,
Tu, que és o Bem supremo e infinito,
o Bem acima de todo o bem,
que realiza a verdadeira felicidade.
Tu és a Beleza acima de toda a beleza,
a Sabedoria acima de toda a sabedoria.
Reveste-me, Trindade eterna,
reveste-me de ti mesma,
para que eu passe esta vida
na luz de tua revelação,
que inebriou minha alma”.

Santa Catarina de Sena, Doutora da Igreja
Le Dialogue (P. Lethielleux, Paris, 1913)

SANTÍSSIMA TRINDADE - Oh, meu Deus, Trindade que adoro



Solenidade da Santíssima Trindade
07 de junho

Elevação à Santíssima Trindade

“Ó meu Deus, Trindade que adoro, ajudai-me a esquecer-me inteiramente de mim mesma para fixar-me em Vós, imóvel e pacífica, como se minha alma já estivesse na eternidade. Que nada possa perturbar-me a paz nem me fazer sair de Vós, ó meu Imutável, mas que em cada minuto eu me adentre mais na profundidade de vosso Mistério. Pacificai minha alma, fazei dela o vosso céu, vossa morada preferida e o lugar de vosso repouso. Que eu jamais vos deixe só, mas que aí esteja toda inteira, totalmente desperta em minha fé, toda em adoração, entregue inteiramente à vossa Ação criadora.

Ó meu Cristo amado, crucificado por amor, quisera ser uma esposa para vosso Coração, quisera cobrir-vos de glória, amar-vos... até morrer de amor! Sinto, porém, minha impotência e peço-vos «revestir-me de Vós mesmo», identificar a minha alma com todos os movimentos da vossa, submergir-me, invadir-me, substituir-vos a mim, para que minha vida seja uma verdadeira irradiação da vossa.Vinde a mim como Adorador, como Reparador e como Salvador. Ó Verbo eterno, Palavra de meu Deus, quero passar minha vida a escutar-vos, quero ser de uma docilidade absoluta para tudo aprender de Vós. Depois, através de todas as noites, de todos os vazios, de todas as impotências, quero ter sempre os olhos fixos em Vós e ficar sob vossa grande luz; ó meu Astro amado, fascinai-me a fim de que não me seja mais possível sair da vossa irradiação.

Ó Fogo devorador, Espírito de amor, «vinde a mim» para que se opere em minha alma como que uma encarnação do Verbo: que eu seja para Ele uma humanidade de acréscimo na qual Ele renove todo o seu Mistério.

E Vós, ó Pai, inclinai-vos sobre vossa pobre e pequena criatura, «cobri-a com vossa sombra», vendo nela só o Bem-Amado, no qual «pusestes todas as vossas complacências».

Ó meus Três, meu Tudo, minha Beatitude, Solidão infinita, Imensidade onde me perco, entrego-me a Vós qual uma presa. Sepultai-vos em mim para que eu me sepulte em Vós, até que vá contemplar em vossa luz o abismo de vossas grandezas”.


Beata Elisabete da Trindade, ocd
Obras Completas(Editorial Monte Carmelo)


sábado, 30 de maio de 2009

PENTECOSTES – No Espírito Santo, Cristo permanece conosco



Solenidade de Pentecostes
31 de maio

«Quando vier o Paráclito, o Espírito da Verdade, ensinar-vos-á toda a verdade, porque não falará por si mesmo, mas dirá o que ouvir, e anunciar-vos-á as coisas que virão. Ele me glorificará, porque receberá do que é meu, e vo-lo anunciará» Jo 16, 13-14


“O Senhor diz à Samaritana: «Deus é espírito»; sendo Deus invisível, incompreensível e infinito, não será num monte nem num templo que Deus deverá ser adorado (Jo 4,21-24). «Deus é espírito» e um espírito não pode ser circunscrito, nem contido; pela força da sua natureza, Ele está em todo o lado e de local algum está ausente; em todo o lado e em tudo superabunda. Por isso é preciso adorar a Deus, que é Espírito, no Espírito Santo.

O apóstolo Paulo outra coisa não diz quando escreve: «O Senhor é o Espírito e onde está o Espírito do Senhor, aí está a liberdade» (2Cor 3,17). Que cessem, portanto, os argumentos daqueles que recusam o Espírito. O Espírito Santo é um, por todo o lado foi derramado, iluminando todos os patriarcas, os profetas e o coração de todos quantos participaram na redação da Lei. Inspirou João Batista já no seio de sua mãe; foi por fim infundido sobre os apóstolos e sobre todos os crentes para que conhecessem a verdade que lhes é dada na graça.


Qual é a ação do Espírito Santo em nós? Escutemos as palavras do próprio Senhor: «Tenho ainda muitas coisas a dizer-vos, mas não sois capazes de as compreender por agora. É melhor para vós que Eu vá, pois, se Eu não for, o Paráclito não virá a vós; mas, se Eu for, Eu vo-lo enviarei. Quando Ele vier, o Espírito da Verdade, há de guiar-vos para a Verdade completa» (Jo 16,7-13). São-nos reveladas, nestas palavras, a vontade do doador, assim como a natureza e o papel d'Aquele que Ele nos dá. Porque a nossa fragilidade não nos permite conhecer nem o Pai nem o Filho; o mistério da encarnação de Deus é difícil de compreender. O dom do Espírito Santo, que se faz nosso aliado por sua intercessão, ilumina-nos.

Ora, este dom único que está em Cristo é oferecido a todos em plenitude. Está sempre presente em todo o lado e a cada um de nós é dado, tanto quanto o queiramos receber. O Espírito Santo permanecerá conosco até ao fim dos tempos, é a nossa consolação na espera, é o penhor dos bens da esperança que há de vir, é a luz dos nossos espíritos, o esplendor das nossas almas”.


Santo Hilário de Poitiers, Bispo e Doutor da Igreja
Do Tratado Sobre a Santíssima Trindade(Ed. Paulus)

PENTECOSTES – Oração – Espírito Santo, concedei-me vosso Espírito de Amor



Solenidade de Pentecostes
31 de maio

“Espírito Santo, que unis o Pai e o Filho em bem-aventurança eterna, ensinai-me a viver a cada instante e em todos os acontecimentos, na intimidade com meu Deus, sempre mais consumado na unidade da Trindade Santa. Sim, acima de tudo, concedei-me vosso Espírito de Amor para animar com vossa santidade os mínimos atos da minha vida, a fim de que, na Igreja, seja eu, verdadeiramente, pela redenção das almas e a glória do Pai, uma hóstia de amor em louvor da Trindade.

Peço-vos uma alma de limpidez cristalina, digna de ser templo vivo da Santíssima Trindade. Deus Santo, guardai na unidade minha alma para Jesus, com todo o seu poder de amor, ávida de beber incessantemente vossa pureza infinita. Que minha alma atravesse este mundo santa e imaculada no amor, amando acima de tudo vossa presença, unicamente sob vosso olhar, sem a menor imperfeição, sem que a menor mácula venha nela ofuscar o esplendor de vossa beleza. Amém”.


Frei M. M. Philipon, O.P.
Consagração à SS. Trindade

PENTECOSTES – Vinde, Espírito Santo



Solenidade de Pentecostes
31 de maio

"Verdadeiramente admirável sois Vós, ó Verbo de Deus, no Espírito Santo, ao fazer que Ele se infunda de tal modo na alma, que ela chegue a unir-se a Deus, conheça a Deus, saboreie Deus, e em nada se alegre fora de Deus.

O Espírito Santo desce à alma, marcado com o precioso selo do Sangue do Verbo, do Cordeiro imolado; mais ainda, é esse mesmo Sangue que o incita a descer, embora o Espírito já por si tenha esse desejo.

O Espírito que assim deseja, é a substância do Pai e a substância do Verbo; procede da essência do Pai e do beneplácito do Verbo, vem como fonte que se difunde na alma, e a alma submerge-se n’Ele. Assim como dois rios, confluindo, de tal modo se misturam que o menor perde o seu nome e recebe o do maior. Assim atua este Espírito Divino, quando desce à alma para com ela se unir. Mas é necessário que a alma, que é menor, perca o seu nome e o ceda ao Espírito Santo; e deve fazer isto transformando-se de tal modo no Espírito que se torne com Ele uma só coisa.

Porém, este Espírito, distribuidor dos tesouros que estão no coração do Pai e guarda dos segredos entre o Pai e o Filho, introduz-se tão suavemente na alma que não se sente a sua vinda e, pela sua grandeza, poucos o apreciam.

Com a sua densidade e a sua leveza entra em todos os lugares que estão aptos e predispostos para o receber. Na sua palavra frequente, como também no seu profundo silêncio, é ouvido por todos; com impetuosidade e prudência, imóvel e mobilíssimo, penetra em todos os corações.


Não ficais, Espírito Santo, no Pai imóvel e também não ficais no Verbo; estais sempre no Pai e no Verbo, e em Vós mesmo, e em todos os espíritos bem-aventurados e nas criaturas. Sois necessário à criatura, por causa do Sangue derramado pelo Verbo Unigênito, o qual, pela veemência do amor, se tornou necessário à sua criatura.

Repousais nas criaturas que se predispõem com pureza a receber em si, pela comunicação dos vossos dons, a vossa própria semelhança. Repousais nas almas que recebem em si os efeitos do Sangue do Verbo e se tornam habitação digna de Vós.

Vinde, Espírito Santo! Venha a união do Pai e o beneplácito do Verbo! Vós, Espírito da Verdade, sois o prêmio dos santos, o refrigério das almas, a luz das trevas, a riqueza dos pobres, o tesouro dos que amam, a abundância dos famintos, a consolação dos peregrinos; enfim, Vós sois aquele que contém em si todos os tesouros.

Vinde, Vós que, descendo a Maria, realizastes a Encarnação do Verbo, e realizai em nós, pela graça, o que n’Ela realizastes pela graça e pela natureza!

Vinde, Vós que sois o alimento de todo o pensamento casto, a fonte de toda a clemência, a plenitude de toda a pureza!

Vinde e transformai tudo o que em nós é obstáculo para sermos plenamente transformados em Vós!”.


Santa Maria Madalena de Pazzi, O.Carm.
Opere di S. Maria Maddalena di Pazzi, 4, pp. 200.269; 6, p. 194

PENTECOSTES – Oração – Espírito Santo, Fogo Divino


Solenidade de Pentecostes
31 de maio

“Ó Fogo Divino, quando, vindo do alto, começais a inflamar o coração do homem, as paixões logo diminuem e perdem a força; seu peso, de grave que era, faz-se mais leve; e na medida em que cresce o ardor, não é difícil sentir-se o coração humano tão leve que tome asas como de pomba (SL 54, 7).

Ó Bem-Aventurado Fogo que não consumis mas iluminais! E se consumis, destruís as más disposições para que não se acabe a vida! Quem me dera me envolvesse tal Fogo! Fogo que me purifique, tirando do meu espírito, com a luz de verdadeira sabedoria, as trevas da ignorância, a escuridão da consciência errônea. Fogo que transforme em amor ardente o frio da preguiça, do egoísmo e da negligência. Fogo que não permita ao meu coração endurecer-me, mas com seu calor o torne sempre maleável, obediente e devoto, liberte-me do pesado jugo das preocupações e dos maus desejos!

Nas asas da santa contemplação que nutre e aumenta a caridade, tanto eleve este Fogo meu coração, que me faça repetir com o profeta: ‘Alegrai a alma de vosso servo; ó Senhor, a Vós elevo minha alma’ (Sl 85, 4)".


São Roberto Belarmino
De ascensione mentis in Deum, Op. V. 6, p.232

PENTECOSTES – Vigiar no Espírito Santo




Solenidade de Pentecostes
31 de maio

“Temos de estar vigilantes e atentos à obra da salvação que se realiza em nós, porque é com admirável subtileza e com a delicadeza de uma arte divina que o Espírito Santo realiza continuamente esta obra no mais íntimo do nosso ser. Que esta unção que tudo nos ensina não nos seja retirada sem que tenhamos consciência disso, e que a sua vinda não nos apanhe desprevenidos. Pelo contrário, convém-nos estar permanentemente atentos, com o coração totalmente aberto, para recebermos esta bênção generosa do Senhor. Em que disposições quer o Espírito encontrar-nos? “Sede como os servos que esperam o seu senhor, quando ele regressa das núpcias”. Ele nunca regressa de mãos vazias da mesa celeste, mas com todas as alegrias que esta prodigaliza.

Temos, pois, de velar, e de velar em todo o momento, porque nunca sabemos a que horas virá o Espírito, nem a que horas voltará a partir. O Espírito vai e vem (Jo 3, 8); e se, graças à Sua presença, nos mantemos de pé, quando Ele se retira caímos inevitavelmente, mas sem nos magoarmos, porque o Senhor nos sustenta com a sua mão. E o Espírito não cessa de comunicar esta alternância de presença e ausência aos que são espirituais, ou antes, àqueles que tem a intenção de se tornar espirituais. É por isso que os visita de madrugada, pondo-os em seguida subitamente à prova”.


São Bernardo de Claraval, Abade Cisterciense e Doutor
Sermones sobre el Cantar de los Cantares, 17, 2
Obras completas, BAC, Madrid, 1987



domingo, 24 de maio de 2009

ASCENSÃO DO SENHOR - Ninguém subiu ao céu senão Aquele que veio do céu



Solenidade

"Hoje nosso Senhor Jesus Cristo subiu ao céu; suba também, como Ele, nosso coração. Ouçamos o que nos diz o Apóstolo: Se fostes ressuscitados com Cristo, buscai as coisas do alto, onde Cristo está sentado à destra de Deus. Ponde vosso coração nas coisas do céu, não nas da terra. Pois, do mesmo modo que ele sofreu, sem por isso afastar-se de nós, assim também nós estamos já com Ele, embora ainda não se tenha realizado em nosso corpo o que nos foi prometido.

Ele foi elevado ao mais alto dos céus; entretanto, continua sofrendo na terra através das fadigas que experimentam os seus membros. Assim o testificou com aquela voz vinda do céu: ‘Saulo, Saulo, por que me persegues?’ E também: ‘Tive fome e me destes de comer’. Por que não trabalhamos nós também aquí na terra, de maneira que, pela fé, a esperança e a caridade que nos unem a Ele, descansemos já com Ele nos céus? Ele está ali, mas continua estando conosco; nós, estando aqui, estamos também com Ele. Ele está conosco por sua divindade, por seu poder, por seu amor; nós, embora não possamos realizar isto como Ele pela divindade, podemos pelo amor a Ele.


Ele, quando desceu até nós, não deixou o céu; tampouco nos deixou ao voltar para o céu. Ele mesmo assegura que não deixou o céu enquanto estava conosco, posto que afirma: ‘Ninguém subiu ao céu senão aquele que desceu do céu, o Filho do homem, que está no céu’. Isto diz em virtude da unidade que existe entre Ele, nossa cabeça, e nós, seu Corpo. E ninguém, exceto Ele, poderia dizer isso, já que nós estamos identificados com Ele, em virtude de que Ele, por nossa causa, fez-se Filho do homem, e nós, por Ele, fomos feitos filhos de Deus.

Neste sentido diz o Apóstolo: ‘Assim como o corpo é um e tem muitos membros, e todos os membros do corpo, apesar de serem muitos, são um só corpo, assim também é Cristo’. Não diz: ‘assim é Cristo’, mas: ‘assim também é Cristo’. Portanto, Cristo é apenas um corpo formado por muitos membros. Desceu, pois, do céu, por sua misericórdia, mas já não subiu sozinho, posto que nós subimos também Nele pela graça. Assim, pois, Cristo desceu sozinho, mas já não ascendeu Ele sozinho; não é que queiramos confundir a divindade da cabeça com a do corpo, mas sim, afirmamos que a unidade de todo o corpo pede que este não seja separado de sua cabeça."


Dos Sermões de Santo Agostinho de Hipona, Bispo
Sermão 98, Sobre a Ascensão do Senhor, 1-2; PLS 2, 494-495

ASCENSÃO DO SENHOR - As verdadeiras e fiéis testemunhas de Cristo



Solenidade

“Não são poucos os que querem ser testemunhas do Senhor da paz, enquanto tudo corre conforme seus desejos. Querem de boa vontade ser santos, mas sem trabalho, sem tédio, sem tribulações, sem prejuízos. Desejam, pois, conhecer a Deus, saboreá-lo, senti-lo, mas sem amargura alguma. Se efetivamente devem trabalhar e se lhes produz amargura, tristeza, trevas e árduas tentações, se Deus se lhes esconde e se vêem desprovidos de consolos interiores ou exteriores, num instante se desvanecem seus bons propósitos. Não são as verdadeiras testemunhas que o Senhor exige.

Quem há que não busque a paz, quem que não queira ter a paz em tudo o que faz? E, entretanto, este modo de buscar esta paz deve sem dúvida ser descartado. Devemos esforçar-nos em ter paz em todo o tempo, inclusive nas adversidades com não pouco esforço. Daí deve nascer a verdadeira paz, estável, segura. Verdadeiramente qualquer outra coisa que busquemos ou queiramos será um engano. Se, em troca, nos esforçamos enquanto nos seja possível, por estar alegres na tristeza e nos mantivermos tranqüilos na tribulação, simples nas dificuldades e alegres na angústia, então seremos verdadeiras testemunhas de Deus e de Nosso Senhor Jesus Cristo.

A tais discípulos, o mesmo Cristo, vivo e ressuscitado dentre os mortos, desejava a paz. Estes em sua vida terrena nunca encontraram uma paz externa; mas lhes foi dada uma paz essencial, a verdadeira paz nas tribulações, a felicidade nos insultos, a vida na morte. Se alegravam e exultavam quando os homens lhes odiavam, quando os entregavam aos tribunais, quando eram condenados à morte. Tais são as verdadeiras testemunhas de Deus”.


Frei Johannes Tauler, O.P.
Místico Dominicano do século XIV
Sermón en la fiesta de la Ascensión del Señor
Cit.por dominicos.org

ASCENSÃO DO SENHOR - A gloriosa Ascensão do Senhor



Solenidade

“Hoje a Igreja celebra a Solenidade da Ascensão do Senhor. Esta Solenidade ocorre dentro do Tempo Pascal. Isto significa que o mistério da Ascensão é um aspecto da Páscoa de Cristo.

Na santa Ressurreição Jesus foi glorificado na sua natureza humana: seu corpo e sua alma humana foram totalmente impregnados pelo Santo Espírito, de modo que o Filho eterno do Pai é também um homem divinizado, um homem impregnado da vida divina. Isto contemplamos na Ressurreição: o que aconteceu a Jesus.

Agora, na santa Ascensão, contemplamos o que Jesus glorificado se tornou para nós. Ele não somente foi glorificado, mas o foi em nosso favor, para o nosso bem! Dizer que Ele está à Direita do Pai é um modo figurado de afirmar que Ele participa do senhorio que é próprio de Deus.

Jesus Cristo, com toda a autoridade no céu e na terra, é Senhor do universo, cabeça de toda a criação: tudo caminha para Ele, Ele é o ponto Ômega, o ponto de chegada de todas coisas. Mas, não só: Ele é também Senhor da história: para Ele caminha a história humana e a história de cada um de nós. Nele toda lágrima será enxugada, toda ferida, sarada, toda morte, redimida!


Ele é também o Advogado, o primeiro Paráclito, o nosso Mediador e Intercessor junto do Pai. É isto que afirma a Carta aos Hebreus quando diz que Ele está à direita do Pai com o seu próprio sangue. Ele é aquele Cordeiro de pé como que imolado, tendo nas mãos o livro com as folhas lacradas, que João contemplou no seu Apocalipse.

Sendo assim, Ele é o eterno sacerdote, que continuamente está diante do Pai, oferecendo-se uma vez por todas. É esta sua oferta, de Cordeiro glorioso (de pé) e imolado (como que imolado), que se torna presente em cada Celebração eucarística. Participar do Banquete sacrifical da Eucaristia é participar das coisas do céu, do santo sacrifício que o Senhor Jesus eternamente apresenta ao Pai por nós e pelo mundo inteiro.

Finalmente, Cristo à Direita do Pai é nosso juiz: nele, com o critério da sua cruz, amor que ama até dá a vida, tudo será passado a limpo, tudo será julgado.

Eis, portanto, o belíssimo e rico sentido da Solenidade de hoje!”.


D.Henrique Soares da Costa,Bispo
Cit.por domhenrique.org