Mostrando postagens com marcador Solenidades. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Solenidades. Mostrar todas as postagens

sábado, 20 de março de 2010

SOLENIDADE DE SÃO JOSÉ - Pôr-se sempre à escuta do Senhor para compreender a Sua Vontade



SÃO JOSÉ, ESPOSO DA VIRGEM MARIA
SOLENIDADE
19 DE MARÇO


Pôr-se sempre à escuta do Senhor, procurando compreender a sua vontade, para lhe obedecer com todo o coração e com todas as forças


Celebramos a Solenidade de São José, esposo da Virgem Maria e Padroeiro da Igreja universal. O extremo discernimento com que José desempenhou o papel que lhe foi confiado por Deus faz aumentar ainda mais a sua fé, que consiste em pôr-se sempre à escuta do Senhor procurando compreender a sua vontade, para lhe obedecer com todo o coração e com todas as forças. Por isso, o Evangelho o define como o homem "justo" (Mt 1, 19). De fato, o justo é a pessoa que reza, vive de fé, e procura praticar o bem em qualquer circunstância da vida.

A fé, alimentada pela oração: eis o tesouro mais precioso que São José nos transmite. Seguiram os seus passos gerações de pais que, com o exemplo de uma vida simples e laboriosa, imprimiram no coração dos filhos o valor inestimável da fé, sem a qual qualquer outro bem corre o risco de ser vão. Garanto desde já com prazer uma oração especial por todos os pais, no dia que lhes é dedicado: peço a Deus que sejam homens com uma sólida vida interior, a fim de cumprirem de modo exemplar a sua missão na família e na sociedade.


Papa João Paulo II
Angelus, 17 de Março de 2002

FESTA DE SÃO JOSÉ - São José, o Adorador Perpétuo



SÃO JOSÉ, ESPOSO DA VIRGEM MARIA
SOLENIDADE
19 DE MARÇO


São José: Adorador Perpétuo

Em profunda adoração, São José uniu-se à graça especial de cada um dos eventos da vida de Jesus. Ele adorou o nosso Senhor em sua vida oculta e na Sua Paixão e Morte; ele adorou antecipadamente o Cristo Eucarístico em seus tabernáculos: não havia nada que o nosso Senhor pudesse esconder de São José. Com exceção da Virgem Maria, São José foi o primeiro e mais perfeito adorador do nosso Senhor.

Quão grandemente o Verbo encarnado foi glorificado pela adoração de Maria e José enquanto eles expiavam pela indiferença e ingratidão de Suas criaturas!

São José se juntava a Maria em adoração e unificava seu ser a Cristo. Seu coração vibrava com sentimentos de adoração, amor e louvor ao Pai, e de caridade para com os homens.

A adoração de São José acompanhou todas as fases da vida de nosso Senhor, aproveitando a graça, o espírito e a virtude de cada mistério. Na encarnação ele adorava o auto-aniquilamento do Filho de Deus; em Belém, adorava a pobreza; em Nazaré, o silêncio, a aparente fraqueza, a obediência, e todas as outras virtudes de Cristo. Conhecia-os bem e captou claramente a razão pela qual Cristo praticou-as - para o amor e glória de seu Pai Celestial.

Fé, humildade, pureza e amor, estas foram as chaves-mestras de sua adoração. Nenhum santo jamais vibrou com uma fé mais ardente ou rebaixou-se em mais profunda humildade. Nenhum anjo jamais brilhou com mais brilhante pureza. E quanto ao seu amor, nenhum santo ou anjo jamais tiveram nem nunca chegarão ao alcance da sua ardente caridade, através da qual expressou seu ser em plena devoção.

Porque a sua fé era tão forte, a mente e o coração de José, curvaram-se em perfeita adoração. Imite a sua fé enquanto você se ajoelha diante do Cristo humilde e aniquilado na Eucaristia. Rasgue o véu que cobre esta fornalha de amor e adore o Deus escondido. Ao mesmo tempo respeite do véu do amor e faça a imolação de sua mente e seu coração, a mais bela homenagem de fé.

Entre as graças que Jesus deu ao Seu pai adotivo - e Ele inundou-lhe com as graças anexadas a cada um dos Seus Mistérios - estava a especial graça para ser um adorador do Santíssimo Sacramento. Isso é o que devemos nos questionar sobre São José. Tenha confiança nele, uma forte confiança nele. Tome-o como patrono e modelo para sua vida de adoração.

Da estreita união com este santo adorador vou aprender a adorar o Senhor e a viver em intimidade com Ele. Eu então deverei ser o José da Eucaristia como ele era o José de Nazaré.


São Pedro Julião Eymard
A Divina Eucaristia

SOLENIDADE DE SÃO JOSÉ - Imploremos a São José por força espiritual e santidade



SÃO JOSÉ, ESPOSO DA VIRGEM MARIA
SOLENIDADE
19 DE MARÇO


Imploremos a São José por força espiritual e santidade

Dezenove de Março é a solenidade de São José, Esposo de Maria Santíssima, Mãe de Cristo. Já no século X encontramos indicada em vários calendários esta festividade. O Papa Sisto IV recebeu-a no calendário da Igreja de Roma a partir do ano de 1479. Em 1621 foi inscrita no calendário da Igreja universal.

Dirigimo-nos hoje a esta figura tão querida e próxima do coração da Igreja e, na Igreja, de cada um e de todos os que procuram conhecer os caminhos da salvação, e segui-los na própria vida terrestre. Prepare-nos a meditação de hoje para a oração, a fim de que, reconhecendo as grandes obras de Deus naquele a quem Ele colmou os Seus mistérios, procuremos na nossa vida pessoal o reflexo vivo destas mencionadas obras para as completarmos com a fidelidade, humildade e nobreza de coração, que foram próprias de São José.

José, filho de David, não temas receber Maria, tua esposa, pois o que ela concebeu é obra do Espírito Santo. Ela dará à luz um filho e pôr-lhes-ás o nome de Jesus; porque Ele salvará o povo dos seus pecados (Mt. 1, 20-21).

Encontramos estas palavras no capítulo 1 do Evangelho segundo Mateus. Elas — sobretudo na segunda parte — soam parecidas às que ouviu Maria, no momento da Anunciação. A narrativa da Anunciação encontra-se no Evangelho segundo Lucas.

Em seguida, Mateus nota de novo que, depois das núpcias de Maria com José, antes de coabitarem, achou-se que tinha concebido por virtude do Espírito Santo (Mt. 1, 18.). Assim se realizou em Maria o mistério que tivera início no momento da Anunciação, no momento em que a Virgem respondeu às palavras de Gabriel: Eis aqui a escrava do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra (Lc. 1, 38).

À medida que o mistério da maternidade de Maria se revelava à consciência de José, ele, que era justo, não queria repudiá-la e resolveu deixá-la secretamente (Mt. 1, 19), assim se expressa adiante a descrição de Mateus. Exatamente então José, Esposo de Maria e perante a lei já seu marido, recebe a sua pessoal «Anunciação». Ouve durante a noite as palavras referidas acima, que são explicação e ao mesmo tempo convite da parte de Deus: Não temas receber Maria, tua esposa (Mt. 1, 20).

Ao mesmo tempo, confia Deus a José o mistério, cuja realização tinham esperado por tantas gerações a estirpe de David e toda a «casa de Israel», e ao mesmo tempo confia-Lhe tudo aquilo de que depende a realização de tal mistério na história do Povo de Deus. Desde o momento em que tais palavras chegaram à sua consciência, José torna-se o homem da divina eleição: o homem de particular confiança. E definido o seu lugar na história da salvação. José entra no desempenho deste lugar com a simplicidade e humildade, em que se manifesta a profundidade espiritual do homem; e ele enche-o completamente com a sua vida.

Despertando José do sono — lemos em Mateus — fez o que lhe ordenara o anjo do Senhor (Mt. 1, 24). Nestas poucas palavras está tudo. Toda a descrição da vida de José e a característica plena da sua santidade: «Cumpriu». José, pelo que sabemos do Evangelho, é homem de ação. E homem de trabalho. O Evangelho não conservou palavra alguma sua. Descreveu-lhe porém as ações: ações simples, quotidianas, que têm ao mesmo tempo significado límpido no que respeita ao cumprimento da Promessa divina na história do homem; obras cheias de profundidade espiritual e de simplicidade amadurecida.

Tal é a atividade de José, tais as suas obras, antes que lhe fosse revelado o mistério da Encarnação do Filho de Deus que -o Espírito Santo realizara na Sua Esposa. Tal é também a obra posterior de José, quando — já informado do mistério da maternidade virginal de Maria — permanece ao lado d'Ela no período que precedeu o nascimento de Jesus e sobretudo na circunstância da Natividade.

Depois vemos José no momento da apresentação no templo e da chegada do Oriente dos Reis Magos. Pouco depois inicia-se o drama dos recém-nascidos em Belém. José de novo é chamado e ensinado pela voz do Alto sobre como há de comportar-se. Realiza a fuga para o Egito com a Mãe e o Menino. Passado breve tempo, é o regresso à sua Nazaré. Lá finalmente encontra a casa e a oficina, à qual teria voltado sem dúvida mais cedo se não lho impedisse a crueldade de Herodes. Quando Jesus chega aos doze anos, vai com Ele e com Maria a Jerusalém.

No templo de Jerusalém, depois de ambos encontrarem Jesus perdido, José ouve estas palavras misteriosas: Não sabeis que devo ocupar-me das coisas do meu Pai? (Lc. 2, 49). Assim falou o jovem de doze anos, e José, assim como Maria, bem sabe de Quem fala. Apesar disso, na casa de Nazaré, Jesus estava-lhes submisso (Lc. 2, 51): a ambos, a José e Maria, assim como um filho é submisso aos pais. Passam os anos da vida oculta da sagrada Família de Nazaré. O Filho de Deus — mandado pelo Pai — está oculto ao mundo, oculto para todos os homens, mesmo para os mais próximos. Só Maria e José conhecem o Seu Mistério. Vivem à sua volta. Vivem este Mistério dia a dia. O Filho do Eterno Pai passa, no conceito dos homens, como filho deles; como filho do carpinteiro (Mt. 13, 55). Quando principiar o tempo da Sua missão pública, Jesus aplicar-Se-á na sinagoga de Nazaré as palavras de Isaías, que naquele momento se cumprem n'Ele, e os vizinhos e conterrâneos dirão: Não é o Filho de José? (Cfr. Mt. 4, 16-22). O Filho de Deus, o Verbo Encarnado, durante os 33 anos da vida terrena esteve oculto; escondeu-se à sombra de José.

Ao mesmo tempo, Maria e José permaneceram ocultos em Cristo, no Seu mistério e na Sua missão. Em particular José, que — segundo se pode concluir do Evangelho — deixou o mundo antes de Jesus se revelar a Israel, como Cristo, ficou despercebido no mistério d'Aquele que o Pai celeste lhe confiara quando estava ainda no ventre da Virgem, quando lhe fora dito por meio do anjo: Não temas receber Maria, tua esposa (Mt. 1, 20).

Eram necessárias almas profundas — como Santa Teresa de Jesus — e eram necessários os olhos penetrantes da contemplação, para que pudessem ser revelados os traços esplêndidos de José de Nazaré: Aquele de quem o Pai celeste quis fazer, na terra, o homem da Sua confiança. Todavia a Igreja sempre esteve persuadida, e hoje de modo particular o está, quão fundamental foi a vocação daquele Homem: do Esposo de Maria, d'Aquele que, diante dos homens, passava pelo Pai de Jesus e foi, segundo o espírito, uma encarnação perfeita da paternidade na família humana e sagrada ao mesmo tempo.

A esta luz, os pensamentos e o coração da Igreja, a sua oração e o seu culto dirigem-se a José de Nazaré. A esta luz, o apostolado e a pastoral encontram n'Ele apoio dentro do campo vasto e ao mesmo tempo fundamental que é a vocação matrimonial e de pais, toda a vida na família, cheia da solicitude simples e serviçal do marido para a mulher, do pai e da mãe para os filhos — a vida na família — naquela «Igreja mais pequena» sobre a qual se constrói cada Igreja.

A Igreja que, sendo sociedade do Povo de Deus, se chama também a si mesma a Família de Deus, vê ainda o lugar singular de S. José diante desta grande Família e reconhece-o como seu Padroeiro especial. Desperte em nós esta meditação a necessidade de orarmos tomando por intercessor Aquele em quem o Pai celeste expressou, na terra, toda a dignidade espiritual da paternidade. A meditação sobre a sua vida e as suas obras, tão profundamente ocultas no mistério de Cristo, e, ao mesmo tempo, tão simples e límpidas, ajude todos a encontrar o justo valor e a beleza da vocação, a que todas as famílias humanas vêm buscar a sua força espiritual e a santidade. Com estes sentimentos dirijamos agora a Deus a nossa oração.


Papa João Paulo II
Audiência Geral, 19 de Março de 1979

SÃO JOSÉ E SANTA TERESA DE ÁVILA



SÃO JOSÉ, ESPOSO DA VIRGEM MARIA
SOLENIDADE
19 DE MARÇO


São José e Santa Teresa de Ávila

Tomei por advogado e senhor ao glorioso São José e encomendei-me muito a ele. Vi claro que, tanto desta necessidade como de outras maiores, de perder a honra e perder a alma, este pai e senhor meu me livrou melhor do que eu lhe saberia pedir. Não me recordo, até agora, de lhe haver suplicado nada que não tenha deixado de fazer.

É coisa que espanta (que maravilha) as grandes mercês que me tem feito Deus por meio deste bem-aventurado santo, dos perigos que me tem livrado, tanto de corpo quanto de alma. A outros santos parece que o Senhor lhes deu graça para socorrer em uma necessidade; a este glorioso santo tenho experiência que socorre em todas e que quer o Senhor dar-nos a entender que assim como esteve submetido a ele na terra, que como tinha nome de pai - sendo custódio - podia mandar Nele, também no céu faz quanto lhe pedem. E isto o tem comprovado algumas pessoas, a quem eu dizia que se encomendassem a ele, também por experiência; e ainda há muitas que começaram a ter-lhe devoção havendo experimentando esta verdade.

Queria eu persuadir a todos para que fossem devotos deste glorioso santo, pela grande experiência que tenho dos bens que ele alcança de Deus. Não conheci pessoa que deveras lhe seja devota e faça particulares serviços, que não a vejamos mais adiantada nas virtudes porque muito aproveitam as almas que a ele se encomendam. Parece-me, já há alguns anos, que a cada ano, em seu dia, lhe peço uma coisa e sempre a vejo cumprida. Se o pedido segue meio torcido, ele o endereça para o meu bem.

Se fosse uma pessoa que tivesse autoridade no escrever, de bom grado me estenderia em dizer muito a miúdo as mercês que este glorioso santo tem feito a mim e a outras pessoas. Só peço, pelo amor de Deus, que o prove quem não me crê e verá por experiência o grande bem que é o encomendar-se a este glorioso Patriarca e ter-lhe devoção.

Pessoas de oração, em especial, sempre deveriam ser a ele afeiçoadas. Não sei como se pode pensar na Rainha dos Anjos, no tempo que passou com o Menino Jesus, e não se dar graças a São José pelo bem com o qual lhes ajudou. Quem não encontrar mestre que lhe ensine oração, tome este glorioso santo por mestre e não errará no caminho.


Santa Teresa de Jesus
Vida 6,6-8

SÃO JOSÉ - A propagação de São José por Santa Teresa de Jesus



SÃO JOSÉ, ESPOSO DA VIRGEM MARIA
SOLENIDADE
19 DE MARÇO


A propagação de São José por Santa Teresa de Jesus

O que Santa Teresa escreve sobre sua pessoal e particular experiência com São José, de forma tão simples e tão vitalmente exposto, tem uma finalidade: propagá-lo aos demais. Quer que todos sejam devotos de São José e se encomendem a ele. E o conseguiu de amplo modo.

Não é possível ler as páginas em que Santa Teresa descreve suas experiências com São José e permanecer indiferente. Santa Teresa, cujas palavras sobre São José cabem em tão poucas páginas, se converteu em um apóstolo de primeira grandeza do Santo pela naturalidade, calor e amor com que as descreve.

Pelo que escreve do Santo, como exposição de sua experiência sobrenatural e desde a mesma, embora tão breve, entra no catálogo dos grandes apóstolos josefinos, também pelo que fez em sua obra de fundações. E isto não só para o Carmelo Teresiano mas também para a Igreja universal. O Padre Gracián em seu escrito Josefina cita quase todos os lugares em que a Santa fala de São José. E, depois dele, a maioria dos autores carmelitas quando se apresenta uma ocasião.

Os pregadores do século XVII, em grande número, citam as palavras do capítulo 6 da Vida, alinhando-a com Gersón e Isidoro de Isolanis. Santa Teresa entra em seguida no catálogo dos grandes apóstolos e propagadores da devoção a São José. Podemos aplicar a este aspecto concreto o que a Santa disse que o Senhor lhe prometeu sobre sua primeira casa de São José: ‘que seria uma estrela que daria de si grande esplendor’ (V 32,ll). São José de Ávila, a casa de São José, acendeu no céu da Igreja muitas estrelas de devoção e amor para com o Santo Patriarca, e segue e seguirá iluminando-as.

Como disse um autor francês, Lucot: "Os Papas encontraram um auxiliar poderoso para a propagação do culto de nosso Santo na célebre Reformadora do Carmelo. Gersón havia feito muito por ele; Teresa fez mil vezes mais por si mesma, pelos religiosos de sua Reforma e pelas religiosas de seu Carmelo. São José lhe é devedor, sobretudo, de sua glória sobre a terra.


Fonte: ocd.pcn.net

SÃO JOSÉ E OS SANTOS




SÃO JOSÉ, ESPOSO DA VIRGEM MARIA
SOLENIDADE
19 DE MARÇO


São José e os Santos

A devoção a São José se fundamenta no fato de que este homem "justo" foi escolhido por Deus para ser o esposo de Maria Santíssima e fazer as vezes de pai de Jesus na terra. Durante os primeiros séculos da Igreja, a veneração se dirigia principalmente aos mártires. Talvez se venerasse um pouco a São José para enfatizar a paternidade divina de Jesus. Mas, ainda assim, os Padres da Igreja (Santo Agostinho, São Jerônimo e São João Crisóstomo, entre outros), já nos falavam de São José. Segundo São Calisto, esta devoção começou no Oriente, onde existe desde o século IV, e relata também que na grande Basílica construída em Belém por Santa Helena havia um formoso oratório dedicado a São José.

No ocidente, referências a (Nutritor Domini) São José aparecem no século IX em martirológios locais e em 1129 aparece em Bolonha a primeira igreja a ele dedicada. Alguns santos do século XII começaram a popularizar a devoção a São José e entre eles se destacaram São Bernardo, Santo Tomás de Aquino, Santa Gertrudes e Santa Brígida da Suécia. Segundo Bento XIV (De Serv. Dei beatif., I, iv, n. 11; xx, n. 17), ‘A opinião geral dos conhecedores é que os Padres do Carmelo foram os primeiros a levar do Oriente ao Ocidente a louvável prática de oferecer pleno culto a São José’.

No século XV, merecem particular menção como devotos de São José os santos Vicente Ferrer (m.1419), Pedro d`Ailli (m.1420), Bernadino de Sena (m.1444) e Jehan Gerson (m.1429). Finalmente, durante o pontificado de Sixto IV (1471-84), São José é introduzido no calendário romano em 19 de Março. Desde então, sua devoção foi crescendo em popularidade. Em 1621, Gregório XV a elevou à festa obrigatória. Bento XIII introduziu São José na ladainha dos santos em 1726”.

São Pedro Crisólogo: "José foi um homem perfeito, que possuía todo gênero de virtudes. O nome de José em hebreu significa "o que vai crescendo. E assim se desenvolvia o caráter de José, crescia de virtude em virtude até chegar a uma excelsa santidade.

São Bernardino de Sena: "... sendo Maria a dispensadora das graças que Deus concede aos homens, com quanta profusão não é de crer que enriquecesse com elas a seu esposo São José, a quem tanto amava, e por quem era respectivamente amada? E assim, José crescia em virtude e em amor para com sua esposa e seu Filho, a quem carregava nos braços no início, e a quem logo ensinou seu ofício e com quem conviveu durante trinta anos”.

Santa Teresa de Jesus: "Tomei por advogado e senhor ao glorioso São José e encomendei-me muito a ele". Irmã Isabel de la Cruz, monja carmelita, comenta sobre Santa Teresa: "era particularmente devota de São José e ouvi dizer que lhe apareceu muitas vezes e andava a seu lado".

"Não me recordo, até agora, de haver-lhe suplicado coisa que tenha deixado de fazer. É coisa que espanta as grandes mercês que me fez Deus por intermédio deste bem-aventurado santo. Não conheci pessoa que deveras lhe seja devota que não a veja mais adiantada em virtude, porque aproveitam de grande maneira as almas que a Ele se encomendam. Só peço por amor de Deus que o prove quem não lhe crê e verá por experiência o grande bem que é encomendar-se a este glorioso pai e ter-lhe devoção".

Santo Afonso Maria de Ligório nos faz refletir: "Quanto também deve ter-se aumentado a santidade de José no trato familiar que teve com Jesus Cristo, no tempo que viveram juntos? José durante esses trinta anos foi o melhor amigo, o companheiro de trabalho com quem Jesus conversava e rezava. José escutava as palavras de Vida Eterna de Jesus, observava seu exemplo de perfeita humildade, de paciência, e de obediência, aceitava sempre a ajuda serviçal de Jesus nos afazeres e responsabilidades diários. Por tudo isso, não podemos duvidar que enquanto José viveu na companhia de Jesus, cresceu tanto em méritos e santificação que superou todos os santos”.


Bibliografía:
Souvay, Charles L., Saint Joseph;
Catholic Encyclopedia;
ncyclopedia Press, Inc. 1913


SOLENIDADE DE SÃO JOSÉ – Os cinquenta privilégios de São José



SÃO JOSÉ, ESPOSO DA VIRGEM MARIA
SOLENIDADE
19 DE MARÇO


Os 50 privilégios de São José

Frei Jerônimo Gracián é um carmelita descalço que, seguindo as pegadas de Santa Teresa de Jesus, escreveu sua “Josefina” no ano de 1609 para fazer um sumário dos dons e privilégios de São José. Trata-se de um livro clássico da piedade josefina de 132 páginas que, seguindo a tradição mística da época, usa símbolos um pouco estranhos para nosso tempo, palavras bonitas e até raciocínios divertidos a favor de São José.

Os 50 privilégios de São José:

1. José foi santificado no ventre de sua mãe.
2. José nasceu livre do “fomes pecati” e da concupiscência da sensualidade.
3. Nunca pecou mortalmente.
4. Foi confirmado em graça.
5. Em José, como fim dos patriarcas antigos, se resume todas as perfeições.
6. José é o primeiro cristão do mundo.
7. José foi eleito entre todos os mortais como esposo da Mãe de Deus.
8. José recebeu por dote de seus desponsórios os dons e talentos que são bênçãos de peitos e ventre.
9. José foi reverenciado pela Rainha do Céu a quem todos os demais reverenciam.
10. José exerceu ofício de pai, tutor, esposo, companheiro, guarda e conselheiro de Maria.
11. José é mestre e doutor porque conversou com Cristo por 30 anos.
12. José foi aio do Príncipe Celestial.
13. Padrinho por ordenação divina e revelação do anjo.
14. Tutor de quem se fez pequenino, sendo o dono do cosmos e de todo o universo.
15. São José, Pai Nutrício e “amo de leite” de Cristo Jesus.
16. Teve como súdito ao Senhor e Rei de todo o mundo.
17. Foi o primeiro a adorar, depois da Virgem, a Cristo Jesus.
18. Conservador da vida temporal de Deus, dando-Lhe comida e roupa com o trabalho de suas mãos.
19. Conselheiro da construção da Igreja, como carpinteiro experiente, já que ajudou a fazer os modelos, plantas e traços da Nova Jerusalém.
20. Foi amado de Jesus Cristo por razões gerais e algumas particulares.
21. Mereceu o renome de “justo”.
22. Soube imitar as virtudes, retidão e perfeição de Cristo.
23. São José se assemelhou, mais do que ninguém neste mundo, a Cristo e a Maria, “no semblante, palavra, compleição, costumes, inclinações e maneira de tratar com os outros”.
24. Por haver estado mais perto da Humanidade de Cristo: abraçou-O, beijou-O, falou-Lhe, O viu, conversou com Ele, etc., muito se uniu à sua Divindade.
25. Viu-se limpo do suor com as mãos de Jesus e recebeu d’Ele outros inefáveis regalos.
26. São José se encontrou em ocasiões de amor, nas quais, pedindo mercês a Deus, nenhuma coisa foi-lhe negada.
27. São José recebeu a graça dos sacramentos, apesar de não ter participado deles.
28. Sustentou com o próprio suor a vida de Cristo.
29. São José alcançou inefáveis regalos no trato familiar que teve com Cristo.
30. Foi bendito do Senhor, alcançando as bênçãos do Céu.
31. José fez o ofício de “anjo da guarda” de Cristo Jesus.
32. Como um “arcanjo” foi ministro das embaixadas divinas.
33. Governou a Cristo, “Anjo do grande conselho”.
34. Foi ministro do maior milagre: Deus feito menino.
35. No Egito foi instrumento de Deus para que caíssem os ídolos.
36. Excedeu às dominações em senhorio, pelo serviço do Rei e da Rainha do universo.
37. Fez o ofício de trono ao ter em seus braços a Jesus, Juiz Eterno.
38. Mereceu ser guarda do paraíso terreno, como querubim, pois guardou à Virgem soberana que é o Paraíso de Deleites com a Árvore da Vida, Cristo Jesus.
39. Teve consigo, ao propiciatório, o Rei da Bem-Aventurança.
40. Foi perfeitíssimo virgem, perfeitíssimo santo.
41. Aprendeu oração dos mais elevados espíritos: o de Jesus e o de Maria.
42. Conseguiu todos os fins da contemplação.
43. Morreu nos braços de Jesus.
44. Preparou-se para a hora da de sua morte, pois a soube com antecipação.
45. Ouviu os cantares angélicos, viu luzes e escutou música celestial dos espíritos bem-aventurados.
46. Viveu saudável: nem lhe faltou um dente e nem escureceu a vista.
47. Como precursor no limbo, adiantou as excelências do Messias prometido.
48. José ressuscitou com Cristo entre outros muitos santos.
49. Está em corpo e alma na bem-aventurança.
50. É o primeiro santo canonizado pela boca do Espírito Santo, escrevendo o processo e sentença de sua canonização os sagrados evangelistas. Então se canoniza um santo quando se declara ser justo, estimado de Deus, e haver padecido por Cristo e tido revelações, visões e bens sobrenaturais.


FREI JERÓNIMO GRACIÁN
“LA JOSEFINA”

ORAÇÃO A SÃO JOSÉ DO PAPA JOÃO XXIII



SÃO JOSÉ, ESPOSO DA VIRGEM MARIA
SOLENIDADE
19 DE MARÇO


Oração a São José do Papa João XXIII


São José, guardião de Jesus e casto esposo de Maria, tu empregaste toda a tua vida no perfeito cumprimento de teu dever. Tu mantiveste a Sagrada Família de Nazaré com o trabalho de tuas mãos. Protege bondosamente aos que se voltam confiantemente para ti. Tu conheces suas aspirações e suas esperanças. Eles se dirigem a ti porque sabem que tu os compreendes e proteges. Tu também conheceste as provas, o cansaço e o trabalho. Mas, embora dentro das preocupações materiais da vida, tua alma estava cheia de profunda paz e cantou plena de verdadeira alegria devido ao íntimo trato que gozaste com o Filho de Deus que te foi confiado e a Maria, sua terna Mãe. Amém.


Papa João XXIII
Devocionário Católico

FESTA DE SÃO JOSÉ - O coração de São José só sabe fazer uma coisa: amar



SÃO JOSÉ, ESPOSO DA VIRGEM MARIA
SOLENIDADE
19 DE MARÇO


O coração de São José só sabe fazer uma coisa: amar

Ao meditar sobre São José, o coração se enche de amor sem nenhum esforço porque deste homem emana somente amor. O seu coração só sabe fazer uma coisa: amar. Do coração de São José jorra amor em abundância. Este amor acontece tão suavemente em seu coração, como suavemente nasce o sol. Dentro do seu coração existem sentimentos tão nobres que se chega a pensar que o coração de São José não é igual ao dos outros homens.

É difícil não entrar em contemplação ao Pai diante de São José, pois ele verdadeiramente é um dos filhos mais nobres de Deus Pai. Pode-se concluir inclusive que não poderia ser outra pessoa aquele a quem o Pai confiou os seus dois maiores tesouros: Maria e Jesus.

O Pai, que só é amor, dá a seus filhos infinitas e maravilhosas graças. Dele só emana o que é belo, santo, bom, riquezas incalculáveis. Por isso, São José é mais uma prova do amor divino para com os homens. Ele foi escolhido pelo Pai para ser instrumento importante na salvação da humanidade. Mas foi preciso para isto que São José abdicasse de seus planos pessoais, de seus sonhos, de sua vida. E ele soube fazer isso com honra e dedicação. Ao tomar conhecimento do plano do Pai, ele esquece de si mesmo, e embora vivendo uma situação desconcertante, vai até o fim, sem medo, sem vacilar.

São José, homem temente a Deus, e por isso mesmo homem que perscruta o coração de Deus, que sabe qual é a Sua Vontade, homem que sabe exatamente o que não agrada ao seu Pai de amor. Esse temor o leva a afastar-se das ocasiões de pecado, porque o temor a Deus o leva a ter horror de ofendê-lo. Esse temor não é um temor servil, pelo contrário, é um dom infuso que capacita aquele que o tem a amar a Deus com amor profundo e comprometido, incondicional, sem divisão, esponsal.

Ao colocar Jesus em seus braços, São José compreendeu que a paternidade humana tem sua fonte na paternidade divina. Nenhum homem pode ser pai se não for um chamado divino e essa paternidade só é verdadeira se for vivida aos moldes da paternidade de Deus. São José compreendeu que havia sido escolhido por Deus para ser o pai adotivo de Jesus. Então, como São José viveu a paternidade?

Totalmente como o Pai do céu a viveria: sem egoísmo, sem dominação, com muita compreensão, esquecendo-se de si, sem violência, da forma que vive alguém que se reconhece pequeno, silencioso, sem nenhuma atitude que chame a atenção sobre si. Fiel a Deus e à sua família. Agradecido a Deus Pai pela paternidade que lhe confiara, por ter sido escolhido por Ele para ser o provedor de sua família, pelo pão de cada dia, por ter sido chamado a amar incondicionalmente, além de seus limites.

São José, esposo terno, compreensível, amoroso, que não pensa em si, que só sabe amar Maria, sua esposa, filha predileta de seu Deus. José, esposo de Maria, fiel e presente sempre, dom permanente de amor para os seus dois queridos que, livres das fraquezas e do pecado, acolhiam com caridade generosa suas imperfeições e fraquezas.

São José, esposo de Maria, que em toda prova foi fiel; ele, o mais fraco dos três, o único imperfeito, foi perfeito pai e esposo. Olhando para o homem de dois mil anos depois, encontramos facilmente esposos como São José? Capazes de amar suas esposas como Cristo amou a Igreja? De apresentá-las sem manchas nem rugas?...

São José, homem fiel ao ofício de carpinteiro, exercido para contribuir com o sustento de sua família, mas ao mesmo tempo consciente de que quem os sustentava era seu Pai de amor, que sustenta os pássaros do céu, que veste os lírios dos campos com vestes mais bonitas do que as do rei Salomão. São José, homem que confiava inteiramente na providência divina. Desapegado de tudo, apegado apenas em fazer a vontade de Deus e em fazer sua esposa e seu filho felizes.

São José, que nada possuía, abriu espaço para a visita da divina providência. Quem não se lançar nas mãos de Deus, quem não reconhece que tudo o que tem é providenciado por Deus, é incapaz de abrir espaço para esta nobre visita.

Não existe vida mais feliz do que a daquele que esquece-se de si para doar-se ao outro; que tudo faz para que o outro seja feliz; que sabe partilhar dores, bens, alegria, presença; que percebe dia após dia o crescimento dos filhos; que está atento às suas necessidades; que ama sem cobrança ou condições sua esposa ou esposo; que não cobiça os bens dos outros. Olhando para a vida do homem de hoje que vive na era do progresso, podemos afirmar que este progresso corresponde à sua felicidade e realização? Com certeza não. Podemos chamar de progresso o crescimento tecnológico, o desenvolvimento da ciência e de tantas outras coisas que você pode até saber mais do que eu? Sim. Mas paralelo a este progresso, infelizmente, humanamente o homem está regredindo, o homem não é feliz, existe dentro do seu coração um grande vazio.

Faça diferente, faça como São José, suplique sua ajuda, ele é o provedor, o intercessor das famílias, dos pais e esposos que anseiam por viver a vontade de Deus como ele: abandonando todo plano pessoal, obedecendo sempre ao Pai, amando sempre, servindo sempre. São José, pai de Jesus, casto esposo de Maria, rogai por nós!


Germana Perdigão
Consagrada da Comunidade Shalom

sábado, 16 de janeiro de 2010

EPIFANIA DO SENHOR - Recebe Aquele que é a Luz: Deus de Deus, Luz da Luz!



SOLENIDADE DA EPIFANIA DO SENHOR
03 DE JANEIRO

«Recebe Aquele que é a Luz: Deus de Deus, Luz da Luz»

«Surge, illuminare Ierusalem, quia venit lumen tuum» (Is 60, 1)

Jerusalém, recebe a Luz! Recebe Aquele que é a Luz: «Deus de Deus, Luz da Luz... gerado, não criado, consubstancial ao Pai. Por Ele todas as coisas foram feitas. E por nós, homens, e para a nossa salvação, desceu dos céus: e Se encarnou pelo Espírito Santo, no seio da Virgem Maria, e Se fez homem» (Profissão de fé). Jerusalém, recebe esta Luz! Esta «luz resplandece nas trevas» (Jo 1, 5) e os homens já a vêem de longe. Eis que partiram para uma viagem. Seguindo a estrela, dirigem-se para esta Luz, que se manifestou em Cristo. Caminham, procuram a estrada, perguntam. Chegam à corte de Herodes e perguntam onde nasceu o rei dos Judeus: «Vimos a Sua estrela no Oriente e viemos adorá-Lo» (Mt 2, 2).

Jerusalém, protege a tua Luz! Aquele que nasceu em Belém encontra-se em perigo. Herodes, ao ouvir que nasceu um rei, pensa imediatamente em eliminar Aquele a quem considera um concorrente ao trono. Mas Jesus é salvo desta ameaça e foge com a sua família para o Egito, distante da mão homicida do rei. Mais tarde, regressará a Nazaré e aos trinta anos começará a ensinar. Então, todos saberão que a Luz veio ao mundo, mas também hão de ver que «os Seus não O receberam» (Jo 1, 11).

Jerusalém, partilha a tua Luz! Partilha com todos os homens esta Luz que resplandece nas trevas. Faz o convite a todos; sê para a humanidade inteira a estrela que indica o caminho rumo ao novo milênio cristão, como outrora guiou os três Reis Magos do Oriente até à gruta de Belém. Convida todos, para que «as nações» caminhem «à tua luz, os reis ao resplendor da tua aurora» (Is 60, 3). Partilha a Luz! Compartilha esta Luz que resplandeceu em ti com todos os homens e com todas as nações da terra.

Jerusalém, eis o dia da tua epifania! Os Magos do Oriente, que foram os primeiros a reconhecer a tua Luz, oferecem-Te, ó Redentor do mundo, os seus dons. Apresentam-nos a Ti, que és Deus de Deus, Luz da Luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro, gerado, não criado, consubstancial ao Pai. A Ti, por meio de quem todas as coisas foram feitas; a Ti, que Te encarnaste pelo Espírito Santo, no seio da Virgem Maria, e te fizeste homem.

Os olhos dos Reis Magos viram precisamente a Ti. Ainda hoje os nossos olhos Te vêem, ao contemplarem o misterium da sagrada Epifania.

«Surge, illuminare Ierusalem, quia venit lumen tuum» (Is 60, 1). Amém!


Papa João Paulo II
Homilia na Epifania do Senhor
06 de Janeiro de 1998

EPIFANIA DO SENHOR - Para Vós, Senhor, a manifestação do vosso Filho é a manifestação clara do quanto e como nos amastes



SOLENIDADE DA EPIFANIA DO SENHOR
03 DE JANEIRO

«Para Vós, Senhor, falar por meio do vosso Filho não foi outra coisa senão trazer à luz do sol, isto é, manifestar claramente o quanto e como nos amastes»

“Somente Vós sois realmente o Senhor, Vós para quem dominar sobre nós é salvar-nos; enquanto, para nós, servir-vos nada mais é do que ser salvos por vós.

Senhor, de Vós procede a bênção e a salvação para vosso povo. Mas que salvação é esta senão a graça que nos concedeis de vos amar e de ser amados por vós?

Por isso, Senhor, quisestes que o Filho que está à vossa direita, o homem que fortalecestes para Vós, fosse chamado Jesus, isto é, Salvador; pois ele vai salvar o povo de seus pecados (Mt 1,21) e em nenhum outro há salvação (At 4,12). Ele nos ensinou a amá-Lo, ao nos amar primeiro e até à morte de cruz. Por seu amor e sua dileção, suscita nosso amor por Ele, que nos amou primeiro até o fim. Foi assim mesmo: Vós nos amastes primeiro para que vos amássemos. Não tínheis necessidade de ser amado por nós, mas não poderíamos atingir o fim para o qual fomos criados se não vos amássemos. Eis por que, tendo falado outrora a nossos pais muitas vezes e de muitos modos por intermédio dos profetas, nestes últimos tempos nos falastes pelo vosso filho, pelo vosso Verbo; por Ele é que os céus foram criados, e pelo sopro de seus lábios, todo o universo (Sl 32,6).

Para Vós, falar por meio do vosso Filho não foi outra coisa senão trazer à luz do sol, isto é, manifestar claramente o quanto e como nos amastes, Vós que não poupastes vosso próprio Filho, mas o entregastes por todos nós. E Ele também nos amou e se entregou por nós.

É essa, Senhor, a Palavra que nos dirigistes, o Verbo todo-poderoso. Quando todas as coisas estavam envolvidas no silêncio (Sb 18,14), ou seja, nas profundezas do erro, ele desceu do seu trono real (Sb 18,15) para combater energicamente todos os erros e fazer triunfar suavemente o amor.

E tudo o que Ele fez, tudo o que disse na terra, até aos opróbrios, até aos escarros e às bofetadas, até à cruz e à sepultura, não foi senão a Palavra que nos dirigistes em vosso Filho, suscitando pelo vosso amor o nosso amor por Vós.

Bem sabíeis, ó Deus, Criador dos homens, que este amor não pode ser imposto, mas que é necessário estimulá-lo no coração humano. Porque onde há coação não há liberdade, e onde não há liberdade também não há justiça. Quisestes assim que vos amássemos, pois não poderíamos ser salvos com justiça sem vos amar; e não poderíamos amar-vos sem
receber de Vós esse amor.

Por isso, Senhor, como diz o Apóstolo do vosso amor e nós também já dissemos, Vós nos amastes primeiro; e amais primeiro todos os que vos amam. Nós, porém, vos amamos com afeto do amor que pusestes em nós. Mas vosso amor, vossa bondade, ó sumamente Bom e Sumo Bem, é o Espírito Santo, que procede do Pai e do Filho. Desde o princípio da criação Ele pairava sobre as águas, isto é, sobre os espíritos indecisos dos filhos dos homens; Ele se oferece a todos, atrai tudo a si, inspirando, encorajando, afastando as coisas nocivas, providenciando as úteis, unindo Deus a nós e unindo-nos a Deus”.


Guilherme de Saint-Thierry
Abade do Mosteiro de Saint-Thierry
De contemplando Deo, 9-11: SCh 61, 90-96

EPIFANIA DO SENHOR - O irradiar-se da luz de Cristo, refletida no rosto do seu Corpo místico



SOLENIDADE DA EPIFANIA DO SENHOR
03 DE JANEIRO

«O irradiar-se da luz de Cristo, refletida no rosto do seu Corpo místico»

Hoje a Igreja celebra a solenidade da Epifania, «manifestação» de Cristo a todos os povos, representados pelos Magos vindos do Oriente.

Esta festividade ajuda-nos a penetrar o profundo sentido da missão universal da Igreja, que se pode compreender como um movimento de irradiação: o irradiar-se da luz de Cristo, refletida no rosto do seu Corpo místico. E dado que esta luz é luz de amor, verdade e beleza, não se impõe com a força, mas ilumina as mentes e atrai os corações.

Ao irradiar esta luz, a Igreja obedece ao mandato de Cristo ressuscitado: «Ide (...) ensinai todas as nações» (Mt. 28, 19). Trata-se de um movimento que, a partir do centro, da Eucaristia, se propaga em todas as direções, através do testemunho e do anúncio do Evangelho. Este «ir» é animado por um impulso interior de caridade, sem o qual não produziria qualquer fruto.

A experiência dos Magos é muito eloquente a este propósito: eles movem-se guiados pela luz de uma estrela, que os atrai a Cristo. A Igreja deve ser como aquela estrela, isto é, capaz de refletir a luz de Cristo, a fim de que os homens e os povos em busca de verdade e justiça se ponham em caminho rumo a Jesus, único Salvador do mundo.

Esta tarefa missionária é confiada a todo o Povo de Deus, mas incumbe de modo especial a quantos são chamados ao ministério apostólico, isto é, aos Bispos e Sacerdotes. Rezemos juntos por todos os Bispos do mundo, para que o seu serviço ao Evangelho seja cada vez mais generoso e fiel. Confiamos estes votos à Virgem Maria.


Papa João Paulo II
Angelus, 06 de Janeiro de 1997

EPIFANIA DO SENHOR - Bendita Luz que vem em nome do Senhor e nos ilumina



SOLENIDADE DA EPIFANIA DO SENHOR
03 DE JANEIRO

«Bendita Luz que vem em nome do Senhor e nos ilumina»

«Levanta-te, resplandece, Jerusalém, porque chegou a tua Luz. Bendita Luz que vem em nome do Senhor, é o Senhor Deus e nos ilumina. E por sua bondade, também iluminou para nós este dia santificado pela iluminação da Igreja.

Graças a ti, Luz verdadeira, que iluminas a todo homem que vem a este mundo, e veio para isso como homem a este mundo. Foi iluminada Jerusalém, nossa mãe, mãe de todos os que mereceram ser iluminados, de modo que já resplandeça para todos os que estão no mundo. Graças a ti, Luz verdadeira, que te converteste em uma lâmpada para iluminar a Jerusalém e para que a Palavra de Deus fosse uma lâmpada para meus passos. Graças a ti, digo, porque a mesma Jerusalém plena de luz, se converteu em uma lâmpada que ilumina a todos. Pois não só foi iluminada, mas posta sobre o candelabro, todo de ouro. Ei-la aqui posta como cidade sobre o cume dos montes, ela que em outro tempo estava abandonada e odiada! Ei-la aqui, feito o orgulho de todos os séculos, para que seu evangelho brilhe ao largo e na largura até onde cheguem os confins do mundo!»


Beato Guerric d’Igny
Camino de Luz - Sermones Litúrgicos I,Sermón III, En la Epifanía
Monte Carmelo, Burgos 2004, p. 119-120

EPIFANIA DO SENHOR – A Luz estava no mundo e o mundo foi feito por ela, mas o mundo não a conheceu



SOLENIDADE DA EPIFANIA DO SENHOR
03 DE JANEIRO

«A Luz estava no mundo e o mundo foi feito por ela, mas o mundo não a conheceu»

“Bendita Luz! Chegou realmente a tua luz! Ela estava no mundo e o mundo foi feito por ela, mas o mundo não a conheceu.

O Menino nascera, mas não foi conhecido enquanto o dia da luz não começou a revelá-lo. Erguei-vos, vós que estais sentados nas trevas! Dirigi-vos para esta luz; ela ergueu-se nas trevas, mas trevas não conseguiram abarcá-la. Aproximai-vos e sereis iluminados; na luz vereis a luz, e dir-se-á sobre vós: “Outrora éreis trevas, mas agora sois luz no Senhor” (Ef 5, 8). Vede que a luz eterna se acomodou aos vossos olhos, para que Aquele que habita uma luz inacessível possa ser visto pelos vossos olhos fracos e doentes. Descobri a luz numa lâmpada de argila, o sol na nuvem, Deus num homem, no pequeno vaso de argila do vosso corpo o esplendor da glória e o brilho da luz eterna!

Nós de damos graças, Pai da luz, por nos teres chamado das trevas à tua luz admirável. Sim, a verdadeira luz, mais do que isso, a vida eterna, consiste em Te conhecer, a Ti, único Deus, e ao Teu enviado Jesus Cristo. É certo que Te conhecemos pela fé, e temos como seguro que um dia Te conheceremos na visão. Até lá, aumenta-nos a fé. Conduz-nos de fé em fé, de claridade em claridade, sob a moção do teu Espírito, para que penetremos cada dia mais nas profundezas da luz! Que a fé nos conduza à visão face a face e que, à semelhança da estrela, ela nos guie até ao nosso chefe nascido em Belém.

Que alegria, que exultação para a fé dos magos, quando virem reinar, na Jerusalém das alturas, Aquele que adoraram quando vagia em Belém! Viram-no aqui numa habitação de pobres; lá, vê-Lo-emos no palácio dos anjos. Aqui, nos paninhos; lá, no esplendor dos santos. Aqui, no seio de sua Mãe; lá, no trono de seu Pai”.


Beato Guerric d'Igny, Abade Cisterciense
Camino de Luz - Sermones Litúrgicos I, Sermón II, En la Epifanía
Monte Carmelo, Burgos 2004

EPIFANIA DO SENHOR - Quando Deus é adorado no menino, anuncia-se a verdadeira humanidade de Cristo e a integridade da Mãe de Deus



SOLENIDADE DA EPIFANIA DO SENHOR
03 DE JANEIRO

«Quando Deus é adorado no menino, anuncia-se a verdadeira humanidade de Cristo e a integridade da Mãe de Deus»

Quando Deus é adorado no menino, presta-se honra ao parto virginal. Quando se apresentam dádivas ao homem-Deus, adora-se a dignidade do divino Filho. Ao encontrar Maria com o menino, anuncia-se a verdadeira humanidade de Cristo e a integridade da Mãe de Deus. Com efeito, assim fala o evangelista: Quando entraram na casa, viram o menino com Maria, sua mãe. Ajoelharam-se diante dele e o adoraram. Depois abriram seus cofres e lhe ofereceram presentes: ouro, incenso e mirra (Mt 2, 11).

Os presentes oferecidos pelos Magos revelam os mistérios secretos de Cristo. Dando-lhe ouro, proclamam-no Rei; oferecendo-lhe incenso, adoram-no como Deus; apresentando-lhe mirra, reconhecem-no mortal. Cremos, portanto, que Cristo assumiu a nossa mortalidade para sabermos que, com sua morte única, foi abolida a nossa morte dupla. O modo como Cristo se manifestou mortal, e pagou a dívida da morte, encontras escrito em Isaías: Como um cordeiro foi levado ao matadouro (Is 53, 7).

Quanto a nossa fé na realeza de Cristo, é pela autoridade divina que a recebemos. Pois ele disse de si mesmo em um salmo: Eu fui constituído Rei por ele (Sl 2, 6 – Vulg.), isto é, por Deus Pai. E que seja o Rei dos reis, afirma-o pela Sabedoria: É por mim que reinam os reis e os príncipes decretam leis justas (Pr 8, 15). E que Cristo seja realmente Deus e Senhor, atesta-o o mundo inteiro por ele criado. É ele quem diz no Evangelho: Foi-me dada toda a autoridade no céu e na terra (Mt 28, 18). E o santo evangelista acrescenta: Tudo foi feito por intermédio dele, e sem ele nada foi feito de tudo o que existe (Jo 1, 3). Se sabemos que tudo foi feito por intermédio dele e nele subsiste, devemos crer, por conseguinte, que todas as coisas tenham reconhecido sua vinda.


Santo Odilon de Cluny, Abade
Sermo II de Epiphania Domini
Patrologia Latina 142, 997-998

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

SOLENIDADE DA SANTA MÃE DE DEUS – A humildade encanta a Deus



MARIA, SANTA MÃE DE DEUS
SOLENIDADE
01 DE JANEIRO


«A humildade encanta a Deus»


"Existe uma humildade tão grande e maravilhosa como a sua, em meio a tanta pureza e inocência, com uma consciência tão limpa de pecado e tão cheia de graça? De onde te vem, oh ditosa mulher, essa humildade tão incomparável? Bem merece que o Senhor se fixe nela, que o Rei fique prisioneiro de sua beleza, e que com seu delicado perfume atraia a seu tálamo ao que vive no Seio eterno do Pai! Observa quanta harmonia existe entre o canto de nossa Virgem e o canto nupcial; não podia ser de outra maneira: seu seio foi o tálamo do Esposo. Escuta a Maria no Evangelho: Se fixou em sua humilde escrava. E escuta-a no canto dos esposos: Enquanto o rei estava em seu leito, meu nardo desprendia seu perfume. O nardo é uma planta muito pequena e muito reconfortante, por isso simboliza admiravelmente a humildade, cujo aroma e formosura encantaram a Deus".


São Bernardo de Claraval
Obras completas de San Bernardo, p. 371
En la Asunción de Santa María, 4
Ed. Monjes Cistercienses de España


SOLENIDADE DA SANTA MÃE DE DEUS – Como um arco-íris, acima das nuvens



MARIA, SANTA MÃE DE DEUS
SOLENIDADE
01 DE JANEIRO


«Como um arco-íris, acima das nuvens»


Santa Brígida afirma ter ouvido dos lábios da Mãe de Deus:


"Eu sou aquela que, em constante oração, vela pelo mundo, como o arco-íris que surge no céu, acima das nuvens e que parece se inclinar sobre a terra e tocá-la, com suas duas extremidades.

Eu me inclino, efetivamente, para as boas pessoas, para que nelas sejam reforçados os preceitos da Santa Madre Igreja; inclino-me sobre aqueles que não são bons, para que eles não perseverem na malícia, tornando-se piores."


Santa Brígida da Suécia
Revelações 1, 3, c 10. Ed. Durante, p. 183


SOLENIDADE DA SANTA MÃE DE DEUS – Com Maria se cumprem os tempos e se inaugura a nova economia da salvação



MARIA, SANTA MÃE DE DEUS
SOLENIDADE
01 DE JANEIRO


«Com Maria se cumprem os tempos e se inaugura a nova economia da salvação»


“A Sagrada Escritura do Antigo e Novo Testamento e a venerável Tradição mostram de modo progressivamente mais claro e como que nos põem diante dos olhos o papel da Mãe do Salvador na economia da salvação. Os livros do Antigo Testamento descrevem a história da salvação na qual se vai preparando lentamente a vinda de Cristo ao mundo. Esses antigos documentos, tais como são lidos na Igreja e interpretados à luz da plena revelação ulterior, vão pondo cada vez mais em evidência a figura duma mulher, a Mãe do Redentor.

A esta luz, Maria encontra-se já profeticamente delineada na promessa da vitória sobre a serpente (cfr. Gén. 3,15), feita aos primeiros pais caídos no pecado. Ela é, igualmente, a Virgem que conceberá e dará à luz um Filho, cujo nome será Emmanuel (cfr. Is. 7,14; cfr. Miq. 5, 2-3; Mt. 1, 22-23). É a primeira entre os humildes e pobres do Senhor, que confiadamente esperam e recebem a salvação de Deus. Com ela, enfim, excelsa Filha de Sião, passada a longa espera da promessa, se cumprem os tempos e se inaugura a nova economia da salvação, quando o Filho de Deus dela recebeu a natureza humana, para libertar o homem do pecado com os mistérios da Sua vida terrena”.


Concílio Vaticano II
Constituição Dogmática sobre a Igreja, «Lumen Gentium», 55


SOLENIDADE DA SANTA MÃE DE DEUS – Para achar a graça de Deus é necessário encontrar Maria



MARIA, SANTA MÃE DE DEUS
SOLENIDADE
01 DE JANEIRO


«Para a prática da virtude necessitamos da graça de Deus;
Para achar a graça de Deus é necessário encontrar Maria»


“Para que bem utilizemos todos esses meios de salvação e de santificação, mister se nos faz o socorro e a graça de Deus, graça que, em maior ou menos grau, é a todos concedida; ninguém o duvide. Em maior ou menor grau, digo eu, porque Deus, ainda que infinitamente bom, não concede sua graça de modo igual a todos, muito embora de a todos a graça suficiente. A alma fiel a uma grande graça, pratica uma grande ação; com uma graça menor, pratica uma ação menor. O preço e a excelência da graça, dada por Deus e correspondida pela alma, fazem o preço e a excelência de nossas ações. São incontestáveis esses princípios.

Tudo enfim se reduz a encontrar-se um meio fácil de obter de Deus a graça necessária para a santificação; é o que te quero ensinar. Asseguro-te, porém que para achar a graça de Deus é necessário encontrar Maria. Porque Maria nos é necessária? Porque somente Maria encontrou graça diante de Deus”.


São Luis Mª Grignon de Monfort
"O Segredo de Maria"


SOLENIDADE DA SANTA MÃE DE DEUS – A Mãe de Deus nos encoraje a começar este novo ano com um gesto de amor



MARIA, SANTA MÃE DE DEUS
SOLENIDADE
01 DE JANEIRO

«A Mãe de Deus nos encoraje a começar este novo ano com um gesto de amor»

Caríssimos Irmãos e Irmãs,

Neste primeiro dia do ano desejo fazer chegar a todas as famílias, a todos os povos, a todas as pessoas de boa vontade, os meus votos de serenidade e de paz. São os votos que se elevam do coração, mas sobretudo estão apoiados sobre a certeza de que, no desenrolar do tempo, Deus permanece fiel ao seu amor. Sim, Deus ama-nos! Ama-nos com um amor ilimitado! Recordamo-lo também na solenidade litúrgica deste dia, que nos faz invocar a Virgem Santa com o título de «Mãe de Deus». O que significa proclamar Maria «Mãe de Deus»? Significa reconhecer que Jesus, o fruto do seu seio, é o Filho de Deus, consubstancial ao Pai, por Ele gerado na eternidade. Mistério grande, mistério de amor! Ele, o Unigénito do Pai (Jo 1, 14), fez-Se um de nós. Deste modo, «a eternidade entrou no tempo» (Tertio millennio adveniente, 9), e o desenrolar dos anos, dos séculos, dos milênios, já não é uma cega viagem rumo ao desconhecido, mas um caminhar em direção a Ele, plenitude do tempo (cf. Gl 4, 4) e a meta da história.

Honrando a Virgem Santa como Mãe de Deus, nós queremos também ressaltar que Jesus, o Verbo eterno feito carne, é verdadeiro «Filho de Maria». Ela transmitiu-Lhe uma humanidade plena. Foi-Lhe mãe e educadora, infundindo-Lhe a doçura, a delicada fortaleza do seu temperamento e as riquezas da sua sensibilidade. Maravilhoso intercâmbio de dons: Maria que, como criatura, é antes de tudo discípula de Cristo e por Ele remida, ao mesmo tempo, foi escolhida como sua Mãe para plasmar a sua humanidade. Na relação entre Maria e Jesus realiza-se assim, de modo exemplar, o sentido profundo do Natal: Deus fez-Se como nós, para que nos tornássemos, de algum modo, como Ele!

Foi precisamente em virtude deste mistério de amor que não hesitei centralizar a minha mensagem para este primeiro dia do ano, no qual se celebra o Dia Mundial da Paz, num tema exigente e de igual modo vital: «Oferece o perdão, recebe a paz». Bem sei: é difícil perdoar, às vezes parece mesmo impossível, mas é a única via, pois toda a vingança e toda a violência atraem outras vinganças e outras violências. Torna-se com certeza menos difícil perdoar, quando se é consciente de que Deus jamais se cansa de nos amar e de nos perdoar. Quem de nós não tem necessidade do perdão de Deus? A Virgem Santa, a Mãe de Deus, nos encoraje a começar este novo ano com um gesto de amor, se necessário, de reconciliação, com o propósito de contribuir para a edificação dum mundo melhor, marcado pela justiça e pela paz. Jamais nos esqueçamos de que tudo passa e só o eterno pode preencher o coração.

Feliz Ano Novo, cheio de bênçãos do Céu que Jesus Cristo nos trouxe e oferece a todos!


Papa João Paulo II
Angelus, 01 de Janeiro de 1997