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sábado, 1 de agosto de 2009

São Bernardo - Ó minha alma, volta ao Verbo para seres transformada por Ele!



“Ó meu Deus, que não poderia eu, confiante, ousar Convosco, cuja nobre imagem e luminosa semelhança sei que trago em mim? Por que deveria eu temer tão alta Majestade, quando posso confiar na nobreza de minha origem? Ajudai-me a conservar a integridade de minha natureza com a inocência da vida! Ensinai-me a embelezar e honrar, com virtudes e afetos dignos, a Celeste Imagem que trago em mim.

Ó minha alma, volta ao Verbo para seres transformada por Ele, para te tornares igual a Ele na caridade! Se amares perfeitamente, desposar-te-ei com Ele. Haverá coisa mais feliz do que esta conformidade? Haverá coisa mais desejável do que o amor pelo qual tu, minha alma, te aproximas espontânea e confiantemente do Verbo, a Ele constantemente adoras, a Ele familiarmente interrogas e consultas em todas as coisas, tão capaz de entender quanto audaz em desejar?

Este é verdadeiramente contrato de espiritual e santo matrimônio! É o amplexo! Sim, é verdadeiramente amplexo porque um idêntico querer e não querer faz de dois um só espírito”.

São Bernardo de Claraval
In Cantica Cant. 83, 1-3
Oeuvres mystiques de Saint Bernard, Paris, 1953

São Pedro Julião Eymard – Apóstolo do amor à Eucaristia



Festa 02 de agosto

A Eucaristia incendiava seu coração

O centro da vida espiritual de São Pedro Julião Eymard foi sempre a devoção ao Santíssimo Sacramento. O santo dizia: “Sem Ele, eu perderia minha alma”. São Pedro Julião nos relata uma experiência extraordinária em uma procissão de Corpus Christi, enquanto levava o Santíssimo Sacramento em suas mãos:

“Minha alma se inundou de fé e de amor por Jesus no Santíssimo Sacramento. As duas horas se passaram num instante. Pus aos pés do Senhor a Igreja, ao mundo inteiro, a mim mesmo. Meus olhos estavam cheios de lágrimas, como se meu coração fosse um lagar. Quisera eu, nesse momento, que todos os corações estivessem com o meu e se incendiassem com um zelo tal qual o de São Paulo”.

São Pedro Julião Eymard
Colección Les Saints

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Santo Inácio de Loyola – Tomai minha liberdade



Festa 31 de julho

Santo Inácio de Loyola foi o Fundador da Companhia de Jesus (Jesuítas) em 1534. Sua conversão se dá após ser ferido em combate e tendo que se recuperar em casa. Como homem ativo que era, sente dificuldades em permanecer deitado durante sua convalescência e somente encontra algum alívio nas leituras. Acaba absorvido por leituras espirituais, como a vida de Cristo e a biografia de santos. Após sua recuperação, decide fazer uma peregrinação ao Santuário de Montserrat e depois passar um tempo de recolhimento em Manresa, onde inicia os escritos dos Exercícios espirituais, os quais são um importante e seguro guia para a iniciação das almas na vida contemplativa. Os Exercícios espirituais indicam o caminho para a alma seguir até a união com Deus.


"Tomai, Senhor e recebei
toda a minha liberdade, minha memória,
meu entendimento e toda minha vontade
Tudo que tenho e possuo
Vós me destes com amor,e a Vós,
Senhor, vos devolvo com gratidão.
Tudo é vosso;
dispõe de tudo segundo vossa vontade
Dai-me somente o vosso amor e vossa graça,
que isto me basta sem que te peça outra coisa.
Dai-me vosso Amor e Graça,
que elas me bastam."


Exercícios Espirituais 234

Santo Inácio, rogai por nós!



sábado, 25 de julho de 2009

A Luz de Cristo



“A fim de receber no coração a Luz de Cristo, é preciso, tanto quanto possível, desligar-se de todos os objetos visíveis. Tendo antes purificado a alma pela contrição e as boas obras, e cheios de fé em Cristo Crucificado, tendo fechado os olhos de carne, o homem deve mergulhar o espírito no coração para chamar o nome de Nosso Senhor Jesus Cristo; então, na medida de sua assiduidade e fervor para com o Bem Amado, ele encontra no Nome invocado consolo e doçura, o que o incita a buscar um conhecimento mais elevado.

Quando por meio de tais exercícios o espírito se enraíza no coração, a Luz de Cristo vem brilhar no interior, iluminando a alma com sua divina claridade, como diz o profeta Malaquias: ‘Mas para vós, que temeis seu Nome, o sol de justiça brilhará, que tem a cura em seus raios’ (Mal. l 3:20). Esta luz é também a vida, segundo a Palavra do Evangelho ‘De todo ser Ele era a vida, e a vida era a luz dos homens’ (João 1:4).

Quando o homem contempla dentro de si esta Luz eterna, ele esquece tudo o que é carnal, esquece-se a si mesmo e deseja se esconder nas profundezas da terra para não ser privado deste Bem único, Deus”.

São Serafim de Sarov
Extrato das “Instruções Espirituais”
Saint Séraphim – l’Ange de Sarov
Par Valentine Zander – Editions Bénédictines

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Santa Teresa de Los Andes – Fascinada por Deus



Festa 13 de julho

“Que felicidade! Como sou feliz em sacrificar tudo por Deus! Tudo não é nada em comparação com o que Nosso Senhor sacrificou por nós desde o berço até a cruz; desde a cruz até aniquilar-se inteiramente sob a forma de pão. Ele, um Deus, sob as espécies de pão e até a consumação dos séculos. Que grandeza de amor infinito! Amor não conhecido, amor não correspondido pela maioria dos homens.

Como quisera comunicar-te meus sentimentos! Como quisera fazer-te ver o horizonte infinito, belíssimo, incriado, que vivo contemplando! Amo a Deus mil vezes mais que antes, porque antes não o conhecia. Ele se revela e se mostra cada vez mais à alma que o busca sinceramente e que deseja conhecê-lo para amá-lo. Tudo o que é da terra me parece cada vez menor, mais miserável diante desta Divindade que, como Sol infinito, vai iluminando com seus raios minha alma miserável. Oh! Se por um instante pudesses penetrar-me até o íntimo, me verias presa por essa Beleza, por essa Bondade incompreensível... Como quisera prender os corações das criaturas e sujeitá-las ao amor divino! Tu não conheces o céu que, pela misericórdia de Deus, possuo em meu coração. Sim, em minha alma tenho um céu, porque Deus está em minha alma, e Deus é o céu.

Ama e faze o bem para possuir o bem imutável, o Bem infinito, o único que pode preencher e satisfazer tua vontade. Que posso eu? Nada. Absolutamente nada. Une-te a mim no agir, a fim de não ter outro motivo em nossos atos senão Deus. Mas nos separamos se não ages por Ele. Pois que abismo maior pode haver entre as obras feitas por Deus e as que se fazem por uma criatura!

Quando alguém ama, só pode falar do objeto amado. Ainda mais quando o objeto amado reúne em si todas as perfeições possíveis. Não sei como fazer outra coisa senão contemplá-lo e amá-lo. Que queres, se Jesus Cristo, este Louco de amor, me tornou louca? É um martírio o que padeço ao ver que corações nobres e bem nascidos, corações capazes de amar o bem, não amem o bem imutável; que corações agradecidos para com as criaturas não sejam para com Aquele que os sustenta, que lhes dá a vida e os ampara, que lhes dá e lhes deu tudo, até dar-se a Ele mesmo.

Pensa tranqüilamente quem é Deus e quem és tu, e tudo o que lhe deves. Vai a uma igreja, onde Jesus solitário te fale ao coração em místico silêncio. Une-te a mim. Acompanhemos o Deus abandonado e peçamos-lhe nos dê seu santo amor”.

Santa Teresa de Los Andes, ocd
Carta n°107
Obras completas, Editorial Monte Carmelo

domingo, 7 de junho de 2009

SANTÍSSIMA TRINDADE - Reconhecendo a glória da Trindade



Solenidade da Santíssima Trindade
07 de junho

“Reconhecendo a glória da Trindade eterna, adorando a sua omnipotente unidade"

”A verdade sobre a Santíssima Trindade tinha-me sido exposta por teólogos, mas nunca a compreendi como a compreendo agora, depois daquilo que Deus me mostrou. Foram-me representadas três Pessoas distintas, que podem ser consideradas e com quem se pode conviver em separado. Percebi depois que só o Filho encarnou, o que mostra claramente a realidade desta distinção. Estas Pessoas conhecem-se, amam-se e comunicam entre si. Mas, se as três Pessoas são distintas, como dizemos que têm, todas três, uma mesma essência? Com efeito, é nisso que acreditamos; trata-se de uma verdade absoluta, pela qual estaria disposta a sofrer mil vezes a morte. Estas três Pessoas têm um único querer, um só poder, uma única soberania, de tal maneira que nenhuma delas pode coisa alguma sem as outras, e que há um só Criador de tudo quanto foi criado. Poderia o Filho criar uma formiga que fosse sem o Pai? Não, porque Eles têm um mesmo poder. E o mesmo acontece com o Espírito Santo.

Assim, há um só Deus Todo-Poderoso, e as três Pessoas constituem uma só Majestade. Poderá alguém amar o Pai sem amar o Filho e o Espírito Santo? Não, mas aquele que se torna agradável a uma destas três Pessoas torna-se agradável às três, e aquele que ofende uma delas ofende as outras duas. Poderá o Pai existir sem o Filho e sem o Espírito Santo? Não, porque têm uma mesma essência, e onde se encontra uma Pessoa encontram-se as outras duas, porque não podem separar-se.

Como é então que vemos três Pessoas distintas? Como é que o Filho encarnou, sem que o Pai e o Espírito Santo tenham encarnado? Eu não o compreendo; os teólogos sabem explicá-lo. O que eu sei é que as três Pessoas concorreram para esta obra maravilhosa. De resto, não me detenho durante muito tempo em questões deste gênero; o meu espírito passa imediatamente à verdade de que Deus é Todo-Poderoso e de que, tendo-o querido, pôde fazê-lo, e poderia, da mesma maneira, fazer tudo o que quisesse. Quanto menos compreendo estas coisas, mais acredito nelas, e mais devoção delas retiro. Bendito seja Deus para sempre! Amém”.

Santa Teresa de Jesus, ocd
Contas de consciência, nº 33
Obras Completas(Editorial Monte Carmelo)

SANTÍSSIMA TRINDADE – Uma Fonte que brota e inunda



Solenidade da Santíssima Trindade
07 de junho

«Um só Deus, um só Senhor, na trindade das pessoas e na unidade da sua natureza»

Sei de uma fonte que brota e inunda,
Mas fica nas profundezas da noite.

Esta fonte eterna mantém-se escondida;
Mas eu não ignoro onde é que ela nasce,
E é nas profundezas da noite.

Na noite escura a que chamam vida,
Conheço pela fé o seu curso fresco e puro,
Mas é nas profundezas da noite.

Sei, posso dizê-lo, que ela não tem origem,
E contudo sei onde ela tem as raízes,
Mas é nas profundezas da noite…

Nunca o seu fulgor poderá escurecer
Porque só dela brota toda a luz,
Mas é nas profundezas da noite.

Estou seguro que as suas ondas, transbordando sem cessar,
Regam o abismo, a terra, todos os povos,
Mas é nas profundezas da noite.

Ora há uma corrente que nasce desta fonte,
Tão larga e poderosa como a própria fonte,
Mas é nas profundezas da noite.

Das duas primeiras correntes, procede uma terceira;
Não é mais antiga do que as que a produziram,
Mas é nas profundezas da noite.

Sei que todas três são uma só água viva
E que uma da outra vão derivando sem cessar
Mas é nas profundezas da noite.

Esta fonte eterna reune-se toda
No nosso pão vivo para nos dar a vida,
Mas é nas profundezas da noite…

São João da Cruz, Doutor da Igreja
Poema “Canto da alma que conhece Deus pela fé”
Obras completas, Editorial Monte Carmelo

SANTÍSSIMA TRINDADE – Reveste-me, Trindade eterna



Solenidade da Santíssima Trindade
07 de junho

“Ó Trindade eterna, Tu és mar profundo,
no qual quanto mais me abismo,
mais e mais eu te encontro,
e quanto mais te encontro,
mais e mais te procuro.
De ti nunca se poderá dizer: basta!
A alma que se sacia em tuas profundezas
deseja-te sem cessar,
porque está sempre faminta de ti,
sempre desejosa de ver sua luz em tua luz.

Nesta luz eu te conheço,
e Tu estás presente ao meu espírito,
Tu, que és o Bem supremo e infinito,
o Bem acima de todo o bem,
que realiza a verdadeira felicidade.
Tu és a Beleza acima de toda a beleza,
a Sabedoria acima de toda a sabedoria.
Reveste-me, Trindade eterna,
reveste-me de ti mesma,
para que eu passe esta vida
na luz de tua revelação,
que inebriou minha alma”.

Santa Catarina de Sena, Doutora da Igreja
Le Dialogue (P. Lethielleux, Paris, 1913)

SANTÍSSIMA TRINDADE - Oh, meu Deus, Trindade que adoro



Solenidade da Santíssima Trindade
07 de junho

Elevação à Santíssima Trindade

“Ó meu Deus, Trindade que adoro, ajudai-me a esquecer-me inteiramente de mim mesma para fixar-me em Vós, imóvel e pacífica, como se minha alma já estivesse na eternidade. Que nada possa perturbar-me a paz nem me fazer sair de Vós, ó meu Imutável, mas que em cada minuto eu me adentre mais na profundidade de vosso Mistério. Pacificai minha alma, fazei dela o vosso céu, vossa morada preferida e o lugar de vosso repouso. Que eu jamais vos deixe só, mas que aí esteja toda inteira, totalmente desperta em minha fé, toda em adoração, entregue inteiramente à vossa Ação criadora.

Ó meu Cristo amado, crucificado por amor, quisera ser uma esposa para vosso Coração, quisera cobrir-vos de glória, amar-vos... até morrer de amor! Sinto, porém, minha impotência e peço-vos «revestir-me de Vós mesmo», identificar a minha alma com todos os movimentos da vossa, submergir-me, invadir-me, substituir-vos a mim, para que minha vida seja uma verdadeira irradiação da vossa.Vinde a mim como Adorador, como Reparador e como Salvador. Ó Verbo eterno, Palavra de meu Deus, quero passar minha vida a escutar-vos, quero ser de uma docilidade absoluta para tudo aprender de Vós. Depois, através de todas as noites, de todos os vazios, de todas as impotências, quero ter sempre os olhos fixos em Vós e ficar sob vossa grande luz; ó meu Astro amado, fascinai-me a fim de que não me seja mais possível sair da vossa irradiação.

Ó Fogo devorador, Espírito de amor, «vinde a mim» para que se opere em minha alma como que uma encarnação do Verbo: que eu seja para Ele uma humanidade de acréscimo na qual Ele renove todo o seu Mistério.

E Vós, ó Pai, inclinai-vos sobre vossa pobre e pequena criatura, «cobri-a com vossa sombra», vendo nela só o Bem-Amado, no qual «pusestes todas as vossas complacências».

Ó meus Três, meu Tudo, minha Beatitude, Solidão infinita, Imensidade onde me perco, entrego-me a Vós qual uma presa. Sepultai-vos em mim para que eu me sepulte em Vós, até que vá contemplar em vossa luz o abismo de vossas grandezas”.


Beata Elisabete da Trindade, ocd
Obras Completas(Editorial Monte Carmelo)


segunda-feira, 25 de maio de 2009

Santa Maria Madalena de Pazzi - Papa Bento XVI a apresenta como «mestra de espiritualidade» para todos



25 de maio
Memória Facultativa

Papa Bento XVI apresenta Santa Maria Madalena de Pazzi, «mestra de espiritualidade» para todos

Da Carta do Papa Bento XVI ao Arcebispo de Florença, Cardeal Ennio Antonelli, por ocasião das celebrações do IV centenário da morte de Santa Maria Madalena de Pazzi em 29 de abril de 2007

CIDADE DO VATICANO/FLORENÇA, terça-feira, 29 de maio de 2007 (ZENIT.org)- O Papa Bento XVI afirma que a mística italiana Santa Maria Madalena de Pazzi tem o dom, para todos, «de ser mestra de espiritualidade, particularmente para os sacerdotes, por quem teve especial predileção». No IV centenário da morte da Santa carmelita, o Papa anima a que as celebrações por este aniversário «contribuam para dar a conhecer cada vez mais esta luminosa figura, que a todos manifesta a dignidade e a beleza da vocação cristã».

«Assim como na vida, tocando aos sinos, chamava seus irmãos de comunidade com o grito: ‘Vinde amar o Amor!’, que a grande mística, desde Florença, desde seu seminário, desde os mosteiros carmelitas que se inspiram nela, possa ainda hoje fazer ouvir sua voz em toda a Igreja, difundindo o anúncio do amor de Deus por toda criatura humana». É o que deseja o Santo Padre.

São palavras que Bento XVI dirige em uma carta ao Cardeal Ennio Antonelli, Arcebispo de Florença, Itália. O purpurado as leu na sexta-feira passada, na Celebração Eucarística, na Catedral local, pela carmelita, nascida em 2 de abril de 1566 e falecida em 25 de maio de 1607.

Em sua carta, o Papa aprofunda na biografia da Santa florentina, «figura emblemática de um amor vivo que remete à essencial dimensão mística de toda vida cristã», e dá graças a Deus pelo dom da religiosa, «que cada geração se redescubra especialmente próxima em saber comunicar um ardente amor por Cristo e pela Igreja».

«Batizada com o nome de Catarina, desde menina teve uma especial sensibilidade pela vida sobrenatural e se sentiu atraída ao colóquio íntimo com Deus. Fez a Primeira Comunhão pouco antes de completar dez anos; dias depois se entregou para sempre ao Senhor com uma promessa de virgindade.


De nobre família, manteve o desejo de assemelhar-se mais ‘a seu Esposo crucificado’ e amadureceu a decisão de deixar o mundo e entrar no Carmelo de Santa Maria dos Anjos, onde em 1583 recebeu o hábito da comunidade e o nome de irmã Maria Madalena.

Um ano depois, gravemente enferma, pediu para pronunciar a profissão antes do tempo estabelecido. Na Solenidade da Santíssima Trindade, em 27 de maio de 1584, levada ao coro em uma maca, emitiu para sempre ante o Senhor seus votos de castidade, pobreza e obediência.

Desde este momento teve início uma intensa época mística, recorda o Papa, da qual procede a fama dos êxtases da jovem religiosa. Também passou por longos anos de purificação interior, entre provas e grandes tentações, um contexto no qual se marca seu ardente compromisso pela renovação da Igreja.

Como Catarina de Sena, ela se sentiu ‘obrigada’ a escrever algumas cartas para pedir ao Papa, aos cardeais da Cúria, a seu arcebispo e a outras personalidades eclesiásticas um decidido empenho para a ‘Renovação da Igreja’, como diz o título do manuscrito que as contém; foram doze cartas ditadas em êxtase, talvez nunca enviadas, mas que permanecem como testemunho de sua paixão pela ‘Sponsa Verbi’ (Esposa do Verbo, a Igreja, ndr).

Sua dura prova terminou em Pentecostes de 1590; pôde então se dedicar com toda energia ao serviço da comunidade, em particular à formação das noviças.


A Irmã Maria Madalena teve o dom de viver a comunhão com Deus de uma forma cada vez mais interiorizada, convertendo-se em ponto de referência para toda a comunidade, que até hoje continua considerando-a como uma ‘mãe’. O amor purificado que batia em seu coração lhe abriu ao desejo da plena conformidade com Cristo, seu Esposo, até compartilhar com Ele o padecimento da cruz», sublinha o Papa.

«A enfermidade a fez sofrer intensamente os três últimos anos de sua vida, que concluiu na terra em 25 de maio de 1607. Menos de duas décadas depois, o Papa Urbano VIII a proclamou Beata. Em 1669, Clemente IX a incluiu no Catálogo dos Santos.

Seu corpo incorrupto é meta de peregrinações constantes.

O Mosteiro onde a Santa viveu é atualmente sede do Seminário Arcebispal de Florença, que a venera como Padroeira. A cela que ocupou é agora uma Capela.

Santa Maria Madalena de Pazzi permanece como uma presença espiritual para as carmelitas da antiga observância - assinala Bento XVI -, que vêem nela a ‘irmã’ que percorreu inteiramente a via da união transformadora com Deus e que indica em Maria a ‘estrela’ do caminho da perfeição.

Para todos, esta grande Santa tem o dom de ser Mestra de espiritualidade, especialmente para os sacerdotes, pelos quais alimentou sempre uma verdadeira paixão», conclui o Papa Bento XVI.


Santo Padre Papa Bento XVI


Santa Maria Madalena de Pazzi - O Amor não é amado!



Memória Facultativa

25 de maio

“Ó Deus Amor, Amor não amado nem conhecido, Amor, Amor, não me saciarei de chamar-te Amor. O meu coração e meu corpo exultem em Ti, meu Amor. Ó Amor, dá-me uma voz tal que, chamando Amor, eu seja ouvida do Oriente ao Ocidente, e em todos os lugares do mundo, a fim de que por todos Tu sejas conhecido e amado, Amor.

Amor, Amor, Tu és forte e poderoso. Ó Amor, Tu és Deus e homem. Ó Amor, faze com que todas as criaturas te amem, Amor; mas, meu amor, apressa-te, pois como és tão pouco amado!

Ó Amor, por que desejaste fazer aquela tua última Ceia? Ah! Amor, por que querias mostrar o amor que tinhas pela tua criatura!

Ó Amor, Amor, é possível que Tu não tenhas outro nome além de Amor? Entretanto, és tão pobre de nome, ó Amor! Na verdade, tens nomes, e quantos, Amor, mas te agrada mais ser chamado com este de Amor, pois neste Tu mais te deste a conhecer à criatura. Também os santos no céu te chamam por este nome: Amor; dizem sempre Amor, Amor. Jamais cessam de dizer Sanctus, Sanctus, e acrescentam, Amor.

Ó Amor, Amor, feliz e bem-aventurada a alma que tem a ti, Amor, Amor, Amor por tão poucos amado e conhecido.

Quem, Amor, tem amor bastante para louvar-te, Amor?

Se todas as línguas dos homens juntamente com os Anjos, e todas as estrelas do céu, a areia do mar, as plantas da terra, as gotas de água, os pássaros do céu se tornassem línguas para louvar-te, Amor, não seriam suficientes para louvar-te, Amor.

Amor, Amor, concede-o a todas as criaturas e faz, Amor, que todas, todas, todas te amem, Amor, te desejem, Amor, procurem somente a ti, Amor.

Nada mais sei que pedir senão o amor, pois se tenho o amor tenho tudo, e se não o tenho, tudo me falta. Amor, Amor!”


Santa Maria Madalena de Pazzi, O.Carm.
Libro dei colloqui


Santa Maria Madalena de Pazzi – Ó Trindade, concedei a todos a Vossa Luz



Memória Facultativa

25 de maio

“Ó meu Deus, se me achásseis digna de dar a vida pela salvação das vossas criaturas e assim destruir tanto mal, de quanto refrigério isto me seria! Grande coisa é viver e continuamente morrer! Oh, quão grande pena é ver que poderia ajudar as vossas criaturas dando por elas a vida, e não poder fazê-lo! Ó caridade, sois uma lima que, ao mesmo tempo, consumis, pouco a pouco, alma e corpo, e continuamente nutris alma e corpo.

Ó Trindade, ó Pai, ó Verbo, ó Espírito, concedei a cada uma das vossas criaturas a vossa luz para que possam todas elas conhecer sua própria malícia; e a mim, dai-me a graça de poder satisfazer por elas, dando a vida, se necessário for. Por que não posso eu dar a todos esta vossa Luz? Oxalá pudéssemos todos juntos reparar nossas ofensas, se bem que unicamente vossa bondade pode satisfazer-nos cabalmente. Ó bondade imensa, difundi-nos no coração dos vossos eleitos!”


Santa Maria Madalena de Pazzi, O.Carm.
Libro dei colloqui, Coloqui I, Op, v.3


sábado, 23 de maio de 2009

Santa Teresa de Jesus: Enfermos de amor por Ti, meu Senhor



“Ó Deus verdadeiro e Senhor meu! Para a alma afligida pela solidão em que vive na tua ausência, é grande consolo saber que estás em toda a parte. Mas que sentido há nisto, Senhor, quando a força do amor e a impetuosidade desta pena aumentam, e o coração se atormenta, a tal ponto, que nem podemos já compreender nem conhecer tal verdade? A alma percebe apenas que está apartada de Ti, e nenhum remédio admite. Porque o coração que muito ama não consente outros conselhos nem consolos, senão os vindos d'Aquele que o feriu; d'Ele, somente, espera a cura para a pena.

Quando Tu queres, Senhor, depressa saras a ferida que fizeste. Ó meu Bem-Amado, com quanta compaixão, com quanta doçura, bondade e ternura, com quantas mostras de amor Tu saras estas chagas feitas com as setas do teu amor! Ó meu Deus, Tu és o repouso para todas as penas.

Não será loucura vã procurar meios humanos para curar os que vivem enfermos do divino fogo? Quem poderá saber aonde tal ferida chegará, donde vem, e como mitigar tão penoso tormento? Quanta razão tem a esposa do Cântico dos Cânticos, ao dizer: «O meu amado é para mim e eu para Ele!» (Ct 2,16). Porque o amor que sinto não pode ter origem em algo tão baixo como é este meu amor. E, no entanto, Esposo meu, sendo ele assim tão baixo, como entender que seja afinal capaz de superar todas as coisas criadas, para chegar ao seu Criador?”

Santa Teresa d'Ávila,
Monja Carmelita e Doutora da Igreja
Obras Completas(Editorial Monte Carmelo)


sábado, 2 de maio de 2009

Vida interior, vida de oração



“Persevera na oração. Persevera, ainda que o teu esforço
pareça estéril. A oração é sempre fecunda”

São Josemaría Escrivá
Caminho 101


“Vida interior, em primeiro lugar. Como são poucos ainda os que a entendem! Ao ouvirem falar de vida interior, pensam na escuridão do templo, quando não no ambiente rarefeito de certas sacristias. Há mais de um quarto de século venho dizendo que não é isso. O que descrevo é a vida interior de um simples cristão, que habitualmente se encontra em plena rua, ao ar livre; e que na rua, no trabalho, na família e nos momentos de lazer permanece atento a Jesus o dia todo. E o que é isso senão vida de oração contínua? Não é verdade que compreendeste a necessidade de ser alma de oração, com uma relação de amizade com Deus que te leve a endeusar-te? Essa é a fé cristã e assim o compreenderam sempre as almas de oração. Escreve Clemente de Alexandria: ‘Torna-se Deus o homem que quer o mesmo que Deus quer (Pædagogus, 3, 1, 1, 5)’.

A princípio custa. É preciso esforçar-se por dirigir o olhar para o Senhor, por agradecer a sua piedade paternal e concreta para conosco. Pouco a pouco, o amor de Deus - embora não seja coisa de sentimentos - torna-se tão palpável como uma flechada na alma. É Cristo que nos persegue amorosamente: ‘Eis que estou à tua porta e bato’ (Ap 3,20). Como vai a tua vida de oração? Não sentes às vezes, durante o dia, desejos de conversar mais com Ele? Não lhe dizes: mais tarde te contarei isto, mais tarde conversarei sobre isto contigo?

A oração se torna contínua, como o palpitar do coração, como o pulso. Sem essa presença de Deus, não há vida contemplativa; e, sem vida contemplativa, de pouco vale trabalhar por Cristo, porque, se Deus não edifica a casa, em vão trabalham os que a constroem.


Não sabes o que dizer ao Senhor na oração. Não te lembras de nada, e, no entanto, quererias consultá-Lo sobre muitas coisas. Olha: durante o dia, toma algumas notas sobre os assuntos que desejes considerar na presença de Deus. E depois, serve-te dessas notas na oração.

A vida de oração e de penitência, e a consideração da nossa filiação divina, nos transformam em cristãos profundamente piedosos, como crianças diante de Deus. A piedade é a virtude dos filhos e, para que o filho possa confiar-se aos braços de seu pai, deve ser e sentir-se pequeno, necessitado. Tenho meditado com frequência nessa vida de infância espiritual, que não se opõe à fortaleza porque exige uma vontade enérgica, uma maturidade temperada, um caráter firme e aberto.

Não saímos nunca do mesmo: tudo é oração, tudo pode e deve levar-nos a Deus, alimentar esse convívio contínuo com Ele, da manhã até à noite. Todo o trabalho honrado pode ser oração; e todo o trabalho que for oração, é apostolado. Desse modo, a alma se enrijece numa unidade de vida simples e forte”.


São Josemaría Escrivá
É Cristo que passa 8, 10
Caminho, 97


sábado, 28 de março de 2009

A Voz do silêncio



"A Voz do silêncio

Introversão

É de todo necessário a volta ao interior, entrar dentro de nós mesmos, para que Deus nasça na alma. Urge alcançar um forte impulso de recolhimento, recolher e introduzir todas as nossas potências, inferiores e superiores, e trocar a dispersão pela concentração, pois, como dizem, a união faz a força. Quando um atirador pretende um golpe certeiro no branco, fecha um olho para fixar melhor com o outro. Assim também quem quer conhecer algo a fundo necessita que todos os seus sentidos convirjam a um mesmo ponto a fim de dirigi-los ao centro da alma de onde saíram.

Ao encontro do Senhor

Assim, nos teremos disposto para sair ao encontro do Senhor. Saiamos agora e avancemos por cima de nós mesmos até Deus. É necessário renunciar a todo querer, desejar ou atuar próprio. Nada mais que a intenção pura e desnuda de buscar só a Deus, sem o mínimo desejo de buscar-se a si mesmo nem coisa alguma que possa redundar em seu proveito. Com vontade plena de ser exclusivamente para Deus, de conceder-lhe a morada mais digna, a mais íntima a fim de que Ele nasça e leve a cabo a sua obra em nós, sem impedimento algum.

Com efeito, para que haja fusão entre duas coisas é necessário que uma seja paciente e a outra se comporte como agente. Unicamente quando o olho está limpo é que poderá ver um quadro pregado na parede ou qualquer outro objeto. Isso seria impossível se houvesse outra pintura gravada na retina. O mesmo ocorre com o ouvido: enquanto um ruído lhe ocupa, está impedido de captar outro. Como conclusão, o recipiente é tanto mais útil quanto mais puro e vazio.

A isto se referia Santo Agostinho quando disse: “Esvazia-te para seres preenchido, sai para entrar”. E em outro lugar: “Oh, tu, alma nobre, nobre criatura, porque buscas fora a quem está plena e manifestadamente dentro de ti? És partícipe da natureza divina, porque então escravizar-te às criaturas?”.


Vazio e plenitude

Se de tal modo o homem preparasse a sua morada, o fundo da alma, Deus o preencheria sem dúvida alguma, se lhe daria em abundância. Romperiam-se os céus para preencher o vazio.

A nossa natureza tem horror ao vazio, dizem. Então, quanto seria contrário ao Criador e à sua justiça, abandonar uma alma assim disposta! Escolhe pois um dos dois: calar, tu, e falar Deus ou falar, tu, para que Ele se cale. Deves fazer silêncio.

Então, será outra vez pronunciada a Palavra que tu poderás entender e nascer: Deus na alma. Em troca, tens por certo que se tu insistires em falar, nunca ouvirás a sua Voz. Manter nosso silêncio, aguardando a escuta do Verbo é o melhor serviço que lhe podemos prestar. Se saíres de ti completamente, Deus de novo se te dará em plenitude. Porque à medida que tu sais, Ele entra. Nem mais nem menos.

Silêncio da alma

A esse sossego do espírito se refere o cântico da Missa que começa: “Quando um sossegado silêncio tudo envolvia” (Sb 18, 14). Em pleno silêncio, toda a criação calava na mais alta paz da meia noite. Então, oh Senhor, a Palavra onipotente deixou seu Trono para acampar em nossa tenda (Liturgia de Natal). Será então, no ponto culminante, no apogeu do silêncio, quando todas as coisas ficaram submersas na calma, somente então, se fará sentir a realidade desta Palavra. Porque, se queres que Deus fale, faz falta que tu cales. Para que Ele entre, todas as coisas deverão ter saído”.


Johannes Tauler, O.P. (Juan Tauler/1300-1361)
Instituciónes, Temas de oración


quarta-feira, 25 de março de 2009

O Silêncio



“O silêncio tem uma dupla maneira de se impor a nós: provém da nossa pobreza ou brota de uma plenitude. Frequentemente é necessário que o silêncio nos chegue através do sentimento de nossa pobreza. Isto acontece muito simplesmente quando nos damos conta de que não somos capazes de pronunciar a palavra como se deveria. Jesus se mostrou severo em confronto com as palavras inúteis pronunciadas pelo fiel com leviandade (cf. Mt 12, 36). A palavra foi dada ao homem para dar testemunho da Palavra de Deus, para dar graças, bendizer e adorar a Deus. Ao invés disso, nossas palavras tornaram-se uma das ocasiões mais fáceis para ofender a Deus, para ferir os irmãos e assim, faltar com a caridade, infringir a lei do amor. Uma certa discrição no falar é sinal de que somos conscientes disto e de que desejamos sinceramente não pronunciar outras palavras senão aquelas que chegaram à maturidade em nosso coração. Um tal silêncio provém, antes de tudo, de um vazio em nós, mas de um vazio lucidamente vivido e aceito.

Mas existe um outro silêncio: aquele que brota de uma plenitude que existe em nós. Santo Isaac, o sírio, escrevia: «Esforça-te, antes de tudo, por calar-te. Disto nascerá em nós o que nos conduzirá ao silêncio. Que Deus te conceda, então, de sentir o que nasce do silêncio. Se fazes assim, levantar-se-á em ti uma luz que não sei explicar. Da ascese do silêncio nasce no coração, com o tempo, um prazer que impele o corpo a permanecer pacientemente na paz. E vêm as lágrimas abundantes, primeiro no sofrimento, depois no êxtase. O coração, então, sente o que discerne no profundo da contemplação maravilhosa».


Este silêncio é já oração ou, segundo ainda Santo Isaac, «linguagem dos séculos vindouros». O silêncio testemunha a plenitude da vida de Deus em nós, plenitude que deve renunciar a toda palavra humana para exprimi-la de maneira adequada. Por um certo tempo, somente as palavras da Bíblia conseguem ainda expressá-la um pouco, mas depois chega o momento, no qual somente o silêncio pode dar conta da extraordinária riqueza que nos foi dado descobrir no nosso coração.

É este um silêncio que se impõe com doçura e com força ao mesmo tempo, mas de dentro para fora. A oração torna-se lei de si mesma. Ela faz compreender quando é necessário calar e quando é necessário falar. É puríssimo louvor, e ao mesmo tempo, uma assombrosa irradiação. Um silêncio assim jamais fere alguém. Ele estabelece ao redor do silencioso uma zona de paz e de quietude, na qual Deus pode ser percebido como presente, de maneira irresistível. «Guarda o teu coração na paz», dizia São Serafim de Sarov, «e uma multidão ao teu redor será salva».

Louf, A., La voie cistercienne, 97-98.


sábado, 21 de março de 2009

A Vida Interior



“Jesus, nos Evangelhos, é o Divino Semeador, que por todos os caminhos vai derramando os tesouros de amor de um Coração ávido de aproximar dos homens a Verdade e a Vida. Transmite, às almas e à Igreja, essa chama, dom de seu Amor, difusão de sua Vida, expressão de sua Verdade, reflexo de sua Santidade. Que essa chama chegue até as almas que, com todo o zelo e ardor, se expõem pela atividade em seus trabalhos, com o perigo de não serem, antes de tudo, almas de vida interior, e que talvez algum dia, amarguradas por fracassos inexplicáveis em aparência ou por graves danos em seus espíritos, possam sentir a tentação de abandonar a luta e recolherem-se em suas tendas cheias de abatimento. Que todos possam compreender a necessidade de sua vida não ser apenas piedosa, mas profundamente interior, a fim de que seu zelo ganhe eficácia, dando inúmeros frutos e perfumando tudo e todos com o Espírito de Cristo, que lhes dará a sua Paz inalterável, a qual, embora através de quaisquer provas, por mais duras que possam ser, será sempre a sua fiel companhia.

“Eu vim para que todos tenham vida” (Jo 10,10). Estas palavras são tão precisas como luminosa é a parábola da videira e dos sarmentos com que o Mestre clareia esta verdade. Com que insistência quer gravar no coração de suas almas o princípio fundamental de que só Ele, Jesus, é a VIDA, e que para participar desta vida e comunicá-la aos demais, é preciso ser um imitador seu, mediante uma vida interior com Ele. Quem aceitar a honra de colaborar com Jesus na transmissão desta vida divina às almas, deve refletir que são apenas canais ligados à essa Fonte única, para tomar dela a vida a ser distribuída. Que as almas se ocupem das obras juntamente com a prática da vida interior, a fim de que possam agir e saber sempre que Jesus é o único princípio da Vida. Eis aqui a enorme importância da vida interior, a única que pode fazer das obras exteriores um ministério frutuoso e pleno de amor e serviço aos irmãos.



Mas o que é vida interior?

A vida interior, também chamada vida contemplativa, é o caminho que a alma trilha dentro de si mesma em busca da intimidade com Cristo e de viver no seu amor; vida interior essa, que vai infundindo na alma a graça santificante que a transfigura em doação e amor a Deus e a todos os irmãos, em uma incessante imitação de Cristo Amor.

A vida interior visa entre muitas outras coisas, estimular as almas que preferem o descanso ao trabalho; fortificar as almas adormecidas no egoísmo que fomenta a inatividade; sacudir a indiferença dos indolentes, induzir a uma quietude interior que permita ouvir a Voz do Senhor e a fazer a sua Vontade, livrar das perturbações provenientes do orgulho e vaidade por obras realizadas; ajudar aos esforços que a alma faz para adquirir as virtudes; conduzir o caminho para Deus.

Os caminhos de Deus levam ao selo da sabedoria e da bondade e, por isso mesmo, o caminho das almas entregues à vida interior é verdadeiramente maravilhoso. Quando essas almas sabem oferecer-se a Deus e por amor a Deus nessa vida interior, a pena que lhes produz o privar-se de Deus em obséquio das obras de Deus, é verdadeiramente grande. Essa pena tem a sua paga, porque graças a ela desaparecem os perigos de dissipação, amor próprio e afeições desordenadas; também as faz mais reflexivas e fomenta nelas a prática da presença de Deus, porque a alma encontra na graça do momento presente a Jesus vivente, que se oferece oculto na obra que realiza, trabalhando com ela e sustentando-a.

O trabalho da vida interior é importantíssimo porque não aperfeiçoa a alma em uma profissão determinada mas em sua própria formação. O esforço constante em dominar-se a si mesma para trabalhar pelos irmãos, pela Igreja e pela glória de Deus é o ideal da alma que quer adquirir a vida interior e dar muitos frutos no mundo junto a seus irmãos. E para consegui-lo, a alma põe todo o seu esforço em estar sempre unida a Jesus em uma vida interior de intimidade e amor ao Salvador”.


D. Jean-Baptiste Gustave Chautard
L’âme de tout Apostolat


sábado, 3 de janeiro de 2009

Um só Espírito




“A mensagem de esperança que o contemplativo lhe oferece é que, entenda você ou não, Deus o ama, está presente em você, habita em você, o chama, salva-o e lhe oferece um entendimento e uma luz que você jamais encontrou em livros nem ouviu em palestras ou sermões. O contemplativo nada tem a lhe dizer que não seja reafirmar e dizer que, se ousar penetrar no seu próprio silêncio interior e arriscar dividir a solidão encontrada com outros solitários que buscam a Deus por seu intermédio, realmente recuperará a luz e a capacidade de entender o que está além das palavras e além das explicações, porque está próxima demais para ser explicada: é a união íntima, na profundeza de seu próprio coração, do espírito de Deus e do seu próprio eu particular, de forma que você e Ele são, em verdade, um só Espírito.”

Thomas Merton, Carta a Dom Francis Decroix, de 21 de agosto de 1967, publicada em The Hidden Ground of Love.


segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Para contemplar





"Para contemplar basta elevar o coração a
Deus com o simples e amoroso desejo
de estar com Ele e esperar".


Pedro Finkler