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domingo, 14 de março de 2010

Chiara Lubich – Dois anos sem Chiara




Chiara Lubich
Fundadora dos Focolares

14 de março de 2008
14 de março de 2010


“A ARTE DE AMAR

O amor que Deus
colocou nos nossos corações
não faz distinções,
é um amor dirigido a todos.

Não admite discriminações
entre o simpático ou o antipático,
o instruído ou o ignorante,
o amigo ou o inimigo...
Todos devem ser amados.

Mas existe uma medida nesse amor:
amar o próximo como a si mesmo.
Colocar o próximo no nosso mesmo nível.
Isto deve ser atuado ao pé da letra.

O amor cristão não é o do mundo,
onde muitas vezes amamos
porque somos amados...

O amor cristão é o primeiro a amar,
não espera ser amado.
Como Jesus, que morreu na cruz por nós.
Deu-nos a vida, por primeiro.

Esta é a grande arte de amar:
Amar todos.
Amar como a si mesmo.
Ser os primeiros a amar.

Existe ainda um modo típico e
prático para atuar este amor:
é "fazer-se um" com o próximo.
Sofrer com quem sofre,
alegrar-se com quem se alegra,
carregar os pesos dos outros.
Viver, num certo sentido, o outro;
como Jesus que, sendo Deus,
se tornou homem, por amor.

"Fazer-se um" com todos,
em tudo, exceto no pecado.
Viver o outro, viver os outros.

Este é um grande ideal”.


Chiara Lubich
Focolares


Chiara Lubich – Jesus viveu por amor, irradiando amor, doando amor, trazendo a lei do amor



Chiara Lubich
Fundadora dos Focolares

14 de março de 2008
14 de março de 2010


Jesus viveu por amor, irradiando amor, doando amor, trazendo a lei do amor

"Eu sou o caminho, a verdade e a vida" (Jo 14,6)

Talvez não exista nos Evangelhos uma definição mais elevada e mais completa de Jesus do que esta, a de que Ele, Jesus, dá de si mesmo. É uma síntese da sua missão e da sua identidade. E ela é comunicada a nós, para que possamos encontrar nele o caminho mais seguro, o único que leva ao Pai. Com efeito, o versículo se conclui com as palavras: "Ninguém vai ao Pai senão por mim". Com as suas palavras Jesus nos revela aquilo que Ele é em si mesmo, e o que Ele é para cada homem e mulher desta terra.

«Eu sou o caminho, a verdade e a vida»

De que modo Jesus nos revela que Ele é a verdade? Dando testemunho da verdade com a sua vida e seu ensinamento. "Para isso nasci e para isto vim ao mundo: para dar testemunho da verdade" (Jo 18,37). Nós vivemos de acordo com a verdade, nós somos verdade, na medida em que somos a Palavra de Jesus. Mas, se Jesus é o caminho enquanto é a verdade, também é o caminho enquanto é vida para nós. "Eu vim para que tenham a vida e a tenham em abundância" (Jo 10,10). Quando nos nutrimos dele feito Pão na Eucaristia, bem como quando nos nutrimos de sua Palavra, Cristo cresce em nós.

E para que esta vida que existe em nós não se apague, nós, por nossa vez, devemos comunicá-la do único modo que Jesus nos ensinou: oferecendo-a como um dom aos nossos próximos.

«Eu sou o caminho, a verdade e a vida»

"Preparai o caminho do Senhor" (Lc 3,4), gritava o Batista no deserto de Judá, fazendo eco ao profeta Isaías. E aí está Aquele que se apresenta como o Senhor-Caminho, como Deus feito homem para que tenhamos acesso ao Pai por meio de sua humanidade.
Mas, qual foi o caminho usado por Jesus?

Sendo Filho de Deus, que é Amor, Jesus veio a esta terra por amor, viveu por amor, irradiando amor, doando amor, trazendo a lei do amor, e morreu por amor. Depois, ressuscitou e subiu ao Céu, realizando o seu plano de amor. Pode-se dizer que o caminho percorrido por Jesus tem um só nome: amor. E que nós, para segui-lo, devemos caminhar por esse caminho: o caminho do amor.

Mas, o amor que Jesus viveu e que Ele trouxe é um amor especial, único. Não é filantropia, nem simplesmente solidariedade ou benevolência, nem mesmo apenas amizade ou afeto; nem sequer é somente não-violência. É algo de excepcional, de divino: é o próprio amor que arde em Deus. Jesus nos deu uma chama daquele infinito incêndio, um raio daquele imenso sol: amor divino aceso no nosso coração pelo batismo e pela fé, alimentado pelos outros sacramentos, que é um dom de Deus mas que pede toda a nossa parte, a nossa correspondência.

Devemos fazer frutificar esse amor. De que modo? Amando. Não somos plenamente cristãos sem esta nossa contribuição segura. Amando, seguiremos Jesus-Caminho e seremos, como Ele, caminho até o Pai, para muitos de nossos irmãos e irmãs. E seremos cristãos mais convincentes se vivermos juntos este mandamento do amor que Jesus nos deu.

Embora ainda não exista a plena unidade entre nós, entre todos os seguidores de Jesus, podemos demonstrar o amor recíproco com a vida. Com isto temos a possibilidade de ver realizada uma promessa de Jesus: "Onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome - que alguns Padres da Igreja interpretam 'no meu amor' - ali estou eu no meio deles" (Mt 18,20).

Nós, cristãos, podemos gozar desde já deste dom da presença de Jesus, por exemplo entre um católico e um anglicano, entre uma ortodoxa e uma metodista, entre um valdense e um armênio. Jesus no meio dos seus! Desse modo será Ele a dizer ao mundo que ainda não o conhece: "Eu sou o caminho, a verdade e a vida".

Neste mês, sejamos também mais conscientes de que, acima de tudo, a unidade dos cristãos é uma graça e que, portanto, é preciso pedir esse dom. Contemos com a oração feita em conjunto, porque Jesus disse: "Se dois de vós estiverem de acordo na terra sobre qualquer coisa que queiram pedir, isso lhes será concedido por meu Pai que está nos céus" (Mt 18,19).


Chiara Lubich
Palavra de vida, Janeiro de 2001
Focolares

terça-feira, 28 de julho de 2009

Beato Tito Brandsma – O amor voltará a ganhar o mundo



Festa 27 de julho

Beato Tito Brandsma, Sacerdote Católico em um campo de concentração, ensina que o amor voltará a ganhar o mundo inteiro.

O amor voltará a ganhar o mundo inteiro

Um pastor protestante dizia de Tito Brandsma: “Nosso querido irmão em Cristo é realmente um mistério da graça!”. A graça é o que explica o que havia na alma daquele homem santo e o que lhe impulsionou a viver e amar a todos com tanta boa vontade e perdoar com tanta sinceridade: era a manifestação cada vez mais clara da graça de Cristo. Este era o segredo de sua entrega total pelos demais, a fonte de sua profunda e pura caridade. Tito sabia que tudo se devia à graça, à vida divina que atuava nele. As palavras de Cristo: “Sem Mim nada podeis fazer” (Jo 15, 5), eram o princípio que regia toda a sua vida quotidiana.

Em suas próprias palavras, Tito deixou por escrito seu ilimitado amor e sua enorme capacidade de querer bem. E é através dessas palavras que descobrimos a profundidade de sua alma ante o ambiente de ódio - difícil de imaginar e se igualar – que sofreu durante os últimos anos de sua vida: “Embora o neo-paganismo não queira mais o amor, o amor voltará a ganhar o amor dos pagãos. A prática da vida faz o amor ser sempre de novo uma força vitoriosa, que conquistará e manterá unidos os corações dos homens”.


Padre Rafael Arce Gargollo
Cit.por encuentra.com


segunda-feira, 13 de julho de 2009

Santa Teresa de Los Andes – Fascinada por Deus



Festa 13 de julho

“Que felicidade! Como sou feliz em sacrificar tudo por Deus! Tudo não é nada em comparação com o que Nosso Senhor sacrificou por nós desde o berço até a cruz; desde a cruz até aniquilar-se inteiramente sob a forma de pão. Ele, um Deus, sob as espécies de pão e até a consumação dos séculos. Que grandeza de amor infinito! Amor não conhecido, amor não correspondido pela maioria dos homens.

Como quisera comunicar-te meus sentimentos! Como quisera fazer-te ver o horizonte infinito, belíssimo, incriado, que vivo contemplando! Amo a Deus mil vezes mais que antes, porque antes não o conhecia. Ele se revela e se mostra cada vez mais à alma que o busca sinceramente e que deseja conhecê-lo para amá-lo. Tudo o que é da terra me parece cada vez menor, mais miserável diante desta Divindade que, como Sol infinito, vai iluminando com seus raios minha alma miserável. Oh! Se por um instante pudesses penetrar-me até o íntimo, me verias presa por essa Beleza, por essa Bondade incompreensível... Como quisera prender os corações das criaturas e sujeitá-las ao amor divino! Tu não conheces o céu que, pela misericórdia de Deus, possuo em meu coração. Sim, em minha alma tenho um céu, porque Deus está em minha alma, e Deus é o céu.

Ama e faze o bem para possuir o bem imutável, o Bem infinito, o único que pode preencher e satisfazer tua vontade. Que posso eu? Nada. Absolutamente nada. Une-te a mim no agir, a fim de não ter outro motivo em nossos atos senão Deus. Mas nos separamos se não ages por Ele. Pois que abismo maior pode haver entre as obras feitas por Deus e as que se fazem por uma criatura!

Quando alguém ama, só pode falar do objeto amado. Ainda mais quando o objeto amado reúne em si todas as perfeições possíveis. Não sei como fazer outra coisa senão contemplá-lo e amá-lo. Que queres, se Jesus Cristo, este Louco de amor, me tornou louca? É um martírio o que padeço ao ver que corações nobres e bem nascidos, corações capazes de amar o bem, não amem o bem imutável; que corações agradecidos para com as criaturas não sejam para com Aquele que os sustenta, que lhes dá a vida e os ampara, que lhes dá e lhes deu tudo, até dar-se a Ele mesmo.

Pensa tranqüilamente quem é Deus e quem és tu, e tudo o que lhe deves. Vai a uma igreja, onde Jesus solitário te fale ao coração em místico silêncio. Une-te a mim. Acompanhemos o Deus abandonado e peçamos-lhe nos dê seu santo amor”.

Santa Teresa de Los Andes, ocd
Carta n°107
Obras completas, Editorial Monte Carmelo

Santa Teresa de Los Andes – Apóstola da Eucaristia



Festa 13 de julho

“Tens de ser muito agradecida a Ele e deves dar-te a Ele: comungar todos os dias. Quando terei esta grande alegria de saber que, antes de iniciar teus estudos, vais receber nosso Senhor que a está esperando desde uma eternidade, já que Ele sabia as sagradas hóstias que consumirias? Oxalá minhas palavras não caiam em terreno árido, e que em tua próxima carta me digas que te unes a mim diariamente na comunhão. Para mim é inconcebível que, tendo ansiado por ser feliz, não busques Jesus. Depois de comungar temos tudo, porque temos Deus, que é nosso céu no desterro. Dir-me-ás que não sentes nada dessa felicidade. Mas então, eu te pergunto como te preparaste. Tomaste conhecimento da grandeza de Deus e do amor infinito que te manifesta ao reduzir-se a hóstia? Quando comungares reflete sobre o que vais fazer: todo um Ser eterno, que não necessita de ti para nada, visto que é Todo-Poderoso, um Ser imenso que está em todo lugar, um Ser infinito e majestoso diante do qual os anjos tremem, e com toda a sua pureza, este Ser vem cheio de infinito amor por ti, pobre criatura, cheia de pecados e misérias. Entre tantas pessoas que existem no mundo, és tu honrada com a visita desse grande Rei. Mais ainda: para que te aproximes a recebê-lo, Ele deixa seu esplendor e, sob a forma de pão, do mais simples dos alimentos, se une a sua pobre criatura, para tornar-se uma mesma coisa com ela. E Ele está ardendo em infinito amor, e ela permanece fria e indiferente, sem agradecer tão notável favor.

Perdoa-me meu sermão; mas te quero tanto e desejo que sejas muito boa; e, para isso, deves comungar. Quando, um dia, nos encontrarmos no céu, que pela misericórdia de Deus obteremos, agradecerás por te ter pedido tanto a comunhão diária, porque compreenderás que nela reside o germe da vida eterna”.

Santa Teresa de Los Andes, ocd
Carta n°117
Obras completas, Editorial Monte Carmelo

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Chiara Lubich – A Fonte da vida está em ti



«A fonte da vida está em ti.» (Sl 36,10)

“Não foi suficiente para o amor do Pai pronunciar a Palavra com a qual tudo foi criado. Ele quis que a sua própria Palavra assumisse a nossa carne. Deus, o único verdadeiro Deus, fez-se homem em Jesus e trouxe à terra a fonte da vida. A fonte de todo o bem, de todo o ser e de toda a felicidade veio ficar entre nós, para que a tivéssemos, por assim dizer, ao alcance de nossas mãos. «Eu vim para que tenham a vida, e a tenham em abundância», disse Jesus. Ele preencheu de si cada momento e espaço da nossa existência. E quis permanecer conosco para sempre, de modo a ser reconhecido e amado sob as mais diferentes vestes. Às vezes chegamos a pensar: "Como seria bom viver no tempo de Jesus!" Pois bem, o seu amor inventou um modo de permanecer em todos os pontos da Terra. Conforme a sua promessa, Ele se faz presente na Eucaristia. E ali podemos saciar a nossa sede para nutrir e renovar a nossa vida.

«A fonte da vida está em ti.»

Outra fonte de onde extrair a água viva da presença de Deus é o irmão, a irmã. Se nós amamos cada próximo que passa ao nosso lado, especialmente o mais necessitado, não podemos considerá-lo um nosso beneficiado, mas um nosso benfeitor, porque ele nos doa Deus. De fato, amando Jesus nele - «Pois eu estava com fome, estava com sede, eu era estrangeiro, estava na prisão» - recebemos em troca o seu amor, a sua vida, porque Ele mesmo, presente nos nossos irmãos e irmãs, é a nascente para nós.



Uma fonte rica de água é também a presença de Deus dentro de nós. Ele sempre nos fala, e cabe a nós escutar a sua voz que fala na nossa consciência. Quanto mais nos esforçamos em amar a Deus e o próximo, tanto mais a sua voz se torna forte e supera todas as outras. Mas existe um momento privilegiado no qual, como em nenhum outro, podemos gerar a sua presença dentro de nós: é quando rezamos e procuramos aprofundar o nosso relacionamento direto com Ele, que habita no fundo do nosso coração.

É comparado ainda a um profundo lençol d'água que jamais seca, que está sempre à nossa disposição e que pode saciar a nossa sede a cada instante. Bastará fechar por um momento as janelas da alma e recolher-nos para encontrar esse manancial, mesmo estando no mais árido deserto. Até alcançar aquela união com Ele na qual sentimos que não estamos mais sós, e somos dois: Ele em mim e eu n'Ele. Todavia, somos um - por sua graça - como a água e a nascente, a flor e a sua semente.

A Palavra do Salmo nos lembra que somente Deus é a fonte da vida e, por isso, da comunhão plena, da paz e da alegria. Quanto mais nos saciarmos desta fonte, quanto mais vivermos desta água viva que é a sua Palavra, tanto mais nos aproximaremos uns dos outros e viveremos como irmãos e irmãs. Então se realizará, como continua o Salmo: «Quando nos iluminais, vivemos na luz», aquela mesma luz que a humanidade espera.”

Chiara Lubich
Fundadora dos Focolares
Palavra de vida, Jan de 2002

domingo, 28 de junho de 2009

DIA DO PAPA – Tu és Pedro!





"Tu és Pedro
e sobre esta Pedra
edificarei a minha Igreja!"







Ao Santo Padre Bento XVI,

nossa sempre fiel oração e

a nossa efetiva e sincera obediência!


DIA DO PAPA – Sobre ti construirei a minha Igreja



Crendo na Luz, torna-se luz para o mundo

“Jesus retribui o testemunho que o Apóstolo Pedro dera sobre ele. Pedro havia dito: ‘Tu és Cristo, o Filho do Deus vivo’ (Mt 16,16). Sua profissão de fé sincera recebe a recompensa: ‘Feliz és tu, Simão, filho de Jonas, porque não foi carne e sangue quem te revelou isso, mas o meu Pai’ (Mt 16,17). O que carne e sangue não pôde te revelar, a graça do Espírito Santo te revelou. Portanto, sua profissão de fé mereceu-lhe um nome indicando que sua revelação proveio do Espírito Santo, de quem ele é também chamado filho. De fato, Bar Iona significa em nossa língua ‘filho da pomba’.

Quanto às palavras: ‘Não foi carne e sangue quem te revelou isso’, compara com a narrativa do Apóstolo, quando diz: ‘Para que o anunciasse, não consultei carne e sangue’ (Gl 1,16). Por carne e sangue ele designa aqui os judeus. Ainda nesta passagem, por outras palavras, mostra-se que não foi a doutrina dos fariseus, mas a graça divina que lhe revelou Cristo, o Filho de Deus.

‘Por isso te digo’ (Mt 16,18). Por que afirma: ‘Eu te digo?’ ‘Porque me disseste: Tu és Cristo, o Filho do Deus vivo, eu também te digo não uma palavra inútil ou sem efeito, mas te digo, pois para mim, ter dito é ter feito: Tu és Pedro, e sobre esta pedra construirei a minha Igreja’ (Mt 16,18).

Sendo Ele mesmo a luz, transmitiu aos apóstolos a luz para que fossem chamados luz do mundo, bem como por outros nomes que o Senhor lhes deu. De igual modo, a Simão, que acreditava na Pedra que é Cristo, Ele deu o nome de Pedro. E prosseguindo sua metáfora da pedra, disse-lhe com sinceridade: ‘sobre ti eu construirei a minha Igreja’.

‘E as forças do Inferno não poderão vencê-la’ (Mt 16,18). Pela expressão forças do Inferno, eu entendo os vícios e pecados que seduzem os homens e os levam ao inferno. Portanto, ninguém creia que se trata de morte ou que os apóstolos não estariam submetidos à lei da morte, eles dos quais vemos resplandecer o martírio”.

São Jerônimo, Doutor da Igreja
Do Comentário sobre o Evangelho de São Mateus

São Pedro e São Paulo - Duas colunas, um só amor!



Solenidade
28 de junho

“Vós sabeis, irmãos, como entre todos os apóstolos e mártires de nosso Senhor, estes dois, cuja solenidade hoje celebramos, parecem ter uma particular dignidade. Não é de admirar! Foi a eles que, de modo muito especial, o Senhor confiou a Santa Igreja.

Com efeito, quando São Pedro proclamou que o Senhor era o Filho de Deus, este lhe respondeu: ‘Tu és Pedro, e sobre esta pedra construirei a minha Igreja. Eu te darei as chaves do Reino dos Céus’ (Mt 16,18.19). Foi ainda o Senhor que, de certo modo, deu-lhe São Paulo por companheiro, como afirma o próprio Paulo: ‘O mesmo que tinha preparado Pedro para o apostolado entre os judeus preparou também a mim para o apostolado entre os pagãos’ (Gl 2,8). São eles que, através do profeta, o Senhor prometeu à santa Igreja, dizendo: ‘A teus pais sucederão teus filhos’ (Sl 44[45],17). Os pais da santa Igreja são os santos patriarcas e profetas, os primeiros que ensinaram a lei de Deus e anunciaram a vinda de nosso Senhor. Se antes de sua vinda cessaram as profecias, isto se deve aos pecados do povo.

Veio, pois, nosso Senhor e, em lugar dos profetas, escolheu os santos apóstolos, realizando assim o que predissera o profeta: A teus pais sucederão teus filhos. Vede como ele declara ser a dignidade dos apóstolos bem maior que a dos profetas. Estes foram príncipes de um só povo, viveram em uma única nação e em uma só parte da terra; enquanto sobre os apóstolos, ele diz: ‘Deles farás príncipes sobre toda a terra’ (Sl 44[45],17). Que terra existe, irmãos, onde não se reconheça o poder e a dignidade destes apóstolos?

São eles as colunas que, com a doutrina, a oração e o exemplo da própria paciência, sustentam a santa Igreja. Foi nosso Senhor quem tornou inabaláveis estas colunas. No começo eram muito frágeis, não podendo sustentar-se nem a si nem aos outros. Mas isso correspondia a um admirável desígnio de nosso Deus pois, se sempre tivessem sido fortes, outros poderiam pensar que esta graça provinha deles mesmos. Desse modo, nosso Senhor quis primeiramente mostrar quem eram eles para depois fortificá-los: todos então compreenderiam como provinda de Deus a força que possuíam.

Entretanto, visto que seriam os pais da Igreja e os médicos das almas enfermas, não podiam compadecer-se da fraqueza alheia se antes não houvessem feito análoga experiência em si mesmos. Assim tornaram-se sólidas as colunas da terra, isto é, da santa Igreja. De fato, como era frágil esta coluna, quer dizer, São Pedro, quando bastou a voz de uma criada para fazê-lo cair! Mas depois, o Senhor deu-lhe vigor ao interrogá-lo três vezes: ‘Pedro, tu me amas?’; ao que ele também por três vezes respondeu: ‘Eu te amo’. Convém notar que o Senhor, quando Pedro lhe responde: Eu te amo, de imediato acrescenta: ‘Apascenta minhas ovelhas’ (cf. Jo 21,15-17), como se quisesse dizer: demonstra o amor que tens por mim apascentando minhas ovelhas. Por isso, irmãos, não é sincero quem diz amar a Deus mas não quer apascentar suas ovelhas”.

S. Aelred de Rievaulx, Abade Cisterciense
The Liturgical Sermons: The First Clairvaux Collection

São Pedro e São Paulo – Os gigantes da fé!



Solenidade
28 de junho

“Eis os santos que, vivendo neste mundo, plantaram a Igreja, regando-a com seu sangue. Beberam do cálice do Senhor e se tornaram amigos de Deus. Estas palavras da Liturgia resumem o significado de São Pedro e São Paulo. A Igreja chama a ambos de 'corifeus' isto é líderes, chefes, colunas. Eles são apóstolos, os primeiros enviados do Senhor, são testemunhas do Cristo morto e ressuscitado. Sua pregação plantou a Igreja, que vive do testemunho que eles deram (Mt 10,1ss; 28,18-20).

Pedro, discípulo da primeira hora, seguiu Jesus nos dias de sua pregação, recebeu do Senhor o nome de Pedra e foi colocado à frente do Colégio dos Doze e de todos os discípulos de Cristo. Generoso e ao mesmo tempo frágil, chegou a negar o Mestre e, após a ressurreição, teve confirmada a missão de apascentar o rebanho de Cristo. Pregou o Evangelho e deu seu último testemunho em Roma, onde foi crucificado sob o Imperador Nero no ano 67.

Paulo não conhecera Jesus segundo a carne. Foi perseguidor ferrenho dos cristãos, até ser alcançado pelo Senhor ressuscitado na estrada de Damasco. Jesus o fez ser apóstolo. Pregou o Evangelho incansavelmente pelas principais cidades do Império Romano e fundou inúmeras igrejas. Combateu ardentemente pela fidelidade à novidade cristã, separando a Igreja da Sinagoga. Por fim, foi preso e decapitado em Roma também sob o Imperador Nero no mesmo ano que Pedro ( 2Cor 11,18 – 12,10).

Estes gigantes da fé foram fiéis à missão recebida. As palavras de Paulo servem também para Pedro: 'Combati o bom combate, completei a corrida, guardei a fé'. Ambos foram perseverantes e generosos na missão que o Senhor lhes confiara: entre provações e lágrimas, eles fielmente plantaram a Igreja de Cristo, buscando não o próprio interesse, mas o de Jesus Cristo. Ambos experimentaram também, dia após dia, a presença e o socorro do Senhor. Paulo, como Pedro, pôde dizer: 'Agora sei, de fato, que o Senhor enviou o seu anjo para me libertar...'.


Ambos viveram profundamente o que pregaram: pregaram o Cristo com a palavra e a vida, tudo dando por Cristo. Pedro disse com acerto: 'Senhor, tu sabes tudo; tu sabes que te amo'; Paulo exclamou com verdade: 'Para mim, o viver é Cristo. Minha vida presente na carne, eu a vivo na fé do Filho de Deus, que me amou e se entregou por mim'. Dois homens, um amor apaixonado: Jesus Cristo! Duas vidas, um só ideal: anunciar Jesus Cristo! Em Jesus, eles apostaram tudo; por Jesus, gastaram a própria vida; da loucura da cruz e da esperança da ressurreição de Jesus, eles fizeram seu tesouro e seu critério de vida (Jo 21,15-19; Fl 3,4-14).

Ambos derramaram o Sangue pelo Senhor: 'Beberam do cálice do Senhor e se tornaram amigos de Deus'. Eis a maior de todas a honras de Pedro e de Paulo: beberam o cálice do Senhor, participando dos seus sofrimentos, unido a ele suas vidas até o martírio em Roma, para serem herdeiros de sua glória.

Hoje também, nossos corações voltam-se para a Igreja de Roma, aquela que foi regada com o sangue dos bem-aventurados Pedro e Paulo, aquela, que guarda seus túmulos, aquela, que é e será sempre a Igreja de Pedro, a Igreja de Roma, que é a Esposa do Cordeiro, imagem da Jerusalém celeste (Ap 21,1-11).

Conhecemos e veneramos o ministério que o Senhor Jesus confiou a Pedro e seus sucessores em benefício de toda a Igreja: ser o pastor de todo o rebanho de Cristo e a primeira testemunha da verdadeira fé naquele que é o 'Cristo, Filho do Deus vivo'. Pedro é o primeiro (Mt 10,2:); sobre ele Cristo fundou sua Igreja (Mt 16,17ss) e por isso ele deve confirmar seus irmãos na fé (Lc 22,31s). Cefas quer dizer Pedro, pedra. Pedro é o chefe da Igreja, sempre ocupando o primeiro lugar na responsabilidade (Jo 20,3-8; At 1,15ss; 2,14ss; 2,3-s; 5,1-11; 1Cor 15,3-5).

Sabemos com certeza de fé que a missão de Pedro perdura nos seus sucessores em Roma; hoje, em Bento XVI. O Papa será sempre, na Igreja, o referencial seguro da comunhão na verdadeira fé e na unidade. Quando surgem, como ervas daninhas, tantas e tantas seitas cristãs e pseudo-cristãs, nossa comunhão com Pedro é garantia de permanência seguríssima na verdadeira fé. Quando o mundo já não mais se constrói nem se regula pelos critérios do Evangelho, a palavra segura de Pedro é, para nós, uma referência segura daquilo que é ou não é conforme o Evangelho”.

D.Henrique Soares da Costa, Bispo
Dos Estudos Bíblicos-Catequéticos
Cit.por domhenrique.com

sábado, 27 de junho de 2009

São Cirilo de Alexandria – União de amor com Jesus


Memória Facultativa

“Quem recebe a Comunhão é tornado santo em corpo e alma, do mesmo modo que a água ferve quando posta sobre o fogo. A Comunhão age como o fermento que se mistura com a farinha, fazendo-a levantar-se. De igual modo, derretendo-se duas velas juntas se obtém uma só peça de cera, assim, creio eu, que aquele que recebe a Carne e o Sangue de Jesus, se funde com Ele por esta Comunhão, e a alma descobre que está em Cristo e Cristo está nela”.


São Cirilo de Alexandria, Bispo e Doutor

Unión de amor con Jesús en la Sagrada Comunión


segunda-feira, 15 de junho de 2009

CORPUS CHRISTI – Eucaristia deve ser o absoluto do nosso amor



Solenidade
11 de junho

“A fé conduz a Jesus Cristo enquanto o amor encontra-o e adora-o. O amor manifesta-se de três maneiras, manifestações essas que lhe constituem a vida.

Manifesta-se, em primeiro lugar, pela simpatia que, formando entre duas almas o laço e a lei de duas vidas, torna-as semelhantes uma a outra. A ação da simpatia natural – e com quanto mais razão da sobrenatural para com Nosso Senhor – constitui a atração forte, a transformação uniforme de duas almas numa só alma, de dois corpos num só corpo. Assim como o fogo absorve e transforma em si toda matéria simpática, assim também o cristão se transforma em Deus pelo Amor de Jesus Cristo. “Símiles ei erimus”.

Como foram os magos atraídos imediatamente a este Menino que ainda não fala nem sequer lhes pode revelar o pensamento? Ah! O amor viu e, vendo, uniu-se ao objeto amado! Contemplai os reis de joelhos ante o presépio, rodeados pelos animais e adorando, num estado tão humilhado e humilhante para a realeza, a débil Criança que os fita com tão singelo olhar!

Se entre amigos fazem-se necessário palavras, aqui basta tão somente o amor. Não imitam eles tanto quanto podem o estado do divino Infante, pois o amor, por ser simpático, é naturalmente imitador? Eles desejariam rebaixar-se, aniquilar-se até às entranhas da terra, a fim de melhor adorar e assemelhar-se àquele que, do Trono de sua Glória, se humilhou até descer, sob a forma do escravo, ao presépio.

Eles abraçam a humildade que o Verbo Encarnado desposou; a pobreza que deificou; o sofrimento que divinizou. O amor, por ser transformador, produz identidade de vida. Torna os reis simples, os sábios humildes, os ricos pobres de coração. Não praticam os magos todas essas virtudes?


A simpatia, indispensável à vida de amor, por suavizar os sacrifícios e assegurar-lhes a perseverança, é, numa palavra, a verdadeira prova de amor e a garantia de sua durabilidade. O amor que não se torna mais simpático é uma virtude laboriosa, privada de alegria e dos encantos da amizade, embora por vezes sublime.

O cristão, chamado a viver do Amor de Deus, precisa desta simpatia de amor. Ora, é na Santa Eucaristia que Nosso Senhor nos dá o suave penhor do seu Amor pessoal como a amigos. É aí que nos permite repousar ligeiramente nosso coração sobre o seu como o discípulo amado. Aí nos faz provar, ao menos passageiramente, a doçura do maná celestial. Aí nos faz gozar no coração a alegria de possuir ao nosso Deus, como Zaqueu; nosso Salvador, como Madalena; nossa soberana felicidade e nosso tudo, como a Esposa dos Cânticos. Aí, soltam-se suspiros de amor: ‘Quão suave sois! Quão bom, quão terno, ó Jesus, para com aquele que vos recebe com amor’.

Mas a simpatia do amor não descansará no gozo. É a brasa que o Salvador acende no coração quando encontra correspondência: ‘Carbo est Eucharistia quae nos inflammat’. O fogo ativo é invasor. Assim é que a alma dominada por ele, é levada a exclamar: ‘Que farei, Senhor, em troca de tamanho Amor?’. E Jesus responde: ‘Procurarás assemelhar-te a mim, viver para mim, viver de mim’. A transformação será fácil. Na escola do Amor, diz a Imitação, não se anda, corre-se, voa-se: ‘Amans, currit, volat’.

Manifesta-se, em segundo lugar, o amor pelo absoluto do sentimento. Quer tudo dominar, como senhor único e radical do coração. O amor é um. Tendendo à unidade, que é sua essência, absorve ou é absorvido.


Tal verdade brilha em todo o seu esplendor na adoração dos magos. Ao encontrar o régio Infante, não tomam em consideração nem a indignidade do local, nem os animais que aí estão, tornando-o repugnante. Não pedem nem prodígios ao Céu, nem explicações à Mãe. Não examinam curiosamente o menino, mas caem logo de joelhos em profunda adoração. Só por Ele vieram. Em presença do sol eclipsam-se todos os astros. O Evangelho nem sequer menciona as honras que, necessariamente, prestaram a Santa Mãe. A adoração, qual o amor que a inspira, é uma delas.

Ora, a Eucaristia, por ser a quintessência de todos os Mistérios de sua Vida de Salvador, é o absoluto do Amor de Jesus Cristo pelo homem. Tudo quanto Jesus Cristo fez, da Encarnação à Cruz, visava ao Dom Eucarístico, visava a sua união pessoal e corporal com cada cristão pela Comunhão, em que via o meio de nos comunicar os tesouros da sua Paixão, as virtudes da sua Santa Humanidade, os méritos da sua Vida. Eis o prodígio do Amor. ‘Qui manducat meam carnem, in me manet et ego in eo’.

A Eucaristia deve também ser o absoluto do nosso amor para com Jesus Cristo, se quisermos alcançar, pelo nosso lado, o fim que se propôs na Comunhão, isto é, transformar-nos nele pela união. A Eucaristia deve, pois, ser a lei das nossas virtudes, a alma da nossa piedade, o supremo anelo da nossa vida, o pensamento real e dominante do nosso coração, a bandeira gloriosa dos nossos combates e sacrifícios. E, fora desta unidade de ação, jamais conseguiremos o absoluto no amor. Com ele, porém, nada é mais suave e mais fácil. Temos então todo o poder do homem e de Deus concentrados harmoniosamente no reinado do amor. ‘Dilectus meus mihi et ego illi’, ‘O meu amado é para mim e eu para o meu amado’.

São Pedro Julião Eymard
A Divina Eucaristia, v.1, pp. 234-237

sábado, 6 de junho de 2009

O Santo Espírito nos une a Cristo



“É necessário seguir Cristo, é necessário aderir a Ele, não O devemos abandonar até à morte.

Como dizia Eliseu ao seu mestre: «Pelo Deus vivo e pela tua vida, juro que não te deixarei» (2R 2,2). Então, sigamos Cristo e unamo-nos a Ele! «A felicidade é estar perto de Deus» diz o salmista (Sl 72,28). «A minha alma está unida a Ti, a Tua mão direita me sustenta» (Sl 62,9). E São Paulo acrescenta: «Quem se une ao Senhor, forma com Ele um só espírito» (1Cor 6,17). Não apenas um só corpo, mas também um só espírito.

Do Espírito de Cristo, todo o seu corpo vive; pelo corpo de Cristo, chegamos ao Espírito de Cristo. Por conseguinte, permanece pela fé no corpo Cristo e um dia serás um só espírito com Ele. Pela fé, estás desde já unido ao seu Corpo; pela visão, também serás unido ao seu Espírito. Não é que no alto vejamos sem o corpo, mas os nossos corpos serão espirituais (1Cor 15,44).

«Para que todos sejam um só, como Tu, Pai, estás em Mim e Eu em Ti; para que assim eles estejam em Nós e o mundo creia»: eis a união pela fé. E mais adiante pede: «que eles cheguem à perfeição da unidade e assim o mundo reconheça»: eis a união pela visão.

Eis o modo de nos alimentarmos espiritualmente do Corpo de Cristo: ter n'Ele uma fé pura, procurar sempre, através da meditação assídua, o conteúdo desta fé, encontrar o que procuramos pela inteligência, amar ardentemente o objeto da nossa descoberta, imitar na medida do possível Aquele que amamos; e, imitando-o, aderir a Ele constantemente para chegarmos à união eterna”.


Guigues de Chartres, o Cartuxo
Prior da Grande Cartuxa
Méditation 10 (trad. SC 163, p. 187)


sábado, 16 de maio de 2009

Quem recebe aquele que eu enviei recebe a mim Jo 13, 20



Jo 13, 20

“Em verdade, em verdade vos digo: quem recebe aquele que eu enviei recebe a mim; e quem me recebe, recebe aquele que me enviou”.

“Porque o que recebe ao que Jesus envia, recebe ao mesmo Jesus que existe em seu enviado. E o que recebe Jesus, recebe ao Pai. Logo, o que recebe ao que Jesus envia recebe o Pai que envia. Também pode entender-se deste outro modo: o que recebe a quem Eu enviarei, se faz digno de receber-me a mim. E o que me recebe, não por intermediação do apóstolo que eu enviarei, mas me recebe quando me dirijo às almas, recebe também o Pai, de tal modo que não só Eu moro nele mas também o Pai”.

Orígenes
In Ioannem tract., 32
Catena Aurea


“Onde Jesus diz: «Meu Pai e Eu somos uma só coisa» ( Jn 10,30), não deixa nenhuma dúvida quanto à distância. E ao aceitar agora estas palavras do Senhor, «Quem me recebe, recebe aquele que me enviou» (Jo 13, 20), ao entender que uma mesma é a natureza do Pai e do Filho, seria lógico que na locução «Se recebe ao que Eu enviar, recebe a mim», se entendesse também que uma mesma é a natureza do Filho e a do apóstolo. E assim, parece que se devia dizer: «Quem recebe ao que Eu enviar, recebe a mim como homem, e o que me recebe como Deus, recebe o Pai me enviou». Mas quando dizia isto não fazia alusão à unidade de natureza, senão que recomendava a sua própria autoridade que reside no enviado. Se, pois, atendes a Cristo em Pedro, verás o Mestre no discípulo; e se olhas ao Filho no Pai, verás o Pai no Unigênito”.


Santo Agostinho de Hipona
In Ioannem tract., 59
Catena Aurea


quarta-feira, 29 de abril de 2009

FESTA DE SANTA CATARINA DE SENA, Virgem, Mística e Doutora da Igreja – 1ª Parte



Festa 29 de abril

1ª Parte

Catarina de Sena, uma das mulheres que marcaram profundamente a história da Igreja, nasceu em 25 de março de 1347, na cidade de Sena, na Toscana, em um bairro chamado Fontebranda. Pertenceu a uma numerosa família de classe média alta e era a vigésima quarta de 25 irmãos. Após a morte de sua irmã Joana, que morreu nos primeiros anos de vida, passou a ser a caçula da família. O pai, Tiago Benincasa, é um bem-sucedido comerciante, e a mãe, Lapa, é a filha do poeta Nuccio Piagenti. Na família Benincasa não faltava o necessário e era uma família que tinha uma profunda consciência religiosa e um forte sentido político de defesa à cidade. Embora os filhos fossem numerosos, o casal recebeu em sua casa um primo órfão, Tomás della Fonte que, mais tarde, tornando-se Dominicano, teve grande influência na vida de Catarina, sendo o seu primeiro confessor e diretor espiritual.

Catarina era uma pérola de menina. Caráter dócil, sempre pronta e disponível a ponto de ser apelidada de “Eufrosina”, que quer dizer “amável”. Desde cedo revelou sinais de vocação para a vida consagrada. Os primeiros biógrafos, na chamada “Legenda Maior”, relatam-nos sua infância totalmente marcada pela forte presença de Deus.

Com apenas seis anos, quando voltava para casa, no bairro Vale Piatta, em companhia de seu irmão Estevão, aparece-lhe Jesus Cristo no alto da Igreja de São Domingos, vestido com roupas sacerdotais, rodeado por vários personagens, entre os quais é possível reconhecer São Pedro, São Paulo, e São João. Aos sete anos consagrou a sua virgindade a Deus.


Aos doze iniciam-se os conflitos familiares. A mãe, D. Lapa, preocupada com o futuro de Catarina, pensa em arrumar-lhe um bom matrimônio. Não compreende as atitudes espirituais da filha. Catarina, num gesto corajoso demonstrando a sua recusa em aceitar um matrimônio e revelando autonomia, corta os cabelos, manifestando o desejo de se entregar a Deus numa ordem religiosa. Desde então, Catarina inicia uma vida austera, passando horas e horas num pequeno quarto, transformado em cela conventual, no seio da própria família.

Os familiares olham este gesto com suspeita. Tentam arrancá-la de sua solidão confiando-lhe o trabalho mais pesado e duro a fim de que desistisse da sua intenção. Perturbam a sua oração e silêncio. E, especialmente, proíbem-lhe de fazer penitências que sejam prejudiciais à saúde. Catarina não se revolta. Aceita tudo com plena docilidade, criando uma "cela interior” em seu coração, onde ninguém a podia perturbar nos seus íntimos colóquios com Deus.

Escreverá mais tarde aos seus discípulos:

“Fazei uma cela no coração, de onde nunca podereis sair”

Será por este período, aos quinze anos, depois de uma visão em São Domingos, que Catarina decide ser Dominicana e ingressar na Ordem Terceira de São Domingos. A docilidade de Catarina vence a dureza dos pais e dos irmãos. Especialmente, por decisão do pai, a situação se acalma e Catarina poderá dedicar-se livremente à oração. Como era alma que sempre tendia à oração, ao silêncio e à penitência, preferiu não entrar em uma Congregação e continuar no seu cotidiano dos serviços domésticos, a servir a Cristo e Sua Igreja, já que tudo o que fazia, oferecia pela salvação das almas.


Em 1363, Catarina faz o pedido para entrar na Ordem Terceira Dominicana, na confraria das “Manteladas”, assim chamadas por causa de um longo manto preto que colocavam por cima do hábito branco dominicano. Embora tenha apenas dezesseis anos, após varias tentativas e resistências, é admitida na comunidade das “Manteladas”. No ambiente religioso, favorável aos seus desejos de santidade, Catarina caminha com passos de gigante pela via da perfeição, iniciando uma vida de muitos sacrifícios, pois aí pode dedicar-se inteiramente à oração e à penitência. Mesmo sem viver num Claustro, Catarina encarou a sua clausura em casa com seriedade e vivia encerrada no seu próprio quarto, onde, por intermédio da oração e do diálogo, afirmava que “estava sempre com e em Cristo”. Mas a vida de oração não a impede de visitar doentes leprosos. Costumava visitar os doentes do leprosário São Lázaro, totalmente dedicada aos trabalhos que lhes são confiados. Certa vez, para vencer a repugnância para com um leproso que cheirava mal, inclinou-se e beijou-lhe as chagas.

Com seu caráter corajoso e decidido, consegue dominar os desejos mundanos e Deus a recompensa com o dom da contemplação: visões e êxtases unidos a uma vida de penitência e dedicação ao serviço dos mais pobres e necessitados. Lentamente, o nome de Catarina corre de boca em boca pela cidade de Sena e pelos povoados vizinhos. O povo começa a procurá-la para perdir-lhe orações e conselhos. Durante as orações contemplativas, entrava em êxtase de tal forma que só esse fato possibilitou a conversão de centenas de almas durante a sua juventude.

(Continua)

FESTA DE SANTA CATARINA DE SENA, Virgem, Mística e Doutora da Igreja – 2ª Parte



Festa 29 de abril

2ª Parte

Apesar de ser admirada por muitos, surgem, por outro lado, a inveja e o ciúme de outros que vão provocar calúnias e dificuldades à mística de Sena. No Clero, os religiosos olham o fenômeno “Catarina” com um certo desprezo e incredulidade. Não é raro encontrar isso entre os próprios dominicanos que uma vez a colocaram à força para fora da Igreja durante uma oração contemplativa, deixando-a no chão, meio que morta, ainda sob efeito dos êxtases.

As “Manteladas” sentem-se também perturbadas, quase agredidas pela santidade de Catarina. Quase se arrependem de tê-la recebido entre elas. As calúnias e as incompreensões chovem sobre sua vida como uma verdadeira tempestade, mas Catarina, mergulhada no seu doce Cristo, não se abala e nem se apavora. Tudo suporta por amor ao Senhor. É na oração e no exercício da caridade que ela encontra a sua força. Sofrimentos familiares, como a morte do pai e uma grave doença da mãe, aumentam a cruz de Catarina, que tudo oferece ao Senhor pela salvação dos pecadores.

A sua pequena casa de Fontebranda transforma-se num cenáculo, onde amigos e simpatizantes se reúnem para rezar e refletir. São pessoas de famílias nobres e importantes de Sena, Florença, Pisa, Arezzo, entre outras. Catarina, jovem e analfabeta, mesmo assim é conselheira e orientadora de professores e teólogos famosos. Deus se serve dos pequenos para tocar os corações dos sábios e doutos do mundo.


Avança pela senda espiritual com o Senhor instruindo-a como um mestre a sua aluna, e descobria-lhe pouco a pouco "aquelas coisas que lhe fossem úteis à alma". O progresso espiritual atingiu o auge, em 1367, com as núpcias espirituais na fé. Jesus lhe aparece junto com a Virgem Maria e outros santos numa noite, entregando-lhe o anel do matrimônio espiritual, sendo celebrado assim o matrimônio místico com Cristo. Essa graça podia parecer o selo de uma vida consagrada ao isolamento e à contemplação. Pelo contrário, ao dar-lhe o anel invisível, Jesus pretendia uni-la a Si nas empresas do Seu reino.

A moça do povo de vinte anos via isto como sinal de separação entre ela e o Esposo celestial, mas Este pelo contrário assegurou-lhe que “pretendia uni-la mais a Si por meio da caridade com o próximo”, isto é, ao mesmo tempo no plano da mística interior e no da ação exterior ou da mística social, como foi dito.

Foi como que um impulso para espaços mais altos, que se lhe abriam diante da mente e da iniciativa. Passou da conversão de pecadores isolados à reconciliação entre pessoas ou famílias adversárias; e à pacificação entre cidades e repúblicas. Não receou passar entre facções armadas nem se deteve perante o alargar-se dos horizontes, o que no princípio a tinha aterrado até a fazer chorar. O impulso do Mestre divino manifestou nela como que uma humanidade de acréscimo. Um dia, conta ela mesma, o Senhor pôs-lhe "a cruz às costas e uma oliveira na mão", para as levar a um e outro povo, o cristão e o infiel, como se Cristo a erguesse às próprias dimensões universais da salvação.


Embora analfabeta, Catarina ditou mais de 300 cartas endereçadas a todo o tipo de pessoas, desde Papas, aos Reis e líderes, como também ao povo humilde, orientando suas atitudes, convocando para a caridade, o entendimento e a paz, e onde lutava pela unificação da Igreja e a pacificação dos Estados Papais. As cartas que ela dita aos seus secretários deixam o “silêncio” e percorrem as várias cidades da Itália e da Europa. Através de suas cartas, profundas e sábias, embora analfabeta e de frágil constituição física, conseguia mover homens para a reconciliação e a paz como um gigante.

As críticas aumentam. A inveja e o ciúme se encarregam de atacar Catarina de Sena e seus discípulos. O seu corajoso empenho social e político suscitou não poucas perplexidades entre muitas pessoas e entre seus próprios superiores. A Ordem Dominicana sente-se ameaçada pela presença indiscreta e cada vez mais projetada de Catarina. O Capítulo Geral dos Dominicanos se reunindo em Florença, chama-a para que explique sua teologia e doutrina diante dos teólogos. No dia 21 de maio de 1374, Catarina é sabatinada pelos capitulares a fim de prestar esclarecimentos de sua conduta. Suas respostas os satisfazem. Não há nada de herético. O Capítulo encarrega, então, Frei Raimundo de Cápua para acompanhar o desenvolvimento teológico e espiritual de Catarina e ser seu diretor espiritual.


Ainda em 1374, a peste se alastrou por toda a Europa causando mortes e desespero em Sena, e matando pelo menos um terço da população européia. Catarina, neste momento voltando de Florença, dedica-se aos doentes e abandonados, tendo praticado grandes atos de caridade e enfrentado a calamitosa situação serenamente e com grande firmeza. Ela tanto lutou pelos doentes, tantos curou com as próprias mãos e orações, que converteu mais algumas centenas de pagãos. Suas atitudes não deixaram de causar perplexidade em seus contemporâneos. Estava à frente, muitos séculos, dos padrões de sua época, quando a participação da mulher na Igreja era quase nula ou inexistente.

Para a tornar mais conforme ao Seu mistério de redenção e prepará-la para um incansável apostolado, Catarina recebe o sinal mais intimo do seu amor para com Cristo e do amor de Cristo para com ela: o Senhor concede-lhe o dom dos Estigmas. Aconteceu quando estava em oração na Igreja de Santa Cristina, em Pisa, no dia 1° de Abril de 1375 e, em uma visão, Cristo lhe diz que daquele momento em diante ela trabalharia pela paz e mostraria a todos que “uma mulher fraca pode envergonhar o orgulho dos fortes”. A sua configuração com Cristo de agora em diante será total.


(Continua)

FESTA DE SANTA CATARINA DE SENA, Virgem, Mística e Doutora da Igreja – 3ª Parte



Festa 29 de abril

3ª Parte

Santa Catarina viveu na época do grande Cisma que reinou na Igreja do Ocidente. A Igreja passava naquela época por um período difícil. Os cismas dividem-na e repartem o corpo místico de Cristo com anti-papas, que atraem multidões de fiéis enganados por motivos políticos e religiosos. A Sede do Papado de Roma havia sido transferida para Avignon, França. Catarina recebe de Jesus uma missão quase impossível: lutar para que a Sede do Papado volte para Roma. Ela sente-se chamada ao apostolado. Ela, que escolhera permanecer escondida na oração e no silêncio, será de agora em diante a peregrina e nômade de Deus pelas cidades da Itália, convidando todos a renovarem sua fé em Deus e sua adesão à Igreja e ao Papa, o seu “doce Cristo na terra”, como o chamava. Nesta época, dois Papas disputavam o Trono de Pedro, dividindo a Igreja e fazendo sofrer a população católica em todo o mundo.

No ano 1376, quando toda a Itália estava envolvida em graves disputas políticas à volta do Papado, organizaram-se nas cidades de Peruggia, Florença, Pisa e em toda a Toscana, milícias e revoltas contra o poder político do Papa Gregório XI. Florença está descontente com o Papa e por isso faz uma aliança com todos seus inimigos. Catarina tenta, com todos os esforços, que a rebelião seja circunscrita, mas os florentinos, chamados “o grupo dos oito santos” promovem a guerra. O Papa lança a excomunhão contra todos. Diante desta situação, os florentinos recorrem à Catarina de Sena, que é enviada como embaixatriz para Avignon. Fazia setenta anos que o Papado estava em Avignon e não em Roma, e a Cúria sofria influências francesas. Catarina foi enviada com a missão de se encontrar com o Papa Gregório XI para o convencer a regressar a Roma, pois que tal seria fundamental para a unidade da Igreja e pacificação da Itália. Em junho, Catarina é recebida pelo Papa e permanece sua hóspede por três meses. Consegue que seja retirada a excomunhão mas, mudanças no governo de Florença, não levam a sério os resultados de Catarina.


Catarina emprega todos os seus esforços para tentar convencer o Papa a voltar a Roma para retomar a sua posição. O piedoso Pontífice, que se demorava em tomar a última decisão, houve de convencer-se que pela boca dela falava realmente o Senhor e o certificava da Sua vontade. Assim, o Papa Gregório XI deixou definitivamente Avignon a 13 de Setembro de 1376 e entrou em Roma, entre o delírio do povo em festa, a 17 de Janeiro de 1377. Catarina obtém esse grande sucesso e o acompanha e o encoraja para que não volte atrás nesta decisão. Chegando a Sena, Catarina é recebida com muitas honras, mas permanece na mais profunda humildade. Na sua luta por ajudar a Santa Igreja, ela viajou por toda a Itália e diversos países, ditou cartas a Reis, Príncipes, e governantes católicos, Cardeais e Bispos. Continua sua luta a fim de ver Florença em paz definitiva com o Papa e suas esperanças aumentam em 1378, quando Urbano VI é eleito Papa.

Acontecimento inédito para aquele tempo foi o convite que o Papa Urbano VI fez a Catarina, chamando-a no Consistório para falar aos Cardeais que haviam permanecido fiéis a Igreja. As suas palavras foram de uma força extraordinária.


Em meio a tudo isso, deixou obras literárias ditadas e editadas de alto valor histórico, místico e religioso. A sua tão profunda comunhão com o Pai dá origem à sua grande obra: “O Diálogo”, de grande inspiração divina e que, segundo a Santa, são ensinamentos dados a ela pelo próprio Deus. Foi em Sena, no recolhimento de sua cela, que ditou o "Diálogo sobre a Divina Providência" para render a Deus o seu último canto de amor. "O Diálogo", como é comumente chamado, é um livro lido, estudado e respeitado na atualidade, e ainda hoje considerado como um dos maiores testemunhos do misticismo cristão e uma exposição clara de suas idéias teológicas e espiritualidade.

O que mais se admira na vida de Santa Catarina de Sena não é tanto o papel incomum que ela teve na história de seu tempo, mas a maneira singularmente feminina com a qual desenvolveu este papel. Ao Papa, que ela chamava com o nome de “doce Cristo na terra”, reprovava terna mas firmemente pela escassa coragem e convidava-o a abandonar Avignon para voltar a Roma com palavras delicadíssimas como estas: “Eia, virilmente, pai! Eu lhe digo que não precisa temer.” A um jovem condenado à morte, que ela acompanhou até sobre o patíbulo, disse no último instante: “Giuso! Às núpcias, meu doce irmão! Logo estará na vida eterna”.

Era de uma sensibilidade extraordinária, percebendo sentimentos íntimos e tendo uma noção real e imediata das situações que a rodeavam. Quando se sentava à mesa com seus discípulos, prestava atenção para não suscitar os ciúmes de ninguém e não raramente, como faz a mãe com a criança melindrosa, dava um bocado com a sua própria colher a quem se sentia por ela esquecido. Depois, a voz submissa da mulher mudava de tom e se traduzia freqüentemente naquele: “eu quero”, que não admitia hesitações quando se tratava do bem da Igreja ou da concórdia dos cidadãos.

(Continua)


FESTA DE SANTA CATARINA DE SENA, Virgem, Mística e Doutora da Igreja – 4ª Parte



Festa 29 de abril

4ª Parte

Catarina declara seus últimos meses de vida à sua família religiosa e aos seus discípulos, aos quais exorta a serem fiéis à Igreja e voltarem a viver uma vida de maior austeridade e oração. Ela prediz que Frei Raimundo de Cápua será o novo Geral da Ordem Dominicana, o que de fato aconteceu poucos meses depois de sua morte. O número de discípulos e discípulas de Catarina foi aumentando incessantemente e sua doutrina difundiu-se por toda parte.

Respondendo a um apelo do Papa Urbano VI, foi para Roma porque o Papa ali a quis ainda no grave momento de crise do cisma. Lá, debaixo de um ano e meio de trabalho extenuante e orações apaixonadas: "Ó Deus eterno, recebe o sacrifício da minha vida neste corpo místico da santa Igreja", ficou doente e, extenuada pelos muitos e exaustivos trabalhos, rodeada pelos seus numerosos amigos e discípulos, aos quais recomendou que se amassem uns aos outros e exortou todos a viverem com fidelidade o amor para com Deus e com a Igreja, entregou sua alma a Deus, após sofrer um derrame. Disse a eles antes de morrer: “Nunca que vos esqueçais, meus filhos dulcíssimos, deixando o corpo, na verdade, eu dei toda a minha vida para a Igreja e pela Igreja, o que me dá grande alegria”. Era o dia 29 de abril de 1380. Morria tendo feito há um mês 33 anos, como o seu Esposo Crucificado. Sua cabeça está em Sena, onde se mantém sua casa, e seu corpo está em Roma, na Igreja de Santa Maria Sopra Minerva.


Quando a noticia da morte de Catarina se espalhou, o povo exclamou unido: “morreu a santa!”. Houve um corre-corre no convento dos Dominicanos. Por precaução, fecharam os portões da Igreja de São Domingos, em Minerva, onde o corpo estava exposto. O Papa Urbano VI, como sinal de gratidão para com a mulher santa que havia lutado em favor do Pontificado, quis que fosse celebrado um funeral solene. Depois do enterro, iniciou-se uma constante peregrinação ao túmulo de Catarina.

Foi canonizada pelo Papa Pio II, com a bula Misericordias Domini, de 29 de Junho de 1461. Foi assim apontada solenemente à Igreja universal como modelo de santidade e exemplo de sublime grandeza, a que uma mulher simples do povo pode chegar com a graça do Todo Poderoso. O Beato Papa Pio IX, em 1866, a proclama Co-Padroeira de Roma e Padroeira das mulheres da Ação Católica. Em 1939, na véspera da Itália entrar em guerra, o Papa Pio XII a proclama Co-Padroeira da Itália junto com São Francisco de Assis, e em 1943 Protetora dos doentes. No dia 4 de outubro de 1970, o Papa Paulo VI proclamou-a Doutora da Igreja, sendo a única leiga a obter esta distinção. O Papa João Paulo II declarou-a Co-Padroeira da Europa, juntamente com Santa Brígida da Suécia e Santa Teresa Benedita da Cruz. Sua Festa litúrgica é celebrada no dia 29 de abril.


A vida de Catarina de Sena nos maravilha por sua intensa atividade apostólica, pela aceitação que teve nos ambientes eclesiásticos do seu tempo. A sua palavra era ouvida e procurada. Ela tinha a capacidade de reavivar amizades e restabelecer a paz. Uma jovem mulher, sem escolaridade, que se impõe pela força do seu carisma. Analfabeta nas letras humanas mas rica da sabedoria de Deus. A presença de Catarina e suas palavras foram decisivas na resolução de situações dramáticas para a Igreja, ameaçada de divisão. A sua palavra, doce e persuasiva; o seu exemplo de integridade e de amor a Cristo; a sua atuação livre de qualquer interesse fizeram-na mensageira estimada, seguida e amada por todos.


Catarina foi uma real e forte presença de unidade para Igreja e entregou sua alma a Deus repetindo: "Se morrer, sabeis que morro de paixão pela Igreja!”.


Santa Catarina de Sena, rogai por nós!


Fontes: Lettres de Sainte Catherine de Sienne, trad. E. Cartier; Nöele M. Denis-Boulet, La Carrière Politique de Sainte Catherine de Sienne; Robert Fawtier, Sainte Catherine de Sienne, essai de critique des sources ; Sources hagiographiques, 1921 ; Carta Apostólica Amantissima Providentia, I.


quinta-feira, 23 de abril de 2009

Beata Maria Gabriella Sagheddu, OCSO - A santidade na unidade



Beata Maria Gabriella Sagheddu, OCSO

Festa em 22 de abril

A Beata Maria Gabriella Sagheddu, Monja Trapista (1914-1939), nasceu em Dorgali, Nuoro, em 17 de março de 1914 e entrou aos vinte anos no Mosteiro Trapista de Grottaferrata, atualmente transferido para Vitorchiano (Viterbo). Ofereceu com simplicidade a sua vida pela Unidade da Igreja e pelos irmãos separados. Seu holocausto foi agradável ao Senhor, que o consumou no dia 23 de abril de 1939, domingo do Bom Pastor.

A vida da Irmã Maria Gabriella não apresenta acontecimentos extraordinários nem milagres estrepitosos. Sua vida foi uma vida simples mas sempre fortemente motivada por fortes ideais: primeiro, o desejo de viver a própria realização pessoal com a sua entrada no Mosteiro Trapista, e depois viver uma doação total de sua alma a Deus. Nessa doação, ofertou a entrega de si mesma a Deus pela unidade dos cristãos. “Sinto que o Senhor me pede”, dizia ela a sua Abadessa. A ela são atribuídas numerosas vocações que continuam a chegar ao Mosteiro. Foi beatificada em 25 de janeiro de 1983. Seus restos mortais descansam na Capela da Unidade, anexa ao Mosteiro de Vitorchiano.


Trapa de Vitorchiano

“Rezar pela unidade não está só reservado a quem vive num contexto de divisão entre os cristãos. Naquele diálogo íntimo e pessoal, que cada de um de nós deve estabelecer com o Senhor na oração, a preocupação pela unidade não pode ficar de fora. Pois só assim é que tal preocupação fará parte plenamente da realidade da nossa vida e dos compromissos que assumimos na Igreja.

Para confirmar esta exigência, eu quis propor aos fiéis da Igreja Católica um modelo, que me parece exemplar, o de uma freira trapista, Maria Gabriella da Unidade, que proclamei Beata no dia 25 de janeiro de 1983.


A Irmã Maria Gabriella, chamada pela sua vocação a estar fora do mundo, dedicou a existência à meditação e à oração, centradas no capítulo 17 do Evangelho de S. João, oferecendo-as pela unidade dos cristãos.

Está aqui o fulcro de toda a oração: oferta total e sem reservas da própria vida ao Pai, pelo Filho, no Espírito Santo. O exemplo da Irmã Maria Gabriella ensina e faz-nos compreender como não há tempos, situações ou lugares particulares para rezar pela unidade. A oração de Cristo ao Pai é modelo para todos, sempre e em qualquer lugar”.

Papa João Paulo II, Encíclica ‘Ut unum sint’, 1995, nº 27



“A vontade de Deus, seja ela qual for, esta é a minha alegria, a minha felicidade, a minha paz”.

“Ofereci-me inteiramente e não volto atrás na palavra dada”.

“Não desejo outra coisa que amar”


Irmã Maria Gabriella Saghueddu, OCSO
Escritos


No caso de graças obtidas por intercessão da Beata Maria Gabriela, é pedido que se envie notícias aos seguintes endereços:


VICE POSTULAZIONE - MONASTERO DELLE TRAPPISTE
101030 VITORCHIANO (VT) FAX 0039-0761-370952
e-mail: trappa@vitorchiano.org


domingo, 12 de abril de 2009

PÁSCOA DA RESSURREIÇÃO - Nele estamos todos presentes



“Cristo, primícias da nova criação, depois de ter vencido a morte, ressuscitou e sobe para o Pai como oferenda magnífica e esplendorosa, como as primícias do gênero humano, renovado e incorruptível. Podemos considerá-lo o símbolo do feixe das primícias da colheita que o Senhor Deus exigiu a Israel que oferecesse no Templo (Lv 23,9). O que representa este sinal?

Podemos comparar o gênero humano às espigas de um campo, que nascem da terra, ficam à espera de crescer e, depois de amadurecerem, são apanhadas pela morte. Era por isso que Cristo dizia aos Seus discípulos: «Não dizeis vós que, dentro de quatro meses, chegará o tempo da ceifa? Pois bem, Eu digo-vos: erguei os olhos e vede. Os campos estão brancos para a ceifa. O ceifeiro já recebe o salário e recolhe o fruto para a vida eterna» (Jo 4,35-36). Ora, Cristo nasceu entre nós, nasceu da Virgem Santa como as espigas brotam da terra. Aliás, não hesita em dizer de si próprio que é o grão de trigo: «Em verdade, em verdade vos digo: se o grão de trigo, lançado à terra, não morrer, fica ele só; mas, se morrer, dá muito fruto.» Deste modo, ofereceu-se por nós ao Pai, à maneira de um feixe e como primícias da terra.



Porque a espiga de trigo, como aliás nós próprios, não pode ser considerada isoladamente. Vêmo-la num feixe, constituído por numerosas espigas de uma mesma braçada. Cristo Jesus é único, mas aparece-nos como um feixe, e constitui efetivamente uma espécie de braçada, no sentido em que contém em si todos os crentes, em união espiritual, evidentemente. Se assim não fosse, como poderia São Paulo escrever: «Com Ele nos ressuscitou e nos fez sentar lá nos céus» (Ef 2,6)? Com efeito, uma vez que se fez um de nós, nós formamos com Ele um mesmo corpo (Ef 3, 6). Aliás, é Ele quem dirige estas palavras a Seu Pai: «Que todos sejam um como Tu, ó Pai, estás em Mim e Eu em Ti» (Jo 17,21). O Senhor constitui, pois, as primícias de toda humanidade, que está destinada a ser armazenada nos celeiros do céu”.

São Cirilo de Alexandria, Bispo e Doutor da Igreja
Do Comentário sobre o Livro dos Números