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sábado, 22 de agosto de 2009

PORQUE A SANTIDADE É AMOR - Parte IV



Parte IV

«Sem mim nada podeis fazer» (Jo 15,5b)


Quem, senão Ele, sustentou de pé, sem desfalecer, junto à Cruz do Filho moribundo, a mais terna de todas as mães, sem sentimentos de vingança ou de queixa contra os verdugos ou contra o céu? Não era, acaso, Maria uma criatura? Sim. Mas a união tão íntima e perfeitíssima que tinha com a Videira, da qual Ela também era um « ramo », e a perfeição e plenitude com que recebia Sua seiva, eram sua força – e podia dizer: « Para mim, a vida é Cristo » (Fl 1,21). « A mesma força que sustentava o Filho na Cruz sustentava a Mãe ao pé da Cruz », tranqüila e serena em sua profunda desolação.

« Sem mim nada podeis fazer! » Isto é o que eu quero, Senhor: não poder fazer nada senão contigo. Ter que fazer tudo unido a Ti, para que assim a glória de tudo o que faço seja só Tua, eterna origem de onde todo bem procede. « Sem mim nada podeis fazer! ». Logo, tudo o que os homens fazem sem Deus, embora aparente ser algo, ser grande, é um « nada », pois assim o chama a Eterna Verdade. Não há dúvida. Um « nada » é tudo o que o homem consegue fazer sem seu Deus, todas as obras puramente naturais - ainda que não sejam más - nas quais Deus não tem outra parte além do Seu concurso indispensável como Criador e conservador, independente da vontade da criatura, que às vezes direta ou indiretamente queria ainda subtrair-Lhe, como se isto lhe fosse possível.

Ao contrário, a alma que busca sua santificação se alegra e se oferece com rendida entrega a essa vontade suprema de Deus, pela qual unicamente é movida e quer agir, inclinando, desse modo, o próprio Deus a tomar parte de seu trabalho pela ação « graça atual », fazendo-o sobrenatural e meritório.

A santidade é amor e é obra de amor, que supõe e reclama sempre amor. Amor grande, terno, da parte de Deus, havendo-se Ele mesmo obrigado a realizá-la nas almas que se submetem ao domínio do Seu amor. Amor também da parte da alma, pois este delicioso « render-se » ao amoroso império de seu Deus em tudo o que faz não é outra coisa senão um movimento produzido pelo Amor na alma, Amor que a lança ao mundo sobrenatural onde a « santidade » se realiza.

J. Pastor
“La Santidad es amor”
Libro I, pp.16-17

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

SÃO BERNARDO DE CLARAVAL - Amo porque amo!



20 de agosto

Solenidade no Calendário Litúrgico Cisterciense

Hoje é memória litúrgica do grande Bernardo de Claraval, Abade cisterciense, Doutor da Igreja. Apaixonado pelo Cristo, devotíssimo da Virgem Maria, filho fidelíssimo da Igreja, mestre nas Sagradas Escrituras, monge exemplar! Bernardo é conhecido como Doutor Melífluo, pois seu coração e suas palavras são doces como o mel. O seu Comentário ao Cântico dos Cânticos, é puro mel... Mel que vem da doçura do coração de Deus!

D.Henrique Soares da Costa


“O amor basta-se a si mesmo, em si e por sua causa encontra satisfação. É seu mérito, seu próprio prêmio. Além de si mesmo, o amor não exige motivo nem fruto. Seu fruto é o próprio ato de amar. Amo porque amo, amo para amar!

Grande coisa é o amor, contanto que vá a seu Princípio, volte à sua Origem, mergulhe em sua Fonte, sempre beba donde corre sem cassar.

De todos os movimentos da alma, sentidos e afeições, o amor é o único com que pode a criatura, embora não condignamente, responder ao Criador e, por sua vez, dar-lhe outro tanto. Pois quando Deus ama não quer outra coisa senão ser amado, já que ama para ser amado; porque sabe que serão felizes pelo amor aqueles que o amarem.

O amor do Esposo, ou melhor, o Esposo-amor somente procura a resposta do amor e a fidelidade. Seja permitido à amada responder ao Amor! Por que a esposa - e esposa do Amor – não deveria amar? Por que não seria amado o Amor?

É justo que, renunciando a todos os outros sentimentos, única e totalmente se entregue ao amor, aquela que há de corresponder a ele, pagando amor com amor. Pois mesmo que se esgote toda no amor, que é isto diante da perene corrente do amor do outro?

Certamente não corre com igual abundância o caudal do amante e do Amor, da alma e do Verbo, da esposa e do Esposo, do Criador e da criatura; há entre eles mesma diferença que entre o sedento e a fonte.

E então? Desaparecerá por isto e se esvaziará de todo a promessa da desposada, o desejo que suspira, o ardor da que a ama, a confiança da que ousa, já que não pode de igual para igual correr com o gigante, rivalizar a doçura com o mel, a brandura com o cordeiro, a alvura com o lírio, a claridade com o sol, a caridade com aquele que é a caridade?

Não. Mesmo amando menos, por ser menor, se a criatura amar com tudo o que é, haverá de dar tudo. Por esta razão, amar assim é unir-se em matrimônio, porque não pode amar deste modo e ser menos amada, de sorte que no consenso dos dois haja íntegro e perfeito casamento. A não ser que alguém duvide ser amado primeiro e muito mais pelo Verbo”.


São Bernardo de Claraval, Abade e Doutor

Sermo 83, 4-6 in Opera Omnia

(Editiones Cistercienses 2, 300-302)

SÃO BERNARDO - Se eu não tiver a caridade, nada sou



20 de agosto

Solenidade no Calendário Litúrgico Cisterciense

Se eu não tiver a caridade, nada sou


“Eu e o Pai, diz o Filho, «viremos a ele», isto é, ao homem santo, «e faremos nele a nossa morada» (Jo 14, 23). A ele, isto é, ao homem santo. Penso que também o Profeta não falou de outro céu quando disse: «Vós habitais na morada santa, ó louvor de Israel» (cf. Sl 21, 4: Vulgata). E o Apóstolo afirma claramente: «Cristo habita em vossos corações, pela fé» (Ef 3, 17).

Não é de admirar que o Senhor Jesus tenha prazer em habitar nesse céu. Para criá-lo, ele não disse simplesmente: «Faça-se», como às demais criaturas. Mas lutou para conquistá-lo, morreu para redimi-lo. Por isso, depois de ter sofrido, afirmou com mais ardor: «Eis o lugar do meu repouso para sempre, eu fico aqui: este é o lugar que preferi» (Sl 131 [132], 14). Feliz da alma à qual se diz: «Vem, minha amada; colocarei em ti o meu trono» (cf. Ct 2, 10.13: Vulgata).

«Por que, agora, te entristeces, ó minh’alma, e gemes no meu peito?» (Sl 41 [42], 6). Pensas que também em ti não poderás encontrar um lugar para o Senhor? E que lugar em nós será digno de sua glória e suficiente para sua majestade? Quem me dera merecesse pelo menos adorá-lo no lugar em que colocou seus pés! Quem me dera pudesse ao menos agarrar-me no mínimo às pegadas de alguma alma santa que «ele escolheu por sua herança» (Sl 32 [33], 12)! Oxalá ele se digne infundir em minha alma o óleo de sua misericórdia, de modo que também eu possa dizer: «De vossos mandamentos corro a estrada, porque vós me dilatais o coração» (Sl 118 [119], 32). Então poderei, talvez, também eu, mostrar em mim mesmo, se não um grande cenáculo preparado, em que Ele possa sentar-se à mesa com seus discípulos, pelo menos um lugar onde possa reclinar a cabeça.

Depois é necessário que a alma cresça e se dilate, para ser capaz de Deus. Ora, sua medida é seu amor, como diz o Apóstolo: «Dilatai-vos no amor» (cf. 2Cor 6, 13). De fato, embora a alma, sendo espírito, não ocupe uma extensão corporal, contudo a graça lhe concede o que lhe foi negado pela natureza. Cresce e se estende, mas espiritualmente. Cresce e aumenta, até «chegar ao estado de adulto, até chegar à estatura de Cristo em sua plenitude» (Ef 4, 13). Cresce até se tornar «um templo santo no Senhor» (Ef 2, 21).

Calcule-se, pois, a grandeza de cada alma pela medida de sua caridade: a que tem muita é grande, a que tem pouca é pequena, a que não tem nenhuma é nada, como diz São Paulo: «Se eu não tiver caridade, nada sou» (1Cor 13, 2)”.


São Bernardo de Claraval, Abade e Doutor
Sermo 27, 8-10 in Cantica Canticorum
(Editiones Cistercienses 1, 187-189)

SÃO BERNARDO - Espalhar o perfume da compaixão nos pés de Cristo



20 de agosto

Solenidade no Calendário Litúrgico Cisterciense

«Espalhar o perfume da compaixão nos pés de Cristo»

“Já vos falei dos dois perfumes espirituais: o da contrição, que se estende a todos os pecados — é simbolizado pelo perfume que a pecadora espalhou nos pés de Jesus: «toda a casa ficou cheia desse cheiro»; há também o da devoção que consolida todas as mercês de Deus. Mas há um perfume que ultrapassa de longe estes dois; chamar-lhe-ei o perfume da compaixão.

Compõe-se, com efeito, dos tormentos da pobreza, das angústias em que vivem os oprimidos, das inquietudes da tristeza, das faltas dos pecadores, em resumo, de toda a dor dos homens, mesmo dos nossos inimigos. Estes ingredientes parecem indignos e, contudo, o perfume em que entram é superior a todos os outros. É um bálsamo que cura: «Felizes os misericordiosos, pois alcançarão misericórdia» (Mt 5,7).

Assim, um grande número de misérias reunidas sob um olhar compassivo são as essências preciosas. Feliz a alma que cuidou de aprovisionar estes aromas, de neles espalhar o óleo da compaixão e de os pôr a ferver no fogo da caridade! Quem é, no vosso entender, «o homem feliz que tem piedade e empresta os seus bens» (Sl 111,5), inclinado à compaixão, pronto a socorrer o seu próximo, mais contente com dar do que com receber? Quem é esse homem que perdoa facilmente, resiste à cólera, não permite a vingança, e em todas as coisas olha como suas as desgraças dos outros? Quem quer que seja essa alma impregnada do orvalho da compaixão, de coração transbordante de piedade, que se dá inteira a todos, que não é, ela mesma, senão um vaso rachado onde nada é invejosamente guardado, essa alma, tão morta para si mesma que vive unicamente para os outros, tem a felicidade de possuir esse terceiro perfume que é o melhor. As suas mãos destilam um bálsamo infinitamente precioso (cf. Ct 5,5), que não se esgotará na adversidade e que os lumes da perseguição não conseguirão secar. É que Deus lembrar-se-á sempre dos seus sacrifícios”.

São Bernardo de Claraval, Abade e Doutor
Sermones sobre el Cantar de los Cantares, 12
Obras completas, BAC, Madrid, 1987

SÃO BERNARDO - Três amores inevitáveis



20 de agosto

Solenidade no Calendário Litúrgico Cisterciense

Dom Bernardo Bonowitz, formado em Letras Clássicas no Columbia College de Nova York, em 1970, é Abade do Mosteiro Nossa Senhora do Novo Mundo, em Campo do Tenente (PR). É conhecido internacionalmente por seus artigos e livros sobre São Bernardo, Thomas Merton e Jean Armand de Rance. É ainda autor de vários livros sobre espiritualidade monástica.

“São Bernardo de Claraval considera que todo ser humano, ao longo de sua vida, se depara com três amores «inevitáveis»: o amor por si mesmo, o amor pelo outro e o amor a Deus. O caminho ascético que unifica esses três amores é um caminho para a construção da identidade pessoal de cada um.

Como um de seus mestres, S. Agostinho, Bernardo sempre viu a realidade como algo pessoal e relacional – poderíamos dizer, ele sempre experimentou o elo com a realidade como um elo de amor. O mundo das coisas, e mesmo o mundo da natureza, interessavam-lhe pouco. O que o cativava era a vivência por parte do ser humano de três amores «inevitáveis». Para Bernardo, há três amores inevitáveis porque há três pessoas com as quais estamos sempre e inescapavelmente em relação: eu mesmo, o outro e Deus. Nenhuma destas relações pode ser sacrificada, nenhuma delas deveria ser preferida à outra. É uma questão de se viver cada uma destas relações na verdade, e, de fato, cada uma destas relações tem um tipo particular de verdade e pede um tipo particular de ascese.

Comecemos com a relação eu-eu, que para S. Bernardo é sempre o ponto de partida. Para ele é claro que todos os nossos relacionamentos são altamente influenciados pela nossa experiência de nós mesmos. Todas as nossas outras experiências pessoais são filtradas através da experiência que temos de nós mesmos. É por isto que uma experiência purificada de si mesmo – uma experiência de nós mesmos na verdade – é tão inestimável. Até que atinjamos a verdade sobre nós mesmos, jamais tocaremos a verdade de nosso próximo, nem a verdade de Deus.

Quais são as práticas que nos levam à verdade de nós mesmos, a ser presentes a nós mesmos «em espírito e verdade»? Há muitos textos nos quais S. Bernardo insta seus monges a praticarem certa austeridade física e muitos aonde ele os encoraja a não se desanimarem por causa dos rigores da vida monástica. Mas de fato, para Bernardo, a ascese que conduz ao encontro com o eu tal como ele genuinamente é, é a «interioridade». Seu conselho mais básico para aqueles que querem «se encontrar» é de fazer tudo para não fugirem de si mesmos. Podemos ver isto como o centro do voto monástico de estabilidade. Alguns monges tem a estabilidade na sua cela (cartuxos), outros no claustro do mosteiro (cistercienses), alguns permanecem na sua comunidade de profissão até a sua morte, e outros vão a qualquer mosteiro da ordem para o qual sejam enviados, mas em todos estes casos, o propósito da estabilidade é o de unir-se a si mesmo.

S. Gregório Magno descreveu famosamente a S. Bento como o homem que «habitavit secum» – que vivia consigo mesmo – e esta não é uma tarefa fácil ou automática. Estar presente a si mesmo normalmente gera desconforto e o desejo de se tirar férias do conhecimento de si mesmo. Entretanto, como já foi dito, o objetivo primeiro de todas as práticas monásticas é a experiência da própria verdade. Concretamente, como chegar lá? Através das práticas de silêncio e solidão, através da leitura de textos sagrados e da oração. Acima de tudo, através da recusa de abandonar a si mesmo através da «curiositas». Cada xeretada desnecessária fora de nós mesmos é uma distração que freia e que torna menos efetivo o processo de se ir ao encontro da própria verdade. Vocês poderiam perguntar: «E o que dizer da minha responsabilidade para com meu próximo e a sociedade?» Nós dois, Bernardos, respondemos em uníssono: «Paciência». Isto fica para mais tarde.

O primeiro motivo pelo qual nos submetemos a uma disciplina e deixamos a distração de lado como estilo de vida é para nos conhecer a nós mesmos como somos – nobres e vis, capazes de tudo (mysterium sanctitatis et iniquitatis) – e de descobrir que este conhecimento é salvífico – porque é o Cristo espelhando-se em todos os cantos de nosso ser interior”.


Dom Bernardo Bonowitz
Abade do Mosteiro Nossa Senhora do Novo Mundo
Trechos da palestra proferida na PUC-SP em 05 de março de 2009

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Santa Clara de Assis - O amor esponsal em Clara



Festa 11 de agosto

“O amor esponsal em Clara”

“Santa Clara fez-se esposa do Senhor dos senhores porque se sentiu profundamente afeiçoada pelo Seu irrestrito amor. Por divina inspiração, Clara renunciou a todos os outros amores possíveis para poder entregar-se inteiramente ao único esposo Jesus Cristo. Em outras palavras, com todas as fibras do seu coração, procurou evitar que ‘toda soberba, vanglória, inveja, avareza, cuidado e solicitude deste mundo’(RSC 10,6) desviassem o seu coração do único necessário: Jesus Cristo. Assim, conservando o seu corpo casto e virginal, sem nada de próprio, acolhe Jesus no claustro de seu seio. Por conseguinte, Clara revive espiritualmente o mistério da mãe do Senhor, que humildemente dispôs-se à ação transformadora do Espírito Santo e tornou-se efetivamente a mãe do Filho do altíssimo Pai.

Clara retrai-se do corre-corre da ‘cidade’ e recolhe-se no santuário de sua alma para ali, na mais pessoal e individual solidão, encontrar-se a sós com o Amado. No tálamo do seu coração, no silêncio dos sentidos e do intelecto deixa-se enlevar tanto pelo amor do Amado, ou melhor, do Amante, que todo o seu afeto, amor, carinho, atenção e serviço às suas Irmãs, aos pobres e doentes são manifestações concretas de sua uniformidade com o Espírito de Cristo.

Parte da Segunda Carta de Santa Clara a Santa Inês de Praga:

‘Agradeço ao Doador da graça, do qual cremos que procedem toda dádiva boa e todo dom perfeito (Tg 1,17), pois adornou-a com tantos títulos de virtude e a fez brilhar em sinais de tanta perfeição, para que, feita imitadora atenta do Pai perfeito (cf. Mt 5,48), mereça ser tão perfeita que seus olhos não vejam em você nada de imperfeito (cf. Sl 138,16).

É essa perfeição que vai uni-la ao próprio Rei no tálamo celeste, onde se assenta glorioso sobre um trono estrelado. Desprezando o fausto de um reino da terra, dando pouco valor à proposta de um casamento imperial, você se fez seguidora da santíssima pobreza em espírito de grande humildade e do mais ardente amor, juntando-se aos passos daquele com quem mereceu unir-se em matrimônio.

Veja como por você ele (o Cristo pobre) se fez desprezível e siga-o, sendo desprezível por ele neste mundo. Com o desejo de imitá-lo, mui nobre rainha, olhe, considere, contemple o seu esposo, o mais belo entre os filhos dos homens (Sl 44,3), feito por sua salvação o mais vil de todos, desprezado, ferido e tão flagelado em todo o corpo, morrendo no meio das angústias próprias da cruz. Se você sofrer com Ele, com Ele vai reinar’ (Fontes Franciscanas e Clarianas)”.

Cit.por franciscanos.org

São Lourenço - O Fogo do teu Amor, Senhor



Festa 10 de agosto

O Fogo do teu Amor, Senhor

“Foi o Fogo do teu Amor, Senhor, que permitiu ao Diácono São Lourenço permanecer fiel”

“O exemplo de São Lourenço encoraja-nos a dar a vida, ilumina a fé, atrai a devoção. Não são as chamas da fogueira, mas as chamas de uma fé viva, que nos consomem. O nosso corpo não foi queimado pela causa de Jesus Cristo, mas a nossa alma é transportada pelos ardores do seu amor, o nosso coração arde de amor por Jesus. Não foi o próprio Salvador que disse, acerca deste fogo sagrado: ‘vim lançar fogo sobre a terra; e que quero Eu senão que ele já se tenha ateado?’ (Lc 12, 49). Cleofas e o companheiro experimentaram os seus efeitos quando diziam: ‘Não estava o nosso coração a arder cá dentro, quando Ele nos falava pelo caminho e nos explicava as Escrituras?’ (Lc 24, 32).

Foi também graças a este incêndio interior que São Lourenço permaneceu insensível às chamas do martírio; arde em desejo de estar com Jesus, e não sente a tortura. Quanto mais cresce nele o ardor da fé, menos sofre a tortura. A força do braseiro divino que tem aceso no coração acalma as chamas do braseiro ateado pelo carrasco.”

Santo Agostinho
Bispo de Hipona e Doutor da Igreja
Sermo 206

São Lourenço - Semear com largueza



Festa 10 de agosto

“Hoje a Igreja celebra a Festa de São Lourenço, Diácono da Igreja de Roma, que no século III foi martirizado na perseguição do Imperador Valeriano. Segundo a tradição, foi queimado vivo. Fora intimado a entregar ao governo da Cidade os tesouros da Igreja. Dizem que tomou todos os pobres dos quais cuidava, sustentados pela obra de caridade da Igreja romana, e os apresentou à autoridade: “Eis aqui o tesouro da Igreja”.

Na leitura da sua Festa (2Cor 9,6-10), São Paulo diz que quem semeia com largueza colherá com largueza. Lourenço fez assim: semeou com largueza. Primeiro porque foi um cristão dedicado, exercendo fiel e generosamente seu diaconato, cuidando dos pobres com dedicação e verdadeira caridade, percebendo que eles são, realmente, o maior tesouro que a Igreja tem, porque nos recordam sempre o que somos diante de Deus – pobres – e nos permitem servir ao Senhor, presente neles, já que o que a eles fizermos, ao Senhor é que fazemos.

Mas, ele semeou com largueza também e ainda mais porque, abrasado de amor, entregou toda a existência por Cristo, até a morte, dando a vida por seu Amigo e Salvador. Lourenço, que tantas vezes no Altar Eucarístico serviu o Cristo, grão de trigo que morre para dar fruto de vida eterna, foi, ele próprio, esse grão que, morrendo, produziu fruto.

Hoje somos nós, de vida cômoda e morna, chamados a realmente semear com largueza, por amor de Cristo; semear na nossa vida, na carne da nossa existência, a verdade de nosso amor a Cristo. Perdoa-nos, Senhor, sermos tão comodistas, tão pouco diligentes nas tuas coisas, no teu santo serviço, no amor aos teus pobres. Perdoa-nos porque não queremos te dar nada nem morrer em nada por ti: afetos, amizades, prestígio, dinheiro, poder, bens materiais, prazer, comodidade, diversão... Queremos tudo, como os pagãos; nada queremos perder, como os que não te conhecem; de nada abdicamos, como os que não esperam na ressurreição, mas esperam somente para esta vida. E ainda ousamos dizer que somos cristãos. Que teu servo e nosso irmão Lourenço rogue por nós. Amém”.

D.Henrique Soares da Costa
Bispo auxiliar de Aracaju e titular de Acufida
Cit.por domhenrique.com

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

SANTO CURA D’ARS - Segredo do Cura d’Ars: comunicar o que vivia internamente



Na audiência geral com os peregrinos, Bento XVI destaca amizade do santo com Cristo

ROMA, quarta-feira, 5 de agosto de 2009 (ZENIT.org)- Bento XVI afirmou hoje que o segredo do sucesso pastoral do Cura d’Ars foi comunicar aquilo que ele vivia internamente: sua amizade com Cristo.

O Pontífice dedicou a audiência geral desta quarta-feira, à figura de São João Maria Vianney. O Patrono dos sacerdotes e inspirador do Ano Sacerdotal teve sua festividade celebrada ontem pela Igreja, que recordou os 150 anos de seu falecimento.

Bento XVI, ao traçar uma breve biografia do santo francês, assinalou que ele nasceu na pequena aldeia de Dardilly, a 8 de maio de 1786, “de uma família camponesa, pobre em bens materiais, mas rica em humanidade e fé”.

Tendo dedicado os anos da infância e da adolescência ao trabalho no campo e ao pastoreio de animais, à idade de dezessete anos ainda era analfabeto.

“Chegou à ordenação presbiteral depois de muitas vicissitudes e incompreensões, graças à ajuda de sábios sacerdotes, que não se detiveram a considerar somente seus limites humanos, mas souberam olhar mais longe, intuindo o horizonte de santidade que se perfilava naquele jovem verdadeiramente singular”, disse o Papa.

Segundo o Santo Padre, o serviço pastoral “extraordinariamente fecundo” deste “anônimo pároco de uma longínqua aldeia do sul da França” é fruto de uma existência que foi “uma catequese viva”. Esta catequese “adquiria uma eficácia particularíssima quando as pessoas o viam celebrar a missa, deter-se em adoração diante do sacrário ou passar muitas horas no confessionário”.

Bento XVI explicou que o centro da vida de São João Maria Vianney foi a Eucaristia, que ele “celebrava e adorava com devoção e respeito”. Outra característica fundamental era o assíduo ministério da Confissão.

“Reconhecia na prática do sacramento da Penitência o natural cumprimento do apostolado sacerdotal, em obediência ao mandato de Cristo: ‘Àqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados’”.

De acordo com o Papa, São João Maria Vianney distinguiu-se como “ótimo e incansável confessor e diretor espiritual”. Passava, “com um único movimento interior, do altar ao confessionário, onde transcorria grande parte do dia”.

“Como poderia imitá-lo um sacerdote hoje, em um mundo tão mudado?”, questionou Bento XVI.

Apesar de mudarem os tempos e as pessoas apresentarem características particulares, “há no entanto um estilo de vida e um alento fundamental que todos somos chamados a cultivar”.

“Na verdade, o que fez santo o Cura d’Ars foi a sua humilde fidelidade à missão a que Deus o chamou, foi seu constante abandono, cheio de confiança, nas mãos da Divina Providência.”

“Ele conseguiu tocar o coração das pessoas não com a força de seus talentos humanos, ou através de um louvável esforço da vontade; conquistou as almas, mesmo as mais resistentes, comunicando-lhes aquilo que vivia internamente, que era a sua amizade com Cristo”, disse o Pontífice.

São João Maria Vianney foi um homem “apaixonado por Cristo”. Bento XVI afirmou que o testemunho deste pároco recorda que “a Eucaristia não é apenas um evento com dois protagonistas, um diálogo entre Deus e mim. A comunhão eucarística encaminha para uma transformação total da própria vida. Com toda força escancara o eu inteiro do homem e cria um novo nós".

Papa Bento XVI
Audiência geral, 05/08/2009

SANTO CURA D’ARS - A oração é uma união com Deus



FESTA 04 DE AGOSTO

«Até agora, ainda não pedistes nada. Pedi e recebereis; assim sereis cumulados de alegria».

“Vede, meus filhos: o tesouro do cristão não está na terra, mas no Céu. (Mt. 6, 20). Pois bem! O nosso pensamento deve estar onde está o nosso tesouro. O homem tem a bela função de rezar e amar. Vós rezais, e amais: eis a felicidade do homem sobre a terra.

A oração, outra coisa não é senão uma união com Deus. Quando se tem o coração puro e unido a Deus, sente-se um bálsamo, uma doçura que inebria, uma luz que encandeia, atrai, seduz. Nesta íntima união, Deus e a alma são como dois pedaços de cera fundidos entre si; jamais se podem separar. É uma coisa muito bela esta união de Deus com a sua pequena criatura. É uma felicidade que não se pode compreender. Nós não éramos dignos de rezar, mas Deus, na Sua bondade, permitiu que lhe falássemos. A nossa oração é um incenso que Deus recebe com um extremo, imenso prazer.

Meus filhos, vós tendes um coração pequeno, mas a oração dilata-o e torna-o capaz de amar a Deus. A oração é um ante gozo do Céu, um fluxo do paraíso. Ela nunca nos deixa sem doçura. É um mel que desliza pela alma e tudo dulcifica. Os sofrimentos, as dores derretem-se diante duma oração bem feita, como a neve diante do sol”.

S. João Maria Vianney
Catecismo sobre a oração

S. JOÃO MARIA VIANNEY - A mensagem que o Cura d’Ars nos dirige hoje



FESTA 04 DE AGOSTO

Homem de oração

Longos momentos diante do tabernáculo, uma verdadeira intimidade com Deus, um abandono total a sua vontade, um rosto transfigurado; características que impressionavam quem o encontrava e permitiam perceber a profundidade de sua vida de oração e de sua união com Deus. Para não falar de sua grande alegria e de sua verdadeira amizade com Deus: «Eu vos amo, ó meu Deus, e meu único desejo é amar-vos até o último suspiro de minha vida». Uma amizade que implica uma reciprocidade, como dois pedaços de cera, que, uma vez fundidos, explicava João Maria Vianney, já não podem ser separados nem identificados; o mesmo acontece entre nossa alma e Deus, quando rezamos.

O coração pulsante: a Eucaristia celebrada e adorada

«Ele está ali!», exclamava o Santo Cura, apontando para o tabernáculo. Homem da Eucaristia, celebrada e adorada: «Não há nada maior que a Eucaristia», exclamava. Talvez o que mais o tenha impressionado foi constatar que seu Deus estava ali, presente para nós no tabernáculo. «Ele nos espera!» A tomada de consciência da presença real de Deus no Santíssimo Sacramento talvez tenha sido uma de suas maiores graças e uma de suas maiores alegrias. Dar Deus aos homens e os homens a Deus: o sacrifício eucarístico tornou-se, muito cedo, o cerne de seus dias e de sua pastoral.

Obcecado pela salvação dos homens

Talvez seja essa expressão a que melhor resume o que foi o Santo Cura ao longo de seus 41 anos de presença em Ars. Obcecado por sua salvação e pela salvação dos outros, especialmente daqueles que o procuravam ou tinham sido postos sob sua responsabilidade. Como pároco, Deus há de lhe «pedir contas» deles, dizia. Para que todos pudessem sentir a alegria de conhecer a Deus e de amá-lo, de saber que Ele nos ama: era assim que agia sem descanso João Maria Vianney.

Mártir do confessionário

De 1830 em diante, milhares de pessoas irão a Ars para se confessar com ele; serão mais de 100 mil no último ano de sua vida. Pregado em seu confessionário até 17 horas por dia, para reconciliar os homens com Deus e entre si, o Cura d’Ars é «um verdadeiro mártir do confessionário», frisava João Paulo II. Conquistado pelo amor de Deus, admirado diante da vocação do homem, o Cura d’Ars media a loucura que havia em que alguém quisesse se separar de Deus. Queria que todos fossem livres para poder saborear o amor de Deus.

No coração de sua paróquia, um homem de autêntica sociabilidade

«Não sabemos o que o Santo Cura não fez em termos de obras sociais», relata um de seus biógrafos. Vendo a presença do Senhor em cada um de seus irmãos, ele não se dava um minuto de paz procurando socorrê-los, aliviar seus sofrimentos ou suas feridas, criar condições para que cada um se sentisse livre e realizado. Orfanato, escolas, dedicação aos mais pobres e aos doentes, construtor incansável... nada lhe escapava. Acompanhava as famílias e se esforçava por protegê-las de tudo o que pudesse destruí-las (o álcool, a violência, o egoísmo...). Em seu vilarejo, procurava considerar o homem em todas as suas dimensões (humana, espiritual, social).

Padroeiro de todos os párocos do universo

Beatificado em 1904, será declarado por São Pio X, em 12 de abril do mesmo ano, padroeiro dos sacerdotes da França. Em 1929, quatro anos depois de sua canonização, papa Pio XI o declarará «padroeiro de todos os párocos do universo». Papa João Paulo II sublinhará essa idéia, recordando em três ocasiões que «o Cura d’Ars continua a ser para todas as cidades um modelo sem par, ao mesmo tempo de realização do ministério e de santidade do ministro». «Oh, o sacerdote é algo realmente grande, pois pode dar Deus aos homens e os homens a Deus; é testemunha da ternura do Pai por cada um e artífice da salvação!», exclamava João Maria Vianney. O Cura d’Ars é um grande irmão no sacerdócio, a quem todo sacerdote do mundo pode confiar seu ministério ou sua vida sacerdotal.

Um chamado universal à santidade

«Eu lhe mostrarei o caminho do Céu», respondera ao pastorzinho que lhe indicava o caminho para Ars, ou seja, vou ajudá-lo a tornar-se santo. «Por onde passam os santos, passa Deus com eles!», afirmaria mais tarde. No fim de seus dias, convidava cada pessoa a se deixar santificar por Deus, a buscar com todos os meios essa união com Deus, neste mundo e por toda a eternidade.

Cit.por Ars Net. Org

Ano Sacerdotal - Cardeal Hummes aos pais: ousem pedir a graça da vocação sacerdotal na família



04 DE AGOSTO

Prefeito da Congregação para o Clero presidiu missa em homenagem ao Cura d’Ars

ARS, terça-feira, 4 de agosto de 2009 (ZENIT.org).- O Cardeal Claudio Hummes, Prefeito da Congregação para o Clero, pediu hoje que os pais não tenham medo de uma possível vocação sacerdotal do filho, mas que cheguem a ousar pedir a Deus essa graça.

Dom Claudio presidiu esta manhã na Diocese de Belley-Ars, França, à missa em comemoração do 150º aniversário da morte de São João Maria Vianney, o Santo Cura d’Ars, Patrono dos sacerdotes.

Além da missa desta manhã, houve ainda procissão da relíquia do coração do santo e solene celebração das Vésperas, no contexto das festividades do Ano Sacerdotal.

Em sua homilia –da qual Rádio Vaticano difundiu algumas passagens–, o prefeito da Congregação para o Clero destacou que a vida de São João Maria Vianney é rica em ensinamentos.

“O Cura d’Ars é modelo de fé, de oração constante, de uma espiritualidade profunda e sólida; exemplo de penitência, de humildade e pobreza”, afirmou.

Ao falar do Ano Sacerdotal, o Cardeal brasileiro afirmou que se trata de um tempo de graças. “A Igreja quer dizer aos sacerdotes que agradece a Deus por sua presença, que os admira e os ama”. Além disso, sustenta-os com a oração e quer ajudá-los concretamente no desempenho de sua missão sacerdotal, disse.

Dom Claudio lamentou que hoje “tantas pessoas vaguem pela vida como ovelhas sem pastor”, estando “à espera da palavra salvífica do Evangelho”.

O purpurado destacou ainda a importância do sacramento da reconciliação, que deve ser cumprido “com fé, espírito de sacrifício e amor pastoral”, colocando-se à disposição das pessoas com “grande generosidade”.

Ao concluir sua homilia, o purpurado enfatizou o papel da família no cultivo das vocações. “As famílias devem ser verdadeiras Igrejas domésticas, fontes de fé e de amor, onde se reza junto”.

Ele pediu que os pais não tenham medo se o Senhor escolher um de seus filhos para se tornar padre. “Ousem pedir a Deus a graça de uma vocação sacerdotal na família; descubram que doar à Igreja um sacerdote é uma verdadeira bênção”.

Cardeal Claudio Hummes
Prefeito da Congregação para o Clero

sábado, 1 de agosto de 2009

São Bernardo - Ó minha alma, volta ao Verbo para seres transformada por Ele!



“Ó meu Deus, que não poderia eu, confiante, ousar Convosco, cuja nobre imagem e luminosa semelhança sei que trago em mim? Por que deveria eu temer tão alta Majestade, quando posso confiar na nobreza de minha origem? Ajudai-me a conservar a integridade de minha natureza com a inocência da vida! Ensinai-me a embelezar e honrar, com virtudes e afetos dignos, a Celeste Imagem que trago em mim.

Ó minha alma, volta ao Verbo para seres transformada por Ele, para te tornares igual a Ele na caridade! Se amares perfeitamente, desposar-te-ei com Ele. Haverá coisa mais feliz do que esta conformidade? Haverá coisa mais desejável do que o amor pelo qual tu, minha alma, te aproximas espontânea e confiantemente do Verbo, a Ele constantemente adoras, a Ele familiarmente interrogas e consultas em todas as coisas, tão capaz de entender quanto audaz em desejar?

Este é verdadeiramente contrato de espiritual e santo matrimônio! É o amplexo! Sim, é verdadeiramente amplexo porque um idêntico querer e não querer faz de dois um só espírito”.

São Bernardo de Claraval
In Cantica Cant. 83, 1-3
Oeuvres mystiques de Saint Bernard, Paris, 1953

São Pedro Julião Eymard – A via do amor



Festa 02 de agosto

A via do amor

O dom de si mesmo é uma meta difícil, mas S.Pedro Julião Eymard mostra às almas o caminho para se chegar até aí, o caminho do amor.

“O discípulo de Cristo pode chegar à perfeição cristã por duas vias. A primeira é a lei do dever: mediante o laborioso exercício das virtudes se vai progressivamente ao amor, que é o vínculo da perfeição. Esta via é uma via longa e trabalhosa, e por ela poucos chegam à perfeição pois, depois de haver subido durante algum tempo pela montanha de Deus, muitos param pelo caminho.

A segunda via é mais curta e mais nobre: é a via do amor. Antes de agir, o discípulo começa a estimar e a amar. O amor segue ao conhecimento e por ele se lança em tudo, como a águia até o cimo da montanha onde o amor tem a sua morada. E ali, como a águia real, contempla o sol do amor para conhecer bem a sua beleza e sua potência.

O amor, eis aqui o primeiro ponto de partida da vida cristã. O amor é o ponto de partida de Deus até sua criatura, de Jesus Cristo até o homem. Nada mais justo, então, que seja também o do homem até Deus. Mas, antes de ser ponto de partida, é necessário que o amor de Jesus Cristo seja um ponto de profundo recolhimento de todas as faculdades do homem, uma escola onde aprender a conhecer a Jesus. E especialmente na oração, a alma conhece Jesus e Ele se revela a ela”.

São Pedro Julião Eymard
La Eucaristía y la vida cristiana

São Pedro Julião Eymard – Apóstolo do amor à Eucaristia



Festa 02 de agosto

A Eucaristia incendiava seu coração

O centro da vida espiritual de São Pedro Julião Eymard foi sempre a devoção ao Santíssimo Sacramento. O santo dizia: “Sem Ele, eu perderia minha alma”. São Pedro Julião nos relata uma experiência extraordinária em uma procissão de Corpus Christi, enquanto levava o Santíssimo Sacramento em suas mãos:

“Minha alma se inundou de fé e de amor por Jesus no Santíssimo Sacramento. As duas horas se passaram num instante. Pus aos pés do Senhor a Igreja, ao mundo inteiro, a mim mesmo. Meus olhos estavam cheios de lágrimas, como se meu coração fosse um lagar. Quisera eu, nesse momento, que todos os corações estivessem com o meu e se incendiassem com um zelo tal qual o de São Paulo”.

São Pedro Julião Eymard
Colección Les Saints

Santo Afonso Maria de Ligório - Agradar a Deus



Festa 01 de agosto

Agradar a Deus

‘Filii hujus saeculi sapientiores filiis lucis’: bem que nos podemos chamar filhos da luz, porque Deus nos fez compreender que nada importa tanto no mundo como entregar-nos totalmente a Deus.

Meus diletíssimos, nós que somos servos de um Senhor tão bom e tão grande, se temos uma fé viva, devemos esforçar-nos por agradar a este Senhor, e cuidar de avançar sempre mais na sua amizade e na sua graça.

Sabe-se que alguém age por Deus se, quando faz alguma coisa, ou pretende fazer, e não o pode fazer, ou deve deixar para depois porque a obediência manda outra coisa, se então não se perturba, mas faz o que é mandado pela obediência, com a mesma alegria com que faria qualquer outra coisa também por Deus.

Quando aquilo que faz, o faz com espírito e com fervor, para agradar a Deus e para dar gosto a Deus; quando não se espanta nem recua diante das dificuldades que encontra, nem deixa de agir por causa do sofrimento ou das fadigas; então verdadeiramente age por Deus, e não por inclinação ou pelo amor próprio.

Santo Afonso Maria de Ligório, Bispo e Doutor
“Manoscritti inediti”; “Sentimenti di Monsignore”

Santo Afonso Maria de Ligório - Amor total a Cristo



Festa 01 de agosto

Amor total a Cristo

“É belo amar Jesus Cristo de todo o coração. Mas quão pouco são aqueles homens que verdadeiramente nutrem em seu coração um tal afeto. Por isso vemos, com a experiência, que o amor de muitos, e não me engano se digo que da maioria, não só dos cristãos mas até das pessoas chamadas a uma vida santa e perfeita, é feito apenas de palavras, e pouco ou quase nada de atos como deveria ser.

Que significa amar? Que significa amar a Deus de todo o coração? Em se tratando de um simples cristão, significa que observe pontualmente todos os dez mandamentos de Deus, além de observar a lei de Deus e da Igreja. Em se tratando daqueles que buscam a santidade, que procuram tornarem-se santos, significa que observem pontualmente os preceitos que requisita este caminho; que busquem se manter em contínuo recolhimento interior seja em qualquer lugar, em qualquer ação; que não falem em tempo de silêncio, nem nos lugares de silêncio; significa receberem com humildade as correções que lhe forem feitas, especialmente se vierem de Superiores e que se vença e não desobedeça voluntariamente; significa que devem pelo menos suportar as contrariedades do dia a dia com paciência e sem irritar-se e, se possível, caminhar para amar os desprezos, como os santos os amaram; significa que devem amar a mortificação interna e externa ou que ao menos suportem o que Deus lhe manda; significa que devem ser como um pouco de argila nas Mãos do Oleiro Divino”.

Santo Afonso Maria de Ligório, Bispo e Doutor
“Manoscritti inediti”; “Sentimenti di Monsignore”

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Santo Inácio de Loyola – O amor é o critério da sua vida espiritual



Festa 31 de julho

S. Inácio - O Discernimento a partir da caridade.

“O peso da alma é o amor”. Assim escrevia S. Inácio a um antigo colega da universidade de Paris dando-nos a chave do seu itinerário interior e do próprio carisma da Companhia de Jesus. 450 anos depois da sua morte, Inácio de Loyola, continua a ser reconhecido na Igreja como o grande especialista do discernimento. O que é talvez menos conhecido é a importância dada por S. Inácio ao amor como critério do discernimento afetivamente livre. Segundo os Exercícios Espirituais o desejo de viver em reciprocidade com Jesus, “Eterno Senhor de todas as coisas”, sintetiza-se no exercício de “Contemplação” que é capaz de “alcançar o Amor”. S. Inácio une assim a “ação” com a “Contemplação” (ser alcançado pelo Amor).

“Sair do próprio amor” para abraçar o amor de Cristo foi, para S. Inácio, tal como é hoje para todos os que continuam a seguir a sua espiritualidade, o processo que leva cada homem a ver o “Mundo” para além do “mundo” do seu próprio eu, abandonando-se nas mãos do Pai, na confiança de que só o Seu amor basta.”Dá-me o Teu amor e a Tua graça que isto me basta” dizia S. Inácio. O amor é para S. Inácio o critério averiguador da verdade do discernimento, a condição de possibilidade da autêntica liberdade humana. Para S. Inácio, não é possível reduzir o amor a uma experiência sentimental, intimista ou platônica. O amor é Deus. E Deus é “ativo”, “habita”, “trabalha” em todas as coisas. S. Inácio experimentou este amor e, foi este amor que lhe permitiu encontrar “Deus em todas as coisas e todas as coisas em Deus”. O amor verdadeiro é operativo, concreto, eficaz. Cresce, tende para o “mais”. O importante é libertar o amor de toda a afetividade egoísta, de toda a desordem. Já não se trata de viver apenas para evitar o pecado; trata-se de “amar para poder viver na liberdade” e na “discrição da caridade” colocando “toda a confiança com verdadeira fé e intenso amor no Seu Criador e Senhor”. Sem amor nada fazia sentido, nada podia ser discernido. Não fazia sentido viver em pobreza. A pobreza escolhe-se por amor a Cristo pobre. Não fazia sentido a obediência. O amor é a alma da obediência dizia o P. Pedro Arrupe referindo-se a S. Inácio. Não fazia sentido a Castidade. A castidade sem amor é inútil. Nada sem amor fazia sentido para S. Inácio.


O P. Gonçalves da Câmara a quem S. Inácio contou algumas memórias autobiográficas deixou-nos este traço do perfil de S. Inácio: “Sempre é mais inclinado ao amor. Todo ele parece amor”. O “magistério” de S. Inácio em socorrer os famintos de Roma durante a grande fome de 1538, em proteger e defender os hebreus espoliados dos seus próprios bens, em socorrer os mendigos, em ajudar as prostitutas sem as obrigar a uma vida religiosa forçada nos conventos como era próprio de então, em dar apoio ás mulheres desprotegidas, permite-nos conhecer a grandeza da sua caridade apostólica. A amizade com o Senhor e a amizade com os mais pobres encontram-se unidas na sua experiência mística. Se a experiência do amor de Cristo levava Inácio à prática da caridade como a forma mais elevada de praticar a justiça, esse mesmo amor moveu-o a agir em todas as outras aéreas da vida com o esforço de um sacerdócio erudito, capaz de dialogar com a cultura do seu tempo, combater as heresias e ajudar a transformar a Igreja a partir de dentro do próprio amor. Para S. Inácio a “Maior Glória de Deus” e o “serviço dos homens” coincide no exercício apostólico de quem, dentro e não fora da Igreja, procura “fazer tudo como se dependesse de si, sabendo que tudo depende de Deus”.

S. Inácio amava o mundo e cada ser humano na sua inteireza como ele próprio se sentiu continuamente amado pelo Senhor. Por ser tão amado pelo Senhor fez do amor o critério da sua vida espiritual, do seu governo apostólico, de todas as suas decisões convidando “todos os que aspiram a mais” a viver na liberdade de quem, pondo “mais amor nas obras do que nas palavras” é capaz de “em tudo amar e servir”. É que o mundo, para S. Inácio não é só o cenário onde Deus se revela. O mundo é revelação de Deus. E o discernimento é a capacidade de descobrir os sinais de Deus a partir da caridade.

Pe.Carlos Carneiro, SJ
Cit.por companhia-jesus.pt

Santo Inácio de Loyola – Tomai minha liberdade



Festa 31 de julho

Santo Inácio de Loyola foi o Fundador da Companhia de Jesus (Jesuítas) em 1534. Sua conversão se dá após ser ferido em combate e tendo que se recuperar em casa. Como homem ativo que era, sente dificuldades em permanecer deitado durante sua convalescência e somente encontra algum alívio nas leituras. Acaba absorvido por leituras espirituais, como a vida de Cristo e a biografia de santos. Após sua recuperação, decide fazer uma peregrinação ao Santuário de Montserrat e depois passar um tempo de recolhimento em Manresa, onde inicia os escritos dos Exercícios espirituais, os quais são um importante e seguro guia para a iniciação das almas na vida contemplativa. Os Exercícios espirituais indicam o caminho para a alma seguir até a união com Deus.


"Tomai, Senhor e recebei
toda a minha liberdade, minha memória,
meu entendimento e toda minha vontade
Tudo que tenho e possuo
Vós me destes com amor,e a Vós,
Senhor, vos devolvo com gratidão.
Tudo é vosso;
dispõe de tudo segundo vossa vontade
Dai-me somente o vosso amor e vossa graça,
que isto me basta sem que te peça outra coisa.
Dai-me vosso Amor e Graça,
que elas me bastam."


Exercícios Espirituais 234

Santo Inácio, rogai por nós!



Santo Inácio de Loyola – Os Exercícios Espirituais, uma experiência para encontrar o Deus Vivo



Festa 31 de julho

Exercícios Espirituais

Os Exercícios Espirituais são uma experiência que Santo Inácio iniciou para ajudar outras pessoas a encontrarem-se com um Deus que não está mudo e que não vive distante, lá acima na abóbada celeste. Um encontro forte, vivo, pessoal, que compromete a quem segue generosamente essa ginástica espiritual e que o leva a entender e experimentar que Jesus ressuscitado chama a colaborar com a missão que Ele mesmo teve: levar a Boa Nova. Os Exercícios são um benéfico terremoto interior.

Ainda que Inácio estivesse se restabelecendo da ferida na perna provocada por uma bala de canhão, durante a defesa de Pamplona contra os franceses, teve uma série de experiências interiores que sacudiram energicamente sua vida e foram levando-o a encontrar-se com uma verdade gozosa: quem decide ouvir ao Senhor, pode escutar sua voz, chegar a conhecer, por meio do discernimento, a vontade de Deus e tomar as decisões importantes seguindo o impulso do Espírito. Esta mesma experiência é a que Inácio partilha com seus companheiros de estudo, quando lhes dá os Exercícios Espirituais. Todos eles também perceberam, por meio destas práticas, que eram capazes de ouvir a Deus, que podiam crescer em liberdade, seguir radicalmente a Cristo, amar a Deus inseridos num mundo, a um Deus que vive, trabalha e ama no mundo. Desde então, os Exercícios Espirituais, o método que Inácio descreveu tão cuidadosamente, são a base da formação dos jovens jesuítas e nosso ministério mais típico.

O Livro dos Exercícios, composto na alvorada do Renascimento e na época da Reforma, deveria ter caído de moda há muito tempo. Ao contrário, conserva sua atualidade plenamente. Porque na vida concreta de cada dia, os Exercícios ajudam a reler pessoalmente toda a obra da salvação, para descobrir a vontade amorosa da divina Majestade sobre cada um de nós, por meio do Senhor Jesus, sob a moção sensível do Espírito e, quando reconhecemos a sua ação seguindo os ensinamentos dos Exercícios, isto nos impulsiona a encarnar por meio da eleição que o inspira, o maior serviço, que atualiza hoje em nossa vida, a Obra de Cristo. Os Exercícios Espirituais ajudam também a formar cristãos alimentados por uma experiência pessoal de Deus e capazes, ao mesmo tempo, de distanciar-se dos falsos absolutos das ideologias e sistemas, para comprometer-se com o esforço apostólico único da promoção integral - espiritual, social e cultural - do homem e da humanidade. Deles obtemos uma vida no Espírito mais vigorosa, um amor cada vez mais pessoal ao Filho, que carrega sua cruz, e um desejo mais encarnado de poder "em tudo amar e servir".

Peter Hans Kolvenbach, S.J., Prepósito Geral
Jesuitas.org